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03/05/15

POEMA - A ElRei D. JOÃO IV

A ElRei D. João IV

"Que logras Portugal? Um rei perfeito.
Quem o constituiu? Sacra piedade.
Que alcançaste com ele? A liberdade.
Que liberdade tens? Ser-lhe sujeito.
Que tens na sujeição? Honra e proveito.
Que é o novo rei? Quase deidade.
Que ostenta nas acções? Felicidade.
E que tem de feliz? Ser por Deus feito.
Que eras antes dele? Um labirinto.
Que te julgas agora? Um firmamento.
Temes alguém? Não temo a mesma Parca.
Sentes alguma pena? Uma só sinto.
Qual é? Não ser um mundo, ou não ser cento
Para ser mais capaz de tal Monarca."

(Sóror Violante do Céu, a Décima Musa)

24/08/14

BABEL E SIÃO - Luís Vaz de Camões

BABEL E SIÃO
(redondilhas sobre o Salmo 137)



Sôbolos rios que vão
Por Babilónia, me achei,
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião
E quanto nela passei.
Ali, o rio corrente
De meus olhos foi manado;
E, tudo bem comparado,
Babilónia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.

Ali, lembranças contentes
Na alma se representaram;
E minhas cousas ausentes
Se fizeram tão presentes,
Como se nunca passaram.
Ali, depois de acordado,
Co'o rosto banhado em água,
Deste sonho imaginado,
Vi que todo o bem passado,
Não é gosto, mas é mágoa.

E vi que todos os danos
Se causavam das mudanças
E as mudanças dos anos;
Onde vi quantos enganos
Faz o tempo às esperanças.
Ali vi o maior bem
Quão pouco espaço que dura;
O mal que depressa vem,
E quão triste estado tem
Quem se fia da ventura.

Vi aquilo que mais vale,
Que então se entende melhor,
Quanto mais perdido for;
Vi ao bem suceder mal
E, ao mal, muito pior.
E vi com muito trabalho
Comprar arrependimento.
Vi nenhum contentamento,
E vejo-me a mim, que espalho
Tristes palavras ao vento.

Bem são rios estas águas
Com que banho este papel;
Bem parece ser cruel
Variedade de mágoas
E confusão de Babel.
Como homem que, por exemplo,
Dos transes em que se achou,
Depois que a guerra deixou,
Pelas paredes do templo
Suas armas pendurou;

Assim, depois que assentei
Que tudo o tempo gastava,
Da tristeza que tomei,
Nos salgueiros pendurei
Os órgãos com que cantava.
Aquele instrumento ledo
Deixei da vida passada,
Dizendo: – Música amada,
Deixo-vos neste arvoredo,
À memória consagrada.

Frauta minha, que, tangendo,
Os montes fazíeis vir
Pera onde estáveis correndo,
E as águas, que iam descendo,
Tornavam logo a subir,
Jamais vos não ouvirão
Os tigres, que se amansavam;
E as ovelhas que pastavam,
Das ervas se fartarão
Que por vos ouvir deixavam.

Já não fareis docemente
Em rosas tornar abrolhos
Na ribeira florescente;
Nem poreis freio à corrente,
E mais se for dos meus olhos.
Não movereis a espessura,
Nem podereis já trazer
Atrás vós a fonte pura,
Pois não pudestes mover
Desconcertos da ventura.

Ficareis oferecida
À Fama, que sempre vela,
Frauta, de mim tão querida;
Porque, mudando-se a vida,
Se mudam os gostos dela.
Acha a tenra mocidade
Prazeres acomodados,
E logo a maior idade.
Já sente por pouquidade
Aqueles gostos passados.

Um gosto que hoje se alcança,
Amanhã já o não vejo;
Assim nos traz a mudança
De esperança em esperança
E de desejo em desejo.
Mas em vida tão escassa
Que esperança será forte?
Fraqueza de humana sorte,
Que quanto da vida passa
Está recitando a morte!

Mas deixar nesta espessura
O canto da mocidade!
Não cuide a gente futura
Que será obra da idade
O que é força da ventura.
Que idade, tempo, o espanto
De ver quão ligeiro passe,
Nunca em mim puderam tanto
Que, posto que deixe o canto,
A causa dele deixasse.

Mas em tristezas e nojos,
Em gosto e contentamento,
Por sol, por neve, por vento,
Tendré presente a los ojos
Por quien muero tan contento.
Órgãos e frauta deixava,
Despojo meu tão querido,
No salgueiro que ali estava,
Que pera troféu ficava
De quem me tinha vencido.

Mas lembranças da afeição
Que ali cativo me tinha,
Me perguntaram então:
Que era da música minha
Que eu cantava em Sião?
Que foi daquele cantar
Das gentes tão celebrado?
Por que o deixava de usar?
Pois sempre ajuda a passar
Qualquer trabalho passado.

