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15/02/17

15 de FEVEREIRO - AGIOLÓGIO LUSITANO (I)

Agiológio Lusitano

FEVEREIRO 15
 

a) Em Pádua, a festa da transladação do nosso milagroso St. António (grande ornamento da Seráfica família, e singular glória de Portugal, e de Lisboa pátria sua) cujos ditosos moradores (que gozam depósito de suas sagradas Relíquias) obrigados dos contínuos milagres, e favores soberanos, que por sua intercessão cada dia recebem da poderosa mão de Deus, erigiram em sua honra um magnífico templo, para onde no ano 1263 com grande pompa, e solenidade foram trasladadas do convento de Sta. Maria, assistindo a esta solene festa o Seráfico Doutro S. Boaventura como Ministro Geral da Ordem Franciscana; o qual abrindo o precioso sepulcro, em que o rico penhor do sagrado corpo estava de propositado havia trinta e dois anos, o achou todo desfeito, e só a língua inteira, e fresca, e tão rubicunda, como de corpo vivo. Então (com suma reverência) tomando-a nas mãos, banhado todo em devotas lágrimas, falou com ela desta maneira: Ó língua benedicta, quae Dominum sempre benedixisti, et alios benedicere fecisti: nunc manifeste apparet, quanti meriti extitisti apud Deum. E dando-lhe devotíssimos ósculos a colocou no Santuário da Sacristia entre outras preciosas relíquias. Depois ano 1350, Guido de Monforte, Cardeal Bolonha, Legado Apostólico em Itália, em reconhecimento de milagrosamente haver escapado de uma mortal enfermidade per oração do nosso Santo, foi a Pádua, e num riquíssimo cofre de prata, segunda vez trasladou as sagradas relíquias, deixando fora parte da S. Cabeça para consolação dos inumeráveis peregrinos, que por todo discurso do ano com devoção concorrem a visitá-las, e cumprir seus votos, implorando tão poderosa intercessão.

