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18/06/15

REFUTAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DOS PEDREIROS ILUMINADOS - Índice

REFUTAÇÃO DOS PRINCÍPIOS METAFÍSICOS,
E MORAIS DOS PEDREIROS ILUMINADOS
Autor
Pe. José Agostinho de Macedo




ÍNDICE

- Prefacção
- Cap. I - A Filosofia dos Iluminados não é Original, é Cópia;
- Cap. II - Paralelo da Religião de Epicuro com a dos Iluminados;
- Cap. III - São ilusórias as desculpas dos Iluminados;
- Cap. IV - A Religião conduz mais para a felicidade humana que a Filosofia dos Iluminados;
- Cap. V - Se a pública felicidade contribua mais a Filosofia dos Iluminados, se a Religião;
- Cap. VI - De qual das partes esteja a razão a respeito da proposta felicidades?;
- Cap. VII - Se para a verdadeira felicidade seja bastante a humana política sem a Religião;
- Cap. VIII - Sobre deixar a Religião ao povo, e deixar para os outros a Filosofia, e filosóficos motivos;
- Cap. IX - Sobre a felicidade prometida pelo Iluminismo;
- Cap. X - Sobre a Religião Natural, e Cristã;
- Cap. XI - Sobre as oposições dos Iluminados contra a Religião;
- Cap. XII - Se seja mais conducente para a privada felicidade a Filosofia dos Iluminados ou a Religião, especialmente a Religião Cristã;
- Cap. XIII - Sobre o prazer que a Filosofia dos Iluminados nos promete;
- Cap. XIV - Sobre os deveres que a Religião impõe, e a liberdade que a Filosofia promete;
- Cap. XV - Sobre terrores da Religião confrontados com a tranquilidade Filosófica;
- Cap. XVI - Sbre os dois atendíveis tempos a respeito da tranquilidade ou contentamento anunciado;
- Apendix - Extrato de um projecto de Revolução, composto pelo Conde Mirabeau, apanhado em casa de Madame Gai, por Le Grande seu doméstico, e vendido a Mr. Houle, Oficial no Regimento de Dragões da Rainha, impresso depois com os outros escritos do mesmo género com o título "Mistérios da Conspiração".

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 13 (II)

(continuação da I parte)


APPENDIX

Extrato de um projecto da Revolução, composto pelo Conde de Mirabeau, apanhado em casa de Madame Grai, por Le Grande seu doméstico, e vendido a Mr. Houle, Oficial no regimento de Dragões da Rainha, impressos depois com os outros escritos do mesmo género com o título Mistérios da Conspiração.

