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03/02/17

BEATO REDENTO DA CRUZ (I)

 
 
UM MÁRTIR PORTUGUÊS

O BEATO REDENTO DA CRUZ

Carmelita Descalço
1598 - 1638
 
por
Maria das Dores Paes de Sande e Castro
Lisboa, 1928
 
 
IMPRIMATURA
Lisboa 14 de Agosto de 1928
Cónego M. Anaquim Vig. G.
 
À Bem-aventurada
Virgem Maria
Senhora Nossa
Rainha e Formosura
do Carmelo
 
 
NO SÉCULO
I
 
Lizouros é um pequeno lugar do conselho de Paredes de Coura na província do Minho. Pertence à freguesia de Cunha, antigamente Santa Maria da Colina, do Arcebispado de Braga. Esta freguesia conta muitos séculos de existência pois que já no ano 560 parte das rendas da sua igreja foram dadas ao Bispo de Tuy pelo rei dos suevos Teodorico. Em Lizouros encontraram-se ainda numerosos vestígios de civilização remota, entre eles fragmentados duma via militar romana.
 
O sítio é árido e triste. Quem de capela de Santo Estêvão olhar em redor de si, vê em frente uns montes escalvados, cobertos de grandes penedos que recortam o horizonte. São os montes do Carvalhal, continuação da serra da Labruja. Aqui e àlém crescem pinheiros bravos. À esquerda uma elevação de terreno maninho revestido de urze e mato, depois outros montes escarpados, os da Travanca. Numa baixa fica a povoação com os seus campos de milho, e muros de pedra solta a dividir as fazendas da pobre gente do lugar. As casas são toscas, escuras, rodeadas de vinha. A morada onde dizem que nasceu o Beato Redento da Cruz é toda de pedra; fica dentro duma quinta. Conta a tradição que ali se hospedou El-rei D. Manuel I, quando voltava duma peregrinação a Santiago de Compostela. Hoje é habitada por uma família de lavradores.
 
Neste lugar de Lizouros, vivia nos fins do século XVI Baltazar Pereira, casado com D. Maria da Cunha. Dele se sabe apenas que descendia duma família antiga, natural daquela região, e que seu irmão Duarte Pereira foi abade de Covas de Barroso e capelão de D. Teodósio, duque de Bragança.
 
D. Maria da Cunha era herdeira da casa de seu pai Francisco da Cunha, senhor do solar e torre do mesmo nome, governador de Musoes, na Nova Granda. Quando, em 1755, Sebastião Pereira da Cunha e Castro requereu a D. João V que lhe mandasse dar posse da torre e casa solar dos Cunhas, feita por seus ascendentes, declarava que todos haviam sido "fidalgos de solar, e dos verdadeiros Cunhas e Magalhães, famílias ilustres e antigas destes reinos; e sempre se trataram, como ele suplicante, com cavalos, criados, escravos e muita gente, conforme a qualidade de suas pessoas; e serviram aos reis deste reino em todas as guerras e ocasiões que nele houve e nas conquistas, sem nunca em tempo algum terem em sua geração fama alguma de moiro, nem judeu, nem doutra infecta nação."
 
Da torre de Cunha restam apenas umas ruinas cobertas de heras: a porta principal e uma parte do cunhal norte. Sôbre a vêrga lê-se a seguinte inscrição_ Esta é a casa e torre dos Cunhas solatiega: reedificada pelo governador Francisco da Cunha, Cavaleiro do hábito de Santiago, senhor dela." A casa desapareceu.
 
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Tomás Rodrigues da Cunha nasceu em 1590. Foi o segundo dos seus filhos de Baltasar Pereira e de D. Maria da Cunha. Chamaram-se os restantes: António Pereira da Cunha, Francisco Pereira da Cunha, João Pereira, D. Maria Pereira da Cunha e D. Isabel Pereira (1). A avaliar pelo que sabemos dos dois mais velhos, podemos conjecturar que seus pais lhes deram uma sólida e piedosa educação, incutindo-lhes desde o berço o amor de Deus com o amor da Pátria. A instrução deve ter sido mais deficiente. Nem naquele tempo se cuidava muito da cultura intelectual da nobreza nem em Lizouras haveria facilidade para os estudos.
 
António Pereira da Cunha, por ser o primogénito, foi mandado ainda criança para a casa de D. Mecia Pereira - provavelmente irmã de Baltazar Pereira - casada com Diogo Ferraz, que vivia em Ponte de Lima, porque ali com menos custo encontraria quem lhe ministrasse ao menos o ensino elementar. Mais tarde foi para Madrid, onde exerceu o cargo de oficial maior do Secretário de Estado Francisco de Lucena. Era ao mesmo tempo agente do Duque de Bragança que, quando chegou a ser aclamado rei com o nome de D. João IV, o nomeou Secretário do Conselho de Guerra, lugar em que deu provas de mérito, prestando relevantes serviços ao país.
 
Tomás Rodrigues da Cunha, que era filho segundo, teve certamente uma instrução muito rudimentar. Não se encontra na sua vida sinal de amor às letras. Outras eram as suas aspirações. Afável, comunicativo, conceituoso, tinha também nas veias sangue de conquistadores e de guerreiros. Anseava por transpor os montes que lhe limitavam o horizonte. Foi assim que, bem novo ainda, aos 19 anos, deixou Lizouros e tomou o caminho de Lisboa, em busca do destino glorioso que em sonhos antevia.
 
Preparava-se então o Vice-rei D. João Coutinho, Conde de Redondo, a partir para a Índia. Tomás Rodrigues da Cunha conseguiu que o administrassem a fazer parte da expedição como soldado, e embarcou, levando por único cabedal a sua mocidade entusiasta e crente.
 
(continuação, II parte)
 
 
(1) - Era vulgar nesta época tomarem os irmãos cada qual seu apelido diferente. Tomás deve ter tomado o apelido Rodrigues dum de seus avós, Alfonso Rodrigues de Magalhães.


