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28/03/17

HISTÓRIA DOS MILAGRES DO ROSÁRIO (II)

(continuação da I parte)
 
Com lição dos livros Santos, e milagres se converteram muitos pecadores, que depois foram grandes santos.
 
Todos estes proveitos, e outros muitos nascem dos milagres, que Deus obra pelos merecimentos e virtudes de seus santos, e juntamente da lição deles, porque como a história não seja outra coisa senão uma viva pintura, em que vemos tão clara e distintamente as coisas passadas como as presentes, porque quando as lemos como passarão, fazemo-las presentes à nossa memória, e cozendo-as com a consideração de nosso entendimento as digerimos, e com elas nos sustentamos. Desta maneira, contra o glorioso Padre St. Agostinho, que dois fidalgos principais, e dos mais nobres daquela terra, lendo a vida, e milagres de S. Antão, que santo Atanásio escreveu, renunciado todos os bens, e se foram a fazer vida religiosa, e santa. E este mesmo livro acabou derribar de todo ao mesmo S. Agostinho, e lhe fez deixar o mundo. Pois quem não sabe já que aquela grande conversão do nosso padre Inácio de Sta. Mónica, foi ocasião de tão grande conversão de gente, como todos sabem, que se faz no mundo, pelos que militam debaixo de sua bandeira? E quem não tem lido a maravilhosa conversão da Madre Teresa de Jesus (como ela mesmo escreveu) tão nova, e admirável na terra, levantada para levantar a perfeição tanta gente, e foi começando por livros de santos? e lendo seus milagres? que com brasas acesas, e metidas no peito abrasam aos que com vagarosa consideração nele os encobrem, como diz S. Gregório, que nos ajudam muito para renovar a alma os exemplos dos santos Padres, e contemplando suas obras, nos ascendemos no desejo da virtude, o mesmo santo, que bem o tinha experimentado, diz que muitas vezes mais nos aproveita ler os exemplos, e milagres dos santos que palavras, e pregações. Ad amorem Dei, et proximi, plerumque corda audientium plus excitant exempla quam verba. E esta mesma razão dá o mesmo santo Doutor de tomar trabalho de escrever a história dos milagres de seu tempo no prólogo de seu Diálogos, quando diz: Et sicut non nulli quos ad amorem patriae plus exempla, quam praedicamente succedunt. E esta mesma razão moveu a outros santos, a escreverem muito de propósito as histórias dos exemplos, e milagres de outros como foi S. Sofrónio o seu prado espiritual; Severo Sulpinos, Beda, S. João Clímaco, João Casiano, Pedro Damiano, Cesareu Heitorbachense dos milagres de seu tempo, e outros muitos, que tomaram o mesmo trabalho, movidos de zelo, de aproveitar as almas. E do glorioso padre S. Domingos se lê, que tinha também um livro, no qual tinha muitos exemplos, para com ele mover aos homens a seguir o caminho da virtude, e deixar o dos pecados. Este mesmo intento temos neste trabalho de escrever os milagres de nossa Senhora [e nós que os vemos já escritos divulgamos como quem os quisesse escrever], além da particular obrigação, que tínhamos de o fazer, havendo já composto o livro, do Rosário. E como quase todos os autores, que dele tratam, fazem história de seus milagres, nos parecia também que a devíamos fazer, principalmente havendo muitos que eles não escreveram, e outros que depois se fizeram, como se verá no discurso de sua história. E porque uma das coisas que nelas se deseja, é saber o tempo em que eles aconteceram, aqui daremos brevemente conta ao leitor.
 
(continuação, III parte)

23/03/16

A SEMANA SANTA - Sto. AFONSO DE LIGÓRIO IV (Quarta Feira)

(ver anterior: Terça Feira)


QUARTA-FERIA SANTA
Quarta Dor de Maria Santíssima – Encontro com Jesus, que carrega a Cruz.

Vidimus eum, et non erat aspectus, et desideravimus eum – "Vimo-lo, e não havia nele formosura, e por isso nós o estranhámos" (Is. 53, 2).

Sumário - Consideremos o encontro que no caminho do Calvário teve o Filho com sua Mãe. Jesus e Maria olham-se mutuamente, e estes olhares são como outras tantas setas que lhes trespassam o Coração amante. Se víssemos uma leoa que vai após seu filho conduzido à morte, aquela fera havia de inspirar-nos compaixão. E não nos moverá à ternura ver Maria que vai após o seu Cordeiro imaculado, enquanto o conduzem à morte por nós? Tenhamos compaixão dela, e procuremos também acompanhar a seu Filho e a ela, levando com paciência a cruz que nos dá o Senhor.

I. Medita São Boaventura que a Bem-aventurada Virgem passou a noite que precedia a Paixão de seu Filho, sem tomar descanso e em dolorosa vigília. Chegada a manhã, os discípulos de Jesus Cristo vieram a esta aflita Mãe: um a referir-lhe os maus tratamentos feitos e seu Filho na casa de Caifás, outro os desprezos que recebeu de Herodes, mais outro a flagelação ou a coroação de espinhos. Numa palavra, cada um dava a Maria uma nova informação, cada qual mais dolorosa, verificando-se nela o que Jeremias tinha predito: Non est qui consoletur eam ex omnibus caris eius"Não há quem a console entre todos os seus queridos".

Veio finalmente São João e lhe disse: "Ah, Mãe dolorosa! teu Filho já foi condenado à morte, e já saiu, levando ele mesmo a sua cruz para ir ao Calvário. Vem, se o queres ver e dar-lhe o último adeus, em alguma rua, por onde tenha de passar".

Ao ouvir isto Maria parte com João; e pelo sangue de que estava a terra borrifada conhece que o Filho já por ali tinha passado. A Mãe aflita toma por uma estrada mais breve e coloca-se na estrada de uma rua para se encontrar com o aflito Filho, nada se lhe dando das palavras insultuosas dos Judeus, que a conheciam como mãe do condenado. – Ó Deus, que causa de dor foi para ela a vista dos cravos, dos martelos, das cordas e dos outros instrumentos funestos da morte de seu Filho! Como que uma espada foi ao seu coração o ouvir a trombeta, que andava publicando a sentença pronunciada contra o seu Jesus.

Mas eis que já, depois de terem passado os instrumentos e os ministros da justiça, levanta os olhos e vê, ó Deus! um homem todo cheio de sangue e de chagas, dos pés até à cabeça, com um feixe de espinhos na cabeça e dois pesados madeiros sobre os ombros. Olha para ele, e quase não o conhece, dizendo então Isaías: Vidimus eum, et non erat aspectus – "Nós o vimos e não havia nele formosura". Mas finalmente o amor lho faz reconhecer; e o Filho, tirando um grumo de sangue dos olhos, como foi revelado a Santa Brígida, encarou a Mãe e a Mãe encarou o Filho. Ó olhares dolorosos, com que, como tantas frechas, foram então trespassadas aquelas almas amantes!

II. Queria a divina Mãe abraçar a Jesus, como diz Santo Anselmo; mas os insolentes servos a repelem com injúrias, e empurram para diante o Senhor aflitíssimo. Maria, porém, segue – muito embora preveja que a vista de seu Jesus moribundo lhe causaria uma dor tão acerba, que a tornaria Rainha dos Mártires. O Filho vai adiante, e a Mãe tomando também a sua cruz, no dizer de São Guilherme, vai após ele, para ser crucificada com ele.

