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15/02/17

15 de FEVEREIRO - AGIOLÓGIO LUSITANO (I)

Agiológio Lusitano

FEVEREIRO 15
 

a) Em Pádua, a festa da transladação do nosso milagroso St. António (grande ornamento da Seráfica família, e singular glória de Portugal, e de Lisboa pátria sua) cujos ditosos moradores (que gozam depósito de suas sagradas Relíquias) obrigados dos contínuos milagres, e favores soberanos, que por sua intercessão cada dia recebem da poderosa mão de Deus, erigiram em sua honra um magnífico templo, para onde no ano 1263 com grande pompa, e solenidade foram trasladadas do convento de Sta. Maria, assistindo a esta solene festa o Seráfico Doutro S. Boaventura como Ministro Geral da Ordem Franciscana; o qual abrindo o precioso sepulcro, em que o rico penhor do sagrado corpo estava de propositado havia trinta e dois anos, o achou todo desfeito, e só a língua inteira, e fresca, e tão rubicunda, como de corpo vivo. Então (com suma reverência) tomando-a nas mãos, banhado todo em devotas lágrimas, falou com ela desta maneira: Ó língua benedicta, quae Dominum sempre benedixisti, et alios benedicere fecisti: nunc manifeste apparet, quanti meriti extitisti apud Deum. E dando-lhe devotíssimos ósculos a colocou no Santuário da Sacristia entre outras preciosas relíquias. Depois ano 1350, Guido de Monforte, Cardeal Bolonha, Legado Apostólico em Itália, em reconhecimento de milagrosamente haver escapado de uma mortal enfermidade per oração do nosso Santo, foi a Pádua, e num riquíssimo cofre de prata, segunda vez trasladou as sagradas relíquias, deixando fora parte da S. Cabeça para consolação dos inumeráveis peregrinos, que por todo discurso do ano com devoção concorrem a visitá-las, e cumprir seus votos, implorando tão poderosa intercessão.

- do comentário:
Celebra neste dia a trasladação do nosso Lisbonense St. António (de mais da Seráfica família) a Igreja de Lisboa, e a de Pádua, aquela por pátrio berço de seu nascimento, esta por depositária de suas sagradas relíquias. E há que se saber que duas vezes se fez translação do sagrado corpo; a primeira a 7 de Abril do ano 1263 (que então caiu no oitavo dia da Páscoa de Ressurreição) a segunda a 15 de Fevereiro de 1350 cuja festa no Capítulo Geral, que se celebrou em Leão de França o ano seguinte, se mandou rezar sub ritu duplici, concedendo o Papa Martinho V a todos os que visitarem em tal dia as Igrejas da Ordem 50 anos de Indulgência, e 12 quarentenas. Consta do Compêndio dos privilégios dela.
Nas Crónicas se conta (tomando-o de Pisano l. 1 Confirmitatum) que levando a língua do Santo certo Ministro Geral do lugar em que S. Boaventura a colocara, ao sair nunca acertara com a porta, e como a não pudesse tornar ao próprio lugar, a ocultou num altar, onde esteve alguns anos, até que o céu quis que fosse achada para ser venerada de todos; mostrando-se hoje aos muitos peregrinos, que por todo ano concorrem a visitar as milagrosas relíquias. As quais a cidade de Pádua devota, e agradecida as inumeráveis mercês, e favores soberanos que da poderosa mão de Deus recebeu em vida, e depois de sua morte recebe continuamente pela intercessão deste seu maravilhosos patrono lhe fabricou um magnífico, e admirável sepulcro de pórfidos, que na perfeição, magnitude, e excelência de obra excede a todos os de que se tem notícia na Cristandade. As paredes da dita capela estão adornadas de quadros de meio relevo de finíssimos alabastros, que contêm a vida e a morte, e milagres deste nosso insigne Português, patrono seu. De cujo sepulcro sai cheiro celestial, e suavíssimo, como refere o Pe. Fr. António Soares, Monge de Alcobaça no l. I c.10 de seu Itinerário da Terra Santa, cuja peregrinação foi no ano 1554:
Chegando a Pádua (diz ele) fomos logo com M. Simão Rodrigues da Companhia, e dois Reitores, que connosco vinham dos colégios de Veneza, e Pádua, tomar a bênção a St. António, e feita nossa oração fomos pela parte de fora beijar a pedra, onde jaz o Santo Padre, na qual sentimos tão grande, e celestial cheiro, que olhando uns para os outros, estávamos como fora de nós; então os Padres sorrindo-se nos disseram; que tivéssemos por certo nunca se haver apartado este celestial cheiro de seus Santíssimos ossos, desde o tempo que N. Senhor o apartou deste mundo. Meu companheiro, e eu não fazíamos mais, que cheirar por muitas vezes, e experimentar o milagre, e um de nós duvidando se porventura estaria aquela pedra empastilhada perdeu o cheiro, e vendo que o outro cheirava, e ele não, arrependeu-se, e tornou logo a cobrar o dito sentido. Ao outro dia entrando o Pe. M. Simão a dizer Missa sobre esta ara sagrada se volveu (contra seu costume) aos que estávamos detrás, como que sentira alguma coisa. E preguntando depois da Missa disse: que sentira tão grande fragrância, e que lhe cheirara em tanta maneira, que cuidava lhe havíamos posto aos pés alguma casula. Preguntamos então muito devagar deste divino cheiro, assim aos principais do convento, como da cidade, os quais nos respondiam: "O volete parlare daqueste odore? Cosi & stato sempre". E zombavam do caso que nos fazíamos deste milagre por ser tão contínuo, que já dele senão faz ali nenhum. Eu disse Missa no mesmo altar, e não me esqueci da célebre antífona: si quaeris miracula, mors, error etc.
Referem a translação de S. António neste dia demais dos Martirológios de Galesino, Maurolico, e Ferrario, St. António (in Chr. p. 3 tit.24 c.3 § 5 & 6 F.) Marcos de Lisboa (p. I l. 5 c.37 & p.3 l.2 c.2) Marieta no Flos Santorum dos Santos de Hespanha (2 p. l.26 c.21) Wadingo (in Annalibus varijs in locis.) Mattheo Alemão (na vida de St. António l.3 c.4) D. Rodrigo da Cunha (na hist. da Igreja de Lisboa 2 p. c. 37) e Fr. Artur (à Monast. no Martyr. Franc.) e outros.
 
