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16/04/17
05/04/15
ASCENDENS - Páscoa 2015
27/04/14
PÁSCOA de 1500 - CHEGADA A TERRAS DE VERA CRUZ
Sem pedir autorização, tomo a liberdade de publicar um texto de um sacerdote brasileiro, amigo meu. Com esta publicação, dou também a minha parte de agradecimento ao Senhor Padre em questão:
"A primeira missa também foi um marco para o inicio da história do Brasil. No dia 22 de abril de 1500 chegaram as 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral. Ao avistar um monte do mar, chamou de Monte Pascoal já que era o oitavo dia da Páscoa. Ao desembarcarem foram recebidos por aproximadamente dezoito índios e trocaram presentes. A bordo de suas caravelas novamente, subiram um pouco para um lugar mais protegido e foram parar na praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro, no litoral sul da Bahia.
"A primeira missa também foi um marco para o inicio da história do Brasil. No dia 22 de abril de 1500 chegaram as 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral. Ao avistar um monte do mar, chamou de Monte Pascoal já que era o oitavo dia da Páscoa. Ao desembarcarem foram recebidos por aproximadamente dezoito índios e trocaram presentes. A bordo de suas caravelas novamente, subiram um pouco para um lugar mais protegido e foram parar na praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro, no litoral sul da Bahia.
Foi exatamente ali que foi celebrada a primeira missa em solo brasileiro, no dia 26 de abril. Segundo narra o escrivão Pero Vaz de Caminha em uma carta para o rei de Portugal, D. Manuel, depois 47 dias navegando pelo oceano Atlântico, ao chegarem na praia da Coroa Vermelha, dois carpinteiros fizeram uma cruz e a colocaram na areia. A missa foi celebrada pelo Frei Henrique com mais alguns clérigos.
Foram convocados mil homens, entre oficiais e marinheiros e havia cerca de duzentos índios que acompanhavam atentamente ao que acontecia, com muito respeito e adoração. Os índios seguiam os mesmos gestos dos portugueses, se eles levantavam, eles também levantavam, se eles ajoelhavam, eles também ajoelhavam. Depois de terminada a cerimônia o sacerdote fez uma pregação narrando a vinda dos portugueses. Vaz de Caminha acreditava também que a conversão dos índios não seria difícil, já que eles foram muito respeitosos quanto a religião.
Nos dias seguintes, os portugueses tentaram mostrar para os índios o respeito que tinham com a cruz, se ajoelharam um por um e a beijaram. Alguns índios fizeram o mesmo gesto, o que fez com que fossem considerados inocentes e fáceis de evangelizar. Vaz de Caminha pede ainda para o rei que venha logo o clérigo para batizá-los a fim de conhecerem mais sobre a fé deles.
A segunda missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí. E assim, deu-se início ao que hoje é considerado o maior país católico do mundo.
Obrigado Senhor!
Obrigado Portugal!"
Foram convocados mil homens, entre oficiais e marinheiros e havia cerca de duzentos índios que acompanhavam atentamente ao que acontecia, com muito respeito e adoração. Os índios seguiam os mesmos gestos dos portugueses, se eles levantavam, eles também levantavam, se eles ajoelhavam, eles também ajoelhavam. Depois de terminada a cerimônia o sacerdote fez uma pregação narrando a vinda dos portugueses. Vaz de Caminha acreditava também que a conversão dos índios não seria difícil, já que eles foram muito respeitosos quanto a religião.
Nos dias seguintes, os portugueses tentaram mostrar para os índios o respeito que tinham com a cruz, se ajoelharam um por um e a beijaram. Alguns índios fizeram o mesmo gesto, o que fez com que fossem considerados inocentes e fáceis de evangelizar. Vaz de Caminha pede ainda para o rei que venha logo o clérigo para batizá-los a fim de conhecerem mais sobre a fé deles.
