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24/11/17

CENTENÁRIOS IMPORTANTES - 2017

D. João V mostrando a victória portuguesa na Batalha de Matapão

Em 2017 os portugueses têm obrigação de lembrar ao mundo centenários de algumas datas; e fazemos questão de separar as nossas das outras:


PORTUGAL

- Chegada oficial de Portugal à China,  a 15/08/1517 - Depois da conquista de Malaca pelos portugueses, estes tomam um primeiro contacto com ela em 1513. Em 1517 Portugal efectua a sua primeira viagem oficial à China com uma armada comandada por Fernão Peres, no intuito de estabelecer entendimento, comércio, e dar início à evangelização.

- Batalha de Matapão, a 19/08/1717 - a victoria na última batalha naval contra os turcos, em defesa da Santa Sé, e na qual Portugal se destacou protagonista;

- Real Convento de Mafra, a 17/11/1717 - a primeira pedra daquele que é um dos símbolos de Portugal, dedicado a Nossa Senhora e Santo António de Lisboa.

- Aparições de Nossa Senhora, desde 13/05/1917 - Aparições de Nossa do Rosário, em Fátima.

Nota: em 1716 a Santa Sé ergue a Santa Igreja Patriarcal de Lisboa como base no Patriarcado do Apóstolo S. Tomé. Em 1916 aparece o Anjo de Portugal aos pastorinhos de Fátima.


MUNDO

- Rebelião de Lutero, em 1517;

- Fundação da Maçonaria, em 1717;

- Revolução Bolchevique, em 1917.

03/11/16

PAPA FRANCISCO - em modo anti-papas...!?


“Pela autoridade do Deus Todo-Poderoso, dos santos apóstolos Pedro e Paulo, e de nossa própria autoridade, nós condenamos, reprovamos, e rejeitamos completamente cada uma dessas teses ou erros como heréticosescandalososfalsosofensivos aos ouvidos piedosos ou sedutores das mentes simples, e contra a verdade católica. Listando-os, nós decretamos e declaramos que todos os fiéis de ambos os sexos devem considerá-los como condenados, reprovados e rejeitados [...] Nós os proibimos a todos em nome da santa obediência e sob as penas de uma automática excomunhão.“Ainda mais, por causa dos precedentes erros e de muitos outros contidos nos livros ou escritos e sermões de Martinho Lutero, nós do mesmo modo condenamos, reprovamos e rejeitamos completamente os livros e todos os escritos e sermões do citado Martinho, seja em Latim seja em qualquer outra língua, que contenham os referidos erros ou qualquer um deles; e desejamos que sejam considerados totalmente condenadosreprovados e rejeitados. Proibimos a todos e a qualquer um dos fiéis de ambos os sexos, em nome da santa obediência e sob as penas acima em que incorrerão automaticamente, de ler, sustentar, pregar, louvar, imprimir, publicar ou defendê-los”.

( Bula Exurge Domine, de 15 de Junho de 1520, o Papa Leão X)

02/11/16

PAPA FRANCISCO SOB A MIRA DE AGOSTINHO DE MACEDO

Imagem de Lutero, ladeada pelo Papa Francisco que esta semana beijou a bíblia luterana
"; e se como Herege abraças o Evangelho, vê, contempla, medita nas terminantes, e claríssimas expressões do Divino Salvador, na Instituição do Adorável Sacramento. Toma o pão, abençoa-o, e diz: Este é o meu Corpo. Hoc est Corpus meum; e da mesma sorte o vinho: Este é o meu Sangue. Hic est Sanguis meus. Não disse, como querem os Luteranos, e Calvinistas: Este Pão é a imagem, e a figura do meu Corpo, e do meu Sangue; mas disse, e declarou aquilo que não tinha feito na instituição dos outros Sacramentos; esta comida é a verdadeira e real substância do meu Corpo, e esta bebida o meu verdadeiro Sangue: Caro mea vere est cibus, et sanguis vere este potus, e para nos tirar toda a dúvida, ainda acrescenta: e este mesmo Corpo, que aqui fica debaixo das espécies de Pão, é aquele mesmo que há de ser entregue aos meus inimigos para vos salvar. Hoc Corpus, quod pro vobis tradetur." (Pe. José Agostinho de Macedo, em "Breve notícia dos mais notáveis desacatos ocorridos em Portugal...", ano 1825)

01/11/16

PAPA FRANCISCO e A APOSTASIA PERMITIDA POR DEUS

Na sua viagem à Suécia, entre o beijo à Bíblia protestante, e outras coisas de igual especie, o Papa proferiu ignorantes palavras contra o que a  Santa Igreja sempre ensinou e fez tão santamente. Eis a informação da EuroNews:

Papa Francisco inclina-se, e beija bíblia valdense
"O papa Francisco pediu perdão à igreja protestante pelos erros cometidos durante 500 anos de guerras, perseguições e execuções.
A primeira visita de um sumo pontífice à Suécia – sede da Federação Mundial Luterana – em mais de 30 anos foi marcada por uma nova tentativa de reconciliação entre as duas igrejas, quando as divisões persistem.
Francisco presidiu uma celebração ecuménica, em Lund, ao lado da Arcebispa protestante d’Uppsala, Antje Jackelen.
Um feito inédito para assinalar os 500 anos da Reforma Protestante [revolta protestante] iniciada por Martinho Lutero.
As festividades iniciaram-se esta segunda-feira em Wittenberg, na Alemanha, na mesma igreja à porta da qual Lutero tinha afixado as 95 teses que denunciavam a corrupção da igreja católica.
Apesar de meio século de esforços de reconciliação por parte do Vaticano, as duas igrejas mantém-se divididas em questões como a ordenação de mulheres, proibindo a comunhão de casais mistos (católicos e protestantes)."