15/02/16

RELICÁRIO DE S. VALENTIM - da Capela de S. João Baptista (Lisboa)

Craneo de S. Valentim - na Basílica de Sta. Maria in Csmedin (Ripa - Itália)
Hoje, dia do Mártir S. Valentim, mostramos onde estão guardadas as suas mais famosas relíquias em Lisboa (na igreja jesuíta de S. Roque, num dos relicários pertencentes à capela de S. João Baptista mandada fazer pod D. João V). A Relíquia costuma estar exposta, em relicário, no Museu de S. Roque (que tem entrada pela própria igreja de S. Roque, e não sei se é colocada na capela neste dia [e se não é, deveria]).

A respeito da vida e martírio de S. Valentim, a "Flos Sanctorum" (Lisboa, 1869) diz-nos: (aqui)

Aproveite para ver também o que já publicámos a respeito das relíquias e relicários em questão (aqui)

Bolsa com os ossos de S. Valentim (ossos):


Relicário de S. Valentim:

Este relicário de S. Valentim, tem um par igual com as relíquias de S. Próspero
Conjunto de relicários da capela de S. João Baptista:

Os dois pares de relicários da Capela do Divino Espírito Santo e S. João Baptista, da igreja de S. Roque. Na frente
temos o par: S. Félix e Sto. Urbano
A quem quiser conhecer boa parte da história de tantas e tantas relíquias da Igreja de S. Roque, tem aqui o livro "Memória do Descobrimento e Achado das Sagradas Relíquias do Antigo Santuário da Igreja de S. Roque, com a Notícia Histórica da Fundação da Mesma Igreja e Santuário ..." (Lisboa, 1843).

28/06/14

OS MÁRTIRES DA IMPIEDADE

S. Sebastião, mártir
A Este firmíssimo, argumento tendente a provar a divindade da nossa Fé, pretendem responder loucamente os ímpios ou os néscios que as outras "religiões" tiveram seus mártires.

Quais mártires, nem meios mártires! Para ser tal bastará derramar o sangue num patíbulo? Se assim fosse, os facinoras e criminosos também seriam mártires gloriosíssimos. Não, querido leitor; para que se possa dar o nome de "mártir" a qualquer urge que morra pela verdade, que morra como um santo, e não como um demónio.

E se não, vamos a contas: quem foram esses mártires? Já sabemos: alguns, pouquíssimos, hereges queimados por orgulhosa obstinação e pertinácia, segundo as leis penais que estavam em uso nesse tempo, e tudo por castigo de terem escandalizado o povo com suas deletérias doutrinas perturbando a paz das consciências e a boa ordem da sociedade. E como morreram? Não, morreram, certamente, com a inalterável paz, própria dos santos mártires, mas cheios de furor e ira, e com a indignação própria de homens criminosos, ou raivosos como demónios.

Os autores que nos relatam, como testemunhas oculares, os suplícios dos nossos santos mártires; afirmam-nos sempre, e como coisa pública e notória, que aquelas vítimas inocentíssimas sofreram os mais terríveis tormentos com tranquilidade de espírito tão admirável, e com semblante tão agradável e alegre, que aumentava a fúria dos tiranos, espantava os carrascos, e infundia admiração e pasmo ao povo que assistia àquelas horríveis carnificinas; porquanto os cruéis soldados e esbirros cevavam neles a sua bárbara selvajaria, e deslocavam-lhes os ossos nos equeleos, rasgavam-lhes as carnes com unhas de ferro, punham-lhes sal nas chagas, queimavam-lhes as costas, com lâminas candentes, davam-lhes a beber chumbo derretido, e os queimavam em grandes fogueiras ou a fogo lento para que mais prolongada fosse a dor acerba do suplício, eles não soltavam um queixume, nem perdiam sua venerável compostura, nem diziam palavra senão para louvarem a Deus, ou para pedirem por seus inimigos. E esta incrível fortaleza, esta paciência invencível, não se admirava apenas nos homens adultos e robustos, mas nas mulheres, nos meninos e meninas mimosos e frágeis; e isto espalhava tal espanto e respeito entre os próprios pagãos, que, muitas vezes, se convertiam só com estes milagres da constância, não carecendo doutros estupendos prodígios que o Senhor frequentemente operava nos seus mártires.

Inútil será, dizer-te que, na morte dos hereges que sofreram tormento pela causa de sua seita, nada disso se notou; ao contrário como declaram os próprios que os viram morrer, tiveram morte desastrada e inglória. Alguns que alardeavam valor, e andavam apregoando que queriam morrer como filósofos estoicos, quando estavam na fogueira e sentiam a violência do fogo, mostravam semblante feroz e horrendo, soltavam gritos lamentosos e destoados, faziam gestos ameaçadores e descompostos, fazendo, em tudo, compreender ao povo que expiravam no maior desespero e que Deus não estava com eles. E se algum deles revelou extorso maior por seu caráter robusto e extremado fanatismo, a verdade é que nenhum edificou o povo com seu exemplo e virtude sobrenaturais, e que a maioria deles não tiveram ânimo para nada o mais vulgar e comesinho era renegarem logo e logo todos seus erros para obterem o perdão, e prometerem a emenda da vida quando se lhes lia a sentença, ou quando sentiam já o espirrar da fogueira, e empalideciam quais tímidas e fracas mulheres na presença dos tormentos.

Tais foram os mártires que a moderna impiedade festeja, e tais os assomos de heroísmo, pelos quais os distinguem, com o apelido de espíritos fortes.

Se a este resumidíssimo número de hereges, que morrem como animais raivosos, juntamos uma turba de revolucionários e facciosos, que, engodados mais por ódio à Religião verdadeira, morreram desgraçadamente em diversos recontros por detrás das barricadas, teremos traçado todo o martirológio da impiedade moderna. Uns "santos" dignos das tua orações! Se não tens melhores patronos à hora da morte, já nada te falta para que te levem os demónios, que, seguramente carregaram com eles.

