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26/10/18

O MASTIGÓFOTO - ("Inventários") a

Mosteiro da Seiça
Inventários - Como estes actos jurídicos trazem muitas vezes associada a ideia da morte, bem se viu o que eles queriam dizer, quando se fizeram em vida por aresto dos Clubs Maçónicos aos Mosteiros, e Casas Religiosas de pessoas de ambos  os sexos. Foi necessário que se tomassem a rol estes bens nacionais, para que os seus possuidores há séculos não fossem por aí deitar-lhes a mão, julgando que eram coisas suas; pois a condição tácita dos benéficos doadores foi, que a pena saíssem a Lume os filantropos Mações, tudo lhes pertencesse de juro, e herdade para os gastinhos patrióticos das Lonas, das Colunas, das Mitras, e das Trolhas; e assim como para a fundação das Monarquias existiu um "Pacto Social" também pelos mesmos fundamentos se pôde mostrar, que existiu um Pacto Laboral, por cuja virtude quanto se deu aos Frades, e às Freiras levou anexa a condição, de que só o desfrutariam até chegarem os Cavalheiros Escoceses, e os caraçudos Vigilantes, e os abalizados Mestrinhos, que pela ardente devoção de regenerarem o mundo, ipso facto, ganharam direito para ficarem senhores do mundo, sem o haver para se lhes ir à mão; direito arquitetado pelo génio (do mal) e conservado pelas artes (diabólicas) do Maçonismo, que depois de pôr tudo a pão, e laranja, se entronizaria sobre o Portugal Regenerado, e de sobrolho caído para quem se lhe viesse queixar de fome, em consequência das novas instituições, daria remédio a tudo,  com meia dúzia de palavrinhas mágicas. "Esta obra é minha, o meu génio a cunhou, nasceu das maduras meditações dos antigos e modernos tempos, etc., etc. e o mais é, que só isto bastaria para remédio das cruzes na boca, ainda que estas mesmas já seriam crimes gravíssimos no 5º ano Constitucional! Ora cada um, diz o ditado, chega a braza à sua sardinha, e como estes Inventários me deram sempre no goto, hei de oferecer aos meus Leitores o que já sucedeu neste Reino, há mais de cem anos (1690) quando  Senhor D. Pedro II exigiu um rol, ou inventário (que não teve efeito) dos bens das Ordens Religiosas, que lhe endereçaram a seguinte:

PETIÇÃO

Cópia da Petição que fizeram as Religiosas todas a Sua Majestade, sobre a notificação que se lhes fez, para haverem de dar conta por um Rol das Fazendas que possuem.

Senhor, as Religiosas desta Coroa nas Pessoas de seus Superiores estão notificadas da parte de Vossa Majestade por Ministros Seculares, que dentro de certo tempo deem aos ditos ministros Roles das Fazendas que possuem, sob pena de Sequestro, e perdimento delas, não o fazendo assim dentro do dito tempo assinado; e porque no cumprimento desta notificação há dificuldades gravíssimas, e riscos certos da consciência, que sendo presentes a Vossa Majestade haveria por bem mandar prover em negócio de tanto porte por outro modo que fosse servido: Portanto as Religiões [ordens religiosas] por seus Procuradores gerais abaixo assinados, posto aos pés de Vossa Majestade com a humildade, e reverência que devem a seu Rei e Senhor natural.
Dizem que elas estão prestes para servir a Vossa Majestade com a Fazenda, trabalhos, e vida de seus Súbditos como sempre fizeram no tempo das guerras deste Reino com Castela, concorrendo para a defesa da liberdade com donativos consideráveis, e o fazem, mandando seus Súbditos às Conquistas desta Coroa para nelas ajudarem as almas em serviço de Deus, e de Vossa Majestade, e da mesma maneira estão pres para fazerem tudo o que Vossa Majestade lhes ordenar, e de presente ordena na sobredita notificação em quanto salva a consciência o poderem fazer, por que esta é também a vontade de Vossa Majestade, que como Rei tão Católico e Zeloso do Serviço de Deus; Defensor do Estado Eclesiástico: Amparo das Religiões [ordens religiosas] da sua Monarquia, a este fim dirige suas Reais acções, e por que entendem que de nenhum modo podem sem ofensa de suas consciências concorrer na execução desta notificação, por ser o tal concurso contra a serva proibição, com que os Sagrados Cânones, e Santo Concílio Tridentino sobre gravíssimas penas proíbe e condena aos que de algum modo consentem, ou concorrem contra o quebramento, e violação da imunidade da Igreja, que não é de crer permita a piedade e Católico Zelo de Vossa Majestade, se já violada, sendo dela Potector, e Defensor. E outro sim, por que esta mesma notificação se fez já em tempos antigos, e consideradas as razões, que obstavam à execução, se mandou desistir dela, o que tudo se fará presente sendo Vossa Majestade Servido: portanto

P. humildemente aos pés de Vossa Majestade, suposto o referido, gravidade deste negócio [assunto], e grave escrúpulo de consciência em que se acham, seja Servido mandar considerar por pessoas doutas e desinteressadas, e de sã consciência a razão de escrúpulo, que impede esta execução, se dado que se houvesse de fazer, deve ser por ordem do Sumo Pontífice, ou de seu Núncio neste Reino, para poderem sem escrúpulo de pecado, e de incorrerem nas penas dos Sagrados Cânones, executar prontamente o que lhe está notificado, porque tirando este justo temor, estão prontos para executarem o que Vossa Majestade lhes manda.

Está visto o que pensaram os nossos maiores sobre este grandíssimo assunto, e é bem sabida a opinião dos modernos, que fariam processar, e castigar os seus autores, assim como perseguiram o Padre José Morato, e desterraram para fora do Reino o Padre Biancardi da Congregação de S. Vicente de Paulo, por ter alegado em contraposição ao saque dos Mosteiros, o disposto no Sagrado Concílio de Trento! Ora eu não hei de vir do outro mundo pregar a este certas verdades, que muito amargam ao Século das Luzes. Suceda pois o que suceder…. Já que este propósito da jurisdição em causas Sagradas, que os Liberalíssimos Canonistas dão aos Príncipes, só com o fim de atenuarem a Igreja, e roubarem os Império esse baluarte firmíssimo do Sacerdócio, que é constantemente o primeiro investido, quando se trata de conquistar, e render aquele outro, se faz cada dia mais importante, em razão de novas, e incansáveis diligências, para que fiquem em pé, ou revivam as ideias Constitucionais, seja-me permitida neste lugar uma sucinta exposição dos estratagemas da Seita, para levar ao cabo as suas malvadas pretensões. Vendo que a nossa Religião fazia dever de consciência o rendimento, e a mais inteira sujeição aos Príncipes, cujos tronos se queriam solapar, ou destruir, acharam no seu caminho, ou Príncipes voluptuosos, e dissipados como Henrique VIII de Inglaterra, ou Príncipes aferrados à crença dos seus maiores, e inabaláveis em pontos de Religião, quais têm sido os nossos Piíssimos Soberanos. Acenaram aos primeiros com o engodo das riquezas do Clero, e lisonjeando desta arte a sórdida avareza, que os consumia, puderam alcançar dentro em poucos anos, com a extinção da verdadeira Fé, a extinção dos Mosteiros na Inglaterra, e na maior parte da Alemanha. Foi-lhes necessário usar de mais astúcia com os outros, que longe de caírem no sobredito laço, olhariam com desprezo a cólera para quem lhes indicasse tão violentas, e sacrílegas medidas…. Começaram de pintar-lhes a Igreja como usurpadora dos direitos da Realeza, encareceram a desmedida opulência dos Eclesiásticos, motejaram de que eles se quisessem livrar dos encargos públicos, taxaram de filha dos tempos escuros a imunidade Eclesiástica, e por saberem perfeitamente, que a Igreja Romana, verdadeira Mãe e Mestra de todas as Igrejas, acudia sempre às Igrejas Particulares em seus maiores trabalhos, conseguindo muitas vezes da piedade dos Soberanos, tudo quanto podia, ou aliviá-las, ou melhorá-las; e que por este motivo nunca se deitava numa só contribuição do Clero, em que não fosse ouvido e acatado o Pastor da Igreja Universal, contra este dirigiram os seus primeiros tiros, e daqui veio na maior parte das Escolas da Europa, uma tendência constante, e pronunciada contra os direitos e prerrogativas da primeira das Igrejas do Orbe Católico. Daqui procedeu um atrevido exame dos direitos do Primado, e foram tidos na conta de homens grandes, todos aqueles Teólogos e Canonistas, que mais furiosos se mostraram em seus ataques ao Trono Pontifício. Houve Reino da Europa (ninguém sabe qual é) em que se perdoou a um Teólogo assalariado para combater a Igreja de Roma, um sem número de citações infiéis, e um despejo, qual eu não me atreveria a usar, ainda que se tratasse de um simples Pároco, que mais tivesse faltado aos seus deveres! Sobre esta inclinação para diminuir a chamada perigosa influência da Côrte de Roma foram traçados esses próprios Livros, que o Santo Padre feria em Roma com os seus anátemas. O Jansenismo, que desde o seu berço guarda como reposto no fundo da alma o entranhável desejo de acabar com a Sé Apostólica Romana, foi recebido nas aulas com os braços abertos, e com toda a pompa de um Libertador, que vinha rasgar o véu da supersticiosa ignorância, que vendara os olhos da Igreja até ao século XVIII … Compare-se a exclamação de D. Frei Bartolomeu dos Mártires ao entrar na Capital do Mundo Cristão, referida pelo seu Historiador o grande Frei Luís de Sousa, com os sentimentos de uma boa parte do nosso Clero Superior e Inferior, e digam-me que sou temerário, se julgo descobrir duas Igrejas totalmente diversas uma da outra? Que grandes juízes faz preeminências do Santo Padre os Eibels e Cavalários condenados em Roma!! Ora que os Protestantes reverenciassem os autores, que se chegam muito às suas doutrinais, por certo que não é de estranhar, mas que os Portugueses cumulados de benefícios pela Igreja Romana, se encarniçassem de tal modo contra ela, que já fosse moda em a Universidade, e em Colégios Seculares sustentar, que o Papa é falível, que a Igreja não tem propriedade, que os Reis têm um poder absolutos de lançar mão, quando lhes parecer, dos bens do Clero!! Que houvesse Professores desvelados em sonhar questões, em que o Papa descesse a um papel subalterno, e o mais impróprio da sua altíssima dignidade!! E que fossem estes os passos que levaram mais de um Professor aos assento na Cadeira dos Apóstolos!!! Que eles nas suas correspondências familiares, que eu li com horror! exaltassem até às nuvens o zelo de Cipião Ricci, e dos Padres do Concílio de Pistoia, e se congratulassem da quebra dos direitos Pontifícios!!! Oxalá que tudo isto não fosse verdadeiro, e que eu nunca tivesse de passar pelo vivo dissabor de manifestar estas nódoas da Igreja Lusitana! Deram tudo ou quase aos Reis, arquitetaram uma Religião Política, e que fizeram com isto? Adiantaram por ventura a Causa do Trono? Encheram os cofres dos Soberanos? Curaram as feridas da Pátria? Ah! Se os Canonistas, e Jurisconsultos Liberais se doem da acrimónia de uma repreensão sobejamente merecida, ao menos queiram reflectir sobre a própria confissão dos bens da Igreja, e os esbulho da influência do Papa, e vejamos como eles não se pejam de afirmar, que conseguido o desbarate do principal exército, que defende os Tronos, já lhes não resta se não abalá-los, e destruí-los à vontade. Esses infelizes Membros do Parlamento de França, que tão emprenhados se mostraram por tirar a influência, e diminuir os padres do Clero, foram uns agentes da Maçonaria, e embriagados com o aplauso de que eram homens grandes, humilharam a Igreja, sem advertirem, que ao menos passo humilhavam o Trono, e preparavam a guilhotina, que havia de sacrificar Luís XVI. "Se a antiga Religião dominante (eis aqui as palavras do Ministro da Polícia Geral, às administrações centrais, municipais, etc. em 9 de pluvioso ano 7º) não era menos o Código das Instituições da Monarquia, do que um Código Religioso, é nas absurdidades do fanatismo, que se tinha escondido a base subterrânea de um governo absoluto: eis aqui o motivo porque os defensores do Altar, e do Trono, sempre têm andado a par, e nunca separaram a sua causa; eis aqui o motivo porque depois da queda da Monarquia, o poder público tem vindo reclamar sucessivamente as partes da autoridade, que eram espontaneamente da sua jurisdição, e que o Sacerdócio tinha invadido, ou ante, que os Reis tinham abandonado ao Sacerdócio, a fim de casarem, e cimentarem um pelo outro, os seus poderes respectivos, etc."

