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07/12/16

O "ESTADO NOVO" não foi "REPÚBLICA NOVA"


Retirada de uma entrevista televisiva ao Prof. António de Brito (Dezembro 2009 - projecto "Direitas Radicais em Portugal"), a transcrição que se segue não significa uma subscrição de outras afirmações do Professor. Sirva este material como testemunho:

"[No Estado Novo] os "republicanos" eram "republicanos em banho-maria". Aí é que pode dizer que havia bastantes indiferentes... indiferentes. Que também nunca poriam resistência a uma restauração monárquica a sério, evidentemente, não a monarquia depois que os integralistas deram... a monarquia do Couceiro, e tal.; a uma monarquia autêntica, com uma certa indiferença não se oporiam. (...)

Salazar dizia que o grande apoio do Estado Novo são os monárquicos, são os católicos e alguns republicanos sidonistas. Os republicanos tinham o peso todo da tradição republicana, que era democrática, liberal, etc...  Eles lá iam fazer apelo ao governo de um só!? Eles eram [em geral] contra o regime que estava, exactamente por ser próximo de monarquia: ser o regime de um só, Salazar, mandar.
 
Nós gritávamos quando estávamos na Mocidade Portuguesa: "Quem manda? - Salazar, Salazar, Salazar! Quem vive? - Portugal, Portugal, Portugal!". Sempre o apelo a um chefe, ou a um ícone. Evidentemente que um republicano genuíno, como é que ele ia a... [apoiar]? Só se tivesse, como por exemplo agora... pode admitir-se porque um pretendente ao Trono não é pretendente a coisa nenhuma (...), não é monárquico, ele não é monárquico! Como dizia o [Alfredo] Pimenta, e muito bem: "eu sou monárquico sem Rei, temos que proclamar a excelência dos princípios e a cadência das pessoas".
 
Ideias a salientar:

- A Monarquia assenta no princípio do "mono" poder (poder de um);
- O Estado Novo não é nem se identifica com a república, e sim com a monarquia;
- A tradição republicana é democrática e liberal (ao ponto de nisto se apresentar como representante perante os outros sistemas e regimes)...

(outra parte da transcrição aqui, em VERITATIS)

30/12/15

O REI E O PAI (II)

Rei David
(continuação da I parte)
§ 8

A numeração dos ofícios do Pai a respeito os Filhos, é a mesma o Rei, relativamente aos súbditos; ambos são recíprocos, e gerados pela natureza, quando não havia Reis, havia Pais, depositários do sumo poder, que se transferiu aos Soberanos condicionalmente, e com as cláusulas mais expressas, na origem de todas as sociedades do mundo, por mais bárbaras que fossem.

§ 9

"Queremos, e mandamos" é a frase Real, porque se contende que a maior parte da Nação quer, e manda: isto é: os pais de Famílias, cujo direito é o único, que se tem reconhecido sobre a terra, e ainda que transcendente aos Soberanos, nunca é por modo irrevogável; porque os ameaços de Samuel ao povo Israelita supõe só o facto, e não o direito.

§ 10

Eram Reis os Pais de famílias no centro delas: são Pais de famílias os Reis no centro de seus Estados: e a regra de medir, e comparar uns com outros direitos é esta, a mais firme, e mais segura para regular a competência de tão sublime emprego com todas as relações, que exige a sua superioridade inviolável.

§ 11

O nome só pode sujeitar-se à vontade alheia, ou por bem do seu corpo, ou da sua alma: tudo que ofende uma, ou outra coisa, é repugnante à sua existência física de Deus; para remir um homem só, não bastaria a morte de todos os homens.

§ 12

Temos portanto, e por tudo quanto se acha escrito desde o princípio do Mundo, que o Rei é o Pai de famílias, e como tal lhe compete nosso governo, e nossa direcção: quando porém ele esteja doente, ou impedido de outra maneira, lhe compete, como ao Pai de família, substituir quem faça as suas vezes, cujos erros, e descuidos, ou tergiversações lhe devem ser presentes para nomear outros, se a necessidade não insta para se acudir à opressão dos súbditos sem delongas, e sem as participações devidas à Majestade, que é a cabeça do corpo social, cuja vida não pode durar, sendo acéfalo, nem subsistir o seu decoro, e perfeição, sendo monstruoso.