Canta o caminhante ledo
No caminho trabalhoso,
Por entre espesso arvoredo;
E de noite o temeroso,
Cantando, refreia o medo.
Canta o preso docemente,
Os duros grilhões tocando;
Canta o segador contente,
E o trabalhador, cantando,
O trabalho menos sente.

Eu, que estas cousas senti
Na alma, de mágoas tão cheia,
Como dirá, respondi,
Quem alheio está de si
Doce canto em terra alheia?
Como poderá cantar
Quem em choro banha o peito?
Porque, se quem trabalhar
Canta por menos cansar,
Eu só descansos enjeito.

Que não parece razão
Nem parece cousa idónea
Por abrandar a paixão
Que cantasse em Babilónia
As cantigas de Sião.
Que, quando a muita graveza
De saudade quebrante
Esta vital fortaleza,
Antes moura de tristeza
Que, por abrandá-la, cante.

Que, se o fino pensamento
Só na tristeza consiste,
Não tenho medo ao tormento
Que morrer de puro triste,
Que maior contentamento?
Nem na frauta cantarei
O que passo e passei já,
Nem menos o escreverei,
Porque a pena cansará
E eu não descansarei.

Que, se vida tão pequena
Se acrescenta em terra estranha,
E se Amor assim o ordena,
Razão é que canse a pena
De escrever pena tamanha.
Porém se, pera assentar
O que sente o coração,
A pena já me cansar,
Não canse pera voar
A memória em Sião.

Terra bem-aventurada,
Se, por algum movimento,
Da alma me fores mudada,
Minha pena seja dada
A perpétuo esquecimento.
A pena deste desterro,
Que eu mais desejo esculpida
Em pedra ou em duro ferro,
Essa nunca seja ouvida,
Em castigo de meu erro.

E se eu cantar quiser,
Em Babilónia sujeito,
Hierusalém, sem te ver,
A voz, quando a mover,
Se me congele no peito.
A minha língua se apegue
Às fauces, pois te perdi, 
Se, enquanto viver assi, 
Houver tempo em que te negue 
Ou que me esqueça de ti!

Mas ó tu, terra de Glória, 
Se eu nunca vi tua essência, 
Como me lembras na ausência? 
Não me lembras na memória, 
Senão na reminiscência.
Que a alma é tábua rasa 
Que, com a escrita doutrina 
Celeste, tanto imagina, 
Que voa da própria casa 
E sobe à pátria divina.

Não é logo a saudade
Das terras onde nasceu 
A carne, mas é do Céu, 
Daquela santa Cidade 
Donde esta alma descendeu.
E aquela humana figura, 
Que cá me pode alterar, 
Não é quem se há-de buscar: 
É o raio da Fermosura 
Que só se deve de amar. 

Que os olhos e a luz que ateia 
O fogo que cá sujeita, 
– Não do sol, mas da candeia –
É sombra daquela ideia 
Que em Deus está mais perfeita.
E os que cá me cativaram 
São poderosos afeitos 
Que os corações têm sujeitos; 
Sofistas que me ensinaram 
Maus caminhos por direitos.

Destes o mando tirano 
Me obriga, com desatino, 
A cantar, ao som do dano, 
Cantares de amor profano,
Por versos de amor divino. 
Mas eu, lustrado co'o santo 
Raio, na terra de dor, 
De confusão e de espanto, 
Como hei-de cantar o canto 
Que só se deve ao Senhor? 

Tanto pode o benefício 
Da Graça, que dá saúde, 
Que ordena que a vida mude;
E o que tomei por vício 
Me faz grau pera a virtude. 
E faz que este natural 
Amor, que tanto se preza, 
Suba da sombra ao real, 
Da particular beleza 
Pera a Beleza geral. 

Fique logo pendurada 
A frauta com que tangi, 
Ó Hierusalém sagrada, 
E tome a lira dourada 
Pera só cantar de ti; 
Não cativo e ferrolhado 
Na Babilónia infernal, 
Mas dos vícios desatado 
E cá desta a ti levado, 
Pátria minha natural. 

E se eu mais der a cerviz 
A mundanos acidentes, 
Duros, tiranos e urgentes, 
Risque-se quanto já fiz 
Do grão livro dos viventes. 
E, tomando já na mão 
A lira santa e capaz 
Doutra mais alta invenção, 
Cale-se esta confusão, 
Cante-se a visão da paz!

Ouça-me o pastor e o rei, 
Retumbe este acento santo, 
Mova-se no mundo espanto,
Que do que já mal cantei 
A palinódia já canto. 
A vós só me quero ir, 
Senhor e grão Capitão 
Da alta torre de Sião, 
À qual não posso subir, 
Se me vós não dais a mão. 