- do comentário:
Celebra neste dia a trasladação do nosso Lisbonense St. António (de mais da Seráfica família) a Igreja de Lisboa, e a de Pádua, aquela por pátrio berço de seu nascimento, esta por depositária de suas sagradas relíquias. E há que se saber que duas vezes se fez translação do sagrado corpo; a primeira a 7 de Abril do ano 1263 (que então caiu no oitavo dia da Páscoa de Ressurreição) a segunda a 15 de Fevereiro de 1350 cuja festa no Capítulo Geral, que se celebrou em Leão de França o ano seguinte, se mandou rezar sub ritu duplici, concedendo o Papa Martinho V a todos os que visitarem em tal dia as Igrejas da Ordem 50 anos de Indulgência, e 12 quarentenas. Consta do Compêndio dos privilégios dela.
Nas Crónicas se conta (tomando-o de Pisano l. 1 Confirmitatum) que levando a língua do Santo certo Ministro Geral do lugar em que S. Boaventura a colocara, ao sair nunca acertara com a porta, e como a não pudesse tornar ao próprio lugar, a ocultou num altar, onde esteve alguns anos, até que o céu quis que fosse achada para ser venerada de todos; mostrando-se hoje aos muitos peregrinos, que por todo ano concorrem a visitar as milagrosas relíquias. As quais a cidade de Pádua devota, e agradecida as inumeráveis mercês, e favores soberanos que da poderosa mão de Deus recebeu em vida, e depois de sua morte recebe continuamente pela intercessão deste seu maravilhosos patrono lhe fabricou um magnífico, e admirável sepulcro de pórfidos, que na perfeição, magnitude, e excelência de obra excede a todos os de que se tem notícia na Cristandade. As paredes da dita capela estão adornadas de quadros de meio relevo de finíssimos alabastros, que contêm a vida e a morte, e milagres deste nosso insigne Português, patrono seu. De cujo sepulcro sai cheiro celestial, e suavíssimo, como refere o Pe. Fr. António Soares, Monge de Alcobaça no l. I c.10 de seu Itinerário da Terra Santa, cuja peregrinação foi no ano 1554:
Chegando a Pádua (diz ele) fomos logo com M. Simão Rodrigues da Companhia, e dois Reitores, que connosco vinham dos colégios de Veneza, e Pádua, tomar a bênção a St. António, e feita nossa oração fomos pela parte de fora beijar a pedra, onde jaz o Santo Padre, na qual sentimos tão grande, e celestial cheiro, que olhando uns para os outros, estávamos como fora de nós; então os Padres sorrindo-se nos disseram; que tivéssemos por certo nunca se haver apartado este celestial cheiro de seus Santíssimos ossos, desde o tempo que N. Senhor o apartou deste mundo. Meu companheiro, e eu não fazíamos mais, que cheirar por muitas vezes, e experimentar o milagre, e um de nós duvidando se porventura estaria aquela pedra empastilhada perdeu o cheiro, e vendo que o outro cheirava, e ele não, arrependeu-se, e tornou logo a cobrar o dito sentido. Ao outro dia entrando o Pe. M. Simão a dizer Missa sobre esta ara sagrada se volveu (contra seu costume) aos que estávamos detrás, como que sentira alguma coisa. E preguntando depois da Missa disse: que sentira tão grande fragrância, e que lhe cheirara em tanta maneira, que cuidava lhe havíamos posto aos pés alguma casula. Preguntamos então muito devagar deste divino cheiro, assim aos principais do convento, como da cidade, os quais nos respondiam: "O volete parlare daqueste odore? Cosi & stato sempre". E zombavam do caso que nos fazíamos deste milagre por ser tão contínuo, que já dele senão faz ali nenhum. Eu disse Missa no mesmo altar, e não me esqueci da célebre antífona: si quaeris miracula, mors, error etc.
Referem a translação de S. António neste dia demais dos Martirológios de Galesino, Maurolico, e Ferrario, St. António (in Chr. p. 3 tit.24 c.3 § 5 & 6 F.) Marcos de Lisboa (p. I l. 5 c.37 & p.3 l.2 c.2) Marieta no Flos Santorum dos Santos de Hespanha (2 p. l.26 c.21) Wadingo (in Annalibus varijs in locis.) Mattheo Alemão (na vida de St. António l.3 c.4) D. Rodrigo da Cunha (na hist. da Igreja de Lisboa 2 p. c. 37) e Fr. Artur (à Monast. no Martyr. Franc.) e outros.
 
 
b) Em Vila Viçosa, Arcebispado de Évora, a louvável memória de Álvaro Fernandes, Sacerdote de grande virtude, e recolhimento, natural e morador da própria vila, que à imitação dos antigos Padres do Ermo (inspirado pelo céu) se retirou a uma pequena horta, desviada do povoado, e mui apta à vida solitária, e contemporânea (e tanto que depois a família dos Piedosos, satisfeita do sítio, erigiu nela a primeira casa da sua Província) onde levantado um devoto Oratório, gastou o restante da vida em perpétuo silêncio, penitência, e oração, vacando a espirituais exercícios sem afrouxar um ponto de rigor começado, sendo a todo género de estado, em particular a Sacerdotes, de virtude, e pureza um exemplar perfeitíssimo. Por seu testamento vinculou em capela a dita horta, e a mais fazenda que tinha, aquela deixou a Sacerdotes, que naquele sítio (à imitação sua) fizessem vida solitária. Ultimamente com morte felice foi chamado por Deus ao Reino perdurável, onde goza o eterno prémio de seus santos trabalhos, e merecimentos.
 