Vês, pois, caro leitor a que se reduz toda a força e sacrifício dos inimigos da Religião. Para assassinarem padres e frades, mostraram eles muito valor, mas para morrerem demonstraram assás que, pouco ou nada valiam. E não é isto extraordinário, porque bastantes corifeus seus estão fartos de confessar que suas teorias não merecem que por elas se morra. Porque é que alardeiam então no nosso tempo, tanta impiedade? Sabes a razão disso? Porque ninguém lhes vai à mão, ou lhes toma contas; porque cuidam que, por essa forma, se tornam homens notáveis; porque muitos nescios há que os elogiam rasgadamente e acima de tudo, porque julgam que assim hão-de medrar, sabendo que se tornou moda a irreligião, e outros porque exploram maravilhosamente o pobre povo, escrevendo nos jornais democráticos barbaridades incríveis contra tudo o que há de mais santo e sagrado, sabendo que lhes agradam coisas fortes e picantes tais como a aguardente, o vinagre e a pimenta.

No dia, porém, em que se lhes não ligasse atenção e importância, nem tivessem esperanças de encher as algibeiras à custa do povo, crê-me caro amigo, que nesse mesmo dia, terminarão as patranhas anticlericais, e as já nojentas cenas de frades e freiras, e, com medo de alguma boa carga de pau, retractariam todos os seus erros, e venderiam a peso, para as tendas, os seus livros de ateísmo e impiedade.

(A Nossa Religião é Divina - Propaganda Catholica; Peniche, 1898) Com licença da autoridade eclesiástica.

23/01/14

Dia 23 de Janeiro - No Mundo Luso

- Ano e 1400, a Respeito da Igreja de N. Senhora da Oliveira:

"[...] A Capela mor,que antigamente tinha esta igreja, antes da que hoje tem, foi sagrada por D. João Bispo de Coimbra, por mandato del Rey D. João I, com licença de D. Martinho de Miranda Arcebispo de Braga, que está sepultado na Igreja de S. Crismavam de Lisboa, a que esteve presente D. João Manrique Arcebispo de Santiago, e D. Rodrigo Bispo de Cidade Rodrigo, e assistiram a esta solenidade o mesmo Rei, e a Rainha sua mulher D. Filipa de Lencastre, e seus filhos o Infante D. Duarte, D. Pedro, D. Henrique, e D. Afonso; e foi celebrada a 23 de janeiro do ano de Cristo de 1400. Guarda-se a carta desta sagração no Arquivo do Cabido, na qual se vê assinado "João Bispo de Coimbra".
Depois de passar um ano se sagrou o corpo da Igreja aos mesmos 23 dias de janeiro por mandado do dito Rei D. João I, e de sua mulher D. Filipa de Lencastre. Sagrou-a o Bispo do Porto D. João de Azambuja, o qual foi Arcebispo de Lisboa, e Cardeal da Santa Igreja Romana, com o título de S. Pedro ad Vincula, e vindo para este Reino floresceu na Vila de Burgues do Condado de Flandres em 23 de janeiro do ano de Cristo de 1415 e foram trasladados seus ossos para o coro de cima do Mosteiro do Salvador de Lisboa de Religiosas Dominicanas, de que foi fundador."

- "No mosteiro de S. Francisco de Lamego, a pia memória de Fr. João de S. Lazaro, Sacerdote, varão de grande singeleza, e simplicidade, com outras tão eficazes demonstrações, que de todos era tido, e conhecido por santo. Nas casas em que residia costumava pedir licença aos Bispos para nas igrejas de suas dioceses fazer hóstias, lavar corporais, e purificatórios, porque sabia o notável descuido, e pouca limpeza de muitos nestas matérias. Conhecido por tão zelador do culto divino, os Prelados, depois de muito velho o ocuparam no ofício de Sacristão, o qual exercia com muita perfeição, desvelando-se na limpeza, curiosidade, e ornato dos altares, toalhas de comunhão, as quais tinha perfumadas, e nas mais coisas tocantes à igreja, e sacristia. Nesse piedoso exercício de quase oitenta anos de idade pela muita devoção, que todos lhe tinham, despojando-o do hábito, que logo se distribuiu entre muitos, que o levaram por relíquias, E seu báculo veio a poder de D. Martim Afonso de Melo, Bispo da dita cidade, que o pediu, e o guardou com notável veneração."

- Notícia do alvará de 1588 para os Desembargadores e Ministros da Relação ...  para o Brasil:

"Alvará de 23 de Janeiro de 1588, em que se dá a ordem que devia entre os Desembargadores, e Ministros da Relção, que então se mandou para as partes do Brasil, tanto nos assentos, como no dar dos votos: devendo preceder a todos numa e noutra coisa o Chanceler dela; depois dele os Desembargadores do Agravo, procedendo uns aos outros conforme a antiguidade no serviço; e depois deles os outros Oficiais, e Desembargadores pela ordem seguinte; o Ouvidor geral das coisas crimes e civis, o Juiz dos Feitos da Coroa, Fazenda, e Físico, o Provedor dos Orfãos e Residuos das ditas partes do Brasil; o Procurador dos Feitos da Coroa, Fazenda, e Físico; o Promotor da Justiça; e os Desembargadores Extravagantes da dita Relação, que se precederam conforme a sua antiguidade no serviço, ou nos graus da Universidade."

- "Em Firando, ilha dos Reinos do Japão, o triunfo de três preclaros confessores de Cristo Gaspar, e sua mulher Úrsula com João filho seu, fruto de tão ditoso matrimónio, que (imperando o tirano Daysu) depois de graves combates, que os idolatras lhe deram, pretendendo apartá-los do seguro caminho da salvação, a todos os quais (com a divina graça) valerosamente resistiram, e antes da cruel execução, entoando eles muitas vezes os sagrados nomes de Jesus, e de Maria com espanto universal do povo, que admirava o uniforme valor, e constância com que sofriam as mortes, em ódio de nossa santa Fé, foram descabeçados, com que gangrenaram eternas coroas de glória".

D. Nuno Alvares Pereira, o Santo Condestável de Portugal

- Em 1716, a respeito de D. João de Sousa de Castellobranco (natural de Lisboa):

"Cónego da Colegiada de Santarém, e Chantre da Colegiada da Capela Real, foi eleito Bispo de Elvas, e confirmado pela Santidade de Clemente XI a 23 de Janeiro de 1716 e sagrado na Capela Real pelo Eminentíssimo Cardeal da Cunha a 15 de Março do mesmo ano. Entre as obrigações do seu ofício pastoral se distinguiu na comiseração para os pobres, e na reformação dos costumes celebrando a 24 de Agosto de 1720 Sínodo, que por o 3º que se fe naquela Diocese. Mais cheio de virtudes, que de anos faleceu piamente a 17 de Março de 1728 entr o seu rebanho, que com lágrimas explicou a falta de tão benévolo Pastor."

