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22/06/16

A LETRA DA 9ª SINFONIA DE BEETHOVEN

Caros leitores, sabemos que pode estar para acontecer um concerto na Sé (velha) de Coimbra: a 9ª
sinfonia de L. van Beetohven. Aguardamos que o Sr. Bispo Conde de Coimbra trave a tempo tal iniciativa. Aproveito para corrigir, que não é a 9ª aquela que foi dedicada a Napoleão, mas sim a 3ª... Contudo, a letra da 9ª é igualmente reveladora das ideias heterodoxas hoje tão acarinhadas no mundo, mas tão contrárias ao catolicismo. A letra está pejada de naturalismo e paganismo: como adequar isto a um templo católico?!

Baixo
Ó, amigos, não nesse tom!
Em vez disso, cantemos algo mais delicioso
cantar e sons alegres
Alegre! Alegre!
Baixo. Quarteto e coro
Alegria, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce voo se detém.
Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo;
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo que ele chama de uma alma
Sua própria alma em todo o mundo!
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!
Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza;
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!
Tenor e coro
Alegremente, como seus sóis voem
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.
Coro
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões, vocês estão ajoelhados diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!

27/03/12

O NATURALISMO (3)


Todavia evitais o excesso de negar explicitamente a vida futura. Admiti-la em desejos, aspirações e linguagem; mas doutrinalmente a rejeitais. Conheceis que o nega-la em absoluto é um ataque a Deus e ao homem. Mas deixais por isso de afrontar o ser supremos, proibindo-O de sair das leis gerais deste mundo, e de modificar os seus primeiros actos, e negando-lhe o direito de mostrar às suas criaturas, já deste mundo, o fim sobrenatural que lhes destina? A natureza é Deus, o sobrenatural é também Deus. A lei geral é Deus, e o benefício particular, o favor extraordinário, Deus é também sempre. Não se compadece com a razão que Deus dê ao homem a ordem sobrenatural: que lhe dê, por gratuita bondade, mais que o pontualmente necessário à sua existência terrestre; que o beneficie com felicidade superior ao estado de simples natureza? Mas que razão há para que se desautorize Deus de tão nobres atributos para ele, e de tão favoráveis para o homem?

Negar, portanto, o sobrenatural, e ir de encontro a quanto os homens pensaram, acreditaram, e esperaram; é impugnar-lhes as mais altas aspirações, as mais poderosas faculdades, imaginação, consciência, e razão, que também fazem parte de sua natureza evidentemente. É derruir as leis de seu ser, como pretexto de as resolver. É envilecer-lhe o presente, e denegar-lhe o porvir. É secar-lhe na alma a fonte do grandioso, puro, generoso e desinteressado. É, por derradeiro, suprimir o problema para o não resolver.

Bonissimamente compreendera a força destes princípios e consequências o insigne escritor que designou “como questão capital a debatida entre os que reconhecem e os que não reconhecem ordem sobrenatural, certa e soberana, bem que impenetrável à razão do homem; questão ventilada entre o supernaturalismo e o racionalismo. De um lado, incrédulos, panteístas, cépticos de todos os feitios, e racionalistas. Do outro lado, cristãos. Os melhores de entre os primeiros deixam subsistir no mundo a estátua de Deus, se podemos empregar semelhante expressão; mas somente estátua, uma imagem, um mármore. Deus não está aí nisso. Comente os cristãos têm o Deus vivo”. (Guizot. Meditações e est. Moraes, Pref, pag. 1)

Assim como filósofo entende com referência a Deus, o intendemos com a imoralidade e vida futura!

Observação curiosa é essa da confrontação dos diversos sistemas que não admitem a verdade completa! Conformidade que lhes argue o erro, e mostra a incerteza de sua direcção, e a fragilidade de tudo que não assenta sobre bases fixas e inconcussas! Porque, observai que propriamente as escolhas, que professam doutrinas sãs e elevadas sobre outros pontos, logo que se declaram inimigos do sobrenatural, submetem-se à justa arguição de M. Guizot, como as outras que, à míngua de vontade ou força, não se elevam a considerações nem aceitam leis superiores às do mundo.