No grão dia singular 
Que na lira o douto som 
Hierusalém celebrar, 
Lembrai-vos de castigar
Os ruins filhos de Edom.
Aqueles que tintos vão 
No pobre sangue inocente, 
Soberbos co'o poder vão, 
Arrasai-os igualmente, 
Conheçam que humanos são.

E aquele poder tão duro 
Dos afeitos com que venho, 
Que incendem alma e engenho,
Que já me entraram o muro 
Do livre alvídrio que tenho; 
Estes, que tão furiosos 
Gritando vêm a escalar-me, 
Maus espíritos danosos,  
Que querem como forçosos 
Do alicerce derrubar-me;

Derrubai-os, fiquem sós, 
De forças fracos, imbeles; 
Porque não podemos nós 
Nem com eles ir a Vós, 
Nem sem Vós tirar-nos deles.
Não basta minha fraqueza 
Pera me dar defensão, 
Se Vós, santo Capitão, 
Nesta minha fortaleza 
Não puserdes guarnição.

E tu, ó carne que encantas, 
Filha de Babel tão feia, 
Toda de misérias cheia, 
Que mil vezes te levantas 
Contra quem te senhoreia,
Beato só pode ser 
Quem co'a ajuda celeste 
Contra ti prevalecer, 
E te vier a fazer 
O mal que lhe tu fizeste;

Quem com disciplina crua 
Se fere mais que ua vez, 
Cuja alma, de vícios nua, 
Faz nódoas na carne sua, 
Que já a carne na alma fez.
E beato quem tomar  
Seus pensamentos recentes 
E em nascendo os afogar, 
Por não virem a parar 
Em vícios graves e urgentes; 

Quem com eles logo der 
Na pedra do furor santo 
E, batendo, os desfizer 
Na Pedra, que veio a ser,
Enfim, cabeça do Canto; 
Quem logo, quando imagina 
Nos vícios da carne má, 
Os pensamentos declina 
Àquela carne divina 
Que na Cruz esteve já;

Quem do vil contentamento
Cá deste mundo visível,
Quanto ao homem for possível,
Passar logo o entendimento
Pera o mundo inteligível.
Ali achará alegria 
Em tudo perfeita e cheia 
De tão suave harmonia, 
Que nem, por pouca, escasseia,
Nem, por sobeja, enfastia. 

Ali verá tão profundo 
Mistério na suma Alteza, 
Que, vencida a Natureza, 
Os mores faustos do Mundo 
Julgue por maior baixeza. 
Ó tu, divino aposento, 
Minha pátria singular, 
Se só com te imaginar 
Tanto sobe o entendimento, 
Que fará, se em ti se achar? 

Ditoso quem se partir 
Pera ti, terra excelente, 
Tão justo e tão penitente, 
Que depois de a ti subir, 
Lá descanse eternamente!

(Luís Vaz de Camões)

20/07/14

EPICÉDIO (II)

(continuação da I parte)

SONETO

Da morte curva foice armando o braço,
Tal como é de horrenda catadura,
Do Sábio Português audaz procura
Do leito onde descansa o curto espaço:

Chega... e para ele volve o passo
Este espectro feroz, de atra figura;
"É tempo já (lhe diz) que à sã natura
Pagues da vida o tributo escasso:

Aos golpes desta foice assacalada
Nenhuma geração tem resistido,
Nem criatura humana há isentada!

Os pod'rosos seus gumes tem sentido,
E também a ciência dilatada
Em mim se provará não ter Partido!"


SONETO

Quanto é fácil num motu estar perdido
O existir d'aflita humanidade!
Num momento à Suprema Eternidade
O homem volve em trilho inconhecido!

Vive sujeito ao dolo  desabrido,
Que lhe oculta o carácter da Verdade;
Num pélago flutua d'anciedade,
Nas ciladas, que trama o Mundo infindo:

Chega enfim sua hora assinalada,
E demandando vai seguro porto,
Onde a maldade nunca tem morada:

Assim meditei eu, ficando absorto,
Quando a triste notícia me foi dada,
De que o sábio Macedo era já morto!

14/07/14

A VIDA DO CAMPO - ODE

A VIDA DO CAMPO

Não formam, discreta Márcia,
A nossa felicidade
Os ilusórios tesouros,
Que busca o luxo, e vaidade.

Esses cristais de Golconda,
Que os homens chamam diamantes,
São, entre as classes das pedras,
Pedras que são mais brilhantes.

Se a mesma terra que as cria
Não for por nós cultivada,
Será teatro da fome,
Será do luto a morada.

Não é, por certo, escondido
Metal, a que chamam ouro,
Ao homem da natureza
Um verdadeiro tesouro:

É mais proficuo um arado,
A foice é mais preciosa;
Só estes nos livres campos
Tornam a vida gostosa.

Ao nosso amor que é preciso
Mas que do campo a cultura,
A lã de ingénuas ovelhas,
As águas da fonte pura?