Se víssemos uma leoa que vai após seu filho conduzido à morte, aquela fera nos causaria compaixão. E não nos inspirará compaixão o ver Maria, que vai após o seu Cordeiro imaculado, enquanto o levam a morrer por nós? Tenhamos compaixão por ela, e procuremos também acompanhar o Filho e a Mãe, levando com paciência a cruz que nos envia o Senhor. – Pergunta São João Crisóstomo, porque nas outras penas Jesus Cristo quis ser só, mas a levar a cruz quis ser ajudado pelo Cireneu? E responde: Ut intelligas, Christi crucem non sufficere sine tua: Não basta para nos salvar só a cruz de Jesus Cristo, se nós não levamos com resignação até à morte também a nossa.

Minha dolorosa Mãe, pelo merecimento da dor que sentistes ao ver o vosso amado Filho levado à morte, impetrai-me a graça de levar também com paciência as cruzes que Deus me envia. Feliz de mim, se souber acompanhar-vos com a minha cruz até à morte! Vós e Jesus, sendo inocentes, levastes uma cruz muito pesada, e eu pecador, que tenho merecido o inferno, recusarei a minha? Ah, Virgem imaculada, de vós espero socorro, para sofrer com paciência as cruzes.


MEDITAÇÃO DA TARDE
Jesus é crucificado entre dois ladrões.

Crucifixerunt eum, et cum eoa lios duos, hinc et hinc, médium autem Iesum – "Crucificaram-no e com ele outros dois, um de uma parte, e outro da outra, e no meio Jesus" (Io. 19, 18).

Sumário. Imaginemos que junto com a divina Mãe presenciamos a crucifixão de Jesus Cristo. Eis que, plantada já a cruz, o Filho de Deus está neste patíbulo infame, suspenso em suas próprias feridas, e sofre tantas mortes, quantos momentos durou aquela longa agonia. Ó Deus! Jesus pensou então em cada um de nós, e a previsão de nossas culpas tornava-lhe a morte mais dolorosa. Unamo-nos em espírito com a Santíssima Virgem, e aproximemo-nos para beijar a preciosa Cruz com coração contrito e amante.

I. Logo que Jesus chegou ao Calvário, todo exausto de dores e de cansaço, deram-lhe a beber o vinho misturado com fel, que era costume dar aos condenados à cruz, para diminuir neles o sentimento da dor. Jesus, porém, querendo morrer sem alívio, provou-o apenas e não quis beber. Depois, tendo-se a multidão colocado em círculo ao redor de Nosso Senhor, os soldados arrancaram-lhe as vestes, pegadas ao corpo todo chagado e dilacerado, e com as vestes lhe arrancaram também pedaços da carne. Em seguida deitaram-no sobre a cruz. Jesus estende as sagradas mãos e oferece ao Eterno Pai o grande sacrifício de si mesmo e pede-lhe que o aceite pela nossa salvação.

Os soldados furiosos tomam os pregos e os martelos, e trespassando as mãos e os pés de nosso Salvador, pregam-no na cruz. Afirma São Bernardo que na crucifixão de Jesus os algozes se serviam de pregos sem ponta, para que causassem dor mais violenta. O som das marteladas ressoa pelo monte, e chega aos ouvidos de Maria, que se achava perto, acompanhando o Filho. – Ó mãos sagradas, que com vosso tacto curastes tantos enfermos, porque vos trespassam agora sobre a cruz? Ó pés sacrossantos, que vos cansastes tantas vezes na busca das ovelhas perdidas, que somos nós, porque vos pregam com tanta dor nesse patíbulo?

Quando se toca apenas num nervo do corpo humano, é tão aguda a dor, que causa desmaios e convulsões mortais. Quão grande não terá sido, pois, a dor de Jesus, quando lhe traspassaram com cravos as mãos e os pés, partes cheias de ossos e nervos? – Ó meu dulcíssimo Salvador, quanto Vos custou a minha salvação e o desejo de ser amado por mim, miserável verme! E, ingrato como sou, tantas vezes Vos tenho recusado o meu amor e virado as costas!

II. Eis que levantam a cruz com o Crucificado, e a deixam cair com força no buraco aberto no rochedo. Enchem-no em seguida com pedras e paus, e Jesus fica suspenso na cruz entre dois ladrões até deixar a vida, como havia predito Isaías: Et cum sceleratis reputatus est – "Ele foi posto no número dos malfeitores". Ó Deus, quanto padece na cruz o nosso Salvador moribundo! Cada parte de seu corpo tem as suas dores; e uma não pode aliviar a outra, porque as mãos e os pés estão pregados fortemente. Ó céus, a cada instante ele sofre dores mortais. Ora faz firmeza nas mãos, ora nos pés, mas em qualquer parte que seja, sempre se lhe aumenta a dor, porque o sacrossanto corpo de Jesus se apoiava nas próprias feridas.

Se ao menos, no meio de tantas dores, os presentes se compadecessem de Jesus e o acompanhassem com as lágrimas na sua agonia amargosa! Não; ao contrário, os Escribas e os Fariseus injuriaram-no e prorrompem em escárnios e blasfémias. E os algozes, feita a partilha das vestes de Jesus e tirada a sorte sobre a túnica, sentam-se indiferentes debaixo do patíbulo, esperando a morte do Salvador.

Minha alma, no meio de suas convulsões e de tantos opróbrios o Senhor pensava em ti e via que tu também um dia te havias de juntar a seus inimigos, para lhe tornar a morte mais dolorosa. Mas não desanimes por isso; chega-te humilhada e enternecida à cruz, junta-te a tua Mãe Maria, e beija o altar no qual morre o teu amantíssimo Redentor. Coloca-te a seus pés e faz que aquele divino sangue corra sobre ti. Roga ao Eterno Pai, dizendo, mas em sentido diferente daquele com que o disseram os Judeus: Sanguis eius super nos – "O seu sangue caia sobre nós". Senhor, venha sobre nós este sangue, e lave-nos dos nossos pecados! Este sangue não Vos pede vingança, como o sangue de Abel, mas pede para nós misericórdia e perdão. – Ó Mãe de dores, Maria, rogai a vosso Filho por nós.

(continuação, Quinta Feira)

12/10/14

OS MILAGRES DE NOSSA SENHORA

Em que tempo a Santíssima Mãe de Deus começou a fazer milagres no mundo?

"Quando Deus criou o mar, diz a Divina Escritura que as águas andavam sobre a terra, e que depois as juntou num lugar a que chamou "mar", que é uma profundidade e abismo que quase não tem fundo. Assim havemos de entender quantas as graças gratis datas, que andam derramadas por todos os Santo e Anjos e juntou Deus na Virgem Maria. E porque entre estas há duas que são fazer milagres, e dar saúde, S. Damasceno a chama mar e abismo de milagres. Abyssus miraculorum. E André,  Cresente a chama obradora de milagres, com poder que senão pode perder. Esta excelência confirmam todos os milagres, que em todo o tempo por sua intercessão Deus fez, mas quando hajam começando, agora o declaramos.

