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31/07/17

VISITAR PORTUGAL - Lamego - Santuário (IX)

(anterior, Óbidos)
 
Hoje vamos a Lamego; mas não todo, porque ficámos detidos na grande maravilha que é o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.


 
Contudo ... não nos resta outra alternativa que a obrigação de condenar a profanação do templo, por haver turismo dentro do espaço sagrado das capelas do templo. E a isto parece soar a voz da opinião geral do nosso tempo "mas então, é assim em quase todas as igrejas apetecíveis ao turismo... é assim mesmo, é normal" ... é quase normal, ou seja, norma, e é assim mesmo que acontecem profanações (é assim, e não apenas).

Tratem os Bispos de estudar o assunto tendo em conta os antigos livros, que era aos antigos que estes cuidados interessava gravemente, e tomem medidas; porque se não as tomam, juntam-se aos "sacrilégios" o agravo das "indiferenças com que Ele hoje é ofendido". E parece-me ouvir outra voz de um tradicional católico dizer-me "escreva também que hoje grande parte dos templos estão já profanados"; e eu respondo "neste momento não me apetece dizer que é verdade".

(continuação, Campo Maior)

15/04/15

OS NOTÁVEIS DESACATOS OCORRIDOS EM PORTUGAL (III)

(continuação da II parte)


Sé do Porto
Aconteceu na Sé da Cidade do Porto (Refere este caso Gabr. Per. de Carv. De Man. Reg. P 2ª Cap. 53 n. 24 fol. 331) em 11 de Maio de 1614. Foi roubado do Sacrário o Sagrado Vaso com as Sagradas Fórmulas. Nunca pôde ser descoberto o executor do delito.

Fez-se por este motivo uma grande Procissão de Penitência de noite, em que foram descalços o Bispo D. Gonçalo de Morais, e o Governador, que então era das Justiças, Diogo Lopes de Sousa 4ª da Relação daquela Cidade (ó tempos, ó costumes). Semelhantes demonstrações de desagravo se fizeram em Lisboa, Coimbra, e por todo o Reino.


Sucedeu em Lisboa, na Freguesia de Santa Engrácia, na noite de 15 de Janeiro de 1630. Foi arrombado o Sacrário, e roubadas as Sagradas Formas de um Cofre de tartaruga guarnecido de prata, e de um Vaso também de prata sobre-dourado; e roubados também alguns ornatos dos Altares.

O réu, que se supôs deste delito, foi sentenciado a ir arrastado pelas ruas públicas até ao lugar, onde cometeu o crime, a serem-lhe ali cortadas as mãos, e queimadas à sua vista; e depois ser ele queimado vivo, e as cinzas lançadas ao mar.

Por este motivo se instituiu uma Irmandade composta de cem Irmãos, da principal Nobreza da Côrte, com o título de Escravos do Santíssimo Sacramento, que costumam fazer todos os anos um Tríduo na Real Capela da Ajuda, e costuma também ElRei assistir à Festa do primeiro, e último dia.


Aconteceu na Igreja da Freguesia do Santíssimo Nome de Jesus de Odivelas, na madrugada do dia 11 de Maio de 1671, tempo da Regência de ElRei D. Pedro II (Refere este caso o Advogado, que foi nomeado para defender o réu, Manuel Alves Pegas, no seu Tratado Histórico, e Jurídico).

Foi arrombado o Sacrário, e foram roubados dois Vasos Sagrados, um de prata sobre-dourada, com as Fórmulas consagradas, e outro de prata lisa. Foram roubadas outras muitas coisas, e ornamentos das Imagens dos Santos, e Altares.

Por Decreto do Príncipe Regente, foi nomeado para Juiz da devassa deste delito o Regedor das Justiças, Conde de Vilar maior, e Escrivães os Desembargadores Diogo Marcão Temudo, Corregedor do Crime da Côrte, e João Leitão de Andrade. Descobriu-se o delinquente, e foi condenado a ser arrastado pelas ruas públicas até à Praça do Rossio, e ali depois de cortadas as mãos em vida, e queimadas à sua vista, morrer de garrote, e seu corpo reduzido a cinzas.

