Mostrar mensagens com a etiqueta Perdão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Perdão. Mostrar todas as mensagens

01/06/16

A VERDADEIRA NOBREZA (IV)

(continuação da III parte)


Capítulo III
Do Temor de Deus


Quanto o Justo ame a seu Deus mais ardentemente, tanto mais foge de O ofender; como nota o venerável Beda. O amor, e o temor são duas asas com que voa o nosso espírito ao Céu. O temor, ainda que ponha a alma triste, e encolhida, aparelha-a melhor para O amar, que é princípio de todas as suas riquezas. Entendia-o mui bem Tobias, quando industriando a seu filho, dizia: "Filho, pobres somos, porém teremos muitos bens se temermos a Deus". Os que temem, diz o Espírito Santo, buscam aquelas coisas que Lhe são agradáveis. Este temor é a fonte da vida: ele, e o amor são as primeiras letras do abecedário cristão. O temor do Senhor é princípio da sabedoria. Quem mais sábio que o bom? Quem mais prudente que o virtuoso? Quem mais avisado que o temente a Deus? Havendo contado a divina Escritura a alta genealogia, e estremada formosura daquela valorosa Judite, de suas riquezas, de seu admirável recolhimento, jejum, e penitência, diz, que era ela famosíssima em tudo, porque temia muito a Deus, não com o temor (segundo adverte Clemente Alexandrino) com que se foge de uma fera, e se aborrece, senão com o temor filial, e generoso, que se deve a um pai, ao qual se teme e ama juntamente, não para desmedrar, senão para mais valer. Doce, e justo chama David ao Senhor, o qual declara Cassiodoro, para que como a doce amemos, e como a justo o temamos. O amá-Lo, e temê-Lo é ser homem, como diz o Eclesiástico, porque o contrário é de bestas, e demónios, e é ser nada; diz S. Bernardo: "e bem se pode dizer nada a quem lhe falte tanto bem". Vendo-se Caim lançado da presença divina, parecia-lhe, que não haveria lugar, onde se escondesse da face de Deus, e dizia: "Qualquer que me achar, me tirará a vida, e me matará". Porque temia Caim, e temeu toda a vida? senão que, por haver morto ao irmão sem temor do Senhor, era já nada! Deste temor se começa no caminho de Deus para chegar à fortaleza da virtude. O [temor] das coisas da terra causa desconfiança, mas o temor divino concede firmeza de esperança. O juízo de Deus se há de temer, para que não se tema. O homem que desde sua infância (dizia Panuncio) pôs diante de si o temor dos deuses, e a vergonha dos homens, está habituado à virtude, e mantém verdade a todos. O viver sempre com santo temor, e receio, é coisa muito proveitosa para alcançar a graça, e conservá-la. Em qualquer tempo é ele proveitoso, antes que pecar para ser um homem livre do pecado, e ser perdoado. Uns pecadores há, que pecam virando a Deus as costas, outros em sua presença. Não há culpa, que Ele não veja: mas alguns as fazem tão sem temor, e vergonha, como se lhas não viessem, de quem diz Jeremias: "Para ofenderem-Me viram as costas", como os varões que pinta Ezequiel com elas viradas à Sancta Sanctorum, aplicando os ramalhetes de flores aos narizes, que é pecar sem receio, nem modo, como senão houvera Deus. Deste género de pecadores era a Madalena, que vivendo lascivamente, virou as costas a Deus, dando-se aos deleites e prazeres do mundo, sem nenhum temor seu, e assim lhe foi necessário, que se apresentasse com ele ao Redentor do mundo para seu remédio, não de rosto a rosto, senão detrás das suas costas como guiada já do Espírito Santo, temerosa de que Seus olhos a não olhassem de fito, que se um olhar de Deus irado afoga no mar vermelho os carros, e cavalos de Faraó, como não temeria uma mulher fraca? Além de que pelas costas de Deus se entende a humanidade de Cristo, bem nosso. Moisés (disse a Majestade divina falando com ele), "quem me vir o rosto, não poderá viver, contentai-vos com ver minhas costas". Nelas achou a pecadora conveniência seu amparo, porque quando os raios da via de Deus colérico, e inexorável se encaminham a castigar suas culpas, ache perdão delas na humanidade de seu Filho, que com tanta liberalidade a dava aos tormentos, e à morte por redenção dos pecadores. Outros há que pecam considerando que há Deus, e está presente a seus pecados, e que lhos vê. Desta linhagem foi David, e assim disse: "Et malum coram te feci". E o Pródigo: "Pequei em tua presença", e ainda que é ousadia, e atrevimento ofendê-lo à sua vista; contudo isso tiram tão grandes temores de sua presença, que fazem a esperança de sua saúde mais segura. Para contar a divina Escritura a nomeada história da paciência de Job, diz na sua primeira entrada, que era varão simples, recto, e temente a Deus. Tal era aquele honrado velho Simeão, que no fim de sua vida mereceu ver em seus braços o Autor, e princípio dela, de que diz o Evangelista S. Lucas, que era justo, e temeroso; não é este temor, o que os maus têm pelo medo do castigo, mas filial, e amoroso. Daqui é, que muitos efeitos de amor parecera no que de presto se julga do temor, sendo pelo contrário, porque andam eles tão germanados, que os interesses, victórias, e heróicos feitos de um, se reputam, como se fossem do outro. Finalmente são estes os dois pesos, com que se meneia o artifício do Relógio espiritual. Estas as duas portas da escada de Jacob, uma das quais tocava no Céu, e outra estribava na terra. São os dois Querubins, que cobriam a Arca do testamento. São as bases de ouro, sobre quem se levantavam os dois pilares graciosos, a quem comparou o Esposo à sua Esposa. São enfim dois anéis de memória para se trazer no dedo do coração, com que será um homem verdadeiramente nobre, e honrado. Suposto este infalível fundamento, se dificultará brevemente das parte mais essenciais do nosso assunto.

