24/06/17

NA SERRA ALTA - FIDELISSIMOS


"De todas as maravilhas que a Santa Igreja encontrou na fértil ceara dos Reinos Cristãos, a FIDELIDADE encontrou-se em maior constância e brilho em Portugal; característica esta nossa, tão própria e admirável que o Príncipe dos Apóstolos fez com ela coroa lusa (*). Assim, perante os Reinos Cristãos, e o mundo, Deus preparou Portugal para exemplo de Fidelidade, e da grande fidelidade que é a Fé. (...)  Embora Portugal seja de si mesmo desconhecido, não se entenderia o motivo de tal virtude demorar 600 anos em tornar-se oficiosa aos olhos do mundo, caso não fosse a muita discrição pública outra característica nossa, que nos tem protegido providencialmente tantas e tantas vezes. (...) para que os humildes aqui possam aprender a Fé juntamente com a Fidelidade a quem a devem."
(na serra alta - J. Antunes)

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXIII

23/06/17

OS BONS PRINCÌPIOS E A ESTRANHA PASTORINHA (I)


Submetamos a alguns dos nossos princípios uma passagem atribuída à Irmã Lúcia, do livro "Um Caminho Sob o Olhar de Maria". Tentativa arrojada esta, como verão, e contracorrente; a alguns leitores desagradará que desmontemos tal trecho, o submetamos, e voltemos depois a ordena-lo fazendo conclusão não coincidente com o seu sentir.
 
A passagem em questão:

"Se Portugal não aprova o aborto, ficará a salvo; se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu."
 
Antes de mais, segundo dados que posteriormente daremos, não garantimos que estas sejam realmente palavras da Irmã Lúcia, nem asseveramos que a Irmã Lúcia não tenha dito algo parecido (anteriormente, já nos tinha parecido haver motivos para colocar algumas reservas ao livro de onde transcrevemos).

Atenção primeira a cada um dos pontos seguintes, contendo princípios antigos que defendemos, para melhor ir depois ao assunto (as notas serão colocadas  na caixa de comentários, e poderão ali aparecer outros complementos posteriormente):
 
- Cremos terem essência própria cada um dos Reinos Católicos (que a Cristandade coloca por ordem: Sacro Império, França, Inglaterra, Castela, Portugal, Catalunha etc.). [1]
 
- É público que falamos de Portugal pelo Reino Católico que É, o qual ESTÁ hoje ocupado por meio de uma República (antes por meio de uma "monarquia" constitucional, desde de 1834, a 1910 - no séc. XVII a nossa Monarquia tinha ela mesma ficado ocupada pelos ilegítimos reis Filipe). Reino de Portugal por vontade de Deus, com permissão de Deus hoje ocupado (à imagem do que sucede com os restantes Reinos Cristãos). Portanto, quanto ao SER: Portugal é um Reino; quanto ao ESTAR: Portugal está ocupado; e é justamente sob estas distinções que os nossos antigos não confundiram a rebelião com o dever de restituição daquilo que é devido. [2]

- Sabe-se que estamos firmemente com aquela verdade segundo a qual, nos referidos reinos cristãos, uma "lei" que fira aquilo que Deus ordena é violação, ofensa grave, coisa ilegítima (neste nível de consideração não pode haver licitude que seja ilegítima, ou legitimidade que seja ilícita), não seria verdadeira lei.  Tal não seria também coisa de Portugal, portanto, nem dos reinos cristãos, sim contra Portugal, ou contra qualquer um dos reinos cristãos onde aquilo fosse, contra a Europa, conta a cristandade e a Cristandade, [3] contra a Igreja. [4]
 
- Quem tomar para si estas verdades só poderá dizer: "afinal, Portugal não aprovou leis abortistas, nem aprova, nem aprovará".  E diz bem. É a Lei de Deus e a natural (ambas do mesmo Divino Autor) aquelas que, uma vez tomadas honestamente pelo Rei, ao Reino se aplicam, e estendem, desdobrando-se em várias leis e ordenações, à medida que a realidade clame, aqui e a li. [5]
 
- Temos usado a designação "República-em-Portugal", que o vulgo por enganado costuma chamar "República Portuguesa". Não pode essa tal república falar verdadeiramente em nome de Portugal [6] (atenção: não sugerimos ignorar ao ponto de ignorar os impostos etc... - assunto que não cabe aqui agora). Com ou sem culpabilidade (que a ignorância não culpável também não culpa), foram os republicanos os responsáveis pelas suas leis abortistas, para impô-las aos portugueses.

O leitor que não aceita estes princípios, provavelmente não lhe adiantará continuar a leitura.
 
Vamos agora submeter aos mesmos princípios aquelas palavras atribuídas à Irmã Lúcia:

1 - "Se Portugal não aprovar o aborto, ficará a salvo." - Portugal não aprova, não aprovou, nem aprovará (já vimos como). Adaptando: "Portugal não aprovará o aborto, e poe isso ficará a salvo".

2 - "se o aprovar [ao aborto], terá muito que sofrer." - como não o aprova, mas como houve "aprovação" republicana, adaptemos: "quem o "aprovar", terá muito que sofrer".

3 - "Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável;" - Assim é.

4 - "mas pelo pecado da Nação paga todo o povo." - Sim, o princípio está certo, embora requeira trocar "nação" por "Portugal". Acontece tal pecado não é da Nação (como já vimos), é contra Portugal e a culpa recai em quem "aprovou" tal ataque aos portugueses: a "República-em-Portugal". Não há que adaptar que não seja necessário, e por isso apenas suprimamos esta parte.

5 - "Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu." - esta explicação não é necessária agora, mas será depois comentada. Por isso também não há daqui coisa que adaptar.

Adaptando: "Porque os falsos governantes que forjam as "leis" iníquas fazem-no usando o nome do povo que
 
Montando as partes:

"Portugal não aprova o aborto, e fica a salvo; mas quem em Portugal o quer aprovar terá muito que sofrer; pois, pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável."

Aqueles que dizem "vamos exercer o nosso direito de voto" terão contas a prestar [7], isso sim, porque tal "direito" lhes veio do conjunto republicano de leis que os obriga às leis abortistas. É a esses que cabe ter muito que sofrer pelo negócio de usufruírem de falsos direitos em troca de dar falsa legitimidade à República. Como nós, todos aqueles que se têm negado a dar força de legitimidade à República-em-Portugal", não cabe sofrer nem muito nem pouco como seu povo; somos PORTUGUESES verdadeiros e suportamos o peso que hoje isso representa e exige.

Mas enfim, em Portugal mais legítimo é o poder temporal-territorial de um Bispo que o de um republicano; a Igreja em Portugal esteve sempre declaradamente contra o aborto. Nem sequer o aborto foi aprovado em Portugal ... continuou a ser crime nas leis republicanas, mas, em dadas condições tal crime é despenalizado (despenalizar um crime em dadas condições é diferente de legalizar o crime ou removê-lo dessa classe). Por fim, não foram os governantes republicanos a votar a despenalização: um referendo popular, cuja pergunta tinha várias deficiências, levou com uma abstenção de 56% (a maioria), e tendo havido um anterior, em 1998 o "não"ganhou.