Dois sistemas, que particularmente vamos estudar, combatem hoje em dia toda a espécie de sobrenatural, e deste antagonismo fundaram doutrina. Pertencem uns ao racionalismo puro, admitem unicamente a razão como supremo fim, e, mediante uma crítica desassombrada, tocaram o nominalismo sem fundamento nem realidade. Outros, restinguem-se ao positivismo, só reconhecem concepções materiais, aplicações puramente sensíveis, e fazem da terra ponto de partida como termo único de seus esforços."

(Leia a primeira parte do texto, AQUI)

14/03/12

O NATURALISMO (2)

(continuação)
"Além de que, as leis da natureza, única existência que reconheceis, e declarais imutáveis, são tão simples, claras e compreensíveis? Como as definis) Em que consistem? Acaso as entendeis? Quanto principiam e quando acabem? Onde está a causa íntima e razão de suas funções? Que regra seguides, quando saís de objectos puramente materiais? Se admitis a inteligência, dizei-nos o que ela é? Acaso a calculais, matemáticos? Já a pesastes, físicos? Dissecaste-la, fisiologistas? Como distinguis a alma da animalidade? Que é a vida? E o instinto? E o sentimento? E o pensamento? Questões que não podem ser resolvidas com o aprumo das afirmativas e subtilezas das distinções.

No que respeita à essência de Deus, figura-se-nos grandíssima temeridade marcar-lhe leis, e eternos limites; declarar todas a ordem, acto e fenómeno, está fora da vontade e poder dos soberano ser; que ele não pode querer nem obrar diversamente daquilo que nos entendemos; que as leis gerais lhe bastam, e que ele não tem direito nem poder de entrar ao alcance de nossa vista, na ordem do miraculoso e sobrenatural.

É certo que ele é o ente necessário e imutável; mas esta imudável necessidade está em sua substância e atributos, e não no exercício de seu poder; por quanto, se fosse variável em sua essência, seria imperfeito; se necessitado em suas obras, seria limitado em poder. Deus, por si mesmo independente, não pode se limitado nem depsendente em seus actos. É imudável; mas pode modificar suas obras, objectos estranhos à sua ciência. 

Ele que, no seio da eternidade criou o mundo, sem dúvida o mais espantoso dos prodígios, a mais maravilhosa mutação [mudança], como é possível que depois, regendo o mundo, se haja limitado a uma só ordem imudável e natural, e se faça escravo das regras que impôs e leis que fez? 

Estranha pretensão, quando o sobrenatural é necessário para explicar tantas coisas, quando o mais racional e verosímil nos está afirmando que o sobrenatural faz parte do plano divino! Quando o incompreensível, o invisível, o maravilhoso nos cercam por toda a parte! Quando, perante a razão e consciência, são tantos os factos que não podem naturalmente entender-se! Quando o presente, passado e o futuro são enigmas e abismos, sem o sobrenatural! Quando a criação é impossível, se o rejeitam! Quando a imortalidade é gravemente predicada se o repelem!

Efectivamente, a vida futura está em grave risco de nada ser para os doutrinários do naturalismo, sem excepção daquele que se honram de espreitar os grandes princípios da lei moral. Em verdade, Deus é o fim do homem; notem porem, que é o fim sobrenatural. O homem, que nasce e vive este mundo, aqui deve cumprir naturalmente seu fim, material e inteligente, preenchendo com o duplo meio de razão e corpo. Que haverá para além da vida? Se falhais de recompensas futuras, que sabeis vós disso? Como podereis entender o invisível, o incompreensível e insondável por ilações que tirais do que vedes, sentis e compreendais? Quantas leis declarais imutáveis [o mesmo que “immudáveis”], o incompreensível e insondável por ilações que tirais do que vedes, sentis e compreendeis? Quantas leis declarais imutáveis e necessárias, para este mundo foram feitas. Transportai-as a outra parte: como serão elas aí aplicadas? Segundo vós, deste mundo nada sai. No mundo de ver um grande número dos vossos, o instinto religioso não passa de uma faculdade natural do homem. Convencei-vos de que os futuros prémios nada tem comum com as leis da terra. Da vida além não há naturalismo: reina o sobrenatural."

