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29/04/13

O MOVIMENTO LITÚRGICO - LIVRO, (V)

O MOVIMENTO LITÚRGICO
Pe. Didier Bonneterre

(continuação)

Desta forma, Dom Beauduin adiantava-se aos desejos do novo Papa que, em Fevereiro de 1922, sucedera a Bento XV. Desde os primeiros tempos do seu pontificado Pio XI mostraria forte afeição pelo Oriente, por essa massa enorme da Rússia que, nos anos logo após a revolução de Outubro, ainda aparentava um ténue equilíbrio quanto aos caminhos que estariam por vir.

Estimulado por Monsenhor d'Herbigny, o ardente Pio XI iria apressar-se: a 21 de Março de 1924, enviava ao abade geral o Breve apostólico "Equidem verba", no qual o Soberano Pontífice retomava as grandes ideias de Dom Beauduin a respeito do papel capital que representaria um novo tipo de fundação benedictina para a aproximação com o Oriente.

O abade de Sto.Anselmo já não entendia coisa alguma: como o é que um Papa podia apoiar um monge do qual dizia ter "um temperamento demasiado sanguíneo, com uma imaginação muitíssimo viva que se convertia em fogo e labaredas entre os seus projectos, quase depreciante relativamente à Igreja ocidental, homem mais inclinado à actividade exterior"(7). Dom Fidèle não compreendia que atrás de Pio XI estavam  Monsenhor d'Herbigny e o Card. Mercier, quem, nessa época, era presa de um vertígio de "unionismo". Portanto, em 1924 era o ano das conferências de Malinas(8)...

Pio XI

Dom Beauduin, teólogo do Card. Mercier, preparou para essas conferências o texto informativo "a Igreja anglicana unida mas não absorvida". Ali desvelava à pelna luz das suas concepções mais que duvidosas a respeito do ecumenismo.

Mas deixemos falar ao Rev. Pe. Louis Boyer:

"Esse texto continha erros graves, como também foi um erro em si mesmo. Onde cada uma das partes tinha de esforçar-se por ser precisa, ele colocava uma hipótese de unidade na fé já alcançada. Então, sobre esta base, traçava um plano que não podia ser mais que quimérico. Concebia a ideia de um patriarcado anglicano unido, no qual seriam salvaguardados a liturgia, o direito canónico anglicano e os usos tradicionais do anglicanismo, copiada da situação feita em princípio às Igrejas orientais unidas a Roma. Mas desconhecia o facto de que nada, nem no passado nem presente da Igreja anglicana, permitia assimilar uma situação com outra. Mas era pior que isso. Ao não poder deixar de lado a existência da Igreja Católica na Inglaterra, já presente ao lado da Igreja Anglicana, era encarada tranquilamente a hipótese de ser a Igreja Católica a chegar-se à Igreja Anglicana "unida mas não absorvida". Tiravam-se todas as conclusões até mesm a suspensão das sedes espiscopais criadas no séc. XIX, com a demissão dos seus titulares."(9)

15/04/13

O MOVIMENTO LITÚRGICO - LIVRO, (IV)

Dom Beauduin

O MOVIMENTO LITÚRGICO
Pe. Didier Bonneterre

(continuação)

CAPÍTULO I
Desde as Origens Até aos Anos 20

Definiremos o "Movimento Litúrgico" tal como Dom O. Rousseau:

"renovação do fervor do clero e dos fiéis pela liturgia." (1)

Esta renovação tem como principal autor um monge beneditino célebre: Dom Guéranger.

[...]

CAPÍTULO II
O "Movimento Litúrgico" nos Diferentes Países da Europa
Aparecimento de Desvios Teológico em Simultâneo com a Tendência Reformista

No primeiro capítulo expusemos as origens do "Movimento Litúrgico". Nascido do génio de DomGuéranger, da vontade de S. Pio X, e do zelo de Dom Beauduin, esta "renovação do fervor pela liturgia" conheceu um desenvolvimento prodigioso, e produziu os magníficos frutos que já mencionámos. Igualmente sublinhámos as sementes das desvios futuros que Dom Beauduin já tinha no início do "Movimento". Mas, prosseguindo o nosso estudo, tetenha-mo-nos também um pouco na personalidade de Dom Beauduin, pai do "Movimento" belga, antes de irmos à Alemanha para encontrar Dom Casel.