- Em 1918 Bento XV beatifica D. Nuno Alvares Pereira.

05/01/14

5 de Janeiro - FESTIVIDADE DE S. TELÉSFORO


Hoje, 5 de janeiro, é Festa do Papa S. Telesforo, mártir. Quero prestar a minha especial homenagem a este Santo, porque me batizaram neste dia, também num domingo como hoje.

Pai Nosso...
Avé Maria...
Glória ...

22/11/13

DA UNIDADE DA VERDADEIRA RELIGIÃO (IV)

(continuação da III parte)

22. O sétimo carácter da Divindade é a morte cruel com a qual os Apóstolos falaram a sua pregação. Que testemunhas, que homens se mandaram degolar por sustentarem seus testemunhos! Quantos são verdadeiros! Não morrem voluntariamente por imposturas, que eles mesmos fabricam. Sim se viram, é verdade, morrer alguns fanáticos por algumas opiniões, com que estavam loucamente entusiasmados. Mas os Apóstolos sustentavam factos, que diziam haverem visto: nenhum sustenta um facto por opinião, ou por imaginação; ninguém atesta com o perigo da sua vida, que o que não viu, sem que caia em  demência.
De mais é necessário distinguir o ambaidor da pessoa enganada. Um homem enganado por um erro acreditado, pode morrer na sua defesa. A consciência lhe serve de verdade, e de luz, ainda que seja errónea: o temor de Deus, que ordena que tudo se sacrifique à Religião; e se se renuncia, dá isto nova força. Mas a situação do enganador é bem diferente. Tudo o que pode assegurar uma pessoa seduzida, se torna contra ela; é necessário que resista à verdade conhecida, à sua consciência, e ao mesmo Deus, é necessário que combata tudo o que segura os outros. Tudo se opõe a uma morte voluntária.

23. O oitavo carácter da Divindade é o estado actual da Nação Judaica, deste povo milagroso. Todo o Oriente, e o Ocidente tem mudado de fase: todos os povos se confundiram: ele só veio a ser o objecto do desprezo de todas as nações, há mais de desastre séculos; sobreviveu a todos, e remonta a sua origem até ao tronco de Abraão. Vencido, e subjugado pelos Romanos, não segui as superstições; derramado por toda a parte, sempre se tem conservado com aferro às suas leis. Suas infidelidades nos mostram a verdade das profecias, pois elas haviam sido prognosticadas; sua conservação nos declara uma atenção particular da providência, para que a Religião Cristã tivesse um testemunho sempre vivo da sua verdade; porque as mesmas profecias, que declararam a reprovação dos judeus, prognosticaram a vocação dos gentios. Este povo se conservou até ao presente, para ser, como o diz Santo Agostinho, uma testemunha incontestável da verdade das Escrituras em todas as partes do mundo, donde Deus havia de recolher o que compõe a sua Igreja. Sim, esta nação espalhada, fala por toda a parte a favor da Religião Cristã: mostrando aos povos, que se Jesus Cristo é contemplado há tantos séculos como o fundamento das nossas esperanças para a vida eterna, não é a obra da autoridade, nem da impostura humana, mas como uma verdade fundada em profecias escritas, e há muito tempo publicadas antes do sucesso, e conservada tão religiosamente até ao nosso tempo pelos judeus. Quanto esta Religião é a respeitável, cujas provas estão tão cuidadosamente guardadas nos mesmos arquivos dos seus maiores inimigos! A porfiada resistência dos judeus, que dura ainda nos seus descendentes, e a sua conservação no meio das nações, formam uma das grandes provas da verdade da nossa Fé. Se eles todos tivessem sido convertidos, nós teríamos testemunhas suspeitosas; e se o Deus vingador os tivesse exterminado da terra, nada nos restaria; esta é a reflexão de M Pascal.

24. O nono carácter da Divindade, é o sangue dos Mártires de toda a idade, de todo o sexo, e de toda a condição, que melhor amaram morrer pela Religião Cristã, do que deixá-la depois de a haverem reconhecido. Finalmente a sua constância foi o efeito da persuasão produzida pela força das suas provas.
Debalde se contradiz, dizendo que esta persuasão era o efeito dos prejuízos da educação. Não são somente Cristãos de nascimento, mas ainda uma multidão de pessoas, que de pagãos se tornaram cristãos, tendo prejuízos todos contrários ao Cristianismo, que com efeito quiseram morrer por esta Religião depois de a haver conhecido.
Inutilmente ainda para enfraquecer esta prova, se responderia que os Mártires saíram do comum do povo, é desconhecer os costumes populares, que propor uma igual objecção. O povo pelo contrário costuma seguir a este respeito a prosperidade, a pompa, a autoridade, e aborrecer a verdade despida de todos os socorros. De mais não somente homens tirados da escória do povo, que se deixam de golas; mas ainda doutos, e sábios, como os Inácios, os Policarpos, os Clementes, os Justinos, os Ireneos, os Ciprianos.... Homens superiores a prejuízos. Era preciso que estivessem bem persuadidos da verdade de Religião, para lhes sacrificarem a sua vida. Que crime haverá, disse Tertuliano, de que senão glorifique o culpado, e se deseje ser acusado; para achar a sua felicidade no mesmo suplício! Tal era aos olhos dos Santos Mártires a profissão do Cristianismo!