(a continuar)

21/06/17

ASCENDENS - INFORMAÇÃO DE ÚLTIMA HORA


A 20 de Junho (2017) a página FSSPX-Portugal (Facebook) fez uma pequena postagem a respeito do trecho "Se Portugal não aprova o aborto, ficará a salvo; se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu.", atribuindo-o à Irmã Lúcia. (partimos do princípio que a pequena postagem é independente da FSSPX).
 
O blog ASCENDENS informa que:

- o autor do blog ASCENDENS em certo site comentou o mesmo trecho, expondo-lhe as respectivas falhas;

- dia 25 de Maio (2017) iniciou-se no nosso blog a redacção da análise ao mesmo trecho;

- a delicadeza da matéria, a vastidão de conteúdos desacostumados dos católicos em geral, a dificuldade de tornar tudo muito resumido mas claro à maioria, acabou por demorar a redacção, e coloca-la "na gaveta";

- ontem ponderámos desistir da continuidade deste trabalho, mas, tornou-se evidente ser maior a verdadeira necessidade em completá-lo, e publicá-lo;

- publicaremos então a parte concluída, como "I parte", e ficará a "II parte" para depois (o artigo tem notas de rodapé que, entretanto perdi, mas delas manteremos a respectiva numeração);

- para que esta informação tenha tempo de ser conhecida publicaremos a I parte no dia seguinte.

16/06/17

NA SERRA ALTA - INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL

S. Teotónio, primeiro Santo do Reino de Portugal, apoiante do Venerável  D. Afonso Henriques
"Pela independência daquilo que já era nosso, D. Afonso Henriques lutou - Rei que foi elevado a Venerável pela Santa Igreja, foi a ele dada milagrosa visão, teve o apoio de São Teotónio na independência. Pela independência de Portugal, lutou D. João I - deu-lhe Deus um General santo, o Santo Condestável D. Nuno Alvares pereira. Pela independência do Trono de Portugal, lutou D. João IV - Rei que coroou a Imaculada Conceição Rainha e Padroeira de Portugal, e que a devolução do Trono à legitimidade foi por Deus anunciado à Venerável Leonor Rodrigues. Toda esta independência contrasta com aquela dos liberais, que, depois da horrível victória de 1834: declara independência prática às leis de sucessão, usurpando o Trono; declara independência prática à Tradição e lei nossa, declarando o constitucionalismo; declara independência do poder temporal eclesiástico, nomeando um grupo de clérigos como representantes da Igreja em Portugal para com eles negociar a extinção da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa; sem querer deixar o nome católico declara independência para proceder à remoção de todos os Bispos resistentes (nomeando outros) e encerrar todos os Conventos. A primeira é a boa independência, que melhor deveríamos chamar "obrigação"; a segunda é uma má independência, que consiste na obtenção concupiscível de poder, domínio,  de ambições privadas,  desafogo de ódios, que os revolucionários costumam, desde os mais rudes aos mais sofisticados. Não parece que "independência" seja o melhor nome para aqueles nossos bons feitos, mas sim "obediência", "dever", "justiça", "patriotismo", "honra dos legítimos superiores", "heroísmo".
(na serra alta - J. Antunes)

13/06/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXII

13 de Junho - Sto. ANTÒNIO DE LISBOA E A CULTURA PORTUGUESA MEDIEVAL


A tamanha popularidade de Sto. António de Lisboa (ou Pádua) tem sobressaído tanto que muito se tem esquecido a sua cultura ê formação anteriores ao ingresso na Ordem Franciscana. Mas é justamente pelo seu santo percurso e feitos que suas bases anteriores se fazem evidenciar. Eis um autêntico intelectual da Idade Média.
 
Como todos sabem, Sto. António era da Paróquia da Sé de Lisboa, e morava a poucos metros da Sé; facto não de pouca influência, como veremos.
 
Sé de Lisboa
Na obra escrita de Sto. António são verdadeiro tesouro da Literatura na História universal, transparece um sólido e vivo saber dos assuntos, que a santidade elevou. O conhecimento profundo dos Padre da Igreja, os escritos clássicos, a Sagrada Escritura, as ciências naturais (Botânica, Mineralogia, Anatomia, Zoologia), as humanidades, o Direito e o discurso são em demasia para um simples franciscano recém chegado. Esta bagagem, evidentemente, é de cunho português, e foi levada dos vários locais insignes do seu Reino natal.
 
Mosteiro de S. Vicente de Fora - Lisboa
Sto. António de Lisboa é o primeiro Professor da Ordem Franciscana, e foi esta a que em tempos mais foi promovida em Portugal: basta olhar as inúmeras igrejas franciscanas portuguesas, em Portugal e além mar, o quanto de talha têm, e outras riquezas inumeráveis para Deus, que fazia a vida cotidiana dos franciscanos parecer ainda mais justamente pobre.
 
Igreja de S. Francisco - Porto (Portugal)
Igreja de S. Francisco - Salvador (Brasil)
O nosso santo foi sempre aluno modelo, e tudo pôde reter das aulas e sermões que ouviu por cá. Frequentou a escola da Catedral de Lisboa. O seu carácter instável, facilitou-lhe não prender-se às comodidades da segurança e vida, passando assim por vários locais religiosos movido por santa busca. Depois do mosteiro dos Cónegos Regrantes de S. Vicente de Fora (Lisboa), decidiu-se pelo auge do intelecto religioso ingressando no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde foi ordenado Sacerdote (teria entre 25 a 30 anos de idade). Ouvindo falar dos martírios de franciscanos portugueses, ficou de tal forma motivado que decidiu imitá-los procurando o martírio, e juntou-se à Ordem.
 
Mosteiro de Sta. Cruz de Coimbra
Em Portugal, desde sempre, teve a formação eclesiástica de topo. Hoje são conhecidas as obras existentes nesse tempo das bibliotecas por onde passou (de 1207 a 1220). Confirmou-se recentemente que os livros referidos em seus sermões existiam à época nos respectivos mosteiros.
 
Os sermões de Sto. António são de toda a variedade de riquezas, muito bem fundamentados na Sagrada Escritura, e chove neles graça tanta que, certo dia, depois do Papa Gregório IX o ter ouvido chamou-lhe "Arca do Testamento, arsenal das Sagradas Escrituras!".
 
Mas tremam aqueles os menos informados e levados pelo escrúpulo, que enviariam à fogueira tudo o que tocou o paganismo... Sto. António de Lisboa, intelecto medieval, Doutor da Igreja, faz inúmeras referências a: Cícero, Catão, Dioscórides, Eliano, Escibónio, Euquério de Lião, Festo Solino, Lilão de Alexandria, Aristóteles, Tibulo, Sérvio, Publíbio Siro, Juvenal, Plínio o Antigo, Sócrates, Varrão, Séneca, Flávio Josefo, Horácio, Ovídio, Lucano, Terêncio, Donato.
 
Como é um pouco nossa inclinação no blog ASCENDENS, coincide que tb. Sto. António costumava partir do  étimo e do conhecimento da História Natural.

