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07/02/18

CONVERSAS - O RITO ROMANO


Transcrevemos de um debate no Facebook a parte final, onde o interveniente que defendeu a Missa Tradicional resumiu assim o que havia dito:

"Tradicionalista - nem há necessidade de discutir mais, porque o assunto está mais que trabalhado principalmente por outros:
1 - O Missal de Paulo VI não é nenhum melhoramento ou evolução do Missal de João XXIII. Quem o diz? O Card. Ratzinguer explica, e está publicado, que o Missal de Paulo VI não proveio da Tradição, mas que foi uma fabricação de gabinete. O próprio Mons. Bugnini, responsável na elaboração do dito missal, explica porque ele foi feito ( no seu livro "a Reforma Litúrgica"). Diz que a intenção no Missal de Paulo VI é criar uma formulação da Missa resultante da remoção de tudo o que da Fé católica pudesse não coincidir com a formulação luterana. Se até então a Igreja tinha considerado o Rito Romano como um edifício da Doutrina/Fé, com o Missal de Paulo VI todos os elementos da Fé que desautorizam a heresia protestante foram removidos (lindo! ). Por isso, os maiores críticos deste Missal não tiveram qualquer dificuldade em acha-lo "protestantizante". Além disto, também a sua elaboração foi acompanhada por 6 protestantes (depois recebidos por Paulo VI - existe a foto do momento, publicada no l'Observatore Romano) diz-se "protestantizado". Assim, como seria de esperar, e segundo o que vemos hoje, os católicos ficam abertos a "interpretações" protestantes a respeito das coisas cristãs, ou seja, verdadeiramente vítimas do escândalo que ali passivamente sofrem com a assistência àquelas Missas. Ex: a Doutrina Católica ensina que a Missa é "Santo Sacrifício", enquanto que hoje se diz e abusa de que a missa é a Ceia, e são raros os católicos que agora ouvem dizer "sacrifício".
2 - O projecto para um novo missal deste tipo não veio por via do Concílio Vaticano II, como querem dizer alguns, porque em sessão conciliar o mesmo projecto foi logo reprovado.
3 - O Missal que fixou o Rito Romano foi o chamado "de S. Pio V". 400 (ou 200!?) anos antes disto o Rito Romano tinha sido corrompido com inovações locais, aqui e ali os contaminados pela liturgice, os vaidosos "litúrgicos", e outros tantos motivos injustificáveis de inovações contrárias ao sentido e equilíbrio do Rito, produziram novas formas assentes em Missais. S. Pio V proibiu todos estes Missais alterados durante tal período, e manteve todos os mais antigos. O Missal de João XXIII não surge como uma nova formulação da Missa, mas sim como uma PUBLICAÇÃO, uma edição do Rito Romano fixado por S. Pio V, submetida (a regra é o de S. Pio V), agora com a introdução das rubricas (tipo de notas de rodapé, que antes existiam em outro livro externo), etc.. Como a regra do rito Romano na Missa é o de S. Pio V, a edição de João XXIII nunca fez a regra (o que permite por ele continuar a rezar os dois Confiteor, sem estar a violar coisa alguma). Vc. diz bem ao referir uma evolução no Rito Romano, e a Igreja o disse sempre... mas usa "evolução" como hoje o fazem os teólogos que seguiram a inovação, e perderam o anterior: com o sentido moderno marcado pelo "evolucionismo", e não segundo o pensamento católico (St. Tomás de Aquino).... vale MUITO a pena dizer algo sobre isto, e vai gostar:
a) Evolução não significa mutação, e estas são ideias na realidade opostas. Os evolucionistas dizem "evoluiu, porque mutou", e os católicos, e os clássicos sempre disseram precisamente o contrário. Repare.
b) Uma semente de roseira em POTÊNCIA contém a roseira, já com todas as características que virão etc... Quando a semente entra na terra e recebe as condições necessárias vai aparecendo gradualmente como roseira. Isto não é fruto de mutação.... isto é EVOLUÇÃO, porque gradualmente da POTÊNCIA se passa a ACTO. Evolução sempre tinha sido entendida como VÉU que cobre algo e que depois revela o que lá esteve sempre.
Passemos ao Rito Romano que foi ensinado por Nosso Senhor a S. Pedro (segundo a milenar tradição diz). A evolução que daqui podemos verificar não é mais que um desdobramento das mesmas verdades que sempre estiveram contidas no rito e que a seu tempo foram tomando visibilidade conforme a necessidade. Ex: em França nasceu a elevação da Hóstia na consagração, por necessidade que o grande espaço e quantidade de fiéis... Cristo imolado sempre foi dado em adoração, porque é aquele o momento em que está elevado na CRUZ (Santo Sacrifício da Cruz). A NÃO ELEVAÇÃO, anteriormente, expressava menos a realidade CONTIDA. Logo, é uma evolução verdadeira a precisão deste gesto associado ao Santo Sacrifício.
Parece-me o suficiente... Mas se tiver qualquer outra questão a este respeito, faça o favor de dizer."

Ainda que o autor da resposta tenha organizado as ideias por pontos, lembramos tratar-se de uma conversa de facebook, à qual há que dar o devido desconto.

Aproveitamos a ocasião para fazer uma queixa: ao queremos encontrar no Google uma foto de uma Missa Tridentina de aspecto mais SIMPLES, não conseguimos até ao momento... São todas muito brilhantes... enfim, coisas dos novos tempos! Continuaremos a procurar algo belo, mas mais sóbrio, porque faz falta.

04/11/17

"LEVEBVRIANOS" E OUTRAS ACTUALIDADES EM PORTUGAL 2017

Com a aproximação deste findar de 2017 resta-nos dar já notícias conjuntas de alguns acontecimentos significativos em Portugal. Eis que se tem notado uma corrida de grupos tradicionalistas e conservadores etc. a Portugal, este ano (principalmente na segunda metade que ainda não findou). 


FSSPX - (19 e 20 de Agosto)


A Fraternidade Sacerdotal S. Pio X deslocou-se a Portugal, em peregrinação ao nosso Santuário de Fátima, à qual se foram juntando católicos das várias partes do mundo (ao todo 10 mil). O Superior Geral Mons. Bernard Fellay celebrou Missa Solene, assistindo nela os outros dois Bispos da instituição, os quais todos se juntaram no final para renovar a simbólica consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria, feita pelo Arcebispo D. Marcel Lefebvre, 30 anos antes (com a manifestação de esperança de que, um dia, o Vigário de Cristo a faça finalmente como Nossa Senhora a pediu). Ainda que sem demora, o sermão sublinhou com especial força a relação entre a necessidade da salvação e a devoção dos 5 Primeiros Sábados (todas as matérias, aqui). Ainda que por motivos meramente logísticos tudo tivesse ocorrido no espaço do parque 14, o que não é raro em outros eventos oficiosos, nada ficou fora de solo do Santuário; possibilitando assim maior recolhimento, preparativo, e uso pleno do arborizado espaço. O acontecimento teve visibilidade no órgãos de comunicação social portugueses.


USML - (28 e 29 de Outubro)


A União Sacerdotal Marcel Lefebvre deslocou-se a Portugal com os seus 4 Bispos, para celebrar a Festa de Cristo Rei, em Fátima, como Missa solene. Foi feita uma declaração conjunta destes Bispos sobre a comemoração do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima. À ocasião era privada, mas a ela juntaram-se católicos oriundos de vários países. Segundo inesperada informação que recebemos esta semana, do seminário europeu (França) da instituição estiveram presentes um seminarista português, e um seminarista goês ("índia portuguesa").


ICRSS - (1 a 5 de Novembro)


O Instituto Cristo-Rei Sacerdote encontra-se em peregrinação a Fátima. Dia de Fiéis Defuntos o Superior da instituição Mons. Gilles Wach celebrou Missa solene, com assistência do Cardeal Burke, na Basílica de Fátima. Houve também Missa Pontifical votiva ao Sagrado Coração de Jesus e em intenção pelo Papa Francisco, celebrada em Fátima na Basílica da Santíssima Trindade.


Cardeal Burke - Mafra (4 de Novembro)


Durante estes dias de estada do Cardeal Burke em Portugal, haverá hoje Pontifical na Real Basílica de Nossa Senhora e Sto. António de Lisboa, em Mafra; por ocasião das comemorações do terceiro centenário da primeira pedra deste Real Convento de Mafra, símbolo da Cristandade Lusa (e tricentenário da victória naval de Matapam, em que, em defesa da Santa Sé Portugal se coloca como o último vencedor cristão contra os Mouros). A Missa ocorrerá também com a respectiva solenidade adjacente: tocada pelos 6 órgãos, com o Coro Gregoriano de Lisboa, etc.. (mais informação no DN)


18/02/17

"A VERDADE" - XXXII - Culto, e Imutabilidade

A VERDADE
ou
PENSAMENTOS FILOSÓFICOS
sobre os objectos mais importantes
Á RELIGIÃO, e ao ESTADO
 
por
Pe. José Agostinho de Macedo
 
LISBOA
Na Imprensa Régia
Ano 1814
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XXXII
 
Há um Culto Revelado Que Tem em Si os Sinais de Uma Constante Imutabilidade
 
O povo, que nós conhecemos depositário da Revelação, e que pode mostrar seu culto imediatamente revelado por Deus transmitido sempre com fidelidade a seus descendentes os dogmas, e os ritos, que tinha aprendido de Deus. Os cultos das outras nações traziam em si o carácter, ou selo dos vícios, e das paixões nacionais. A impostura ou a Política acomodava os actos da Religião ao vício do país, à natureza do clima, e às circunstâncias dos governos. mas o rito dos antigos Patriarcas era superior a todos os respeitos humanos. Fosse qual fosse a maneira do governo do povo Hebreu, ou vivesse pacífico na Palestina, ou escravo no Egipto, ou em Babilónia, sempre contrário a seus vícios, sempre contante em todo o tempo entre os desastres, e a corrupção universal, se mantinha invariável em seu culto. Não se alteravam os dogmas; não se variavam os ritos; não se perdiam, nem adulteravam os Códices. Este prodígio de Providência prova, que a sua Religião não era dos homens, mas de Deus. De que presta acusar a Religião de quimeras, e assoalha-la como fonte de contradições, e disparates, tornando-a desprezível ao juiz da razão! Houve muitos, e diversos cultos; mas começaram nos homens, mudaram-se com as circunstâncias, ou já acabaram com a mudança dos Governos.

