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19/10/14

TERRITÓRIO DE PORTUGAL - E O INÍCIO DA EVANGELIZAÇÃO APOSTÓLICA

Com este e outros texto pretendo primeiramente dar a conhecer certas questões que nos têm sido retiradas dos olhos. (traduzido do castelhano antigo para português):

"Tendo chegado o tempo da lei evangélica, digo que foi Portugal a primeira parte de todo o mundo no qual se prégou o Evangelho Sagrado, com excepção da Judeia e Samaria; isto prova-se, e a mim não me parece haver dúvida, que a primeira província do mundo na qual se transmitiu a Fé de Cristo, não falando das sobre-ditas, foi a nossa Hispanha [Península Ibérica], o que prova o Doutor Madera com bons fundamentos e muita ponderação da Divina Escritura, que não repito, e o dizem claramente Flávio Dextro e confirma o doutissimo Padre Fr. Francisco de Bivar no seu comentário: pelo que assim bem provado ficará então o meu intento se mostrar como a primeira parte de Hispanha [Península Ibérica] não qual se prégou foi a de Portugal. Isto vê-se claramente, porque o Apóstolo Santiago Maior, de quem Hispanha aprendeu as primeiras regras do cristãs (como dis Mariana, e outros muitos; ainda que outros digam que S. Eugénio, enviado por S. Dionísio, discípulo de S. Paulo; e alguns querei afirmar que certos judeus prégaram primeiro em Cartagena numa embarcação, aportou logo em Portugal, segundo a maior opinião, imperando Tibério no ano 35 da nossa redenção, e ali se prégou primeiro que noutras partes; e porque não falta quem diga outra coisa, quero trazer as autoridades que provam o que digo.

1. A primeira é a de S. Isidoro, que diz assim: Hispania, et in occidentalium locorum populis Evangelium praedicavit, et in occasum mundi lucem praedicationis infundit. Quer dizer que S. Tiago prégou o Evangelho em Hispanha [Península Ibérica], e nos lugares mais ocidentais dela, e na parte onde se esconde o Sol ao mundo foi descoberta a luz de sua pregação. Daqui se pode provar que prégou S. Tiago em Portugal, pois o Santo diz que prégou nos ocidentais lugares da Hispanha [Península Ibérica], qual vemos ser Portugal [território que é hoje Portugal].

2. O mesmo se confirma de umas palavras do Papa Calixto, que são estas: Novem vero in Gallicia, cum adhuc viveret Apostolus elegisse dicitur, quorum septem (aliis duobus in Gallecia praedicandi causa remanentibus) cum eo Hyerosolimam perreere. Quase dizendo que S. Tiago enquanto evangelizou na Galiza elegeu nove discípulos, dos quais deixou ali dois para continuarem a evangelização, e os outros sete levou-os consigo para Jerusalém: e significando aquela palavra, Gallecia, a parte de Portugal que se chama entre Douro e Minho, como logo direi, visse deste lugar do Papa Calisto como prégou S. Tiago em Portugal.


3. E que ali prégasse primeiro que noutra parte de Hispnha, di-lo o Arcebispo Turpino deste modo: Gloriosissimus namque Christi Apostolus Jacobus (aliss Apostolis, et dominicis discipulis diversaeos Cosmiclimata adentribus) ut fertus, primitus in Gallecian predicavit: dizendo que o gloriosíssimo Apóstolo S. Tiago (sendo os Apóstolos e discípulos de quantos para prégar em vários climas do mundo) ele prégou primeiramente na Galiza. Destas palavras se prova excelentemente que em Portugal [território que hoje é Portugal] prégou S. Tiago primeiro que em alguma outra parte, porque a palavra "Galiza", não se pode entender aqui da mesma forma como hoje a usamos, pois quando mais tarde os seus discípulos trouxeram de Judeia o corpo de S. Tiago para dar-lhe sepultura em Hispanha [Península Ibérica], indo por aquelas terras de Galiza, não acharam notícia alguma de S. Tiago nem luz da lei Evangélica, nem havia quem os recolhesse, antes os perseguiam todos; o que não teria assim acontecido caso o Santo tivesse andado e prégado por aquelas partes, onde haveria notícia dele e da Fé de Cristo, que tivesse ele prégado ou os dois discípulos [dele] que o Papa Calisto diz terem ficado para continuar a evangelização. Por isto havemos de dizer que a palavra "Gallecia" se entende pelo que de Portugal hoje se diz "entre Douro e Minho" e confina com Galiza, e naqueles tempos se chamava "Galiza"; porque segundo a divisão antiga, a Lusitânia não chegava além do rio Douro, e tudo o da outra parte de era Galiza como se pode ver em todos os que tratam destas divisões. Já sei que nos dois livros, do Papa Calisto e do Arcebispo de Turpino, nos quais me fundo, alguns escrupuloso colocam duvida, mas sem razão, pois gravíssimos autores os têm em grande conta, como é Vicêncio Belobacence, Sto. António, e Tritémio, que defendem o livro de Calisto; e por muito verdadeiro o toma o Pe. Fr. Francisco Bivar, e Genegrado, e Rafael Volaterrano o de Turpino, e ambos elegantemente, Pedro Mantuano (que não leva Itália vantagem a Hispanha com seu Virgílio Mantuano, pois aqui temos Mantuano, ainda que não Virgílio) provando que quando em algumas coisas de Turpino se possa colocar dúvida no que toca a esta vinda de S. Tiago a Hispanha, merece crédito inteiro.

