RELAÇÃO
DOS
FESTIVOS APLAUSOS,
COM QUE NA CIDADE DO PORTO SE CONGRATULARAM
os felizes despozorios dos Sereníssimos Senhor
DOM JOSÉ
PRÍNCIPE DO BRASIL, E SENHORA
D. MARIA ANA VICTORIA
INFANTA DE CASTELA, e DOS
Sereníssimos Senhores
D. FERNANDO
PRÍNCIPE DAS ASTÚRIAS, E SENHORA
D. MARIA BARBARA
INFANTA DE PORTUGAL
LISBOA OCIDENTAL
1728
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| D. José |
RELAÇÃO
Participando S. Majestade, que Deus guarde, por cartas assinadas da sua Real mão aos magistrados desta Cidade do Porto, e ao Reverendo Cabido como era servido, que nela, e em todos o Reino se fizessem as maiores demonstrações de alegria pelos felizes despozorios do Sereníssimo Senhor D. José Príncipe do Brasil com a Sereníssima Senhora D. Maria Ana Victoria Infanta de Castela, e do Sereníssimo Senhor D. Fernando Príncipe das Astúrias com a Sereníssima Senhora D. Maria Barbara Infanta de Portugal: logo na manhã de 19 de Maneiro de 1728 comunicou em Relação esta alegre notícia a todos os Ministros dela o Doutor Francisco Luís da Cunha de Ataíde seu Desembargador do Paço, Chanceler, e Governador das Justiças na mesma Relação, dando feriados os seis dias desta semana dedicados todos a plausíveis luminárias, e dispondo que no Sábado 24 dia último delas se cantasse solenemente na Igreja dos Religiosos de S. Domingos o Te Deum em acção de graças com assistência de toda a Relação em público dela.
Na mesma manhã de 19 mandou o Senado da Camera publicar a som de clarins com assistência do Alcaide, e Meirinho da Cidade montados a cavalo, e vestidos de gala, a mesma notícia, e disposição de luminárias por toda ela, o que também anunciaram alegres os festivos repiques dos sinos.
A todo o Clero ordenou também plausíveis iluminações o Reverendo Doutor João Guedes Coutinho Governador deste Bispado, e aos Militares o Coronel do Regimento pago da Guarnição desta Cidade, e Governador das Armas António Monteiro de Almeida, que alem de dispor que em todas as seis noites o Regimento formado nas praças dela desse repetidas salvas de mosquetaria, mandou ordem aos três Castelos de S. João da Foz, S. Francisco Xavier do Quejo, e Matosinhos, para que nas mesmas noites se dessem alternadas salvas de artilharia; e assim o fizeram executar os Tenentes Governadores deles António de Almeida Carvalhais, Martim Afonso Barreto, e Francisco da Silva Malafaia; sendo ao mesmo tempo em toda a Cidade, e Castelos tudo iluminação, e salvas tudo, a que correspondia sonoro o geral harmónico aplauso dos repiques.
No Sábado 24 estava a Igreja de S- Domingos toda adornada de damascos, e a Capela mor de vistosas tapeçarias, em cujos lados se viam os retratos dos quatro Príncipes desposados debaixo de meios doceis. Junto da mesma Capela e via o retrato de S. majestade debaixo do rico docel da Relação com todos os paramentos daquele sublime lugar, a que se seguia a cadeira do Doutor Chanceler Governador das Justiças, e a ela as dos Ministros do Desembargo em vistoso circulo, que rematava o lugar dos Doutores Corregedor da Comarca, Juiz de Fora, e Juiz dos Órfãos.
No retábulo do Altar mor, que estava todo iluminado de luzes, se via um quadro com as armas Reais de Portugal, e Castela, e no mais corpo da igreja, além dos lugares destinados para os Oficiais da Relação, se achavam formados para os músicos seis coros. Neste dia saiu o Doutor Chanceler Governador vestido de gala com beca de veludo forrada de glacè de prata, e todos os Ministros com várias e vistosas galas, chapéus adornados de broches e joias de diamantes. De gala saíram também todos os Escrivães, e Oficiais da Relação com capas forradas de seda de outro, e prata,chapéus emplumados, e de broches guarnecidos em forma, que tudo fazia o mais vistoso aparato.
(continuação, II parte)