Por este motivo se fizeram muitas demonstrações públicas, e Procissões de Penitência, e Desagravo. A primeira foi desde a Sé até à Freguesia de Santa Engrácia, em que foi o Príncipe Regente, toda a Côrte, o Clero, e todas as Comunidades Religiosas. Seguiram-se Procissões semelhantes em todas as Freguesias de Lisboa, e outros muitos actos públicos de piedade, e Religião.

E 16 de Junho do mesmo ano foram achados casualmente no caminho de Odivelas para Lisboa, no silvado de uma vinha os dois Vasos Sagrados embrulhados num lenço, e um embrulho com muitos dos ornamentos roubados, o que tudo foi levado ao Juiz da devassa.

Fizeram-se novas diligências, tendo-se já feito muitas, e prometido o Príncipe Regente grandes prémios a quem descobrisse o delinquente; mas tudo em vão, até que na noite de 16 de Outubro, sentindo uma criada do Mosteiro de Odivelas andar gente na cerca, pelas dez para as onze horas da noite, deu parte, chamaram-se os Religiosos, e criados do Mosteiro, que fica contíguo ao das Religiosas, entraram na cerca, e encontraram um homem, que declarou ter entrado com intento de furtar galinhas, como já tinha feito mais vezes. Foi preso, e sendo buscado pela Justiça, entre outras coisas que se lhe acharam, foi dentro de uma bolsa com algum dinheiro, uma Cruz de prata dourada, embrulhada num papel, que, sendo reconhecida, achou-se ser aquela, que fôra quebrada do Vaso do Sacrário.

O que tudo sendo levado ao Conde Regedor, e fazendo-se exame judicial da Cruz com o Vaso por dois Ourives, se achou ser a mesma que ali faltava; e por este indício se presumiu ter sido este preso o autor do roubo. Acharam-se depois num embrulho de fato do mesmo réu o resto dos ornamentos roubados, que ainda faltavam; e fazendo-se-lhe perguntas, suposto negou ao princípio, veio por fim a confessa ter sido o autor, e perpetrador daquele roubo, por cuja confissão foi condenado na forma que já se disse.

Em 1744 um devoto, chamado António dos Santos, erigiu um Oratório, em memória deste acontecimento, no sítio onde apareceram os Vasos Sagrados, cujo se chama hoje o Senhor Roubado.


Sucedeu na Vila de Palmela, na Igreja da Freguesia de Nossa Senhora do Castelo, que hoje existe na Ermida de S. João Baptista, extra muros da mesma Vila.

Eis aqui o caso, conforme a conta, que deu o Presidente do Real Convento, e Ordem de Palmela, Clemente Monteiro Bravo, à Rainha Fidelíssima a Senhora D. Maria I:

"Senhora,
na noite de 13 do corrente mês de Maio, dia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, para o dia 14, a Ermida denominada de S. João Baptista, fronteira a este Convento, e contígua a esta Vila, que há muitos anos serve de Freguesia de Santa Maria, Matriz da mesma; se achou roubada, segundo dizem, por três ladrões, que espoliando-a quase de toda a prata, e alfaias, e por ela difundindo os Santos Óleos, deixando as Âmbulas com as bocas em terra, passaram ao horrendo atentado de abrirem o Sacrário, donde levaram um Cofre com uma Hóstia, e cinco Fórmas consagradas, nele depositadas, e uma Pixide com cento e três Partículas consagradas, deixando além disso muitas dispersas pelo altar do mesmo Sacramento. Peço a V. Majestade a sua Real Resolução, com a brevidade que o caso pede, para a minha última, e acertada determinação. Convento Real de S. Tiago da Espada de Palmela 15 de Maio de 1779.
O Presidente do Real Convento da Ordem de S. Tiago: Clemente Monteiro Bravo."

(continuação, IV parte)

14/04/15

OS NOTÁVEIS DESACATOS OCORRIDOS EM PORTUGAL (II)

(continuação da I parte)

BREVE NOTÍCIA

Dos desacatos e roubos do Sacrário, cometidos em Portugal desde a sua fundação até ao ano 1779.