Papa Francisco e a "Arcebispa" (dia das bruxas...)
O blog ASCENDENS propõem a todos os católicos de recta intenção:
1 - O distanciamento prudencial das mensagens e documentos do Papa Francisco (também fazer um distanciamento prudencial do chamado "Magistério Pós Conciliar");
2 - Rezar diariamente pela conversão do Papa Francisco;
3 - Pedir ao Anjo custódio nacional a redobrada protecção da respectiva pátria;
4 - A persistência no rezar do terço diariamente;
5 - Andar em estado de graça;
6 - Lutar por ter ou conservar em si a recta intenção, amor à verdade, e pureza da fé;
7 - Fazer leitura espiritual: usar apenas clássicos da espiritualidade (destaque para a "Preparação Para a Morte" ou "Máximas Eternas" de Sto. Afonso Maria de Ligório), se possível 10 a 15 minutos diários.
8 - Pedir pela protecção e defesa da Santa Igreja Católica.

"Ai, ai, ai"...

16/06/16

CONTRA-MINA Nº 50: Os Jesuítas em Coimbra!!!!

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

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Nº 50
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O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
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Os Jesuítas em Coimbra!!!!

como efeito parece mais sonho do que realidade, que se conseguisse a tantas vezes desejada restituição do Colégio das Artes aos seus antigos possuidores. Eram tantas, e tão graves as dificuldades, que se opunham à existência deste sucesso! Era tanto, e tão inveterado o ódio, que se concebera neste Reino por sinistras, e dolosas informações, à Companhia de Jesus! Era tanto o afinco, era tal a pertinácia do Jansenismo, e Maçonismo por arredarem de Portugal os seus antigos, e verdadeiros ilustradores! Por certo que aos mais desejosos, de que os Padres da Companhia voltassem a estes Reinos, e recobrassem a sua perdida influência, já se representava como impossível a execução de tais intentos. Nem a saudosíssima, e piedosíssima Rainha D. Maria I, que tomava a peito o restabelecimento dos Jesuítas em Portugal, porque tomava a peito a verdadeira felicidade dos seus Povos, conseguiu trazer novamente a este Reino, e suas Conquistas os Filhos de Santo Inácio! Viu-se necessitada a conter, ou reprimir os seus votos, e a deixá-los como abafados, e sepultados em seus Régios Corações.... Tanta era a força das prevenções, ou das calúnias, que ardilosamente se haviam espalhado neste Reino contra os Jesuítas!

Quando o Sumo Pontífice Pio VII instaurou a Companhia de Jesus, revogando o Breve do Santo Padre Clemente XIV, que os extinguira... desde logo os Pedreiros Livres do Rio de Janeiro estremeceram, clamaram, e fizeram protestos em nome do Rei Fidelíssimo contra os novos auxílios, que Deus prodigalisava, e oferecia por mãos do seu Vigário na Terra aos Países Católicos!!!

Seguiu-se o tempo mais infausto, e desastroso para a Monarquia Portuguesa, quero dizer, o tempo Constitucional; e quando os Maiores da Seita Maçónica, lançando as ousadas, e sacrílegas mãos às rédeas de um Governo, que lhes não pertencia, juravam destruir, e abolir todas as Corporações Religiosas [o que veio a acontecer em Portugal, depois  por mão de D. Pedro I do Brasil], como poderiam tolerar um só instante a simples ideia, de que os Jesuítas poderiam voltar a estes Reinos? Nada por tanto era mais próprio de um Soberano destinado pelos Céus para restaurar o Trono Português, do que chamar em seu auxílio, como tropas escolhidas, que combatessem, debelassem os dois Monstros Jansenismo e Maçonismo; quero dizer, os sucessores desses Apóstolos, que tinham preservado no séc. XVI estes Reinos das pestes do Luteranismo, e Calvinismo... À chegada do nosso Libertador tudo neste Reino oferecia a imagem do caos...! Para desviar este, e pôr as coisas na devida ordem, bastou que o Todo Poderoso dissesse um Fiat, faça-se, e tudo se fez!! Agora semelhantemente bastou que um Rei Cristão dissesse "Apareçam os Jesuítas neste Reino", e apareceram os Jesuítas. Não blasfemo, e nem sequer adulatório este modo de pensar, ou de escrever. O chamamento dos Jesuítas a este Reino foi obra de Deus, assim como é bem clara, e manifesta obra do mesmo Senhor a entrada destes Regulares no seu Colégio das Artes. Conheceu perfeitamente o Mui Alto, e Poderoso Senhor D. Miguel I, que sem Jesuítas era impraticável a mil vezes procurada, e outras tantas desmentida restauração dos bons costumes; e que por mais planos, que se traçassem, por mais brilhantes, e risonhas teorias, que há meio século a esta parte se houvessem excogitado, nenhum proveito, nenhuma utilidade real se descobria, antes cada vez mais tudo se precipitava, e caminhava de mal para muito pior. Teorias sobre teorias, planos sobre planos agravaram a doença moral a ponto de fazerem cada vez mais sensível, a patente a grandeza da ferida, que Portugal recebera ao fatalíssimo ano de 1759... Assim mostrava um Deus vingador dos ultrajes feitos à inocência, e à virtude, punir estes Reinos pelo crime da expulsão dos Jesuítas....

Colégio dos Jesuítas (em Coimbra), fundado por D. João III de Portugal
Que resta pois? Que se devia fazer para obstar a que a Mocidade Portuguesa caísse toda nos laços do Maçonismo? O que fizeram até os Reis Cismáticos, e Protestantes, e o que fazem agora todos os Soberanos Católicos, pois meio século de desastres, e calamidades meteu-lhes pelos olhos, que o Instituto da Companhia é sumamente necessário para o bem, e tranquilidade de seus Povos... E o Rei mais amante dos seus Povos, que excede até neste particular aquele próprio Rei, que tomou por divisa o Pelicano, em acção de rasgar o peito para nutrir os seus filhinhos: e o Rei mais amante dos seus Povos, digo, havia de consentir, que estes Povos fossem desgraçadas vítimas do erro, da sedução, e do infatigável proselitismo das Sociedades Maçónicas?