Outra característica em Sto. António de Lisboa é a abundante crítica, advertência, e condenações ao alto Clero e Regentes; ataca também a simonia, hipocrisia, perversão, os privados da luz da vida e da ciência por serem como cães mudos, os efeminados, etc. (1), e chega ao campo da profecia. Desengane-se quem que difundir a Idade Média como imaculada e recortada de tantos acontecimentos vergonhosos! A este respeito diz assim o nosso Doutor:
 
"E haverá grande matança na terra do Edom, isto é, nos clérigos que se mancharam com o sangue da luxúria e com a terra da pecúnia [dinheiro e poder]. E com eles cairão os unicórnios, os imperadores e reis deste mundo; e os touros, os bispos mitrados que têm na cabeça dois cornos como se fossem touros. Todos estes que não fizerem penitência dos pecados, cairão com os poderosos, que são os príncipes e potestades deste século, no inferno, lugar dos mortos" (Tesouros da Literatura e da História. Santo António de Lisboa. Obras Completas. Sermões Dominicais e festivos - Henrique Pinto Roma, Porto, Lello & Irmão Editores, 1997, Vol. II, pág. 439)
 
Evidentemente, louva e aponta o modelo eclesiástico: pobre no meio das riquezas, vida digna, de ciência, mansidão, justo, muito caridoso, pastores que brilham pela palavra e pelo exemplo, boa face de Cristo, amigos dos pobres, oração etc.. "Eis que o teu Rei vem a ti, para teu benefício... Manso, para ser amado. Não para ser temido pela potência... São duas as virtudes próprias dum Rei: a justiça e a piedade. Assim o teu Rei é justo, enquanto distribui a justiça a cada um segundo as suas obras". (Sermões, Vol I pág. 262-263)
 
Quanto ao Direito ele não pode afastar-se do que é o Direito Natural e Divino, visto que a Justiça plena só de Deus pode vir. Nada de novo, mas muito frisado por Santo António. O Direito assenta na Justiça (não ao contrário), e "a paz será obra da justiça e o Culto será o silêncio e a segurança sempiterna (Isaías). A obra da justiça, a obra daqueles que pela graça já se encontram justificados, é a paz"; "chama-se modéstia por guardar modo em tudo. Nota que a modéstia consiste sobretudo na paz do espírito e na honestidade do corpo".

O Papa Pio XII elevou a Santo António de Lisboa, "a boca de ouro", a Doutor da Igreja pela Bula Exulta, Lusitania felix (Exulta, ó feliz Lusitânia).

Há que lembrar que este artigo foca o lado intelectual do nosso Doutor, e não couberam outras grandes coisas já tratadas, ou que virão.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDXI

NA SERRA ALTA - Leonardo Castellani

Pe. Leonardo Castellani
"Pelo contrário, as alas resistentes, sofredoras das perseguições lançada por católicos liberais, a respeito do desaparecimento público do Sacro Império convergem. (...) Um D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, um Pe. Agostinho de Macedo bem conheciam aquilo que no séc. XX também o Pe. Leonardo Castellani defendeu: o desaparecimento público do Sacro Império é anterior a 1834. (...) Daqui podemos tirar que o Constitucionalismo é contradição às monarquias tradicionais dos reinos cristãos, e que Portugal foi de todos o último a ficar ocultado socialmente, era o ano de 1834."
 (na serra alta - J. Antunes)

12/06/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDX

INVESTIDURA SOLENE DO X PRÍNCIPE DA BEIRA

 
O Senhor D. Afonso de Santa Maria, Príncipe da Beira, foi neste 3 de Junho investido na Real Confraria de Santa Maria de Braga, na Catedral Primaz das Espanhas (Braga). 

  


A confraria nasceu em 1996, por ocasião do Baptizado de Sua Alteza, por vontade de seus Pais e do Arcebispo Primaz das Espanhas, e para memória perene deste Divino Sacramento sob especial protecção de Santa Maria de Braga (que se venera na respectiva catedral).


Nesta Sé de Braga encontram-se sepultados os pais de D. Afonso Henriques (na Capela dos Fundadores), tal como o avô do Santo Condestável que há dias comemorámos. Um acontecimento às portas do dia do Anjo de Portugal que solenemente comemorámos ontem.

08/06/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDIX

"VIRTUTIS DISCIPULOS"

Desde sempre o blog ASCENDENS tem salientado a importância das palavras e conceitos hodiernamente. Neste campo, a instabilidade, relativismo, e falsos critérios reflectem-se dificultam ao falante a expressão, a justa transmissão de doutrinas, os conhecimentos e experiências. Em 2011 dedicámos algumas publicações ao fenómeno (o caso de "violência", e "bons-costumes", etc...)
O Canal VIRTUTIS DISCIPULUS tem a recomendação e apoio do blog ASCENDENS. Eis um canal de Youtube fundado a 22 de Junho de 2013, e que assim se apresenta:

"Virtutis Discipulus é vehículo de communicação de fundamentais Lecturas de Scientia. Estas Lecturas, de início muito versadas em sciência de nossa língua, expõem muitas aberrações presumidas por nosso povo. Boa evolução só pode ser feita com Scientia."
 
... verdadeira evolução só na verdade; de outra forma é "mutação"
 
O Virtutis vai com 63 vídeos publicados de curtas e bem organizadas lições. Embora em poucas coisas secundárias (pronúncia do latim, etc.) não, o fundamental condiz com a nossa postura.


 
Da I lição: "...faço isto (...) porque me apercebi, depois de vários anos, da importância de saber a origem greco-latina, e por vezes árabe, das palavras. Porque estamos a ser vítimas num processo de degeneração tal que nos está a dificultar imenso, cada vez mais, a tarefa de saber o verdadeiro significado das palavras que utilizamos, assim como a capacidade de as relacionar em sim. Ou seja, em vez de termos um conhecimento uno, estamos a fragmenta-lo."

Da III lição: "... refiro-me ao maior desastre que ocorreu sobre a língua portuguesa, que foi o da reforma ortográfica de 1911; em que foram tornadas efectivas "simplificações" com base em propostas já do séc. XIX. Isto acontece após a queda da "monarquia" em vontade de combater o analfabetismo, "reformando" a Educação: a forma ortográfica de 1911! Em vez de se educar a população, cedeu-se possivelmente às irregularidades já existentes nos diferentes dialectos; vence a ortografia puramente fonética sobre a ortografia etimológica. Opta-se assim por julgar que ocultar a raiz das palavras é simplificar. Evidentemente, isto foi muito contestado pelos linguistas, que conheciam verdadeiramente a língua, que sabiam o que este desastre implicava."
 
Da IV lição: " ... método fácil de se apreender cada vocábulo, e seus derivados, e saber assim o que se está a querer dizer. Pois só dessa forma se poderá saber falar. Custa saber que não é assim que professam as palavras às crianças, que as apreendem isoladas e ficam assim sujeitas à dissociação dessas mesmas palavras.

01/06/17

IDADE MÉDIA EXAGERADA - ESCRAVATURA DETURPADA


É bom mostrar que a Idade Média não foi aquilo que há mais de meio século tem andado em forte circulação. Contudo, o que deveria ter sido uma actitude de reposição dos factos não raras vezes transformou-se no exagero oposto: certos meios mostram a Idade Média tão excelente que apagam importantes factos históricos, e inventam ou exageram outros que lhes convenham. Estas tendências são mais fáceis nas regiões do planeta que não tiveram "Idade Média"; mas como as Américas são muito populosas, estas opiniões tornam-se gradualmente presentes nos países das mesmas línguas.
 
