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03/08/18

CATECISMO e catecismos


De forma muito resumida, apenas em tom de urgente aviso a incautos, o blog ASCENDENS repete hoje aquilo que seu autor sempre anunciou pelos vários locais de discussão:

- Os vários catecismos não têm todos o mesmo valor;

- Entre todos, podemos destacar dois grandes grupos: a) o Catecismo Romano, b) e as aplicações, desdobramentos, etc. nas versões posteriores, as quais inequivocamente têm promulgação mais modesta;

- Entre este último grupo há a destacar os casos "problemáticos", ou seja, os catecismos que são fruto da tentativa de submeter a Doutrina tradicional da Igreja a uma visão baseada no Concílio Vaticano II; situação que acaba por inverter a ordem própria, que é a Doutrina segundo a Tradição como regra e guia de interpretação católica, seja ela pastoral, jurídica, disciplinar etc.

- Estamos seguros quanto ao Catecismo, por dois motivos: a) porque seguimos a mais autorizada e experimentada "versão" anterior ao tempo dos complicados labores pós-conciliares: Catecismo Maior de S. Pio X (com as explicações e exemplos), b) porque não retirámos ao Catecismo Romano o seu lugar ímpar entre os catecismo, ou seja, que este é O Catecismo. (são estas considerações formais, e não meras recomendações que necessitariam de outro tratamento).

Lembramos que ao Papa é dado o poder para GUARDAR, DEFENDER, ENSINAR a mesma Doutrina, Moral e Costumes, e NENHUM poder lhe foi dado para nestas matérias inovar (cf. Concílio Vaticano I).

25/01/18

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 11

O PUNHAL DOS CORCUNDAS

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Nº. 11
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Ostendam gentibus nuditatem tuam

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AS DUAS SOBERANIAS

Não trato agora da Soberania dos Reis. Já disse e torno a dizer que esta é inconcussa, indestructível, e que a antiguidade em peso se declarou a favor do Governo de um só... O Príncipe dos Poetas há pouco menos de trinta séculos sancionava os direitos da Soberania dos Reis, e condenava os governos Representativos ou Constitucionais, pondo na boca do mais judicioso e experimentado dos Heróis Gregos aquela memorável sentença... "Não é bom o governo de muitos, um só é que deve governar." (Illiad. liv. 2º). Conheço que este dito amargará aos nossos mais famosos Publicistas; mas tenham paciência, que ainda é agora... Vai-se acabando o tempo dos risinhos sardónicos, fiéis substitutos da sabedoria moderna, e vão caindo de maduros esses decantados axiomas em que já não era lícito argumentar... Cedo nos veremos em coisa que lhes será pesadíssima, e já declaro que hei de rir-me dessa enfiada de nomes mágicos de Eybels Gmeiners, Filangieres, e outros oráculos... Razões e mais razões... Fontes genuínas e mais fontes genuínas... Nada de Cânones viciados, e mal entendidos, nada de autoridades truncadas ou interpoladas... Tem de passar bem má vida comigo, que antes quisera ser escravo em Argel, do que ser bem reputado pelos nossos Sabichões, que antes quero que me chamem esturrado e fanático, do que me apelidem tolerante, comedido, e que sei viver... Tomara eu saber morrer pela Fé, e confirmar-me todos os dias na santa loucura, de que blasonava o grande Apóstolo S. Paulo (Nos stulti propter Christum).

Quis preparar certos bichaços, para que instruídos suficientemente de qual é o meu ânimo, ou rasguem, ou deitem ao fogo este maldito papel, e não estraguem na sua leitura os preciosos momentos que se devem gastar com os Paynes, Constants, e Pradts, e mais Irmãos da Confraria Liberal.

Duas Soberanias têm havido na Europa desde a queda do Império Romano até aos nossos dias, e a qual delas mais conspícua e estrondosa. A Soberania dos Papas, que se ingeriam nas temporalidade dos Reis, que punham e depunham os Soberanos, que absolviam os Povos do juramento de fidelidade ( Cá em nossos dias fez o mesmo um certo Jam, ou Manuel Fernandes, e ninguém lhe contestou esse direito, que só é odioso nos Papas!!), e cometiam outras desordens, que se acreditarmos o Grão Fleury, e o Grão Racine, por bem pouco não puseram à dependura a civilização, as artes e a felicidade da Europa.

A Soberania do Povo é a segunda, que levantada sobre as ruinas da primeira, logo por entrada arrancou à obediência do Pai comum dos Fiéis Províncias e Reinos inteiros, esmigalhou Septros e Coroas, proclamou solenemente que os Reis eram seus verdadeiros súbditos, e no séc. XVIII, em que mais se despregaram as suas fúrias, não tem às costas menos de quatro a cinco mil homens de vítimas, ainda sem computarmos o efeito dos golpes descarregados sobre a geração futura...