Vivamos, Márcia, no campo,
Nele esperemos o Céu,
Até que a Morte desdobre
Sobre meus olhos o véu.

(Rev. Padre José Agostinho de Macedo)

17/04/14

SONETO V


Acho que este soneto pode ainda, talvez, um dia ter um final feliz:

SONETO V

Quando cair, que seja lentamente,
Como o Infante herói de Alfarrobeira.
Não preciso sequer de uma bandeira,
Basta a vossa lembrança tão somente.

Aqui ou onde seja (é indiferente,
Agora toda a terra é estrangeira)
Que finde a minha vida passageira,
Meu pensamento é da minha gente:

Aquela que morreu de armas na mão.
Aquela, regressada ao pátrio chão,
Cuspida pela elite da escumalha.

Os hoje abandonados à má-sorte.
Os que ganharam a paz fria da morte,
Perdendo tudo numa só batalha.

(Gil Dias, em "Leva de Abril")

06/04/14

INVEJA ...

Digamos da festa bem,
Pois seus bens nos comunica,
Mas que noiva, que lá fica,
E que inveja, que cá vem!

Bem alheio sem inveja
É pequeno, e não sabido,
Porque'm sendo concebido,
Se murmura, e se deseja,
Não vem da festa ninguém,
Se esta raiva não lhe pica,
Ahh que noiva, que lá fica,
Que inveja, que cá vem.

Destas invejas de agora
Se paga o noivo a sabor,
Que então lhe fora pior,
Se o bem de invejar não fora,
Tanto é de mór gosto bem,
Quanto a inveja o publica,
Mas que noiva, que lá fica,
E que inveja, que cá vem.

(Francisco Rodrigues Lobo - séc. XVII)

18/03/14

REAL MOSTEIRO DE MAFRA - Plantas e Poemas


Plantas e poemas!? Porque não!?



Ele tem quatro frentes ou fachadas
Com janelas tão grandes e rasgadas
E feitas com tal arte que por belas
Um pórtico parece qualquer delas.

No frontispício a bela arquitetura
Brilha com tão distinta formosura
Que julgo ser (e nisto bem me fundo)
Maravilha maior de todo o mundo.

As ordens tosca, dórica, e composta,
A jónica, a coríntia bem disposta
Tudo se vê com gosto executado
No grau mais singular mais levantado.

Colunas de grandeza portentosa
No pórtico maior a vista goza
Nas três portas soberbas, que na entrada
A perspectiva formam da fachada. (João Carvalho)


Mil estátuas de mármores polidos
O chão todo em xadrez com embutidos
As torres que nos lados vão subindo
Mil sinos pelos ares retinindo
Que sendo por mão dextra ali tocados
Os minuetes formam bem trinados.

Dois grandes torrões que na grandeza
Outros não tem a vasta redondeza.
Um zimbório soberbo e sumptuoso

De festões adornado e belas flores
Formados em diversas lindas cores
De pedras muito finas e polidas
Na região do vento suspendidas. (João Jorge de Carvalho, Gaticanea, 1781)

11/02/14

Fr. JOÃO DE NOSSA SENHORA - O TERRAMOTO DE 1755 em LISBOA

Fr. João de Nossa Senhora, o "Poeta de Xabregas"
Trago-vos um texto, retirado de um livro que não vou mencionar (escrito por autor que, como verão, tem tom liberal), para o qual peso o devido desconto: laia-se o há de registo histórico, recordemos que mesmo a transcrição do autor pode não ser ao pé da letra (do texto de Fr. Jerónimo de Belém).

Em segundo lugar quero prestar uma homenagem ao Fr. João de Nossa Senhora. Porque se este frade poeta foi, com algumas justiça, desconsiderado entre os seus, o que diriam os seus HOJE, ao verem o estado nada poético no qual nada o nosso clero!? Que são havia de ser hoje o Padre ou Frade que imitasse Fr. João de Nossa Senhora, sem erro doutrinais, sem má filosofia!...

Fr. João de Nossa Senhora foi o grande difusor e impulsionador da devoção de Nossa Senhora Mãe dos Homens (devoção nascida no Convento de Santa Maria de Jesus, Xabregas, Lisboa), e foi ele quem definiu o seu modelo de imagem. Esta imagem e devoção espalhou-se por Portugal e Brasil.

O convento, depois da extinção das ordens religiosas de "decretada" por D. Pedro I do Brasil,
passou a quartel militar, como está na pintura.
Aclaro ainda que Fr. João não era contra as corridas de touros, mas sim contra os espetáculos que distraiam o Povo da piedade que tinham.