Que testemunho este, de que as Instituições Monárquicas se firmam nas ideias religiosas, e que esse chamado poderio do Clero era o mais seguro alicerces em que descansavam os Tronos!!

(continuação, parte b)

24/04/18

O CONCEITO DE "CRISTANDADE" QUE NOS FOI LEGADO (II)

(continuação da I parte)

Sarracenos
"Vice-rei amigo, Eu ElRey vos envio muito saudar, etc. Tenho por muito serviço de Deus e meio o modo em que se procedeu com o Arcebispo de Amgamale, quando veio ao sínodo de Goa, e ir emendado em alguns abusos usados naquela cristandade da Serra, e assim de mandardes acudir as afrontas que ElRey de Paru fez às Igrejas dela, e aos padres da companhia de Jesus, que naquelas partes residem, e vos encomendo que trabalheis por se de todo quietar aquela cristandade, e se por em efeito o seminário de Amgamale pelo muito fruto que espero que com ele se faça nesta cristandade.
Escrita em Lisboa a 21 de Janeiro de 1588 (Rivara, Archivo portuguez-oriental, fascículo 3º, pag. 112)

"Conde Almirante, Vice-rei amigo, Eu ElRey vos envio muito saudar como aquele que amo.
Pelas três naus que o ano passado de 98 vieram dessas partes da Índia, em que de qual foi por capitão mor D. Afonso de Noronha, e veio o Vice-rei Matias de Albuquerque recebi as vias de vossas cartas, etc.
Tive contentamento de que me dizeis sobre o bom procedimento do Arcebispo de Goa D. Fr. Aleixo de Menezes, como já o tinha entendido de todos os anos passados depois que de qual foi, e assim o recebi de saber como tinha visitado todo o seu arcebispado, e que à partida destas naus ficava para ir visitar a cristandade da serra de Angamale; e por que tenho entendido que tem despendido muito, e que também havia de fazer despesas na visitação que ia fazer, hei por bem por todos estes respeitos de lhe fazer mercê de 5000 pardáos por uma vez, e vos encomendo lhos façais logo pagar com efeito.
Escrita em Lisboa a 21 de novembro de 1598 (Rivara, Archivo portuguez-oriental, fascículo 3º, pag. 612)

"Neste ano [861], ou no anterior padeceu Álvaro uma perigosa enfermidade, e pediu a penitência, como costumavam alguns naquele tempo. Já melhorado escreveu ao Bispo Saulo, que lhe enviasse um Sacerdote, para que o absolvesse. Saulo respondeu, que não podia até que determinasse o Concílio a questão, que estava pendente: e assim, que recorresse, para ser absolvido aos mesmos, que o ligaram; porque havendo tido faculdade para ligar, também a teriam para absolver; e que havia comunicado com um Pseudo-Episcopo, com quem ia absolto, voltaria a comunicar; e assim o aconselhava, que se apartasse de tal comunicação contagiosa, não temendo o mal, que lhe podiam fazer os homens. Álvaro sentiu esta resposta do Bispo Saulo, e com bastante acrimónia disse-lhe, entre outras coisas: que lhe aconselha bem no temer aos homens; mas admira-se, que aconselhando fortaleza, esteja escondido, separado dos seus, e vago pelo temos mesmo dos homens, que despreza. Ponderámos estas cartas, como estão no livro Gótico, por conterem vários pontos de disciplina Eclesiástica, e da notícia da turbação, que padecia a Cristandade de Córdoba; pois colacionadas com outros instrumentos poderão dar alguma luz entre tanta obscuridade da História". (Catálogo de los obispos de cordoba ... tomo I - cap.V. Ano 1778, Córdoba [tradução nossa])

"Servando foi descendente de Escravos da Igreja; e ainda que baptizado, saiu tão soberbo, cruel, avaro, estólido, e atrevido, que conseguiu a dignidade de Conde, (que costumava dar-se aos nobres, e principalmente Cristãos) à força de obséquios, e regalos, que fez aos Palatinos. Casou com uma prima do Bispo de Hostigésio, e ambos se coligaram para fazer Escravas as Igrejas, Hostigésio à de Málaga, e Servando à de Córdoba sua Senhora. Antes pagavam seus pesantes, e Servando obrigou-as a contribuir de todos os Emolumentos, e obrigações. Hostigésio vendia os Sacerdotes do seu Bispado, e Servando, usurpando o Bispo Valêncio da faculdade de provê-los, vendia os de Córdoba, aos que ofereciam mais dinheiro. A todos os Cristãos carregou de tais contribuições, que muitos miseráveis deixaram a Religião Cristã por livrar-se de tributos tão pesados; e os que foram constantes, padeceram a última miséria: e assim se cumpriu na Igreja, e Cristandade de Córdoba o que chorou Jeremias (cap.5) Servi dominati sunt nostri: non fuit, que redimeret de manu erorum. Não contente com destruir aos vivos; perseguiu também aos defuntos; pois desenterrando os corpos dos Cristãos, que haviam sido ajustiçados pela Religião, manifestava-os aos Juízes, para persuadi-los, que os Cristãos tinham por inocentes àqueles, que haviam condenado justamente a padecer morte; e assim eram dignos de morte, os que lhes haviam dado sepultura; Corpora, ut fuerant sub aris Dei posita, ex suis loculis insignis Vespilio traxit. Em que parece, que só desenterrava os corpos dos Mártires para parecer maior o delito dos Cristãos, que não só tinham por inocentes, senão também por Mártires, os que tinham condenado os Juízes; pois enterravam-nos nas Basílicas debaixo das aras. E desde este tempo achamos, que os Mártires se enterravam não nas Basílicas, senão nos Cemitérios, como os restantes Cristãos: antes lhes davam sepultura dentro das Basílicas, como consta de São Eulógio: mas este sacrílego Conde obrigou a enterrarem-nos, como aos restantes para não incorrer na calúnia, que lhes imputou; e por evitar outros ultrajes, que os Maometanos pudesse executar com os corpos dos Mártires. Disto se colige, que depois do Martírio de São Eulógio, e Santa Leocricia, padeceram outros por este tempo, e que desenterrou os corpos destes para mostrá-los aos Juízes, e acusar aos Cristãos, por que os veneravam como inocentes." (Catálogo de los obispos de cordoba ... tomo I - pag. 167. Ano 1778, Córdoba [tradução nossa])

"Com tão iníqua, e barvara sentença (até na língua latina) e condenação de Sansão, e sua doutrina, ficaram todos os Católicos pasmados, e temerosos, de que a Cristandade de Andaluzia, e ainda de todo o Reino de Maomé, se tornasse Hostigessiana: e assim uns se retiraram ao Reino de D. Ordonho, fugindo as violências de Hostigésio patrocinado pelo seu parente o Conde Dervando. Outros estiveram firmes nas verdades Católicas, que ensinava Sansão; e se apartaram de comunicar com Hostigésio, e seus sequazes. Outros rendidos ao temor comunicavam com eles: como que se viu a Cristandade de Córdoba num cisma pernicioso. Hostigésio envio esta sentença à Igreja de Martos, que por essa altura devia estar vacante; para que entendesse o que havia determinado o Concílio. Valencio deu quanta a outros Bispos; e lhes remeteu a confissão de fé, que havia feito Sansão, e a condenação do Concílio: para que explicassem seu sentir. Ariulpho Matropolitano de Mérida, e Saro Bispo de Baeza, que não assistiram ao Concílio, aprovaram com suas cartas a fé de Sansão, e lhe declararam inocente condenando a sentença do Conciliábulo." (Catálogo de los obispos de cordoba ... tomo I - pag. 174. Ano 1778, Córdoba [tradução nossa])