§ 13

A Natureza é um ente criador, que tudo dispõe pela reprodução dos seres para se eternizar: tudo alinha para simetria, e formosura do universo: tudo reduz ao estado primitivo; porque o fazer, e desfazer é o seu maior brasão: criar os homens, que morrendo ressuscitam: cria os poderes que paralisando-se se substituem; tudo em proveito dos imperantes, e dos súbditos.

§ 14

Que prazer, que suma glória para a humanidade! que sendo mortal pode eternizar-se! não só por uma vida nova alimentada de virtudes, mas pelos meios temporais, que restituem dignamente o nada, que somos, ao nada que já fomos! Quero dizer: corrigindo a sociedade, em que vivemos, pelos ditames naturais da isolação, em que nascemos.

§ 15

Nasceu o Pai: nasceu o Rei: mas seguiu-se a orfandade: e que manda a natureza? Obedeceríamos aos seus dignos sucessores, e na falta total de uma Dinastia sagrada, retroloairmos-nos ao estado primitivo, se a mão do Altíssimo não a supre, como fazia ao povo de Israel.

§ 16

O perigo mais fatal entre os homens é a Anarquia; porque martiriza cruelmente por longo tempo, quando a fome e a peste tudo devoram em breves dias. Anarquia, Palavra horrível, e até mesmo infame, vergonhosa, e desonesta, porque desliga, e rompe todos os vínculos da sociedade, que não só se dissolve, mas se confunde, e esteriliza; não podendo distinguir gerações como acontece aos habitantes do centro da América: a Anarquia arvora o seu estandarte à solta concupiscência, como sucedeu à pouco em Pernambuco, até ao extremo, de que um homem vil arrancasse dos braços de um Pai de famílias, riquíssimo, a sua filha, para usar dela, como coisa sua.

§ 17

Assim se conduzem os Anarquistas, e assim é, que se conduz a força armada, quando as Nações se recoltam, ainda mesmo por justas causas; triunfam as paixões, e o seu império se engrossa com o mesmo ímpeto, com que nasceram, desobedecendo a preceitos fáceis, e que só proibiram o simples, e vago apetite.

§ 18

Anarquia! monstro nefando, que rasgas as entranhas, até mesmo daqueles, que te obedecem, e te aplaudem: tu mesma te devoras, e aniquilas, para triunfo do despotismo, outro monstro competidor da Divindade, e da Natureza.

§ 19

Quando os homens admitem suspeitas contra aqueles mesmo, que solicitaram para seu resgate, está muito próxima a ruína da sociedade; porque não há diferença da desconfiança de si mesmo, à dos indivíduos, em cujas mãos depositamos nossos direitos.

§ 20

É verdade que nos podemos enganar na escolha: mas também é certo, que podemos enganar-nos na suspeita: e os resultados deste erro são mais prejudiciais, que os do primeiro: porque o segundo se atribuis ao coração corrompido, e o primeiro à imbecilidade humana.

(continuação, III parte)

03/01/15

HARMONIA POLÍTICA DOS DOCUMENTOS DIVINOS (II)

(continuação, II parte)


CONSEQUÊNCIAS
Por Razão

6. Conhecido assim o príncipe por Religioso alcançará quatro consequências utilíssimas.

7. Primeira; excelência grande para ser bem quisto; porque não há coisa que o faça tão ilustre como a Religião.

8. A dos Sereníssimos Reis de Portugal sempre pura, sua constante fé nunca rendida (diz o insigne escritor Tomás Bossio) lhes acuirio o amor com que pelo qual foram tratados pelos Vassalos como Pais; assim o conheciam os Príncipes, e Escritores estrangeiros.

9. Segunda; valor para empreender o necessário; porque naturalmente é mais confiado quem cuida que terá o favor do Céu.

10. Nossos Reis D. Afonso Henriques, e D. João I depois de fazerem algumas devoções na igreja de Nossa Senhora da Oliveira de Guimarães, partiam para as batalhas tão animados, como se levassem victoria certa. E o grande D. João II por estremo religioso, cometeu coisas que pareciam temerárias.