Tínhamos deixado o célebre monge do Mont-César em vésperas da guerra de 1914-1918: com zelo infatigável dirigia o "Movimento Litúrgico" belga. A guerra e uma série de encontros inesperados vão por um tempo arrastá-lo para as esferas turvas do "ecumenismo" e para longe da liturgia. Homem de confiança do Card. Mercier, que no geral dava provas de um melhor discernimento, Dom Lambert Beauduin representa um papel capital na resistência belga contra o invasor alemão. Não somente redacta quase por inteiro a famosa carta pastoral do Card. Mercier, apelando à Béligica fazer resistência, mas também se encarga de a difundir recorrendo à ajuda de seu irmão (das famosas fábricas de açúcar de Tirlemont. (2) Depois de uma série de aventuras rocambolescas, Dom Lambert Beauduin vê-se obrigado a refugiar-se na Inglaterra; e aí faz amizade com numerosas personalidades do anglicanismo, facto determinante.

Depois do armistício, D. Beauduin pôde regressar ao Mont-César, onde se encontrou com Mons. Szepticki (3), chefe da Igreja Ucraniana, que lhe transmitiu a paixão pelo Oriente e a sua concepção da vida monástica. O nosso monge, que se achava já apertado no mosteiro, demasiado "beuroniano", demasiado "guérangeriano" (4), ou seja, demasiado conservador, ou demasiado católico, parece que não sonhará já senão numa nova fundação monástica que restauraria a vida dos monges originalmente chagados do Oriente.

D. Robert de Kerchove, que estimava muito a este seu monge um tanto "movimentado" acabaria por dar-lhe a possibilidade de ir "tomar ar". E assim D. Bauduin é enviado como professor ao colégio de Sto. Anselmo em Roma.(5)

O Abade de Sto. Anselmo, Dom Fidèle de Stotzingen, monge bastante conservador, não pôde dominar o seu novo professor que entusiasmava os seus alunos com o Oriente. Esta paixão qe D. Beauduin pela Igreja oriental apenas fez crescer os seus encontros com Cirilo Korolevsky e, principalmente, com o Pe. Michel d'Herbigny (6) que pouco depois se tornou Monsenhor.

12/04/13

O MOVIMENTO LITÚRGICO - LIVRO (III)

Dom Guéranger

O MOVIMENTO LITÚRGICO
Pe. Didier Bonneterre

(continuação)


INTRODUÇÃO

O Movimento Litúrgico de Dom Guéranger a Aníbal Bugnini
ou
O "Cavalo de Tróia na Cidade de Deus"

A relação que sugere este título parecerá talvez ao leitor algo ousada. Contudo não somos nós quem viu um grau de parentesco entre o autor das "Instituições Litúrgicas" e "o coveiro da Missa", são as próprias autoridades romanas.

A 20 de Janeiro de 1975, Paulo VI escrevi ao Abade de Solesmes:

"Comprovo a solidez e a irradiação da obra de Dom Guéranger, em quem o Movimento litúrgico contemporâneo saúda ao seu percursor."

Já o "Proemium da Institutio Generalis" do novo missal [Missal de Paulo VI] pretendia que as reformas contemporâneas eram a continuação da obra de S. Pio X:

"O Vaticano II levou a cabo os esfórços de aproximar os fiéis à liturgia, esfórços empreendidos durante estes quatro séculos e principalmente numa época recente, graças ao zelo litúrgico empreendido por S. Pio X e seus sucessores."(1)

Assim, e poderíamos multiplicar os testemunhos ao infinito, os "liturgistas mais avançados" e a mesma "Igreja Conciliar" julgam haver uma continuidade, incluso um "desenvolvimento homogéneo", no "movimento litúrgico", entre Dom Guéranger, S. Pio X inclusivamente, e Aníbal Bugnini.

Eis aí a impostura a não não tolerar! É por isto que nos temos esforçado em mostrar que este movimento sofreu um desvio. Por certo, historicamente, Dom Guéranger e S. Pio X estão na origem do "Movimento litúrgico", mas é pernicioso pretender que este movimento, ao menos nas suas formas contemporâneas, seja o herdeiro daquele pensamento, todavia pior, que seja a continuação daquela obra. Para que isto se torne mais facilmente entendível há que estudar a história do "Movimento litúrgico", mediante a evidência dos factos, os precoces desvios deste grandioso empreendimento que poderia ter dado tanto à Igreja.

O Sr. Vaquié, na sua notável obra "La Revolucion Liturgique", sugeriu um estudo sobre o assunto:

"É desejável que este período pré-conciliar seja objecto de estudo. Veremos então os progressista trabalhando, apurando os seus argumentos e posicionando o seu pessoal para o ataque decisivo."(2)

Possa então este estudo dar resposta a tal proposta! Ele pode aclarar alguns pontos até agora confusos, pode, principalmente, fazer compreender que a revolução litúrgica contemporânea não é o fruto de uma geração espontânea, mas sim ao contrário, é o resultado de um longo e paciente trabalho de picareta!