A Religião é a base, de que depende a segurança do Trono, e a tranquilidade dos povos: ela é o freio moral do coração do homem, onde não podem chegar as Leis civis, que somente podem regular, e punir as acções externas. Destruída ela, ou desprezada, serão relaxados todos os vínculos da sociedade, todos os deveres, toda a Moral; perder-se-ia a civilização, e os homens seriam reduzidos ao estado da barbaridade, e quase ao dos brutos, e das feras.

É portanto do maior interesse público, e particular de cada Reino, que a Religião seja respeitada, conservada, e defendida. É isto o que fizeram sempre todos os Políticos, e todos os Legisladores, estabelecendo, e autorizando um Culto público, e uma Religião de Estado, honrando-a, consagrando-a com sábias Leis, e defendendo-a de todos os ataques e insultos, com severas penas, que se acham estabelecidas nos Códigos de todas as Nações civilizadas.

Pela Lei das doze Tábuas todo o sacrilégio indistintamente era punido com pena capital. Esta se ficou sempre conservando entre os Romanos, no tempo da República; porém no tempo dos Imperadores se modificou nos casos menos graves, ficando conservada só nos outros.

Este sistema se tem seguido nas Legislações modernas de todas as nações, e sobretudo na nossa de Portugal, que nesta parte [neste tema] é muito severa e rigorosa (Vejam-se os primeiros cinco Títulos da Ordem. do L. 5º, e nos Títulos 14, 15, 40, e no § 4º do Tit. 60 do mesmo L. 5º).

Embora diga Montesquieu que a Divindade deve ser honrada, e não vingada, esta máxima nunca foi seguida na prática pelos Legisladores de todas as Nações; e quando tratamos de questões em Direito, devemos regular-nos pelas disposições das Leis positivas, e não pelas máximas arbitrárias dos Filósofos; e muito menos em matérias de Religião.

À vista do exposto já se vê que os crimes, que ofendem a Religião, e contêm sacrilégio, são por esta circunstância muito mais graves, tanto por sua natureza, e considerados em si mesmos, como politicamente, em relação à Sociedade Civil. São crimes de Lesa majestade Divina, que atacam o respeito que devemos à Santidade, majestade, e Real presença de Deus; mostram um indigno desprezo daquilo, que todos os homens mais respeitam, e até dos primeiros ofícios da Lei natural.

Todo o homem pois, penetrado dos sentimentos de Religião, se horroriza naturalmente com estes crimes, principalmente quando são atrozes; e o mais atroz de todos é sem dúvida o desacato, roubo, e violação dos Divinos Sacrários, chegando os agressores a profanar com ímpias e sacrílegas mãos o Augusto e Divino Mistério da Eucaristia.

A Nação Portuguesa, e os nossos Maiores, olharam sempre com horror estes sacrilégios, e deram nestes casos as maiores e mais públicas demonstrações de sentimento; distinguindo-se entre todos os nossos Augustos e Fidelíssimos Monarcas, cuja piedade e respeito para com a nossa Santa Religião formou sempre o seu distinto carácter, e de toda a Real Família Portuguesa; dando não só públicas demonstrações do seu sentimento nos actos religiosos que praticaram, mas manifestaram no maior zelo no descobrimento, e castigo dos delinquentes.

Assim mesmo estes atentados contra o Augusto Mistério da Eucaristia eram tão raros nos antigos tempos, que se passavam séculos, sem que acontecesse um só; pois desde a origem de Portugal até ao Reinado da Senhora D. Maria I contam-se os sete mais notáveis.


Em Santarém viviam uns casados pelos anos de 1266, e pela má vida que o marido dava à mulher, se queixou esta a uma sua amiga de Nação Hebreia, a qual lhe levasse a Partícula Consagrada, porque com ela lhe faria um especial remédio, com o qual obrigaria o marido a querer-lhe bem: assim o fez a pobre mulher, escondendo a Sagrada Partícula numa toalha na ocasião, em que fingiu que comungava; mas milagrosamente, quando caminhava pela rua, lhe viram correr sangue do seio, onde levava o Sacrossanto Depósito; e assustada com a novidade, em que todos reparavam, voltou para casa, e meteu o Corpo de Cristo numa arca.