No ano que passou, certo pensador católico das Américas argumentava que os cristãos não tinham contacto com a escravatura na Idade Média. Então, leia-se:

"Com tanto horror os nossos Bispos olharam o Judaísmo que, sob pena de excomunhão não permitiam aos Agricultores Católicos que os Judeus lhes bendissessem os primeiros frutos (Can. 45 de Elvira); nem sequer comer com os Judeus, sob pena de excomunhão (Id. Can. 50; e Cán. 6 de Constança). Para evitar todo o perigo de subversão [não porque a escravatura fosse proibida], proibiu-se [civilmente] aos judeus terem mulheres, concubinas, e escravas que fossem cristãs; e além disso terem algum ofício de República [cargo público] (III Concílio de Toledo, Cán. 14, e IV de Toledo Cán. 65). No IV Concílio de Toledo (Cán. 58) proibiu-se aos Fiéis, Clérigos e Leigos, aceitarem suborno de Judeus para prestar favor e auxílio à sua perfídia ["perfídia" no sentido próprio]. Os infractores deveriam ser expulsos da Igreja. Os cristãos recém convertidos que fizessem o comércio com Judeus pertinazes, deveriam entregar-se (acaso como Escravos) aos Cristãos, e os não convertidos [apenas] açoitados em castigo (Id. Cán. 62). Em juízo não se admitiam por testemunhas os que do Cristianismo apostataram ao Judaísmo; porque aos homens não se pode ser fiel quem não o foi a Deus (Id. Cán. 64). Também não se lhes permitia ter Escravos Cristãos [podiam ter escravos de outra religião em território cristão] (Id. Cán. 66, e 7 do X Concílio de Toledo). (Analisis de las antiguidades eclesiásticas de España - I Tomo, Pe. Fr. Manuel Villodas; Valladolid, 1840)
 
Repetimos vezes sem conta que, o próprio conceito de "escravatura" hoje veiculado não é o mesmo que antes do séc. XVIII (e até o XIX) nos Reinos cristãos, e que o conceito actual (deturpação) veio na sequência da crítica dos opositores da Igreja (os novos pensadores); a qual deturpação foi-se estendendo (ao mesmo tempo que, entre aqueles que aplaudiam, surgiu a prática da mesma escravatura destituída de verdadeiro sentido cristão). Como os leitores já tiveram oportunidade de ler aqui, o sentido próprio de "escravatura" radica no "estado" da pessoa (ou melhor, da falta dele) e não em qualquer forma de tratamento.

Depois de nos lerem, é lamentável que pensadores católicos da actualidade, os quais  estão comprometidos pelas obras que publicaram, pelas palestras que deram, pela ligação a movimentos onde dão voz, pelo público que os segue e repete, continuem teimosamente a tentar contrariar-nos, de longe, sem uma única refutação aos argumentos, ou às fontes. A respeito destes, fica difícil acreditar que valorizem o mandamento de "honrar pai e mãe, e outros legítimos superiores", ou que consideram os nossos antigos reis Pais na Pátria, e que não os "destituam" de "graça de estado". Estes pensadores, não descontentando a herança liberal, abandonam a razão, as fontes históricas, e o debate científico.

Aos teimosos pensadores há que perguntar, pelo menos uma vez: se demonstramos que o vosso conceito de "escravatura" não é o que os cristãos tiveram até existir iluminismo, porque difundis que estamos a defender a "escravatura" (vosso conceito)!? Não é verdade que vós também defendeis uma ideia contra-corrente de "Idade Média", e achais injusto que vos digam "que horror... defender a selvajaria da Idade Média, não é de cristãos"? Há que fazer desenhos?..........

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDVII


D. José

IMAGEM PEREGRINA - MARAVILHAS NA DIOCESE DA GUARDA - 1950 (III)

(continuação da II parte)
 
 
Entre tanta nobreza de alma e piedade nas acções encontramos em Celorico da Beira um das várias entregas de Chave a Nossa Senhora, durante esta peregrinação pela Diocese da Guarda, no ano de 1050. Escolho Celorico como poderia ter escolhido outra terra. Mas, antes de irmos ver como passou, olhemos ao Concelho de Celorico da Beira os dados populacionais daquele ano, e outros.

Eram ao todo 16732 habitantes em 1950; em 1960 baixaram para 14930, eram depois 11386 em 1970, e vieram a decrescer sempre até aos 7693 no ano de 2011 (porque os dados que tenho param aqui). Tomando as fontes dos anos anteriores, constata-se que a década de 50 teve o máximo histórico de população no Concelho, mas que não eram muito menos nas décadas anteriores. Na década de 50, dos 16732 habitantes apenas 1345 tinham mais de 65 anos (hoje são mais de 2268); entre os 25 a 65 anos havia 7125 habitantes (hoje 3758), eram 2765 dos 15 aos 24 (hoje menos de 729), e dos até aos 14 anos eram 5521 (hoje menos de 938).
 
Vamos a Celorico da Beira ver das Chaves:
 
"À entrada, junto ao arco triunfal, o Ex.mº Presidente da Câmara, com todos os vereadores, Juiz da Comarca, com todo o funcionalismo de Justiça, Professores e crianças das escolas, todo o Clero do Arciprestado, todos os organismos da A.C., muitas centenas de raparigas empunhando ramos de brancas flores, e a massa incontável de muitos milhares de pessoas de todas as qualidade e condições.
No meio de cânticos repassados de entusiasmo, aparece a Virgem Peregrina. Uma salva de vinte e um tiros saúda a Excelsa Rainha.
Feito, a custo, silêncio, S. Ex.ª o Sr. Presidente da Câmara saúda em nome da Vila a Excelsa Visitante, e entrega-lhe uma rica Chave de prata e com ela esta Vila com todos os seus moradores. Momento indescritível. Chuva de flores, não cessa de cair sobre a veneranda Imagem da Virgem, a cujos pés se aninham as simpáticas pombinhas [milagre das pombas], que levantam vôo, para logo voltarem a acolher-se junto ao manto da Imaculada.
Põe-se em marcha o grandioso cortejo em direcção ao monumento, que a piedade e a devoção dos filhos de Celorico levantou a tão carinhosa Mãe. O primeiro turno é formado pelas primeiras Autoridades, seguindo-se centenas de turnos durante o caminho para a igreja de Santa Maria, sob cujas abóbodas de maravilha passou o resto da noite.
Era uma hora quando a Imagem foi colocada em alto trono de luzes e flores.
Começa a adoração solene. No altar do Trono, é Exposto o Santíssimo Sacramento, o Rei Imortal dos Séculos, à direita a Rainha Imaculada, e grande, incontável multidão, cantando, rezando e chorando. (...) Assim se passa a noite mais no Céu do que na Terra.
Às 8 horas, celebra a Santa Missa o venerando Prelado. Muitos sacerdotes distribuem a Sagrada Comunhão a mais de três mil comungantes.
(....) Às doze horas, reorganiza-se de novo a procissão para o monumento, onde é celebrada a Missa dos doentinhos. S. Ex.ª Rev.mª fala à imensa multidão, lembrando-lhe a mensagem que a Virgem de Fátima trouxe aos portugueses e ao mundo inteiro. Canta-se, reza-se e chora-se.
Em volta do monumento, os doentinhos esperando a bênção do Santíssimo, Passados momentos, a Hóstia Sacrossanta eleva-se no ostensório para os abençoar; é o silêncio e a oração repossada de esperança e resignação cristã.
A Virgem Peregrina, alçada em alto trono de flores, lá fica até à despedida por ser cantada, louvada e engrandecida pela incontável multidão presa ao doce sorriso dos seus lábios de Mãe. E à tarde, lá vai a caminho de Vale de Azares, ficando nos corações e levando-nos no seu terno coração.
As autoridade do concelho de Celorico, acompanhadas da população, vão até ao terminus do concelho fazer entrega às autoridades do concelho de Trancoso do precioso Tesouro. Celorico da Beira acabara de escrever a página mais bela da sua história.