Esta é hoje a formosa, a deleitável, a única soberania de que importa dizer bem, carregando-se de altivez a sua por ventura mais desgraçada que criminosa antecessora... Ora pois nem tanto sofrer, que a paciência também cansa.

Entrarão por ventura os Sumos Pontífices no exercício daquela soberania por chamamento da Escritura, da Tradição, ou por Decreto de algum Concílio Geral? Não.... e assim respondo, porque a verdade é o meu único norte. Mas donde lhes veio tão estranha autoridade, que por certo não exercitaram os Pontífices do primeiro século? Responda em meu lugar um Sabichão, um Filósofo de mão cheia, um Robinet, que no seu Dicionário Diplomático (V. Pape) afirma sem rebuço que os Reis e os povos deram essa autoridade aos Sucessores de S. Pedro, e que eles como interessados nela, mamais deverão ser arguidos de a terem exercitado... Bem... Já temos a favor dos Papas uma autoridade clássica... E as Cruzadas, e os Reis depostos? Sim, Senhor, já lá vamos. As Cruzadas livraram a Europa de ser inundada pelo Turbante Mussulmano, e de experimentar a sorte da África, e da Ásia Cristã; e não é nada o último golpe descarregado sobre as vistas ambiciosas do Império de meia Lua, nas águas de Lepanto, é devido a um Papa, e até o Protestante Bacon estranhava que ainda não estivesse canonizado este Pontífice amigo dos homens. Não me esquecem os Reis depostos... No meio do que antiga e modernamente se há discutido sobre esta matéria pouco me importa o que dizem os Luternos, os Calvinos, os Buchanans, os Miltons, e os próprios Marianas; e cortando o nó górdio das incertezas do famoso Grócio, enunciarei mui clara e despejadamente o meu sentir... A nossa Divina Religião manda sofrer os próprios tiranos, e jamais consentirá ela que seus Filhos atentem contra os Ungidos do Senhor... Entretanto é o sumo grau da incoerência, e da sandice que os Padreiros censurem nesta parte a soberania dos Papas... quantas guerras civis e assoladoras se pouparam no género humano por via desta jurisdição pacífica, e benfazeja!.. Eram por ventura dignos de reinar certos homens que acinte flagelavam, e destruíam os seus povos? E se esses povos se acolhiam ao sagrado do Trono Pontifício, entregando a uma só palavra o que sem este meio teriam conseguido à força de armas, seriam por isso mais repreensíveis que os Regicidas de Carlos I de Inglaterra, e Luís XVI de França? Que raio seriam mais temíveis e estragadores; os do Vaticano que feriam muitas vezes uma só cabeça, u os da Assembleia Nacional, os da Convenção, os do Direito Executivo, e os de Napoleão, que em breves horas deixavam um campo alastrado de mortos, e moribundos, que por bem pouco não reduziram a Europa a um deserto, que ao menos era possível fazer-se de Lisboa até Moscovo, uma calçada dos ossos das suas vítimas. 

Creio que muitos dos meus leitores (tanto podem os prejuízos de educação literária!!) se tem maravilhado destas asserções hoje triviais por toda a Europa, e seguidas por A. A. Católicos, e Protestantes. Há quem defenda que a soberania temporal dos Sumos Pontífices, qual foi exercida lá nos séculos onze, doze, treze, etc. etc. foi um grande benefício para o género humano, e que a Europa deve a esta Soberania tão odiada pelos Filósofos, e Pedreiros toda a sua civilização e grandeza. Imprimiu-se a obra em 1816, e ainda não houve quem lhe respondesse... nem é fácil, pois os sábios da moda correm, correm, debicam, defloram, e nada mais. Logo que apareça algum que estude, examine, e pese os fundamentos, de qualquer ordem que eles sejam, pode estar certo de que ninguém lhe sai ao caminho, nem lhes fará abandonar o campo...

Ora que façam outro tanto à soberania do povo, e que se metam a demostrar que foi um grande benefício para o género humano... Ah! Não tenham medo que tal aconteça, ainda que dos Chorões da Ermonville ressurgisse o demonstrador de paradoxos, o coroado pela Academia de Dijon, o Grão Rousseau!!

Não me faltava que dizer ao propósito das soberanias... mas fica o melhor no tinteiro, porque ainda é cedo... e os ares ainda me não apresentam aquela serenidade, que virá com o tempo, e com os nunca assaz louvados esforços da Santa Aliança...

Quem nome foi agora escorregar-me da pena!! Aí dá um fanico em algum dos meus leitores... pois toca a fazê-lo tornar a si, e diverti-los... que nem sempre hão de tratar-se questões de polpa...