Igreja do Colégio dos Jesuítas; hoje é a Sé "nova" de Coimbra.
E um Rei plenamente convencido, penetrado das Verdades Católicas, e nomeadamente das mais terríveis, poderia ver com indiferença o quase total naufrágio da Educação Religiosa em seus Estados? Como se negaria ele a buscar todos os meios conducentes para a desejada reformação dos costumes, e que outro se lhe poderia oferecer, ou melhor, os mais prontos, do que entregar aos Padres da Companhia o Real Colégio das Artes?

Foi Coimbra, e o foi por muitos anos a Cidadela do Jansenismo. Este acolheu benignamente, como sempre costuma, o seu Irmão gémeo, quero dizer, o Maçonismo; e ambos entrincheirados nesta, como Fortaleza das Ciências, prometiam guardar para sempre o seu ponto central, donde se repartiam para toda a Monarquia, e suas Possessões Ultramarinas os mancebos de esperanças, os homens de bem, as luzes, e as trolhas Maçónicas... Tinha-se chegado a tais pontos de perversidade, e desenvoltura, que já os recrutamentos para a Ordem dos Pedreiros Livres se tratavam, e faziam a cara descoberta, e até se oferecia dinheiro aos Estudantes pobres, que ainda fiéis aos sentimentos religiosos, hesitavam, ou repeliam indignados a mais infame, e atraiçoada proposta....


Enfim a urgentíssima necessidade de Educadores, e Mestres Jesuítas nunca foi tão palpável neste Reino, como durante o que, sem exageração, se pode chamar o Reinado das trevas, o qual principiado em 24 de Agosto de 1820 [mas pode considerar-se definitivamente o ano de 1834, em Portugal], só começou de cavilar, e fraquejar a 22 de Fevereiro de 1828....

Desde então, e no brevíssimo espaço de quatro anos, tem-se feito mais do que nos vinte, ou trinta anos dos Reinados mais gloriosos da Monarquia, pois a malvada, e numerosíssima Seita dos Pedreiros Livres é mais forte, do que as Praças de Ceuta, e de Arzila; e a expugnação do Grande Oriente de Lisboa mais difícil, e arriscada, que a expugnação de Ormuz, e Goa; assim como a defesa, e sustentação dos Direitos da Realeza em Portugal, é mais árdua, e mil vezes mais perigosa, que a conservação da Praça de Diu contra o maior poder dos Soberanos da Ásia...

Não, não tem as Histórias da Monarquia Portuguesa um só Herói, que possa ombrear com o excelso Príncipe, que nos rege, e nos felicita; e quando eu tratasse de buscar um só Português, que me oferecesse alguns longes de tamanha heroicidade, teria de remontar às Histórias antigas, e pode ser que um Viriato, pondo somente os esforçados peitos dos seus Beirões a todo o poderio dos Senhores do Mundo, me oferecesse alguns traços acomodados ao meu paralelo....

Não, não têm os Portugueses um dia mais fausto, e plausível, que o 22 de Fevereiro. É dedicado à memória do Estabelecimento da Cadeira de S. Pedro em Antioquia, onde os Discípulos do Evangelho foram pela primeira vez chamados Cristãos, e deve ser igualmente dedicado à memória de um sucesso estupendo, e milagroso, que nos trouxe a incomparável felicidade de nos podermos chamar Cristãos; nome este, que não tardaria muito a passar como injurioso, e afrontoso.... E ser este dia também o próprio, em que os Jesuítas vão tomar posse do seu Colégio das Artes!! Que assombrosa coincidência de sucessos!! E que turbilhão de agradáveis esperanças deve suscitar-se nos entendimentos, ainda que sejam vulgares, com tanto que sejam Cristãos!! Também hoje é o dia, em que a geração, que nos há de suceder, principia a mais gloriosa de todas as Épocas, e como que principia a ser Cristã com segurança, e firmeza.... Ah! No meio da pompa triunfal, com que os Jesuítas foram recebidos em Coimbra, pompa insólita, e a todos os respeitos maravilhosa, que eu desejaria contar, porque a vi, e que eu não posso contar, porque não tenho nem frases, nem imagens adequadas para a descrever; no meio de toda essa pompa, foram certamente os singelos aplausos da mais tenra infância, ou desses esquadrões de meninos, que saíram ao encontro dos Padres da Companhia, foram, como a dizer, os que me comoveram de Pessoas adultas de todos os sexos, e condições, banhados em lágrimas!.. Parecia que estes inocentes, como se adivinhassem a extensão dos benefícios, que o Céu lhes outorgava pela generosa, e benfeitora mão do seu adorado Soberano, queriam distinguir-se acima de todas as Classes na festival recepção dos que vinham para os doutrinar, para os ensinar, e para os fazer verdadeiros Cristãos! Ah! Nesses ramos de Oliveira, e de Louro, com que vinham encontrar os seus Catequistas, bem claramente se designava, ou simbolizava a Paz Celeste, de que os Jesuítas são anunciadores, e a vitória, que prestes hão de conseguir sobre os inimigos da Fé, que bramem de raivosos ao chegar-lhes a hora, em que serão desalojados da sua mais bem guarnecida, e artilhada Fortaleza.