[veremos depois como em Almeida as casas foram ornadas à antiga]

(a continuar)

REVISTA FLAMA - A OBRA PRIMA DE JOÃO XXIII (II)

(continuação da I parte)
 
Já vimos a publicação da revista FLAMA sobre a morte de João XXIII, e no mesmo número veremos agora o artigo "A Obra Prima de João XXIII". Assim se dizia na época:
 
A OBRA PRIMA DE JOÃO XXIII
 
"... João XXIII assina a Bula "Humanae Salutis", convocatória do Concílio Vaticano II. Até ao último momento, o Concílio foi a máxima preocupação do Santo Padre. Assistir à segunda parte da grande Assembleia Ecuménica era o mais caro desejo do Papa da Unidade."
"A 25 de Janeiro de 1959, João XXIII anunciou ao mundo a sua intenção de reunir um Concílio Ecuménico. Havia 92 anos que não se realizava um Concílio e, em toda a história da Igreja, foi este o vigésimo primeiro convocado. A natureza dos problemas incluídos no programa de trabalhos e as soluções que através dele poderiam ser obtidas fez com que a ideia fosse acolhida com o agrado de todos: as igrejas ortodoxas russas e outros cristãos separados compareceram como "observadores" na primeira faze de trabalhos.
 
«Vaticano II» passava a ser o Concílio que prepararia a Unidade [...unidade!?]. O Concílio «Vaticano» II ficará na história como o Concílio de João XXIII. Foi ele que, só com Deus, o desejou e lhe indicou as finalidades - a última das quais era preparar o caminho para a união dos irmãos separados. Foi ele quem lhe imprimiu o ritmo de um trabalho cuidadoso, efectuado com fervor. Foi ele quem - ao formular as intenções da oração da Semana da Unidade - substituiu as palavras «regresso» e «submissão» por «reconciliação», e quem procurou que o Concílio tornasse vivo e sensível o Cristo de mãos abertas que chama cada homem pelo seu nome.
 
A autêntica e completa caridade iluminou a obra-prima de João XXIII, o Papa da unidade: «Nós vivemos todos pelo espírito, pelo coração e pelos lábios. Bastaria que insistíssemos mais, sobretudo nos dois primeiros, para que os obstáculos que separam os povos desaparecessem.»
 
E a solicitude pastoral de João XXIII - em cujo coração cabiam todos os homens do Mundo [Francisco, "o Papa do Povo"] - levou-o a sair do Vaticano cercado de centena e meia de vezes, sobretudo para visitas a vários bairros e igrejas de Roma, mas também para viagens mais longas, como a da sua peregrinação aos Santuários de Loreto e de Assis. [hoje é mais Assis].

(a continuar)

30/05/17

TRADICIONALISTAS PORTUGUESES - Desde a primeira hora


Dos blogs tradicionalistas em Portugal o blog ASCENDENS foi provavelmente aquele que se pautou por uma visão mais ontológica (filosofia do ser), em qualquer coisa tratada, servindo-se dos factos históricos como palco didático; e agora em 2017 cumprimos uma década de existência. Dizemos que Portugal tem essência, e não faltam as publicações que tratam Portugal como o Reino que é (bem visível até D. Miguel), hoje ocupado (como todos os Reinos cristãos). Estamos nas antípodas do sensualismo filosófico (do qual Le Roy é o mais extremo). Somos Tradicionalistas apenas, por isso  Realistas (filosoficamente), e que desde sempre difundimos os grandes heróis da Tradição Católica portuguesa (frente às revoltas liberais do séc. XIX), testemunhos vivos da ortodoxia católica e são patriotismo, e não teóricos nem activistas. Também não nos cansaremos de dar aos nossos leitores uma selecção de maravilhas, como esta:

"As suposições que os astrónomos imaginaram não são necessariamente verdadeiras; ainda que estas hipóteses pareçam salvar os fenómenos (salvare apparentias), não se deve afirmar que são verdadeiras, pois quiçá poderíamos explicar os movimentos aparentes das estrelas por algum outro procedimento que os homens ainda não conheceram."
(S. Tomás de Aquino - summa theologica, I, q.32, a. 1. ad 2)

NA SERRA ALTA - Um Caso Modernista

 
[Edouard Le Roy] "(...) era teólogo, nunca terá redigido algo censurável segundo as sentenças da Pascendi, era considerado modernista, a sua obra está no Index, faleceu em 1954 aos 84 anos."
(na serra alta - J. Antunes)

IMAGEM PEREGRINA - MARAVILHAS NA DIOCESE DA GUARDA - 1950 (II)

(continuação da I parte)
 
Gouveia
Transcrevo do título "O nobre exemplo de Gouveia - Uma procissão de 2 horas, sob uma chuva torrencial":