25. O décimo carácter da Divindade da Religião Cristã é a sua conexão com as necessidades do homem. Eu não encontro em mim mais do que contradições, eu respeito a virtude, e eu sigo o pior. É extrema a minha especialidade: o mesmo que se me proíbe, eu o amo; ao mesmo tempo que se me permite, eu logo me desgosto. Eu amo, e aborreço o mesmo objecto, no mesmo tempo: eu quero e não quero: muitas vezes aquele homem que era à noite, ou não sou de manhã; eu sou a mesma inconstância. Eu tenho aferrada nos meus membros uma lei contrária à do meu espírito; e eu na minha dor grito; quem me livra deste corpo de morte? Vãos esforços faz o meu espírito para se elevar à Divindade; um infeliz peso, infelix pondus, o proponde, para a terra. Nascido de uma mulher, vivo por pouco tempo; estou cheio de misérias; vim ao mundo como uma flor aberta, que se piza aos pés; eu como a sombra desapareço, e nunca estou no mesmo estado. Eu considero, por uma triste experiência, que um jugo prezado sujeita o homem desde o dia do seu nascimento, até à morte. Eu seria obrigado a dizer com um antigo, que o primeiro bem para o homem era o não ter nascido, e o segundo morrer logo. Eu mesmo busco o remédio dos meus males, mas debalde. Abro os livros dos filósofos a que querem ser os Doutores do género humano; leio, torno a ler, e em lugar de achar as luzes que buscava, eu não encontro senão trevas. Volto-me para os cristãos; eles me mostram livros, a que chamam Sagrados, e que estão assinalados com os caracteres da Divindade. Abro-os,corro-os, e logo descubro no pecado do meu primeiro pai, a história, e a origem das minhas misérias: observo depois em um Soberano Médico, anunciado pouco depois que o universo saiu do nada; declarado em diferentes idades por homens inspirados, que apareceram, e que na sua Religião dão luzes às minhas trevas, socorros à minha fraqueza, remédios aos meus males. Poderei eu com tantas ideias duvidar por um pouco que esta Religião, que satisfaz as minhas precisões, seja verdadeira?

26. O undécimo carácter da Divindade, é a proporção da Religião Cristã com todos os espíritos. O paganismo agrada ao povo, que só se governa pelos sentidos; os sábios se em público se conformam em particular; estes não podem fazer com que o vulgo apeteça as suas especulações; porque delas não se tiram senão aparências da verdade, que deve ser clara para todos. O Maometismo pode ser igualmente do gosto do povo grosseiro, e carnal; mas ele desinquieta o povo, que pensa, e discorre. O silêncio político ordenado pelo seu legislador, era necessário para a conservação de uma Religião abusada, e que temeria a sua ruína de qualquer disputa séria. O Cristianismo só tem a gloriosa vantagem de unir os sábios, e os ignorantes. Mais sublime que a filosofia dos sábios; ela é capaz da compreensão dos mais grosseiros: sublime sem especulação, e simples sem baixeza, faz com que os espíritos apoucados creiam as coisas grandes, e os espíritos atilados pratiquem as pequenas. Donde pode proceder esta vantagem da Religião Cristã sobre as outras, que não devendo a sua existência nem às luzes dos Sábios, nem à ignorância dos povos, mas só à vontade de Deus, senão que ela tem analogia divina com o coração do homem?

(continuação, V parte)

10/05/13

PAPA FRANCISCO CANONIZA 800 MÁRTIRES

(Radio Renascença - Portugal) "Numa celebração no próximo domingo, o Papa eleva aos altares mais de 800 mártires pela fé, mortos pelos otomanos numa incursão em Itália no ano 1480.

O Papa Francisco tornar-se-á, no próximo domingo, o recordista das canonizações ao elevar aos altares um grupo de pelo menos 800 santos, apenas dois meses depois de ter sido eleito.

Durante a cerimónia, que decorre no Vaticano, o Papa declarará a santidade de pelo menos 800 homens que foram executados por invasores otomanos no ano de 1480, na cidade de Otranto, em Itália.

Na altura da invasão o líder dos muçulmanos, que pretendia invadir Roma, matou o arcebispo da cidade e depois reuniu todos os homens maiores de 15 anos e ordenou-os a converterem-se ao Islão, sob pena de serem executados. Segundo a tradição um alfaiate, a única vítima cujo nome é conhecido, falou em nome dos restantes homens, dizendo: “Nós acreditamos em Jesus Cristo, filho de Deus, e por Jesus Cristo estamos prontos a morrer”.

De seguida os soldados otomanos decapitaram todos os homens, cujas ossadas foram preservados e ainda podem ser vistos na catedral da cidade.

A resistência dos cidadãos de Otranto, que durou duas semanas, permitiu aos rei de Nápoles reunir uma força para fazer frente aos invasores e assim impedir a queda de Roma.

Em 2007 o agora Papa emérito Bento XVI reconheceu que os mortos de Otranto eram beatos. Não é necessária a averiguação de um milagre para beatificar mártires, mas sim para os declarar santos. Esse milagre foi reconhecido em 2012, abrindo caminho para a canonização que, contudo, será oficializado pelo novo Papa, Francisco.

Com esta canonização em massa dos 800 mártires o Papa ultrapassa largamente o recorde de João Paulo II que, durante os seus anos de pontificado, canonizou 91 pessoas."

06/02/13

STo. ANTÓNIO DE LISBOA E DE PÁDUA (I)


"No dia 15 de Agosto de 1195 nascera em Lisboa, em casas nobres junto à Sé metropolitana, um menino, a quem seus pais batizaram com o nome de Fernando.

Sé de Lisboa - em frente dela está a casa de Sto. António,
onde está também a igreja de Sto. António
Fernando martins de Bulhões foi o segundo filho de Martim de Bulhões e de D. Teresa Taveira.

De crer é que aquele Martim de Bulhões fosse descendente de algum Cruzado Francês, dos que, conjuntamente com os Ingleses, Flamengos e outros ajudaram a D. Afonso Henriques na tomada de Lisboa, em 1147.

De um Vicente era filho o api de Sto. António, provavelmente o tronco da família.

Além de Fernando nasceram do consorcio de Martim de Bulhões três filhos mais: Pedro, o primogénito, que casou com Maria Pires; uma menina, cujo nome se não determina, e Maria Martins Taveira, que, a muitas instâncias do irmão Fernando, professou em S. Miguel das Donas. 

Parece averiguado que Fernando começára em menino a dar evidentes sinais de puro ascetismo.