Santo Sacrifício da Missa - Igreja do Mosteiro de S. Vicente de Fora, Lisboa (Portugal)
Tiveram seu culto os Chins, os Índios, os Egípcios, os Gregos, e os Romanos; e que vestígios nos restam destes cultos? O tempo desmente as invenções dos homens. Houve um só culto, que começou com o primeiro homem, prosseguiu em todos os séculos, e em todas as gerações de um povo, que mostrou haver recebido este culto das mãos do mesmo Deus. Este Culto dado ao Summo Creador do Céu, e da Terra, não faltou jamais; e é este o verdadeiro Culto. Reconhecemos nele a única, e verdadeira Religião, que é a revelada; todo o outro culto é falso; todo o outro dogma é ideal. Nada pode o tempo contra as obras de Deus. As vicissitudes, os desastres, as guerras, a corrupção geral do género humano, não poderão destruir este culto; eis-aqui o sinal de que não procedera de invenção humana, mas que descera imediatamente do seio da Divina Revelação.

(Índice da obra)

11/01/17

SERMÃO - na 1ª MISSA do Pe. DANIEL MARET

Sermão de Mons. Lefebvre na 1ª Missa do Pe. Daniel Maret:


06/12/15

A SANTA MISSA E A ESPERANÇA - CONFERÊNCIA (Pe. Daniel Maret)


Uma bela conferência na cidade de Campos Grande (no Brasil), proferida pelo saudoso e mui estimado Sr. Padre Daniel Maret.

18/07/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (LXXXVII)

(continuação da LXXXVI parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO

Thomas de Kempis

IV Livro
O Augustíssimo Sacramento do Altar


Cap. I
A Extrema Bondade que Jesus Cristo Nos Manifesta Dando-nos o Seu Santo Corpo

1. Cristo – Vinde a mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e eu vos consolarei. O pão que eu vos dera é a minha carne, a qual devo sacrificar pela vida do mundo. Tomai e comei; este é o meu corpo, o qual será entregue por amor de vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue vive em mim e eu viverei nele. As palavras que vos digo são espírito e vida. 

Alma – Estas Vossas palavras, Ó Jesus, são a verdade eterna, posto que não fossem proferidas em um mesmo tempo nem escritas em um mesmo lugar. Pois que elas são Vossas e são verdadeiras, eu as devi receber com acções de graça e fielmente. Elas são Vossas, porque Vós as proferistes, e também são minhas, porque as dissestes para minha salvação. Como alegria as recebo da Vossa boca, para que se imprimam profundamente no meu coração. Palavras cheias de tanta piedade, de tanta doçura e de tanto amor, elas me estimulam, mas os meus próprios delitos me enchem de temor e a impureza da minha consciência me proíbe de participar de tão grade mistério. A doçura das Vossas palavras me convida a Vos receber, mas o peso e o número dos meus pecados me apartam de Vós.

2. Mandais que chegue a Vós, com confiança, se quero ter parte Convosco, e que receba o alimento da imortalidade, se desejo alcançar uma vida e uma glória que durem para sempre. "Vinde a mim, vós que estais fatigados e oprimidos, e eu vos consolarei."
Ó palavra, a mais doce, a mais amável, que um pecador pode ouvir! Por ela vos dignais, o meu Deus e meu Senhor, convidar o pobre e o necessitado à participação do Vosso corpo santíssimo! Mas, quem sou eu, Senhor para que me chegue a Vós? Toda a imensidade dos Céus não Vos pode conter; e Vós dizeis: "Vinde a mim."

3. Quem pode conceder esta piedosíssima bondade e este amoroso convite?
Como me atreverei a chegar a Vós, eu que não sinto em mim bem algum que possa dar-me confiança bastante para ir a Vós?
Como não temerei fazer-Vos entrar na casa da minha alma, depois de Vos haver ofendido tantas vezes?
Os anjos e os arcanjos Vos reverenciam; os santos e os justos temem a Vossa presença, e Vós dizeis: "Vinde até mim todos."
Quem creria isto, se Vós, Senhor, o não dissésseis? Quem se atreveria a chegar a Vós, se Vós mesmo o não mandásseis?
Noé, que era tão justo, trabalho cem anos na fábrica da arca, a fim de nele salvar-se com poucas pessoas. Como poderia eu preparar-me em uma hora, para receber com reverência na minha alma o criador do Mundo?

4. Moisés, Vosso grande servo e Vosso amigo especial, fez uma arca de madeira incorruptível e cobriu-a de ouro puríssimo, para nela colocar as tábuas da Lei; e eu, que não sou senão uma criatura corrupta, atrever-me-ei a receber na minha alma o próprio legislador e supremo autor da vida?
Salomão, que foi o mais sábio dos reis de Israel, empregou sete anos para edificar um templo magnífico, à glória do Vosso nome; celebrou a sua dedicação pelo espaço de oito dias; ofereceu mil hóstias pacíficas: colocou solenemente a Arca da Aliança no lugar santo que lhe tinha sido preparado, ao som de trombetas e aos gritos de alegria de todo o seu povo. E eu, infeliz, o mais pobre de todos os homens, como Vos introduzirei na minha casa, se apenas posso aplicar a Vós escassa meia hora? Oxalá que, ao menos uma vez, empregasse dignamente esse tempo.

5. Ó meu Deus, quanto trabalharam estes santos para agradar-Vos! Ai de mim, que tão pouco faço e tão pouco tempo gasto em dispor-me para a Santa Comunhão! Raramente me recolho por completo e raríssimas vezes desterro do meu espírito todas as distracções. Seria justo que, na presença da Vossa Majestade, não atendesse eu a pensamentos pecaminosos, pois não é um anjo que devo receber no meu coração, mas o Rei dos anjos.

6. Há uma grandíssima diferença entre a Arca da Aliança, com tudo o que ele continha, e o Vosso Corpo puríssimo, com todas as graças e dons inefáveis de que é revestido. Grandíssima diferença existe entre os sacrifícios da Lei, que não eram mais do que uma figura das maravilhas futuras que devíeis fazer, e a verdadeira hóstia do Vosso Corpo, que vem completar todos os sacrifícios antigos. Porque, pois, não me abraso no Vosso amor, à vista da Vossa adorável presença? Porque não me preparo com mais cuidado para receber os Vossos santos mistérios, considerando quanto os antigos patriarcas, profetas, reis e príncipes mostravam tanta paixão rendendo o culto que Vos é devido?

7. David, o piedoso rei, dançou diante da arca, lembrando-se dos benefícios concedidos antigamente a seus pais; fez diversos instrumentos de música; compôs salmos; ordenou que se cantasse com pela graça do Espírito Santo. Ensinou os filhos de Israel a louvar a Deus, de todo o seu coração, e a aplaudi-lo todos os dias por um era reverenciada com tanta devoção; se houve tanto cuidado de louvar a Deus diante dela, que respeito e que devoção não devo ter eu e todo o povo fiel, quando nos achamos na presença do augustíssimo sacramento ou recebemos o corpo de Jesus Cristo?

8. Muitos correm diversos lugares para visitar as relíquias dos santos, para admirar as acções de suas vidas, contemplar com assombro a grandeza e magnificência de suas igrejas, e beijam os seus ossos sagrados, envoltos em ouro e seda.
E eu Vos vejo, meu Deus, que sois o Santo dos santos, o Criador dos homens, o senhor dos anjos, presente sobre o altar.
Os homens muitas vezes vão às igrejas, chamados pela curiosidade ou pela novidade, e tiram pouco proveito de emenda, principalmente quando nelas entram por motivos tão levianos, sem ser tocados por verdadeira contrição. Esquecem que, no sacramento do altar, estais presente como Deus e como Homem e, quando Vos visitamos dignamente, nos encheis de graças que nos fazem eternamente felizes. Não é um movimento de leviandade, de curiosidade ou de sensualidade que nos atrai a Vós, mas uma fé firme, uma esperança viva e uma caridade sincera.

9. Ó Deus, criador invisível do Mundo, quem não admirará o modo com que procedeis a nosso respeito? Quem pode suficientemente descrever esta doçura e bondade, que tendes com os Vossos escolhidos, aos quais ofereceis como alimento este augusto sacramento? Isto é o que transcende a nossa compreensão. Isto é o que mais atrai as almas que Vos são consagradas e que mais acende os seus afectos. Neste sacramento inefável é que os Vosso fiéis servos, que trabalham, de contínuo, em purificar-se de todos os seus defeitos, recebem a grande graça da devoção e um novo amor da virtude.