"Uma nação junta não se muda; só tem em vista o interesse comum para o estabelecer. Deve destruir toda a resistência: e atendei bem para isto. Nada pode ofender a justiça quando se trata do bem geral. Eis aqui o princípio. Trata-se agora de saber qual seja o caminho que é preciso tomar para chegar à restauração geral. É preciso destruir toda a ordem, suprimir todas as leis, anular o poder, e deixar o povo em anarquia. As leis que fizermos não terão logo todo o vigor, não o terão talvez depois; mas é preciso restituir a força ao povo: ele resistirá por sua liberdade, persuadido que a pode conservar. É preciso lisonjear seu amor próprio, e sua esperança, e prometer-lha a felicidade depois dos nossos trabalhos. É preciso iludir seus caprichos, e os sistemas que ele tem feito à sua vontade, porque o povo legislador é muito perigoso, só estabelece leis que coalisam com suas paixões. E como não haja mais que uma alavanca, que os legisladores movem à sua vontade, é preciso que nos sirvamos dele, fazendo-lhe odioso tudo o que quisermos destruir. É preciso semear a ilusão em todos os seus passos; comprar todas as penas mercenárias, que propagarão os nossos meios, e lhe farão ver que nós não atacamos mais que os seus inimigos.
O Clero, sendo o mais poderoso na opinião, não pode ser destruído, senão metendo-se a ridículo a Religião, tornados odiosos seus Ministros, e dando-os a conhecer como outros tantos monstros hipócritas; porque Mafoma, para estabelecer a sua Religião, começou por infamar o Paganismo, que os Árabes, os Sarmatas, e os Seytas professavam. É preciso que a todos os instantes os Libelos abram um novo caminho ao ódio contra o Clero: é preciso exagerar suas riquezas, tornar gerais os crimes, e os erros dos particulares, atribuir-lhe todos os vícios, a calúnia, o assassínio, a irreligião, e o sacrilégio. Nada de delicadeza, tudo é permitido nas Revoluções.
Venhamos à Nobreza. É preciso evitá-la, e dar-lhe uma origem odiosa. É preciso estabelecer um gérmen de igualdade, que não pode existir; mas que lisonjeará o povo.É preciso sacrificar os mais preocupados, incendiar, e destruir suas propriedades, para intimidar os outros. Senão pudermos destruir inteiramente a preocupação da Nobreza, no menos a enfraquecermos, e o povo vingará seu amor próprio, e seu ciume, com todos os excessos, que obrigam os Nobres a fazer o que nós quizermos.
Enquanto à Côrte, é preciso eclipsá-la aos olhos do povo, anulando todas as leis, que a protegem. O Duque de Orleães não omitirá causa alguma para dar explosão à sua vingança. É preciso degradar a Corte até tal ponto, e com tanto excesso, que em lugar de veneração, o povo não tenha mais que ódio, e aversão a seus Soberanos. É preciso que os considere como seus inimigos, e que esteja pronto a se vingar. É preciso lisonjear o soldado, levantá-lo contra a autoridade legítima, fazer-lhe odiosos seus Oficiais, e os Ministros: aumentar seu soldo, fazendo-o o homem da Nação, e não do Rei: enviar-lhe emissários, que o instruam nos nossos projectos, e fazê-lo patriota. E não vedes vós que sem isso nossos inimigos iludiriam todas as nossas vistas, todas as nossas combinações, todos os nossos meios, pela força das armas? Passemos aos Parlamentos.
É preciso representar ao povo sua venalidade, que recaiu sempre sobre o mesmo povo. É preciso mostrar-lhe os Magistrados como déspotas altivos, que vendem até os seus mesmos crimes. O povo ignorante e bruto só vê o mal, e não o bem das coisas. Não digo nada dos Financeiros. Será infinitamente fácil convencer o povo que tudo são abusos na administração da fazenda, e que só merecem indignação os que a ela presidem. Notai bem que o Rei, e os Grandes procurarão frustrar a nossa Revolução com guerras intestinas, ou com as Estrangeiras. É preciso pois para que isto tenha um completo êxito levar o espírito de independência a todos os povos circunvizinhos. Isto não será coisa muito difícultosa. O Espanhol é muito inflamável, e geme há muito tempo debaixo do jugo tirânico do Despotismo, e da Inquisição. Os Italianos são tão arrebatados como os Franceses, e depois que começou a lavrar entre eles o espírito Filosófico, desprezam a Tirania. O Alemão é mais difícil de se mover; porém sua escravidão o indigna contra seus déspotas. É preciso espalhar ouro em Alemanha. Todos os que se deixarem corromper, propagarão a insurreição. O Brabante se inflamará com o mais leve assopro. A Holanda é toda nossa. A Inglaterra nutrirá, e sustentará nossas desordens. Seu ódio natural contra os Franceses não lhe deixará tomar um partido generoso para defender nossos direitos, se neste partido não divisar seu próprio interesse. Quando o Gabinete de S. Jaime nos queira fazer guerra, opor-se-hão os Comuns, porque nós lhes diremos que o que pretendemos é destruir o Despotismo, e a Hidra feudal, e fazermô-nos livres, como eles são. A Prússia tem vistas, que poderão  prejudicar; este Reino não nos deve meter medo; não é uma Potência, que possa afrontar um grande povo ardente, e impetuoso como são os Franceses. É preciso aguerrir este povo. É preciso mais que tudo fixa-lo na defesa das fronteiras, e para isto cumpre nutrir e acender seu furor, alentar suas esperanças com a supressão dos impostos: intimar-lhe surdamente a matança, e extermínio dos inimigos da Revolução, como um dever útil ao Estado. Nós devemos exigir o juramento a todos aqueles, que se juntarem a nossos projectos, e formar diversas sociedades, que em suas sessões tratem o mesmo assunto, discordando (para disfarçar) de opinião.
Enfim importa admitir o povo nos estabelecimento, que devemos criar, concedendo-lhe a voz deliberativa nas Assembleias gerais; isto lhe dará um veículo de honra, que lhe fará andar a cabeça a roda. Mas é preciso não deixar às Cameras mais do que um poder limitado. Se lhes deixarmos muita força, seu Despotismo será muito perigoso. Lisonjeemos o povo com uma justiça gratuita; prometa-mos-lhe uma diminuição de impostos, e uma repartição mais igual. Estas vertigens o hão de fanatizar, e removerão toda a resistência.
Ah! Que importam as vítimas e seus números, as espoliações, as destruições, os incêndios, e todos os efeitos necessários de uma Revolução? nada nos deve ser sagrado!" (Tirado da Refutação dos Princípios Metafysicos, pág. 222).