"Maomé rei de Córdoba morreu a 4 de Setembro de 886, deixando trinta e quatro filhos, e vinte filhas. Foi cruel inimigo dos Cristãos, e no seu tempo padeceu muito a Cristandade de Córdoba. S. Eulógio disse dele, que não foi menor em maldade, que havia sido seu falso Profeta, de quem tomou o nome: Non illo inferior meritir apparuit, cujus nomine insignitus ostenditur (Lib. 2 cap. 16). Com os Maometanos, e desertores da Religião Cristã foi muito humano; e em seus fins parece, que moderou sua ira cruel com os Cristãos, pois voltou a servir-se deles nas milícias, e ofícios públicos. No seu tempo floresceu em Córdoba o Moro Rasis, que escreveu a história de Espanha. Outro Rasis insigne Médico houve em Córdoba no século seguinte: de ambos tratou D. Micolás António (lib. 6 cap. 12)." (Catálogo de los obispos de cordoba ... tomo I - pag. 197. Ano 1778, Córdoba [tradução nossa])

"Os Maometanos de Córdoba e seus vizinhos tão irritados ficavam por estas fugas dos Mozárabes, que determinaram extingui-los. A muitos tiraram cruelmente a vida, e outros castigaram atrozmente, e colocaram em prisões muito apertadas. A todos despojaram de seus bens, e aos que ficaram com vida, depois de muitas injúrias os deportaram a África. Esta catástrofe teve-a Cristandade de Córdova. Escute-se Orderico: Porro Cordubenses, aliique Sarracenorum populi valde irati sunt, ut Mucerianos cum familiis, et rebus suis discesisse viderunt. Qua propter communi decreto contra resíduos insurrexerunt, rebus ominibus eos crudeliter expoliaverunt, verberibus, et vinculis, multisque in juriis crudeliter vexaverunt, multos eorum horrendis supliciis interemerunt, et omnes alios in Africam ultra fretum atalanticum relegaverunt, exilioque turci pro Christianorum odio, quibus magna pars eorum comitata fuerat, condemnaverunt. Sucedeu esta lamentável tragédia no ano de 1125, em que Orderico a escreve." (Catálogo de los obispos de cordoba ... tomo I - pag. 237. Ano 1778, Córdoba [tradução nossa])

Esta entrada dos Almoades na Hispania foi a fatal ruina da Cristandade, que havia ficado no Reino de Sevilha: porque era o ponto principal da seita, não permitir aos que adoravam muitos Deus, ou num Deus muitas pessoas: e assim extinguiram a Religião Cristã na África, e agora na Andaluzia. Clemente último Sevilhano pôde retirar-se para Talavera, donde morreu; e a Toledo passaram-se os Bispos de Médina-Sidonia, Marchena, e Niebla, ou Penhaflor com um santíssimo Arcediano chamado em árabe Archiquez, como escreve o Arcebispo D. Rodrigo (lib. 4 hist. cap. 3)

(continuação, III parte)

26/03/17

"APOSTASIA FORÇADA" DO JESUÍTA?

Eis que Martin Scorsese, o autor do desgraçado filme "A Última Tentação de Cristo" há pouco tempo lançou o filme "O Silêncio". Diz-se que esta mais recente obra sua foi para compensar daquela outra; não faltaram católicos a gostar e recomendar este triste filme.
 
"O Silêncio" baseia-se numa obra literária do séc. XX... , e conta a história do Pe. Cristóvão Ferreira, jesuíta missionário no Japão, que acaba por apostatar, mas do qual os especialistas não têm a certeza do final.
 
Este dia 24 de Março (2017), a Universidade de Coimbra descobre uma carta do Pe. Cristóvão Ferreira antes de apostatar (1618), onde fica patente o espírito optimista no futuro das Missões do Japão.


 
 
  
Já em 20 de Dezembro (2016) a RTP tinha publicado o parecer dos especialistas:

"(...)

Cristóvão Ferreira era, "naturalmente", "uma figura em grande tensão", que "continuará a ser muito controversa", porque "tinha tido extrema importância em termos da organização e manutenção da Companhia de Jesus, na qual teve cargos de grande responsabilidade", sublinha Tereza Sena.

O jesuíta que antes havia descrito martírios [no Japão] acabou por vir a fazer parte da `inquisição` japonesa, levando à apostasia de outros "que inclusivamente foram ao Japão com o propósito explícito de o fazer renegar à apostasia, como sucedeu com o segundo grupo Rubino".

E se era difícil acreditar na queda de tal figura moral, apesar das provações a que fora submetido, mais complicado terá sido o transtorno de aceitar que Cristóvão Ferreira ficara ao serviço das autoridades japonesas.

Após renunciar à fé, Cristóvão Ferreira inscreveu-se num templo -- prática que os apóstatas teriam de cumprir --, adota um nome japonês (Sawano Chuan) e "vive o resto da vida desesperadamente", descreve Mihoko Oka.

O seu nome surge associado a obras como a "Revelação das Falsidades", em que explica "as contradições dentro da fé", bem como tratados de cariz científico, ligados à medicina e à astronomia.

Relativamente à primeira, que terá sido produzida em 1636, Tereza Sena nota, porém, que "há uma grande discussão em torno da autoria", mas "não parece haver dúvidas, até pelo próprio teor e conhecimento em matéria teológica e do catolicismo, que é irrefutável a sua contribuição para a obra, que apenas foi descoberta no século XX, estranhamente selada".

Cristóvão Ferreira morreu em 1650, mas permanece até hoje uma dúvida: ter-se-á arrependido antes do último suspiro? "Schütte, jesuíta alemão muito sério, por exemplo, vai por essa linha de que terá sido um mártir no fim, que morreu na fé de Cristo, mas não há fontes que o comprovem claramente", assinala Tereza Sena.

Sabe-se que Cristóvão Ferreira constituiu família, havendo "pelo menos uma filha conhecida", indicou Mihoko Oka.

"Formalmente, e com a inscrição tradicional japonesa no templo e no altar do cemitério da família, ele aparece como chefe, ou seja, como primeiro de uma família. Nominalmente ou de facto -- não se sabe muito bem", complementou Tereza Sena.

Cristóvão Ferreira, que morreu em Nagasaki, foi sepultado em Edo (atual Tóquio).

O jesuíta português figura no centro do filme "Silêncio", do realizador Martin Scorsese, uma adaptação da obra homónima de Shusaku Endo (1923-1996), que tem estreia prevista em Portugal para janeiro.

A história do filme também se encontra ligada à presença dos jesuítas em Macau, onde Cristóvão Ferreira estudou teologia, já que Macau era então sítio de passagem obrigatória daqueles que eram enviados para o oriente.

"Recriámos Macau de 1640", disse o realizador Martin Scorsese, em outubro do ano passado. "Silêncio" foi rodado em Taiwan.

Macau, onde os portugueses se instalaram em 1557, é uma das mais antigas dioceses do extremo oriente e foi o local escolhido para erguer a primeira universidade de estilo ocidental na Ásia Oriental, uma escola da Companhia de Jesus, de que hoje apenas resta a fachada da igreja, as famosas ruínas de São Paulo, ex-líbris da cidade."

17/06/15

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 16 (II)

(continuação da I parte)

Livros

Ainda terei ocasião de patentear as equivocações e paralogismos das Côrtes Lusitanas sobre o artigo da censura dos livros, matéria esta em que os factos são mais poderosos que os raciocínios; e por agora satisfaço-me de ponderar que apenas os egrégios canonistas furtaram à Igreja todo o exame dos livros, nunca mais de pôde ter mão neles, para que não inundassem e pervertessem os reinos onde a autoridade civil se apossou daquela censura. Descansem por uma vez os engenhosos fabricantes de novas máquinas regeneradoras, que cedo ou tarde se voltará tudo contra eles, e uma desgraçada experiência os convencerá de que há certos interesses ligados intimamente à Fé, os quais só ficam bem nas mãos de uma Depositária fidelíssima, qual é a Igreja de Deus.

Um dos primeiros cuidados da nossa regeneração foi soltar os diques à torrente de maus livros, que até esse tempo se vendiam às ocultas e debaixo do capote, e dar amplíssima faculdade aos livreiros para terem sobre os mostradores A religiosa de Diderot, as obras mais ímpias de Voltaire e Freret; que as de Rousseau, não obstante o serem proibidas há muitos anos pela Real Mesa Censória, já se vendiam antes de 1820 sem rebuço, o que não admira, quando em Julho deste ano de 1823 se imprimia na Tipografia da Universidade o Contrato Social, porventura a fim de se radicar mais e mais a adesão e fidelidade ao Trono Português. Quase não havia neste Reino uma loja de livros, que não se tivesse mudado em em uma botica a mais bem sórdida de venenos, para se matar com eles quem se desgostasse de viver segundo os preceitos do Cristianismo. Para direcção dos novos costumes liberais tinha acudido um enxame de exemplares das Cartas do Lente de Matemática José Anastácio, onde se metem à bulha os dogmas do pecado original, da predestinação, das penas eternas (freio este que os Liberais tratam logo despedaçar a todo o custo), e a imortalidade da alma, e sua liberdade, etc. etc.. Guardarão a simples decência de lhe assinarem a cidade de Paris, como o lugar em que tinham sido impressas, quando por todos os exames e combinações se depreende claramente que tinha sido em Coimbra... Pois que impulso não deram à veneração das coisas santas, e à observância dos preceitos da Igreja um Cidadão Lusitano, e as Superstições descobertas?