- do comentário:
Floresceu Aluaro Fernandes pelos anos 1400. Fez sua habitação fora de Vila Viçosa entre dois cabeços, onde hoje se chama S. Francisco o velho, nome que deixaram os Piedosos do tempo que ali tiveram o primeiro convento. A notícia deste Presbítero Eremita devemos a Fr. António de Nisa que na Chr. da mesma Província (l.2 c.7) o refere com grandes louvores. Se bem não sabemos, quem lhe sucedeu naquele Oratório, até vir a poder dos ditos religiosos.
 
 
c) Em Cambaia na Índia Oriental, a paixão de Simão Feio, escriturão que foi da Alfândega de Dio, no tempo que ElRei de Cambaia, Senhor de Durante com seu filho, pós cerco àquela praça, que durou sete meses, a qual D. João Mascarenhas, seu Capitão, defendeu com bravo valor acudindo-lhe o grande D. João de Castro, que de Goa levou muita gente de socorro. Neste cerco Simão Feio (como pessoa principal, inteligente, e valorosa) obrou muito, servindo diversas vezes de Embaixador de uma a outra parte, até que da última (por não concederem os nossos o que o bárbaro Rei pedia) ficou lá preso, com os que o acompanhavam; a todos os quais, com muitos outros Portugueses, que haviam cativado por aqueles marítimos portos (indignados os Gentios da insigne, e milagrosa victória, que os nossos deles alcançaram na defensão daquela praça) meteram em ásperas, e cruéis prisões, dando-lhes grandes baterias com graves opróbrios, para que deixada a lei de Cristo, seguissem a abominável seita Maometana. O que tudo os valerosos soldados Evangélicos sofreram com paciência constante. Mas vendo os idólatras, que nenhuns terrores eram bastantes aos dobrar, lhes ofereceram ricas dádivas, e a Simão Feio, que o fariam Senhor de vassalos; e como nada disto aproveitasse, porque os confessores da Fé desprezavam todas suas vãs honras, e acrescentamentos, foram condenados à morte. Chegado o desejado dia da execução, posto Simão Feio a porta do cárcere, com fervorosas palavras que o Espírito Santo naquela hora lhe ditava, animou a todos para o último combate lembrando-lhes o momentâneo prazo desta vida, e as eternas coroas, que Deus lhes tinha deputado na outra, se confessando seu nome a sacrificassem por seu amor. Corroborados todos com tão abrasadas palavras, e cheiros de superior fortaleza, e paciência sofreram por Cristo serem despedaçados, e finalmente degolados, com que deram perfeição a suas gloriosas palmas. E para o céu mostrar quão odorífero lhe fora este suave holocausto, logo no próprio lugar, rebentou uma perene fonte de água, na qual indiferentemente lavando-se Mouros, e Cristãos todos cobram saúde de suas enfermidades, apregoando a Simão Feio por Santo, com grande glória de nossa sagrada religião.
 
- do comentário:
Com a insigne vitória, que D. João de Castro, Governador da Índia, alcançou DelRei de Surrate no ano 1546 de tal maneira se encheu de furor ElRei Sultão de Cambaia, que para se vingar dos nossos mandou matar a Simão Feio, e aos mais Portugueses, que estavam lá cativos; cujo número uns fazem de 20 outros o estenderam a 30 (de todos só ficou em lembrança Atanásio Freire, nobre cidadão de Goa) os quais em Fevereiro de 1547 deram as vidas pela confissão da Fé gloriosamente. Assim o refere Diogo de Couto (décad. 6 l.4 c.4) Fr. António de S. Romão na História da Índia (l.4 c.2 e6) Lopo de Sousa no cerco de Dio, e outros. Quem quiser saber as particulares circunstâncias desta victória, que algumas foram miraculosas, veja Lucena na vida de S. Francisco Xavier (l.6 c.I) Maphaeo de rebus (Indicis in fine libri tertij), e Andrade na Crónica RelRei D. João III.
 