 
b) Em Vila Viçosa, Arcebispado de Évora, a louvável memória de Álvaro Fernandes, Sacerdote de grande virtude, e recolhimento, natural e morador da própria vila, que à imitação dos antigos Padres do Ermo (inspirado pelo céu) se retirou a uma pequena horta, desviada do povoado, e mui apta à vida solitária, e contemporânea (e tanto que depois a família dos Piedosos, satisfeita do sítio, erigiu nela a primeira casa da sua Província) onde levantado um devoto Oratório, gastou o restante da vida em perpétuo silêncio, penitência, e oração, vacando a espirituais exercícios sem afrouxar um ponto de rigor começado, sendo a todo género de estado, em particular a Sacerdotes, de virtude, e pureza um exemplar perfeitíssimo. Por seu testamento vinculou em capela a dita horta, e a mais fazenda que tinha, aquela deixou a Sacerdotes, que naquele sítio (à imitação sua) fizessem vida solitária. Ultimamente com morte felice foi chamado por Deus ao Reino perdurável, onde goza o eterno prémio de seus santos trabalhos, e merecimentos.
 
- do comentário:
Floresceu Aluaro Fernandes pelos anos 1400. Fez sua habitação fora de Vila Viçosa entre dois cabeços, onde hoje se chama S. Francisco o velho, nome que deixaram os Piedosos do tempo que ali tiveram o primeiro convento. A notícia deste Presbítero Eremita devemos a Fr. António de Nisa que na Chr. da mesma Província (l.2 c.7) o refere com grandes louvores. Se bem não sabemos, quem lhe sucedeu naquele Oratório, até vir a poder dos ditos religiosos.
 