Que nuvem de Santos de pau carunchoso não ameaçou procriar o licencioso retrato de Vénus? Que virtuosas donzelas, que boas mães de família não devia formar a piedosa leitura do Toucador das Senhoras, onde se lhes propinou desaforada e periodicamente o que há de mais venenoso em todos os escritos modernamente dedicados à obscenidade? Se algum destes livros, como notoriamente incurso nos abusos da liberdade de imprensa, era denunciado ao Júri, lá estavam os incorruptos e venerandos Jurados de Lisboa, que deixavam passar carros e carretas, e que, ouvindo a convicção íntima de suas melindrosas consciências, achavam que a licença franca de seguir os prazeres carnais, como outras tantas virtudes, e o escárnio das obras inspiradas e canónicas era um simples jogo de crianças!!! Pois um certo periódico mensal chamado Compilador, que meteu a salvo nessa farragem de inépcias quanto lhe veio à cabeça para mofar de tudo que é sagrado, e especialmente dos milagres, a que a devoção dos Portugueses tem dado há séculos inteiro crédito!! Pois o tom dictatório com que o Diário do Governo, ou das parvoíces, metia a sua colherada nos assuntos religiosos, confundindo e enxovalhando tudo!!! Os periódicos e mais impressos constitucionais seguiram a doutrina e sistema anti-religioso da Assembleia Francesa. Esta Assembleia extinguiu as ordens religiosas, e proibiu que os regulares trouxessem o hábito das ordens extintas. O Teólogo regular que escreveu as Memórias para as Côrtes Lusitanas decretou o mesmo: "Enfim (diz) o nome de Frade nunca mais deve lembrar, nem vestuário que o indique", e as Freiras são incluídas nesta extinção. O mesmo decretou o Dr. Apóstata; nas suas advertências úteis à pág. 30 n.º5, falando das Freiras, diz: "dispondo as coisas de modo, que com andar dos tempos se venham a extinguir" etc., palavras que declaram bem a sentença de morte contra os regulares. Mas outro ex-Frade e vagabundo Teólogo decreta a sua extinção com mais infâmia nas suas reflexões sobre um e outro Clero. Ele repete contra estas ordens respeitáveis os impropérios e calúnias dos hereges, e professa contra estas instituições religiosas o mesmo desprezo, ódio e rancor dos ímpios.

Este mesmo como o Teólogo Frade estabelecem todas as máximas da Assembleia Francesa, e justificam e autorizam o Congresso Português para as decretar. Ele quer a tolerância até ao ponto de se unir o Teólogo com o Filósofo: quer a extinção do Santo ofício: declara o Congresso autorizado para as reformas eclesiásticas: quer a extinção das imunidades, e o saque dos bens eclesiásticos, que declara nacionais e pertencentes à Nação. O ex-Frade zomba e escarnece de toda a Teologia; afirma que a Polémica tem feito hereges, a Mística doidos, e a Exegética até ateus. Ele quer que se desterre essa ciência, e que a Religião seja ensinada só por um Catecismo. Mas quem deverá fazer este Catecismo? Será um Teólogo e Mestre da lei? Isso não quer o ex-Frade. Chama questões de insignificância às que se suscitaram no séc. IV entre os Arianos e Católicos, e fala com desprezo delas, tendo em nenhuma monta a defesa de um dogma fundamental da Religião, como é o da Santíssima Trindade; nem é menos notável quando fala nos debates teológicos a favor da doutrina da Graça desde Santo Agostinho até nós.

D. Pedro de Alcântara, Imperador do Brasil, deu ordem de extinção de todas as Ordens religiosas em Portugal.

Para justificar a autoridade, que dá ao Congresso para as reformas eclesiásticas, não só calúnia os Concílios, e até os gerais, mas também afirma que sente mal destas Assembleias gerais. Ele as tem, como os Protestantes, por meramente humanas, isto é, não vê nelas senão homens, e as paixões dos homens, o que é injurioso ao Espírito Santo que as dirige, e às promessas de J. C. à sua Igreja, que tão positivamente nega. Este Teólogo confirma com a sua doutrina o que o Reformador da Itália dizia em 1769: que a Seita Teológica estava já adiantada em Portugal.

Item decretam contra os celibatários, e que ao Papa se peça licença para que os Frades e Freiras de pouca idade se casem. Podia-se-lhe repetir aquela sentença de Erasmo a Lutero: "A vossa reforma acaba, como as comédias, em casamentos, e provar com Bergier que é mais prejudicial à república civil e moral o celibatário da libertinagem do que o eclesiástico e religioso. Decreta mais a reforma das rendas dos arcebispos, Bispos, e Cónegos etc., e com poder mais que pontifício os põe a pão e laranja, e extingue os dízimos com fundamento de que não são de direito divino. Em consequência desta abolição manda sustentar o Clero secular pelos seus fregueses. Que política1 lançar uma nova contribuição ao povo para lhe tirar os dízimos a que estava acostumado: e que doutrina! J. C. ordenou que os que servem o Altar vivam do Altar, e proibindo-lhe o implicarem-se em negócios seculares, não lhe especificou e realizou esta côngrua e quota, e não pertencia à sua Igreja o realizá-la, quando isto se fez necessário? Pode haver autoridade mais legítima do que a Comissária de J. C. para todos os assuntos religiosos? E como estes dízimos não foram taxados por J. C., mas sim pela sua Igreja, decide que sejam abolidos, e até o seu nome. E quem não vê que pretendem nisto reformar mais o poder da Igreja que os Eclesiásticos? Nem um Concílio geral faria tanto. mas se por não serem os dízimos de direito divino devem ser abolidos, que outra coisa se lhes poderá substituir que não fique sujeita á mesma sentença de abolição dada pelo mesmo direito, e pelos mesmos juízes? Sustentem-se de pensões dadas ou pelos povos, ou pelo Estado; e afinal que teremos, senão decretos de direito humano para a sustentação do Clero? e por mais que se decrete para se substituir os dízimos, ficará sujeito à abolição pelo mesmo fundamento de que não é de direito divino. O fim destas reformas era, à imitação da revolução da França, tirar aos Eclesiásticos a sua côngrua sustentação, para que diminuísse e acabasse o Clero, e com ele a Igreja, porque esta não subsiste sem Ministros. e se a côngrua sustentação deles é de direito divino, não será contra direito divino tirar-lha? Veja-se Bergier sobre este ponto.

Item extinguiram estes dois Mações a Ordem de mala, e das Comendatarias, e até as músicas das Catedrais, e tão republicanos como os da Assembleia de França, queriam dar cabo dos vínculos, e nos eclesiásticos de toda a representação civil. Abolindo assim pelo primeiro decreto a Nobreza ou aquilo que a sustentava, e pelo segundo o que constitui o Clero um dos estados da Monarquia, reduzindo por estes dois decretos a Monarquia a um estado popular. Ambos decretam a tolerância universal, que é o mesmo que religião nenhuma.

O Reformador regular exclui, como a assembleia Francesa, o Papa da eleição e confirmação dos Bispos, cometendo-a a um Concílio nacional; e o Apóstata acrescenta que toda a dignidade eclesiástica será dada pelo Rei e pela Nação, e que nunca mais se torne a recorrer a Roma para a sagração de Arcebispos, Bispos, e Párocos (sagração de Parcos!!), porque (diz este fauto) não consta que J. C. desse mais poder ao Bispo de Roma que aos mais Bispos; seguiu o erro condenado de Mersilio de Pádua, e é Protestante, porque nega o primado de autoridade ao Sumo Pontífice, e é réu do Alvará de 30 de Julho de 1795, por igualar os Bispos ao papa seu Primaz. Uns tais Bispos não teriam Missão divina, e uma tal doutrina nasceu do espírito de insubordinação com que sacudiram o jugo das leis da Igreja, e lhe negaram o influxo do Espírito Santo. Fiquemos por aqui.

Eis aqui muito em grosso uma noção sucinta do que nós aproveitámos durante o Sistema Constitucional, que, se por nossos pecados, chega a ter mais um ano de duração, creio firmemente que seriam irreparáveis os seus danos. Entretanto será coisa bem lastimosa que não seque de todo a fonte que ainda corre dos países estrangeiros, e que o Império civil não desembainhe quanto antes a espada da lei para castigar os seus infractores; visto que será inútil qualquer outro remédio enquanto a nossa mocidade se imbuir das perversas doutrinas de tais mestres, que seriam os únicos autores de nossas maiores desgraças, se os mestres vivos, e existentes não fossem ainda mais para temer.

(continuação, III parte)

17/04/15

A CONTRA-MINA Nº 1: Razão do Título da Obra (II)

(continuação da I parte)

Nos 8 anos contados de 1820 fizeram-se as maiores diligências, para que o Povo se embriagasse do cálice da Prostituta, ou, para melhor dizer, da Constituição. Prometeu-se-lhe o que nunca lhe seria outorgado, nem concedido; embalaram as gentes do campo, e os inexpertos Lavradores com a risonha esperança, nem foros, nem rações; pintaram-lhes como Usurpadores os que eram verdadeiros Senhores das terras, de que eles subsistiam, e pareceu a muitos destes miseráveis, assim iludidos, que estariam desligados para sempre das obrigações contraídas pelos seus Maiores; e que mui grande, e boa coisa era uma Constituição Política, que os fazia absolutos Senhores de quanto agricultavam, e recolhiam..... Não passou esta agradável perspectiva de um estéril, e manhoso anúncio... pois logo se conheceu, que se os antigos encargos fossem abolidos, ficariam sem efeito os 4800 rs. diários aos chamados Representantes da Nação, e outras miudezas do mesmo género, que não existem, nem podem existir sem dinheiro. Viu-se que todo, quanto havia no Reino, era pouco para essa alcateia de Tantalos, sequiosos de grandes fortunas, e conheceu-se afinal que os Regeneradores do Tesouro nacional (ou Maçónico), longe de lhe curarem as feridas, parece que só trabalharam para as fazer cada vez mais profundas, ou incuráveis. Tudo era vociferar nos Campeões, nos Brasilienses, nos Portugueses, e outros bota-fogos semelhantes contra as sanguessugas do Estado, contra os mandões, contra os valídos, contra a odiosa acumulação de empregos, etc. e deitando a mão sacrílega ao leme do Estado, e já por eles tão desejada arrecadação das Finanças, seguiu-se um espantoso naufrágio, cresceu desmesuradamente a dívida pública, de que enchiam a boca para menoscavarem o governo precedente, e trabalhou mais nos três infaustos anos, em que estes marinheiros dirigiram a Barca do Estado, para a levarem a pique, e a submergirem, do que nos maus dias de Junot, quando este Próconsul exigia os 40 milhões de cruzados para resgate das nossas fazendas, e propriedades!