Que antes da Encarnação do Filho de Deus, a Virgem fizesse milagres, nem as histórias o escrevem, nem se acha razão para o afirmar, nem naquele tempo parece acomodado para se fazerem, pois não eram necessários para confirmação da doutrina, nem manifestação de sua santidade, como disse S. Tomás, e o mesmo se pode dizer do tempo que correu desde  a Encarnação até à Ascenção de Cristo. E se por ventura fez alguns, não os sabemos, mas depois da Ascenção de Cristo até à sua morte, em quanto vivia em carne mortal, mui verosímil é que fizesse muitos e muito grandes milagres, porque ainda que ela não tinha ofício de pregar, como os Apóstolos, e não os fizesse para confirmação de sua doutrina, todavia eram para grande bem e acrescentamento da igreja, e para ser conhecida por mãe de Deus, e desta opinião é Alberto Magno e S. António, e Rupeto: e Pelbarto diz que S. Hermano e outros santos afirmam que vivendo fez muitos milagres, curando muitos enfermos, e deitando demónios, e ressuscitando três mortos, e que três presos que levavam a padecer chamando por ela, se quebraram as prisões, e os que os queriam prender ficaram cegos: e entre todos estes se deve contar por muito principal o que a Rainha dos Anjos fez sendo trazida por eles à cidade de Saragoça, que nela se fizesse uma Igreja que ainda hoje se chama do Pilar em que ela, apareceu.

O outro tempo que é da gloriosa Assumpção todo está cheio de milagres, porque assim como em todos os quatro tempos do ano Deus manda Sol, rossio, e chuva para fertilizar terras, assim em todos os tempos Deus manda à terra contínuos milagres obrados por intercessão de N. Senhora, para com eles se encher a Igreja de bens temporais e espirituais. Quando começaram os que ela quis obrar por virtude do Rosário, os autores que deles efectuaram o dizem, e no discurso desta história o veremos, que foi o tempo em que o Padre S. Domingos renovou esta santíssima devoção, como já na primeira parte dissemos. Mas de quanto crédito se lhes deva dar, agora o declararemos." (Historia dos Milagres do Rosario da Virgem nossa Senhora; Lisboa, 1617)

06/01/14

VINDA PARA PORTUGAL, DA PRIMEIRA IMAGEM DA MÃE DE DEUS QUE FOI PARA INGLATERRA

A Vinda Para Portugal, da Primeira Imagem da Mãe de Deus que Foi Para Inglaterra

A grandeza de Portugal está vinculada ao maior florescimento do cristianismo na Península, como já tivemos ocasião de dizer, e por isso, parece que a Mãe de Deus, tem especial predileção pelo nosso povo, por esta Terra de Santa Maria. Há factos, que nos levam àquela conclusão, desde os tempos mais remotos da nossa história, até ao presente, como o que a seguir relatamos.

Quis o acaso que viesse cair sobre a nossa mesa de trabalho, há anos, um velho manuscrito, intitulado: "Notícia da Arrábida", datado de 7 de Novembro de 1762. Uma letra firme, lia-se facilmente, fazendo-nos pensar que tivesse sido escrita, aquela resenha histórica, por algum religioso do antigo convento da Arrábida, cuja mole de pedra se debruça altiva, sobre as cristalinas águas do Sado.

O documento, com as arestas a esboroarem-se, pela humidade, ou antes, pelo tempo que lhe pesava, relatava a história de Nossa Senhora da Arrábida, afirmando ter sido a primeira imagem da Mãe de Deus, que houve em Inglaterra.

Nossa Senhora da Arrábida

Foi o Pontífice Gregório I, esse espírito lídimo da cristandade, o grande impulsionador dos cânticos gregorianos, o promotor da evangelização da Inglaterra, que pelas suas virtudes ficou com o seu nome gravado, a letras de ouro, na História da Igreja e do Cristianismo, que mandara esculpir a referida imagem e a enviou para Inglaterra.

No ano de 590 os campanários romanos, com o repique dos sinos, festejavam a ascensão de Gregório I à cadeira pontifícia, mais tarde justamente cognominado "o Grande" e inscrito no catálogo dos Santos.


O novo Pontífice, dotado de invulgar elo apostólico, empreendeu a evangelização da Anglia, que tinha sido inválida pelos bárbaros, provenientes da Germânia, depois de ter visto à venda, em Roma, alguns escravos provenientes daquela ilha distante. Quando perguntou de onde provinham aqueles escravos e lhe responderam tratarem-se de anglo-saxões, disse: "Non angi, sed angeli." ["Não são anglos, são anjos."]

Quando subiu ao pontificado, tratou de chamar a Cristo aqueles povos. A Europa do sul estava em grande parte evangelizada, enquanto que os germânicos, se mantinham algemados pelo erro das falsas religiões.

Era contra este triste panorama religioso que o Santo Padre combatia, de cruz alçada nas mãos, e a sua palavra eloquente nos lábios.

Mandou para a Anglia, Santo Agostinho, o qual mais tarde foi Arcebispo de Cantuária, recomendando-lhe:
- "Não é preciso abater os templos dos ídolos, mas somente os ídolos que lá estão. Depois de aspergidos esses templos, com água benta, devem colocar-se aí altares e relíquias, porque se esses templos estão solidamente construidos, é necessário desviá-los do culto dos demónios e pô-los ao serviço do verdadeiro Deus, a fim de que essa nação, vendo que se não destroem os templos, se converta mais facilmente e venha a adorar o verdadeiro Deus nos lugares que lhe são conhecidos." (Arqueologia Litúrgica, pág. 12, por Mons. Augusto Ferreira).

No ano de 590, S. Gregório Magno, enviara para a Inglaterra, vários religiosos da Ordem de S. Bento, como missionários, a fim de, mais rapidamente, converterem o povo daquela nação ao cristianismo.

Segundo nos informa o mencionado manuscrito, os monges missionários, no cumprimento das ordens do Pontífice, mandaram esculpir, em pedra, uma imagem da Mãe de Deus, com o seu Filho nos braços, destinada àquele país a qual foi colocada num oratório, em belo local, e logo despertou nas almas a verdadeira fé, provocando diversas conversões.

Muitos dos habitantes do referido local pretendiam se o proprietário da imagem e do terreno onde ela se encontrava, cuja disputa motivou várias desavenças, até que o oratório e a piedosa imagem caíram em poder de um abastado comerciante, chamado Haildebrando.


Talvez porque os negócios lhe não corressem bem, naquele país, resolveu dirigir-se a Portugal, trazendo na sua companhia a célebre imagem da Mãe de Deus, a fim de o proteger na nova vida que encetara.

Decorria o ano de 1258, quando Haildebrando embarcou na companhia de alguns homens, em direcção a este país.

A poucos dias de viagem, as terras lusitanas alvejavam ao longe, como uma bandeira redentora, desfraldada ao vento.

Próximo da barra do Tejo, um violento temporal arrastou a pequena embarcação, com risco de vida dos seus tripulantes, para o largo do Oceano, de ondas encapeladas, até que foram lançados ao sabor das altas vagas, para além do Cabo Espichel, durante uma noite tempestuosa. Decorrido longo tempo, entre a vida e a morte, as margens do Sado, surgiram, como se fossem dois braços abertos, a receberem aqueles tripulantes, exausto de forças, mas afastados do perigo. Defronte deles, erguia-se com impressionante majestade, a verdejante e pedregosa Serra da Arrábida, que lhes pareceu oferecer-se para altar da célebre imagem.