10. Ó graça admirável e oculta neste sacramento, conhecida só dos fiéis de Jesus Cristo, mais ignorada dos infiéis e dos escravos do pecado! Este mistério infunde em nossa alma a graça do Espírito Santo; recupera-lhe as forças perdidas; restitui-lhe a formosura que a fealdade do pecado lhe tinha roubado. Esta graça é, algumas vezes, tão abundante e dá ao homem um tão grande fervor de devoção, que não só a sua alma, mas o seu mesmo corpo sente, apesar da sua fraqueza, haver recebido maiores forças.

11. Nós deveríamos sentir e chorar a nossa negligência e tibieza, vendo o pouco fervor com que recebemos a Jesus Cristo, que é toda a esperança e fez todo o merecimento dos Seus escolhidos. Ele é a nossa santidade e a nossa redenção. Ele é a nossa consolação no deserto desta vida, como é no Céu a eterna felicidade dos santos.
Deve, pois, para nós, ser grande motivo de dor ver que tantas pessoas têm tão pouco afecto a este santo mistério, que é a alegria do Céu e a salvação do Universo.
Ó cegueira e dureza do coração humano, que tão pouco atende a um dom tão inefável e que, pelo uso de o receber, se distrai na inadvertência de que o recebe!

12. Se este sacramento fosse celebrado num só lugar e consagrado por um só sacerdote em todo o Mundo, que respeito não teriam os homens por este único sacerdote! E com que ardor não assistiram à celebração dos santos mistérios! Mas o amor de Deus quis que houvesse muitos sacerdotes e Jesus Cristo se oferecesse em muitos lugares, para que se estendesse a comunhão do seu Santo corpo por todo o Mundo.
Graças Vos sejam dadas, ó bom Jesus, pastor eterno, que Vos dignastes sustentar os pobres e desterrados, com o Vosso precioso corpo e o Vosso precioso sangue, e convidar-nos com palavras preferidas por Vossa sagrada boca à participação destes mistérios, dizendo: "Vinde a mim, todos os que estais fatigados e oprimidos, eu vos consolarei."

15/08/14

15 de AGOSTO - NÓS CERTA VEZ NA ÁSIA


"Era D. Paulo de Lima muito devoto da Assumpção de N. Senhora, que cai a 15 de Agosto, e tinha determinado de cometer a Cidade em seu dia: foi dilatando a bateria, e dando ordem às coisas, desembarcaram, e informando-se da terra, e do modo da fortaleza, e aos 13 dias do mês mandou armar da outra banda de Jor um altar, e desembarcou com tod a gente, e se lhe disse uma devota Missa, na qual tomáram a maior parte dos da armada o Diviníssimo Sacramento, porque se tinham já confessado, sendo os primeiros os Capitães, porque quis D. Paulo registar primeiro com Deus aquelas coisas; porque quanto lhe quer se entenda que todo o bem vem dele, e que nos homens não há poder para nada; e a gente que faltou por confessar, e comungar, o fez ao outro dia, que era véspera de N. Senhora, e assim se gastaram estes dois dias nestes exercícios cristãos, nos quais todos mostraram bem grandes exteriores de arrependimento, e ao outro dia no quarto de alva começou toda a armada a disparar aquela tempestade de artilharia, e de bater a cidade com grande terror, e espanto, e o Capitão Mór se mudou aos navios de remo com toda a gente da armada, deixando encarregada toda a frota a Luís Martins Pereira, que se passou a uma galé, e com todo o poder cometeram os nossos a terra, e ao som de muitas trombetas,  tambores, e pífaros, levando o Capitão Mór ordenado de toda a gente três batalhas, que nunca quis fazer dela alardo, por se não saber o pouco poder que tinham, e todavia passavam de seiscentos portugueses: a primeira batalha encomendou a D. António de Noronha, e a D. João Pereira, que haviam de ser a dianteira, e com eles seu irmão D. Nuno Alvares, D. Manuel de Almeida, D. Fernando Lobo, Sebastião de Sousa, Martim Afonso de Melo, e outros muitos Fidalgos, mancebos aventureiros, que desejavam de ganhar honra, e toda a gente de Malaca: a segunda batalha deu-a a Mateus Pereira de Sampaio, e com ele D. Bernardo de Menezes, Sebastião de Miranda, e outros Fidalgos, e Cavaleiros, e a gente dos bantins de Malaca; e a terceira batalha tomou o Capitão Mor para si, e com ele ficaram Francisco da Silva de Menezes, D. Pedro de Lima, Diogo Soares de Melo, Francisco de Sousa Pereira, Pedro Alvares de Abreu, e os dois Capitães Frois, e Coelho; e cometendo a terra, o primeiro que nela pôs os pés foi D. João Pereira com a sua bandeira, e logo D. António de Noronha com a de N. Senhora do Rosário, e em terra acharam um esquadrão de inimigos, de que era Capitão Raja Macota, que o Rajale mandou defender a desembarcação, com o qual D. João Pereira travou logo com grande determinação, e levou de arrancada um bom espaço até além do Forte do Corritão; mas chegou logo outro grande esquadrão de inimigos de fresco, e ajuntando-se todos, tornaram a voltar sobre D. João; e como o poder era grande, foi-lhe tendo o encontro até se recolher no Forte do Corritão até chegar D. António de Noronha com toda a dianteira; e ajuntando-se todos, deram nos inimigos, e os fizeram recolher para um palmar, que se fazia da banda do mar, e antes dele ficaram os nossos esperando pelo Capitão Mór, que ia desembarcando devagar. Tudo o que neste tempo se ouviu eram coriscos, e trovões, assim da armada, como da cidade, que este dia disparou com todas as suas carrancas; porque como se guardava para então, que havia de ser o último dos seus trabalhos, toda a força, e resistência para a sua defesa, e nos nossos todo o valor, e esforço, que era necessário para cometer uma cidade tão forte, e bem provida, assim se desfazia tudo em trovões, e terramotos, que não havia quem se pudesse entender. Já neste tempo era manhã clara, e a gente não acabava de desembarcar pelo impedimento das estacadas, em que alguns dos navios se embaraçaram; e muitos soldados deles vendo o seu Capitão Mór em terra, se lançaram à água, por a ele não poderem chegar. O Capitão Mór depois de posto em terra, mandou a Diogo Soares que lhe fosse recolher alguns soldados, que viu andar desmancados, e que ele não pôde fazer só, e o foi ajudar Francisco de Sousa Pereira, os quais recolheram com trabalho, por andarem já travados com os Mouros, e alguns já bem escalavrados; e porque o Rajá Macota se tinha recolhido ao palmar, e afrontava dali os nossos com suas arcabuzaria, mandou D. Paulo meter um daqueles Capitães no Forte do Corritão para dali fazer afastar os inimigos, o que ele fez com morte de alguns." (X Década da Ásia, cap. X)

11/07/14

HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DA REAL BASÍLICA E MOSTEIRO DO SANTÍSSIMO CORAÇÃO DE JESUS DA CIDADE DE LISBOA (XI)

(continuação da X parte)

§ 4.º Neste dia achava edificado defronte, e ao lado direito da Basílica um magnífico edifício de madeira, que havia de servir para toda esta solenidade ricamente ornado, e tudo disposto na melhor ordem, como passamos a mostrar na seguinte planta.

Este edifício constava de vários repartimentos, e casas necessárias para a acomodação de S. Em.ª, e dos mais ministros; e também nele havia um Sacello proporcionado para aí se exporem as Relíquias, e uma vistosa varanda para circularem as procissões. A armação que o adornava era magnífica, como mostra a fiel atestação do Armador da Santa igreja Patriarcal, e é a que se segue:

"Relação de Tudo Que se Armou Para a Sagração da Igreja do Real Mosteiro do Coração de Jesus; e Para a Festividade do Dia 27 de Novembro em Acção de Graças. &.e

Parte 1.ª

A Capela das Relíquias foi toda armada de damasco carmesim, e o tecto guarnecido em roda de veludo, e apainelado com galões de palheta, e as paredes guarnecidas à romana com galões de ouro fino; docel ao altar de lustrina carmesim de ouro. Da parte da Epístola havia a tribuna para S. Majestade e Altezas armada de veludo carmim, e guarnecida de galões de outro fino: a esta se seguiam mais duas para a Família Real, armadas de damasco carmesim com guarnições de ouro fino: as acomodações interiores, e escadas das ditas tribunas tudo ornado de damasco. Da parte do Evangelho se armou o Trono de S. Eminência com docel, e os degraus se cobriram de pano encarnado, e se armou a quadratura dos Ex.mos Senhores Principais com bancos cobertos de pano verde, e os dos Principais do sólio, e os bancos rasos dos Capelães de S. Eminência, tudo conforme o costume da Santa Igreja patriarcal; como também o pavimento até à boca da dita quadratura foi coberto de pano verde, e os degraus do Altar com alcatifa da Índia, e todo o mais pavimento da dita Capela alcatifado. Havia mais na dita Capela uma credência coberta com um pano de veludo carmesim, e uma cadeira de veludo carmesim com dois degraus do dito com guarnições de ouro, que serviu no dia 14 de Novembro de tarde para S. Eminência sigilar as Relíquias, e depois da dita sigilação se tirou do Altar: e para Matinas se puseram dentro na quadratura de cada lado um banco de encosto, e um banco raso todos cobertos de pano verde; os de encosto para os R.os Bend.os da Santa Igreja Patriarcal, e os rasos para os capelães-cantores, que um dos ditos Rd.os Beneficiados que assistiram, capitulou as ditas Matinas, e depois de se acabarem se tiraram logo os ditos bancos.