 
c) Em Cambaia na Índia Oriental, a paixão de Simão Feio, escriturão que foi da Alfândega de Dio, no tempo que ElRei de Cambaia, Senhor de Durante com seu filho, pós cerco àquela praça, que durou sete meses, a qual D. João Mascarenhas, seu Capitão, defendeu com bravo valor acudindo-lhe o grande D. João de Castro, que de Goa levou muita gente de socorro. Neste cerco Simão Feio (como pessoa principal, inteligente, e valorosa) obrou muito, servindo diversas vezes de Embaixador de uma a outra parte, até que da última (por não concederem os nossos o que o bárbaro Rei pedia) ficou lá preso, com os que o acompanhavam; a todos os quais, com muitos outros Portugueses, que haviam cativado por aqueles marítimos portos (indignados os Gentios da insigne, e milagrosa victória, que os nossos deles alcançaram na defensão daquela praça) meteram em ásperas, e cruéis prisões, dando-lhes grandes baterias com graves opróbrios, para que deixada a lei de Cristo, seguissem a abominável seita Maometana. O que tudo os valerosos soldados Evangélicos sofreram com paciência constante. Mas vendo os idólatras, que nenhuns terrores eram bastantes aos dobrar, lhes ofereceram ricas dádivas, e a Simão Feio, que o fariam Senhor de vassalos; e como nada disto aproveitasse, porque os confessores da Fé desprezavam todas suas vãs honras, e acrescentamentos, foram condenados à morte. Chegado o desejado dia da execução, posto Simão Feio a porta do cárcere, com fervorosas palavras que o Espírito Santo naquela hora lhe ditava, animou a todos para o último combate lembrando-lhes o momentâneo prazo desta vida, e as eternas coroas, que Deus lhes tinha deputado na outra, se confessando seu nome a sacrificassem por seu amor. Corroborados todos com tão abrasadas palavras, e cheiros de superior fortaleza, e paciência sofreram por Cristo serem despedaçados, e finalmente degolados, com que deram perfeição a suas gloriosas palmas. E para o céu mostrar quão odorífero lhe fora este suave holocausto, logo no próprio lugar, rebentou uma perene fonte de água, na qual indiferentemente lavando-se Mouros, e Cristãos todos cobram saúde de suas enfermidades, apregoando a Simão Feio por Santo, com grande glória de nossa sagrada religião.
 
- do comentário:
Com a insigne vitória, que D. João de Castro, Governador da Índia, alcançou DelRei de Surrate no ano 1546 de tal maneira se encheu de furor ElRei Sultão de Cambaia, que para se vingar dos nossos mandou matar a Simão Feio, e aos mais Portugueses, que estavam lá cativos; cujo número uns fazem de 20 outros o estenderam a 30 (de todos só ficou em lembrança Atanásio Freire, nobre cidadão de Goa) os quais em Fevereiro de 1547 deram as vidas pela confissão da Fé gloriosamente. Assim o refere Diogo de Couto (décad. 6 l.4 c.4) Fr. António de S. Romão na História da Índia (l.4 c.2 e6) Lopo de Sousa no cerco de Dio, e outros. Quem quiser saber as particulares circunstâncias desta victória, que algumas foram miraculosas, veja Lucena na vida de S. Francisco Xavier (l.6 c.I) Maphaeo de rebus (Indicis in fine libri tertij), e Andrade na Crónica RelRei D. João III.
 
 
d) Item em Damão, na costa da Cambaia, a morte gloriosa de Fr. Pedro da Madalena, que sendo Converso, e filho do convento de S. Domingos de Lisboa, ano 1548 passou àquelas parte em companhia de Fr. Diogo Bermudes, primeiro Vigário Geral da Ordem. E depois de assistir na fábrica da Igreja de Sta. Bárbara, uma das quatro Vigairarias, que em Goa tem à sua obediência a dita religião; mandado ao novo convento de Damão, sobre a qual cidade vindo um copioso exército do Grão Mogor, ele foi o primeiro que se pós no campo a defensa (como Alferes da milícia Cristã) arvorando um devoto Crucifixo, imitando nesta heroica acção a seu Padre S. Domingos, que deste modo acompanhava os esquadrões Católicos contra os hereges Albigenses. A batalha foi tão travada, como incerta a victória, porque muitos dos nossos desesperados da poderem conseguir deram as costas. Mas ele (como valeroso Alferes) perseverando a pé quedo, sem nunca desamparar o posto, animando a todos a pelejarem pela Fé, mereceu ser feito preciosa vítima de Cristo, ficando entre inumeráveis mortos, não vencido, mas triunfante, e vencedor, pois em guerra tão santa (contra infiéis) deu gloriosamente a vida, confortando os Católicos.