"Uma curiosa figura dessa época é a do célebre e popular frade xabregano, Fr. João de Nossa Senhora, vulgo o poeta de Xabregas. Permita-se-nos a este respeito extractar o que dele nos diz Ribeiro Guimarães no Summario, recomendado porém ao leitor, que mais a fundo quiser conhecer a interessante biografia do célebre Frade poeta, que leia a sua Vida escrita por Fr. Jerónimo de Belém e publicada em Lisboa, em 1743:

Nossa Senhora Mãe dos Homens. Imagem encomendada e
usada por Fr. João de Nossa Senhora
Fr. João de Nossa Senhora todos os dias percorria as ruas de Lisboa com uma imagem da Virgem que ele chamava a Senhora Pequenina, em contraposição de outra que era de mais de tamanho natural. Todos conheciam o frade, uns lhe chamavam o poeta de Xabregas, porque, mesmo nas ruas poetava, e muitas vezes respondia em quadras e décimas às perguntas que lhe faziam. Seguia-o sempre uma turba-multa de rapazes e de mulheres, e, se muitos o ouviam com atenção, outros lhe dirigiam chufas. A cada canto prégava um sermão, e sofria com paciência os dictérios, e às vezes insultos e gargalhadas com que o acompanhavam.

Quando havia grandes reuniões de povo, ou pelo entrudo, saía com a sua Senhora Pequenina a prégar, e, com uma pertinácia digna de melhor causa, vociferava contra os desvairos do tempo, inculcando sempre o culto À Senhora Mãe dos Homens. Onde via uma rixa, logo lá aparecia, procurando distrair os bulhentos com suas prédicas.

Teve dias de prégar doze sermões, nas igrejas e nas ruas, porque era muito procurado, por ter fama de excelente prégador; chamavam-lhe o prégador mariano, porque o culto da Virgem era o principal assunto de todos os seus discursos.

Fr. João era também um agitador. Tinha grandes pensamentos para comover o povo, e atraí-lo por artes engenhosas às suas prédicas. Mandou fazer uma imagem de Santa Bárbara, e no dia em que foi colocada no seu altar, pregou ele; mas antes fez anunciar o sermão por editais públicos, deste modo: "Trovão de Santa Bárbara sobre toda a cidade de Lisboa, na igreja de Xabregas. Causou isto grande agitação, mas doutra vez foi o caso mais sério".

Tinha de prégar o sermão anual da mesma Santa, e assim o fez anunciar por cartazes impressos: "Esmola que se dá no dia de Santa Bárbara no real convento de Santa Maria de Jesus de Xabregas, da Ordem de S. Francisco" e depois concluía assim: "Venha cedo, que das 10h até ao meio-dia, pouco mais ou menos, se hão-de repartir as esmolas".

Isto causou uma revolução em Lisboa. Entendeu o Povo que era esmola pecuniária, e logo começaram os empenhos para a alcançar. O Povo andava alvoroçado, não se falava noutra coisas, e a notícia do caso chegou ao Paço, mas desfigurada. ElRei D. João V, ou os seus Ministros aterraram-se, e persuadiram-se de que o povo, vendo-se logrado, faria alguma desfeita aos frades, a qual quiseram prevenir, e para isso se pôs tropa em armas, e foi colocar-se nas imediações de Xabregas.

Era imenso o borborinho do Povo,e não pouca a vociferação contra o engano que se fizera à pobreza. Mas, enfim, o frade pregou do púlpito, deu satisfação sobre o engano, e os ouvintes aplaudiram-no, excepto uma mulher, a qual procurou o frade para lhe arrancar as barbas.

Se Fr. João para muitos era um entusiasta, um visionário, um [falso]beato [e] ridículo, para muitos era todavia um santo, e piamente acreditavam que o poeta de Xabregas tinha o poder de fazer milagres. Ele era o director espiritual de muitas pessoas de alta categoria, estava relacionando com as famílias mais ilustres, que já neste tempo iam esquecendo as tradições gloriosas dos seus maiores, e entrelaçou-se com ridículas beatices [lembro que é a liberal opinião do autor] e combates de toiros.

Nossa Senhora Mãe dos Homens. Encomendada por Fr. João de Nossa Senhora
Depois da morte de Fr. João, espalhou-se o boato que tinha morrido em cheiro de santidade, e à igreja correu grande multidão, e tanta era a fé que havia em Fr. João, que lhe foram cortando pedaços da mortalha, os quais disputavam com gana, a ponto de o deixarem nu." -//-

Este homem embirrava com as touradas tanto quanto era possível. Numa ocasião já em 1755 houve umas tardes de touros no Rossio: e o frade, querendo desviar o Povo de concorrer a esse divertimento, foi prégar na igreja da Victoria. O Povo, porém, antes quis ir para os touros, do que ir escutar as prédicas de Fr. João, que despeitado, escreveu estas quadras:

No Rossio, se faz festa,
Na Victoria pregação;
Pouca gente assiste nesta,
Mas naquela multidão.

Três meses divertimento
Bem se poderá ecusar;
Tanto rir, tanto folgar,
Pode parar em tristeza.