Em roda da dita capela havia um grande transito; o qual de um lado dava serventia às portas da dita capela, e do outro às casas seguintes, que principiavam da parte do Evangelho.

Planta da Basílica
A casa de paramentos de S. Eminência, que foi armada de damasco carmesim, e guarnecida à romana com galões de ouro fino, e docel de veludo carmesim com guarnições de ouro, ao leito de paramentos, e o dito leito também com pano de veludo carmesim, e o degrau coberto de pano encarnado, e dois bancos de encosto para os Ex.mos Senhores principais, e o pavimento coberto de pano verde.

Seguia-se o camarim da falda, que foi armado de damasco carmesim, e as paredes em roda guarnecidas de galão de ouro fino; e havia no dito camarim uma cadeira de veludo carmesim com guarnições de ouro para S. Eminência, sobre um estrado coberto de pano encarnado, e uma credência com seu pano de veludo carmesim, e o pavimento coberto de pano verde.

A um lado havia uma pequena casa armada de panos de rás: seguia-se a casa da entrada de S. Eminência a qual tinha serventia para a rua, e foi armada de panos de rás, e cortinas nas portas e em roda tinha bancos cobertos de tafetá carmesim.

A casa para os Ex.mos Senhores Principais, que foi armada de panos de rás, e repartida em cubículos separados para cada um dos dt.os Ex.mos Senhores, cujos cubículos foram armados de damasco carmesim, e alcatifados de papagaio, e em cada um dos dt.os havia uma credência coberta de damasco carmesim, e um tamborete também de damasco carmesim: seguia-se a entrada dos ditos Ex.mos Senhores, que foi armada de panos de rás.

A casa para os Ilustríssimos Monsenhores, que foi armada de panos de rás, e cortinas nas portas, e de um lado tinha uma banca coberta de damasco, e de outro um banco também coberto de damasco.

Uma casa que serviu de sacristia, que foi armada de panos de rás, e tinha um lafo uma banca coberta de damasco.

Uma casa para os Reverendos Beneficiados da Santa igreja patriarcal, que foi armada de panos de rás, e tinha a um lado uma banca, e a outro um banco tudo coberto de tafetá carmesim.

Uma para os Revd.os Tesoureiros, que foi armada de panos de rás, com uma banca, e um banco coberto de tafetá carmesim.

Uma casa para os músicos da Capela, que foi armada de panos de rás, com uma banca e um banco coberto.

Havia mais casas separadas para capelães cantores, sacristas, criados, e maceiros, e todas as mais acomodações necessárias, e todas astas eram pintadas de branco, como também os trânsitos, e os tectos de todas as outras casas.

Antes de entrar a porta principal da dita Capela da parte do Evangelho, havia uma saleta armada de panos de rás, e cortinas nas portas, e se seguia a esta a escada, e coberto por onde S. Majestade entrou nos dias 14 e 15, que tudo foi armado de panos de rás.

Em frente da porta principal da dita capela se seguia a varanda, ou galaria que em quadro ia sair em frente das portas principais da igreja, pela qual se conduziu a procissão das relíquias, e era de balaustrada de ambos os lados, e o tecto e pilares armados de damasco carmesim tudo muito bem apainelado, e guarnecido de passamanes, e os envazamentos dos ditos pilares foram cobertos de veludo carmesim, e ornados ambos os lados da dita galeria, com tomado de damasco carmesim guarnecidos de galão de palheta e o pavimento alcatifado de alcatifas da Índia, da parte de fora junto ao tecto de um, e outro lado havia uma alpendrada de guarda sol, que foi coberta de tafetá carmesim, e com uma calha em roda de tafetá amarelo, tudo guarnecido de passamanes.

À entrada do pórtico da igreja havia uma casa de igual grandeza à capela das Relíquias, a qual foi armada do mesmo modo que a dita capela, e da parte da Epístola havia a tribuna de S. majestade, e Altezas, e se seguiam da Família Real, todas armadas com as outras, e ornadas pela parte de fora com cortinas, e cobertores de damasco de ouro carmesim, e as ditas tribunas além da escada que tinham para a dita casa, a qual foi armada de damasco, tinham mais outra para a rua com seu coberto para S. majestade se apear, que tudo foi armado de panos de rás.

Da parte do Evangelho havia o Trono de S. Eminência com docel branco de lustrina de ouro, com sanefas, e sabastos de veludo lavrado carmesim com fundos de ouro, e pano da cadeira de lustrina branca de ouro, e os degraus cobertos de pano encarnado, e a quadratura dos Ex.mos Senhores Principais coberta de panos de rás, e tudo o mais como na capela das relíquias. E junto ao Trono de S. Em.ª à parte de cima havia uma porta que saía para uma galeria que ia fechar em quadro, com a que se seguia em frente da porta principal da capela das relíquias, a qual foi armada, e ornada como a dita.

Havia mais outra galeria que começava junta com o arco da alpendrada da igreja e ia tornejando chegada à parede da parte do Evangelho, até finalizar na porta do palacete, a qual foi armada, e ornada do mesmo modo que as outras, e alcatifada de papagaio. E a alpendrada da igreja foi alcatifada de alcatifas de França.

Na igreja se puseram os doceis próprios que Sua Majestade mandou fazer, e foram os seguintes: Nas capelas do corpo da igreja de damasco de ouro carmesim; na capela do Santíssimo de lustrina carmesim de ouro; na capela mór de damasco de ouro branco rico, todos com guarnições de ouro fino. As tribunas de S. Majestade com sitiais, e panos de encosto próprios de veludo carmesim, com guarnições de de veludo carmesim, com guarnições de galão de palheta de ouro, e a casa das ditas tribunas se armou de panos de rás finos, com uma sanefa de veludo em roda, e cortinas de veludo às portas e janelas, tudo com guarnições de ouro. A casa imediata se armou também de panos de rás finos, com cortinas de guarnição de retroz nas portas e janelas com sanefas de veludo também com guarnição de retroz, e ambas as ditas casas foram alcatifadas com alcatifas da índia, como todas as outras tribunas.

Na Capela Mór da parte do Evangelho se armou o Trono de S. Eminência com espaldar de brocado branco e ouro, com sabastos de veludo lavrado carmesim, com fundos de ouro, e pano da cadeira também de brocado branco /e não teve docel, por impedir a vista da tribuna /, e se armou a quadratura para os Ex.mos Senhores Principais, e tudo o mais como é costume menos o pavimento que se não cobriu, nem se pôs alcatifa no degrau do Altar. No dia 15 enquanto andou a procissão, se armou na capela do Santíssimo o Trono para S. Eminência, para Tercia, com docel branco de lustrina de ouro, com sanefas, e sabastos de veludo lavrado carmesim, com fundos de ouro, e pano da cadeira também branco de lustrina, e quadratura, e tudo o mais como é costume, e pavimento coberto de pano verde e alcatifa nos degraus do Altar. Enquanto se cantou Tercia se cobriu o pavimento da capela-mós com uma alcatifa de França própria da dita capela: no cruzeiro da parte da Epístola havia o coreto para os músicos, o qual foi armado de pabos de rás; no dito dia 15 depois de toda a função se desarmaram as ditas duas quadraturas, e Tronos de S. Eminência, e se pôs a cadeira coberta de veludo para a sigilação das relíquias, que celebou o Ex.mo e Rev.mo Sr. Bispo do Algarve Confessor de Sua Majestade, na capela das relíquias, e se puseram dentro na quadratura da dita capela os dois bancos rasos cobertos de pano verde, um de cada lado para os Capelães Cantores da Santa Igreja patriarcal cantarem Matinas, que foram capituladas por um dos ditos, como as de todos os mais dias, que se cantaram na capela-mor da igreja.

Em dia 16, depois da sagração do Altar do Santíssimo, se alcatifou a capela com uma alcatifa da França, própria da dita capela, e se fez a procissão da trasladação do Santíssimo Sacramento, para a qual se tinha armado a portaria, e lucutório das religiosas. No dito dia de tarde se pôs na capela-mor a credência coberta de veludo carmesim, para a sigilação das relíquias que celebrou o Ex.mo Sr. Arcebispo de Lacedemónia, e se puseram também os dois bancos razos cobertos de pano verde para Matinas, e ficou tudo na ditacapela até ao último dia.

Em 17 depois da sagração dos dois primeiros altares do corpo da igreja, que sagrou o dito Ex.mo Sr. Arcebispo, se alcatifaram os degraus com alcatifas próprias, que logo serviram para a Missa, e á noite depois de Matinas se formou sobre o coreto dos músicos uma tribuna para Sua Majestade e Altezas verem as sagrações dos outros quatro Altares do corpo da igreja, cuja tribuna foi armada por dentro e por fora de damasco de ouro carmesim, e muito bem guarnecida, e se lhe fizeram todas as acomodações que é costume no corredor que fica por detrás das capelas da parte da Epístola, que se armou de damasco carmesim.

No dia 18, depois da sagração dos dois segundos altares que sagrou o Ex.mo Sr. Bispo do Pará Arcebispo Eleito de Braga, se alcatifaram os degraus dos ditos com as alcatifas próprias.

No dia 19, depois da sagração dos dois últimos altares, que sagrou o Ex.mo Sr. Bispo de Pinhel se alcatifaram os degraus dos ditos com alcatifas próprias.