- do comentário:
Achamos Fr. Pedro umas vezes nomeado com o apelido da Madalena, outras de S. Domingos; mas com qualquer deles é certo que foi natural de Lisboa, verão muito prudente, e de grande virtude, e por isto o escolheu o Pe. Mestre Fr. Francisco de Bovadinha (sendo Provincial de Portugal) para com ele fechar o duodécimo número dos religiosos (à imitação do Apostolado) com que se deu princípio à Congregação da Índia. Foi morto em Damão no ano 1580. Referem já seu triunfo. Fr. João dos Santos na Etiópia Oriental (p.2 l.2 c.5), Fr. Afonso Fernandes na História Ecclesiástica (l.2 c.9) e in Concert. praed. (pág.307), Lopez nas Chr. in fine (p.4 c.37), Fr. Luís de Sousa p.1 l.3, e outros.

(continuação, II parte)

04/09/14

PREGAÇÃO DE SANTO ANTÓNIO DE LISBOA PERANTE O PAPA


Perante o Papa e do Consistório, Sto. António de Lisboa, por graça do Espírito Santo, de forma tão acertada e santa que pareceu clara a voz do mesmo Deus prégou. De tal forma foi o feito milagroso que, estando naquele Consistório Cardeais de diferentes reinos, cada um ouviu-o tão claramente como se a pregação tivesse sido na língua natural de cada qual. Grande e serena admiração veio ao coração de todos os presentes; quais maravilhas de Pentecostes.

Exclamavam entre eles:

"Não é de Hispania [Península Ibérica] este que prega? E como ouvimos nós em seu falar o nosso idioma?"

O Papa vendo toda esta maravilha, por fim, em sabedoria e conclusão, afirmou:

"Verdadeiramente é este arca do Testamento e armário da Divina Escritura".

11/06/14

Sto. ANTÓNIO DE LISBOA - MORTOS RESSUSCITADOS

CAPÍTULO IX
DOS MORTOS RESSUSCITADOS
 
Sto. António, com o Menino Jesus(Museu Nacional da Arte Antiga - Lisboa)
No Condado de Pádua havia uma donzela chamada Eurilia, que acompanhando sua mãe, segundo costumava, a procurar lume em casa de uma vizinha, ao tornar para casa, sucedeu cair numa concavidade cheia de lodo e água, onde a acharam morta, e boiando de rosto para o ar. Acudindo pois a mãe desolada, tirou a filha deste lago para fora, e assim afogada a depositou nas bordas do poço diante de muitos, que correram para ver tão lastimoso espetáculo. Apalpando-a um dos circunstantes, achou-a inteiriçada de frio mortal, e voltando-a de pés para cima, e de cabeça para o chão, nem assim disse palavra, ou mostrou sentimento, e o caso era, que chupadas as faces como se observa nos defuntos, e apertados os beiços, já não havia esperança de que ainda estivesse viva. Por fim de tudo isto a mãe prometeu a N.Senhor, e ao seu servo Sto. António, que ofereceria ao túmulo deste santo uma imagem de cera, se ele se dignasse ressuscitar-lhe sua filha. Acabado de fazer este voto, a donzela mexeu os beiços, e metendo-lhe um dos circunstantes um dedo na boca, despejou a água, que bebera, e tornando-lhe o calor da vida, ressuscitou por merecimento de Sto. António.

Outro que tal prodígio aconteceu na cidade de Comoclo. Vivia ali um homem chamado Domingos, que saindo um dia de sua casa para certo mister, foi acompanhado de um seu filho pequeno. Ainda perto de casa olhou para trás, e vendo que ninguém o seguia, ficou atónito, e buscando por toda a parte, e até com luzes, a final achou o filho afogado numa lagoa. Assim o trouxe, e fez dele entrega à mãe; porém fazendo-se logo uma promessa a Sto. António, seguiu-se a desejada ressurreição do filho. (Vida e Milagres de Santo António de Lisboa ... . Fr. Fortunato de São Boaventura)

22/06/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (V)



(da primeira parte)

IV CAPÍTULO
Incarnação, Paixão e Morte do Filho de Deus

76. De que maneira se fez homem o Filho de Deus?
R: O Filho de Deus fez-se homem tomando um corpo e uma alma, como nós temos, no seio puríssimo de Maria Virgem, por obra do Espírito Santo.