4. Confirma-se aquela terra de Portugal, dita agora "entre Douro e Minho", ter sido a primeira na qual S.Tiago prégou, e a Galiza hoje é aquela que os autores pela grande devoção que as suas gentes de lá têm aos discípulos de S. Tiago, como aos seus [discípulos] naturais, mormente S. Turcato a quem o louvor fazem muitas igrejas, e uma delas guarda hoje o seu corpo.

5. Se se confirma que S. Tiago deixou por Arcebispo de Braga um dos seus discípulos, S. Pedro, que posteriormente denominaram "de Rates", que foi o primeiro prelado de Hispanha [Península Ibérica], como abaixo diremos, e por Bispo de Citânia, cidade célebre nos tempos antigos fundada junto ao rio Ave, o dito S. Torcato, ainda que alguns enganados com o nome o façam Bispo de Aguadix (em Granada), não olhando a que lhe chamavam os autores "Bispo Accitano" (o que deriva da dita cidade de Citânia, que estava em Portugal, como disse). E por isto, e outros fundamentos tem Fr. Bernardo de Brito e o Pe. Fr. Luís de Sousa, insigne historiador da sagrada Ordem de S. Domingos, e no menos observador da dela, a quem favorece o Doutor Agustin Barbosa, e Sebastian César, que S. Tiago prégou em Portugal na província de entre Douro e Minho primeiro que em alguma outra parte de Hispanha [Península Ibérica].

6. Contra o que os sinais não fazem, que há na Galiza no lugar do padrão que os moradores afirmam ser de S. Tiago, porque mais certo é ser de seus discípulos que por ali andaram com seu corpo. Nem outro se faz em encontrar a igreja de Nossa Senhora do Pilar de Saragoça, que é fundamento do Padre Mariana, para provar que em Saragoça prégou Santiago primeiro, dizendo que aquela igreja foi feita logo com a primeira entrada do Santo em Hispanha [Península Ibérica] porque se responde, que aquele templo não se edificou senão depois que o Apóstolo tinha prégado em Portugal [terras que estão hoje em Portugal], e voltando à Judeia passou por Saragoça, onde foi visitado pela Virgem Nossa Senhora, em memória da qual visita levantada aquela igreja com o pilar sobre o qual Nossa Senhora o visitou, como diz o dito Fr. Bernardo, e Doutor Agostin Barbosa: e provo-o com uma razão [dada noutro texto] neste capítulo, e o afirma Valdes, autor Castelhano, reprovando a opinião que diz que S. Tiago prégou primeiro em Saragoça, com o que concluiu que em Portugal foi prégada a Lei Evangélica primeiro que noutra parte qualquer da Hispanha [Península Ibérica], e por conseguinte primeiro que noutra província do mundo à excepção de Judeia e Samaria". ("Flores de España, Excelencias de Portugal...A La Magestad del Rey Catholico de las Españas Don Philippe IV" - Parte I. António de Sousa de Macedo. Coimbra, 1737)

12/10/14

OS MILAGRES DE NOSSA SENHORA

Em que tempo a Santíssima Mãe de Deus começou a fazer milagres no mundo?

"Quando Deus criou o mar, diz a Divina Escritura que as águas andavam sobre a terra, e que depois as juntou num lugar a que chamou "mar", que é uma profundidade e abismo que quase não tem fundo. Assim havemos de entender quantas as graças gratis datas, que andam derramadas por todos os Santo e Anjos e juntou Deus na Virgem Maria. E porque entre estas há duas que são fazer milagres, e dar saúde, S. Damasceno a chama mar e abismo de milagres. Abyssus miraculorum. E André,  Cresente a chama obradora de milagres, com poder que senão pode perder. Esta excelência confirmam todos os milagres, que em todo o tempo por sua intercessão Deus fez, mas quando hajam começando, agora o declaramos.

Que antes da Encarnação do Filho de Deus, a Virgem fizesse milagres, nem as histórias o escrevem, nem se acha razão para o afirmar, nem naquele tempo parece acomodado para se fazerem, pois não eram necessários para confirmação da doutrina, nem manifestação de sua santidade, como disse S. Tomás, e o mesmo se pode dizer do tempo que correu desde  a Encarnação até à Ascenção de Cristo. E se por ventura fez alguns, não os sabemos, mas depois da Ascenção de Cristo até à sua morte, em quanto vivia em carne mortal, mui verosímil é que fizesse muitos e muito grandes milagres, porque ainda que ela não tinha ofício de pregar, como os Apóstolos, e não os fizesse para confirmação de sua doutrina, todavia eram para grande bem e acrescentamento da igreja, e para ser conhecida por mãe de Deus, e desta opinião é Alberto Magno e S. António, e Rupeto: e Pelbarto diz que S. Hermano e outros santos afirmam que vivendo fez muitos milagres, curando muitos enfermos, e deitando demónios, e ressuscitando três mortos, e que três presos que levavam a padecer chamando por ela, se quebraram as prisões, e os que os queriam prender ficaram cegos: e entre todos estes se deve contar por muito principal o que a Rainha dos Anjos fez sendo trazida por eles à cidade de Saragoça, que nela se fizesse uma Igreja que ainda hoje se chama do Pilar em que ela, apareceu.