Parte 2.ª

No dia 20 se desarmou a tribuna de S. Majestade que se tinha formado sobre o coreto, e se tornou a pôr o coreto na forma em que estava, e se armou de panos de rás; e tudo o mais ficou armado por ordem de S. majestade até ao dia 27, em que Sua Eminência cantou Missa de Pontifical, e Te Deum laudamus com assistência de S. majestade, e Altezas, e Côrte.

Para esta função serviu de Capela de Tercia, a que tinha servido das relíquias, na qual se pôs ao Altar docel branco de lustrina branca de ouro, e o Trono de S. Eminência também com docel, e pano de cadeira branco de lustrina de ouro, e docel imediato ao dito de veludo carmesim com guarnições de ouro para S. majestade, e para o Sereníssimo Príncipe Nosso Senhor, e cadeiras, pano de genuflecsório, e almofadas também de veludo carmesim com guarnições de ouro; a quadratura, e tudo o mais da mesma forma que serviu no dia 15. E junto à dita quadratura dos Ex.mos Snr.es Principais começava a quadratura da Corte, do modo que é costume nas funções que têm assistência da Côrte. A procissão de Tertia se conduziu para a igreja pela galaria que estava logo ao sair da porta da capela das relíquias, à parte esquerda que ia finalizar junto à alpendrada da igreja, e se taparam os vãos dos arcos da dita alpendrada, e os da dita galaria para reparar o ar, uns de panos de rás, e outros de pano branco, para entrar luz. Na igreja se armou o Trono de S. Emin~encia, como o que serviu no dia 15, e junto a este a este o de Sua Majestade e Altezas com o espaldar de lustrina carmesim de ouro, e cadeiras, pano de geneflessório, e almofadas de damasco de ouro carmesim, e a quadratura da Côrte, do modo que se pratica nas funções que têm assistência da Côrte.

No dia 28 se começou a desarmar tudo o referido. Fernando Antonio Fideie."

(continuação, XII parte)

24/02/14

EXERCÍCIO QUOTIDIANO - VIDA DA ALMA

Exercício Quotidiano

"Em despertando qualquer Irmão da Boa morte, pela manhã, faça o sinal da Cruz, e diga com toda a reverência devida:

"Louvada seja a Santíssima Trindade, Padre, Filho e Espírito Santo, três Pessoas, e um só Deus verdadeiro. Bendito, e louvado seja o Santíssimo Sacramento, e a Imaculada Conceição da Virgem Maria Senhora nossa concebida sem mácula do pecado original."

Reze um Padre nosso, e uma Avé Maria ao Anjo da guarda, e outro tanto ao Santo do seu nome, para que o livre de todos os perigos da alma, e do corpo.

Enquanto se está vestindo, lembre-se, que algum dia o não há-de poder fazer, antes outros os vestirão com uma mortalha para ir em pés alheios para a sepultura, e com esta consideração evitará naquele dia tudo, o que na hora da morte não quereria ter obrado.

Depois de vestido, a primeira diligência deve ser buscar o seu oratório, ou lugar, onde tenha alguma Imagem Santa, e devota, e diante dela dar graças a Deus nosso Senhor, por todos os benefícios, e mercês, que lhe tem feito. E logo fará acto de Fé, Esperança, e Caridade, que poderão ser nesta forma:

"Creio, Senhor, tudo o que crê, e ensina a Santa Madre Igreja de Roma, e nessa Fé protesto que quero viver, e morrer, pois só nela há salvação. Espero na vossa misericórdia, e nos merecimentos de meu Senhor Jesus Cristo que hei-de alcançar a Bemaventurança, e gozar da vossa soberana companhia, para a qual fui criado. Amo-Vos, meu Deus Trino, e uno, sobre todas as coisas criadas, e me pesa de todo o meu coração de vos ter ofendido; proponho, Senhor, de nunca mais vos ofender, por serdes vós a suma bondade só digna de ser amada. Eu vos ofereço, meu Senhor, a minha alma com todas as suas potências, e sentidos, eu vos ofereço todas as minhas obras, palavras, e pensamentos, que neste dia, e em todos os de minha vida obrar, falar, e cuidar, desejando que tudo se ordene, como desde agora o ordeno à maior honra, e glória vossa. E para ser mais agradável esta oferta diante do vosso Divino Acatamento, apresento juntamente com ela o Santíssimo Sangue de meu Senhor Jesus Cristo por mão da Virgem Maria minha Senhora, e Mãe vossa. E vós, meu Senhor Jesus Cristo Redentor, e Salvador meu, lembrai-vos do Sangue, que por esta alma derramastes, e não permitais, que se malogre o infinito preço de vossos merecimentos, por estes vos peço que me deis graça eficaz, para que sempre viva, como verdadeiro Cristão, e na hora da morte, entregando a minha alma nas vossas mãos acabe a vida temporal para começar a eterna. Virgem Maria Mãe do meu Senhor Jesus Cristo, pelo amor, que lhe tivestes, e tendes, vos peço que sejais meu amparo neste dia, e em todos os de minha vida; para que nunca o ofenda, para que sempre o ame, e conserve a sua graça."

Saindo de Casa procure, que o primeiro caminho, que fizer, seja para a Igreja; e então como em todas as vezes, que entrar nela, faça oração ao diviníssimo Sacramento, à Virgem Senhora, e aos Santos, a que tiver devoção. E não se esqueça de vezes respeitadas visitar os cinco Altares, para lucrar as Indulgências, que são mui proveitosas, para livrar das penas do Purgatório; advertindo que enquanto estiver na Igreja, que é Templo, e casa de Deus, esteja com muito recolhimento, modéstia, e devoção.

Não saia da Igreja, sem que primeiro ouça Missa; assistindo a ela com toda a atenção, e devoção devida, acompanhando o Sacerdote em tudo, o que obra naquele altíssimo Mistério, ou rezando pelas suas Contas.

Ouvida a Missa com a sobredita devoção, se irá ocupar nas coisas de seu ofício, ou obrigação; sendo muito liso, e verdadeiro nos seus negócios: dando toda a expedição devida, ao que tem a seu cargo, e em todas as suas obras tendo sempre diante dos olhos, o não fazer pecado algum, nem coisa, que desagrade aos Divinos olhos.

Todas as vezes, que ouvir o relógio dar horas, levante o pensamento a Deus, fazendo alguma breve jaculatória, e se estiver ocupado em algum negócio em companhia de outros, a pode fazer interiormente, sem que alguém a perceba.

Quando ouvir fazer sinal com as badaladas às Avé Marias, ou seja de madrugada, ou ao meio dia, ou à boca da noite, reze sempre, como se costuma, a fim de ganhar as Indulgências; e se estiver na rua, pare enquanto reza.

Procure estar sempre ocupado, e nenhum tempo ocioso, porque a ociosidade é origem de todos os males.

Quando na sua encontrar o diviníssimo Sacramento, ou que vaia em procissão, ou a servir de viático a algum enfermo, o acompanhe sempre, porque lucra muito na veneração deste altíssimo Mistério.

Quando encontrar algum defunto, que levam a sepultar, não deixe de rezar por sua alma, ao menos um Padre nosso, e uma Avé Maria, e recolhendo-se dentro de si, considere, que também lhe há-de chegar a sua hora em que seja visto naquele estado, e tenha muito cuidado de ser devoto das Almas, oferecendo por elas tudo quanto puder, porque são muito agradecidas.

Haja-se com todos com muita afabilidade, e benevolência, tendo o devido respeito aos maiores, mais graves, e mais velhos; e com mais especialidade aos Prelados, e Sacerdotes reconhecendo neles a pessoa de Cristo, lembrando-se, que dizia o Santo Padre S. Francisco que se encontrara na rua, juntamente a S. João Baptista, e a um Sacerdotes, primeiro havia de fazer veneração, e reverência ao Sacerdote, que ao Santo.

Aos pobres, que lhe pedirem esmola pelo amor de Deus, ou pelas Chagas de Cristo, ou por outro qualquer motivo, santo, e bom, manda sempre contentes, e com alguma coisa; e quando não tiver que lhes dar, os despeça com muita caridade, e benevolência, para que o exterior seja indício da vontade interior, que tinha de os favorecer.

As suas práticas sejam sempre ou de coisas indiferentes, do que possa pelo Mundo, ou do que ouvem nos Sermões, e Práticas, do que lêm nos livros espirituais, e devotos, e de nenhuma sorte falem palavras jocosas, nem desonestas, e muito menos descubram faltas alheias, nem murmurem do seu próximo.

Recolha-se para casa antes da noite, e faça, que na sua família (se tiver) se conserve sempre o santo temor de Deus, atendendo muito à boa educação de seus filhos, e de seus escravos, evitando-lhes toda a ocasião de culpa, e fazendo que rezem todos os dias o Santíssimo Rosário da Senhora, ou a Coroa, ou o Terço com a Ladainha da mesma Senhora.

As devoções, que tiver, cumpra todos os dias para ter em seu favor sempre os Santos, de quem é devoto; e não se deite nunca sem primeiro fazer exame de consciência, para ver como naquele dia se houve em obras, palavras, e pensamentos, e com muito maior excepção, e cuidado, na véspera do dia, que se houver de confessar, e para que o faça com perfeição, pomos aqui o modo como o pode fazer."