77. O Filho de Deus, fazendo-se homem, deixou de ser Deus?
R: O Filho de Deus, fazendo-se homem, não deixou de ser Deus; mas, continuando a ser verdadeiro Deus, começou a ser também verdadeiro homem.

78. Em Jesus Cristo há duas naturezas?
R: Em Jesus Cristo há duas naturezas: a natureza divina e a natureza humana.

79. Em Jesus Cristo com as duas naturezas há também pessoas?
R: Em Jesus Cristo com as duas naturezas não há duas pessoas, mas uma só, a pessoa divina do Filho de Deus.

80. Jesus Cristo como foi conhecido por Filho de Deus?
R: Jesus Cristo foi conhecido por Filho de Deus, porque como tal o proclamou Deus Padre no Baptismo e na Transfiguração, dizendo: "Este é o meu Filho muito amado, no qual tenho postas todas as minhas complacências";

81. Jesus Cristo existiu sempre?
R: Jesus Cristo enquanto Deus existiu sempre; enquanto homem começou a existir desde o momento da Incarnação.

82. De quem nasceu Jesus Cristo?
R: Jesus Cristo nasceu de Maria sempre Virgem, a qual por isso se chama e é verdadeira Mãe de Deus.

83. S. José foi pai de Jesus Cristo?
R: S. José não foi pai verdadeiro de Jesus Cristo, mas pai legal e putativo; isto é, como esposo de Maria e guarda d'Ele, foi tido por seu pai sem o ser.

84. Onde nasceu Jesus Cristo?
R: Jesus Cristo nasceu em Belém, num estábulo e foi reclinado em um presépio.

85. Porque é que Jesus Cristo quis ser pobre?
R: Jesus Cristo quis ser pobre para nos ensinar a ser humildes e a não colocar a felicidade nas riquezas, nas honras e nos prazeres do mundo.

86. Que fez Jesus Cristo na sua vida terrena?
R: Jesus Cristo, na sua vida terrena, ensinou-nos com o exemplo e com a palavra a viver segundo Deus, e confirmou com milagres a sua doutrina; finalmente, para apagar o pecado, para reconciliar-nos com Deus a reabrir-nos o paraíso, sacrificou-se na Cruz, "único Mediador entre Deus e os homens." (I Timot., II 5)

87. Que é o milagre?
R. Milagre é um facto sensível, superior a todas as forças e leis da natureza e por isso tal que só pode vir de Deus, Senhor da natureza.

88. Com que milagres é que, especialmente, Jesus Cristo confirmou a sua doutrina e demonstrou que era verdadeiro Deus?
R: Jesus Cristo confirmou a sua doutrina e demonstrou que era verdadeiro Deus, especialmente com dar num momento a vista aos cegos, o ouvido aos surdos, a fala aos mudos, a saúde a toda a sorte de enfermos, a vida aos mortos; com mandar como Senhor aos demónios e às forças da natureza, e sobertudo com a sua ressurreição da morte.

89. Jesus Cristo morreu enquanto Deus ou enquanto homem?
R: Jesus Cristo morreu enquanto homem, porque enquanto Deus não podia padecer nem morrer.

90. Depois da morte, que foi feito de Jesus Cristo?
R: Depois da morte, jesus Cristo desceu com a alma ao Limbo, onde se encontravam as almas dos justos que tinham morrido até então, para as conduzir consigo ao paraíso; depois ressuscitou, retomando o seu corpo que fôra sepultado.

91. Quanto tempo esteve sepultado o corpo de Jesus Cristo?
R: O corpo de Jesus Cristo esteve sepultado três dias incompletos, desde a tarde de sexta-feira até à madrugada do dia que agora se chama domingo de Páscoa.

92. Que fez Jesus depois da sua ressurreição?
R: Jesus Cristo, depois da sua ressurreição, viveu na terra quarenta dias, depois subiu ao céu, onde está sentado à mão direita de Deus Padre Todo Poderoso.