11. Terceira; autoridade para ser obedecido; porque os súbditos nem se persuadem que mandará injustamente quem é religioso, nem se atrevem contra aquele que entendem que tem por si a Deus. Numa para ser respeitado em Roma fingiu-se familiar da Deusa Egeria: Sertório, para que lhe obedecessem os Hespanhois se mostrava favorecido de Diana: Cipião, e outros Estadistas, usaram do mesmo artifício; se pode tanto a sombra da Religião falsa, quando mais poderá à luz da verdadeira?

12. Esta foi a causa, na opinião do mesmo Bossio, pela qual fòs os Reis de Portugal entre todos os do mundo foram Senhores absolutos, obedecidos mais como oráculos, que como Príncipes.

13. Quarta consequência, é dar bom exemplo aos Vassalos para lhe serem fiéis; porque, sendo certo que o obrar dos Príncipes é preceito para os súbditos, não há tão eficaz meio para os persuadir à fidelidade, como verem que ele a guarda a seu superior. Como ensinara que se obedeça aos Príncipes quem não obedece a quem faz os Príncipes? No governo de Rómulo foi Roma guerreira: no de Numa, religiosa: no dos Fabrícios, continente: no dos Catões, regrada: no dos Gracos, sediciosa: no dos Luculos, intemperante. O Império no governo de Constantino foi Católico; no de Juliano, idólatra: no de Valente, Arriano. O povo de Israel no Reinado de David, Ezequias, e Josias, floresceu em Religião: no de Jeroboão, caiu em idolatria; mais fácil é errar a natureza que formar o Príncipe uma República diferente de si. Primeiro veremos que os lobos geram cordeiros, e que as silvas produsem rosas, do que vejamos que um Rei desleal a Deus faz subditos leais a si; todos os que fundaram sobre o Ateísmo edificaram torres de Babel, ou estátuas com pés de barro, os que plantaram na Religião floresceram gloriosamente.

14. Assim se viu, diz o mesmo Bóssio, nos Reis Portugueses, sendo Portugal o único Reino em que nunca os Vassalos conspiraram contra a vida de seu Rei, ou se rebelaram contra seus mandados. Bem disse a Divina Política pelo Apóstolo, (ainda para as matérias de estado) "Ninguém pode por outro fundamento, senão o que está posto, que é Cristo Jesus".

SENHOR

15. O Tribunal da Inquisição é uma das principais colunas da Religião neste Reino; todas as Províncias em que ele falta se vêm ou arruinadas, ou contaminadas na fé; favorecê-lo é sustentá-la, e conservar o Estado, não só em respeito do Judaísmo, como cuida o vulgo, mas principalmente em respeito das heresias do Norte mais inquietas, e contagiosas, que só por medo deste Tribunal santo se refreiam de nos cometer, e são peste da vida civil, ainda no temporal, porque causam divisões, que são desolação dos Reinos, e professam novidades no governo, e total extinção dos Reis. Só a Religião Católica manda que se lhes obedeça pontualmente: é fundamento da República [entenda-se "ordem pública"]; vínculo da sociedade, firmamento da justiça, sustentadora da vida, sem ela nem o Príncipe, nem os súbditos puderam fazer seu ofício; se V. A. Real não fosse mui religioso, menos o seriam eles; glorie-se V. A. R. de o ser, que é permitido gloriar-se desta excelência, venha qualquer sucesso, todas as prosperidades serão de V. A. R. tendo muitos bons que o sirvam, pois disse a Divina Política pelo Eclesiástico: "Qual for o governador da cidade, tais serão os habitadores dela."

(continuação, III parte)

02/01/14

CATECISMO DOS DIREITOS DIVINOS NA ORDEM SOCIAL (I)

Irei publicar uma parte da obra "Jesus Cristo Mestre e Rei das Nações" (Pe. Philippe, C. SS. R.), para comover alguns companheiros ao pensamento que forjou a Europa com os seus Reinos Cristãos.