Este Documento original e autêntico contêm em si todos os princípios de irreligião, e imoralidade: os Pedreiros Livres o pertenderão negar; mas o que eles praticaram na França, na Itália, em Espanha, e em Portugal, manifesta bem a sua autenticidade, e que este é o seu Cresto, ou Cartilha, por onde se governam, e querem deste modo arrancar de entre os homens a Religião, e os bons costumes, e precipitá-los no abismo de todos os males: são portanto os maiores inimigos do género humano. Só poderemos ser felizes pela Religião, e pelos bons costumes; e como esta infernal seita trabalha por destruir estes dois princípios, somente com o extermínio dela poderemos aspirar à nossa felicidade.

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LISBOA: NA IMPRESSÃO RÉGIA. 1823
Com licença da Real Comissão de Censura.

01/04/15

MASTIGÓFORO - INTRODUÇÃO (IV)

(continuação, III parte)

Ora aqui temos descoberto e posto ao sol, o motivo porque os Mações querem amnistias; e por isso os Reis humanos, e indulgentes são os homens de nosso Discursador, e quando eles governam, é que não há turbulências nem desordens! Por isso Luís XVI com a sua indulgência e humanidade salvou a Monarquia Francesa das garras dos Pedreiros! Até estes concedem, que ele foi clemente e benigno por extremo, e que além dos mais benefícios derramados sobre o povo Francês, Também foi tolerantismo na admissão dos Protestantes aos lugares públicos sem falarmos agora no seu perdão da pena última concedido ao ímpio Mirabeau, que em paga disto seria o principal agente da sua desentronização. Quando prevalecem as manhosas ideias de tolerância, e de impunidade, é que se aumenta o número de crimes, perde-se de todo a segurança individual, e vive-se no meio da sociedade como poderão viver os cordeiros no meio de uma alcateias de lobos. não se envergonhe o nosso discursador de revolver os nossos historiadores, por certo mais atilados e mais filósofos, que os seus Rousseaus, Voltaires, e Alaberts, e outros advogados da tolerância. Aí verá mui bem tratadas e expendidas as causas, que infelicitaram os reinados dos Senhores D. Sancho II e D. Fernando, e que os rigores e extremos de justiça, nem por isso obstaram a que o reinado do Senhor D. Pedro I fosse venturoso... creio porém que é estatuto de maçonaria, inverter os factos antigos como quem diz "o povo não averigua isto e o veneno assim propinado bebe-se a longos tragos, e vamos fazendo a nossa fortuna". Mostra-se que não é temerário este juízo, pela confiança que ele toma de nos propor também o Senhor D. João IV por modelo das amnistias. Sim, o Duque de Caminha, o Marquês de Vila Real, o Conde de Armamar, e outros podem ser boas testemunhas de que ele foi Sobre maneira indulgente e compassivo com os que tentaram esbulhá-lo da Coroa. Já que apertam comigo devem saber, que o crime daqueles fidalgos não foi tão abominável como o dos Pedreiros Livres. Por certo que não tinham eles experimentado a beneficiência DelRei D. João IV como estes nossos Pedreiros a experimentaram e bem larga da parte do Senhor D. João VI Assás cleência tem ele mostrado..... e não se fartam nunca estes malvados, ainda querem mais!!