93. Porque é que jesus Cristo, depois da sua ressurreição, viveu na terra quarenta dias?
R: Jesus Cristo, depois da sua ressurreição, viveu na terra quarenta dias para mostrar que tinha ressuscitado verdadeiramente, para confirmar os discípulos na sua fé e instruí-los mais fundamente na sua doutrina.

94. Agora Jesus Cristo está somente no Céu?
R: Agora jesus Cristo não está somente no céu, mas com Deus está em toda a parte, e como Deus e homem está no céu e no santíssimo Sacramento do altar.

(a continuar)

15/03/13

INFANTE SANTO D. FERNANDO

Infante Santo
D. Fernando
Dos milagres que nosso Senhor fez pelos merecimentos do Santo Infante D. Fernando, no tempo que estava posto seu corpo nos muros de Fez.

"Quando meteram no ataúde o corpo deste virtuoso Senhor, que havia cinco dias que tinha finado, estavam seus membros em tanta desenvoltura como se estivesse vivo, nem saía dele algum cheiro mau. E assim lhe cruzaram os braços, e o lançaram sobre uma cama de louro verde, que lhe dentro no ataúde foi posto em seu lugar, foi coisa certa, e de maravilhar, que a maior parte das aves, que de toda aquela terra ao redor vinham ali dormir, porque as ameias, e todo o muro estava cheio de esterco delas logo se dali afastaram e nunca mais pousaram naquele lugar, nem fizeram alguma imundice na parte que respeitava ao ataúde, uma braça de uma parte, e da outra; no que todos atentavam, e se maravilhavam muito, parecendo-lhes que as aves tinham reverência àquele corpo santo.

Os vigias e roldas da vila, cada semana em certos dias, viam ao redor daquele ataúde tanto lume e claridade que não podiam ter os olhos em direito daquele lugar, em tanto que não podiam divisar de que era aquele lume.

Um renegado natural de Olivença, vindo uma noite de fora da vila, lhe apareceu aquela claridade e lume, no meio do qual o Infante estava, e parecia-lhe que o corpo era feito como de pomba e o rosto era de homem, que bem o conhecia porque muitas vezes o via ali em vida, e lhe falou. E deu o dito renegado testemunho de si, que viu o Infante estar em tanta glória que foi movido a se assentar em joelhos [ajoelhar], e de lhe pedir por mercê que o encaminhasse à salvação, e que o Infante voltou o rosto para outra parte, e lhe disse: Torna-te ao santo caminho, que deixaste. E nisto adormeceu ali, até o outro dia com o romper da alva.

Um mouro bárbaro houve arroido com outros, onde lhe deram duas feridas, uma na cabeça e outra em um ombro. E veio-se de uma aldeia à vila de Fez fazer queixume ao seu juiz; e quando chegou era já noite e as portas estavam fechadas. Lançou-se a dormir ao pé do muro, debaixo daquele ataúde, não olhando por ele nem lhe lembrando do corpo que ali estava. E quando veio pela manhã que abriram as portas, ele foi perante o juízo; quando desatou a cabeça e quis mostrar a ferida que recebera do adversário não apareceu sinal nenhum dela nem da outra do ombro. Perguntaram-lhe como lhe acontecera, e foi mostrar onde dormira debaixo daquele ataúde, e fizeram-no calar; e não obstante isto, ele o disse a muitos, e os que entendiam diziam que aquilo não podia ser outra coisa se não que o Infante se tornara mouro na vontade quando estava para morrer.

Manifesto é, que muitas pessoas são sãs de inchaços e de febres com o tocamento da terra donde caiu o pingo daquele corpo. E assim mesmo a lançam ao pescoço de bois e de alimárias que estão doentes, e recuperam a saúde; e daquele lugar onde tiram a terra, está já feito numa grande cova. Isto (conforme ao autor desta crónica) se fazia e acontecia então no seu tempo, em Fez, quando ainda lá estava o corpo do santo Infante. O que ainda agora pode ser, pois o lugar e terra aí ficaram.