CATECISMO DOS DIREITOS DIVINOS NA ORDEM SOCIAL
JESUS CRISTO, MESTRE E REI


I Lição
O Soberano Domínio de Deus Sobre a Sociedade

1 - Recitai o primeiro artigo do Símbolo dos Apóstolos!
R: Creio em Deus, Pai todo poderoso, Criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo o seu Filho único, Nosso Senhor.

2 - Como se exprime a Santa Igreja Sobre este ponto no credo da Missa?
R: Creio num só Deus, Pai todo poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio num só Senhor, Jesus Cristo, Filho únigênito do Pai.

3 - O que entendeis por estas palavras: Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis?
R: Entendo, que tudo o que existe fora de Deus, foi feito por Deus, que todas as coisas visíveis e invisíveis foram feitas por Ele.

4 - Que diferença colocais entre as coisas visíveis e invisíveis?
R: Há coisas que caiem sob os sentidos da vista, do ouvido, ou de todos os outros sentidos, que podemos apalpar de qualquer maneira: são as coisas visíveis. Ao lado, há coisas que existem realmente, coisas cuja existência se pode perceber, mas que ficam fora do alcance dos sentidos.

5 - Enumerai exemplos de coisas invisíveis.
R: Por exemplo, são invisíveis: os anjos, a alma humana, o pensamento humano, a vontade humana, o poder e a autoridade humanos.

6 - A sociedade dos homens não será uma coisa invisível?
R: Não é visível no sentido em que não pudéssemos tocar nela com o dedo, mas fica perfeitamente perceptível, no sentido em que podemos reparar na sua existência. Assim vê-se muito bem e dá-se conta que tal sociedade pública ou privada é distinta das restantes sociedades.

7- Será a sociedade considerada no que nela há de visível e de invisível, uma criatura?
R: Sim, e quando no meu credo digo: creio em Deus, Pai todo poderoso, que criou o Céu e a Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis, professo solenemente que toda a sociedade, bem como o homem, foi criada por Deus, e por consequência, depende d'Ele, com uma relação de dependência absoluta.

8 - Podeis dar algumas provas da condição de criatura da sociedade?
R: Além do testemunho de Deus e do Espírito Santo nas Sagradas Escrituras, além do testemunho da Santa Igreja, vamos fornecer provas de razão. Toda a sociedade está composta de homens. Todo o homem é criatura. Logo então, as relações entre os homens são coisa criada. Além disso, toda a sociedade, bem como toda a nação, constitui uma realidade verdadeiramente existente. Esta realidade é um todo moral, que existe verdadeiramente fora de Deus. Consequentemente o que não é Deus, é criatura de Deus, de quem não pode senão depender absolutamente e de maneira soberana, tal como toda a criatura depende do Criador.
Há uma outra ideia fundamental. Não só o homem depende de Deus porque é criatura, mas também depende de Deus, porque Deus é o seu fim supremo e último. É de toda a evidência que o objectivo é último. É de toda a evidência que o objectivo final de todas as coisas criadas é Deus. Mais particularmente, Deus é o escopo final, supremo e infinito de toda a criatura inteligente. O homem foi criado para alcançar a Deus. Ele deve compreender que foi criado neste desígnio e deve querê-l'O alcançar. Ora, Deus colocou o homem em condições tais, que não pode senão viverem sociedade. Portanto, enquanto ser sociável, o homem deve ter como propósito final e supremo: Deus. Sustentar a posição contrária seria afirmar que o homem encontra o fim da sociedade na sociedade mesma, o que seria uma idolatria.

(continuação,II parte)

12/02/13

O NOSSO REI REQUIÁRIO (II)

REQUIÁRIO DE BRAGA
O PRIMEIRO REI CATÓLICO DO ORBE LATINO

Pelo Dr. Sérgio da Silva Pinto

(continuação da I parte)


2. Vida Externa e Interna do Reino dos Suevos

Depois dum biénio de assolações (409-411), descrito combriamente por Idácio, os Bárbaros repartiram, entre si, as províncias para nelas viverem em paz: os Suevos e os Vândalos Asdingos ocuparam a Galécia; os Alanos, a Lusitânia, talhada pelos Romanos a sul do Douro, e a Cartaginense; e os Vândalos Silingos, a Bética, actual Andaluzia (9).