(AQUI, a continuação)

08/03/12

O NATURALISMO (1)


O NATURALISMO

"A mais grave questão, influente sobre a solução do problema do destino humano, é, talvez, a do sobrenatural, questão de consequências tão importantes que é hoje a inquietadora dos ânimos. É ela a tese que entra em tudo o que abrange a religião, filosofia, e humanidade. É, digamo-lo afoitamente, a chave que fecha ou abre as portas da vida futura. Nada há, nada se passa, fora deste mundo, e das leis que o regem? Nada há, fora da inteligência do homem, dos sentimentos e ideias que ele percebe? Estamos, porventura, encerrados no tempo e no espaço como em círculo infrangível que nos tolhe e angustia? O maravilhoso, o milagre é real e absolutamente impossível, por estar fora da natureza e leis conhecidas? A religião, pelo conseguinte, com todos os seus ensinamentos e revelações deve ser tida em conta do simples facto natural, sujeito às regras dos outros factos, e às leis inseparáveis do espírito humano? Sim: - proclamam-no os adversários do sobrenatural - uma ordem de coisas única, a natureza já física, já moral, governa o mundo; as leis que o regem, imutáveis e necessárias, não consentem que, independente delas, possa nascer e produzir-se alguma coisa, A razão, que é parte nesta ordem natural, repugna admitir verdades que a sobranceiam, fenómenos que não sejam o desenvolvimento regular das premissas que ela estabeleceu. A evolução do intelecto humano interpreta, motiva, e tudo explica. Há, em nosso espírito e coração, ideias e sentimentos que voam connosco ao infinito. Amor e imaginativa leva-nos a Deus, como a ciência e observação nos levam à filosofia. São dois processos diferentes, não intrinsecamente, mas nos resultados; são os mesmos na origem, e divergem na direcção. São produtos de duas faculdades que, até certo ponto, podem excluir-se, dois métodos que podem repugnar-se mutuamente; porém, não deixam de pertencer à mesma categoria, natureza, e pessoa. Resumidamente, o sobrenatural, inadmissível como princípio, deve ser rebatido como adverso à noção da natureza, que abrange tudo o que é, como também adverso às condições do finito, que só pode existir segundo suas propriedades necessárias, e à essência divina, que só pode actuar com suas leis próprias. (Estudos de Theologia, Philosophia, e História. Pe. Matignon)

Tais são as principais ideias dos adversários do sobrenatural. Podem sair com muitas variantes nos sistemas que imaginam ou renovam, convizinharem mais ou menos da verdade, ou distanciarem-se dela mediante abismos. Todos, porém, no ponto de partida, se uniformizam admitindo, sem discrepância, a existência e possibilidade de uma ordem natural única. Aa afirmativas deles, que logo vamos examinar na generalidade, podem abalar por atrevidas, e seduzir por cavilosas. Na maior parte, são petições de princípios, desfundamentadas, contrárias não só aos factos, à história, e consciência da humanidade, senão que opostas à razão, cujo testemunho é seu único amparo deles; e, além disto confusas, e avessas ao vero sentido das palavras e coisas.

Antes de ir avante, observemos que a palavra “sobrenatural” tem duas acepções distintíssimas: convêm deslinda-las a toda a luz, para evitar anfibologias. Na primeira acepção, significa tudo que excede a ordem e leis do mundo físico, no qual vivemos. Materialistas, ateus, e positivistas formalmente impugnam este sobrenatural.

Na segunda acepção, significa tudo o que ultrapassa a vida natural do homem e presume ordem superior às leis intelectuais e morais que nosso espírito fez para seu uso, e reconhece. Os adversários desta segunda espécie de sobrenatural, tentam refutar, senão o princípio, pelo menos a noção pura e completa da imortalidade.

O que expomos aqui intende, em parte, com os segundos adversários do sobrenatural.