Já o Abade de Nantes abordava este assunto num artigo intitulado "De Onde Veio Esta Reforma?"(3). Mas a conclusão da investigação do Abade de Nantes difere enormemente da nossa. Para ele o "Movimento litúrgico" era uma coisa excelente sobre a qual não deve ter-se reserva alguma; tal movimento só poderia resultar numa boa e santa reforma litúrgica e, se a reforma se desviou, foi por culpa de Paulo VI, único responsável do desvio. Para nós, contrariamente, o "Movimento litúrgico", obra magnífica primordialmente, conheceu desde depois graves desvios, e, por um processo comum em toda a revolução, ou seja, por uma "superação permanente", o "Movimento" chegou, muito antes do Concílio Vaticano II, a renegar por completo as suas origens, e a pregar um reformismo que não podia resultar senão numa nova missa. Par nós, Paulo VI, e não procuramos com isto declará-lo inocente, não é o responsável do desvio de uma reforma que deveria ter sido boa. Para nós, de certa forma, é um ensaio feito por um guião no qual não se consta como actor principal. Antes do Concílio Vaticano II, o novo Ordo Missae já estava concebido, fruto letal dos desvios do "movimento litúrgico".

Longe de ser negativo, este estudo permitirá discernir entre o que deve ser defendido e guardado preciosamente no "Movimento litúrgico" e aquilo que não pode ser aceite. Contudo, mais importante, é que nós que trabalhamos para manter a liturgia católica sejamos verdadeiros herdeiros e continuadores da obra de Dom Guéranger e S. Pio X. Fazemos nossa a vontade de S. Pio X:

"Sendo nosso mais vivo desejo que o verdadeiro espírito cristão refloresça em todas as ormas e mantenha em todos os fiéis, é necessário antes de mais, provir a santidade e a dignidade do templo onde os fiéis se reúnem precisamente para encontrarem ali esse espírito na sua fonte primigenia e indispensável, a saber: a participação activa nos sacrosantos Mistérios e a oração pública e solene da Igreja." (4)

08/06/12

O MOVIMENTO LITÚRGICO - LIVRO (II)


O MOVIMENTO LITÚRGICO
Pe. Didier Bonneterre

(Continuação)

PRÓLOGO

Pela insistência de bastantes amigos acabou por fazer confiar às edições FIDELITER a publicação de um livro, dos sete artigos publicados na revista "Fideliter" desde maio de 1978 a maio de 1979.

Revisámos e completámos um pouco esses artigos, que constituem os primeiros capítulos deste livro. Foi adicionado um epílogo sobre a influência dos meios protestantes na reforma litúrgica, que contem um documento quase desconhecido e ainda não explorado: o rito da Eucaristia de Taizé em 1959. Os retratos fotográficos das principais personagens colocados em cena no nosso estudo não somente tem como objectivo adornar esta obra, senão que também querem ajudar o leitor a compreender melhor essas pessoas, porque cremos, tal como Barbey d'Aurévilly, que "o rosto é a alma ao avesso".*

O nosso estudo não é exaustivo, não tem outra pretensão que ser esboço de uma investigação sobre as causas da "autodemolição" da igreja", reconhecida pelo Papa Paulo VI.

Provavelmente alguns acharão este diagnóstico severo, sobretudo aos que, na sua juventude sacerdotal, cooperaram com o "Movimento Litúrgico". Hoje em dia, quase todos se dão conta de que abusaram da sua generosidade. Se alguns não concordam com as nossas conclusões, que no-lo digam, e nos mostrem supostos erros.

Quisemos ainda colocar os leitores em alerta contra uma certa moda intelectual que se tem propagado como peste nos nossos meios e reputados como "tradicionalistas": o espírito de emulação na mais extrema das opiniões que procuram, a qualquer preço, a posição mais "dura", como se a verdade de uma qualquer proposição pudesse estas dependente de um juízo voluntarista de anti qualquer-coisa.

Que o leitor recuse também o espírito de simplificação que faz pouco de todas as distinções necessárias para o razoável e o justo.