Que Mestres para a mil vezes ditosa Mocidade destes Reinos! Vingam-se de tantas injúrias recebidas, celebrando em Pombal o incruento Sacrifício pela alma do seu mais encarnecido inimigo!!! Resistem, quanto neles é, a toda a lembrança de serem recebidos triunfalmente em Coimbra, e só a mais forçosa obediência a um dos seus maiores afeiçoados, o Excelentíssimo Senhor D. Fr. Joaquim da Nazaré, Bispo Conde, é que os necessita a desistirem de seus humildades, e louváveis intentos. Aqui mesmo porém é para notar como a Providência dirige todas as coisas, e sucessos humanos, para a devida manifestação dos seus inefáveis acertos. Convinha, que os Jesuítas atravessassem desconhecidos e sem pompa os territórios do Patriarcado, e do Bispado de Leiria, até chegarem à primeira terra do Bispado de Coimbra, isto é, a Pombal, onde jazem os ossos do principal agente da sua extinção, e que aí começasse o desagravo solene do grande crime, que, a despeito dos melhores interesses da Religião, se havia perpetrado neste Reino, e suas Conquistas!

Já foi um Bispo de Coimbra o seu maior amigo, e principal defensor contra as envenenadas setas de inveja, e de maledicência, quando entraram pela primeira vez no Colégio das Artes; e tal predilecção mostrava por eles o Egrégio Padre de Trento D. Fr. João Soares, que, ao ver passar defronte do seu Palácio a grande multidão de Alunos da Companhia, exclamava "Hoc sunt castra Dei" ["este é o castro de Deus"] são estes Padres Jesuítas os Castelos, e Praças fortes do Catolicismo; e por isso também agora é um Bispo de Coimbra, o que mais se distingue em acolhê-los, e favorecê-los, a que dá solenissímas provas daquele amor aos Jesuítas, que o Historiador Pe. Franco chamou hereditário nos Prelados da Igreja Conimbricense; e o caso é, que nunca os Bispos tiveram por Coadjutora uma Ordem Religiosa, que mais direitos, ou brasões oferecesse para ser por eles apreciada, e favorecida. Daqui vem que me pareça bem achada a inscrição, que se lia em um dos arcos triunfais do Lugar de Condeixa: "Euntes ibant et fiebant; .. venientes autem venient cum exultatione". E com efeito os Padres da Companhia de Jesus tinham deixado Coimbra envolta em lágrimas, e suspiros, como de quem sabia, o que eles eram, e o que pediam; e eles próprios ao verem frustrados tantos bens espirituais, de que eram assíduos, e zelosos dispensadores, deixavam saudosos esta outra Sião, onde lhe ficavam as suas maiores delícias, quero dizer, esse Colégio das Artes, donde tinham saído tantos Apóstolos, e tantos Mártires, e onde jaziam as preciosas cinzas de um Sebastião Barradas, de um Luís da Cruz, e de um Cosme de Magalhães, e de tantos Varões assinalados na República das Letras... Voltam agora (e com que júbilo!) a esse como Solar das Virtudes, e das Ciências, porque foi o primeiro Colégio, que tiveram os Jesuítas no Orbe Católico; e se alguma coisa os pode magoar, ou entristecer, é o acharem nuas aquelas paredes, outrora adornadas com os Retratos dos Varões Apostólicos, que os honraram, e enobreceram para sempre... Assim mesmo recobrando a quarta, ou quinta parte do seu Colégio, encontram ainda, posto que já mui amortecidos, alguns Quadros das Acções principais do nono Avô do Senhor D. Miguel I, o Santo Borja, e que foram pintados no séc. XVII pelo jesuíta José Castiglioni....

Se ainda hoje vivesse algum dos Jesuítas expulsos de Coimbra em 1759, e voltasse agora ao seu antigo domicílio, por certo que se deixaria penetrar dos mesmos sentimentos, de que se possuíam os velhos de Israel, quando avistaram o segundo Templo de Jerusalém, tão diferente do primeiro em grandeza e magnificência... mas quem sabe se assim como o segundo Templo, sem embargo da sua pequenez relativamente ao primeiro, se avantajou a esta nas excelências, e na maior de todas as glórias, também este fragmento do Colégio das Artes fará ainda maiores serviços ao Catolicismo em Portugal, do que lhe fizeram os seus primeiros habitantes?

Tudo é possível a um Deus, que suscitou o homem da sua direita, D. Miguel I, para destroçar o Maçonismo, e restabelecer os Jesuítas.

Colégio do Espírito Santo em
Coimbra no dia sinalado de
22 de Fevereiro de 1832


Fr. Fortunato de S. Boaventura

23/06/14

RETRATO DE LUTERO E DOS SEUS PRINCIPAIS DISCÍPULOS (I)

Retrato de Lutero e dos Seus Principais Discípulos, Traçado Por Ele Mesmo e Por Alguns Protestantes Contemporâneos.

Começando por Lutero, verdadeiro fundador ou Protestantismo, eis aqui como se exprime falando de si mesmo. Confessa que quando era católico passava a sua vida nas austeridades, nas vigílias, nos jejuns e orações guardando sempre pobreza, castidade e obediência. Depois, porém, de se fazer "reformador" ou protestante, converteu-se num homem completamente diferente. Em prova disso, continua dizendo: "que assim como não depende da sua vontade o ser homem, também não está nas sua mão viver sem mulher, e que não pode prescindir dela, como não pode deixar de satisfazer as mais baixas necessidades da natureza."

Martinho Lutero
Vejamos agora o juízo que formava dele o seu contemporâneo Henrique VIII, o qual, apesar de estar preso nas mesmas redes e de se ter deixado arrastar pelos mesmos vícios até cair na apostasia, chega a escandalizar-se da libertinagem de Lutero: "Já não me admiro de que verdadeiramente não tenhas vergonha, e te atrevas a levantar os olhos perante Deus e perante os homens, por ter sido tão ligeiro e volúvel, que te deixasses conduzir por instigação do demónio às tuas mais insensatas concupiscências. Tu, frade de Santo Agostinho, abusaste, em primeiro lugar, de uma virgem sagrada, que noutros tempos teria expiado o seu delito com ser sepultada viva, e tu com seres açoitado até morrer. E longe de ter arrependeres - coisa execrável! - A recebeste publicamente por mulher, contraindo com ela núpcias incestuosas, e abusando da pobre e miserável donzela com escândalo do mundo com reprovação e opróbrio da tua nação, com desprezo do santo matrimónio e com injúrias e vilipêndio dos votos feitos a Deus. Finalmente, e é o mais execrável, em vez de te sentires abatido e cheio de sentimento de vergonha pelo teu incestuoso matrimónio, tu, miserável fazes alarde disso e em vez de implorar o perdão de teus miseráveis delitos, provocas com as cartas e escritos a todos os religiosos para que façam outro tanto."