Assim foi que, mal chegado à idade própria, entrara de frequentar a Sé de Lisboa, como uma das escolas, que havia naquele tempo, para ali aprender as primeiras letras.

Como é sabido nas sés e nos mosteiros residia a instrução no princípio da monarquia.

Acentuando-se em Fernando, com o crescer dos anos, a natural inlcinação para a religião cristã, à falta de melhores dados históricos, afirma a tradição que na Sé de Lisboa fôra ele Menino do Côro.

Chegado à idade de quinze anos, e não podendo resistir ao íntimo chamamento, que o atraia para a vida monástica, buscou um dia aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, em S. Vicenten de Fóra, recente fundação do primeiro Afonso, e das mãos do Prior, D. Gonçalo Mendes, recebeu ele a murça de S. Agostinho, começando sua vida religiosa por ser portero daquela casa.

Fervorosamente humilde e crente, o seu noviciado foi um modelo exemplificativo de observância e de amor religioso:

Do mamativo amável
Sai o amor admirável,
Depois é o amor durável
Sempre em todo o estado.

como escreveu um cavaleiro da mesma milícia sagrada.

Depois anos volvidos, começou de entrar no espírito do novo agostinho a ideia de se passar ao mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde, ao tempo, havia notáveis professores de Filosofia e Teologia.

Munido de cartas de D. Gonçalo Mendes e de seu Professor em S. Vicente de Fora, entrou frei Fernando em Coimbra, nos fins de setembro de 1212, sendo mui bem recebido em Santa Cruz do Prior daquela casa, D. João Cesar, que para logo o entregou aos cuidados e ensino de D. Raimundo, varão dos mais doutros e virtuosos, que então havia naquele mosteior.

Ali permaneceu o jovem religioso até ao ano de 1221 em que, depois de u ano de combates, deliberado resolutamente, com fé vivíssima e santa, se passou à Ordem dos Menores de S. Francisco, que havia casa em Sto. António dos Olivais.

Fôra o caso demovente da mudança da Ordem a chegada a Coimbra de Afonso Pires de Arganil, em 1220, mandado de Tarifa, na Espanha, por ordem do Infante D. Pedro, o aventuroso irmão de Afonso II, com as cabeças dos cinco Mártires de Marrocos, os Franciscanos ali mortos pela Fé de Cristo, Acúrcio, Adjuto, Bernardo, Pedro e Otto.

(continuação, aqui)

Os cinco mártires de Marrocos

13/09/12

A 13 de SETEMBRO

Jacinta Marto
- Na Cova de Iria (Portugal, 1917), apareceu Nossa Senhora do Rosário na sequência de aparições (denominadas "aparições de Fátima"). O tema central foi a oração do terço do Rosário e as devoções católicas: Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora do Carmo, S. José e o Menino Jesus (provavelmente fica assim completa a Sagrada Família). Também Nossa Senhora louvou os sacrifícios feitos pelos pastorinhos, mas que fossem moderados de forma a não causar danos significativos ao corpo. Outros fenómenos ocorreram.

- "Em Alexandria, dia de S. Filipe, pai de Sta. Eugénia Virgem. Demitido este Santo o lugar de Prefeito do Egipto, recebeu a graça do Baptismo, e estando em oração, o mandou degolar o Prefeito Terêncio, seu sucessor. Item, dos Santos Mártires Macróbio, e Julião, os quais foram martirizados, em tempo do Imperador Licínio. No mesmo dia, de S. Ligório Mátrir, o qual, vivendo no ermo, foi morto às mãos dos gentios pela Fé de Cristo. Em Alexandria, de Santo Eulógio Bispo, afamado em doutrina, e santidade. Em Anéres, Cidade de França, de S. Maurílio Bispo, o qual resplandeceu com inumeráveis milagres. Em Sêns, de Sto. Amato Bispo, e Confessor. No mesmo dia, S. Venério Confessor, Varão de grande santidade, o qual viveu vida eremítica na Ilha Palmária. Em França, no Mosteiro de Romárcio, de Sto. Amato, Sacerdote, e Abade, ilustre na abstinência, e graça de fazer milagres." (Martyrologio Romano Dado a Luz Por Mandado do Papa Gregorio XIII e novamente acrescentado Por Autoridade do Papa Clemente X... LISBOA, XLVIII. pag. 235-236).

01/06/12

TAMBÉM NO PRIMEIRO de JUNHO...

D. Manuel I, Rei de Portugal
D. Manuel I - "D. Manuel, único do nome, e décimo quarto Rei de Portugal, nasceu em Vila de Alcochete situada na Província Transtagana no primeiro de junho de 1469, podendo justamente gloriar-se para inveja das mais famosas Cidades do mundo de ter sido berço de tão augusto Monarca." (Bibliotheca Lusitana, Vol. 3., pag 161) - "Neste próprio ano de 1521 (em que foi Dominical a letra F), aos 13 de Dezembro, dia de Santa Luzia, (que calhou então à sexta feira) pelas nove horas da noite, nos Paços da Ribeira em Lisboa, faleceu ElRei D. Manuel de uma febre, espécie de letargo, (doença, de que na mesma Cidade morria muita gente) tendo de idade cinquenta e dois anos, seis meses, e dois dias, contados desde o primeiro de Janeiro do ano de 1469 em que nasceu; dos quais reinou vinte e seis anos, um mês, e dezoito dias, contados desde 25 de Outubro de 1495 em que herdou a Coroa. Jaz no Real Mosteiro de Nossa Senhora de Belém extra muros de Lisboa, que ele edificou para ter nele seu jazigo, e ser habitado de Monges Jerónimos." (Colecçam dos Documentos Estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa..., pág. 468)