A segunda missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí. E assim, deu-se início ao que hoje é considerado o maior país católico do mundo.
Obrigado Senhor!
Obrigado Portugal!"
03/04/13
OFÍCIOS DIVINOS QUE TINHAM OS PORTUGUESES EM FEZ E MARROCOS
Como em Fez e em Marrocos tinham os Cristãos Missa e pregação e os mais Ofícios Divinos.
"Em que ainda mais resplandeceu o cativeiro dos Cristãos em Fez e em Marrocos, para honra de Deus, foi o favorecê-los o Xarife, como atrás dissemos, e dar licença de se celebrar o culto Divino, o qual se fazia com muita solenidade dos Ministros e devoção dos ouvintes; com isto se consolavam as almas dos devotos, porque além de dizerem cada dia missas rezadas e cantadas na semana, também havia pregação com que se animavam a sofrer o terrível cativeiro. Nas Quaresmas e em outros dias pregava o Pe. Fr. Vicente da Fonseca da ordem dos Pregadores, que depois foi Arcebispo de Goa, e o Dr. Pedro Martins da Companhia de Jesus, que se perdeu indo à conversão dos gentios da Índia na mau S. Tiago, onde Fernão de Mesquita ia por capitão; Fr. Tomé de Jesus, Religioso de Sto. Agostinho, irmão da Condessa de Linhares, e Fr. Luís das Chagas, frade de S. Francisco, os quais, e outros Sacerdotes seculares e regulares, que lá havia ouviam muito frequentemente as confissões a todo o género de católico cativo, administrando-lhes os Sacramentos, com o qual exercício se consolavam muito, e chegou a liberdade dos Cristãos a tanto que fizeram o Ofício das Endoenças a canto de órgão com todo o aparato como se fôra na Cidade de Lisboa, e esteve o Santíssimo Sacramento encerrado em um cálice dourado por não haver custódia, o qual cálice Martim de Castro do Rio resgatou em Fez da mão dos mouros com uma grande quantidade de relíquias de ossos de muitos santo que em Lisboa eu tive nas mãos; mas porque não faltasse alguma coisa, ordenaram os Cristãos uma procissão em quinta feira de endoenças à noite, onde houve muitos disciplinantes; e ordenaram na manhã da Ressurreição fazer procissão muito alegre, com que os Cristãos davam graças a Deus. Desta maneira andavam os Cristãos cativos muito a alegres, que quase não sentiam seu cativeiro; não faltaram a estas obras outras de sepultar os mortos, visitar os enfermos, e suprir com esmolas aos necessitados."
(DA MOURA, Miguel. Chronica do Cardeal Rei D. Henrique, Lisboa 1840. Cap. XXXII)
30/03/13
DOMINGO DE PÁSCOA - Sermão de Sto. AFONSO DE LIGÓRIO
DOMINGO DE PÁSCOA
- Desgraçado Estado da Recaída -
"Não temais; buscai a Jesus Nazareno que foi crucificado; ressuscitou, não está aqui"
(Marcos 16. 6)
Espero, ó cristãos, meus irmãos, que, no Santo dia da Páscoa em que Jesus está ressuscitado, estejais também ressuscitados da morte do pecado pela confissão. mas tomais atenção ao que diz S. Jerónimo, que muitos começam bem e poucos perseveram: "Há muitos para começar e poucos para perseverar". Além destas palavras, o Espírito Santo avisa-nos que, não é o começo de boa vida mas sim a perseverança que nos salva: Quem perseverar até ao fim, este será salvo (Mat. 24, 13). A Coroa do Paraíso, diz São Bernardo, é somente prometida àqueles que começam; mas não é dada senão àquele que perseveram (Sermão 6, A Maneira de Bem Viver). Ora, meus irmãos, visto que estais determinados a entregar-vos a Deus, ouvi o que vos diz o Espírito Santo: "Filhos, entrando no serviço de Deus, preparai a vossa alma para a tentação." (Ecles. 2, 1). Não acrediteis que já não há tentações para vós. Preparai-vos, ao contrário para combater e guardai-vos de cair nas mesmas faltas das quais vos tendes já confessado; porque se perdeis de novo a graça de Deus, será mais difícil de a recuperar. Eis o que quero mostrar-vos hoje; O estado infeliz daqueles que cometem novamente as mesmas faltas que lhes foram remetidas na confissão.