Ó Hirco Cervo

Apareceu, apareceu... Já o vemos, já o possuímos, e não obstante o passar até agora como impossível na ordem da natureza, só ele não apareceria no séc. XIX, século das coisas raras, estupendas, e maravilhosas!! Muito perderam os Buffons, os Lineos, os Lacepedes, e outros que não chegaram a ver o que eu vejo, e que eu admiro.

Metade do Corpo das tais animálias é de Veado, e a outra é de Bode ou Cabrão... Oh que linda mistura de feições, de gestos, e de movimentos!! Não me farto de os ver, de os analisar, e dar vivas ao meu século, que os gerou e produziu! Não é um só que apareceu, de modo que seja necessário andar à mostra pelo Reino... há muitos nas cidades principais, já os há nas vilas, e o que é mais, ja penetraram nas aldeias e choças dos pastores! Sendo tanta a bicharia, talvez pareça à primeira vista que perderam o ser de monstros, e devem fazer uma nova espécie... Nova espécie... Fora... isso não, que teríamos em campo os Senhores Materiais ou Materialistas a gritarem que estes bicharocos foram gerados pelo simples esforço da matéria... Não Senhor, não é nova espécie. São muitos, e são monstros. Posso afirmar com toda a segurança, que é uma raça hibrida, e que dentro em seis anos já não haverá nem fumos de Hico Cervo em Portugal. Continuemos todavia a sua descrição, que é importante e divertida.

São de várias cores e tamanhos, umas azuis, outros negros, outros brancos, outros pardos, uns apessoados, e de figura gigantesca, outros da marca de Judas, e quase pigmeus... Sendo o seu natural viverem nas cavernas onde estiveram por muito tempo sem haver quem desse fé de tais brutalidades. Sabiam há pouco das suas vivendas, e fizeram-se mais conhecidos do que se fossem gatos pardos... Fazem liga com os Leões, Tigres, Leopardos, e Onças, e não lhes pesa o pé uma onça quando se trata de servirem aqueles bichaços, e de lhes facilitarem a presa de animais pequenos, mansos, e inocentes... Por isso mesmo que degeneraram das espécies primitivas, dão-lhes contínuas mostras de ódio figadal, desejam trincar-lhes o próprio coração, e lhes fazem quanto mal podem, ora mordendo, ora escoucinhando, e até desalojando-as de suas pacíficas moradas. Se a bem ordenada república dos industriosos Castores é a admiração dos naturalistas a ponto de lhes estudarem todos os seus passos, trabalhos, e edifícios, quanta lhes deverá excitar a sociedade dos Hirco Cervos, que sobressaem até nos ofícios mecânicos, e especialmente de pedreiro?

É de ver e de pasmar a suma agilidade com que maneiam a trolha e a colher, mexem e remexem a cal, e sabem destruir para melhor edificarem

Se algum dos meus leitores por mais esperto e agudo tiver percebido que o Hirco Cervo é o Frade Constitucional, por isso não termos grande bulha, a pesar de que o assunto foi agora tocado bem pela rama... Atrás de tempos tempos vêm, e até ao lavar dos cestos é vindima......

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LISBOA: NA IMPRESSÃO RÉGIA. 1823
Com licença da Real Comissão de Censura.

02/08/16

O MASTIGÓFORO - P ("Papa")

letra
P

Papa - O Mastigóforo sabendo por mercê de Deus o que se deve tratar sério, e o que pode temperar-se com a pimenta das facecias, e com o vinagre da Sátira, chegou ao ponto que mais desejava neste prospecto, em que forcejara por açoitar deveras esse rancho de pedantes, que não sabendo nem sequer onde tem a sua mão direita, ousam abocanhar matérias, que levam anos de estudo, e que nunca se aprenderam, como importa em dois rabiscos de Eybel, de Gmeiner, ou do insípido Danemair.

O lusitano Papa S. Dâmaso I
É o Papa o Lugar Tenente de Nosso Senhor JESUS CRISTO, e o seu Vigário na terra. Que mais é necessário para o definirmos de sorte, que ele mereça os rendimentos, e acatamentos do mundo Cristão? Mas enfim parece não ser fora do meu propósito, que devendo eu alargar-me neste objecto de mais alta monta para o bem da Igreja Lusitana, eu distribua, e classifique as ideias de tal maneira, que ao mesmo passo que o povo as entenda, nenhum lugar deixem aos semidoutos para me arguirem, ou de confuso, ou de exagerado. Que é o Papa na Igreja Católica? Que é o Papa no entender dos Mações? Quais são as causas principais da quebra da autoridade Pontifícia em muitos Reinos, que se dizem Católicos? Eis a divisão geral do assunto. Comecemos.

Papa João XXI, um português sábio da medicina

Que é o Papa na Igreja Católica!
Quid est Papa?