Na Galécia, região nortenha da Lusitânia primitiva, pré-romana, pré-romana (10), os Suevos estabeleceram-se na parte ocidental e marítima, acantonados sobretudo no Convento bracarense; e os Vândalos Asdingos, na parte leste ou central, dependente de Lugo e Astorga (11).

Em 416-418, os Visigodos, aliados dos Romanos, vêm à Península combater, em nome do Império, os outros Bárbaros. Aniquilam os Silingos e os Alanos. Por seu lado, os Asdingos da Galécia passam à Bética, (419) e pouco depois, capitaneados por Geiserico, o Apóstata, saem para o Norte de África (12). Ficam os Suevos sós em campo, fortalecidos, decerto, pelos restos de Alanos e outros grupos.

O primeiro Rei do Estado suévico da Galécia, Hermerico, governa cerca de 30 anos (13), absorvido em lutas e negociações políticas, para a posse de todo o Ocidente - a Lusitânia, não a diminuída pelos Romanos com a desembração dos territórios galáicos, mas a espontânea sobre toda a orla atlântica. Desiderato alcançado por seu filho Réquila.

É no tempo de Hermerico que o historiador Idácio, Bispo de Chaves e romófilo intransigente (14), passa às Gálias para suplicar aos Romanos que socorram a Hispânia contra os Suevos (15). Entretanto o Rei suevo, "mediante intervenção episcopal", como informa Idácio, (16) concerta a paz com os Galaicos. O Bispo que estava, então, em melhores condições para essa intervenção era Balcónio de Braga,  - o único que mantinha relações directas com os Suevos. Os bispos da Galécia Central (Lugo, Astorga, Chaves) seguiam política pró-romana e anti-suévica; e as dioceses do Porto, Orense e Tui ainda não existiam. Por isso se deve concluir, como algures notámos, que Balcónio foi, nessa altura, o príncipal negociador da paz (17).

Pouco depois, Hermerico enviou aos Romanos o Bispo Sinfósio, que fracassou na sua embaixada (18). Ninguém sabe donde ele era. Reinhart chama-lhe erradamente Bispo de Braga (19). É possível, porém, que estivesse em Braga, deslocado da sua Sé, ou mandado pelos Romanos. Uma coisa é certa: nem ele, nem Idácio, entraram no ajuste de paz entre Suevos e Galaicos. Idácio não podia ser pessoa grata ao Rei suevo, e não se conta a si próprio na referida intervenção episcopal; não fala também em Sinfósio, quando duas linhas adiante o menciona a propósito da sua incumbência junto da Corte dos Romanos. Reforça-se, assim, como é óbvio, a atribuição das negociações a Balcónio.

A Monarquia sueva não era electiva, como brilhantemente o demonstrou Francisco José Velozo,um dos mais seguros historiadores contemporâneos da Alta Idade Média pré-portuguesa (20). "Estava longe de ser um estado bárbaro e caótico, mesmo nos momentos de crise" (21). E, consequentemente, os seus Reis não eram selvagens. Braga, opulentada de monumentos e instituições romanas, tornara-se capital da Nação sueva, como já o provámos (22). Os Reis tinham nela a sua corte, o seu palatium e, o que é mais, o seu thesaurus. Nesta cidade, passados os primeiros anos de violências, os Reis suevos procuram viver em paz com os Galaicos-Romanos: episcopado, aristocracia e povo. "Fazem-se amigos dos Romanos" (leia-se Galaico-Romanos), atesta Orósio. "Trocam a espada pelo arado" e, embora se constituam proprietários de terras, inicialmente na região bracarense, mercê de partilhas ou expropriações impostas aos possessores romanos, estes acham-se agora com maior liberdade do que antes (23).

Em Braga, os Suevos respeitam, quanto podem, a organização romana. Entretanto, pouco a pouco, o Estado suevo integra classes e instituições não suevas. Os nobres das duas raças - magnates suevos e aristocratas romanos, a que está adito o alto clero - cedo se dão as mãos e se entrelaçam na capital do Reino; são, indistintamente, os Principais; e o Rei, o Principal dos Principais, segundo nos elucida Velozo (24).