1. Quando vos tendes confessado, cristão, meus irmãos, Jesus Cristo diz-vos tal como ao paralítico: Eis que estás são; não peques mais, para que não suceda coisa pior (João 5, 14). Pela confissão, a vossa alma foi curada; está curada, mas ainda não salva; porque se voltais ao pecado perdê-la-eis de novo, e o mal da recaida será muito maior do que o das quedas precedentes: Ouvi, diz S. Bernardo, é pior recair do que cair. Se, depois de ter sido curado duma doença mortal, se cai a recair nela, as forças estão tão esgotadas que, desta vez, é impossível restabelecer-se. Assim acontece àqueles que recaem no pecado: voltando ao vómito, sto é, voltando ao pecado que tinham como que vomitado na confisão, ficam tão fracos que tornam a ser boneco do demónimo. Santo Anselmo diz que o inimigo dos homens adquire sobre nós um tal império pelas recaídas, que a seguir nos faz cair e recair, como quer, de maneira que nos tornamos semelhantes a estas aves tornadas boneca nas mãos das crinaças, que lhes permitem elevar-se no ar de vez em quando, mas que de novo trazem consigo quando quiserem, puxando o fio que as prende. Assim lida o demónio com aqueles que recaem. Mas porque estão presos pelo inimigo, aqueles que volvem no mesmo vício, serão derrubados.
2. Lemos em S. Paulo que os inimigos que temos de combater, não são homens de carne e de sangue como nós, mas príncipes dos infernos: Porque nós não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os Principados e Potestades, contra os Dominadores deste mundo tenebroso e contra os espíritos malignos espalhados pelos ares (Efesios 6. 12). Nesta passagem, avisa-nos que não somos assaz fortes para resistir aos poderes do Inferno, e que o auxílio de Deus nos é absolutamente necessário, sem o qual seríamos sempre vencidos. Ao contrário, quando Deus nos ajuda, tudo nos é possível e triunfamos, dizendo com o mesmo Apóstolo: "Tudo eu posso n'Aquele que me conforta." (Filipenses 4. 13). Mas este auxílio, Deus não concede senão àqueles que Lho pedem pela oração: "Pedi e vos será dado; buscai, e achareis, batei, e abrir-se-vos-á." (Mat. 7. 7). Aquele que o não pede, não o obterá. Assim não nos fiemos nas nossas boas resoluções; se buscarmos o fundamento nelas, estamos perdidos; mas quando estamos tentados de recair no pecado, invistamos toda a nossa confiança no auxílio de Deus que ouve sempre aquele que Lhe reza.
3. "Quem, pois julga estar de pé, veja se não caia." (1 Cor. 10, 12). Aquele que entrou na graça de Deus, deve, como diz aqui S. Paulo, estar atento em não recair no pecado, sobretudo se anteriormente cometeu pecados mortais; porque a recaída daquele que já perdeu a graça torna o seu estado pior que o primeiro: "E o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro." (Lucas 11. 16).