Conrado Resiss, da seita dos sacramentários e contemporâneo também de Lutero, dizia dele: "Deus para castigar o orgulho e a soberba que se descobre em todos os escritos de Lutero, retirou dele o seu espírito, e o entregou ao espírito do erro e da mentira, que sempre possuirá os que seguem as suas opiniões enquanto não se retratem delas".

Não é muito diferente a descrição que faz o doutor de Wittemberg a chamada Igreja de Zurich, respondendo à confissão de Lutero na página 61: "Lutero, diz, considera-nos uma seita execrável e condenada; mas veja bem se não é ele quem se declara heresiarca, pelo mesmo que não quer nem pode associar-se aos que confessam a Jesus Cristo." E como não, pois que é um homem que se deixa arrastar pelos demónios a toda a classe de torpezas? Que suja é a sua linguagem e quão cheias de demónios infernais são as suas palavras! Diz que o diabo habita no corpo dos Zwinglianos; que do nosso seio endiabrado, subendiabrado e seu perendiabrado não se exaltam senão blasfémias, e que a nossa língua não é mais do que uma língua mentirosa, posta à disposição de Satanás, banhada e saturada no veneno infernal. Saíram jamais alguma vez semelhantes palavras de boca de um demónio por muito furioso que estivesse? - Ele escreveu todos os seus livros por impulso do demónio e sobre a inspiração de Satanás, com quem se encontra em comunicação e cujos poderosos argumentos o convenceram na luta que, segundo diz, sustentou com ele."

(a continuar)

24/12/13

ORATÓRIA DE NATAL (BWV 248) - J. S. Bach


Para bem, caros leitores, teria eu que colocar esta oratória dia 25, melhor que hoje (24, vésperas). Não sei se amanhã estarei aqui, ou ali, ou terei tempo para fazer postagens.

Quanto a J. Sebastian Bach ser luterano... devo fazer o seguinte comentário: a influência das doutrinas luteranas na sua comunidade foram lentas, nem sequer foram homogéneas, e mais lentas foram as mudanças estruturais na produção artística que, evidentemente, repetia os grandes modelos produzidos na civilização católica. De certa forma a estruturada e enraizada cultura alemã possibilitou que muitos dos primeiros luteranos continuassem a viver como católicos e até ignorando as mudanças reais, situação que dificulta hoje a apreciação de o quanto cada uma daquelas almas continuava ou não católica. Com o passar do tempo, àquela comunidade foram aparecendo já claros os erros doutrinais que inicialmente colocavam (e colocam) toda a comunidade fora da Santa Igreja. Assim, haveria que perguntar aos pensadores que dizem que J. S. Bach transmite na sua música uma concepção luterana, em que notas, conjunto de notas, melodias, harmonias, orquestrações, identificam tal problema (porque a música faz-se com a organização de sons e silêncios concretos).

Sem qualquer ameaça de consciência, e com algum conhecimento,deixo-vos a oratória de Natal de Bach (BWV248)

14/12/12

OS ERROS DE LUTÉRO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL (IX)

(continuação da VIII parte)

OS ERROS DE LUTERO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL
Pe. Franz Schmidberger


IV – “SOLO DEUS”

O católico sustem que a salvação é comunicada por meio das causas segundas, ou seja, pela Igreja e seu ministério especial, e particularmente pela Bem-aventurada Virgem Maria. Os protestantes, pelo contraio, pretendem que a salvação é dada directamente por Deus; em consequência, os sacramentos não são para eles os canais da graça, mas sim expressões da comunidade, símbolos de iniciação.

Para responder a este grave erro, é necessário dizer em primeiro lugar que o próprio Deus quis e estabeleceu o governo do mundo por meio de causas segundas, isto tanto na ordem natural como na sobrenatural. Na ordem da Fé e da graça vê-se imediatamente no mistério da Encarnação e no seu prolongamento que é a Igreja, com a sua hierarquia, seu sacrifício e vida sacramental. Não se pode separar Deus-Cristo-Igreja. “Assim como o Pai me enviou, assim Eu vos envio a vós.” (J. 20.21), disse o Senhor aos Apóstolos, ou seja com a mesma missão, a mesma autoridade e a mesma eficácia.

Em consequência, se Cristo chamou-se a Si o único caminho para o Pai, a Igreja é a única via para a salvação eterna. Aos seus Apóstolos o Senhor confiou o tesouro da Fé, o “depositum fidei”, e o seu tesouro da graça, “depositum gratiae”; os sacramentos são como o prolongamento da humanidade de Jesus Cristo, da mesma maneira que através da humanidade Cristo manifesta o seu Ser divino.

Em segundo lugar, o Senhor encomendou de formas diversas e de maneira expressa aos apóstolos o continuar a sua missão: “Fazei isto em minha memória.” (Luc. 22.14). “Ide pois, ensinai a todas as nações, baptizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mat 28.19). “Os pecados serão perdoados a quem os perdoeis, e serão retidos a quem os retiverdes” (J. 20.30). “Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo” (Mt. 28.20). Em S. Tiago, encontramos já a administração do sacramento da extrema unção (T. 5.14-15).

De tal maneira, a Igreja é verdadeiramente o caminho do homem para Deus, porque Cristo é o único mediador entre o céus e a terra, entre Deus e os homens. É o Caminho, a Verdade e a Vida. Deus no seu mistério insondável insondável quis fazer participar o homem na obra da salvação pelo sacerdócio real, hierárquico, pela intercessão dos seus santos, pelo trabalho dos cristãos e pela comunhão dos santos.