Ora que um Senhor de sua casa expulse um criado por ladrão, perdoe a injúria e não o leve à forca já é muita clemência, porém que se trate de lhe pôr a obrigação de o tornar a admitir para o seu serviço, e de lhe confiar novamente a administração do mesmo, em que ele se houve como infiel a seu amo, é apertar muito os cordéis, é afrontar as ideias mais vulgares até da própria decência, e é um bom Português onde leva a mira o tal discursador desde o princípio até ao fim da sua estada, e bem martelada arenga.

O Segredo de ter os Estado quietos sem castigar os facciosos, é a pedra filosofal descoberta pelos Mações, e por isso tratam de o persuadir e inculcar a todos os Soberanos, que assim lhe faz conta lá para os seus arranjos, e se é pasmoso que eles tenham conseguido pôr uma venda nos olhos a muitos Príncipes não o é menos que ainda se lisonjeiem, de que este modo de vida lhes durará sempre! Assás tem feito das suas... Já basta... não há cão nem gato que lhe não conheça as boas manhas, e habilidades.

Com efeito, o mui Alto e Poderoso Senhor D. João VI deve estar muito contente dessa quasi amnistia, que se dignou conceder a milhares de cúmplices da invasão Francesa. Estes perdoados, e agraciados foram os primeiros que arvoraram o estandarte da rebelião contra o seu benfeitor, e se o grande Filósofo Séneca teve pela mais grave de todas as penas a que é infligida por homens barbados de seu natural, eu acrescento, e digo, que não há debaixo do sol ingratidão nem maior nem mais punível, que a usada com o Senhor D. João VI; mas que há de ser? Estes malditos Pedreiros não têm nem remorsos, nem vergonha, e o caso está em dominar, e empolgar dinheiro, e por isso o corifeu da Seita dizia, e trovejava: "Ninguém pode ser bom Constitucional, sem ter sido bom Jacobino." Ah! que males se teriam poupado, se a decantada Sptembrizaida, de que tanto ralharam e blasfemaram os Pedreiros, fosse mais ao vivo! Infelizmente as medidas tomadas então pelos Governadores do Reino foram taxadas de rigor excessivo e desta arte a Maçonaria daquém e dalém mar foi trabalhando a seu salvo, e preparando a nossa ruína!!

De uma coisa me admiro eu, e vem a ser de que não apareça, em todo o discurso ao menos uma citação do historiador Filósofo (Tácito) que é o desperdiçado dos Pedreiros, e lá para eles coisa muito acima dos nossos Evangelhos... porém os tais heróis costumam fugir às sete partidas de qualquer autoridade, que os possa incomodar, e para a seita é mais pesada, e mais custosa de levar, uma repreensão de Tácito, de que seria uma repreensão de S. Agostinho ou de S. João Crisóstomo, que os Mações quando visitam as livrarias dos Mosteiros ousam denominar estúpidos e materiais... Pois hão-de Levar na bochecha uma repreensão do seu querido Tácito, o qual nos assegura de que nenhum proveito se tira do sofrimento, e dissimulação com os sediciosos, e que se consegue meramente o fazê-los mais atrevidos, e que é uma espécie de ordem para que o sejam "Nihil proficit patientia, nisi ut graviora, tanquam ex facile tolerantibus, imperentur" (In vita Agricolae).