4. Lê-se na Sagrada Escritura que o inimigo oferece sacrifício à sua nassa (para a pesca) e queima oferendas à sua rede, para que por elas é abundante a sua porção, e o seu manjar escolhido (Habacuc 1. 16). Estas passagens, S. Jerónimo no-las explica dizendo que o demónio tenta prender todos os homens nas suas redes, para os sacrificar à justiça Divina, operando a condenação deles; todavia não deixa enlaçar com novas correntes estes homens já presos, fazendo-os cometerem novos pecados; mas, seu manjar escolhido, a presa que ele prefere, são aqueles que se reconciliarem com Deus; Com estes ele redobra o esforço e tentação, para os trazer consigo à escravidão e os fazer perder o bem que adquiriram. S. Dionísio-le-Chartreux escreve: Quanto com mais força alguém se esforça em servir a Deus, tanto mais enérgico contra ele se enfurece o inimigo. Quanto mais um cristão se une a Deus e se esforça em seri-l'O, tanto mais o inimigo redobra de raiva e tenta entrar nas sua alma, donde foi expulso, dizendo, como se lê em S. Lucas: "Quando o espírito imundo saiu de um homem, anda por lugares áridos, buscando repouso. Não o encontrando, diz: voltarei para minha casa, donde saí." (Lucas 11. 24). E se conseguir entrar nela, não entra sozinho, mas com companheiros, para consolidar a sua posição aí, de maneira que este segundo cativeiro da alma seja pior do que o primeiro: "Então vai, toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando ali, se instalam. E o último estado do homem torna-se pior do que o primeiro." (Lucas 11. 26).
5. Noutro lado, Deus irrita-se mais da recaída dum ingrato que o Seu amor chamou e perdoou, e que Ele o vê abandonar-se de novo ao pecado e renunciar à Sua graça, esquecendo a Sua misericórdia que Ele exerceu para com ele: Se Me tivesse ultrajado o inimigo, tolerá-lo-ia... "Mas tu, um homem igual a Mim, Meu amigo e familiar com quem partilhava comida doce." (Salmo 54. 13). Deus diz assim: Se tivesse sido ofendido por um inimigo, teria Eu menos indignação, mas ver que tu te viras contra Mim, tu que eu fiz sentar à minha mesa e alimentei com a minha própria carne, isso irrita-Me mais e leva-Me a punir-te. Ah! desgraçado, aquele que do estado de amigo de Deus no qual desfrutava de tantas graças, passa voluntariamente ao estado do Seu inimigo! Em breve, será atingido pelo gládio da vingança Divina: "E aquele que passa da justiça ao pecado, a este último reservou Deus para a romphaeam (espada longa)." (Eclesiástico 26. 27).
6. Alguém responderá: Mas se recaio, reerguer-me-ei prontamente, porque tenciono confessar-me logo. A este acontecerá tal como a Sansão, que enganado por Dalila, e despojado da sua cabeleira que fazia a sua força, dizia ao despertar do sono: "Desembaraçar-me-ei deles como das outras vezes. Ignorava Sansão, acrescenta a Escritura Santa, que o Senhor Se tinha retirado dele." (Juízes 16. 20). Contava libertar-se das mãos dos filisteus, como fazia até então, mas privado da sua força, foi reduzido por eles em escravidão; os filisteus vazaram-lhe os olhos primeiro e ecerraram-no carregado de correntes numa jaula. Assim o pecador, depois da recaída, perde a sua força de resistir às tentações, porque o Senhor Se tinha retirado dele: O Senhor abandona-o, e priva-o do seu auxílio, sem o qual não pode resistir, e assim o desgraçado fica cego e mergulhado no seu pecado.
7. "Ninguém, que depois de ter metido a mão no arado e olhar para trás, é apto para o reino de Deus." (Lucas 9. 62). Isto é a imagem do pecador que recai. Notai bem esta palavra ninguém: Ninguém, diz Jesus Cristo, que Me quer servir, e que volta para trás, é apto para entrar no paraíso. Origenes diz que juntar um pecado a um pecado é juntar uma ferida a uma ferida (Orig. Hom.. 1. em Salmos). Se alguém apanha um golpe violento sobre um membro, com certezaeste membro não terá o mesmo vigor; mas se apanha ainda um segundo, o membro perderá toda a sua força, todo o movimento, sem esperança de ver as forças renascer. Eis o grande mal que a decaída causa na alma: que é o de a enfraquecer, e de deixar ficar impotente contra as tentações; São Tomás d'Aquino diz: "Cada pecado, uma vez perdoado, deixa sempre a ferida causada pela falta cometida." (1. Pars p. 86. art. 5). A tal ponto que se uma nova ferida se junta a uma passada, sesta última enfraquece a alma a tal ponto que sem uma graça especial e extraordinária do Senhor, é-lhe impossível resistir às tentações.