Em Ceuta aconteceu a um religioso de S. Francisco, a quem chamavam Fr. Gonçalo, que estava em Santiago confessando um clérigo que ali viera doente de Roma, e estava em passo de morte, lhe disse: confiai nos muitos merecimentos do santo Infante D. Fernando que padeceu em terra de mouros trabalhos e morreu santamente na fé católica. E como se Fr. Gonçalo partiu, o clérigo tomou seu conselho com muita devoção, e logo nessa hora se levantou são e se veio ao Mosteiro, onde estava rezando o dito Fr. Gonçalo e lhe contou este milagre que Deus fizera por ele.

Em Lisboa aconteceu a um bom homem que era doente de uma grave doença que tinha, e não achando já quem o curasse ouvi-o falar a Fr. Rodrigo Pregador de Jesus (assim lhe chama a antiga crónica) em S. Domingos, de quanto este santo Infante padecera, e teve tanta fé em seus merecimentos que, um dia à noite, lançando-se na cama com grande devoção se lhe encomendou e adormeceu, e quando veio pela manhã achou-se são e sem sinal onde tivera a enfermidade. E estando Fr. Rodrigo uma sexta feira para pregar, o homem que era seu confessado lhe contou este milagre, o qual dito Fr. Rodrigo disse e divulgou na pregação.

No primeiro dia do mês de Junho da era de mil e quatrocentos e cinquenta e um anos, chegou a Santarém João Alvares (autor desta crónica, e secretário deste senhor, onde então estava o rei D. Afonso V deste nome, e sobrinho do santo Infante) e trazia as relíquias da freçura, coração, tripas, e tudo o que foi tirado do corpo deste Infante, quando em Fez os mouros o fizeram abrir: as quais relíquias tirou de lá secretamente o dito João Alves, e as trouxe a estes reinos. E estas relíquias vinham metidas em uma caixa de madeira coberta de damasquim preto, com o forro preto, acairelado de retrós com fechadura e pregadura dourada. E o dito senhor rei mandou que o dito João Alves, e João Rodrigues colaço do santo Infante que aí estava, levassem as ditas relíquias ao Mosteiro de S. Domingos de nossa Senhora da Vitória da Batalha, onde está a sepultura do dito Infante, e dos Infantes seus irmãos, na Capela real, e mui sumptuosa d’El-Rei D. João I de boa memória pai deles, e da rainha D. Filipa sua mãe, que também aí jazem. E chegaram também aí jazem. E chegaram a Tomar, onde acharam o Infante D. Henrique governador da Cavalaria e Ordem de Cristo, e irmão deste santo Infante, que estava de caminho para outra parte, e mandou tornar suas azémolas do caminho que levavam, e se foi ao dito Mosteiro da Batalha. E ali fez o dito senhor pôr as relíquias mui honradamente sobre o altar de sua sepultura, com tochas e velas ao redor (porque nesta capela d’El-Rei seu pai tem os Infantes, como El-Rei, cada um sua sepultura, é seu altar dedicado a cada qual, por sua ordem, e antiguidade das idades.) E mandou cantar as matinas, e uma Missa Plurimorum Martyrum, antes da manhã; e isto era quinta feira nove dias do dito mês de Junho. Acabado de se cantara Missa, foi ordenada uma solene procissão, onde o dito João Alvares abriu a caixa, e perante todos mostrou as relíquias. E des que tornou a cerrar a caxa deu a chave dela ao Infante D. Henrique, que a logo ali entregou ao Prior do dito Mosteiro da Batalha. E depois abriram a sepultura, e o Infante se assentou em joelhos [ajoelhou] ante as relíquias e fez sua oração, e tomou-as nas mãos, e trouxe-as por meio da procissão, e meteu-se com elas na sepultura, e assentou-as sobre um banco, coberto de cetim aveludado carmesim. E ao despedir, assentou-se em joelhos, e beijou-as, e mandou cerrar a sepultura. Em quanto ele isto fazia, os da procissão cantavam o responso dos Mártires, que diz: Posuerunt mortalia servrorum tourum escas volatilibus coeli, carnes Sanctorum tuorum bestiis terrae: Essuderunt sanguinem snctorumtuorum tamquam aquam in circuitu Jerusalem, et non erat qui sepeliret, com seu verso, e oração dos Mártires; e logo o dito senhor Infante deixou ordenado que cada dia naquele altar de seu irmão se cantasse Missa à conta de sua esmola, até que o senhor rei encaminhasse esta capela perpétua, em lembrança deste virtuoso senhor. O que hoje em dia se faz é que neste seu altar, e dos mais Infantes seus irmãos, e de seu pai, e mãe, se diz no dos Infantes em cada qual dos altares cada dia do mundo à prima, missa rezada, e no altar d’El-Rei seu pai cantada, com responso no fim dela, além dos ofícios que se lhes fazem no dia dos defuntos, e outros, com muita solenidade. E dos do Infante santo D. Fernando fazem os Religiosos do Mosteiro da Batalha, com capas de brocado de cores alegres, de que há muitas, e mui ricos ornamentos, que estes senhores, e outros Príncipes, que aí jazem, deixam; ainda que ofício do Infante sempre é de defuntos.