Se fizeram maravilhas no artigo "Finanças" em tudo o mais foram coerentes, e sempre iguais a si próprios, o que fez tão viva impressão no ânimo de todos os bons Portugueses, que a sua impaciência, pela chegada de um Restaurador, que pusesse termo a esta medonha série de rapinas, e de sacrilégios, era ao mesmo passo um remédio, e um tormento. Era um remédio, porque só visto de longe animava, e consolava; era um tormento, porque a dilação exacerbava as nossas penas, e fazia que tremêssemos a cada instante pela segurança de um Príncipe, que é, e será as Delícias dos Portugueses, sem diferença do que tremeríamos se víssemos no maior perigo a nossa existência... A compressão, em que vivemos desde 6 de Março de 1826 até 22 de Fevereiro de 1828, só tem paralelo nas agonias da morte; o que era tão conhecido da Maçonaria, que se atreveu como a dar caça aos mais recônditos segredos de nossos corações. Um forro vermelho num chapéu, ser causa bastante para ser fustigado quase até morrer um infeliz Transmontano! O nome do Arcanjo S. Miguel ser evitado cautelosamente, para que não parecesse um crime de Lesa-Nação! Ferverem os insultos na Capital do Reino às pessoas Eclesiásticas, e nomeadamente às que não eram, nem queriam ser da Confraria.... Os Católicos, e amigos do seu Rei detestados, e enxovalhados em pinturas, que eu vi, e de que tantas vezes me horrorizei! Por este violentíssimo estado, muito pior que o dos forçados das galés, ou que os dos escravos de Argel, é que devemos regular presentemente as nossas ideias, para fugirmos até das mínimas aparências de uma Revolução! nem que fossemos bem sucedidos, ou gozássemos delícias inefáveis, nas que dentro em poucos anos tem passado por cima das nossas cabeças, e ameaçado subverter-nos!!

"Sua Majestade o Senhor Dom Miguel Rei de Portugal e dos Algarves"
Ora, de todos estes princípios nasceu a entranhável afeição dos bons Portugueses ao mui Alto, e Poderoso Senhor D. MIGUEL I. Não me cansarei de o repetir; ele é, e tem sido uma vítima generosa pelas felicidades deste Reino... Não seria ele mais ditoso no estado particular do que é cingindo a Coroa destes Reinos? Que lhe faltava na Côrte de Viena de Áustria para ser ditoso, quanto pôde ser um Príncipe aliado da Família Imperial? Faltou-lhe uma só coisa; que os seus Portugueses também o fossem: lá chegaram os clamores da fidelidade Portuguesa, e ao ver que naufragávamos em todo o sentido, que brevemente nem seriamos Portugueses, e, o que é pior, nem ainda Cristãos, estremeceu à vista das nossas desgraças (e mediu a grandeza do perigo), e sem hesitar, sujeitou-se a uma alternativa, que faria vacilar qualquer outro espírito menos alentado, e generoso que o seu,qual era, ou de morrer connosco, ou de nos libertar para sempre do férreo julgo da Maçonaria.

Nunca deveu a Nação Portuguesa a um Soberano, o que ela deve ao actual, e de que nunca se deverá recordar sem lágrimas de ternura, e do mais vivo agradecimento. O Senhor D. João I, o Senhor D. João IV foram os Restauradores da Monarquia Portuguesa; ambos porém encontraram nos Portugueses uma só alma, um só coração, uma só vontade... mas que encontrou o Senhor D. MIGUEL I ao saltar nas praias deste Reino?... Uma democracia furibunda, e tão furibunda, que um Lentezinho desta Universidade de Coimbra protestou, que saberia ensinar o Senhor D. MIGUEL se ele viesse com ideias anti-Constitucionais!!!! Os tais Demagogos faziam-se com terra para ensinarem o próprio Regente da Monarquia; e que respeito, ou consideração teriam eles com os dignos Pares, quando se tratasse de nivelar as condições, e abater os grandes Proprietários?..... Quando este Reino saiu da mão dos Reis Filipes Castelhanos, achava-se o Clero Português com todas as suas honras, e privilégios intactos, como se devia esperar de Soberanos Católicos; porém agora, quando este Reino saiu das impuras mãos, ou antes garras dos Constitucionais, que consideração tinha o Clero, de que liberdade gozava o Pároco, ou o Bispo em ordem a pastorear o seu rebanho.... Ver, e gemer, eis o principal ofício, a qual se reduziram todos... Qual era a veneração dos principais objectos do Culto, e dos Sagrados Templos?Quase não passava uma Semana, em que se não ouvisse "lá furtaram os Vasos Sagrados em tal Igreja, lá arrombaram os Sacrário de outra, lá deitaram no chão, e espezinharam as Sagradas Formas, lá atiraram com lama ao Sacratíssimo Sacramento, caso este nefando, e único na História dos Sacrilégios perpetrados neste Reino! Como eram tratadas nesse tempo estas, e outras que tais violações das coisas Santas? Como rapaziadas, e sucessos de pouca monta; e assim o deviam ser no conceito dos rígidos observadores de uma Constituição." para a qual estes, e outros factos do mesmo jaez, ficavam sem taxa ou nota, por isso mesmo que não perturbavam a ordem pública... Agora outros factos, por exemplo, recomendar-se do púlpito o jejum da Quaresma, e a observância desta, e de outras Leis da igreja, era o mesmo que contrariar abertamente o Sistema Constitucional, e fazer-se credor da odiosa qualificação de Energúmenos, e perturbadores da ordem pública...

Tomara que os Portugueses estudasse de contínuo estes atrasados, não para se vingarem, o que só pertence ao Legislador, e à lei, mas para se fortalecerem cada vez mais nos sentimentos de amor, e lealdade para com um Soberano, que nos preservou de tantos males, e nos acarretou um sem número de bens, que, no meu conceito, o maior de todos é o terem cessado os Sacrilégios, e podermos ser Cristãos à nossa vontade.... Já respira, já não é prisioneira, e condenada a um rigoroso silêncio a palavra do Senhor, espalha-se em diferentes partes deste Reino, que por ter experimentado uma seca de oito anos poria à sede.... e apenas chegou o Senhor D. MIGUEL, e os zelosos operários da Vinha do Senhor começaram os seus tão penosos, como utilíssimos trabalhos, reverdeceram milhares, e milhares de plantas, que já pareciam definhadas, e mortas; receberam nova força as que tinham sido açoitadas de tormenta Constitucional, mas que assim mesmo tinham conservado os sucos vitais da crença verdadeira. Nota-se pois em todo o Reino uma santa avidez das boas doutrinas, que arrasta os Povos de léguas, e léguas para ouvirem as trombetas do Evangelho; e é força que todos estes Povos conheçam e protestem altamente, que é o Senhor D. MIGUEL abaixo de Deus, a quem devem todas estas felicidades. E que outra coisa há-de desta cadeia, a mais extensa, e nunca interrompida de maravilhas do Céu, senão a indestrutível firmeza dos laços que prendem o mais fiel dos Povos do Mundo com o Soberano, que tem feito maiores Sacrifícios, e que mais tem padecido em graça de seus Povos? E quererão estes Povos lançar-se outra vez, e desatinadamente, nesse boqueirão Maçónico, em tudo viva cópia de poço do Abismo, donde só poderiam sair males, e desgraças sem conto, e a própria extinção da Fé Católica neste Reino? Não o creio; porém a sedução é contínua, assim como a estragética dos Mações é a arte mais fecunda em sonhar perigos, que façam estremecer uns, e em prometer grandes venturas, com que possa abalar, ou determinar a simplicidade de outros; e por isso é chegada a ocasião de se acender, mais que nunca, a fatalíssima, para os Mações, guerra da pena, em quanto não principia a outra da espada, cujo efeito será mais pronto, e decisivo, como tratarei de provar no Número seguinte.

Coimbra 2 de Dezembro de 1830.

17/05/14

"PORTUGAL EM ROMA" - D. MIGUEL I, D. PEDRO I e o PAPA GREGÓRIO XVI

Gregório XVI
"Bartolomeu Alberto Capellari foi o Pontífice eleito para suceder a Pio VIII, num conclave que durou 50 dias, e que tomou o nome de Gregório XVI. O Cardial Capellari tinha nascido em 18 de Setembro de 1765 em Belluno, no norte da Itália, de João Baptista e Júlia Cesa. Em 1783 vestira o hábito de monge camaldulense em S. Miguel de Murano, de Veneza, tomou o nome de Mauro e celebrou a primeira Missa em 1787.

Destinado pelos superiores para companheiro do Suprior Geral em Roma chegou aqui em 1795; e em 1800 foi nomeado Vigário Abacial do Mosteiro de S. Gregório; e em 1805 foi Abade e sucessivamente Procurador Geral e Vigário Geral da sua Congregação. E a fama das suas virtudes e do seu talento ia crescendo!

Pio VII nomeou-o consultor de diversas congregações, visitador apostólico das universidades da Perusa, Camerino, Macerata e Fermo; e no Consistório de 21 de Março de 1825 criou-o Cardial e mais tarde Prefeito da Propaganda Fide. Em seguida, foi Plenipotenciário para concluir uma Concordata com o Rei dos Paises-Baixos. À morte de Leão XII o Cardial Mauro Capellari interveio no Conclave de 1829 donde saíu eleito o Pontífice Pio VIII. E à morte deste, a 2 de Fevereiro de 1831, foi eleito Papa.

O povo romano que lhe conhecia as virtudes ficou contente com a escolha feita pelo Sacro Colégio; e na primeira vez que o Papa saiu a passeio, aclamou-o com alma e levou-o em triunfo pelas ruas da cidade, tirando os cavalos da carruagem. Ia com Sua Santidade o Cardial Bernetti, seu pro-Secretário de Estado, que mais tarde, em 1836, deveria ser substituido pelo Cardial Lambruschini, ex-Núncio em Paris.

Gregório XVI, antigo monge camaldulense, era um devoto fervorosíssimo da Regra de S. Bento, razão por que entendeu instituir a Ordem Equestre de S. Gregório Magno com a Constituição "Quod Dummis" de 1 de Setembro de 1831.

D. Miguel I que reinava em Portugal enviou a Roma na qualidade de Embaixador D. António de Almeida, Marquês de Lavradio, que pediu ao Santo Padre a provisão dos bispados, ao contrário dos agentes de D. Maria II, pretendente ao trono, que se esforçaram por impedir a instituição canónica dos bispos nomeados pelo Rei.
D. Miguel I, de Portugal
Gregório XVI a quem importava acima de tudo prover aos interesses religiosos de Portugal, perturbados pelos acontecimentos políticos, em 5 de Agosto de 1831 com a Constituição "Sollicitudo", referindo-se ao que haviam feito os seus antecessores em semelhantes contingências, declarou que entrando ele e os seus sucessores em negociações com alguém e enviando núncios ou legados, não entendiam das aos mesmos algum direito ou prejudicar os direitos de outrem, mas tinham unicamente em mira a felicidade espiritual dos povos.