Os Romanos de Braga tornam-se, assim, os naturais intermediários entre os Suevos e o "Povo" da restante Galécia, ainda não submetida.

Como se vê nada de barbárie ou selvagismo.

Ora, por estas alturas (433 - paz concentrada entre Suevos e Galaicos), o Príncipe Requiário, aclamado Rei em 448, já era de certeza nascido, embora, embora fosse menino. Seu pai é o Princípio Réquila, filho de Hermerico (25).

(continuação, aqui)

08/09/12

TEIMAS PERIGOSAS EM TERRAS DE VERA CRUZ

No Brasil o Absolutismo é ensinado assim... Portanto, é uma visão liberal/comunista aquela que se faz passar sobre o Absolutismo. Não admira que os católicos olhem para o verdadeiro Absolutismo com os olhos de um liberal ou de um comunista. Mas estas deturpações, tão próprias da nossa época cada vez mais decaída, encontra-se um pouco por todo o lado, nomeadamente nos países de costume liberal mais enraizado.

Uma vez por outra, chegam-me ecos de uma inquietude juvenil que, por idade dos hospedeiros, deveria não ser cansada nem ter nascido velha e moribunda. Não é a Monarquia que cantam, cantam antes aos arminhos brancos e às coroas diamantinas... a Monarquia acaba por ser feita em bandeja onde se lhes servem iguarias e, claro está, deixando cair a bandeja perde-se o petisco. "Petisco" rima com "isco"... a nossa natureza decaída basta.

Era já multi secular a Monarquia Lusa quando os indígenas nas terras de Vera Cruz se interessaram pela aparência dos pequenos espelhos e outros artifícios reluzentes que de nós preferiram: costuma-se dizer por lá, eu apenas repito, que os portugueses ao chegarem ao Brasil trocaram pequenos espelhos por ouro. Como é velha a aparência, portanto. Mas, se em tempos se justificava dar qualquer coisa não prejudicial para cativar a cooperação no processo civilizar verdadeiramente, hoje, depois de estar bem ou mal aproveitada tal civilização e se ter feito maior de idade o Brasil, há quase 200 anos, não se entende que hajam brasileiros tradicionalistas (portanto, se são tradicionalistas realmente são civilizados realmente) que caiam em ser "índios" perante o espelhado e cintilante polimento das coroas. É que a bem ver, e de forma ainda mais elevada, podemos olhar aquele simbólico encontro dizendo que: os cristãos (Portugueses) foram os que receberam ouro, e os pagão (indígenas) receberam espelhos, contudo os pagãos receberam por mão desses cristãos outro ouro ainda maior que é o da verdadeira civilização da Fé, e os indígenas integraram assim a mesma civilização-cristã-lusa que veio dos tempos em que a Tradição estava ainda em aberto (tempos apostólicos). Ora, o ouro não paga isto, mas o seu reluzir nas coroas pode novamente seduzir e, desta vez, deitar tudo a perder (porque o que reluz pode assim levar os pagãos à Fé, mas pode rebaixar os cristãos ao vício).

Um católico pode tolerar, desculpar, suportar, determinados sistemas de governação devido a circunstâncias impostas que ele não possa alterar. Claro que a ignorância desculpará outras atitudes contrárias. Contudo, isso não significa nem poderia significar a defesa de tais modelos governativos. E eis que dou o caso de Oliveira Salazar: exigiu condições de governo Monárquico (portanto, absoluto - por isso lhe os republicanos não o chamam republicano, chamam-no ditador) de tal forma que a república se desfigurou ao ponto de não-ser propriamente uma república. E mais... tudo isto é um processo gradual onde Oliveira Salazar entra em jogo a pedido de tentar apenas o equilíbrio da economia que a república maçónica tinha levado à ruína. As tentativas de Oliveira Salazar para um retorno à Monarquia são inegáveis, contudo o peso da maçonaria e o passado liberal da monarquia tiveram não davam garantias de nada.