Foi então que uma luz redentora, iluminou o espírito de Haildebrando e dos seus companheiros, ao conduzi-los às agrestes encostas daquela serra, para cumprirem um sonho tão impressionante convertido em realidade.

No ano de 1258, Haildebrando, que se amortalhara entre quatro paredes de uma pequena cela, junto a uma singela capelinha, construída por ele, onde venerava a histórica imagem de Nossa Senhora, pedia obediência ao Bispo e Cabido da Sé de Lisboa, para ali poder passar o resto da sua vida - afastados da humanidade, que parecia invadida por instintos ferozes, e tanto desânimo lhe causava - para viver entre as flores do campo que haviam de cobrir o seu corpo, quando entregasse a alma a Deus.

Assim sucedeu, e a imagem da Mãe de Deus, começou a ser venerada pelo povo que ali afluía em romaria até que, a razoira implacável do tempo fez diluir no esquecimento este curioso facto, que passaria desapercebido, caso o referido manuscrito não tivesse chegado ao nosso poder.

Depois de sabermos o que acabámos de relatar, logo tratámos de averiguar onde é que a referida imagem teria sido colocada, para a identificarmos, o que nos levou a muitas andanças pela escarpada Serra da Arrábida, sem que tivéssemos encontrado, desde logo, indícios daquela escultura medieval.

Decorrido algum tempo, já não andávamos ao acaso, visto o nosso plano basear-se já numa precisa informação do saudoso investigador e arqueólogo Joaquim Rasteiro, publicada no 3º volume da revista "O Arqueólogo Português", na qual se lê o seguinte, sobre a exploração de esculturas na região da serra da Arrábida:

"A que por aqui conheço digna de menção,acha-se na sacristia da Igreja paroquial de Sesimbra, e, não há muitos anos ainda estava exposta à veneração, no altar-mor da igreja, de que era orago, lugar e primazia de que foi deposta por outra imagem de madeira. Era no género bizantino, e achava-se pintada a cores".

É de notar como as ideias dos tempos influíram na maneira de apresentar a figura da Mãe de Deus, primeiramente sentada, depois de pé.

Já em Santiago de Compostela, contemplamos belas imagens sentadas, em pedra policromada, como em outros monumentos daqueles recuados tempos.

As primeiras reproduções da Mãe de Deus, provêm de épocas remotas, tanto mais que a festa de Conceição de Maria, data do século VIII, e era celebrada sob a invocação da Conceição de Santa Ana, a 8 de Dezembro. Esta festa, vulgarmente denominada das "Santas Mães" solenizava a Conceição pretéria de Maria, nas entranhas de sua Mãe.


Em regra, os artistas impressionados pela sublimidade de que Pio IX havia de definir, como dogma, representaram a Imaculada com luz radiante.

Seguindo a cronologia das representações da Virgem Imaculada, vamos encontrá-la já nas iluminuras do livro de horas de D. Manuel, sob a forma de virgem apocalíptica, porque esta invocação é a primeira apresentada na Península. No entanto, este tipo apocalíptico, assim denominado, por representar a Virgem Maria, segundo a descrição feita no Apocalipse, não tendo contudo grande expressão de culto no nosso país, no séculos XVI e XVII, reaparecendo mais tarde, em que a imagem da Virgem se vê com o Menino Jesus ao colo. Ao mesmo tempo, a Imagem de Nossa Senhora da Conceição representa-se como imaculada, calcando aos pés a serpente. O privilégio divino, com a primeira grande vitória sobre o inferno [Demónio ?].

Nossa Senhora do Ó, a Virgem pejada, também conhecida como da Esperança, é outro tipo de representação da Virgem, em que está implícito o mistério da faculdade miraculosa de Maria. Esta representação de Nossa Senhora é característicamente peninsular e medieval.

Existem muitas imagens esculpidas, sob aquele aspecto, deveras realista, por artistas de grande mérito,as quais pertenceram a diversas Sés e algumas igrejas de remota antiguidade.Este culto apagou-se com o Renascimento, pelo que se encontram, muitas daquelas imagens de Nossa Senhora do Ó, depositadas em Museus de Arte. As Santas Mães - Santana e Nossa Senhora com o Menino ao colo - foi também um tema cultivadíssimo em Portugal, em que se evoca o mistério da Conceição Imaculada.

Desde o século XV até fins do XVIII, os grupos das Santas Mães foram trabalhados pelos escultores e pintores.

Em pintura, a figura da Mãe de Deus, no século XVIII, era geralmente representada sobre fundos celestiais, em que a imagem se vê entre nuvens, sob uma luminosidade radiante. Naqueles tempos, apareceu a figura definitiva e representativa da Virgem Maria, sob o tipo genesíaco e do apocalíptico, admitindo símbolos de um e do outro: A lua, os Anjos, a serpente e as estrelas, além do Globo, e que a figura geralmente assenta.

Regressando ao assunto da imagem, que fora para Inglaterra, resta-nos dizer que, depois da referida informação e ao chegarmos ao altivo Castelo de Sesimbra, logo nos saltou à vista, sobre fundo branco de cal, num pequeno nicho aberto na parede e sobranceiro à porta da entrada da capelinha solitária, daquela remota fortaleza, uma imagem preciosa, da Mãe de Deus, que outrora devia apresentar-se sentada, com o Menino nos braços, mas que actualmente se encontra de pé. Certamente a cortaram a meio, colocando-a sobre um corpo esculpido em madeira.

A obra de arte em pedra, foi inspirada de facto, no estilo bizantino, como se refere o mencionado arqueólogo, e pertence ao séc. XI ou XII, podendo admitir que o colorido seja primitivo, apesar das intempéries e dos raios solares que todos os dias vão fazendo perder aquela já tão pálida nota de cor, o qual era tão vulgar, naqueles tempos, em esculturas de pedra.

Não há memória de ter existido naquela região, outra imagem de Nossa Senhora, sentada, com o Menino ao colo, tal como se apresentam as dos templos medievais.

Ficámos absolutamente convencidos de estarmos na presença da imagem, a que se refere o manuscrito velhinho, que nos narrou a curiosa história daquela obra decerto tantas almas na Inglaterra. Só os desígnios de Deus podem explicar porque é que aquela imagem de Nossa Senhora, veio, através dos mares, para a Terra de Santa Maria, deixando aquele povo, (...)." (José Dias Sanches)

12/12/13

DIA DE NOSSA SENHORA DE GADALUPE

Imagem milagrosa de N. Senhora de Guadalupe (México)
Honra-se neste dia especialmente a Nossa Senhora, sob o título de "Virgem de Guadalupe".

Como quase sempre os meus artigos são complementos ao que por aí anda, e assim quero realçar alguns aspectos esquecidos por abafados que andam.