Feita esta declaração fundamental, o Papa reconheceu D. Miguel I, recebeu o seu Embaixador e ordenou a instituição canónica dos bispos apresentados.

D. Pedro I do Brasil
Enquanto D. Pedro I, depois de abdicar o Império do Brasil a favor do filho D. Pedro II, e querer tomar o título de Duque de Bragança, veio à Europa tentar reconquistar para a filha o Reino de Portugal, Gregório XVI, no Consistório de 30 de Setembro do mesmo ano, criou Cardial o Núncio Mons. Justiniani, reservando-o in petto e publicando-o a 11 de Junho de 1832. O solidéu cardinalício foi levado a Lisboa pelo guarda nobre João Baptista Pondolfi, servindo de ablegado Mons. Minardi, auditor da Nunciatura.

D. Pedro I, depois de dois anos de áspera luta, toma Lisboa no fim de Julho de 1833 e obriga o Rei e irmão D. Miguel I a sair de Portugal. Logo que formou um governo tomou posse, estabeleceu na capital uma comissão com fim à "reforma" do clero, "aboliu" os privilégios que gozava, declarou vagas as Sés providas durante o reinado de D. Miguel I, "suprimiu" os conventos e, além de outros actos de perseguição, intimou o pro-Núncio Cardial Justiniani a deixar Portugal no prazo de poucos dias."

(o texto tem correcções)

(a continuar)

14/05/14

CONVENTO DE Sto. ANTÓNIO DO VARATOJO - A EXTINÇÃO (I)


D. Pedro I do Brasil, ou "D. Pedro IV"
"Foi atrasada, para não dizer suspensa, a acção missionária dos Varatojos, com o assalto do convento e expulsão dos seus religiosos, levado a efeito pelo governo liberal. O decreto da extinção de todas as ordens e congregações religiosas e da expropriação de todos os seus bens é assinado por D. Pedro IV em 28 de Maio de 1834. No ano anterior tinha dispersado a comunidade de Varatojo, certa da violência daqueles políticos anticongreganistas (1)

A fuga efectuou-se em 25 de Julho de 1833. Eram 21 os sacerdotes, 6 irmãos leigos e 6 irmãos donatos. Em Novembro desse ano o Juiz de Fora da comarca de Torres Vedras iniciava o arrolamento do recheio do convento. As pratas da igreja, custódia, cálices e cibórios foram salvos, graças à habilidade corajosa de um jovem religioso, dizia mais tarde um vizinho do convento, que supomos ser o Doutor José Eduardo César da quinta da Marinha. Toda a mobília do convento foi aleiloada, informa o mesmo doutor, e diz que a biblioteca fora poupada na ocasião, mas, em 1837, a maior parte dos seus livros foram transportados em 50 caixotes, para a biblioteca pública de Lisboa e os restantes abandonados à cobiça dos curiosos (2). A igreja, diz o mesmo informador, foi poupada, devido ao zelo e cuidado do Prior de S. Pedro de Torres Vedras, António Joaquim Alves Castelo Branco, que nela conservou sempre o Santíssimo e sustentou missa dominical.

O edifício conventual, excluída a igreja, foi comprado com a cerca, em hasta pública, em 1845, pelo Barão da Torre de Moncorvo, embaixador de Portugal em Londres. Durou 28 anos a solidão clausural daquele convento, cuja existência subia a três séculos e meio. Por milagre de Santo António, seu Padroeiro e titular, voltou aos seus antigos usufrutuários e ao antigo destino missionário em 1861. Dos 160 conventos franciscanos existentes no Continente, o de Varatojo foi o único restituído ao seu primitivo apostolado. Foi comprado nesse ano, incluída a Igreja, ao Conde Barão de Moncorvo, herdeiro do referido proprietário, pelo Padre Frei Joaquim do Espírito Santo, antigo egresso varatojano, por três contos e quatrocentos mil reis, cerca de 250 contos da moeda actual (3). A escritura foi assinada em Lisboa de 24 de Dezembro de 1860, mas o auto de posse realizou-se no convento de Varatojo a 16 de Fevereiro de 1861.


No dia 29 de Março seguinte, já era habitado por três sacerdotes e dois irmãos leigos, antigos "egressos" da comunidade varatojana. Juntaram-se-lhes mais tarde outros três sacerdotes dos antigos confrades de Varatojo. Iniciaram estes seis "regressos" a antiga vida austera da comunidade em que tinham sido criados e o apostolado das missões gratuito, como o dos seus antigos mestres, e como eles a celebração gratuita das missas diárias. Conservaram esta antiga disciplina durante 22 anos, 1861-1883.

Em Maio deste último ano receberam a visita do Ministro Geral de toda a Ordem, Pe. Frei Bernardino do Porto Romantino, que resolveu os austeros varatojanos a amaciar um tanto as austeridades da sua comunidade e a adquirir o convento de S. Bernardino da Atouguia da Baleia, Peniche, e o de Bracanes em Setúbal, para iniciar a criação da Província dos Santos Mártires de Marrocos em Portugal. Foi proclamada a inauguração desta Província à comunidade de S. Bernardino em 18 de Novembro de 1891 e à comunidade de Varatojo no dia seguinte.

A necessidade de sustentar colégio de preparatórios e coristados de filosofia e de teologia obrigou os antigos varatojanos à aceitação de esmola pela celebração das missas e pela pregação.

(continuação, II parte)

26/11/13

"BERGOLIO-MAN", UNIDO AO "ESPÍRITO DO CONCÍLIO"

Os incidentes recentes na Catedral de Buenos Aires, quando nela o Arcebispo se juntou a rezar com judeus, protestantes, e talvez algo mais, movimentaram depois muito as redes sociais. O perfil de facebook mais agitado foi o do deputado argentino Eduardo Amadeo que decidiu distrair o público do verdadeiro e gravíssimo problema lançando por toda a internet fotos dos católicos que tinham ido protestar pacificamente à catedral. Amadeu tratou de atrair para aquele grupo todos os ódios possíveis. Alguns católicos, e acho que até não católicos defenderam aquele grupo de católicos e atacaram Amadeu pelas acusações terríveis que tinha dirigido a alguns destes "manifestantes". Depois depois deste deputado ter recebido comentários que serviram como verdadeiras sovas, e de apertado ter descido a baixo nível nas repostas que deu, depois dos católicos tradicionalistas (e outros, e não só católicos) terem deixado ali um número sólido de argumentos à vista de todos, apareceu a segunda vedeta da festa: Sérgio Bergman, rabino e político argentino, amigo do Papa Bergoglio!

Bergman, que ultimamente já lhe vi chamarem "Bergoglio-man", não se misturou no mesmo espaço virtual de Eduardo Amadeu e usou o seu Tweeter de forma muito mais hábil. Se Amadeu ficou com o trabalho mais apropriado para um goym, Bergman veio apenas apanhar a informação reunida e colocar a cereja no cimo do bolo... pasmem senhores e senhoras, meninos e meninas, o Rabino Bergman não viu melhor tacada que defender a postura que por aqui chamamos dos "modernistas progressistas", noutras palavras, Bergman defendeu alinha que antes de Bento XVI chamávamos de "espírito do Concilio"! Não pode ser !? ... Pode ser sim, chamou "nosso" ao Papa Francisco e outras coisas mais. Confirmem:


(saltou Bento XVI ...)

Mais não digo ...

01/11/12

CEGOS QUE GUIAM CEGOS, FALAM DA FSSPX


Na entrevista da Rádio Renascença (31/10/12) a D. Nuno Brás (bispo auxiliar de Lisboa) e a Aura Miguel, sendo o tema principal o Halloween e o "pão por Deus", falou-se da FSSPX e de Mons. Williamson. Vou guardar-me de fazer comentários por agora, e deixo-vos a parte do áudio, e respectiva transcrição, retirados de tal entrevista.


RR - "Penso que também é oportuno comentarmos esta semana o que se passa relativamente à Fraternidade Sacerdotal S. Pio X. Esta Fraternidade expulsou, há dias, por rebeldia e desobediência aquele bispo que, há alguns anos, causou polémica por ter negado a existência do "holocausto". Este afastamento pode ajudar a reaproximação deste grupo à Santa Sé, na questão das negociações?

Aura Miguel - É bom recordar, porque tem havido diálogo, há 3 anos, durante o qual uma comissão reuniu-se 8 vezes para estudar e discutir vários assuntos, alguns controversos... Várias tentativas foram realizadas pelo Papa, pela Santa Sé nomeadamente, portanto, estendendo à Igreja universal a Forma Extraordinária do Rito Romano (esta maneira de celebrar missa, maneira extraordinária como os seguidores de Lefebvre, digamos assim, gostam), mas...

RR - E convém relembrar que este grupo não aceita as alterações que surgiram com o Concílio Vaticano II.

Aura Miguel - Não... Vem de terem sido excomungados. Alem disso havia imensas resistências, e a separação veio com o facto de Mons. Lefebvre ter ordenado alguns bispos sem a autorização do Papa. Este papa levantou-lhes a excomunhão, estendeu-lhes a mão, permitiu que seja possível, de maneira extraordinária, celebrar missa segundo o rito que gostam, portanto aboliu essas excomunhões. E no dia 13 de Junho, deste ano, a comissão criada pelo Papa apresentou à FSSPX uma declaração doutrinal e a proposta para normalização canónica para esta, finalmente, se resolver ou não. E tem havido algum impasse... e um dos passos, creio eu, foi a expulsão Williamson da FSSPX. Não é de imediato, a essa expulsão, nem é o único obstáculo.

Gostava de sublinhar o que saiu, o que saiu como comunicado. Tem havido imensas especulações: disseram que "não", que afinal eles nunca irão aceitar o Concílio Vaticano II, ainda para mais agora que foi sublinhada a importância e actualidade do Concílio, o que ainda os terá, diziam alguns, irritado mais sendo aprofundada essa clivagem... De qualquer modo, as últimas notícias que sabemos é que eles pediram mais tempo para pensar. E da Santa Sé saiu um comunicado muito interessante que diz que, após 30 anos de separação 8são 30 anos de separação... imaginem se um casal se divorcia e separa e 30 anos depois se querem reconciliar, o quão será difícil com tanta coisa e tantos obstáculos a superar, imagine-se então neste caso - isto é uma comparação um tanto desajeitada). Diz a Santa Sé "após 30 anos de separação, é compreensível que haja necessidade de tempo para absorver o significado destes recentes desenvolvimentos, e o Papa Bento XVI, pretende é promover e preservar a unidade da Igreja atravez da reconsciliação tão esperada. É preciso - conclui a nota - paciência, serenidade, perseverança e confiança".