Na doutrina de Maria,
Tenha Lisboa certeza;
Que toda a sua alegria
Há-de parar em tristeza.

Houve quem visse em tais versos a profecia do terremoto de 1755, e como aconteceu outras vezes que Fr. João se expressasse de modo que os sucessos pareciam tornar proféticos os seus versos e ditos, alguns lhe chamavam profeta, e ele dizia "não sou profeta, mas poeta".

25/05/13

PERDIGÃO GOSTOU DA PENA... (Luís, Faz de Camões)


Perdigão gostou da pena
Não há mal que lhe não venha


Perdigão que o atrevimento
Desejou  alto lugar,
Preparou-se no voar,
Acumulando o seu tormento.
Para ver muito em aumento
Planeou tudo em campanha.
Não há mal que lhe não venha.

Veio às terras de Pelayo,
Armado em fina cor.
E feito filho de Amor
Viajou no mês de Maio,
Coincidências de ensaio
Em Portugal e em Espanha.
Não há mal que lhe não venha.

13/03/12

PROTECÇÃO À FRANCESA !!! (III)

(continuação)

Depois da "Protecção à Francesa" seguem agora vários sonetos e uma décima que seguem o mesmo sentir:

Tropas de Junot entrando entrando em Portugal

DÉCIMA

Esse que teve em Lisboa
De Intendente a graduação,
Tinha toda a negação
para fazer cousa boa:
Era muito má pessoa,
E bem se viu no que fez;
Só de sinais tinha três,
Com que a gente se zangou,
Sempre o maldito mostrou
Ser ímpio, calvo, e Francês.

SONETO [I]

Suspendei, Deus Eterno, Impulso de ira;
Descanse de gemer a Humanidade,
Que ao peso de opressões de crueldade,
Sucumbe tudo, que entre nós respira:

Se a guerra contra os homens se conspira,
E não tendes nós, Senhor, piedade,
Confunde-se a Inocência coma maldade,
E envolto em sangue e póo Mundo espira:

Vós sois um Deus de Paz, de Vós emana
Huma vez o perdão, outro o castigo,
Que ao vivente iluminado desengana:

Mas dos filhos um Pai foi sempre abrigo,
Derramai a união na espécie humana,
Não mais assole a terra um inimigo.

SONETO [II]

Não basta do homem ser tão curta a vida,
De mágoas, e infortúnios rodeada?
Ainda a procura ver sacrificada
Ao ferro, ao fogo em guerra desabrida!

Há-de ser uma fera embravecida,
Nunca de sangue humano saciada!
Há-de a terra de corpos ver juncada,
Sendo do seu igual bravo homicida?

Mania horrenda! propensões estranhas!
Que mais fazem os brutos, que não seja
Comer, dormir, brigar nessas montanhas?

Em guerra acabe quem pugnar deseja,
E roam-lhe as maléficas entranhas
Raiva, intriga, ambição, capricho, inveja.

SONETO [III]

Ímpio de coração tão bronzeado,
Surdo à desgraças, surdo à voz da morte,
Que expõe os seus da guerra à dura sorte,
Só de ambição, e glória entusiasmado!

Que se apraz de ver sempre separado
Do pai o filho, a esposa do consorte,
Que só o torpe Egoísmo tem por Norte,
De troféus e tesouros esfaimado!

Monstro que o que respira são venenos,
Com que empesta os mortais, e que só preza
Ser flagelo de grandes, e pequenos!

É no mundo um aborto de estranheza,
Homem não pode ser, e bruto menos;
Porque nem segue a lei da Natureza.

SONETO [IV]

Um homem com cabeça de donato
Tendo por barretina uma caneca,
Os olhos gázios, boca d'alforreca,
O pescoço estendido como gato:

Borjaca cuja, e rota por ornato,
Espada, que andou já por céca, e Meca,
Calças de brim na perna nua, e seca,
Os dedos quase fora do sapato:

Uma pele de cabra sobre o lombo,
Cabecinha, panela, e caçarola,
Espingarda, que leva muito tombo:

Eis um Guerreiro da Francesa Escola,
Agudo em manhas, em juízo rombo,
Que outro Deus não tem mais que a passarola.
(terá continuação)

09/03/12

PROTECÇÃO À FRANCESA !!! (II)

(continuação)


"Marcha Inglaterra, e Espanha
Com muita descompostura,
Quando da França a impostura
Tem posto a França por terra,
Prégar a paz e fazer guerra
Aos que têm mando ou riqueza,
É protecção à Francesa.

Roubar os Templos Sagrados,
Roubar a Casa Real,
Entrar na Patriarcal
Em nove meses um dia!
Portugal, quem tal diria!
Mas este mal que te lesa
É protecção à Francesa.

Entrar nas casas dos grandes,
Destruir o que elas Têm,
Sem lhes custar um vintém,
Querendo afectar por logro
Vilão em casa do sogro:
Tão descarada esperteza
É protecção à francesa.