Por mais emoção que isso cause nos "espanholátricos", seria desejável que deles, aqueles que dizem que João Paulo II não é Papa, ou que nada ou pouco vale a documentação dele apresentada como Magistério Pontifício, não digam que Nossa Senhora de Gauadalupe é "Imperatriz da América" (titulo dado por João Paulo II no ano 2000)! Menos recente é o título de "Padroeira da América latina" que deve significar entre várias coisas: a parte das Américas que falam português e castelhano. Este título coloca em reflexão o valor e alcance dos dos santuários nacionais e padroeiras nos vários países americanos em questão. É certo que Nossa Senhora de Lujan (padroeira da Argentina) é, nada mais nada menos, que Nossa Senhora Aparecida (padroeira do Brasil), levada por um comerciante português. Contudo já não podemos dizer que Nossa Senhora Aparecida seja uma importação (ou quase) de Guadalupe. Há nisto diferenças significativas que, por vontade de Deus, foram marcadas e dadas ao mundo, e que não competem ao homem adulterar-lhes o significado.

Mas como fica então o caso do Brasil relativamente ao México!? Houve algum sinal de "importação" da padroeira do México relativamente à Padroeira do Brasil?

Sem dúvida que o primeiro fenómeno mariano nas Américas, foi o de Nossa Senhora de Guadalupe. Se a devoção de Nossa Senhora de Gadalupe tivesse sido influente na cristianização do Brasil, porque mandaria Deus, depois, tudo o que foi e é Nossa Senhora da Aparecida até fazer desta a sua padroeira!? A reposta é óbvia: o fenómeno de cristianização do Brasil pouco ou nada tem a ver com o que aconteceu no México, e a única relação entre os dois fenómenos de cristianização talvez tenha sido encontrado e sublinhado apenas no séc. XX, quando o Papa Pio XII, em 1945, atribuiu por primeira vez o título de "Padroeira das Américas" a Nossa Senhora de Guadalupe. Para lá de ser mariano, evidentemente, não há qualquer encadeamento entre a Padroeira do México com a Padroeira do Brasil.

Quando o Papa Pio XII deu tal título, estávamos no auge da força franquista e no início do retorcer doutrinal em Espanha, levado a cabo pelos próprios responsáveis eclesiásticos, o que se veio a notar mais tarde no decorrer do próprio Concílio Vaticano II. Neste tempo, era natural haver na Europa regimes fortes que tentavam resistir e elevar-se aos ataques declarados dos inimigos das nações, o patriotismo foi fomentado como uma das medidas óbvias entre as várias nações. Nem tudo o que se produziu neste tempo foi necessariamente santo, porque o inimigo não era apenas objectivo, frontal, externo, evidente, e nestes casos quase nunca a história regista a acção daquele inimigo mais interno de todos que corrompe interiormente os homens. Onde o diabo vê nascer uma resistência trata logo, com antecipação, de recrutar para ela elementos que sabe como trazer dominados. Quero eu dizer com isto que o fenómeno a que eu chamo "espanholatria" é um dos frutos da deturpação de válidas resistências na Espanha, e que a própria hierarquia espanhola também tratou de transformar a sua fé mais em "amor pátrio" do que em "amor à verdade". A "hispanidad", que em princípios se apresenta louvável e desejável, na prática, como podemos hoje confirmar, transporta erros lamentáveis que resistem a qualquer tentativa de emenda ou de diálogo franco com a verdade. A influência de toda esta força, segundo parece, terá elevado desta forma a "raça espanhola" a um lugar tão ambicioso que não estranha haver dela as influências num período em que Pio XII já começava a estar rodeado de inimigos não sabendo eles quem eram (história conhecida por muitos...). Evidentemente que há fundamentos para o título atribuído pelo Papa, fundamentos que são mais que motivações hegemónicas daqueles que sobre ele exerceram diplomacias.

Real Mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe
(Espanha)
Considero então que o título de "Padroeira da América Latina" veio por diplomacia espanhola a título de hegemonia, ao mesmo tempo que se tentava em vão elevar Isabel de Castela às dignidades mais gloriosas, e considero que este título é um pouco forçado, embora permitido por Deus, é um título recente. Mas o mais interessante é que João Paulo II não contradisse este título e, antes pelo contrário, o eleva muito mais a "Imperatriz da América"... Não adiantaria dizer que isto se deveu a estratégia de propagação da Opus Dei que se monta igualmente no "cavalo" da "hispanidad" quanto baste. Adianta dar o fundamento sobre o qual se assentaram os títulos: foi esta a primeira aparição de Nossa Senhora nas Américas. Contudo, como já devem saber os leitores, segundo as determinações universais, temos na verdade mais de uma América (sim Américas), ou seja, temos na verdade não um continente, mas pelo menos dois continentes, e Nossa Senhora de Guadalupe apareceu no do norte. Por outro lado a descoberta da América, como hoje se pode já comprovar, é uma fraude (visto que as Antilhas e outras partes estavam já cartografadas antes da "descoberta da América"), à que se lhe soma a questão da descoberta não ter sido feita segundo algum critério linguístico (portanto, cai por terra o argumento da "América Latina" relativamente à "descoberta da "América".) ... Parece-me óbvio estarmos perante um caso tolerável, mas longe de justo e definitivo.

Dizem-me os mexicanos que o nome original não seria "Guadalupe", mas algo parecido. E esta anotação que me fazem tem até algum paralelo com algo típico: seria uma palavra indígena, foneticamente semelhante a "Guadalupe", mas que os espanhóis (que acreditam sempre que se coisa boa então é deles) interpretaram como lhes era mais familiar: "Guadalupe".

Como este é um artigo mais de anotações, quero aproveitar para mostrar-vos um texto de Isabel Dumond Braga:

"O santuário de Guadalupe, situado na Estremadura do Reino de Castela, atraiu desde a Idade Média muitos peregrinos portugueses, além de ter conseguido captar a simpatia e a protecção régias, que se traduziam na concessão de privilégios e de dádivas, para além de visitas pessoais de alguns monarcas lusitanos. Tal aproximação aos mosteiros remonta a D. Fernando.
As populações da raia, e particularmente do Alentejo, devido à proximidade geográfica do santuário, deslocava-se aí com alguma frequência, evitando, em muitos casos, uma deslocação maior como por exemplo a Compostela. Tal facto levou, na época medieval, a uma certa rivalidade entre os dois cultos.
No séc. XVI, a situação não se alterou. Os registos de peregrinos, depositados no mosteiro, permitem-nos afirmar que a zona do Tejo em muito contribuiu para a difusão do culto de Santa Maria de Guadalupe em Portugal. Com um itinerário documentado, seguindo por Évora, Estremoz, Elvas, Badajoz, Talavera (antes Talaverula), Mérida e Guadalupe, os peregrinos afluíam sobretudo para cumprirem dados votos.
Tal como aconteceu para outras épocas e para outros santuários, o principal motivo que levava as populações alentejanas a deslocarem-se em peregrinação a Guadalupe foi a falta de saúde. (...) problemas diversos tais como reumatismo, as febres de origem diversa, a peste e outros males (...)."


Em continuação, esta autora vai mostrando como a devoção a Nossa Senhora de Guadalupe no seu santuário original está ligado profundamente aos motivos de recuperação da saúde física, e mais tarde aos perigos, nomeadamente relacionados com os resgates e viagens. Registam-se ao longos dos séculos muito milagres concedidos por Nossa Senhora de Gadapule (no santuário original). Não admira que Cristovão Colon, que morou no Alentejo tivesse ele mesmo devoção a Nossa Senhora de Guadalupe.