 
d) Item em Damão, na costa da Cambaia, a morte gloriosa de Fr. Pedro da Madalena, que sendo Converso, e filho do convento de S. Domingos de Lisboa, ano 1548 passou àquelas parte em companhia de Fr. Diogo Bermudes, primeiro Vigário Geral da Ordem. E depois de assistir na fábrica da Igreja de Sta. Bárbara, uma das quatro Vigairarias, que em Goa tem à sua obediência a dita religião; mandado ao novo convento de Damão, sobre a qual cidade vindo um copioso exército do Grão Mogor, ele foi o primeiro que se pós no campo a defensa (como Alferes da milícia Cristã) arvorando um devoto Crucifixo, imitando nesta heroica acção a seu Padre S. Domingos, que deste modo acompanhava os esquadrões Católicos contra os hereges Albigenses. A batalha foi tão travada, como incerta a victória, porque muitos dos nossos desesperados da poderem conseguir deram as costas. Mas ele (como valeroso Alferes) perseverando a pé quedo, sem nunca desamparar o posto, animando a todos a pelejarem pela Fé, mereceu ser feito preciosa vítima de Cristo, ficando entre inumeráveis mortos, não vencido, mas triunfante, e vencedor, pois em guerra tão santa (contra infiéis) deu gloriosamente a vida, confortando os Católicos.

- do comentário:
Achamos Fr. Pedro umas vezes nomeado com o apelido da Madalena, outras de S. Domingos; mas com qualquer deles é certo que foi natural de Lisboa, verão muito prudente, e de grande virtude, e por isto o escolheu o Pe. Mestre Fr. Francisco de Bovadinha (sendo Provincial de Portugal) para com ele fechar o duodécimo número dos religiosos (à imitação do Apostolado) com que se deu princípio à Congregação da Índia. Foi morto em Damão no ano 1580. Referem já seu triunfo. Fr. João dos Santos na Etiópia Oriental (p.2 l.2 c.5), Fr. Afonso Fernandes na História Ecclesiástica (l.2 c.9) e in Concert. praed. (pág.307), Lopez nas Chr. in fine (p.4 c.37), Fr. Luís de Sousa p.1 l.3, e outros.

(continuação, II parte)

04/08/14

NOSSA SENHORA DA OLIVEIRA de GUIMARÃES e SÃO TORCATO

Segundo sempre nos foi transmitido, S. Tiago Apóstolo andou pela Península Ibérica convertendo. Segundo o que nos conta Enliano, tal se deu no ano 36 d.C. na região que vai do Douro (Portugal) e se avança por Galiza. Nos livros da Sé de Braga e de Évora, e outras, tal como S. Isidoro e S. Bráulio, entre outros,  isto fica confirmado. Também o Papa Calisto II confirma esta data, contando que a S. Tiago se juntaram nove discípulos nomeadamente da região de Entre Douro e Minho (hoje Portugal): o primeiro foi S. Pedro de Rates (primeiro Bispo de Braga); o segundo foi S. Torcato, que foi Bispo de Citânia (que ficava a norte de Guimarães, hoje quase sem vestígios). Nesta cidade, que ainda naquele tempo tomou o nome de Gaudis, houve depois da partida de S. Torcato (a 15 de Maio) uma sua relíquia que, no meio de muitas tribulações, foi parar ao Mosteiro de Cela Nova, na Galiza.

Com a invasão dos mouros os cristãos escondiam as coisas santas como podiam, para as livrar de profanação e destruição. Tal como em tantas outras épocas posteriores, escondíamos estes objectos muito bem, grande parte das vezes enterrando-os, e depois apareceram muitos deles de forma miraculosa. Assim foi que esconderam o corpo de Sto. Eufrázio na Galiza. O achamento do corpo de S. Torcato, foi a poucas léguas de Guimarães e com sinais extraordinários: sobre o local, um mato, caíram como que umas estrelinhas do céu, e viram as gentes como numa cova escondida estava o corpo do Santo que transmitia um odor muito agradável. Depois de desenterrado brotou água em abundância, que passou a ser fonte abençoada onde nela se curaram muitas doenças de alma e de corpo. Aqui foi construída uma ermida, onde se venerava a imagem de S. Torcato (chamada S. Torcato o Velho), corria a bendita água, e se guardava o santo corpo (até que foi levado para o mosteiro beneditino construindo para sua invocação). Este real mosteiro foi doado à Condessa D. Mumadona por D. Fernando (o Magno, imperador), era Colegiada, tinha Prior, Dignidades, Cónegos, até que D. Afonso Henriques o deu à Ordem dos Agostinhos, como se vê na carta das calendas de 6  Maio da era de 1111 (ou seja, 20 de Abril de 1173): "Em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo, amen. Esta é a Carta do couto, ou do testamento, que eu Afonso Rei dos Portugueses juntamente com meu filho RlRei D. Sancho, e minha filha a Rainha D. Teresa, e de S. Torcato, e de outros Santos, cujas relíquias estão na mesma igreja; e a vós D. Pelaio Prior da mesma igreja; e aos mais Frades vossos, assim presentes, como futuros, que na dita igreja bem viverem, e perseverarem em santa conversação conforme a Regra de Santo Agostinho: dou-vos, e concedo-vos, e por virtude da presente escritura vos confirmo a mesma igreja com as suas quintas adjecentes." (1). As alterações não deram prejuízo à devoção a S. Torcato.