(a continuar)

11/08/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (XVI)


§ 2º Mandamentos da Lei de Deus em Particular 
SEXTO MANDAMENTO 

201. Que é que nos proíbe o sexto mandamento guardar castidade? 
R: O sexto mandamento guardar castidade proíbe-nos toda a impureza: e portanto as acções, as palavras, os olhares, os livros, as imagens e os espectáculos imorais.

202. Que é que nos ordena o sexto mandamento?
R: O sexto mandamento ordena-nos que sejamos "santos no corpo", tendo o máximo respeito pela própria pessoa e pela dos outros, como obras de Deus e templos onde Ele habita com a presença e com a graça.

SÉTIMO MANDAMENTO 

203. Que é que nos proíbe o sétimo mandamento não furtar?
R: O sétimo mandamento não furtar proíbe-nos causar dano ao próximo nos seus bens: por isso proíbe-nos os frutos, os estragos, a usura, a fraude nos contratos e nos serviços e a cooperação nestes danos.

204. Que é que nos ordena o sétimo mandamento?
R: O sétimo mandamento ordena-nos que restituamos as coisas alheias, que reparemos os danos culpavelmente causados, que paguemos as dívidas e os justo salário aos operários.

205. Quem, podendo, não restitui ou não repara, obterá perdão?
R: Quem, podendo, não restitui ou não repara, não obterá perdão, ainda mesmo que por palavras se declare arrependido.

OITAVO MANDAMENTO 

206. Que é que nos proíbe o oitavo mandamento não levantar falso testemunho?
R: O oitavo mandamento não levantar falso testemunho proíbe-nos toda a falsidade e o dano injusto à fama alheia: por isso, alem do falso testemunho, a calúnia, a mentira, a detracção ou murmuração, a adulação, o juízo e a suspeita temerários.

207. Que é que nos ordena o oitavo mandamento?
R: O oitavo mandamento ordena-nos que digamos oportunamente a verdade, e que interpretemos em bom sentido, tanto quanto possível, as acções do próximo.

208. Quem danificou o próximo no seu bom nome, acusando-o falsamente ou falando mal dele, a que é obrigado?
R: Quem danificou o próximo no seu bom nome acusando-o falsamente ou falando mal dele, deve reparar, quanto puder, o dano que causou.

12/02/12

MANDAMENTOS - MORAL CRISTÃ - CATECISMO (I)



CAPÍTULO I

MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS

§1.º Mandamento da Lei de Deus em Geral

161. - Que são os mandamentos da lei de Deus?
Os mandamentos da lei de Deus ou Decálogo são as leis morais que Deus no Antigo Testamento deu a Moisés no monte Sinai, e que Jesus Cristo aperfeiçoou no Novo.