Torno à queixa mexicana que diz que não teria sido "Guadalupe" o nome que Nossa Senhora deu a conhecer a João Diogo. Mas, porque a tradição o reforça, vamos tomar o nome como certo, e vamos pegar nas outras duas padroeiras nacionais das quais já falei. Apenas uma delas é "superior" às outras pela originalidade, ou seja, Guadalupe original não é no México mas sim na Espanha, e Nossa Senhora de Lujan é a Aparecida do Brasil, pelo que se conclui que a Aparecida é a única original do sítio entre todas estas.

Enfim... no meio de tanta questão e interesse, louvemos Nossa Senhora.

14/03/13

VIA SACRA, NOSSA SENHORA, TRADIÇÃO



“O sacrossanto exercício da Via Crucis, o qual na realidade não é outra coisa que uma representação devota daquela viagem dolorosa que o amoroso Jesus fez desde a casa de Pilatos até ao Calvário, foi sempre venerado pela piedade critã;  não se podendo ir pessoalmente a Jerusalém, os fiéis visitam as Estações da Via Crucis, porque aquele caminho o percorreu Nosso Redentor , desde que sobre as espadas da perfídia dos Judeus foi posto o pesado lenho da Cruz. Costuma também chamar-se Caminho doloroso, porque tão penosa viagem, na reflexão dos contemplativos, foi o mais atroz martírio que sofreu aquela Sacrossanta Humanidade e destroçada com tantas penas antecedentes. Pelo que, praticar a Via Crucis é o mesmo que contemplar com ternura de coração todos aqueles destroços e dores que, desde a casa de Pilatos até ao Calvário, sofreu debaixo do peso da Cruz Nosso Amantíssimo Jesus. Divide-se, pois, em catorze Estações, e catorze cruzes: porque a cada Estação corresponde cada cruz e a memória de um daqueles santos lugares nos quais agonizava o Redentor no progresso daquele lastimosa viagem, necessitou esforçar-se, e corroborasse; mas se diz Estação (do verbo estar), e da estância e esforço que fez Jeus naquele lugar: e porque da casa de Pilatos até ao Sepulcro foram catorze estâncias, e esforços (a saber: doze estando vivo, e às duas últimas estações foi levado morto), por isso são catorze as Estações e catorze as cruzes.

A respeito deste santo exercício, escreveram muitos autores, principalmente Adricómio, o qual, na descrição de Jerusalém, unm. 118, atribui à Santíssima Virgem o princípio de tão Santo Exercício, com estas palavras: a piedosa tradição dos mais velhos diz que a Beatíssima Virgem, a qual surgiu com seus passos os atormentados passos de seu Filho até à cruz: depois que que foi sepultado, voltou ao mesmo caminho do Calvário sendo a primeira, que, por devoção percorreu a Via Crucis: de onde parece terem a sua origem as procissões dos Cristãos, e as erecções de cruzes. Este motivo apenas deveria bastar a todas as almas devotas para adoptarem este santo exercício: o saber que não foi inventado por Santo algum mas sim pela Rainha de todos os santos, a qual, todo o tempo, que sobreviveu à morte do seu filho, (segundo a mesma Senhora revelou a Sta. Brígida) todos os dias praticou um tão santo exercício, visitando aqueles santos lugares, que o benditíssimo Jesus havia consagrado com suas pernas; estas são suas palavras: em todo o tempo, depois da Ascenção do meu Filho, visitei os Lugares, nos quais Ele padeceu e manifestou suas maravilhas. (lib. 6 Revel c. 6). Vê-se aqui o engano daqueles, os quais, antes da mencionada presente declaração, se retraíram deste santo exercício: e colocando em dúvida o ganho de indulgências, abstinham-se de praticá-lo como se tão bela devoção (a qual é a mais antiga, a mais piedosa, a mais excelente de todas, e pode dizer-se “a mãe e rainha de todas as devoções”) não constituísse em si o mais nobre motivo para exercitar o coração à dolorosa memória da Paixão do Redentor. O motivo de ganhar as indulgências, não há dúvida que é santíssimo; “…

(queira o leitor desculpar: perdi o original e não pude terminar de transcrever nem posso de memória citar a fonte)

12/02/13

11 de FEVEREIRO - NOSSA SENHORA DE LOURDES

"Eu sou a Imaculada Conceição"

Imagem realista de como seria a gruta

23/10/12

RESPOSTA DO CÉU À VENERAÇÃO DE JOÃO PAULO II - LOURDES 21 e 22 de Outubro de 2012



Este dia 21 de outubro (21/10/2012 - linda data...), Bento XVI manifestou-se preocupado com a inundação em Lourdes: "Dirijamo-nos àquela que é a Rainha de todos os santos, a Virgem Maria, com um pensamento para Lourdes, afectada pelo transbordar das águas do [rio] Gave de Pau, que inundou a gruta das aparições". (imagens da inundação) O efeito das chuvas, que caiam já desde o dia 18, obrigou as autoridades  a tomar medidas para segurança dos peregrinos (500 deles foram evacuados), não tendo havido mortos ou feridos.

Há 25 anos que não se registava uma inundação significativa em Lourdes. Tinham-se organizado um conjunto de eventos sobre o tema das inundações e memória, evento que terminou este 13 de Outubro.

O Santuário anunciou que dia 22, à tarde, a gruta das aparições estaria aberta aos peregrinos, contudo tal não foi possível.

Estava prevista a veneração das relíquias (ampola com sangue) de João Paulo II neste Santuário mariano, do dia 22 (dia que a pseudo-Roma estabeleceu para festa do "beato" João Paulo II) a 27. O Presidente do Conselho Pontifício para a Saúde (Santa Sé) que apresentou motivo pelo qual autorizou o transporte da ampola de sangue de João Paulo II: "... visto e venerado pelos peregrinos de todo o mundo".

Estes sinais do Céu serão suficientes para alguns, contudo, não serão suficientes para todos!

13/05/12

UM DOS MILAGRES "DAS POMBAS" - N. SENHORA DE FÁTIMA

Coroação de Nossa Senhora de Fátima, a 13 de Maio de 1946
Decorria o ano de 1946, e Portugal celebrava o terceiro centenário de sua Consagração a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Rainha e Padroeira de Portugal (1646), proclamada pelo rei D.João IV. Surgiu a idéia de levar a imagem de N. Sra. da Conceição, de Vila Viçosa até Lisboa. Em 1946, a Imagem de N. Sra. de Fátima já era grande atração para muitos peregrinos. Então, foi pedido que aquela sua representação fosse, igualmente, a Lisboa para que, no dia 8 de dezembro de 1946 se encontrasse com a imagem da Imaculada Conceição de Vila Viçosa, quando uma grande Celebração festiva seria realizada pelos 300 anos da Padroeira de Portugal.
Nesta comemoração da Consagração de Portugal a N. Sra. da Conceição, N. Sra. de Fátima foi coroada no dia 13 de maio pelo Cardeal legado (representando o Papa, para a solenidade), Dom Aloisio Masella, diante de 800 mil fiéis. Encerrava-se, assim, o Congresso Mariano de Évora - cidade onde, 300 anos antes, fora pronunciado o voto - e, em seguida, a procissão solene, de mais de 400 Km, teve início, em homenagem à Virgem Peregrina.