D. Paio Galvão - Foi natural de Guimarães, filho único de Pedro Galvão e de D. Maria Pais. Foi Cónego Regrante de Santa Cruz de Coimbra. Foi Mestre em Teologia pela Universidade de Pais. Foi Mestre-Escola de Guimarães, Embaixador de Obediência a Roma, mandado por ElRei D. Sancho I. Pelo Papa Inocêncio III foi nomeado Cardeal Diácono no título de Santa Maria in Septisolio no ano de 1206. No ano de 1211 foi Cardeal Bispo Albanense. O Papa Honório III nomeou-o Legado Apostólico para a Cruzada à Conquista da Terra Santa no ano de 1219. No ano de 1225 foi Legado ao Imperador Frederico II. Morreu no primeiro de Junho de 1228. Dele falam todos os que escreveram as vidas dos Cardeais, e as Histórias das Cruzadas. O Padre António de Macedo na Lusitania Purpurata, O Padre D. Nicolau de Santa Maria escreveu-lhe a vida na Chronica dos Conegos Regrantes, tom.2 lib. II, cap. II." (Catálogo Histórico dos Summos Pontifices, Cardeaes, Arcebispos, e Bispos Portuguezes..., D. Manuel Caetano de Sousa. pág. 11)

Três Estados - "Auto do Juramento, que os Três Estados destes Reinos fizeram em presença de ElRey Nosso Senhor ao primeiro de junho de M.D.LXXIX." (Dedução Chronológica e Analytica, Vol. , pág 117) - "No dia primeiro de Junho foi lavrado o Auto formidável de Juramento, que na presença do Rei deram os Três Estados, cuja substância era: Que por morte do actual Soberano, eles obedeceriam aos Governadores nomeados, e teriam por natural, e verdadeiro Rei aquele, que os mesmos Governadores, e Juízes declarassem,que o era. Aos quatro dias do mesmo mês jurou a Cidade de Lisboa, e nele o Duque de Bragança; aos três do dito jurou o Senhor D. António, que para isso foi chamado à Corte do lugar do seu extermínio. Mas ele sem perder  tempo reclamou logo o juramento na presença do Núncio, protestando não lhe prejudicar o acto, que fizera em reverência ao Rei seu Tio, por temor que caia em Varão constante, que se via face a face com o Soberano de longos tempos até agora seu declarado inimigo. Para não defraudar aos Leitores com a falta de instrução da formalidade destes juramentos, eu os transcrevo pelas próprias palavras." (História Geral de Portugal e Suas Conquistas... Tomo XVII, Pág.233)

Martirológio Romano - "Em Roma, de S. Juvêncio Mártir. Em Cesareia da Palestina, de S. Pándilo Sacerdote, e doutrina, e liberalidade para com os pobres; o qual, na perseguição de Galério Maximiáno, atormentado primeiramente pela Fé de Cristo, e metido num cárcere por mandado do Presidente Urbano; depois posto segunda vez a tormentos por mandado de Firmiliano, consumou juntamente com outros seus o martírio. Padeceram também nesta mesma ocasião Valente Diácono, e Paulo, com outros nove; cuja festa se celebra em outros dias. Em Autum, dos Santos Mártires Reveriano Bispo, e Paulo Presbítero, com outros dez, os quais foram coroados de martírio, em tempo do Imperador Auréliano. Em Capadócia, de S. Teófilo Mártir, o qual em tempo do Imperador Alexandre, e do Prefeito Simplício, depois de outros tormentos, foi degolado. No Egipto, dos Santos Mártires Isquirion Capitão, e dos outro cinco soldados; os quais em tempo do Imperador Dioclesiano foram mortos pela Fé de Cristo com diversos géneros de martírios. Também de S. Firmo Mártir, o qual, na preseguição de Maximiáno, foi gravemente açoitado, depois apedrejado, e ultimamente degolado. Em Perósa, dos Santos Mártires Felino, e Graciano Soldado, os quais, em tempo do Imperador Décio, atormentados com vários tormentos, alcançaram com gloriosa morte a palma do martírio. Em Bolonha, de S. Próculo Mártir, o qual padeceu em tempo do Imperador Maximiano. Em Amélia, de S. Secundo Mártir, o qual, em tempo do Imperador Dioclesiano, sendo lançado no Tibre, deu fim a seu martírio. Em Tiférno na Umbria, de S. Fortunato Presbitero, esclarecido com virtudes, e milagres. No Mosteiro de Lirins, de S. Caprásio Abade. Em Treveris, de S. Simeão Monge; a quem o papa Bento Nono pôs no número de Santos. (Martyrologio Romano Dado a  Luz Por Mandado do Papa Gregório XIII ...LISBOA, M.DCC.XLVIII. pág. 134)

Forais - Vila de Meda: "A Vila de Meda fica a noroeste de Marialva a uma légua, e de Trancoso quatro para norte, situada em lugar alto com sua torre de Relógio: é fértil de pão, vilho, azeite, gado e caça. Tem 330 vizinhos com uma Igreja paroquial da invocação de S. bento, com Vigário, Coadjutor, e Tesoureiro da Ordem de Cristo, que apresenta o Comendador desta Vila, a quem pertencem os dizimos, que é o Conde da Castanheira. Tem mais estas Ermidas, S. Franciso, N. Senhora da Assunção, S. Domingos, N. Senhora das Tábuas, S. Sebastião, o Espírito Santo, e S. João. É do Bispado, e Provedoria de Lamego. ElRei D. manuel lhe deu foral em Évora no primeiro de junho de 1519." (Corografia Portuguesa, e Descriçãm Topográfica do Famoso Reyno de Portugal... Pe. António Carvalho da Costa. Tomo II, LISBOA M.DCCVIII.  pág. 310). Vila Ruiva : "Entre as Vilas de Alvito e Vila Alva, uma légua de Alvito para o Sul, na ladeira de um monte tem seu assento Vila Ruiva, a quem deu foral o Convento de Mancelos, e o confirmou ElRey D. Manuel estando em Lisboa no primeiro de Junho de 1512." (pág.491). Vila da Vidigueira - "A esta vila deu foral ElRey D. manuel achando-se em Lisboa no primeiro de Junho de 1512; e dela fez Conde ao mesmo D. Vasco da Gama, a quem honrou com outras merecês dignas dos seus grandes merecimentos. Nesta ilustríssima casa se conserva o domínio da dista villa, cujos Condes são juntamente Marquezes de niza. Com o tempo se foi aumentando a mesma vila de tal modo que actualmente consta de 656 fogos, em que se compreendem pouco menos de três mil pessoas; pois havendo curiosidade em se examinar este número, consta, que só as pessoas que chegam à Sagrada Mesa da Comunhão, vem a ser duas mil e trezentas e vinte e seis. É cercada de largos, e formosos rocios, num dos quais está fundada a Igreja Matriz que é a terceira das que se tem destinado para se administrarem nela os Sacramentos aos Fiéis." (Chronica dos Carmelitas de Antiga e Regular Observância.. Tomo II, Parte IV. Pág. 309)