O corpo de S. Torcato tinha então sido trasladado para o seu mosteiro onde foi depositado com vestes pontificais. Mas, muito mais tarde, D. Manuel achou que as relíquias dos nossos que andavam ali por lugares de menor dimensão, deviam ser reunidas em templos e centros maiores. Foi assim que as de S. Torcato foram parar a Guimarães, com toda a solenidade e gravidade apropriadas pelos Cónegos da referida Colegiada. Mas.... foi necessária a milícia, porque os devotos do Povo, dizendo que não havia motivos para que entre católicos houvesse traslado, não queriam de modo algum que as relíquias mudassem de casa, e fizeram vários requerimentos nesse sentido, sem deixar de fazer guarda às relíquias dia e noite, porque desconfiaram de que os queriam enganar. Eis que certa vez, lá para 1597, D. Fr. Agostinho de Jesus, então Arcebispo de Braga, fez-se acompanhar de muitos fiéis e respectivo estado para uma visita ao túmulo do santo varão (dizia que tinha que fazer averiguações)... mas não demorou que os sinos repicassem em sinal de alarme e que se juntasse ali a população das periferias, armada com armas de seus ofícios, que assim impediram um disfarçado traslado do corpo para a Sé de Braga.

S. Torcato
Os Cónegos da Colegiada de Guimarães, no ano de 1512 dão notícia de que o corpo de S. Torcato se encontrava não só incorrupto como incorruptas estavam suas vestes. O Cónego responsável pela comitiva feita ao sepulcro relata que saiu sangue claro ao tentar remover um calcanhar, sangramento que se verificou também séculos depois num outro experimento. O calcanhar foi colocado num relicário de prata dourada com vidros por onde se vê o sangramento vivo; relicário que ficou então na Colegiada de Guimarães.

S. Torcato
Mas outras relíquias foram dadas a conhecer, pois diz um certo documento que nas paredes do Mosteiro de S. Torcato há muitas escondidas, e foram então achadas com base no dito escrito. Assim, em 1685, com autorização de D. Luís de Sousa, Arcebispo Primaz das Espanhas (Braga), foi feita uma cuidadosa busca para achar no Mosteiro todas as relíquias e corpos santos escondidos, não apenas tendo por base o referido documento, mas também usando a tradição e memórias antigas: depois de Missa rezada, com toda a seriedade e devoção do acto a que estavam propostos, abriram o Altar-mor e avançaram até uma pedra rectangular betumada que escondia várias relíquias. De longe a tudo isto assistiu muita gente, e havia muito povo espectante e devoto, e todos sem excepções se colocaram de joelhos ao aparecimento das relíquias, e se cantou um Te Deum laudamus. Logo ali as relíquias foram colocadas sobre dois bancos ladeados de duas tochas acesas. Eis o conteúdo:

- 8 caixinhas de pau tosco, dentro de uma desta havia outra caixa de madeira trabalhada:

1ª) havia dois papeis com a inscrição seguinte "Dedicata est Ecclesia ista a Domino Pelagio Bracharensi Archiepiscopo in honore Sancti Salvatoris, Sancta Mariae, S. Michaelis, Sancti Petri Apostoli, Sancti Torcati anno ab Incarnatione Domini millesimo centesimo trigesimo secundo", havia ainda uns fios de ceda já descolorados, havia pedacinhos de osso;
2ª) Esta continha um pape com a inscrição seguinte "Reliquiae Sancti Cosmae, et Samiani", e uns ossinhos atados em ceda preta, que pertenciam a estes santos;
3ª) Havia dento desta o escrito seguinte "Reliquiae de Ligno Domini, et Cosme, et Damiani, et Sancti Torcati", havia ainda uma cedas com cores (vertes e amarelas) que pertenceram a estes santos, um pedaço de tecido em seda, outro ainda em preto com fita verde;
4ª) Esta caixa dividia-se em três partes. Numa parte lia-se somente "Sancti Joannis ..." (e outros nomes não legíveis), e um outro repartimento onde dizia "Sancti Jacobi Apostoli" onde estavam uns pedacinhos de ossos enrolados a um pano e fechado com um ponto.
5ª) Aqui havia um escrito "Reliquiae Sancti Pelagii", e outros nomes ilegíveis, um pedaço de seda com outros fios de cor diferente.
6ª) Do lado de fora da caixa não se conseguia ler com certeza o que parecia ser "São Maxencio". No interior havia uma ceda vermelha com fios brancos dentro.
7ª) Continha um escrito que dizia "Hic sunt Reliquiae Santae Mariae Virginis", e dentro estava um pedaço de seda carmesim, e nela outra mais vermelha provavelmente de lã.
8ª) Nesta havia um escrito a dizer "Reliquiae Sancti Stephani martyris, et Sanctae Eulaliae Virginis, et martyris". Havia dois pequenos ossos um um pouquinho de tecido em seda com outro de lã atado com um fio de retroz vermelho.

Ora bem, o Apóstolo S. Tiago levantou o primeiro altar nas Espanhas, em Saragoça, com a sagrada imagem que conhecemos pelo título de Nossa Senhora do Pilar. Depois, em Braga, numa gruta junto ao templo de Iris, fez o mesmo; logo depois o mesmo fez em Guimarães onde a imagem é venerada com o título de Nossa Senhora da Oliveira (assim o vão repetindo a Tradição venerável e os textos antigos, como é o escrito gótico referido por Fr. Bernardo de Braga e Fr. João do Apocalipse, entre outros). Diz assim Fr. Bernardo de Braga: "No Rossio; ou Praça de Guimarães está um templo, que foi da gentilidade, é de obra mosaica, majestoso, e antiquíssimo, e nas notícias, que tenho, foi dedicado a Ceres: a este destruiu S. Tiago vindo a esta terra, onde baptizou a S. Torcato, e lançado por terra aos falsos ídolos, colocou no Altar a Virgem Senhora nossa, cuja imagem é hoje a Senhora de Oliveira; e bem se colhe, diz o autor, de um letreiro, que vi, e se achou no interior da parede junto à torre, quando esta se começou a arruinar pelos anos do Senhor de 1559. Caiu uma pedra, e porque se partiu, se fez juntar, para se lerem as letras que diziam "in hoc simulacro Cereris collocavit Jacobus filius Zebedaei Germanus Joannis imaginem Sanctae Mariae IIIS.CISX". Era o letreiro Gótico, e em breves, mas a substância era esta; e também se acharam medalhas, por onde alguns escritores tomaram motivo para dizerem que o templo fora de Minerva; e continua, dizendo, que no Cartório do Cabido daquela Real Colegiada achará claras notícias, donde se infere esta verdade. Foi esta Igreja dedicada a N. Senhora, e depois a dedicou o povo a Santiago, por ele ser o primeiro, que nela levantou Altar. Teve esta igreja Raçoeiros, como consta dos pleitos, com que a Real Colegiada teve, que se vê dos papeis, que se guardaram em seu Cabido: num se acha notícia em que tempo se desanexaram; só sei que a dignidade de Mestre-escola se intitula Abade de Santiago, e recolhe os foros, que a esta Igreja se pagam. A imagem da Senhora se conservou até o ano do senhor de 417, em que entráram Alanos, e Suevos na Galiza, e outras nações bárbaras, que queimaram os corpos, e imagens dos Santos. O Arcebispo de Braga Pancrácio mandou esconder esta, conforme uma memória confusa, que achei no Arquivo Bracarense: "o lugar, onde foi depositada, foi poucos passos fora de Guimarães em um pequeno monte, que se chamava Latito.""(1)