Um eloquente e engenhoso professor, há pouco, fez sentir do alto da cadeira da Sorbonna o que tem o sobrenatural com a índole do espírito humano (Saint-Marc Girardin, Curso oral de 1859): “Nada há mais natural ao homem que o sobrenatural.” Os que o contestam declaram-se em guerra com a humanidade, que não conhecem. O homem tem necessidade de sair dos limites terreares que abafam, da realidade que o violenta. Aspira o que vai no alto; estende mão e pensamento ao que está para além-vida. O menino tanto se apavora do sobrenatural como do que alcança com os sentidos; mundo fantástico, génios, trasgos, nada o assusta nem surpreende. A fantasia do homem, que tanto lhe influi nas acções, e tão poderosa lhe é sobre a vida, é, digamo-lo assim, a mesma faculdade do sobrenatural. A glória para o homem de anos, e para o herói, é o aspirar a vida superior e duradoura.

Admitis a ordem natural visível, e rejeitais o que a ultrapassa. Assim rejeitais não só o maravilhoso, que o invisível: que o homem, nas suas actuais condições, tanto intende uma como a outra espécie. Vem a dizer que, apartando vossas conclusões metafísicas e morais, mais ou menos puras, a despeito dos dados mais ou menos sãos e elevados de vossos sistemas, rejeitais a religião revelada, e Deus, e Providência, e vida futura. Até certo ponto, realmente, o sobrenatural é a espiritualidade. Negar o sobrenatural, é negar o ser de pura essência espiritual, e negar a alma. Assim resvalais forçadamente ao materialismo; e se lá não caís de todo é que pondes mascara às palavras e derrancais a lógica das ideias.

(Aqui, a continuação)

13/02/12

A MASSONARIA E TEILHARD DE CHARDIN

Teilhard de Chardin
"Durante a intervenção na Assembleia Geral do "Grande oriente de França", decorrida em Paris, de 3 a 7 de setembro de 1962, Jacques Mitterrand, Grão-mestre da Massonaria, reivindicou para a seita a publicação póstuma das obras de Teilhard de Chardin e - facto de capital importância para uma apreciação de conjunto do pensamento teilhardiano - afirmou que a concepção deste infeliz autor coincide com o humanismo naturalista maçónico.

Mitterrand coloca, sem qualquer entrave, em Teilhard o começo da negação da Tradição e do acentuado culto ao homem, em vez do culto a Deus, que - desde há quase vinte anos - invadiram, como epidemia mortal, tantos ambientes intelectuais católicos, eclesiásticos e laicos, e introduziram a confusão na Igreja. [melhor dizer "entre os católicos"]

Eis uma passagem importantíssima do discurso de Mitterrand: "A diferença de nós maçons, os católicos, em nome do ecumenismo, não se confinam já firmemente ao seu passado para de lá retirarem a lição de sabedoria. Fazem, pelo contrário, todo o possível para renegar a sua Tradição, com o fim de adaptar a sua religião à renovação. Como isto aconteceu? Tomai atenção ao que vos vou dizer e sabereis como começou esta mutação. Um belo dia surgiu daquelas fileiras um verdadeiro cientista, Pierre Teilhard de Chardin. Talvez sem que se desse até conta disso, cometeu o crime de Lúcifer que a igreja de Roma com frequência atribuiu também aos maçons: afirmou que no fenómeno da hominização , ou  - para usar a fórmula de Teillard - , na Noosfera, isto é, na soma total ou massa de consciência colectiva, que circunda no globo terrestre como estrato mais baixo da atmosfera, é o homem quem tem a precedência e não Deus e é o principal artífice deste processo. Quando esta consciência colectiva alcance o apogeu no ponto Omega - como disse Teillard - , então produzimos o novo tipo de homem, como o desejado: livre na sua carne e sem entraves mentais. Assim Teillard colocou o homem sobre o altar, e assim adorando o homem já não podia mais adorar a Deus."

(ROCA VIVA, Madrid, ano XV, nº 171, março 1982)



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