Os procedimentos pelos quais a Santa
Igreja apura as beatificações e Canonizações sempre foram alvo do maior
critério e rigor. Contudo, hoje surge um diferente estilo de santos, à medida de um recente conceito de “santidade” . Na Igreja, os rigores e cuidados de sempre estão
hoje relaxados. O rigor que havia, não o há mais; a segurança que havia nestas matérias será a mesma então?
Na segunda metade do séc. XX os rigores e critérios até então usados nas canonizações sofreram
repentinamente alteração. O argumento foi o da celeridade nos processos (tal se deve à quantidade de processos iniciados, os quais poderiam ter sido evitados se respeitados os primeiros critérios e cuidados - Basta que que estivesse acostumado apenas a ler a vida de
santos por edições antigas, seus escritos, leia
depois uma biografia e escritos de um canonizado recente, para se dar conta de que umas e outras não vão na mesma linha. Dirão alguns “os santos são os
mesmos, mas os épocas mudam”… mas não: se as “épocas mudam” e os santos são os
mesmos, porque motivo os critérios se mantiveram durante séculos até há bem
pouco tempo, e, de repente, “os tempos” começaram a ser argumento para o
câmbio? E mais… há contradição entre o modelo tradicional e os feitos dos novos
canonizados, sendo alguns destes feitos tradicionalmente impedimentos!
Entre os fiéis, onde antes havia
apenas um, há hoje três formas de ver a “santidades”: o modelo tradicional
(milenar); o novo critério (portado por aqueles que não conhecem realmente o
modelo tradicional); os que tinham conhecimento do modelo tradicional e que
foram assimilando o novo, acabando por relativizar o tradicional, tentando não achar contradição no novo que se lhes foi impondo. Na verdade, catolicamente, só
o tradicional se pode chamar “modelo de santidade”, pois sem este a Igreja
estaria sem pedra de assento para avaliar o que viesse em diante; talvez por se
saber isto se faça tanta questão em lançar o novo modelo dizendo que é também o
tradicional, ou que é uma evolução do tradicional, por mais contraditório que
isso seja.
A par disto, e tomando como
referência os anteriores processos, os processos para beatificação e
canonização de hoje carecem de seriedade. Os dados que antes eram suficientes
para impedir um processo de beatificação, hoje não são levados em conta. O
prazo de 50 anos de espera, padrão que só em casos especiais podia ser
superado, é hoje desrespeitado como se todos os casos fossem especiais (S.
Teotónio e Sto. António, foram dois santos portugueses canonizados pouco tempo
depois da sua morte, não tinham passado ainda dois anos – mas são estes dois
casos especiais). S. Pio X, por exemplo, por ser de universal conhecimento de
não haver matéria de oposição, foi uma dessas excepções; mas… João Paulo II,
com tanta oposição, tanta matéria oposta, passar a beato em 6 anos, e ser
canonizado poucos anos depois é evidentemente estranho… a não ser que os
critérios e as regras tenham entretanto mudado significativamente e ficado como
que assentes com a beatificação e canonização de Mons. Escrivá de Balaguer (o
qual chegou a ter contestações ao processo que não foram sequer consideradas).
Nestes casos recentes, houve
testemunhos e outros manifestos feitos chegar à Santa Sé, antes e depois das
beatificações e canonizações. Além destes testemunhos voluntários, conveio
sempre à própria Igreja quem sondar as opiniões contrárias nos ditos processos.
Havia, sim havia, o “advogado do diabo”, o qual procurava fazer objecções à
canonização (elemento importante que dificultava a defesa, fazendo com que ela
unicamente se pudesse guiar argumentos irrefutáveis), e juntava os testemunhos
contrários, fazendo uso das objecções que tinham sido entregues pelos fiéis à
Santa Sé. O advogado do diabo hoje “anda de férias”, e parece que ninguém está
mais interessado em “contratá-lo”.
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| O Padre José-Maria Escrivá de Balaguer |
João XXIII, Edith Stein, Madre
Teresa de Calcutá, João Paulo II, Mons. Escrivá de Balaguer, etc., tiveram os
processos sempre contestados. Ou seja, além de processos impeditivos, os
processos foram contestados e seguiram um diferente modelo de “santidade”. Se
sempre a Santa Igreja foi interessada em receber os testemunhos contrários,
agora eles são afastados se “conveniente”, e não chegam sequer a ser
analisados.
O Santo é um modelo que a Santa
Igreja coloca para imitação de todos, e é um intercessor nosso perante Deus. E
para que a Santa Igreja o coloque como “cânon”, têm que estar provadas as
virtudes em grau heróico. Como veremos, as virtudes hoje são tocadas por
supostas virtudes, como se isto fosse coisa de inovar o conteúdo ao mesmo tempo
que se lhe conserva o rótulo (isto é tipicamente e fundamentalmente
“modernismo”).
Há uma novidade legítima, se assim
se pode dizer, que é a recente descoberta da santidade em crianças. Pois, ao
longo da história da Igreja, nunca aconteceu considerar que as crianças pudessem
praticar as virtudes em grau heroico (tirando o caso do martírio). Os
pastorinhos de Fátima são os primeiros neste aspecto (não quer isto dizer que
fica assim provada a matéria necessária para uma beatificação ou canonização;
refiro-me apenas à pratica de virtudes em grau heróico por crianças, e nada
mais). Os santos mais jovens que nos acostumámos a ter eram adolescentes e
jovens, mas nunca crianças: isto não constitui uma obrigatoriedade futura,
porque nunca se declarou que as crianças eram inaptas para tal, apenas nunca se
proporcionou e é difícil constatar. No caso das crianças de Fátima o caso está
muito contextualizado e autorizado pelo contexto das aparições.
A prática das virtudes em grau
heróico, portanto, sempre teve de ser provada, coisa que requereu sempre exame
minucioso e com provas INCONTESTÁVEIS (por meio de processos que
proporcionasse francamente a manifestação da vontade de Deus).
Dois são os critérios pelos quais
se sabe se algo foi revelado por Deus: profecias e milagres. No caso da prova
das virtudes praticadas em grau heróico, Deus dá garantia por meio de
milagres.
(a continuar)