O outro tempo que é da gloriosa Assumpção todo está cheio de milagres, porque assim como em todos os quatro tempos do ano Deus manda Sol, rossio, e chuva para fertilizar terras, assim em todos os tempos Deus manda à terra contínuos milagres obrados por intercessão de N. Senhora, para com eles se encher a Igreja de bens temporais e espirituais. Quando começaram os que ela quis obrar por virtude do Rosário, os autores que deles efectuaram o dizem, e no discurso desta história o veremos, que foi o tempo em que o Padre S. Domingos renovou esta santíssima devoção, como já na primeira parte dissemos. Mas de quanto crédito se lhes deva dar, agora o declararemos." (Historia dos Milagres do Rosario da Virgem nossa Senhora; Lisboa, 1617)

12 de OUTUBRO - E UMA DATA PROGRAMADA

Nossa Senhora do Pilar
Já por cá foi abordado o tema da chegada de Colon às Antilhas. O dia 12 de Outubro, dia de Nossa
Senhora do Pilar (referência importante), foi também o dia da chegada de Colon, em 1492.

Pedro Alvares Cabral, com 13 embarcações, chegou ao Brasil no redondo ano de 1500, e justamente na oitava da Pascoa (dia 22 de Abril).

Até há bem pouco tempo, todas estas datas podiam ser tomadas apenas por vontade divina. Hoje, perante os dados revelados por documentação original, tais datas não podem ser tomadas de forma tão simples. Portugal já tinha viajado ao Brasil em outras ocasiões, e as Antilhas onde Colon chegou já estavam cartografadas por Portugal, as coordenadas da primeira viagem de Colon já estavam documentadas em Portugal. O estudo da viagem de ida e volta demonstra que Colon conhecia tudo previamente, tanto que no regresso foi directamente para as nossas ilhas (o mesmo que encontrar "uma agulha num palheiro") sem desvio algum.

Tudo indica que as datas destas descobertas foram programadas, e mais: nenhuma delas indica realmente uma descoberta, e Portugal já antes tinha conhecimento do Brasil e das Antilhas (América Central).

Está comprovado que Colon era nobre de sangue, e casou com a Fidalga D. Filipa Moniz de Perestrelo, das comendadeiras da Ordem de S. Tiago. Para o casamento foi dada autorização do Mestre da Ordem, que era o próprio D. João II. Não há qualquer discordância entre os autores nesta matéria, porque se sabe que nunca o Rei poderia ter dado autorização para que uma Fidalga ao seu cuidado casasse com um plebeu. Ficam totalmente excluídas as teses do "Colmbo italiano", "Colon catalão", "Colon galego" e "Colon espanhol". Todas estas teses caídas apareceram como refutações das teses anteriores, e a primeira delas é da o "Colombo italiano". As tese contra a qual nenhum especialista se atreveu, é a do "Colon português", e que possui algumas variantes. Não há mais dúvidas de que Colon era português, e discute-se apenas quem era realmente. A maior das probabilidades aponta para que Colon fosse filho ilegítimo do Rei da Polónia com uma Fidalga portuguesa, o nascimento teria sido em Cuba (Alentejo -Portugal, nome com o qual vai depois baptizar uma das ilhas).

Um adepto ardente da "hispanidad", ao saber que Portugal tinha feito muito secretismo nos seus descobrimentos, teve o descaramento de dizer perante falantes da língua portuguesa e da língua espanhola que: aquela raça de gente que faz muitos secretismos é guiada pelo demónio, porque só o mal oculta o que faz. Mas, infeliz, nunca o ardente senhor perguntou o motivo do secretismo, nem me parece que algum dia nos tenha feito perguntas antes de atacar a civilização Lusa!

Porque Portugal fez tanto secretismo nos seus descobrimentos?!... A reposta é importantíssima, mas não cabe neste artigo, e merece ocasião especial.

Hoje, dia 12 de Outubro, foi o dia em que um português escolheu para Castela chegar à falsa Índia. Enquanto isso, enquanto andaram entretidos por lá, enquanto estava atraída a atenção dos piratas, os portugueses, agora sem perigos, puderam passar tranquilamente para a verdadeira Índia. Por isso, também nós, agradecemos a Nossa Senhora do Pilar que aceitou esta escolha por todos os benefícios obtidos. Sem a chegada de Colon, não teríamos podido ir à Índia nem defendido a África.

Escolheram que fosse este "el dia de la hispanidad"... Não tenho dúvida que é um dia que diz muito sobre Castela.

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