E onde é este monte!? Parte foi chamado "Monte de Santa Maria" (por lá ter a tão venerável imagem), e parte foi chamada "Largo" (que é em português o nome "Latito")

Segundo os levantamentos documentais, o Padre Fr. Gil de São Bento encontrou no Mosteiro de Santa Maria da Costa (Ordem de S. Jerónimo, ao lado de Guimarães), provas de que a actual imagem de Nossa Senhora da Oliveira é aquela que o Apóstolo S. Tiago colocou no templo de Ceres.

(1) - "Corografia Portugueza, e Descripçam Topografica...", Tomo II.

13/12/13

BEATA MADRE MARIA DO DIVINO CORAÇÃO

Madre Maria do Divino Coração
 A Condessa alemã Maria Anna Johanna Theresia Antonia Huberta Dröste zu Vischering nasceu a 8 de Setembro de 1863 junta com seu irmão gémeo (na Festividade da natividade de Nossa Senhora). Era filha do Conde Clemente Heidenreich Franz Dröste zu Vischering e da Condesa Helana von Galen, pertencia a uma das mais ilustre famílias que se distinguiu pela fidelidade ao Catolicismo frente à perseguição de Kulturkampf.

Palácio Erbdrostenhof (Münster), onde nasceu
Maria
A infância de Maria foi passada no castelo de Darfeld (Münster), e desde muito cedo sentiu-se atraída pela devoção ao Sagrado Coração de Jesus junto com a devoção ao Santíssimo Sacramento. Mais tarde dizia "Nunca posso separar a devoção ao Coração de jesus da devoção ao Santíssimo Sacramento e nunca serei capaz de explicar como e quando o Sagrado Coração de Jesus se dignou favorecer-me no Santíssimo Sacramento da Eucaristia".

Castelo de Darfeld
"Nesse dia esperei em vão a graça da vocação religiosa, mas em vão", dizia a respeito do dia sua Primeira Comunhão (25 de Abril de 1875). Mas esta graça foi recebida pouco depois, a 8 de Julho do mesmo ano, depois da receber a Confirmação.

Durante um sermão, em 1878, ao ouvir "Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma." pensou "Tenho que ser religiosa", e comentou mais tarde "Teria preferido que os meus ouvidos não o tivesse escutado, mas é impossível resistir à voz de Deus". Um ano depois tinha chegado a uma conclusão "que sem espírito de sacrifício o amor ao Coração de Jesus é apenas uma ilusão."
Estando na capela do seu Castelo de Darfeld, no ano de 1883, ouviu no seu interior uma voz de Nosso Senhor que lhe diz "Tu serás a esposa do Meu Coração". Em 1888, ouviu novamente Nosso Senhor interiormente a dizer-lhe "Tens que entrar no Convento do Bom Pastor", ao que acedeu em seguida entrando para este convento em Münster.

No mesmo dia e na mesma hora, Maria e Sta. Teresa de Lisieux, uma na Alemanha e outra na França, recebiam o hábito. Maria passa a ser Irmã Maria do Divino Coração, tinha 28 anos.

Depois de 5 anos foi enviada em missão especial a Portugal como assistente da Madre Superiora do Convento, em Lisboa. Depois de 4 meses foi enviada para o Convento do Porto como Madre Superiora. Aí começou por destacar-se como restauradora da disciplina religiosa, e pela muita exigência na vida de santificação.