RR - D. Nuno...

D. Nuno Brás - Sim... creio que não seria de todo mau que os próprios "lefebvrianos" dessem um sinal de boa-vontade! Não é?... E portanto, não estivessem sempre a dizer "esperem mais um bocadinho, esperem mais um bocadinho, esperem mais um bocadinho... depois logo se vê...". Depois de tantos sinais que o Santo Padre tem dado, depois de tudo aquilo que ele tem feito, que dessem um sinal positivo (eventualmente não o deram ainda porque há divisões internas... e portanto o próprio Superior da FSSPX será objecto de imensas, imensas pressões internas - não sabemos muito mais que isto).

26/10/12

CARTA A MONS. FELLAY (em portugês internacional)


Pediram-me simpaticamente que traduzisse a carta que Mons. Williamson enviou a Mons. Fellay no dia 19 de Outubro de 2012. Assim fiz com dificuldade, tanto que na nossa língua e bons-costumes há situações que se desdobram e têm as suas distinções necessárias. É principalmente o caso do tratamento pessoal que em outras línguas ou não existe ou existe com menor clareza e grau. É de notar que a parte da carta em que Mons. Williamson se apresenta como "réu" é feita na 3ª pessoa do singular (apropriadamente, e tal como no original). Trata-se de uma carta longa e histórica e que deveria ser lida pela hierarquia da Santa Igreja e pelos fiéis, independentemente das opiniões. O esforço central da tradução foi a conservação do sentido:
Londres, 19 de Outubro de 2012.

Excelência Reverendíssima:

Agradeço a carta de 4 de Outubro na qual me é comunicado da parte de V. Ex.ª Revma., da parte do Conselho Geral e do Capítulo Geral, a "constatação", "declaração" e "decisão" de que já não sou membro da Fraternidade S. Pio X. As razões apresentadas para V. Ex.ª Revma. ter afastado a este vosso súbdito são: que ele continuou a publicação dos "Comentários Eleison"; que atacou as autoridades da Fraternidade; que fez um apostolado independente; que causou confusão entre os fiéis; que apoiou os sacerdotes rebeldes; que desobedeceu formalmente, de forma obstinada e "pertinaz"; que se separou da Fraternidade; que não se submete a nenhuma autoridade. Todas estas razões não podem resumir-se simplesmente em desobediência? Sem dúvida, ao longo dos últimos doze anos, este vosso servidor teve problemas e acções que, diante de Deus, foram impróprias e excessivas, mas creio que bastaria que lho tivessem assinalado em particular para ele poder desculpar-se, segundo a verdade e a justiça. Contudo, não haja dúvida, nós concordamos que o problema essencial não reside nos detalhas, que se resumem a uma palavra apenas: desobediência.

Para iniciar, notemos então quantas ordens mais ou menos desagradáveis o súbdito recebeu do seu Superior Geral, as quais cumpriu sem falta.

Em 2003, deixou um importante apostolado nos U.S.A. para ir para a Argentina. Em 2009 deixou o cargo de director do Seminário e foi-se da Argentina para emudecer-se num refúgio em Londres, sem palavra nem ministério episcopal, porque estava proibido. Não lhe restava mais que, virtualmente, exercer o ministério com os "Comentários Eleison", cujo o recuso em suspendê-los constitui a maior parte desta "desobediência" que se lhe aponta. Desde 2009, foi permitido aos Superiores da Fraternidade desacreditá-lo e injuriá-lo tanto quanto quisessem, e em todo mundo alentaram a todo e qualquer membro da Fraternidade que o desejasse fazer também.

O vosso súbdito pouco reagiu, preferindo o silêncio às confrontações escandalosas. Poderíamos dizer igualmente que se obstinou em não desobedecer. Mas adiante, porque nem está nisto o verdadeiro problema.

Em que radica então o verdadeiro problema? Para dar resposta, permita-se ao acusado olhar rapidamente a história da Fraternidade da qual pretendem separá-lo.

Pelo que parece, o problema central vem de longe.

CATOLICISMO E LIBERALISMO

Desde a Revolução Francesa dos finais do séc. XVIII, em muitos daqueles que tinham sido Estados cristãos, começou-se a desenvolver um novo ordenamento mundial, concebido pelos inimigos da Igreja para assim expulsarem Deus da sua criação. Começou-se por substituir ao Ancien Regime, ou ao Trono que sustinha o Altar, por meio da separação da igreja e do Estado. Disto resultou uma estrutura social que é radicalmente nova e difícil para a Igreja, porque o Estado, ateu a partir de então, terminou por opor-se com todas as forças à religião de Deus.

Assim, os mações quiseram substituir o verdadeiro culto de Deus pelo culto da liberdade da qual o Estado neutro em religião não é mais que um instrumento.

Nos tempos modernos começa assim uma guerra implacável entre a religião de Deus, defendida pela Igreja Católica, e a nova religião do homem, liberado de Deus, e liberal.  Estas duas religiões são de tal forma inconciliáveis como Deus com o demónio.

Há que escolher entre o catolicismo e o liberalismo.

Mas o homem não quer ter de optar [entre duas coisas]. Quer as duas. No rastro da Revolução encontramos a Felicité de Lamennais que inventou o catolicismo liberal, e, a partir desse momento, a conciliação do inconciliável converte-se em moeda corrente no interior da Igreja.

Durante 120 anos, a misericórdia de Deus deu à sua Igreja uma série de papas, de Gregório XVI a Pio XII, os quais em sua maioria viram claramente e se mantiveram firmes, mas um número crescente de fiéis inclinavam-se a essa independência relativamente a Deus e dados mais aos prazeres materiais que o catolicismo liberal lhe ia facilitando gradualmente. Uma corrupção progressiva chegou aos bispos e sacerdotes, e então Deus terminou por permitir-lhes escolher o tipo de papas que preferissem, a saber, os que parecem ser católicos mas que na realidade sejam liberais, os que falam à direita mas actuam pela esquerda, que se caracterizam então pela contradição, a ambiguidade, a dialéctica hegeliana e, em breve, a mentira.

Esta é a Neo-Igreja do Vaticano II.

Não poderia ser de outra maneira.

Não é mais que um sonho aquele de reconciliação entre realidades inconciliáveis.

Mas Deus - palavra de Sto.Agostinho - não abandona as almas que não querem abandoná-l'O, e assim Ele vem em auxílio das poucas almas católicas restantes que se negam a seguir a acomodatícia apostasia do Vaticano II. Ele suscita um arcebispo que resistirá à traição dos prelados conciliares. Respeitando a realidade, não buscando conciliar o inconciliável, negando-se a sonhar, este arcebispo fala com claridade, coerência e verdade que faz que as ovelhas reconheçam a voz do divino Mestre. A Fraternidade sacerdotal que ele funda para formar sacerdotes autênticamente católicos começa em pequena escala, mas rejeitando visivelmente os erros conciliares e o seu fundamento que foi o catolicismo liberal, atrai aos verdadeiros católicos em todo o mundo, e constitui assim a coluna vertebral de todo um movimento na Igreja que lhe chamaram de Tradicionalismo.

Mas esse movimento é insuportável aos homens da Neo-Igreja, que querem substituir o catolicismo pelo catolicismo liberal.

Auxiliados pelos meios de comunicação e governos, eles fizeram tudo para desacreditar, desonrar e desterrar ao valente arcebispo. Em 1976, Paulo VI suspendeu-o  a Divinis, em 1988, João Paulo II o "excomungou". Este arcebispo exasperava soberanamente aos papas conciliares, porque sua voz efectivamente elevava a verdade mais alto e arruinava o role de falsidades, o que os colocava em perigo de traição. E sob perseguição, e "excomunhão", manteve-se firme e com ele muitos sacerdotes da sua Fraternidade.

Esta fidelidade à verdade obtém de Deus para a Fraternidade 12 anos de paz interior e de prosperidade exterior. Em 1991 o grande arcebispo morre mas, todavia, durante nove anos, a sua obra continua também na fidelidade dos princípios antiliberais, sobre os quais ela ele a fundou.

Então que farão os romanos conciliares para superar esta resistência? Eles eles trocaram paulada por cenoura.

DESDE 2000, A FRATERNIDADE MUDOU DE DIRECÇÃO

No ano 2000, uma grande peregrinação da Fraternidade para o Ano Jubilar, mostra nas basílicas e nas ruas de Roma a piedade e o poder da Fraternidade. Apesar disso, os romanos ficaram impressionados. Um cardeal convida os bispos a um pequeno-almoço sumptuoso em sua casa, convite que foi aceite por três deles. Imediatamente depois deste pequeno-almoço de aparência fraternal, os arrefecidos contactos entre Roma e a Fraternidade, depois de 12 anos passados, foram retomados e começa assim a poderosa sedução dos botões escarlate e  pisos marmóreos, por assim dizer.

Os contactos acendem-se tão rapidamente que lá para o final do ano muitos sacerdotes e fiéis da Tradição clamavam já por uma conciliação entre a Tradição católica e o Concílio liberal. Esta conciliação não tem êxito no momento, mas a linguagem do quartel general da Fraternidade, em Menzingen, começa a mudar, e nos 12 anos seguintes se mostrará cada vez menos hostil a Roma, e é mais acolhedora para as autoridades da igreja conciliar, aos meios e seu mundo.

Na medida em que a conciliação dos inconciliáveis se prepara à cabeça da Fraternidade, no seu corpo de sacerdotes e laicos a atitude manifesta-se cada vez mais benigna para com os papas e a Igreja conciliar, a tudo o que é mundano e liberal. Afinal, o mundo moderno que nos rodeias é tão mau como no-lo faziam crer?