8. Trememos portanto, meus irmãos, para não recair no pecado, e não abusemos da misericórdia de Deus em continuarmos a ofender Deus. Santo Agostinho diz: Deus que prometeu o perdão ao penitente, não prometeu a graça de se arrepender. A contrição é um puro dom de Deus; se nos recusa este dom, como vos arrependereis? E sem arrependimento, como obtereis o perdão? "Cautela porque não se zomba de Deus: não vos enganeis: de Deus não se zomba" (Gal. 6.7). Santo Isidro diz que quem recai no pecado do qual se arrependeu, já não é penitente, mas zomba de Deus (S. Isidoro, De Summo Bono). Acrescentai esta palavra de Tertuliano: "Lá onde não há melhoramento, não houve arrependimento verdadeiro." (Tertull. De paenitencia).
9. S. Belarmino pregava assim: "Arrependei-vos pois, e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados" (Actos 3.19). Muitos arrependem-se, mas não se convertem; têm alguns remorsos da sua vida desregrada mas não regressam a Deus sinceramente. Confessam-se, batem no seu peito, prometem emendar-se, mas sem tomarem uma firme resolução de mudar de vida. Aquele que toma uma firme resolução preserva nela, ou ao menos mantém-se longo tempo em estado de graça. Mas aqueles que, depois da confissão, logo caiem, mostram que se arrependeram mas não se converteram, como diz S. Pedro, e chegam por fim a uma morte funesta. S. Gregório escreveu: "A maior parte dos maus arrepende-se assim para a justiça, tal como a maior parte dos bons é tentada para a culpa." (Past. P. 3 Admon. 31). Quer dizer por isso, que da mesma maneira que os bons sentem muitas vezes tentações para o mal, mas sem pecar, porque a sua vontade está toda inclinada ao contrário; assim também os pecadores sentem inclinações para o bem, mas que não basta para determinar a sua conversão. O sábio avisa-nos que a misericórdia de Deus não está adquirida para quem comente confessa os seus pecados, mas para quem ao mesmo tempo, os confessa e se desapega deles. "Aquele porém que os confessar e se retirar deles alcançará misericórdia." (Provérbios 28, 31). Aquele portanto que depois da confissão continua a pecar, não obtem a misericórdia, mas morrerá vítima da Justiça Divina; Como aconteceu a um jovem na Inglaterra, segundo o que se encontra na história deste reino. Era possuído duam paixão desonesta, na qual recaía sem cessar, confessando-se e recaindo sempre; chegando à hora da morte, confessou-se de novo e pareceu morrer com os sinais da salvação. Mas quando um sacerdote Santo celebrava o ofício ou se preparava a fazê-lo para o auxílio da sua alma, o jovem apareceu-lhe e diz-lhe que estaca condenado; Acrescentou que ao instante da morte, apanhado por um mau pensamento, sentiu-se forçado a aderir a ele, como costumava fazer nos tempos decorridos, e assim se perdeu.
(Amanhã continuará, se Deus quiser).
3. "Quem, pois julga estar de pé, veja se não caia." (1 Cor. 10, 12). Aquele que entrou na graça de Deus, deve, como diz aqui S. Paulo, estar atento em não recair no pecado, sobretudo se anteriormente cometeu pecados mortais; porque a recaída daquele que já perdeu a graça torna o seu estado pior que o primeiro: "E o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro." (Lucas 11. 16).