Já entendo porque o Grão Tácito foi posto a um canto, julgou o discursador que nos devia levar pelo mística, e que fazia assim melhor o seu negócio. Já que nos chama para os textos da Sagrada Escritura, novo género de fraude com que intenta deitar poeira nos olhos à simplicidade do vulgo, aprenda a conhecer, e interpretar melhor o texto Sagrado. Nenhum dos que ele aponta é a favor dessa amnistia ou perdão geral, que é o fim a que se endereçam todos os seus capciosos argumentos. Repare que Deus Nosso Senhor perdoa somente aos arrependidos, e castiga inexoravelmente os contumazes, e obdurados. Queremos todos, e quem deixará de o querer? que a paz e a justiça se abracem mutuamente, porém não queremos uma ausência total da justiça, porque neste caso desaparece inteiramente a paz, que dimanara da justiça, e tudo é confusão, perturbação, e anarquia, e temos o homem nesse estado de guerra chamado natural por Hobbes, e outros Políticos. Não sei que possa haver lembrança mais infeliz do que produzir lugares do testamento velho, quando se trata de inculcar amnistios e mansidões de tal jaez. Se o próprio Senhor dos céus, e da terra se dignou ser o próprio Rei de uma nação escolhida, apesar de que tinha em sua mão evitar os crimes com um simples aceno de sua vontade Ominpotente, assim mesmo quis deixar aos Reis uma norma, que pudessem adoptar como base da administração de seus respectivos impérios. Fez um Código penal (que até no sentir do Irmão Diderot é obra prima) e mandou castigar os delinquentes para exemplo de uns, estímulo de outros e segurança de todos. Ora vejam que argumento se tira deste facto contra as benignas e liberais opiniões deste discursador. Quando o mesmo Deus é Rei de uma Nação pequena faz castigar e mui severamente os maus.... Logo que hão-de fazer os Soberanos da terra, que devem ser imagens de Deus não só em misericórdia, mas também na justiça?... Se me replicarem que se tratava do povo Judaico, povo inquieto, e sedicioso, e por isso chamado durae cervicis, eu lhes tornarei, que nunca houve no mundo um povo mais assistindo daquelas prendas que o povo maçónico... Nunca, nunca pisaram a terra maiores criminosos do que os Mações precursores do Anti-Cristo, e se eles devem ficar isentos do rigor da justiça, então despejem-se imediatamente as cadeias todas, e sejam absolvidos todos os salteadores e homicidas... Tão longe está de ser este o carácter das Leis antiga e nova, que o Santo Rei David chega a dizer, que o justo há-de alegrar-se quando presenciar o castigo dos maus, e que lavará as suas mãos no sangue do pecador. Nosso Senhor Jesus Cristo abençoa os que têm fome e sede de justiça; o Apóstolo das nações designa os Príncipes como vingadores do crime, porque de outra sorte era inútil o cingirem uma espada, e até no Céu as ditosas almas dos Santos mártires pedem com instância ao Senhor, que lhes vingue as suas injúrias, e nomeadamente o sangue que derramaram pela palavra Divina.

Os bons Cristãos, e bons Portugueses querem nos Reis uma Clemência razoável, e temperada. Clemência absoluta, e indefinida só querem os Pedreiros, para abusarem dela, para ganharem tempo, e para se rirem depois e mofarem das vítimas que caíram no laço de enfeitados, porém mortíferos discursos.

Ora não seja tudo malhar no pobre homem e faça-se-lhe alguma justiça..... Confesso de plano, que do meio daquela espessa nuvem de falsidades saiu alguma coisa verdadeira. A corrupção dos costumes é sempre a precursora das Revoluções.

(continuação, V parte)

18/02/15

A CONTRA-MINA Nº 19: A Tripeça Liberal (I)

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

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Nº 19
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O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
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A Tripeça Liberal

Ninguém há de dizer,ou adivinhar facilmente, o que seja este Número, que em meu conceito é o mais terrível, que tenho escrito contra a Maçonaria. ora vejamos se assim é ou não. Uma tripeça, como indica o seu próprio nome, consta de três pés, e os que eu chamo de tripaça Liberal, são estes:

1º Pé - O Cidadão Mirabeau;
2º Pé - O Cidadão Volney;
3º Pé - O Cidadão Benjamin Constant.