Dizia: "Quando se pede ao Seu Divino Coração por uma alma, Ele nunca recusará, embora às vezes peça muita oração, sacrifício e sofrimento".

Nosso Senhor apareceu então à Madre Maria do Divino Coração, várias vezes, dizendo-lhe que queria que o Papa consagrasse o mundo ao Seu Sagrado Coração. Nesta sequência, tomando conhecimento do divino pedido a Junho de 1898 e Janeiro de 1899, o Papa Leão XIII recebeu os Condes Dröste zu Vischering, pais da Madre Maria, e disse-lhes "Dizei à vossa filha que a consagração do mundo ao Sagrado Coração que me pediu será feita em todas as catedrais e igrejas do mundo; e dizei-lhe que isto é consequência do que ela me informou e que eu espero daqui as maiores graças para o mundo inteiro."

No mês de Maio desse ano, o Papa promulgou a encíclica Annum Sacrum, onde consta a dita consagração. A 11 de Junho desse ano, depois de um Tríduo solene a nível mundial, o Papa fez a consagração na forma pedida, e afirmou "Este é o maior acto do meu pontificado!"

Nos últimos três anos de vida, por enfermidade, sofreu bastante e foi afectada de paralisia progressiva.

A Madre Maria do Divino Coração faleceu horas depois de ter recebido duas cópias da encíclica, e nas Vésperas da Festividade do Sagrado Coração. Por desejo não foi levada a Alemanha e ficou sepultada em Portugal (Igreja do Convento do Bom Pastor - Ermesinde, Porto). Depois de 45 anos verificou-se que o corpo da Madre Maria estava incorrupto. Venerável em 1964, Beata em 1975.

Cristo Rei (Almada, Lisboa)
Da Madre Maria do Divino Coração há relíquias expostas fora do local da sua sepultura, na Capela dos Confidentes de Jesus no Santuário Nacional de Cristo Rei (Almada, Lisboa - Portugal).

23/10/12

RESPOSTA DO CÉU À VENERAÇÃO DE JOÃO PAULO II - LOURDES 21 e 22 de Outubro de 2012



Este dia 21 de outubro (21/10/2012 - linda data...), Bento XVI manifestou-se preocupado com a inundação em Lourdes: "Dirijamo-nos àquela que é a Rainha de todos os santos, a Virgem Maria, com um pensamento para Lourdes, afectada pelo transbordar das águas do [rio] Gave de Pau, que inundou a gruta das aparições". (imagens da inundação) O efeito das chuvas, que caiam já desde o dia 18, obrigou as autoridades  a tomar medidas para segurança dos peregrinos (500 deles foram evacuados), não tendo havido mortos ou feridos.

Há 25 anos que não se registava uma inundação significativa em Lourdes. Tinham-se organizado um conjunto de eventos sobre o tema das inundações e memória, evento que terminou este 13 de Outubro.

O Santuário anunciou que dia 22, à tarde, a gruta das aparições estaria aberta aos peregrinos, contudo tal não foi possível.

Estava prevista a veneração das relíquias (ampola com sangue) de João Paulo II neste Santuário mariano, do dia 22 (dia que a pseudo-Roma estabeleceu para festa do "beato" João Paulo II) a 27. O Presidente do Conselho Pontifício para a Saúde (Santa Sé) que apresentou motivo pelo qual autorizou o transporte da ampola de sangue de João Paulo II: "... visto e venerado pelos peregrinos de todo o mundo".

Estes sinais do Céu serão suficientes para alguns, contudo, não serão suficientes para todos!

16/10/12

APARIÇÃO - Sta. MARGARIDA MARIA - Relíquia de 2º gr



"Ceus qui contribuent à fair connaître et aimer le divin Coeur s'attirent ses plus précieuses bénéditions. - Bea. Marguerite Marie" (Os que contribuirem para fazer conhecido e amado o divino Coração atraiem a sua muito preciosa bendição - Beata Margarida Maria)


+ monastere de la Visitation de Paray-le-Monial (+ mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial)

du Noisetier de lápparition (de madeira de aveleira da aparição)

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