Na noite seguinte viu-se a casa toda iluminada, respirando suaves aromas, e suando Angélico Cânticos. Divulgou-se o caso, e então a Santa Partícula foi levada para a Paróquia de Santo Estêvão, onde depois se achou metida numa Âmbula de cristal por mão Superior.

Até hoje se conserva incorrupta, obrando prodígios tão frequentes e públicos, que a devoção dos fiéis lhe chama por toda a parte o Santo Milagre.


(Refere este caso Jorge Cardoso no Agiológio Lusitano Tom. 3º) Aconteceu no ano de 1362 na Cidade de Coimbra, no Reinado do Senhor D. Pedro I, suposto o Autor citado o atribua ao Senhor D. João I, o que se deve reputar erro de imprensa, por que ElRei D. Pedro I reinou até ao princípio do ano de 1367, seguindo-se o Senhor D. Fernando, e depois o Senhor D. João I (Mestre de Avis), que foi aclamado Rei nas Côrtes de Coimbra em 1385.

O Vaso Sagrado foi roubado do Sacrário da Catedral da dita Cidade, com cinco Formas Consagradas, por um mancebo induzido, e comprado por um Judeu. Descobriu-se o delinquente, e foi punido com a morte. [o punido com morte foi o cristão, e não o judeu]

Fez-se por este motivo uma solene Procissão, em que o Bispo levou para a Sé as Sagradas Formas, tiradas do lugar onde tinham sido enterradas pelo Judeus. Uma Portuguesa rica, chamada Ana Afonso, fundou ali uma Capela, com uma Irmandade, e Hospital; e, para ficar em memória, lhe deu a invocação do Corpo de Deus (Ficava esta Capela nas costas do Mosteiro de Santa Cruz).


Aconteceu em Lisboa a 11 de Dezembro de 1552. Estando um Sacerdote a celebrar Missa, na Real Capela, na presença DelRei D. João III, entrou um Inglês herege, e tanto que o Sacerdote Consagrou a Hóstia, se arremessou ao Altar, e a tirou das mãos do Sacerdote, vertendo o Vinho do Cálice, que ainda estava por consagrar.

Apenas isto se observou, desembainharam os Fidalgos, e Criados do paço as espadas para matarem ao herege; mas ElRei os suspendeu, ordenando que unicamente lhe tirassem das mãos sacrílegas o Santíssimo Sacramento. Foi o réu preso, e castigado como merecia tão horrendo atentado. A Côrte, e o Reino se cobriram de luto, fizeram-se penitências, e muitas demonstrações públicas de sentimento: ElRei mandou fechar todas as janelas do Paço, e todos os Tribunais da Côrte, e até à sua morte sempre ficou conservando o luto.

(continuação, III parte)

OS NOTÁVEIS DESACATOS OCORRIDOS EM PORTUGAL (I)

BREVE NOTÍCIA
DOS
DESACATOS MAIS NOTÁVEIS ACONTECIDOS EM
PORTUGAL DESDE A SUA FUNDAÇÃO
ATÉ AGORA, E O
SERMÃO DE DESAGRAVO
PELOS ÚLTIMOS,
COMETIDOS NESTE MESMO ANO
.

Prégado na Igreja Paroquial de Santa Isabel
Rainha de Portugal,

E OFERECIDO
AO EMINENTÍSSIMO E REVERENDÍSSIMO SENHOR
D. CARLOS DA CUNHA
CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA

POR
Fr. JOÃO DE S. BOAVENTURA
Monge de S. Bento, Mestre em Teologia,
Pregador DelRei Nosso Senhor nas Reais Capelas da Santa Igreja Patriarcal, e Real Paço da Bemposta, e Examinador Sinodal do Patriarcado.




LISBOA,
Na Impressão Régia, ano 1825.
Com Licença.