Se fosse possível, que os Maçons Portugueses deitassem ao menos um rabo de olho para este misérrimo Periódico, estou certo que ao verem tais nomes, ficariam transportados de gosto, e mui pagos de tão oportuna lembrança. Mirabeau, o digno Mestre das revoluções modernas, o tipo de Fernandes Tomas! Volney, o preconizado Mestre da Nação Portuguesa, cujos batanetes Procuradores deixaram sair na Gazeta Oficial um pomposo anúncio das Ruínas postas em linguagem! Benjamin Constant, o autor moderno mais dilatado dos Maçons, o seu desperdiçado, o seu Benjamim! Que pedreiro haverá neste Reino de Portugal, e Algarves, que não seja tentado a beijar humilde, e respeitosamente ao menos o pescoço, onde se escreveram tais nomes, para cujo mister se deveriam procurar expressamente letras iluminadas, cujo brilho nos mostrasse uns longes desse clarão, que os mais conspícuos ilustradores da espécie humana derramaram por toda a circumferência da terra!

Vejam pois se eu sei escolher as autoridades, ou não; e pr ver que são estas absolutamente irrecusáveis, é que me atrevi a explorar as doutrinas de tão egrégios, e campanudos varões; porque me lembrou, que só eles poderiam varões; porque me lembrou, que só eles poderiam convencer alguns Portugueses, que mais facilmente acreditam, que há bruxas, do que na existência de Pedreiros Livres.

Mirabeau
Começando por Mirabeau, deve-se notar, que este Corifeu da Revolução Francesa [diria "Revolução na França"] residiu algum tempo em Berlim, onde apesar de que não era o Embaixador Francês, tinha muitos ares deste Olheiro, para cujo desempenho escrevia repetidas vezes ao Ministro Francês daquela Época. Divulgou-se esta correspondência em 1789, sem a mais leve nota de Cidade, ou lugar de impressão, mas é sabido, que foi em Alençon, e que a obrinha deu muito grande brado, por seu muito análoga à situação actual da França. O Grande Historiador Filippe de Comines afirma, que um Embaixador é sempre um espião honrado; o caso é, que ou Mirabeau fosse espião honrado, ou malévolo, como era mais do seu génio, e carácter, não é todavia de presumir, que sendo ele ávido por extremo de honras, quisesse enganar torpemente a sua Côrte, expondo-se por esse modo a ser apanhado em mentira, e a perder as boas gages do seu Ofício.... Participa ele em diversas cartas o progresso, que fazia em Berlim a Seita dos Iluminados, a que pertenciam os Secretários de Estado, e até os Principais de Sangue Real, havendo nesta Classe um de tal peso, e consideração para a Irmandade, que esta, por agradecida a seu Protector, lhe dava anualmente uma pensão de seis mil escudos!!! Ora estes factos não são verdadeiros, porque Mirabeau os contra; são verdadeiros, porque não há História de causas, ou de Pessoas da Côrte de Prússia, durante o Reinado dos Fredericos, Tio, e Sobrinho, que os não confesse de plano; e assim descobre-se mui facilmente o principal motivo, porque Bonaparte, dentro de uma semana desmanchou, e arrasou a obra de Frederico o Grande, e fez murchar os laureis de seus antigos Generais. Deixando de propósito muitas espécies tão curiosas, como instrutivas, para que não se diga, que eu me proponho insultar as Testas Coroadas, só aproveitarei o que Mirabeau nos conta dos projectos, e destinos da Maçonaria, e se lê na Carta 52, escrita em Berlim a 2 de Dezembro de 1786 a pág. 106 do 2º Tomo da Obra citada:

(a continuar)

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