"Badalaram as onze da noite.
A escuridão é espessa, impenetrável.
Do Céu cai chuva copiosa, que inunda as estradas e os campos.
Que fará Gouveia que se aproxima? De longe, ao subir a rampa que leva de Vinhó a Gouveia, dir-se-ia, que a vila-fábrica, tão agitada sempre no tumulto das suas máquinas, da sua população trabalhadora, dormia calma, alheia à visita que iria receber. Breve se dissipou a ilusão. um grupo de morteiros mostrou que Gouveia velava, e pouco depois, Gouveia surgia, na agitação tumultuosa da sua ansiedade e do seu fervor. Ali, aos balcões, ao limiar do seu casario, Gouveia está em peso, com suas autoridades, com seus patrões, com os seus operários, com o seu comércio, com os seus lares. E lá dentro, apenas luzes, muitas luzes, flores muitas flores, arcos, legendas, uma decoração e uma iluminação eufórica.
A empresa que fornece a luz electrica declarou que ninguém pagaria a luz daquela noite, que podia toda a gente gostar a que quisesse. Essa seria a homenagem da empresa a Nossa Senhora! E Gouveia foi toda uma mancha branca a esgarçar a treva daquela noite tão escura no espaço como branca nas almas. Chovia, chovia sempre. Mas as manifestações continuavam, cheias de ardor, com fé e entusiasmo, como se a luz do luar de uma noite calma e acolhedora, caísse, doce e meiga, sobre Gouveia. E lá vai a Senhora na sua berlinda, para que a chuva copiosa a não molhe. E a chuva não cessa, nem os cantos, nem as aclamações. Cresce a chuva não cessa, nem os cantos, nem as aclamações. Cresce a chuva e cresce o entusiasmo, num desafio dinâmico. Mas um momento, a chuca, como querendo dar ao fervor das almas o último desafio, desatou a cair a potes, em catapultas. Dir-se-ía que as fontes do céu se haviam rompido e uma tromba de água contínua desabava sobre a terra.
A estrada fez-se ribeiro e todos caminhavam encharcando os pés e as cabeças. Quem recua?
Ninguém. Quando a chuva é mais abundante, verdadeira cascata, um grupo de homens, com aplauso da multidão, faz parar a berlinda, arranca dela a imagem, coloca-a sobre os ombros, e, com cânticos mais ardentes e aplausos, prossegue a procissão, sob a mesma fúria da chuva, que logo abrandou ....
E foi assim, sob chuva copiosa, que a Virgem Peregrina prosseguiu durante duas horas, pelas ruas da vila, cuja população a seguir, sem afrouxar no seu ardor e na suas manifestações. Não cremos que prova de Fé, mais viva, mais impressionante se tenha dado ou venha a dar-se no decurso da peregrinação de Nossa Senhora em qualquer outra parte do mundo.
Poderia esperar-se que, chegando à igreja, a turba debandasse a tomar roupa seca, enxuta. Pois não. A igreja encheu-se de lés a lés e, com o padre Marcos no púlpito, a rezar, a pregar, a cantar, a turba ficou a pé firme até de manhã.
Quando o sol começa a espreitar Gouveia por entre nuvens que forravam o céu, Gouveia estava aos pés de Cristo: - uma comunhão, que se avalia feita por mais de um milhar de pessoas. O capuchinho Vilas Boas preparara as almas e as almas responderam ao apelo do Céu. Todos os actos do programa da manhã correram com devoção e brilho. A nota destacante da jornada foi a Missa Campal. Não é fácil descrever essa magnificente manifestação. Umas vinte mil pessoas se juntaram naquele vasto campo, que sobe da avenida para o Senhor do Calvário, ao alto do que se erguia o altar do Sacrifício.
Momento a momento, a turba engrossa e todo o amplíssimo recinto se enche completamente de uma multidão copiosa e ondulante. Erguem-se bandeiras ao céu, trovejam as aclamações, rasgam-se cânticos de piedade. A multidão reza, canta e espera.
Ao lado, um friso comovente de doentinhos: crianças, adultos, velhos - gama impressionante de todas as misérias. Mas a turba não cessa de rezar nem de cantar. E a missa começa, dialogada, através de altos falantes no meio de uma ordem e compostura edificantes. Poucas vezes temos visto a massa da população, que em verdade estava ali Gouveia em peso: uma lição a colher e guardar para tanta coisa que é preciso que se faça com urgência. (...)
E foi depois a consagração da vila e do Concelho a Nossa Senhora, feita pelo ilustre Presidente da Câmara (...), entregando no coração de Nossa Senhora os destinos de todo o Concelho, para quem pediu as melhores graças e bênçãos. E logo se procedeu à bênção dos doentinhos (...)
A meio da piedosa cerimónia, correu um alvoroço pela multidão. Uma criança doente teria recuperado a saúde. Não obtivemos mais notícias do acontecimento.
Mas para tornar grande e histórica aquela jornada gloriosa, não precisava Gouveia de outro milagre que o da sua presença em apoteose aclamadora, naquela montanha sagrada. (...)
Se é verdade que português igual a católico, com igual verdade, português igual a devoto de Maria, até porque, nessa devoção bem compreendida, está toda a economia da Redenção. (...)
O cântico do adeus, com a revoada de lenços que se agitavam em sentimento comunicativo, explica bem as lágrimas que de tantos olhos caiam em catadupas. E já a Senhora descia a rampa para Rio Torto e ainda, lá cima, os lenços, em adejo ardente, se agitavam em saudade.
 
[em continuação veremos com em Celorico Nossa Senhora recebe as Chaves da vila]
(continuação, III parte)

BARBÁRIE COMUNISTA (IX)

(continuação da VIII parte)















(a continuar)

29/05/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDVI

NA SERRA ALTA - Modernismo Multi-aplicado

S. Pio X
"A respeito do conceito "modernismo", ao sério exame académico não escapa o geral e progressivo fenómeno do desentendimento público. O sentido próprio da palavra "modernismo" tem sua raiz académica no séc. XIX, e é ontologicamente definível como erro relativo ao Ser (eis o âmago irredutível). Na medida em que o ontológico pressuposto é tomado e aplicado a qualquer área do saber, ou da arte, assim produz sequentes conclusões; foi aplicado na literatura, artes plásticas, sociologia, etc.. No final do século XIX Tyrrell aplicou-o directamente à Teologia, e o alarme soou na Igreja. Em 1907, S. Pio X condenou-o com o nome de "modernismo" através da Encíclica Pascendi, na qual o caracteriza segundo o que mais urgia combater na Igreja: possibilitar identificá-lo rapidamente entre o clero, para travá-lo na Teologia e Filosofia. (...) Portanto, não há uma variedade de "modernismos", trata-se antes do mesmo erro em peregrinação pelo mundo, produzindo efeitos diversos, tomando múltiplas caras, tantas quanto sejam as realidades onde ele for aplicado. (...)
A condenação do modernismo não se confina àquela ocasião e contexto histórico, nem apenas àqueles vários erros provocados no campo teológico; a condenação papal é para sempre, e dada ao erro "modernismo" concretamente. (...)
O pouco interesse ontológico dos Tradicionalistas pelo modernismo, e o desprezo que os restantes querem dar, produz novo e delicado fenómeno: ignorando o conceito [ontologicamente], manter-lhe o nome recheando-o com características de algum grupo de pessoas, às quais se decida chamar "modernistas"".
(na serra alta - J. Antunes)

25/05/17

A CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA - TESTEMUNHO


Caros leitores,
Há anos, para combater as teses da "Irmã Lúcia falsa", referi num artigo ter uma prova que me foi dada (nos anos 90). Nunca referi qual tal prova, pois está em causa certa pessoa.
Estamos em 2017, um Cardeal veio agora insistir com a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria (como Nossa Senhora tinha pedido em Fátima), e achei por bem contar-vos:

Sim, aquela Irmã Lúcia velhinha era a verdadeira, não era uma "actriz contratada por Roma" (como dizem os da teoria conspiratória). A Irmã Lúcia disse que a Consagração da Rússia não tinha sido feita como Nossa Senhora pediu (referindo-se à consagração que o Papa João Paulo II tinha feito). Quem mo disse? Disse-o alguém que tinha autorização eclesiástica para com ela falar (facto que é do domínio público). E como o sei? Nos anos 90 era eu aluno dessa pessoa, justamente no ano em que certo evento (do domínio público) ocorreu e a envolveu no assunto que vos trago. Que mais vos posso dizer? Posso contar que tudo o que ouvi foi dito num grupo de uns 10 jovens, tal pessoa sofreu algum tipo de pressão forte (andando inquieto e nervoso por um período de tempo), e outras coisas.

Agora peço aos leitores que usem o importante da informação (que a Rússia não foi consagrada como Nossa Senhora pediu, e que a Irmã Lúcia era a verdadeira), e que esqueçam a pessoa que propositadamente tento omitir. É o nosso trato. Ok?

Como disse que a Irmã Lúcia é a verdadeira, quero também dizer-vos que, segundo dados bem objectivos, tenho o livro "Um Caminho Sob o Olhar de Maria" (do Carmelo de Coimbra) como pouco fiável para análises mais literais, e outras coisas. Neste momento estamos a finalizar um artigo que faz a análise de uma passagem deste livro, artigo demorado por necessidade de encontrar a melhor forma de apresentar o conteúdo.

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDV

IMAGEM PEREGRINA - MARAVILHAS NA DIOCESE DA GUARDA - 1950 (I)

Sé da Guarda
A Imagem de Nossa Senhora de Fátima em 1950 andou peregrina pelas dioceses de Portugal, visitando as paróquias respectivas. Por todo o lado houve milagres, que junto a esta imagem começaram pelo menos desde 1947 (antes da sua primeira viagem peregrina ao estrangeiro), e não os deixou de fazer na Diocese da Guarda, que é o que vos venho contar.
 