Esta viagem triunfal, que se estendeu de 22 de novembro a 24 de dezembro, atraindo multidões, foi marcada por um evento insólito.

A Imagem de Nossa Senhora de Fátima, a caminho de Lisboa, passando pelo oeste, atravessou Bombarral, a 1º de Dezembro de 1946. Cinco pombas brancas, lançadas ao ar por D. Maria Emília Coimbra e sua filha Teresinha Campos, pousaram, uma após a outra, aos pés da Imagem, voltando-se para ela com atitudes surpreendentes. A partir de então, muitas pombinhas foram soltas e muitas delas se refugiavam aos sues pés, aí permanecendo, noite e dia, sem procurar alimentos, sem bicar ou debicar a estátua ou as flores que a ornavam, sem serem perturbadas pela multidão, virando-se para os oradores, para o Santíssimo ou para o Crucifixo - quando estes eram colocados sobre o Altar -, seguindo a estátua sempre que era transportada, em automóveis ou aviões, quando rumava para os outros continentes. Sua delicadeza e reverência precediam a imagem, e as aves a aguardavam, postando-se nos locais onde seria colocada.

As pombinhas, de noite e de dia, nas celebrações e vigílias, sob os cânticos e as aclamações, sob chuva e foguetes, durante todo o percurso, jamais deixaram a Imagem até chegar a Lisboa, no dia 8 de dezembro, data em que outros pássaros se associaram a elas. O fenômeno foi registrado pela imprensa daqueles dias. Foram as pombas de Bombarral, as primeiras a manifestarem a sua presença carinhosa junto à Imagem de Nossa Senhora de Fátima. E isto marcou profundamente o espírito do povo português: o Cardeal de Lisboa expressou o seu assombro na mensagem radiofônica, divulgada por ocasião do Natal de 1946 e todos os jornais do país refletiram a sua emoção. O Padre Miguel de Oliveira assim escreveu na edição de 7 de dezembro, da publicação Novidades, quase inteiramente dedicada às pombinhas de Nossa Senhora: "Ao término de alguns séculos, não faltarão espíritos fortes que sorrirão da nossa ingenuidade e questionarão como teria sido possível, em pleno século XX, que uma lenda típica da Idade Média fosse criada. Porém não se trata de uma lenda, ó homens do futuro! Trata-se de uma realidade que nossos olhos contemplam, esta é a história autêntica, testemunhada por centenas e centenas de milhares de pessoas."

Trecho do livro "Les colombes de Notre-Dame" (As pombinhas de Nossa Senhora) 
que apresenta, igualmente, dezenas de fotos destes prodígios 
Résiac - Fátima Edição -- fevereiro de 1985

19/03/12

A "CONCEIÇÃO" (moeda)

Em 1648 D. João IV mandou cunhar umas moedas (que na verdade mais são medalhas) que ficaram conhecidas pelo nome de "Conceição". É que tais moedas levam a imagem da Imaculada Concepção, pois sempre foi persistentemente devotada em Portugal como tal (portanto, antes da proclamação dogmática) - Sobre este assunto será publicado um artigo para o dia 25 de Março.

Olhemos a moeda.

Na cara:

As letras laterais "TUTELARIS REGNI" (tutelar do Reino), "1648"

Sol- O Criador de quem é Mãe;
Espelho- "Espelho de Justiça", reflecte o "Sol";
Arca de Noé- "Arca da Aliança", é a nova aliança, a nova humanidade que tinha sido quebrada na descendência de Eva;
Fonte- Vida e saúde dos enfermos;
Cerca - O redil, o Eden;
Templo- "Sede de Sabedoria", "Casa de Ouro".

Na coroa:

As letras laterais "JOANES IIII D. G. PORTUGALIAE ET ALGARBIAE REX" (João IV D. G. Rei de Portugal e do Algarve)

Vemos a crus da Ordem de Cristo sobreposta pelo escudo da Coroa portuguesa, visto que tal Ordem está associada à Coroa portuguesa.

06/03/12

S. TEOTÓNIO - PRIMEIRO SANTO DO REINO DE PORTUGAL (II)

Nossa Senhora do O (Lamego)
Costume do Sábado dedicado à Mãe de Deus:

"1. O costume de celebrar nos sábados a Missa de N. Senhora, que S. Teotónio observou em Viseu, e depois introduziu em S. Curz, observa-se ainda. Nos Mosteiros da congregação de S. Cruz diz-se esta Missa no fim de Prima, com órgão, e assistência de dois Acólitos, acesas todas as velas no Altar da Senhora. Desta cordial devoção com que se empregava no culto e obséquio da Virgem Mãe de Deus, podia-se justamente reconhecer S. Teotónio remunerado com os tesouros infinitos da graça, e afluência de todos os bens. Vigiava, e orava prostrado diante do altar e imágem da Senhora; não se cansava de madrugar às portas de seu Templo, e casa de oração. Que virtudes, que prodígios do Céu deixaria de receber, e obrar, quando sem interrupção gozava a felicidade de ouvir a Mãe da divina graça, a Mãe da eterna sabedoria? (Sap. VII Super salutem er sapeciem dilexi illam: venerunt mihi omnia bona pariter cum illa). Esta devoção persuadia a todos, quetrendo encaminhar a Deus as almas redemidas com o sangue de Cristo, valendo-se do auxílio e patrocínio da Mãe do mesmo Deus, pela qual  baixou à terra o Rei da Glória, que convida e chama todas as gentes ao conhecimento da verdade e ao prémio e exaltação na eternidade bem-aventurada." ("Vida do Admirável S. Theotónio", pag. 36)

02/03/12

S. TEOTÓNIO - PRIMEIRO SANTO DO REINO DE PORTUGAL (I)

S. Teotónio

Celebra aos Sábados em obséquio da Rainha dos Céus: nem diminui sua devoção por respeitos humanos.

"1. Sucedeu além disto que, num sábado, segundo seu costume, estando já com as vestes Sacerdotais, dispondo-se a oferecer as Hóstias saudáveis em honra da Mãe de Deus, a Rainha [D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques], que esperava à porta, mandou-lhe dizer que dissesse a Missa depressa. Consta-se que respondeu: Outra Rainha há no Céu muito melhor e muito mais nobre, à qual vou com suma veneração e respeito a pagar o meu obséquio, oferecendo a Deus por mãos desta Senhora, que é sua Mãe e Virgem sem mácula, e [vou] celebrando a Missa solene mui de espaço, sem cuidar ou atender a mais alguma coisa. Quanto à Senhora Rainha, tem liberdade de ouvir Missa, ou se apartar como e quando lhe parecer. Como isto foi referido à Rainha, logo ela se compungiu reconhecendo sua culpa, e clamou repetidas vezes que era miserável e pecadora e D. Teotónio verdadeiro, justo e santo. Atenta, ouviu a Missa. No fim chamou o santo e, humilhada em espírito, pôs-se de joelhos diante dele e à sua insistência se levantou depois de pedir com lágrimas penitência, e que não deixasse de fazer oração por ela. Teotónio a exortou que não proferisse mais tão incautamente palavras ociosas a respeito do culto divino. Assim o prometeu a devota Rainha com melhoras evidentes de sua vida.