("Breve Direcção Para o Santo Exercício da Boa Morte...". Pe. José Aires. LISBOA OCIDENTAL, 1726)

21/08/13

20 de Agosto de 2013 - OPINIÕES DO BISPO CONDE DE COiMBRA (II)

D. Virgílio, Bispo Conde de Coimbra
(continuação da I parte)

Estamos no "ano da fé", e até agora não encontrei jovens oficialmente "bem formados" que conseguissem dizer por palavras suas o que é "fé" tendo por base o "Catecismo da Igreja Católica"! Nem no "ano da fé"...!? Mas igualmente os sacerdotes, no geral, não sabem definir "fé", e os que tentam não definem, "explicam". Como não hão-de haver preconceitos relativamente a "fé"? A fé é virtude (teologal) pela qual cremos em todas e cada uma das verdades reveladas (doutrina)...; mas quem sabe isto hoje!?... Onde está a eficácia do aumento sucessivo dos anos de catequese, quando não se sabem os conceitos básicos? O preconceito relativo a fé, hoje, pelo que vejo, coincide com o conceito à protestante, mas não tenho visto o clero a usar o conceito tradicional (o único verdadeiro). Porque estranhar os resultados!?... Dar o Brasil como um bom exemplo a este respeito é ainda mais estranho, porque lá o drama é maior, lá o conceito é esmagadoramente de índole protestante. Será que D. Virgílio, afinal, tem interesse em apoiar um conceito não católico que não coincide com o Catecismo Romano e Catecismo de S. Pio X e todos os que deles se desdobram?

No "ano da fé" todos festejam e celebram, sem que da hierarquia se veja promover a definição de fé. Cada um que imagine, ou retire um único sentido entre as linhas não convergentes apresentadas pelo "Catecismo da Igreja Católica", ou, na falta de definição que seja o mundo a guiar o conceito dos católicos!

Há dois anos, uma familiar minha fez a "primeira comunhão". Mesmo sendo uma pessoa inteligente e empenhada, a minha familiar não soube minimamente dizer o que é a Missa e o que acontece na Consagração da Hóstia. Nesse mesmo dia tive a oportunidade de falar com o pároco, e aproveitei para apalpar o terreno que ele andava a semear. Afirmei-lhe que a Missa é o Santo Sacrifício, ao que ele respondeu que sim, que "também é Sacrifício". Perguntei-lhe então porque é que na catequese as crianças não aprendem que a Missa é Sacrifício, ao que ele não soube responder. Disse-lhe que se elas não aprendem na catequese não irão aprender nunca por "vias oficiais". Perante a vergonha dele, ilustrei com uma expressão de João Paulo II: "apostasia silenciosa".

Senhor Bispo Conde de Coimbra, não só se ignora o que é a Fé como também a Missa (Santo Sacrifício). E como resultado temos uma população católica que foi formando falsos conceitos que, por acaso, coincidem na maioria, ou na totalidade, com os do protestantismo, afastando-se muitíssimo dos do catolicismo. Os catecismos básicos há muitos anos, gradualmente, têm vindo a retirar elementos fundamentais da Fé. Dou o caso da Missa: os catecismos foram-na reduzindo à Ceia, logo a população, gradualmente, vai ganhando falsos conceitos que, por consequência, despistam a Fé. No Brasil!?... Não... no Brasil a euforia não é Fé, é a mesma euforia que faz proliferar as ceitas e outras "religiões"... essa euforia, na verdade não pode ser "fé viva", é sim FOME viva.

15/08/13

CONQUISTA DE CEUTA - ASSUNPÇÃO DE NOSSA SENHORA (15 - 25 de Agosto de 1415)

Assumpta est Maria. Tecto da igreja de S. Francisco (Ouro Preto - Brasil)

Hoje, 15 de Agosto de 2013, dia da Festa da Assunção de Nossa Senhora, trago um documento da conquista de Ceuta, dedicada a Nossa Senhora da Assunção (por ter sido conquistada dias antes desta Festa, o que induziu alguns autores a achar que não tivesse sido a conquista a 25 mas sim a 15). Podemos ver a acção de D. João I, o Infante D. Henrique e o Beato Nuno Alvares Pereira ("Santo Condestável"). Recomendo aos leitores mais apressados a leitura do ponto 1685 do texto, pelo menos. 

Cap. CCCVII

Dos avisos que ElRey fez de ser tomada a cidade, e como no outro dia ainda vieram alguns mouros escaramuçar junto aos muros; e como enfim se purificou a mesquita maior, e ElRey armou Cavaleiro seus filhos e outros fidalgos, como também os Infantes fizeram.

"1682. Tanto que ElRey se viu senhor da cidade, a primeira pessoa a quem se avisou de tão feliz sucesso foi a Martim Fernandes Porto-Carreiro, Governador de Tarifa (e não de Tavira, como erradamente diz Duarte Nunes de Leão na Crónica deste Principe, na pag. 367, o que pode ter sido erro de impressão) assim pela boa vontade que lhe mostrara como porque mais depressa chegasse a Castela esta notícia, a qual lhe mandou por João Rodrigues Comitre, seu criado, que dele foi gratamente recebido fazendo particular estimação desta nova; e achando-se presente seu filho, Pedro Fernandes, que foi o que havia levado a ElRey aquele refresco quando chegou a Tarifa, começou a queixar-se e arguir a seu pai por lhe não ter dado licença, como ele lhe pedira, para então ir a esta expugnação, e o pai se desculpou, não só com a incerteza do sucesso mas com o pouco tempo, que tivera para haver de aviá-lo como convinha à sua pessoa; e nao satisfeito de agradecer a ElRey pelo mesmo mensageiro com afectuosas demonstrações aquela notícia (que bem podiam fiar-se do seu ânimo e das conveniências, que a ele, como tão vizinho daquela Praça e também a toda a Hespanha [entenda-se "Espanhas" ou "Península Ibérica"] se seguiam da sua conquista) quis acompanhar ao mesmo João Rodrigues para melhor expressar a ElRey a sua estimação e o seu agradecimento.

ElRey D. João I
(Mestre de Aviz)

1683. Depois disto, mandou ElRey ao de Aragão outro criado seu, chamado João Escudeiro, para lhe participar com toda a individuação a mesma notícia, e daí a poucos dias mandou também a Álvaro Gonçalves da Maya, Védor da sua Fazenda na Cidade do Porto, para insinuar ao mesmo Príncipe "O desejo, que tinha de o servir, e ajudar na guerra contra os mouros, se ele quisesse empreendê-la, principalmente na conquista de Granada, para a qual lhe havia já aberto aquela porta". ElRey D. Fernando estimou igualmente a atenção e o aviso (que agradeceu também aos portadores com largos donativos), e, ainda que Azurara diga que desejando ele falar a ElRey D. João lhe mandara pedir se avistassem nos confins do Reino e  vindo a esta diligência se lhe agravara o achaque que morrera no caminho, contudo Duarte Nunes, no lugar referido diz melhor e mostra com evidência ser isto um erro manifesto a que eu também me inclino pelas mesmas razões.

1684. Finalmente, deu ElRey também parte deste sucesso a ElRey de Castela, como dizem todos os escritores, ainda que não declaram por quem.

Beato D. Nuno Alvares Pereira, Condestável de Portugal
("Santo Condestável")
1685. Expedidos estes avisos, e tendo ElRey determinado que se purificasse a Mesquita maior, para no Domingo seguinte se dizer Missa nela, o fez logo saber ao seu Capelão mor, Affonso Annes, que havia de celebrá-la juntamente ao Mestre Fr. João Xira seu pregador, a quem encomendou o sermão, o que assim foi disposto no segundo dia depois da batalha, que foi na sexta feira, e neste mesmo tempo tiveram os Infantes repetidas notícias, estando cada um em sua parte, de que alguns mouros dos que haviam fugido se tinham incorporado e estavam à vista da cidade provocando os nossos a saírem dela. O Infante D. Henrique, assim que o soube saiu logo a uma torre para ver quantos eram, mandando ao mesmo tempo buscar um cavalo, se fosse necessário; e vindo com o mesmo intento o Infante D. Henrique, e achando o cavalo à porta da torre, montou nele e deixou dito a seu irmão: Que tivesse paciência, que ele queria satisfazer o desejo daqueles bárbaros, indo buscá-los como eles pretendiam, e não podia perder a ocasião de sair logo, achando ali tão pronto o que haver de fazê-lo; e posto que fora das portas, junta já muita gente com ele, se formou em batalha à vista dos inimigos, e esperou largo espaço, contudo, não abalando eles do lugar em que estavam se recolheu o Infante para a Cidade.

1686. Outras muitas vezes, em onze dias que ElRey ali se deteve, vieram os mouros ao mesmo lugar, e saindo em algumas os nossos, houve várias escaramuças que, ainda que ligeiras, custaram não só sangue mas vidas, até que estando para sair a uma o Infante D. Duarte com o Condestável, e outros fidalgos, e sabendo-o ElRey lhes mandou: Que se abstivessem, e que dali por diante ninguém saísse fora da Praça sem sua licença, pois de semelhantes acções se não tirava honra nem conveniência, e que ele não viera ali a escaramuçar com os mouros, senão a ganhar-lhe a cidade, como havia feito. E assim desde aquele dia cessaram as saidas e as escaramuças.