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"Erit enim tempus, cum sonam doctrinam non sustinebunt, sed ad sua desideria coacervabunt sibi magistros, purientes auribus: et a veritate quidem auditum avertent, ad fabulas autem convertentur. Tu vero vigila, in oministerium tuum imple."

Epist. II S. Paul. ad Timot. C. IV

"Virá tempo, em que muitos homens não sofrerão a sã doutrina; e não querendo ouvir a verdade, acumularão para si mestres conforme aos seus desejos, e desta sorte apartam os ouvidos da verdade, e os aplicarão às fábulas. Tu porém vigia, trabalha, préga o Evangelho, cumpre o teu Ministério."

Epístola 2ª de S. Paulo a Timóteo Cap. IV



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Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor,

alguns Portugueses honrados, a quem o zelo da Religião inflama, e que com verdadeiras lágrimas de amargura têm ouvido a história de tantos, e tão repetido desacatos, cometidos contra o Santíssimo e Diviníssimo Sacramento dos nossos Altares, me instáram que publicasse pela imprensa o Discurso, que preguei em desagravo à Divina Majestade ofendida na sua mesma Real e Adorável Presença. À vista do que me resolvi desde logo a dedicá-lo a V. Eminência, a quem cordialmente respeito e venero, e a quem os Portugueses, amantes da Religião e do Rei, reconhecem, e adoram como contraste da impiedade, modelo dos Bispos, exemplo da firmeza e constância Pastoral, e um Prelado digno dos primeiros séculos da Igreja.

Se Jesus Cristo foi desacatado e ofendido na sua mesma Divina e Real Presença por malvados e iníquos profanadores; V. Eminência, como verdadeiro Pastor, e Defensor da Igreja, foi ofendido e ultrajado pela mão da impiedade, e falsa filosofia do século.

Para desagravar a Jesus Cristo nós lhe ofereceremos nossos corações cheios de Fé, nossas lágrimas, nossas adorações, nossos cultos, e protestamos reconhecê-lo, e adorá-lo realmente presente no Augusto Sacramento dos nossos Altares: para desagravar a V. Eminência basta o testemunho público, com que o mundo Católico reconhece a firmeza de V. Eminência; e para dar-lhe uma pequena prova do cordial afecto que lhe consagro, e do quanto me interesso no bem da Religião, e no extermínio da impiedade, respeitosamente ofereço a V. Eminência uma breve notícia dos desacatos mais notáveis, cometidos contra a Divina Pessoa de Jesus Cristo, desde a fundação de Portugal até ao presente, e igualmente o Discurso que preguei em desagravo do mesmo Divino Senhor, pelos últimos e nefandos atentados que neste mesmo ano se perpetuaram contra os Senhor Sacramentado.

Na história dos desacatos verá V. Eminência quanto a Fé dos Portugueses, comparada com os antigos tempos, ter enfraquecido e vacilado, pelo império quase absoluto que a impiedade, e filosofia do século tem estabelecido no meio de nós: e no Discurso de Desagravo, conhecerá com verdade que com tantas, e tão repetidas profanações dos Lugares Santos, e do mesmo Deus, nem a Fé dos Portugueses pode vacilar, nem a filosofia do século triunfar.

Queira pois, Eminentíssimo Senhor, receber benignamente esta pequena oferta, que, não sendo uma pena eloquente, é dedicada por um coração (ainda que pecador) com tudo fervoroso, e cheio de Fé. Deus conserve a vida de V. Eminência por dilatados anos para honrar a glória de Deus, e satisfazer dos verdadeiros Portugueses, como cordialmente lhe deseja, quem é

de V. Eminência

Súbdito e Orador constante

Fr. João de S. Boaventura.