Este erro de Lutero é destruído por uma passagem do Actos dos Apóstolos: S. Paulo, no caminho de Damasco, cego pela luz directa de Deus, não recebeu a vista sem a oração e imposição de mãos de Ananias, ou seja, por mediação humana.

(continuação, X parte)

OS ERROS DE LUTÉRO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL (VIII)

(continuação da VII parte)


OS ERROS DE LUTERO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL
Pe. Franz Schmidberger


A respeito disto podemos citar a S. Paulo: “Eu estou cheio de regozijo no meu sofrimento por vós, e estou cumprindo na minha própria carne o que resta à paixão de Cristo, sofrendo em favor do seu corpo, que é a Igreja” (Col 1.24). Intrinsecamente nada falta à Igreja de Cristo; contudo, não por necessidade mas por pura bondade e efeito da sua infinita misericórdia, Ele quis fazer-nos participes da sua obra de redenção, tal como expressa a bem-aventurada Isabel da Trindade maravilhosamente na sua oração: “A mim, Cristo amado, crucificado por amor, vinde a mim como Adorador, como reparador e como Salvador (…) que se realize em mim como uma encarnação do Verbo; que eu seja uma humanidade suplementar, na qual Ele renove todo o seu mistério”.

Por não terem oração e realidade expiatórias e a satisfação na comunhão dos santos, falta aos protestantes um elemento fundamental de toda avida cristã: o Santíssimo Sacrifício da Missa, a união das almas com a Vítima divina nos nossos altas. A vida dos católicos é desta forma uma santa missa vivida, é um confiteor, um gloria, um credo, uma oferenda contínua, uma consagração e uma comunhão, portanto uma união da alma com o Criador, Salvador e Juiz.

Evidentemente Lutero opõe-se combate o ofertório da missa e o Canon Romano, aos quais trata como abomináveis. Introduz prontamente uma outra liturgia supostamente “reformada”, que abandona o carácter sacrificial (afastando o carácter de sacrifício expiatório e impetratório, desejando substitui um sacrifício de louvor e de acção de graças). Ainda, as palavras da consagração tomam uma carácter narrativo, o latim é substituído por língua vernácula, a comunhão é distribuída nas duas espécies.

Na verdade a realidade do Santo Sacrifício da missa está ligada à realidade da nossa vida cristã que é um combate espiritual (Luc. 5.13), uma maturação, um esforço e uma subida até que a alma alcance o esplendor da eternidade. Esse fogo do Espírito Santo, que nós católicos recebemos a cada dia na Santa comunhão, comunica-nos o espírito missionário e apostólico. Que contentamento ver essas falanges de apóstolos de Jesus e de Maria recorrer o mundo para anunciar o Evangelho, semear a palavra divina com suor e a por vezes sangue derramado; que pobre é o protestantismo em comparação com o apostolado da Igreja missionária!

Que dor infringida aos católicos aquela de ver o protestantismo estabelecer-se entre nós, da forma como o Santo Sacrifício da Missa se transforma agora em comida comunitária e o sacerdote um "presidente da assembleia", os altares substituídos por mesas, enfim, o santuário transformado em sala de reunião superficial e fria.

Há quatrocentos e cinquenta anos [o protestantismo] é uma comunidade que se celebra a si mesma e substitui a presença de Deus vivo sobre a terra. A verdade revelada, objectiva, cede lugar à livre consciência; a submissão, a obediência e o silencioso serviço deixam lugar à emancipação e até direitos do homem.

O católico moderno já não quer ajoelhar-se para receber a comunhão sobre a língua, é adulto, pode servir-se a si mesmo. A Igreja, sendo unidade de Fé, de culto e de governo, desaparece completamente para deixar lugar a um conjunto de inumeráveis opiniões e diversas correntes, a uma liturgia criativa e subjectiva, aos erros da livre interpretação. O carácter sobrenatural da igreja, especialmente no caso da sua liturgia, desaparece por dar passo ao naturalismo, humanismo e liberalismo.

Não é difícil descobrir o parentesco espiritual que existe entre o protestantismo e o neo-catolicismo. Ser católico significa ser humilde, aceitar com espírito de absoluta dependência a revelação de Deus, viver como um filho na casa do Pai. Por trás do protestantismo esconde-se a antiga palavra pronunciada pelo antigo rebelde: “Sereis como Deus”. O protestante, como o neo-católico, não quer submeter-se nem em espírito, nem em vontade, nem demonstrá-lo pela sua actitude exterior, não se ajoelha. “Non serviam”, acaba por ser a sua divisa.

15/11/12

OS ERROS DE LUTÉRO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL (VII)

(continuação da VI parte)


OS ERROS DE LUTERO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL
Pe. Franz Schmidberger

O reformador Calvino retoma a doutrina de Lutero sobre o pecado original, a justificação e a negação do livre arbítrio e retira as suas conclusões. Se o homem não pode valer-se para nada nas obras de salvação, existe uma predestinação para o céu e uma para o inferno. O homem não pode de nenhuma maneira mudar o seu destino.

Como se sabe se estamos predestinados ao céu? Principalmente pela abundância das bênçãos temporais de Deus. Cada um, desejando provar que está predestinado ao céu, como bom calvinista vai procurar aumentar o mais possível as bênçãos temporais de Deus. As sondagens demonstram de forma evidente uma grande diferença na probabilidade entre católicos e protestantes, entre países católicos e paises protestantes.

Agora uma palavra a respeito dos santos: de facto, não só não os tem o protestantismo como não os pode ter. Um santo é um homem renovado e transformado pela graça de Deus, passado do estado de pecado ao estado de justiça, não em virtude dos próprios méritos, mas por acção de Deus e eficácia da graça que purifica, ilumina, fortalece e santifica a alma por virtude da cruz de Jesus Cristo; mas por sua vontade livre, elevada pela graça, o santo aportou a sua cooperação virtuosa, por vezes heróica, à acção divina.