Sirvo-me do livro que a própria Diocese da Guarda publicou em 1950, e transcrevo:
 
"(...) O universalismo de Fátima recebera a sua perfeita e definitiva consagração.
O Velho Duarte Pacheco tinha de inspiração divina a nossa epopeia marítima, a expansão da civilização cristã pelo mundo, que o nosso génio, filho da nossa fé, criou e engendrou. Não pode ter outra explicação o universalismo de Fátima.
Para que este novo universalismo?
Apenas, e está nisso a sua grandeza e a nossa responsabilidade, para completar a obra do primeiro."
O magno problema da hora presente não é só a conversão da Rússia, é também o da conversão do Mundo. Apostasia da Rússia começada com Fócio, no século VIII, consumou-se no séc. XX por influência do Ocidente. O comunismo é filho de Marx, Marx é filho de Hegel e ambos são filhos de Lutero. O comunismo é a última etapa, a derradeira consequência religiosa, política, económica e social do protestantismo. Da Rússia, disse Ventura Raulica que só se converteria com uma grande revolução. Essa revolução não foi a que Lenine desencadeou com os seus sequazes, naquele trágico mês de Novembro de 1917. O comunismo mesmo, não é uma revolução no sentido original do termo; é antes uma deformação, uma degradação colossal, que pretende envolver todo o mundo. A "revolução", regresso ao princípio, só pode vir do espírito, importa a recuperação do que se perdeu, da personalidade cristã da Europa [independentemente do restante] (...) da personalidade histórica do Ocidente." [o comunismo deve ser visto em todo o seu desdobramento e desenvolvimento, e não apenas o partidarismo e doutrinas nas suas formas clássicas].
 
Isto era do prólogo. Vamos ver o que aconteceu em Vila Nova de Tazem, que em 1950 tinha um total de 2942 habitantes. Nas aldeias que vão aparecendo os católicos são 100% da população.
 
"Rio Torto [922 habitantes] esperava a pé firme, à entrada do ramal que se lhe abre da estrada nacional. Toda a povoação está a postos. Música e foguetes e ornamentações. Um grupo de ciclistas, com arcos erguidos nos aparelhos que montam, vão ao encontro da Senhora, que ao chegar recebe uma ovação estrondosa.
Estalam os foguetes, toca a música [banda filarmónica], soam os vivas, ribombam as aclamações. Depois faz-se silêncio. E logo se abre a recitação do Coro Falado, ali mesmo na estrada, espécie de diálogo entre o pároco e a freguesia, diálogo que exprime a consagração a Nossa Senhora. O Sr. D. Domingos préga, renovam-se as manifestações e o cortejo prossegue a sua marcha com o cântico do adeus, e, como em toda a parte, com agitação dos lenços, em gesto de saudosa despedida.
Vem agora Lagarinhos [963 habitantes], toda enfeitada com festões de verdura e flores, a estrada atapetada de ervas odorantes, arcos e bandeiras. Em frente da igreja, junto da Casa do Anjo da Guarda e da magnífica casa destinada a residência paroquial pela ilustre família da Ponte Pedrinha, ergue-se, sobre quarto postes, ornados de festões, um interessante docel, sorte de cúpula imensa tecida de flores. É debaixo dele que fica Nossa Senhora. Manifestações ruidosas, cânticos, foguetes, flores em catapultas, e por fim a consagração a Nossas Senhora.
O Sr. D. Domingos agradece à freguesia o cuidado e interesse que tem pelos Seminários, e presta uma homenagem de merecida justiça à ilustre família da Ponte Pedrinha, pela caridade que tem com os Seminários e a oferta da linda casa, que expressamente fez construir para residência do pároco, mostrando assim o grande interesse que lhe merecem as almas e a sua salvação. Recebe as esmolas destinadas à aquisição da imagem que vai ser colocada na Sé da Guarda, e no meio de novas e estrondosas aclamações, a imagem segue para Pinhanços [905 habitantes], que está profusamente ornamentada, e onde as manifestações foram por igual ardentes e fervorosas.
Após um curto descanso do Sr. Bispo, em casa do nosso presado amigo Sr. Álvaro Corte-Real, fez-se a consagração da freguesia.
Depois, foi Santa Comba, Tourais Paranhos, onde multidões enormes saudaram Nossa Senhora, com manifestações ruidosas. Esta já noite quando a imagem, depois de receber as homenagens da gente de Girabolhos, que veio ao seu encontro, chegou a Tazem.
Ali um formigueiro humano a esperava. Viera gente de todas as freguesias do arciprestado. Cada uma delas tem o seu lugar marcado na estrada, que vai a Vila Nova.
Todas mandaram grossas deputações, todas numa ordem perfeita.
No lugar de Tazem, a 2 Km de Vila Nova, estrondeiam as primeiras manifestações, que não cessaram mais em todo o longo trajecto; antes cresceram à medida que da vila se aproximava o cortejo. A meio caminho, a imagem desce da berlinda e é conduzida no andor, por pessoas gradas da vila. Logo duas pombas descem a beijar-lhe os pés e a aninhar-se para não mais saírem [um dos muitos "milagres das pombas"]. Os cânticos, as aclamações sucedem-se, os morteiros rasgam o espaço.
Vila Nova, toda vestida de festa, nas ruas e nas almas. Nas ruas, as decorações são abundantes e variadas; nas almas, a pregação preparatória levara à confissão milhares de pessoas.
A noite caíra há muito. As iluminações nas ruas, nos arcos, nas janelas, são feéricas.
A procissão avança e ao chegar à ampla avenida que leva à Igreja, do alto da torre elegante que a completa, solta-se um rico bouquet de foguetes silenciosos, que enchem o espaço de luzes variadas, em distribuição artística.
Ali as manifestações tomaram ainda mais alma. Estão ali muitos milhares de pessoas. Vila Nova e arredores. A Imagem colocada no vestíbulo da igreja, e vão começar os actos de adoração. O Santíssimo é exposto em frente do templo, cujo corpo será a avenida fronteiriça, único templo capaz de conter a multidão enorme, que se aglomera diante de Nossa Senhora a rezar e a cantar. E foi na verdade, ali, que se fizeram as primeiras horas de adoração.
Mas o tempo arrefecera, a multidão minguou, e as horas de adoração por freguesias, a partir das duas da madrugada, fizeram-se dentro da igreja, sempre apinhada, a despeito das suas vastas dimensões.
Madrugada feita, começaram as missas, nas quais comungaram 3000 pessoas. Seguiu-se a missa das crianças, em que tomaram parte grupos de todas as freguesias do arciprestado, missa da A.C. e zeladoras do S. C., pelo Sr. Bispo, e mais tarde a missa campal, que revestiu singular grandeza e solenidade.
A vasta avenida recebeu copiosa multidão, que ouviu missa dialogada e escutou a palavra ardente e paternal do Sr. D. Domingos que tem sido incansável e por toda a parte deixa a semente fecunda da sua palavra oportuna e evangélica.
A cena da despedida, teve em Vila Nova um acento de notável grandeza e emoção; toda a numerosa multidão, que se juntara em Vila Nova, para saudar Nossa Senhora, se congregou à hora da partida para lhe dar o último adeus.
Levada em triunfo até à frente do hospital, ali entrou na berlinda e seguiu para Cativelos. E viu-se como em poucas partes, grande numero de pessoas, correr atrás dela, em corridas vertiginosas, alheias ao perigo que corriam com os numerosos carros que a seguiam.
E nem todos desistiram, que quando se procedia à consagração em Cativelos, grupos densos de pessoas chegavam para um último adeus. Em Cativelos, a mesma decoração, as mesmas flores, os mesmos vivas. E terminadas as manifestações, toda a freguesia seguiu rua abaixo, até à estrada, em que a berlinda tomou marcha nova e desapareceu na curva da estrada, ante os olhos lacrimosos da multidão a cantar o adeus e a agitar os lenços.
Nespereira e Arcozelo juntaram-se na boca dos respectivos ramais da estrada, em local decorado, com plantas e colchas. Mais adiante, uma casa de cantoneiro, lindamente adornada e com a estrada em largo espaço, decorada de plantas, e os moradores, à porta, de mãos postas em oração. Um vistoso arco de flores, à entrada da quinta do falecido Dr. Mendes Oliveira e, finalmente Vila Cortez, a que se juntou Vila Ruiva. Grandes aclamações, filas de rosas, vasos de flores sobre a ponte, arcos, bandeiras, flores, muitas flores.
Veio depois Nabais e Nabainhos, com grandes manifestações e adorno da rua."