Fortaleza de Mombaça - "Matias de Albuquerque foi logo ao outro dia, que foram vinte e três de Maio, visitar o Conde Almirante com todos os Oficiais da justiça, e fazenda; e querendo logo nesta visita fazer entrega da governação da Índia, a não quis o Conde aceitar, senão aos vinte e cinco do mesmo mês, que foi dia do Espírito Santo, donde a fez na forma costumada. Os Vereadores foram logo visitar o Conde, e pediram-lhe que se detivesse ali alguns dias até que prepararem o seu recolhimento; o que lhe ele concedeu até ao primeiro de Junho, dia da Santíssima Trindade, em que fez sua entrada com grande pompa, e aparato, e regozijo de todo o povo, de que as ruas por onde havia de passar estavam toldadas, e com muitas invenções. Foi recebido com fala de parabéns de sua vinda, e levado de baixo do Pálio até à Sé, passando por baixo de muitos, e mui formosos arcos ornados com muitas riquezas, e galantarias, indo à sua ilharga o Arcebispo Primaz D. Fr. Aleixo de Menezes; e depois de fazer sua oração, se recolhei aos passos, em cujo terreiro lhe correram muitas carreiras, e fizeram muitas festas, e regozijos, em que o dia se gastou. E há de aqui notar-se, que no mês de Junho, em que o Conde Almirante tomou posse da Índia, se cumpriram cem anos que seu bisavô a descobriu." (Da Asia de João de Barros e de Diogo de Couto, Vol. 23, pág. 14)

Escravidão - "(c) No primeiro de Junho o Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Bispo de Elvas leu um Capítulo de uma, em que mostra, que não se contradizem as leis que permitem as escavidão dos pretos da África e proibem a dos Índios do Brasil." (Memórias, Academia das Ciências de Lisboa. Vol.3 - Discurso Histórico (...) de João guilherme Christiano Müller a 24 de Julho de 1810, pág.10)

23/03/12

23 de MARÇO - AGIOLÓGIO LUSITANO

O ponto (b) do Agiológio Lusitano para este dia:

"b. Na cidade de Bragança (que antigamente se chamou Julio-briga), em Trás-os-Montes,  as vitórias e rutilantes coroas dos invencíveis Mártires de Cristo Domício, Pelágia, Aquila, Aparchio, e Teodósia, os quais na, sanguinolenta perseguição do ímpio Diocleciano, renderam as momentâneas vidas em suave holocausto pelas sólidas verdades de nossa religião Católica, purpurizando cada qual a cãndida estola com o rosiclêr[?] de seu sangue cujo vitorioso certame celebra neste dia (não somente a Igreja Latina, mas também a Grega, que não é pequena prerrogativa de tão célebre troféu)."

Sé de Bragança


26/09/11

IGREJA DE S. PEDRO e S. PAULO (dos "inglesinhos") I

"SS A PLIS PETRO ET PAULUS"
(Inscrição da porta que significa "Santos Apóstolos Pedro e Paulo)

































Em Lisboa, no Bairro Alto, ergue-se o edifício do antigo Colégio de S. Pedro e S. Paulo comummente chamado "dos inglesinho". O nome deriva da edificação da igreja aos Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, e tal indica a missão a que o mesmo colégio se destinou durante séculos: a evangelização da Fé católica na Inglaterra protestantizada. Vinham a ele os moços ingleses ("inglesinhos") que, depois de ordenados sacerdotes, voltavam à pátria enfrentando os perigos da perseguição. Muitos ganhavam assim a palma da vitória.

Pouco depois do Concílio Vaticano II e da Nova Missa, ainda antes do assalto do 25 de Abril de 1974, pareceu a Roma não fazer mais sentido a nobre causa do colégio. Fecharam-se portas e, décadas depois, o edifício foi vendido para condomínio de luxo.


A igreja do colégio, pedra base da sua apostólica missão, felizmente manteve-se desocupada. Há um reconhecimento geral, até mesmo por parte dos laicos, que, pelo menos, deve esta igreja ser mantida fielmente. Está classificada como património pelo IGESPAR (Instituo de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico)

Aos poucos, colocarei informação sobre a Igreja de S. Pedro e S. Paulo (dos inglesinhos) e fazer alguns comentários oportunos.

06/09/11

DEUS E OS ESTADOS - S. MAURÍCIO

Uma lei de qualquer Estado não podem ser verdadeira lei permanecendo em oposição à Vontade Divina. Todas as outras leis do Estado deve o católico obedecer-lhes com bom propósito.

Em 286 (Imperador Maximiliano), durante uma expedição militar, a legião tebana (Tébas, no Egipto) composta por 6600 soldados cristãos, era comandada por Maurício. Pelo o bom porto da expedição mandou o Imperador fazer uma sacrifício aos deuses. A legião tebana pela sua Fé não se deteve para o tal sacrifício e continuou caminho até chegar perto do Lago de Genebra. O Imperador mandou chamar a legião e Maurício enviou-lhe um doloroso documento assinado por todos os seus oficiais, que dizia:
"Todos somos cristãos e servidores do verdadeiro Deus. Queremos ser-te fieis e lutar com ardor contra os teus inimigos, mas não podemos fazer o que o verdadeiro Deus nos proíbe."
Irritado, o Imperador mandou numerar os legionários em grupos de 1 a 10 e mandou matar os numerados com o 10. Esta operação repetiu-se uma segunda vez. Depois todos foram açoitados e finalmente apunhalados.

Mais tarde foi erigido um monumento no local onde estes 6600 mártires foram sepultados.

S. Maurício é um exemplo da obediência a Deus e ao Estado, colocando cada qual ao nível devido. Desobedecer ao Estado é uma obrigação quando isso implique obediência a Deus.

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