Ser santo significa ter amizade com Deus, participar na vida da Santíssima Trindade, desenvolver plenamente em si mesmo as graças do baptismo e da confirmação, dar-se à imitação vivente de Cristo numa vida de renúncia de si mesmo e de busca interior das virtudes. O santo é um sarmento vivo da vinha vivente que é Cristo. Ele é elevado muito mais alto das suas forças meramente humanas, o seu discurso desde aqui está já no céu.

Porque o protestantismo nega esta colaboração harmoniosa entre a graça divina e a liberdade humana, porque nega também a conformação da alma cristã com a alma de Cristo, embora possa possuir também homens muito reconhecidos e homens virtuosos, mas não pode ter santos.

10/11/12

OS ERROS DE LUTÉRO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL (VI)

(continuação da V parte)


OS ERROS DE LUTERO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL
Pe. Franz Schmidberger

A negação da liberdade conduz Lutero necessariamente a declarar vã e ainda temerária toda a iniciativa humana sobrenatural ou toda a acção da Igreja, isto com todas as consequência que dai derivam: a ideia de um sacrifício propiciatório contradiz directamente as instituições de Cristo, uma "satisfação vicaria" da Igreja e dos seus membros convertem-se num desprezo dos méritos de Cristo e ao fim de contas uma blasfémia contra Deus. As ideias de penitência, mortificação, renascimento e sacrifício perdem todo o sentido e não são admitidas a não ser eventualmente como sinais longínquos da fé.

Enfim, para Lutero a fé não é mais que uma participação no conhecimento de Deus e a aceitação da sua revelação, é mais uma espécie de confiança cega e irracional nos méritos de Cristo.

Da negação da libertação do homem se dão duas consequências fundamentais: por um lado,toda a ordem moral é derrubada; e por outro não pode haver criaturas transformadas pela graça de Deus, como sejam os santos.

Vejamos alguns exemplos de alterações na moral.

Na vida quotidiana, a moral conjugal protestante difere notoriamente da católica; para que se veja tal bastará considerar o número de nascimentos nas regiões católicas e comparar com o número de filhos nas regiões protestantes.

Na vida pessoal, a concepção protestante modifica profundamente a mentalidade. As estatísticas mostram por exemplo, que um sacerdote católico morre dez anos mais jovem que um pastor protestante. Há várias razões: o sacerdote católico oferece-se cada dia no santo Sacrifício da missa como vítima expiatória com Cristo e dá a vida pelas suas ovelhas; deve levantar-se cedo para rezar o seu breviário, escutar confissões; deve administrar inclusivamente durante a noite a extrema unção aos doentes; morre com o coração quebrado pelo amor de Deus e das almas.

O pastor protestante vive em modos diferentes: é presidente da comunidade, prepara durante a semana o seu sermão e o canto comunitário, organiza a paróquia e celebra de tanto em tanto tempo a ceia com a comunidade; não tem o sacrifício a celebrar, confissões a fazer, viático que levar, extrema para administrar; chega ao domingo à igreja, que é mais uma sala de reuniões (não a casa de Deus vivo), para que, logo que realizada a cerimónia, encerrar até ao domingo seguinte.

05/11/12

OS ERROS DE LUTÉRO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL (V)

(continuação da IV parte)


OS ERROS DE LUTERO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL
Pe. Franz Schmidberger


D - Assim, a Igreja é a prolongação, a extensão e a continuidade de nosso senhor jesus Cristo. Tem uma Hierarquia visível e sacramentos, sinais visíveis que expressam e contêm a graça invisível e a transmitem.

É como um recipiente que contem a fé e a graça. Desta forma as boas obras contêm e guardam a fé. não são uma consequência da fé a longo ou curto prazo, mas sim a fé vivida.

E - O mistério cristão não é unicamente um mistério de iluminação do espírito senão um mistério que toca absolutamente todas as faculdades da alma e também do corpo. A inteligência é iluminada pela fé, a vontade é inflamada pela caridade divina, o coração é inundado pela beleza eterna, o corpo é espiritualizado. Como se manifesta a caridade? Pelas obras!

Se considerarmos as obras como sinal e fruto da caridade cristã, a doutrina da "sola fide" se apresenta então como o verdugo da maior das virtudes, aquela que, segundo S. Paulo, ultrapassa e sobrevem à fé e à esperança: a caridade, que é a única que permanece porque é eterna.

III
"Sola Gratia"

Lutero não quis aceitar a ideia da colaboração do homem na obra da sua justificação e da sua santificação. Para ele a graça de Deus faz tudo, ela obra absolutamente sozinha.

Chegou a esta negação pelo falso conceito de pecado original e suas consequências: segundo ele, na queda, a natureza humana não só foi ferida gravemente, tal como ensina a Santa Igreja, mas foi completamente destruída, incluindo e principalmente o livre arbítrio. De tal forma que o homem já não possuisse nenhuma capacidade para receber as mensagens divinas, nem receptáculo para receber a graça, chegando assim a ser surdo ao chamamento de Deus e absolutamente incapaz de cooperar de qualquer maneira com a sua cura e salvação. É lógico, portanto, que Lutero considere a justificação como um processo puramente extrinseco: Deus lança sobre o pecador o manto dos méritos de jesus cristo e o delcara justificado, enquanto o pecador permanece interiormente no mesmo estado, sem a menor transformação.

Para os católicos, a justificação é uma verdadeira passagem interior do estado de pecador ao estado de justo, e a sua manifestação exterior vai a par desta transformação da sua alma por meio da graça. S. Paulo chama os primeiros cristãos com estes nomes: purificados, justificados, santificados, bem-amados de Deus.