A obrigação de cuidar da nação não é a mesma que defender um sistema de governação!... O católico continua a dar a César o que é de César, apenas o mínimo obrigatório, sem que isso signifique cooperação com o mau sistema. Já mau seria defender um sistema por achar que ele apenas não é incompatível com o catolicismo... como se a crença do "neutro" não fosse errada.

Temo que haja alguns jovens brasileiros (e também os há em Portugal) que se arrastem por ideias liberais quanto ao sistema governativo. Acham que a Monarquia católica é compactível com um "poder moderador", e ignoram que até D. Pedro o Rei foi sempre absoluto e que as Cortes apenas tinham a função de consulta. Eis a Monarquia propriamente dita, a católica e tradicional e que os iluminados no seu tempo quiseram escarnecer chamando-lhe ABSOLUTISMO e, escolhendo para ela casos ISOLADOS recentes, difamarem, fragilizarem e fazerem entrar um sistema de pseudo-monarquia (a monarquia liberal) que, na verdade, não é uma monarquia propriamente dita.

O protestantismo, os novos "filósofos", a maçonaria, estão na base das novas constituições que assentam o "poder moderador" ou seja, impedem em definitivo a monarquia católica (tradicional, ou alargando: absolutista).

Que os brasileiros católicos tenham coragem de propor a Monarquia tradicional (católica, absolutista), e tenham coragem maior de deitar fora o sistema liberal da "monarquia cocha".

08/11/11

VÍDEO RARO - Rainha Isabel II recebida em Portugal (1957)

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Coloco este vídeo apenas para dizer que a dignidade que se dá a uma rainha estangeira seria sempre inferior à dada ao um presidente da república que ocupa Portugal. Como não seria a dignidade dada por Portugal ao seus Reis?

Mais vídeos do mesmo acontecimento:
- 7 minutos de várias filmagens no Terreiro do Paço (aqui)
- Em Queluz (reparem o acolhimento do povo e as bandeiras monárquicas de Portugal - as brancas, não as liberais) (aqui)

A Rainha foi transportada no bergantim real (aqui)

09/10/11

D. MIGUEL - O ÚNICO PORTUGAL, A VERDADEIRA MONARQUIA, O ÚNICA GOVERNAÇÃO PRÓPRIA


DISCURSO
de 
José Acúrsio das Neves
na reunião das
CORTES de 1828
(Palácio da Ajuda - Portugal, a 24 de Junho)


«Sereníssimo Senhor.

Depois de tão longas peregrinações, e por entre tantos perigos e trabalhos, a mão do Omnipotente conduziu a Vossa Alteza Real desde as margens do Danúbio às do Tejo, para salvar o seu povo. Este fiel povo, agitado, oprimido e consternado pelos partidos, pelas revoluções e por todo o género de angústias, suspirava com tanta ansiedade pelo libertador que havia de pôr termo às suas calamidades como em outro tempo o de Israel durante o cativeiro de Babilónia. Depois de Deus, todas as nossas esperanças se fixavam em Vossa Alteza Real, e não era em vão, porque com Vossa Alteza Real à nossa frente temos começado uma era mais ditosa.

Aquela hidra, que há cinco anos Vossa Alteza Real esmagou em Santarém, tem sido origem e causa de todas as nossas desgraças. Vossa Alteza Real pisou-lhe a cabeça com um heroísmo que imortalizou seu nome; porém ela, sendo de uma vida tão tenaz como pintam a hidra da fábula, e ainda mais perigosa por seus ardis, comprimiu-se, humilhou-se, fez-se morta, e passados alguns instantes levantou de novo o colo, tomou diversa figura, empregou novos agentes e os seus primeiros tiros dirigiram-se contra aquele que a tinha esmagado.

Nenhuma outra coisa se devia esperar, uma vez que o monstro ficou com vida, mas se ele preparou a Vossa Alteza Real longos trabalhos, penosas fadigas, também lhe deu ocasião a colher novos e ainda mais viçosos louros nos campos da honra e da glória; se nos envolveu em dias de dor e de amargura, também nos trouxe o doce prazer que hoje respiramos.

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