1687. Chegou pois o Domingo 25 de Agosto de 1415, quatro dias depois de que se tomou a Praça (que foi aos 21 do dito mês, como fica referido, e não aos 14 ou 15 como julgam devota mas erradamente alguns eclesiásticos e com eles Manuel de Faria e Sousa, na sua África Portugueza, na pág. 32 e o que mais é, o mesmo Rui de Pina, na Chronica DelRey D. Duarte, por darem mais este feliz sucesso aos santíssimos dias da Véspera e Festa da Assumpção gloriosa de Nossa Senhora, como ElRey havia experimentado) e junto todo o Clero, que trazia a Armada, revestido de ornamentos riquíssimos (como também a igreja) que para este fim se haviam conduzido, se ordenou a Procissão, e feita ela se entrou a purificar a mesquita maior, com todas as cerimónias que determina a Igreja, a qual se dedicou à mesma gloriosíssima Virgem da Assumpção, acompanhando e assistindo ElRey a esta função com os Infantes e com a Nobreza toda; e acabado este primeiro acto, acesas as tochas, armadas as paredes, benta a casa, e composto o Altar, se entoou o Te Deum, no fim do qual se tocaram as trombetas e charamelas, e se repicaram os sinos que o Infante D. Henrique tinha feito colocar numa torre lembrado que os mouros haviam levado de Lagos alguns deles, e que Deus foi servido que logo fossem achados; e suspenso este festivo estrondo, subiu ao púlpito o Mestre Fr. João Xira, e com a sua costumada elegância ponderou a celebridade daquele dia, de cuja pregação fez um breve resumo Gomes Annes de Azurara, na pág. 262. Acabado o sermão se entrou a Missa, que de todos especialmente DelRey, foi ouvida com lágrimas de alegria, e devoção; e dita ela, se tornaram a repicar os sinos e tanger as trombetas, e neste sonoro ruído continuaram até que os infantes e o Conde deBarcelos, que haviam de ser armados Cavaleiros, tiveram lugar de vestir as suas armas para este ministério, sendo o primeiro que chegou aos pés DelRey o Infante D. Duarte, que tirando da bainha a espada a beijou e lha deu, e ele lha restituiu com as cerimónias de semelhante acto, que podem ver-se em Manuel Severim de Faria nas Notícias de Portugal (Discurso 3§ 28pág. 147 e seq.) e também no cap. II da Nobiliarchia Portugueza.

Infante D. Fernando, o "Infante Santo"
1688. O mesmo fez depois o Infante D. Pedro, a quem se seguiu seu irmão D. Henrique e depois Conde de Barcelos; e armados Cavaleiros, e depois o Conde de Barcelos; armados cavaleiros, se retiraram os infantes, cada um para sua parte a armarem também os seus criados e pessoas principais da sua comitiva, enquanto ElRey fazia o mesmo, os quais foram tantos que os não nomeiam as histórias, e só dizem que ele cançado suspendera esta função, e assim o Infante D. Duarte armou cavaleiros ao Conde D. Pedro de Menezes, D. João de Noronha, D. Henriqueseu irmão, Pedro Vaz de Almada, Nuno Martins da Silveira, Diogo Fernandes de Almeida, nuno Vaz de Castelobranco, e outros.

D. Duarte, então infante.
1689. O Infante D. Henrique armou a D. Fernando, Senhor de Bragança, a Gil Vaz da Cunha, Alvaro da Cunha, Alvaro Pereira, Alvaro Fernandes Mascarenhas, Vasco Martins da Albergaria, Diogo Gomes da Silva, João Gonçalves Zarco, e a outros muitos que os autores não nomeiam.

1690. O Infante D. Pedro armou a Aires Gomes da Silva, filho de João Gomes da Silva, a Alvaro Vaz de Almada, a Aires Gonçalves de Abreu, Martim Correia, João de Ataide, Digo Gonçalves Travaços, Fernão Vaz de Siqueira, Diogo Ceabra, e Martim Lopes de Azevedo filho de Lopo Dias de Azevedo que se achou com ElRey no sítio de Lisboa e em outras muitas ocasiões, nas quais se portou sempre com igual valor à sua qualidade, e o dito Martim Lopes foi um dos mais alentados homens daquele século, e dos doze que foram à Ingalterra em defesa das Damas; militou em todas as guerras do seu tempo, e na jornada de Ceuta acompanhou a ElRey, e foi por Capitão de uma nau (como seu pai foi também de outra) e ultimamente morreu na expugnação de Tanger, e seu filho Lopo de Azevedo, indo acompanhar aos Infantes D. Henrique e D. Fernando; e também seu irmão Pedro Lopes de Azevedo, indo com o Conde D. Pedro de Menezes, morreu num choque com os mouros, como se refere no cap. 162 nº 936. Teve mais Lopo Dias de Azevedo outros filhos (todos dignos de tal pai), dos quas diz Gomes Annes de Azurara na História de Ceuta que ainda conhecera quatro, todos homens de grande talento e capacidade, principalmente Fernão Lopez de Azevedo, Comendador de Ordem de Cristo, e Luiz de Azevedo, Védor da Fazenda, ambos do Conselho DelRey e Embaixadores a vários Príncipes nos reinados de D. Duarte e D. Afonso V, como consta das saus crónicas.

D. Duarte
1691. Este Martim Lopes parece ser filho primogénito de Lopo Dias de Azevedo, e não o quarto como dizem os Nobiliários, pois seu segundo neto, do seu mesmo nome, Martim Lopes de Azevedo, na demanda que trouxe com seus irmãos sobre suas partilhas, livrou destas a Quinta de Azevedo, que possuem seus descendentes, por se mostrar que esta, desde mais de trezentos anos sem interpolação andara sempre como Morgado nos filhos mais velhos dos seus antecessores; o que tudo consta da sentença que ele alcançou a seu favor, e foi proferida em Évora aos 30 de Agosto do ano de 1533 pelos Desembargadores dos Agravos, Martim Docem e Rui Gomes Pinheiro, a qual eu li no  primeiro traslado autêntico, que se extraiu dos autos naquele mesmo tempo em que eles se findaram, e que conserva para seu título Leonardo Lopes de Azevedo, que hoje é o Senhor deste Morgado; cuja certeza bastante abona a sua antiguidade, que não menos acredita a forma da letra igualmente conhecida por daquele tempo; e assim alcançado esta sentença o segundo neto, e possuindo a fazenda o bisavô, bem se infere ser filho mais velho de Lopo Dias de Azevedo o dito Martim Lopes, pois de outra sorte não pudera tocar-lhe nunca, sendo de Morgado, o que sempre chama os primeiros filhos." ("Memórias para a historia de Portugal que comprehendem o governo del rey D. Joäo o I", Tomo III, 1732)

03/04/13

OFÍCIOS DIVINOS QUE TINHAM OS PORTUGUESES EM FEZ E MARROCOS

Como em Fez e em Marrocos tinham os Cristãos Missa e pregação e os mais Ofícios Divinos.

"Em que ainda mais resplandeceu o cativeiro dos Cristãos em Fez e em Marrocos, para honra de Deus, foi o favorecê-los o Xarife, como atrás dissemos, e dar licença de se celebrar o culto Divino, o qual se fazia com muita solenidade dos Ministros e devoção dos ouvintes; com isto se consolavam as almas dos devotos, porque além de dizerem cada dia missas rezadas e cantadas na semana, também havia pregação com que se animavam a sofrer o terrível cativeiro. Nas Quaresmas e em outros dias pregava o Pe. Fr. Vicente da Fonseca da ordem dos Pregadores, que depois foi Arcebispo de Goa, e o Dr. Pedro Martins da Companhia de Jesus, que se perdeu indo à conversão dos gentios da Índia na mau S. Tiago, onde Fernão de Mesquita ia por capitão; Fr. Tomé de Jesus, Religioso de Sto. Agostinho, irmão da Condessa de Linhares, e Fr. Luís das Chagas, frade de S. Francisco, os quais, e outros Sacerdotes seculares e regulares, que lá havia ouviam muito frequentemente as confissões a todo o género de católico cativo, administrando-lhes os Sacramentos, com o qual exercício se consolavam muito, e chegou a liberdade dos Cristãos a tanto que fizeram o Ofício das Endoenças a canto de órgão com todo o aparato como se fôra na Cidade de Lisboa, e esteve o Santíssimo Sacramento encerrado em um cálice dourado por não haver custódia, o qual cálice Martim de Castro do Rio resgatou em Fez da mão dos mouros com uma grande quantidade de relíquias de ossos de muitos santo que em Lisboa eu tive nas mãos; mas porque não faltasse alguma coisa, ordenaram os Cristãos uma procissão em quinta feira de endoenças à noite, onde houve muitos disciplinantes; e ordenaram na manhã da Ressurreição fazer procissão muito alegre, com que os Cristãos davam graças a Deus. Desta maneira andavam os Cristãos cativos muito a alegres, que quase não sentiam seu cativeiro; não faltaram a estas obras outras de sepultar os mortos, visitar os enfermos, e suprir com esmolas aos necessitados." 

(DA MOURA, Miguel. Chronica do Cardeal Rei D. Henrique, Lisboa 1840. Cap. XXXII)

04/03/13

A PAIXÃO DE CRISTO, MAIS PRESENTE.

No artigo "Via Sacra - Apenas 14 Estações" mencionei haver relação da Via Dolorosa com a Santa Missa. A Via Sacra, a Missa, e o Rosário têm em comum que nelas há relação com a Paixão de Nosso Senhor (no Rosário pelos mistérios dolorosos).

Lembro-me que, quando era criança, meu avô materno falou-me da correspondência dos momentos da Missa com os momentos da vida de Nosso Senhor. Naquele tempo não entendi, visto que a nova Missa não se presta a essa piedade, nem ela é edifício da nossa Fé, portanto esqueci. Hoje quero fazer justiça a esses ensinamentos mostrando aos leitores algumas imagens de um livrinho do séc. XVIII oferecido a Sua Majestade Fidelíssima elRei D. João V, e que vão ilustrar o que "fala" melhor que mais palavras minhas (olhar para as figuras sobre o altar):











Apenas na Paixão a Missa, o Rosário, e a Via Sacra, coincidem todas nos momentos da vida de Nosso Senhor.