4. Lê-se na Sagrada Escritura que o inimigo oferece sacrifício à sua nassa (para a pesca) e queima oferendas à sua rede, para que por elas é abundante a sua porção, e o seu manjar escolhido (Habacuc 1. 16). Estas passagens, S. Jerónimo no-las explica dizendo que o demónio tenta prender todos os homens nas suas redes, para os sacrificar à justiça Divina, operando a condenação deles; todavia não deixa enlaçar com novas correntes estes homens já presos, fazendo-os cometerem novos pecados; mas, seu manjar escolhido, a presa que ele prefere, são aqueles que se reconciliarem com Deus; Com estes ele redobra o esforço e tentação, para os trazer consigo à escravidão e os fazer perder o bem que adquiriram. S. Dionísio-le-Chartreux escreve: Quanto com mais força alguém se esforça em servir a Deus, tanto mais enérgico contra ele se enfurece o inimigo. Quanto mais um cristão se une a Deus e se esforça em seri-l'O, tanto mais o inimigo redobra de raiva e tenta entrar nas sua alma, donde foi expulso, dizendo, como se lê em S. Lucas: "Quando o espírito imundo saiu de um homem, anda por lugares áridos, buscando repouso. Não o encontrando, diz: voltarei para minha casa, donde saí." (Lucas 11. 24). E se conseguir entrar nela, não entra sozinho, mas com companheiros, para consolidar a sua posição aí, de maneira que este segundo cativeiro da alma seja pior do que o primeiro: "Então vai, toma consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando ali, se instalam. E o último estado do homem torna-se pior do que o primeiro." (Lucas 11. 26).
5. Noutro lado, Deus irrita-se mais da recaída dum ingrato que o Seu amor chamou e perdoou, e que Ele o vê abandonar-se de novo ao pecado e renunciar à Sua graça, esquecendo a Sua misericórdia que Ele exerceu para com ele: Se Me tivesse ultrajado o inimigo, tolerá-lo-ia... "Mas tu, um homem igual a Mim, Meu amigo e familiar com quem partilhava comida doce." (Salmo 54. 13). Deus diz assim: Se tivesse sido ofendido por um inimigo, teria Eu menos indignação, mas ver que tu te viras contra Mim, tu que eu fiz sentar à minha mesa e alimentei com a minha própria carne, isso irrita-Me mais e leva-Me a punir-te. Ah! desgraçado, aquele que do estado de amigo de Deus no qual desfrutava de tantas graças, passa voluntariamente ao estado do Seu inimigo! Em breve, será atingido pelo gládio da vingança Divina: "E aquele que passa da justiça ao pecado, a este último reservou Deus para a romphaeam (espada longa)." (Eclesiástico 26. 27).
6. Alguém responderá: Mas se recaio, reerguer-me-ei prontamente, porque tenciono confessar-me logo. A este acontecerá tal como a Sansão, que enganado por Dalila, e despojado da sua cabeleira que fazia a sua força, dizia ao despertar do sono: "Desembaraçar-me-ei deles como das outras vezes. Ignorava Sansão, acrescenta a Escritura Santa, que o Senhor Se tinha retirado dele." (Juízes 16. 20). Contava libertar-se das mãos dos filisteus, como fazia até então, mas privado da sua força, foi reduzido por eles em escravidão; os filisteus vazaram-lhe os olhos primeiro e ecerraram-no carregado de correntes numa jaula. Assim o pecador, depois da recaída, perde a sua força de resistir às tentações, porque o Senhor Se tinha retirado dele: O Senhor abandona-o, e priva-o do seu auxílio, sem o qual não pode resistir, e assim o desgraçado fica cego e mergulhado no seu pecado.