Dizerem que são Cristãos,
Sendo na Lei mascarados,
Roubar os vasos Sagrados,
Com sacrilégio tremendo,
Na Igreja bestas metendo;
Este insulto, esta baixeza
É protecção à francesa.

Por vingança ir aos Conventos
E com rancor, sem piedade
Matar o Clérigo e o Frade,
As freiras ir perseguir,
E nos seus fazer preza
É protecção à francesa.

Se os Mouros aqui tornassem,
Outro tanto não fariam:
Se os Franceses protegiam
Os mais Reinos desta sorte,
Já sabem que o saque, a morte,
A fome, o engano, a fereza,
É protecção à francesa.

Mandar pôr a gente em marcha,
Ouvir de um Sírio o tambor, ... (4)
Com denotado valor,
Lançar-lhe mão da bandeira,
Vir na gazeta primeira
Por façanha a grande empresa
É protecção à francesa.

De igual forma Dom Quixote
Ao longe os moinhos vendo,
Enrista a lança, e correndo
Esfrangalha, fura, impele,
Mas a quem protegeu ele?
Aos moinhos: tal fraqueza!
É protecção à francesa.

Perder a vida um Soldado,
Que em saques foi cão de fila,
E achar-se-lhe na mochila
Orelhas e mãos cortadas,
De brincos e anéis ornadas,
Este horror da natureza,
É protecção à francesa.

Fuzilar gente nas Caldas,
Sem dó, sem humanidade,
Sofrer igual impiedade
Évora, Beja, Leiria,
Minha pátria: oh tirania!
Este excesso de crueza
É protecção à francesa.

Querer sujeitar o Povo
Com tramóias disfarçadas,
Com compras atraiçoadas,
São acções de alta memória;
E quem ler a nossas História,
Verá, que tanta vileza
É protecção à francesa.

Deixar impunes os crimes,
Quando algum dos seus os faz,
E fuzilar um rapaz, .... (5)
Cuja culpa era a demência,
Faz girar a consciência:
Despotismo sem defesa
É protecção à francesa.

Consentir que a tropa brava
Queime olivais, vinhas corte,
Dando sentença de morte
Aos bois de carro e de nora,
Sem compaixão de quem chora,
E de quem fica em pobreza,
É protecção à francesa.

Podia-se bem compor
Um catálogo de petas
Dos Editais e gazetas
Destes nossos protectores;
Mas serem uns impostores
Com capa de singeleza,
É protecção à francesa.

Porém faça-se justiça;
Nem todas tão maus seriam;
Porque eu sei que alguns viviam
Prudentes, bem inclinados;
Mas em maça incorporados
Seguir do todo a fereza
É protecção à francesa.

Os cem Meninos perdidos, ... (6)
Que não negam que há um Deus,
E que os sentimentos seus
São cheios de honra e constância,
Vem abater a jactância
De uns monstros, cuja altiveza
É protecção à francesa

Isto são puras verdades,
Praticadas sem desculpa:
O Menino não tem culpa;
Tem-na quem o cá mandou:
A Passarola voou,
E se for morta ou for preza
É protecção à francesa.

(4) O Círio da Ameixoeira, com que a Tropa francesa investiu destroçando-o em forma de batalha, em que os franceses venceram a Bandeira de S. Senhora, que veio para o quartel General por testemunho daquela vitória.
(5) Execução feita na Praça do Comércio aceleradamente, sem formalidade de Justiça.
(6) Soldados ingleses tratados por irrizão numa gazeta, pelo nome de cem Meninos perdidos, porque soltaram nas nossas praias, e nossa defesa.

(Tem continuação, aqui)

07/03/12

PROTECÇÃO À FRANCESA !!! (I)

PROTECÇÃO À FRANCEZA

.... Decipimur specie reciti...
(Hor. Art. Poet v25)

Com a imagem do bom nos enganámos

LISBOA
M.D.CCCVIII


Que vem a ser ter entrado
Dias antes do Natal
Tropa estranha em Portugal
Mal calçada, e mal vestida,
Esfaimada, e entorpecida
De cansaço, ou de fraqueza?
É protecção à Francesa.

Que vieram cá fazer,
Sem lhes mandarmos recado?
Comeram-nos pão, e gado,
Pondo tudo em confusão!
Desta gente a protecção
Tem diversa natureza!
É protecção à francesa.

Deixem-se estar sossegados
As Proclamações diziam:
Pilhavam tudo o que viam,
Com sistema de terror;
Mas este grande favor,
Feito à gente Portuguesa,
É protecção à Francesa.

Condenaram como emigrado,... (1)
Quem foi para o que era seu,
E que nenhum poder deu
A bárbaros protectores!
Isto, meus caros Senhores
É cobiça muito acesa
É protecção à francesa.