Em Pernes aconteceu, que à mulher do oleiro do dito lugar nasceu um grande lobilho em uma mão, e cresceu-lhe tanto que lhe estorvava o ficar, e o exercício de outras coisas. Estando um dia chorando, perguntou a uma Brites Eanes mulher de um Afonso Ribeiro, se sabia algum remédio para aquele mal que tinha, e ela lhe disse que se encomendasse com devoto coração ao santo Infante D. Fernando, e que ela lhe ficava por fiador, que lhe alcançaria do Senhor Deus saúde. Ela se foi para sua casa, e assentou-se em joelhos [ajoelhou-se], e com lágrimas se lhe encomendou, prometendo-lhe de levar à igreja um pão e uma candeia à sua honra. E pela manhã se achou sã, e sem sinal de lobinho.

E disse a dita Brites Eanes, que neste tempo em que o trigo era muito caro, tendo ela recebido do celeiro certos alqueires de trigo do mantimento de sem(seu?) marido, disse que pelos muitos milagres que Deus fazia acerca do seu provimento, que ela conhecia, que era pelos merecimentos deste santo Infante, a que se ela encomendava, tanto que se via em alguma necessidade, queria daquele trigo dar de esmola dois alqueires e meio a pessoas pobres. E mediu todo, que não era muito, e tirou aqueles dois alqueires e meio cada meio sobre si e depois que os repartiu aos pobres, foi-lhe logo necessário torná-lo a medir e achou de sobejo aqueles dois alqueires e meio.

Outras muitas coisas contou a dita Brites Eanes de milagres que viu e lhe aconteceram porque teve grande devoção neste santo Infante, e porque eram de causas miúdas (diz o autor desta crónica) não curei aqui de escrevê-las. E eu (que esta crónica solicitei ser de novo imprensa) sou testemunha da vista de muitos, e miraculosos sucessos, que aconteceram a alguns Religiosos doentes, e sãos, que se a este santo Infantes encomendaram no Mosteiro da Batalha, que hoje em dia são vivos, e conhecem assaz bem quantos milagres o Senhor faz por merecimentos deste santo infante. Em cuja sepultura está um buraco, e metem os seis uma cana que vai tocar no corpo do santo, e beijam e põem nos olhos e cabeça. E assim atando na pontada cana contas de rezar, e relicários, os metem pelo buraco para serem tocados nas santas relíquias, em que tem muita devoção..."

07/10/12

FR. JACOME DAS COROAS

"(...) na Província que chamam de S. Francisco, houve uma Religioso chamado Frei Jacome das Coroas, porque a todo o género de pessoa persuadia que rezasse a Coroa, e antes que fossem, lhe haviam de prometer, que haviam de rezar, e por esta causa se chamava Frei Iacome das Coroas. Este Religioso veio a ter tantas graças de Deus que teve espírito de profecia,e fez muitos milagres por merecimento da Virgem nossa Senhora. (livro primeiro da História dos Milagres do Rosário da Virgem nossa Senhora, LISBOA, 1617)

nota: por "Coroa" se entenda "terço" do Rosário ou ainda "Rosário". (Por favor não consulta a Wikipédia, para não se confundir).

03/09/12

MILAGROSA ORIGEM DO REINO DE PORTUGAL



O Venerável D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, no milagre de Ourique onde Nosso Senhor lhe aparece e lhe dá as armas de Portugal e a vocação do novo Reino dos Lusitanos.

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