2. Deste modo observou-se em todos os tempos que este homem santíssimo nunca recebia com excepção as pessoas dos homens. Nunca antepunha coisa alguma aos divinos ofícios ou que alguma vez os celebrasse com menos ordem ou decência, com com mais pressa do que o acostumado. Na verdade, com todo o coração e afectos amava a Cristo Rei eterno, o que não receava o terreno principado. Assim exortava todos, como ficou dito, e com tanta ânsia apressava-se a meter todos no reino de Deus como se tivesse gerado a cada um."

(ler aqui o complemento)

(Continuação, III parte)

24/02/12

O ACIDENTE DE D. MIGUEL I - OS "MALHADOS"

Quem são os "malhados"?

Em Portugal dos tempos de D. Miguel I, os maçons e liberias, portanto, os inimigos ficaram conhecidos por "malhados".

Já aqui ficou registada tal palavra com o artigo anterior, quando o povo cantava:

Rei chegou Rei chegou
Em Belém
Desembarcou
Na barraca
Não entrou
Aos realistas Abraçou
Aos "malhados"
Não falou.

Em determinado dia, D. Miguel I saiu de passeio em direcção ao mar, e fez questão dele mesmo dirigir o coche que o havia de levar. Perto da Quinta do Caruncho os cavalos, que eram malhados, tiveram alguma irritação e precipitaram-se em acidente junto a um alto precipício. D. Miguel foi projectado e atropelado ficando-lhe quebrada uma perna por uma das rodas. Sabendo de tal notícia o povo acabou por culpar os cavalos malhados, e começou a chamar "malhados" aos liberais e maçons, que eram inimigos de D. Miguel e de Portugal. Logo depois do terrível acidente, havendo por ali perto uma casa de gente do campo, D. Miguel foi rapidamente levado a ela para se recompor um pouco e esperar melhores socorros. Ficou estendido num canapé, apoiando a perna numa cadeira, e aceitou tomar um chá. Poucos dias depois D. Miguel enviou a essa casa no campo um serviço de chá magnífico, um canapé e uma cadeira de construção muito boa e de valor (tudo o que foi usado daquela casa para o serviço do Rei foi oferecido replicado em muitíssimo maior valor). Em 1945 há registo dessa mesma casa, que nela continuava a viver a mesma família que guardava com muita estima conservados todos os presentes do Rei, no mesmo sítio, e guardando pormenores da visita que tinham resistido aos tempos naquela pequena tradição oral familiar.

O povo escolheu então o nome de "malhados" para as cavalgaduras dos liberais. Assim seja...


"S. M. O SENHOR D. MIGUEL I.º

acompanhado de suas Augustas Irmãs, dando graças à Senhora da Conceição da Rocha pela feliz melhora da sua perna. A respeitável presença do nosso Inclito Monarca, o brilhante concurso de muitos, e distintas personagens desta Corte que ali se achava [...] este Solene e Religioso Acto que foi praticado na Basílica de Sta. Maria no dia 29 de Janeiro de 1829."

10/01/12

RAINHA DOS ANJOS - Oração

Augusta Rainha dos céus e Senhora dos anjos, Vós que recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de satanás, humildemente vos rogamos que envieis as legiões celestes para que às vossas ordens persigam e combatam os demónios por toda a parte, refreando a sua audácia e precipitando-os no abismo.

Quem é como Deus?

Ò bondosa e carinhosa Mãe, vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança!

Ò divina Mãe, enviai os vossos anjos em nossa defesa afastando para longe de nós o cruel inimigo!

S. Miguel e todos os Santos Anjos, combatei e rogai por nós.

(Oração gentilmente cedida por P.L.)

04/01/12

O ROSÁRIO REVELADO POR NOSSA SENHORA A S. DOMINGOS


Este é um tema que merece muita dedicação. Vou já adiantando as palavras de Nossa Senhora a S. Domingos a respeito do Rosário. Cito uma parte:

"... Faz com que estes povos conservem na memória os grandes mistérios da Encarnação, Vida, e Morte de meu Filho, e dos benefícios, que com sua Paixão fez ao Mundo, e que em agradecimento disto louvem a Deus, e verás o proveito que se segue."

O que se seguiu? Nossa senhora deu um Rosário a S. Domingos e mandou-lhe que ensinasse esta devoção.

Os "mistérios" são mistérios. Ou seja, não foram inventados para o Rosário, pois são aqueles que já existiam e não podem ser alterados. No Rosário que Nossa Senhora deu não cabiam os tais "mistérios luminosos" inventados por João Paulo II e que obrigariam a desconfigurar toda a estrutura do Rosário dado por Nossa Senhora.

Para quem não sabe, o Terço é a terça parte do Rosário, portanto, é a reza de apenas um grupo de mistérios. Os mistérios, a bem ver, dividem-se em número certo por 3 grupos de 5 e, maravilhosamente, pertencem a três temáticas diferentes: Dolorosos, Gozosos, Gloriosos.

JOÃO PAULO II NÃO SUBSTITUI NOSSA SENHORA

Nossa Senhora deu a S. Domingos essa grande arma que é o Rosário: 150 avé Marias distribuídas por 15 mistérios agrupados em conjuntos de 3. Cada conjunto de 3 é chamado de "Terço". O nome "terço" significa, claro está, a terceira parte de algo, o algo que neste caso é o Rosário.

Ao longo dos tempos têm-se respeitado e dignificado Nossa Senhora nesta sua dádiva. O Rosário sempre manteve o seu sentido e foi ganhando algumas orações, indulgências, precisões por parte dos Sumos Pontífices. O que nunca tinha acontecido é que um Papa fosse contra o sentido fundamental e estrutural do Rosário. Pode rezar-se mais contas, pode adicionar-se mais alguma pia e aprovada oração, mas ir contra o sentido próprio... alto lá!

João Paulo II, ilegitimamente tentou alterar o que Nossa Senhora nos deu e introduziu a confusão entre os católicos que ainda davam valor ao Terço. Inventou mistérios, aos quais deu o nome de "luminosos".

Não haveria mal algum em rezar um terço inventado por João Paulo II por imitação ao de Nossa Senhora. Contudo os supostos "mistérios" não existem, e os pontos que eles meditam poderiam ter outro qualquer nome como "meditações", por exemplo. O outro problema, mais grave, é o desmembramento do Rosário como se ele tivesse 4 grupos e não três.

Há quem hoje reze o quarto em vez do terço? Não, pois o Rosário exclui esse suposto 4º elemento que, afinal não é a quarta parte de coisa alguma. Portanto, quem reza o pseudo-terço (quarto) com os pseudo-mistérios, reza outra coisa qualquer. Peca por isso? Pelo menos se mantiver esse desrespeito para com Nossa Senhora por ignorância não será certamente culpado!

Mas que nome dar a esse mistério que não é mistério que é rezado no terço que não suporta um quarto? O nome, para lá de aberração, não importa... importa sim que se reze apenas o terço como Nossa Senhora pediu em Fátima e como ele era rezado nesse tempo.

Não reze os "mistérios luminosos", reze o terço ou, ainda melhor, o Rosário.

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