12/09/12

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 1 (II)

Continuação da I parte


Liberdade de pensar

É esta ["a nova pestilência"] que foi posta em cena pelos heróis, e campeões do que então se chamou tão pomposa como falsamente REFORMA, sempre o nome predilecto, e a gavadinha dos que se querem engrandecer, ou fazerem-se célebres à custa alheia. Concebida nas entranhas de um Frade soberbo, inteligente, e revoltoso a quem os da sua quadrilha trataram logo de Santo em carne porque mui Liberal na satisfação dos desejos da carne, dava largas aos monges para desertarem do Claustro, às Freiras para abandonarem os seus Conventos, aos Príncipes para terem mulher proprietária e mulher substituta, aos Reis para devorarem o património dos Mosteiros, e lançarem mão aos turíbulo decidindo, e legislando em matérias Eclesiásticas... não deixou nem podia deixar de ter inúmeráveis criaturas, e deitando raízes por toda a parte (excepto em Portugal e suas conquistas o que se deve ao Santo ofício que só ele nos livrou de sermos Luteranos Calvinistas, Anabaptistas, e Socinianos) a poucos passos de sua existência, e para se desassombrar de alguns Reis que bem aconselhados não estiveram pelos autos, e disputaram aos novos Reformadores esta prerrogativa  que nem Deus, nem os homens lhe dão, e que só eles de motu proprio assumiam, e exerciam, espalhou um dogma político das mais infaustas, e desastrosas consequências, a saber:

(continuação, III parte)

01/03/12

RETRATO DE CALVINO, DOS SEUS DISCÍPULOS E COOPERADORES (VII)


"Daqui a aversão com que os calvinistas olham a flor de liz, até ao ponto de suprimí-la da terra em que brota e de não a deixar crescer nos seus jardins. (Conr. Schlussenb. in Theol. Clav. lib. II, fol, 72)

Eis também aqui o retrato que deste panegirista de Calvino e herdeiro da sua supremacia em Genebra nos deixou Heshusio, luterano: "Quem não se maravilha da incrível audácia deste monstro, cuja vida vergonhosa e infame é conhecida em toda a França pelos seus epigramas obscenos e cínicos? Contudo, ao ouvi-lo julgareis que era um Santo, um Job, um dos anacoretas do deserto e mais digno que S. Paulo ou S. João. Tanto é o que se esforça em apregoar por toda a parte a história do seu desterro, dos seus trabalhos, da sua pureza, e da admirável santidade da sua vida como aqueles de quem dizia Juvenal; Qui curios simulant, et bacchanalia vivit" (Heshusins, vers. Florim., fol 1:048)

Beza, diz outro escritor é o protótipo daquele homens ignorantes e grosseiros que, à falta de razão e argumentos, lançam mão das injúrias, ou daqueles herejes que não têm outro meio de defesa do que os insultos... Este homem imundo, todo artifício ou impiedade, refere as suas satíricas blasfémias como se fosse um demónio encarnado."

O mesmo autor acrescenta que depois de gastar vinte e oito anos em ler mais de duzentas e vinte publicações calvinistas, em nenhuma tinha encontrado tantas injúrias e blasfémias como nos escritos desta fera..... e que se algum o pusesse em dúvida, não tinha mais do que passar a vista pelos seus famosos diálogos contra o doutor Heshusio, os quais não parecem escritos por um homem, mas pelo mesmo Belzebu em pessoa.

"Eu me horrorizava, continua, de referir as obcenas blasfémias que este ser impuro e ateu vomitou contra um dos assuntos mais dignos de veneração com uma mistura nauseabunda de impiedade e charlataneria. Sem dúvida tinha molhado a sua pena em tinta do inferno."

Dir-se-ha talvez que os luteranos não merecem credito pela mesma razão que são antagonistas dos huguenotes. Contudo, nada tenho dito que não esteja testemunhado pelos mesmos calvinistas. Louvam estes Beza como escritor erudito e elegante; mas, enquanto aos seus costumes apresentam-no como um dos homens mais malvados daquele tempos: libertino, ímpio e profanador das coisas mais santas, zomba delas com momices próprias somente de um ateu; cruel e sanguinário, está sempre disposto a inspirar os mais negros e execráveis atentados; impudente e dissoluto, está submergido no lado das mais degradantes paixões, como transparece nas suas Juvenilia, e principalmente daquele epigrama em que, aludindo à sua favorita Cândida e ao seu amante, tem o cinismo de não só acusar-se, mas até de jactar-se do mais abominável delito.

Para iludir as pesquisas do Parlamento e fugir à fogueira, vendeu o priorato em que estava investido e um pequeno benefício que possuía por resignação do seu tio Nicolau Beza, e fugiu para Genebra em companhia da sua Cândida, que era mulher de um alfaiate de Paris, chamada Cláudia, e que seduzida por Beza, se casou com ele vivendo ainda seu esposo.

Deste modo iniciou a sua reforma: com um adultério permanente, que o fazia digno de morte, segundo todas as leis divinas e humanas (Bolzec. Vt. Theod. Beza.).

Com pouco que se diga de Melanchthon, teremos feito o seu retrato. Luterano a princípio, zuingliano depois e mais tarde calvinista; perplexo e vacilante no seu exterior, mas sempre incrédulo no seu coração, não se conhecia vulgarmente se não com o nome de catavento da Alemanha. Por causa desta perpétua inconstância lhe recusaram os seus próprios partidários as honras dos funerais, aplicando-se-lhe com muita oportunidade este verso: Nunc me Ponthus habet,  jactantque in littora venite (Le minst. eccla fol. 191)."

("O Protestantismo Desmascarado, Sua Origem, Natureza e Efeitos" - Propaganda Catholica - Bibliotheca de Vulgarização Religiosa (151.152.153). Padre JOÃO PERRONE, da Companhia de Jesus. Fafe, 1909)

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