Para indicar finalmente a orientação dos nossos trabalhos, partilhamos totalmente a mensagem que o Pe. Dulac dirige a quem quer escutá-lo, ao final da sua obra notável "A Colegialidade Episcopal no Concílio Vaticano II".(1):
"Transmito as últimas linhas desta obra - escreve o Pe. Dulac - aos meus condiscípulos, aos nossos amigos, próximos e menos próximos. Eles sofrem, nós sofremos as humilhações padecidas pela nossa mãe Igreja, no decurso deste Concílio desnaturado, e depois. Mas sofremos dentro da Igreja! Não pensamos que nos corresponderia a nós, e à distância, o curá-la das suas feridas. Recordamos a recomendação verdadeiramente católica dada por Dionísio de Alexandria ao cismático Novaciano: "Se, tal como pretendes, é contra a tua vontade [ estar separado da Igreja] prova-nos isso voltando a Ela por tua vontade".
E outra recomendação, a do nosso Yves de Chartres, de quem nos atrevemos a adaptar o seu sentido do nosso objecto: "Sucede que alguns se queixam de ter sido abusivamente incomodados pela autoridade da própria Igreja, então que seja Ela a si que vá buscar refúgio; peçam o alívio ali mesmo onde experimentaram os sofrimentos: inde levamen... unde gravemen".
Queremos, caros amigos, violentamente, conservar a fé de sempre? Que seja também a fé sudável. Cremos, mas sicut oportet ("como é devido").(2) Esta fé não é uma simples exactidão. Ela certamente não é nada, se não for conforme, quanto ao objecto e aos motivos, à Revelação do Verbo de Deus feito homem. Mas não é nada, mesmo assim, se não for professada na Igreja, in medio Ecclesiae: nesse meio biológico no qual fomos submergidos no dia do nosso baptismo, a fé vitalizando a água santificando a fé, convertida em pura luz que une a alma do fiel à luz de glória do Senhor, vivo na sua Igreja.
A Igreja de África conheceu, em tempos de Sto. Agostinho, uma "crise" semelhada à nossa. Recordemos as palavras que o Bispo de Hipona dirigiu, um dia, a um dos chefes da seita donatista, Emérito, presente na assistência. "Fora da igreja, Emérito, pode passar-se tudo, menos a salvação. Pode ter a dignidade [do episcopado], pode ter o Sacramento, pode cantar o Aleluia, pode responder Amen, possuir o Evengelho, ter e pregar a Fé; mas, se não for na Igreja, em parte alguma poderá  encontrar a salvação".
A Igreja primeiro!
É ela, unicamente Ela, a Católica, visível no seu chefe visível, o Bispo de Roma, incluso em dia desfalecente, unicamente Ela que saberá separar o trigo puro da palha de todos os aggiornamenti".
É para ajudar ao discernimento do trigo e da palha que escrevemos este livro, in caritate non ficta.

(continuação, aqui)
(ler o anterior, aqui)

01/06/12

O MOVIMENTO LITÚRGICO - LIVRO (I)

Esta é uma série de publicações sobre o livro "O Movimento Litúrgico" do Pe. Bonneterre. É uma pena que este autor tenha morrido justamente quando Roma e a FSSPX iam iniciar as conversações.

Retirarei do livro as partes mais importantes para o momento que se vive.


O MOVIMENTO LITÚRGICO
Pe. Didier Bonneterre


PREFÁCIO

+ Econe, 21 de novembro de 1979

Muito se tem escrito sobre a "reforma litúrgica" saída do Vaticano II, foi analisada e, surpreendentemente descobriu-se nela semelhanças com a "reforma luterana" e com a "reforma anglicana". Foi sublinhado os dolorosos resultados causados pela dessacralização e a profanação. Nunca sobre isto se dirá demasiado.

Mas, que eu saiba, ninguém tinha procurado as origens próximas desta "reforma" de maneira aprofundada e detalhada com apoio documental.

É de mérito que o Pe. Didier Bonneterre, director do nosso seminário em Albano, tenha colocado em evidência o trabalho de desmantelamento e destruição da Liturgia Romana operado desde à um século, com uma perspectiva e uma habilidade consumadas para desembocar na legalização desta destruição feita pela "reforma conciliar" e pós-conciliar.

Quem duvida depois da leitura destas páginas que um espírito está operando no interior da igreja desde há muitíssimos anos, como já S. Pio X o tinha denunciado?

Graças ao conhecimento destes acontecimentos será mais fácil emitir um juízo sobre esta "reforma litúrgica" que causou já tantos estragos na alma de milhões de católicos.

Que possam estes documentos fazer compreender às autoridades da igreja da urgência de uma contra-reforma como a realizada pelo Concílio de Trento, confirmando a santa Liturgia Romana de sempre.

+ Marcel Lefebvre

(continuação aqui: Prólogo)

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