[em continuação veremos como em Gouveia houve uma procissão de duas horas sobe chuva e frio]

(a continuar)

24/05/17

SEM VERDADE NÃO HÁ ENTENDIMENTO

Há demasiada falta de realismo nos meios conservadores católico, e até tradicionalistas ao referirem o lado que lhes desagrada (e não refiro nada do lado que lhes desagrada, porque aí o tipo de problema é outro). Sem verdade, não há entendimento; sem realidade nas premissas os juízos de nada servirão.

 
Agora, a respeito das comemorações do 13 de Maio de 2017, Roberto de Mattei escreveu:
"A difusão da prática dos primeiros sábados do mês nunca foi promovida pelas autoridades eclesiásticas (...). Mas, acima de tudo, desde cinquenta anos atrás, os clérigos não prégam mais o espírito de sacrifício e de penitência, tão intimamente ligado à espiritualidade dos dois pastorinhos (...)"

Como estas palavras foram dadas pelo autor a um meio de comunicação social italiano (Roma), podemos considerar que Roberto de Mattei dirigia-se apenas àquele público restrito a respeito das autoridades eclesiásticas locais, ou pelo menos italianas; porque é impossível assegurar que em toda a Igreja as autoridades locais nunca tenham veiculado a devoção dos cinco primeiros sábados.
 
Com base em comentários que usuários fizeram ao artigo, constata-se que este "nunca foi promovida" é imediatamente interpretado como se o autor se estivesse a referir a toda a Igreja. Dando o benefício da dúvida, informemos os desinformados: é certo que maioritariamente a devoção dos cinco primeiros sábados não é veiculada nas paróquias, mas é falso que em toda a Igreja nunca tenha sido veiculada oficiosamente.
 
Em Portugal, a devoção dos cinco primeiros sábados é praticada, tal como o é a das primeiras quintas-feiras (dada por Nosso Senhor a Alexandrina da Costa). Muito? pouco? em todas as paróquias? Não posso medir; certamente que antes mais, hoje em poucas paróquias, antes muitas. Relativamente a Fátima, é certo que em Portugal aquilo que poderíamos chamar de "tradição popular religiosa" manteve-se mais sobre o fenómeno aquém fronteiras (ficando a parecer que em Tuy Nossa Senhora foi dar um recado fora de casa). Nos escritos difundidos das aparições de Fátima a aprovação eclesiástica não parece ter colocado restrições à parte dos cinco primeiros sábados, e por isto mesmo podemos encontrar esta matéria divulgada ao longo de décadas.
 
O Santuário de Fátima sempre foi incumbido eclesiasticamente da difusão oficial das matérias relativas às aparições de Nossa Senhora em Fátima, e a devoção aos cinco primeiros sábados constaram durante 100 anos. A 13 de Março de 2007 o Santuário faz um comunicado, no qual se lê:
 
"No contexto da celebração dos 90 anos das Aparições de Nossa Senhora, o Santuário de Fátima entendeu divulgar com maior perseverança a devoção dos Cinco Primeiros Sábados, devoção confiada à vidente Lúcia em Espanha, aprovada pelo Bispo de Leiria a 13 de Setembro de 1939, em Fátima.
Assim, e desde o passado mês de Fevereiro, o Santuário tem vindo a levar a efeito, nos primeiros sábados de cada mês, um programa especial de incentivo à devoção dos Cinco Primeiros Sábados. Trata-se de uma jornada aberta à participação de todos os fiéis, com momentos de oração, uma palestra sobre a devoção ao Imaculado Coração de Maria nas aparições de Tui e Pontevedra (Espanha), a participação numa Eucaristia, a recitação do Rosário e a Adoração ao Santíssimo. Sendo que uma das condições para o cumprimento desta devoção é a prática do sacramento da Reconciliação, os fiéis são convidados a confessarem-se. (...) Alguns dos participantes deslocaram-se a Fátima por curiosidade, outros para acompanhar outras pessoas que entenderam participar. Muitos já conhecem, praticam e divulgam esta devoção. (...) Em declarações à Sala de Imprensa do Santuário de Fátima, no final do Encontro, João Lourenço, natural da Diocese de Portalegre–Castelo Branco, com trinta anos de idade, revela que conhece já há alguns anos esta devoção ao Imaculado Coração de Maria, que procura cumprir há um ano, embora venha “visitar Nossa Senhora de Fátima, de quem gosto muito, desde o ano 2000”. (...)"
 
Portanto, o comunicado é 10 anos antes daquilo que Roberto de Mattei escreveu, certamente não a respeito de toda a Igreja, mas sim de Roma, ou Itália (que é esta a abrangência do jornal Il Tempo onde vem o artigo).

Haja clareza.

(NOTA: neste artigo não se pretende fazer apologias, senão trazer dados necessários que andam em falta).

21/05/17

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CDIV

NA SERRA ALTA - A Verdade Na Mão dos Errados e dos Certos

Estas seriam mãos certas
"Do séc. XIX para cá S. Tomás de Aquino tem também sido mal usado, e disso têm passado erros! Liberais interpretaram-no, modernistas interpretaram-no, ambos interpretaram diferentemente em certos pontos, não coincidindo com aquilo que sempre foi de Tradição. Autores que hoje conhecemos por infeliz sucesso argumentaram-se também com S. Tomás. Mais que na interpretação, o problema maior tem sido o da aplicação: por mais que livrescamente conheça a S. Tomás, a cabeça não liberta da herança liberal (cultural) acaba por não estar longe do todo, aplica indevidamente à realidade um daqueles fragmentos, a visão que têm da realidade não é suficientemente compactível com as altas verdades daquele santo Doutor. Já diferentemente ocorrem em lugares remotos de Portugal, onde uma velhinha ainda tem na prática, nos costumes, na estrutura de pensamento os traços de uma milenar herança verdadeiramente católica; "Suma Teológica"? Não, nunca ouviu tal nome. (...) Conhecimento e sabedoria também não são a mesma coisa, (...)"
(na serra alta - J. Antunes)

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