7. "Ninguém, que depois de ter metido a mão no arado e olhar para trás, é apto para o reino de Deus." (Lucas 9. 62). Isto é a imagem do pecador que recai. Notai bem esta palavra ninguém: Ninguém, diz Jesus Cristo, que Me quer servir, e que volta para trás, é apto para entrar no paraíso. Origenes diz que juntar um pecado a um pecado é juntar uma ferida a uma ferida (Orig. Hom.. 1. em Salmos). Se alguém apanha um golpe violento sobre um membro, com certezaeste membro não terá o mesmo vigor; mas se apanha ainda um segundo, o membro perderá toda a sua força, todo o movimento, sem esperança de ver as forças renascer. Eis o grande mal que a decaída causa na alma: que é o de a enfraquecer, e de deixar ficar impotente contra as tentações; São Tomás d'Aquino diz: "Cada pecado, uma vez perdoado, deixa sempre a ferida causada pela falta cometida." (1. Pars p. 86. art. 5). A tal ponto que se uma nova ferida se junta a uma passada, sesta última enfraquece a alma a tal ponto que sem uma graça especial e extraordinária do Senhor, é-lhe impossível resistir às tentações.
8. Trememos portanto, meus irmãos, para não recair no pecado, e não abusemos da misericórdia de Deus em continuarmos a ofender Deus. Santo Agostinho diz: Deus que prometeu o perdão ao penitente, não prometeu a graça de se arrepender. A contrição é um puro dom de Deus; se nos recusa este dom, como vos arrependereis? E sem arrependimento, como obtereis o perdão? "Cautela porque não se zomba de Deus: não vos enganeis: de Deus não se zomba" (Gal. 6.7). Santo Isidro diz que quem recai no pecado do qual se arrependeu, já não é penitente, mas zomba de Deus (S. Isidoro, De Summo Bono). Acrescentai esta palavra de Tertuliano: "Lá onde não há melhoramento, não houve arrependimento verdadeiro." (Tertull. De paenitencia).
9. S. Belarmino pregava assim: "Arrependei-vos pois, e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados" (Actos 3.19). Muitos arrependem-se, mas não se convertem; têm alguns remorsos da sua vida desregrada mas não regressam a Deus sinceramente. Confessam-se, batem no seu peito, prometem emendar-se, mas sem tomarem uma firme resolução de mudar de vida. Aquele que toma uma firme resolução preserva nela, ou ao menos mantém-se longo tempo em estado de graça. Mas aqueles que, depois da confissão, logo caiem, mostram que se arrependeram mas não se converteram, como diz S. Pedro, e chegam por fim a uma morte funesta. S. Gregório escreveu: "A maior parte dos maus arrepende-se assim para a justiça, tal como a maior parte dos bons é tentada para a culpa." (Past. P. 3 Admon. 31). Quer dizer por isso, que da mesma maneira que os bons sentem muitas vezes tentações para o mal, mas sem pecar, porque a sua vontade está toda inclinada ao contrário; assim também os pecadores sentem inclinações para o bem, mas que não basta para determinar a sua conversão. O sábio avisa-nos que a misericórdia de Deus não está adquirida para quem comente confessa os seus pecados, mas para quem ao mesmo tempo, os confessa e se desapega deles. "Aquele porém que os confessar e se retirar deles alcançará misericórdia." (Provérbios 28, 31). Aquele portanto que depois da confissão continua a pecar, não obtem a misericórdia, mas morrerá vítima da Justiça Divina; Como aconteceu a um jovem na Inglaterra, segundo o que se encontra na história deste reino. Era possuído duam paixão desonesta, na qual recaía sem cessar, confessando-se e recaindo sempre; chegando à hora da morte, confessou-se de novo e pareceu morrer com os sinais da salvação. Mas quando um sacerdote Santo celebrava o ofício ou se preparava a fazê-lo para o auxílio da sua alma, o jovem apareceu-lhe e diz-lhe que estaca condenado; Acrescentou que ao instante da morte, apanhado por um mau pensamento, sentiu-se forçado a aderir a ele, como costumava fazer nos tempos decorridos, e assim se perdeu.
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