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(continuação, II parte)

18/01/12

"ROMA - ROMA ETERNA" (X)




"ROMA"
(Ano XIII- nº 68. junho 1981)

O Comunismo, a "Nova Direita" e Lutero

"Eric Honecker, numero 1 do Partido Comunista, da Alemanha do Leste, que acaba de assumir a presidência duma comissão de 100 membros, encarregados de celebrar, em 1983, os 500 anos de Lutéro, disse: Este homem exemplar soube desafiar os princípios do catolicismo e, pela Reforma, introduziu nas classes médias um impulso revolucionário que foi decisivo...". Quinze dias depois destas declarações, Alain de Benoist, director da "Nova Direita", celebrava Lutero em várias páginas do "Figaro-Magazine" (28-6-1980) pela sua ruptura com o catolicismo, a sua subtracção da Comunidade dos fiéis à Igreja, sua concepção "das bases de uma liberdade interior que garantem a hamonia social", seu realismo político", etc. etc. São estranhas concomitâncias. ("Que Pasa?", Madrid, Espanha, nº 692, 1-15-novembro de 1980).

"Aggiornamento"

Copenhaga (AICA). Os actos de vandalismo contra as igrejas multiplicam-se na Dinamarca. A polícia estima que a cada dois dias - por média - é roubada ou saqueada uma igreja. O caso mais recente é o da igreja de Margrethe, em Alborg, donde o recinto foi saqueado, um crucifixo arrancado do altar, os candelabros deitados ao chão, a pia baptismal demolida e o microfone do coro roubado. (Boletim AICA, nº 1255, 8 de janeiro de 1981).

Na Jugoslávia os Professores Não Marxistas Devem Renunciar

Belgrado (AICA). Logo depois da sua nomeação como chefe do Partido Comunista jugoslavo, Lazar Mojsov anunciou uma revisão dos programas escolares na Jugoslávia. O ensino do marxismo deve ser reforçado no ensino escolar, pediu o político.
Até agora esta posição nas escolas tem sido abandonada, já que nos últimos anos era cada vez menos os professores que estavam dispostos a ensinar o marxismo. Mojsov criticou que um marxismo ensinado de forma tão relaxada nunca pode pode alcançar o seu fim docente. Por isso a difusão do conhecimento marxista deve ser a missão central para todos os mestres; o marxismo "deve impregnar todo o processo de educação e ensino".
Para os professores não marxistas - segundo o líder do partido - não há vagas na Jugoslávia. Alguns professores a contra gosto têm-se adaptado de certa forma, mas futuramente já nem a esses será possível. Todo o professor deve publicamente reconhecer-se como marxista ou demitir-se. Para as férias do Natal, Mojsov tem um plano especial: a todos os professores ser-lhes-a ordenada uma semana de cursos de marxismo." (Boletim AINCA, nº 1255, 8 de janeiro de 1981).

20/07/11

MAIS ALGUNS LIVROS NO SCRIBD

A selecção de livros ASCENDENS disponível no SCRIBD é segura doutrinalmente e constituída por uma maioritária percentagem de livros antigos e creditados pelas devidas autoridades. Pela antiguidade  chega aos desacostumados leitores a dificuldade no entendimento de alguns vocábulos e formas escritas antigas, tal como depois da acostumação ganhara não só a facilidade nestas coisas como  maior entendimento sobre a nossa língua em geral (e o absurdo da imposição das novas regras contra a "lógica da língua"). Creia, caro leitor, houve tempo em que me assustaram as páginas antigas onde emperrava tanto em letras, palavras e frases. Essas dificuldades, depois de alguma insistência, acabaram por tornar-se familiares e mestras, chaves de entendimento não só para a língua mas, sobretudo, para o pensamento católico que hoje é ignorado (principalmente pelos actuais católicos).


Hoje o nosso SCRIBD foi guarnecido com mais 4 livros (formato PDF). Dois destes versam sobre a Doutrina Católica, um outro relata e analisa a inesquecível caso profanação em Odivelas do séc. XVII, e por último um que descreve em primeira-mão o martírio de S. João de Brito (santo lusitano):


- Catecismo da Doutrina Cristã e Práticas Espirituais, 1594 (PDF)














- Doutrina Cristã Que Se Diz no Colégio da Companhia de Jesus Nesta Cidade de Coimbra, 1559 (PDF)














- Tratado Histórico e Jurídico - Sobre o Sacrílego Furto, 1710 (PDF)












- Breve Relação do Ilustre Martírio do Venerável Padre João de Brito..., 1695 (PDF)











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