Este avançar do liberalismo no interior da Fraternidade, percebido por uma minoria de sacerdotes e de fiéis mas aparentemente imperceptível para a grande maioria, apanhou a muitos, na primavera deste ano, logo após o fracasso das discussões doutrinais na primavera de 2011, a política católica do "não ao acordo prático sem acordo doutrinal" converteu-se, de um dia para o outro, na política liberal de "não ao acordo doutrinal, logo, sim a um acordo pratico". Então em meados de Abril o Superior Geral ofereceu a Roma, como base de um acordo prático, um texto ambíguo abertamente favorável a esta "hermenêutica da continuidade" que é a bem amada receita de Bento XVI para conciliar, precisamente, o Concílio com a Tradição! "É necessário um novo pensamento" diria o Superior Gera em meados de Maio aos sacerdotes da Fraternidade do distrito de Áustria. Noutras palavras, o chefe da Fraternidade fundada em 1970, para resistir às novidade do Concílio, propõe conciliação com o Concílio.

Hoje em dia, ela é já conciliante. Amanhã, deverá fazer-se plenamente conciliar!

Apenas se pode concluir que a obra de Mons. Lefebvre foi conduzida a colocar entre parêntesis os próprios princípios sobre os quais ele a fundou, qual sedução fantasiosa do nosso mundo sem Deus, modernista e liberal.

Contudo, a realidade não se deixa dobrar pelas fantasias, e faz parte da realidade que não se possam deixar os princípios de um fundador sem desfazer sua fundação. Um fundador tem as graças particulares que nenhum de Deus sucessores tem. Como escreveu o Padre Pio quando os superiores da sua Congregação desataram a "renová-la" em conformidade com o novo pensamento do Concílio recém encerrado:

"Que fazem vocês da Fraternidade?" O Superior Geral, o Conselho Geral e o Capítulo Geral da FSSPX quiseram reter a Mons. Lefebvre como mascote, contudo têm um novo pensamento que passa ao lado das razões gravíssimas pelas quais ele  fundou a Fraternidade. Eles a conduzem à ruína por causa da traição pelo menos objectiva, totalmente paralela à do Vaticano II. Mas sejamos justos e sem exageros. Desde o princípio desta queda lenta da Fraternidade, sempre houve sacerdotes e fiéis que viram claramente e que fizeram o que puderam para resistir. Na primavera deste ano, esta resistência tomou uma certa consistência e amplitude, de modo que o Capítulo Geral do mês de Julho colocou pelo menos um entrave no percurso do ralliement. Mas este entrave fará parar? Teme-se que não. Diante de cerca de quarenta sacerdotes da Fraternidade reunidos em retiro sacerdotal em Ecône, no mês de Setembro, o Superior Geral, referindo-se à política romana confessou: "Enganei-me", de quem é a culpa?, "Os romanos enganaram-me". igualmente, desta grave crise de primavera, resultou "uma grande desconfiança na Fraternidade", disse ele, que haveria que "reparar com actos e não apenas com palavras", mas de quem é a culpa? Até agora, as suas acções desde Setembro, incluindo esta carta do 4 de Outubro, indicam que se desenvolve contra os sacerdotes e laicos que não tiveram confiança nele, seu chefe. Depois do Capítulo, como antes, parece que não suporta nenhuma oposição à sua política conciliadora e conciliar.

A TRADIÇÃO CATÓLICA E O VATICANO II SÃO INCONCILIÁVEIS

Eis a razão pela qual o Superior Geral deu várias vezes ordem formal para encerramento dos "Comentários Eleison". Assim, estes "comentários", em várias ocasiões, criticaram a política conciliadora em direcção a Roma por parte das autoridades da Fraternidade, e por tais comentários foram implicitamente atacados. Por isso, nessa crítica e ataques houve faltas à norma do respeito ao seu ofício ou à sua pessoa, peço perdão com todo o gosto a quem o deva, mas creio que basta percorrer os números concernentes aos "Comentários" para constatar que a crítica e ataques permaneceram regularmente impessoais, porque se dirigem muito alem do meramente pessoal.

Quanto ao grande problema que em muito ultrapassa as pessoas, consideremos a confusão que reina actualmente na Igreja e no mundo, e que ameaçando a salvação eterna de uma quantidade inumerável de almas. Não é dever de um bispo identificar as verdadeiras raízes de tal confusão e denunciá-las publicamente?

Quantos mais bispos no mundo viram claramente como Mons. Lefebvre e dão um ensinamento que corresponde com tal clareza? Quantos deles ensinam ainda a doutrina católica tal como é ela?

Não são pouquíssimos? Então? É este o momento de tentar silenciar um bispo que o faz, como o prova o número de tantas almas que recebe o "Comentário" como uma tábua de salvação? Como outro bispo pode querer encerrá-los, ele mesmo que, diante dos seus sacerdotes, e a respeito das mesmas grandes questões admite ter-se deixado enganar por muitos anos?

Da mesma forma, com efeito, se ao bispo refractário se lhe permitiu - por primeira vez em quase quatro anos - fazer  um apostolado independente, como podem contestá-lo por ter aceite um convite, independentemente da Fraternidade, para confirmar e pregar uma palavra de verdade? Não é a função  de um bispo? As suas palavras no Brasil não foram de "confusão" senão para os que seguem o erro reconhecido e supracitado.

É justo se parece que ele, depois de tantos anos, se separa da Fraternidade, mas separa-se sim da Fraternidade conciliadora e não daquela fundada por Mons. Lefebvre. E se aparenta mostrar-se insubordinado a qualquer exercício da autoridade dos chefes da Franternidade, é também justo [que pareça], mas só relativamente às ordens contrárias aos objectivos pelos quais ela foi fundada. Portanto, fora do mando de encerramento dos "comentários", quais foram as ordens a respeito das quais se pode dizer dizer que ele foi culpável por desobediência "formal, obstinada e pertinaz"? Há outra mais? A desobediência de Mons. Lefebvre, que não foi senão para aqueles actos da autoridade dos chefes da Igreja que eram iam no sentido de destruição da Igreja, a sua desobediência era mais aparente que real. Igualmente, a "desobediência" daquele que não quis fechar os "Comentários" é mais aparente que real.

Portanto, a história repete-se, e o diabo sempre volta à carga. Tal como anteriormente quando o Concílio conciliar tentou conciliar a Igreja Católica com o mundo moderno, assim hoje se diria que Bento XVI e o Superior Geral querem, os dois, conciliar a Tradição católica com o Concílio; assim amanhã, se Deus não impedir, os chefes da Resistência católica buscarão reconciliá-la com a Tradição já conciliar.

MONS. FELLAY È QUEM DEVE RENUNCIAR!

Dado isto, Senhor Superior Geral, V. Ex.ª Revma. poderá certamente proceder à expulsão, porque os meus argumentos obviamente não o irão persuadir, mas esta expulsão será mais aparente que real. Eu sou membro da Fraternidade de Mons. Lefebvre pelo meu compromisso perpétuo. E sou um dos seus sacerdotes desde à 36 anos. Eu sou um dos seus bispos, como vós, e tendo passado quase um quarto de século. Isto não poderá ser anulado por tracejar de caneta, e por isso, permaneço membro da Fraternidade, em espera.

Se V. Ex.ª Revma. tivesses sido fiel à herança e eu tivesse sido notavelmente infiel, eu reconheceria com gosto tal direito de expulsão. Mas dada a situação, espero não faltar ao respeito do vosso cargo oa sugerir que, pela glória de Deus, pela salvação das almas, pela paz interior da Fraternidade, e pela eterna salvação de V. Ex.ª Revma., V. Ex.ª Revma. faria melhor em renunciar ao cargo de Superior Geral que expulsando-me. A V. Ex.ª Revma. que Deus dê a graça, a luz e as forças necessárias para cumprir com tal acto insigne de humanidade e de devoção ao bem comum.

Terminam assim as cartas que com frequência lhe tenho dirigido desde há anos.

Dominus tecum,

+ Richard WILLIAMSON

30/03/12

MANUAL DA LIGA ANTI-MAÇÓNICA (IX)


IV
OPORTUNIDADE DESTA LIGA

"Será oportuno na época em que estamos, na hora presente, nas circunstâncias actuais começar e organizar a Liga Anti-Maçónica?

É este o momento mais próprio para empreender semelhante obra. - Porque?

1ª razão: - A tão grave e tão enérgica Encíclica do Soberano Pontífice acaba de despertar a atenção de todos os católicos e de todos os homens sérios sobre os males das sociedades secretas; ela mostrou o inimigo da Igreja e da sociedade em toda a sua potência e em toda a sua perversidade; excitou os pastores e os fiéis, os príncipes e os povos a combater este inimigo. Graças a este impulso todo o crente, todo o espírito honesto se acha pois predisposto a lançar mão do meio que lhe oferece a Liga de combater eficazmente o inimigo assinalado.

2ª razão:  - Diante dos perigos que ameaçam a sociedade, toda a gente honesta sente mais que nunca a necessidade da união. Que momento mais oportuno, pois, de unirem, ao menos neste combate contra o inimigo comum, contra este inimigo que se descobre cada vez mais e que se gloria, até em voz alta, de governar tudo de agora em diante do fundo de suas lojas? nada de divisões possíveis neste terreno: a maçonaria é o inimigo para todo aquele que a reconhece como tal ou crê na Igreja.

3ª razão: - As sociedades secretas estendem-se e ganham cada vez mais terreno; se se tarda a formar uma organização contra elas, a luta se tonará mais difícil e talvez impossível para bem do país; tanto mais que a Encíclica do Sumo Pontífice sobreexcitou a actividade das mesmas: - "O apelo desastrado do Pontífice Romano", dizem os mações, "tem achado até aos confins mais remotos do mundo católico; ao nosso brado de guerra: - O clericalismo, eis o inimigo - O Papa respondeu: - Eia! sus! contra a Maçonaria? A luta está travada, luta sem tréguas nem mereçê; é mister que em toda a parte onde apareça o homem negro  [sacerdote] apareça o mação; é necessário que onde se levantar a cruz em sinal de domínio levantemos a nossa bandeira em sinal de liberdade." (Palavras recentes do Ir:. Deunons, em Valenciennes).

A nós, pois, a nós todos os amigos desta Cruz que civilizou e salvou o mundo toca não nos mostrarmos menos ardentes para o bem do que os nossos adversários o são para o mal, sob pena de sempre esmagados."

(Leia aqui a continuação)

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