30/01/13

N. SENHORA DA BOA ESTRELA - SERRA DA ESTRELA


Altar de N. Senhora da Boa Estrela, guia e protectora dos pastores, escavado numa rocha (por António Duarte - 1946), tem 7m de alto, está a céu aberto no alto da Serra da Estrela (a "minha" serra), na zona do Covão do Boi. Foi uma ideia do Pároco de então que, ao dar-se conta da afluência de fiéis ao alto da serra por ocasião de no ponto mais alto se ter colocado um cruzeiro (2000m de altitude), lembrou-se de prestar devida homenagem à antiquíssima aparição de Nossa Senhora da Boa Estrela aparecida nesta serra a um pastor.


A festividade da Senhora da Boa Estrela é no segundo domingo de Agosto, então deslocando-se os fiéis a este altar para ouvir missa.


 Sobre Nossa Senhora da Boa Estrela vale a pena ler o que já aqui foi publicado.


20/01/13

POR MUITO POUCO...



Este vídeo de promoção ao azeite Gallo é muito interessante por vários aspectos:

1 - Descreve o ambiente em extinção em algumas aldeias de Portugal;
2 - Mostra-nos que esse ambiente é o mesmo do tempo dos nossos pais e avós etc...
3 - Testemunha que o ALTAR-MESA é o único elemento "moderno" em todo o vídeo

O altar-mesa é um fenómeno que surgiu gradualmente nos anos 70 e que acompanha mais ou menos a introdução do missal de Paulo VI. A lenta introdução de uma outra doutrina possibilitou hoje suprir a missa católica propriamente dita e o entendimento dos bons costumes.

Guardem estes vídeos, pois servirão de memória incompreensível aos vindouros.

07/01/13

"MISSA" - NO DICIONÁRIO


"Missa. Incruento sacrifício da Lei da Graça, no qual debaixo das espécies de pão e do vinho, por mãos de Sacerdotes, se oferece a Deus Pai o corpo e sangue de seu Filho unigénito, Jesus Cristo. As partes essenciais da Missa são três: a consagração, a ablação, e a consumpção. Os efeitos da Missa são quatro: o perdão dos pecados, enquanto é sacrifício propiciatório; a remissão das culpas veniais, enquanto é sacrifício expiatório; a remissão das penas, que merecem as culpas perdoadas, enquanto é sacrifício satisfatório; e a impetração dos benefícios de Deus espirituais e temporais, enquanto é sacrifício impetratório. Segundo Reuclino, e outros, a palavras Missa se deriva do hebraico Missach, que quer dizer Oblata, ou oferta voluntária; ou se deriva do nominativo plural, Missa, missorum, porque antigamente, quando depois do Sermão e da ligação da Epístola e do Evangelho dizia o Diácono, Ite Missa est, se lançavam fora da igreja os catecúmenos e excomungados, porque lhes não é lícito assistir à consagração. No seu etimológico declara Vossio miudamente as duas derivações desta palavra Missa. Una est (diz este autor) ut Missa dicatur, quia uti apud Graecos... [...etc].
Fem. e o termo de que ordinariamente usa a Igreja. Também lhe poderás chamar, Magnum Christianae religionis sacrificium, ii. Neut. ou Sacrum, i. Neut. ou no plural, Sacra, orum. Neut. ou resdivina, rei divinae. Fem.

Missa rezada. Sacrorum privatum, ou sacrificium sine cantu, ou citra cantum.

Missa cantada. Sacrum, ou sacrificium cum cantu.

Missa conventual. É aquela que todos os dias se diz no altar mor, imediatamente depois de Treça, nos Conventos, Colegiadas, etc. Sacrum, universocaetui commune;  ou mais claramente, Missa Conventualis. Em abono desta expressão diz Boldonio na sua Epigraphica, pag. 199, Non improbanda vox nova Conventualis, vulgo etiam usurpata, sed per analogiam ducta a Conventu, sicut a Censu censualis apud veteres Jurisconsulios.

Missa d'alva. Sacrum matutinum.

Missa do Galo. que se diz na noite de natal. Sacrum nocturnum, ante natalem Christi Domini diem celebrari solitum. (S. Telésforo Papa, sétimo sucessor de S. Pedro, instituiu esta Missa.)

Missa das almas. ou Missa de requiem (como dizem alguns.) Sacrum mortuale, ou sacrificium pro mortuis; pode-se-lhe acrescentar o adjcetivo Piaculare, porque é Missa para a expiação dos pecados dos defuntos. O P. Boldonio lhe chama Sacrum funebre.

Missa seca. Aquela que algumas vezes diz o Sacerdote no mar sem consagrar, e sem secretas. Chamam-lhe Missa navalis, ou Nautica. Missa seca também é aquela dos que aprendem a dizer Missa, instruindo-se em todas as cerimónias deste sacrifício, sem chegar a consagrar. Os autores eclesiásticos lhe chamam Missa sicca.

Missa votiva. Aquela que diz o sacerdote fora da ordem e disposição do Calendário, mas conforme a sua devoção, ou vontade, de sorte porém que não exceda as limitações da rúbrlica. missa votiva, ae. Fem. Chamam-lhe alguns voluntária, ae Fem. Vid. infra.

Missa quatidiana. Sacrum quatidianum.

Missa perpetua. Sacrum Perpetuum.

Missa Musarábica. ou Mosarabica. Deu-se este nome à Missa dos cristãos da Hispania [Península Ibérica], que por andarem misturados com árabes, eram chamados Musárabes, ou Moçárabes. No tomo 27 da nova Bibliotheca Patrum, pag 665acharás as cerimónias da dita missa, a qual, como também o ofício Moçarábico se continuou nas Espanhas até ao tempo do Papa Gregório VII que estabeleceu naqueles Reinos o rito Romano, reinando Afonso VI no ano de 1080. Ainda hoje em algumas igrejas paroquiais da Cidade de Toledo se celebram os Ofícios Divinos ao modo Musarábico, particularmente na igreja Maior da dita Cidade, e nela foi instituída pelo Cardeal Ximenes a Missa Moçarábica. Missa Muçarábica. Vid. mais abaixo Musarabe.

Missa Calicana.Há opinião, que era uma imitação da Missa Musarábica na Igreja Galicana, até ao tempo de Carlos Magno, e dos seus sucessores, que introduziram em França o rito Romano.

Missa Castrense.Constantino Magno, na guerra contra os persas, levava sempre diante do exercito um tabernáculo em forma de igreja, onde se celebrava Missa, e cada legião tinha um Templo móbil, em que residiam os Sacerdotes; por isso lhe chamavam Missas castrenses.

Dizer missa. Celebrar o sacrifício da Missa. Sacra facere, ou rem divinam sacre, ou peragere, ou sacris operari, ou caelestem hostiam Deo offerre. Sanctissimo Christi corpore, et sanguine, Divinonumini litare, ou sacrificare. Algumas vezes basta que se diga, Facere, como quando dizemos, Facit ad aram maximam, Está dizendo Missa no altar mor.

Ouvir Missa, Sacro, ou sacris, ou rei divinae interesse.

Missa por tua intenção. Sacrum pro se faciendum, ou offerendum.

Dizer Missa cantada. Ad. sacrum, ou ad sacrificium, ou rem divinam cum cantu, ou adbito cantu facere.

No tempo da Missa, Inter sacra. Inter Divinam rem. É de Masseu, lib. I Hist. Indic. Inter Divinam rem peragendam. Idem, in vita S. Ignatii lib. 3 Intersacrificandum. É à intenção de Valer. Max. lib. I cap. I onde diz, falando com Gentio: Suplitio, inter sacrificandum apex e capite prolapsus, sacrificium eidam abstulit.

Depois da Missa. A sacro. Mass, in vida S. Ignatii lib. 3 cap. 12 Sacro Missae peracto. Idem: Re Divina peracta. Ex. Sue[?] in Tiber.

Revestir-se para dizer Missa. Se ornatu Sacrificantis induere, Mass. lib. I Epist. 9

Aparelhar-se, ou preparar-se para dizer Missa.Rei se Sivine comparare.

Ajudar à Missa. Sacrificante ministrare.

O que ajuda à Missa. Sacri minister, sacrificii administer. Tursllin. Hist. Lauret. lib. 5 cap. 2 Duodecim pueris sacrarum ministris rubrae versis insigne dedit.

Dizer Missa nova, ou a primeira Missa. Primam Divinae maiestati hostiam imolare. Sacerdotii primitias Deo libare. Sacrificantiinitium facere. Masseu em vários lugares. Missam novam celebrare. É do Concílio Tridentino fest.2onde diz, Quid quid pro Missis novis celebrandis datur, etc.

Missa votiva. Sacrum votivum. Mass.

Missa votiva de nossa Senhora. Deiparae Virginis votivum sacrum. Mass. Vid. supra.

Missa de Pontifical. Vid. Pontifical.

Adágio Português da Missa. Quando o corsário promete Missas e cera, por mal anda o galeão. Nem tanto Ámen, que se dana a Missa. Ouvir Missa não gasta tempo; dar esmola, não empobrece. Missa, nem cevada, não estorva jornada. Missa caçador."

(retirado do Vocabulário Portuguez & Latino, Tomo V. LISBOA, 1712)

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