162. - Que é que nos impõe o Decálogo?
O Decálogo impõe-nos os mais estritos deveres da natureza para com Deus, para comnosco e para com o próximo, como também os outros deveres que deles derivam, como por exemplo, os do próprio estado.

[Apontamentos: Os mandamentos são leis morais que Deus deu. Por "lei" deve entender-se a ordem que o legítimo superior dá sobre o que se há-de fazer-se ou evitar-se. É portanto uma norma, uma medida das acções segundo a qual se impele a fazer ou a não fazer uma coisa determinada. Assim Deus dá estas normas para que o homem se oriente ao bem e não ao mal, por isso estes mandamentos determinam claramente o que é bem e o que é mal e assim são morais. São lei natural que Deus imprimiu na nossa alma e que é regra da moralidade de TODOS os actos e leis humanas. Os mandamentos foram dados a Moisés para todos os homens, em especial para os hebreus. Deus deu outras leis próprias para os hebreus tais como as cerimoniais e as judiciais que estavam assim condicionadas a sua natureza, o que não acontece com as morais. Com Nosso Senhor, as morais foram completadas e aperfeiçoadas e as restantes cessaram. Um exemplo do aperfeiçoamento, nos preceitos morais, é que os mandamentos, alem de se aplicarem às obras devem ser aplicados ao domínio do pensamento. Os mandamentos devem ser bem estudados.]

163. - Os nossos deveres para com Deus e para com o próximo a que se reduzem?

Os nossos deveres para com Deus e para com o próximo reduzem-se à caridade, isto é, ao "máximo e primeiro mandamento" do amor de Deus, e ao outro "semelhante" do amor ao próximo: "destes dois mandamentos, disse Jesus Cristo, depende toda a lei e os profetas". (S. Mateus, XXII, 38-40; Fórmula 14)

164. - Porque é que o mandamento do amor de Deus é o máximo mandamento?
O mandamento do amor de Deus é o máximo mandamento porque aquele que o observar, amando a Deus com toda a sua alma, observa certamente todos os outros mandamentos.

[Apontamentos: Temos deveres para com Deus, nosso supremo Senhor e Pai, e para com o próximo temos dever de caridade (ou seja, ao amor: amar a Deus de todo o coração e sobre todas as coisas; amar o próximo como a nós mesmos por amor de Deus). Os mandamentos estão dispostos por grupos e por ordem de importância. Os 3 primeiros referem-se directamente a Deus: como Criador (ser-Lhe fieis), como Pai (respeitar o Seu nome), Senhor e Dominador (servi-Lo e honrá-Lo). Os deveres que tempos para com Deus devem-se pelos Direitos que Deus tem. Há que amar sinceramente a Deus sobre todas as coisas.]

165. - Os mandamentos da lei de Deus podem observar-se?
Os mandamentos da lei de Deus podem observar-se todos sempre, ainda nas tentações mais fortes,com a graça de Deus não nega nunca a quem o invoca de todo o coração.

[Apontamentos: Deus não manda em sua lei coisas que não possam ser feitas. Aqueles que consentem em não guardar os mandamentos estão ameaçados com o inferno eterno. É importante dizer, sobretudo nos nos tempos que correm, que basta uma alma estar nas garras de um pecado mortal para que em morrendo vá para as chamas do inferno por toda a eternidade. Deus dispõe-se a vir em nosso socorro sempre que Lhe pedimos auxílio para cumprir a Sua vontade (isto não substitui os meios próprio que Ele dispõe, como é o caso da confissão). A lei de Deus é o jugo mais suave e o seu peso o mais leve. Os mandamentos não são tão custosos como certamente aparente nos dias de hoje se não negligenciarmos o auxílio da graça para os podermos observar. É recomendável que os mandamentos sejam todos os dias recitados pedindo a Deus a sua observância. "Tudo posso n'Aquele que me conforta" (Filipenses, IV, 13), "E porei o meu espírito no meio de vós; e farei que vós andeis nos meus preceitos, que guardeis as minhas ordenanças, e que as pratiqueis." (Ezequiel, XXXVI, 27)]

(Continuação, AQUI))

TEXTOS ANTERIORES