Cambiar nossas bandeiras
Por bandeiras de taberna,
Mostrando o bem que governa
Quem a tudo chama seu;
Depois quem perdeu, perdeu:
Este afecto, esta grandeza
É protecção à francesa.

Pedir dinheiro emprestado
Com políticas razões,
Depois quarenta milhões,
Resgate dos nossos bens,
Extorquir-nos os vintens,
Deixando tudo em pobreza,
É protecção à francesa.

Na astuta contribuição
Fazer que entrasse a quantia,
E que depois se veria
Se era bem, ou mal entrada,
É próprio d'alma danada,
É força, não inteireza,
É protecção à francesa.

Tirarem estes Baixás
Pão a quem mais pão não tem, ... (2)
Porque só lhes sabe bem
Um rendimento de estrondo,
Só aos seus nos cargos pondo,
Tão desmarcada avareza
É protecção à francesa.

Obrigar aos Mercadores,
Que a fazenda já comprada,
Para se ver resgatada;
Pague uma nova quantia
Vingança, que recaia
Só na nação Portuguesa,
É protecção à francesa.

Com capa de economia
Pôr tudo em consternação,
E a Quinta do Ramalhão
Servindo do que eu cá sei,
Sem honra, sem Fé, sem lei;
Isto, ó gente Portuguesa
É protecção à francesa.

Fazer bailes, e banquetes,
Cercando a porta de peças,
E o povo só com promessas,
Sem ter para vaca, e pão,
Este arranjo, e protecção
Para a misera pobreza
É protecção à francesa.

Desterraram-nos a Regência,
Coarctar os jornais à gente,
Mandar vir novo Intendente,
Que leve também no bolo,
Fazendo o Público tolo, 
Que conhece esta surpresa,
É protecção à francesa

Constitui recta justiça
E boa admiração
Em matar o gato, e o cão,
No mais jogando-se o pilha,
Esta grande maravilha,
Este rasgo, esta limpeza,
É protecção à francesa.

Abrir o Correio as cartas
Para fazer criminosos,
Pondo os povos receosos
De escreverem as verdades,
Este montão de maldades
É do juízo fraqueza,
É protecção à Francesa.

Alguns dos nossos tem culpa
Dos males, que se fizeram;
Com as denúncias que deram,
Mancharão seus semelhantes:
Mas ouvirem-se tratantes,
E muita gente ser preza,
É protecção à francesa.

Pôr tudo a pedir esmola,
Desarranjar arranjados,
Fazer povos desgraçados,
Pondo mordaças nas bocas,
Só cabe em cabeças ocas;
Mas esta grande altiveza
É protecção à francesa.

Desarmar o Povo todo,
Mandar-nos a Tropa embora,
Pôr a Fidalguia fora,
E depois até fazer
Pedir o que ninguém quer, .... (3)
Tão baixa delicadeza
É protecção à francesa.


(1) - A viagem que fez para a América o nosso amabilíssimo Príncipe Regente com toda a Família Real.
(2) - As ocupações, que se tiráram a muitas pessoas, criando-se empregos novos para franceses com ordenados avultadíssimos.
(3) - A violência, que fez com que os le[?] Magistrados, e mais Pessoas assinassem um papel, em que se pedia novo Rei: acto, que se ultimou com a maior repugnância, e desconsolação de todos.

(Tem continuação aqui)

27/02/12

POEMA - A CULPA

Mais uma vez obrigado ao amigo "Funguito" por ter enviado um poema anónimo interessante que mostra bem o atirar de culpas a tudo e a todos que diverte e distrai. Eu acrescentaria ainda que também nós somos responsáveis pelos sistema que mantemos(que é o mesmo sistema que criticamos...). Cá vai:

A culpa é do pólen dos pinheiros

Dos juízes, padres e mineiros
Dos turistas que vagueiam nas ruas
Das 'strippers' que nunca se põem nuas
Da encefalopatia espongiforme bovina
Do Júlio de Matos, do João e da Catarina
A culpa é dos frangos que têm HN1
E dos pobres que já não têm nenhum
A culpa é das prostitutas que não pagam impostos
Que deviam ser pagos também pelos mortos
A culpa é dos reformados e desempregados
Cambada de malandros feios, excomungados,
A culpa é dos que têm uma vida sã
E da ociosa Eva que comeu a maçã.
A culpa é do Eusébio, que já não joga a bola,
E daqueles que não batem bem da tola.
A culpa é dos putos da casa Pia
Que mentem de noite e de dia.
A culpa é dos traidores que emigram
E dos patriotas que ficam e mendigam.
A culpa é do Partido Social Democrata
E de todos aqueles que usam gravata.
A culpa é do BE, do CDS e do PCP
E dos que não querem o TGV
A culpa até pode ser do urso que hiberna
Mas não será nunca de quem governa!

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