Se o pergunto a São Cipriano, isto é, ao próprio que se costuma alegrar como impugnador da autoridade Pontifícia, por ter combatido o Papa Santo Estêvão [e por sinal que a verdade estava na Igreja Romana, e que ele cometeu nesta resistência, o que longe de ser coisa boa, devia purificar-se, que assim o diz Santo Agostinho, pela foice do martírio] ele me responde, que o Papa é o Bispo elevado no cume da dignidade Apostólica, que ele está sentado na Cadeira, e governa a Igreja Principal, que a sua Cadeira é a origem da dignidade Sacerdotal, o laço da unidade, e o lugar onde reside a Potência Principal.

Se faço a mesma pergunta ao Sábio Orígenes, ele me responde, que o Sucessor de São Pedro é a boca, e o chefe do Apostolado. Se faço a mesma pergunta a São João Crisóstomo, sentado na própria Cadeira rival das preeminências da Cadeira de Roma, ele me responde, que São Pedro foi a boca de JESUS CRISTO; e longe de contestar este privilégio aos sucessores do Príncipe dos Apóstolos, foi nos braços de um Bispo de Roma, onde ele achou decisão favorável, e seguro asilo para escapar aos seus perseguidores. Santo Ambrósio chama-lhe outro Abraão no seu Patriarcado. S. Jerónimo, que sabia Grego melhor, que os intérpretes modernos, reconhece em S. Pedro a mesmíssima pedra, em que JESUS CRISTO fundou a sua Igreja, e usa de tais expressões para com o Papa São Dâmaso [natural da Diocese da Guarda, antiga Egitânia - Portugal], que nessa parte custará a ser excedido pelos mais rígidos Ultramontanos.... Dispenso-me de fazer mais perguntas, que de certo as podia fazer aos centos em cada um dos Séculos, e acharia sempre a mesma reposta, como desejoso que estou de ouvir a de meu grande Pai São Bernardo, a quem o infame, e pernicioso Livro, as Superstições descobertas, insultou descaradamente neste artigo... "Eia pois, dizia o Anjo de Claraval ao seu discípulo Eugénio III, eia pois examinemos com mais diligência quem tu és, e que figura fazes actualmente na Igreja de Deus. Quem és tu? O Grande Sacerdote, o Sumo Pontífice. Tu és Príncipe dos Bispos, tu herdeiro dos Apóstolos, Abel na primazia, Noé no governo, Abraão no Patriarcado, Melquisedec na ordem, Araão na dignidade, Moisés na autoridade, Samuel na judicatura, Pedro no poder, Cristo na unção. Tu és o próprio a quem foram entregues as chaves, a quem foram cometidas as ovelhas. Também há outros porteiros do Céu, e pastores de rebanhos, porém tu herdastes ambos estes nomes tanto mais gloriosamente, quanto os possuis com mais diferença daqueles outros. Têm eles os seus rebanhos determinados, e cada um tem o seu, porém todos foram cometidos a ti, como um rebanho a um só pastor. Nem tu és Pastor somente das ovelhas, és tu só o pastor de todos os pastores. Perguntas-me donde eu provo isto? Da palavra do Senhor. Se me tens amor Pedro, apascenta as minhas ovelhas. Quais ovelhas? São talvez os povos desta ou daquela cidade, ou região, ou de um reino determinado. As minhas ovelhas, diz o Senhor? Para quem não será líquido, que não lhe designará ovelhas em particular, mas que lhas entregara todas... O poder dos outros encerra-se em certos limites, o teu estende-se aos mesmos, que receberam o poder sobre os outros. Porventura não podes tu, havendo causa fechar o Céu a um Bispo, depô-lo do bispado, e até entregá-lo a Satanás?.." (V. São Cupr. Ep. 3,4,12, e 55. Origines Homilia 55 in Math. São Cipriano Homilia 2 in divers. Serm. Santo Ambr. in 1. ad Tim. 3 São Jer. Ep. ad Damasum.)

Aqui está como pensava dos Bispos de Roma esse próprio, que só por querer arredar da Cúria Romana as mais leves sombras de venalidade, depotismo, se alega em tom de confiança para se deprimir a jurisdição essencial do Romano Pontífice. Dir-se-ha por ventura que ele foi encarcido? Encarecido quando louva os Papas, mas verídico por extremo, e exavtíssimo quando censura certos excessos, e abusos da Cúria!! Eis-aqui um dos argumentos da boa Lógica dos nossos dias! Que mal se ajustam semelhantes discursos, com o que nós sabemos da nobre independência com que este Santo arrostou, e combateu os vícios de seus contemporâneos, onde quer que eles se tivessem acastelado, sem diferençar um Rei de França, um Duque de Aquitânia, de um pobre, de um escravo, ou do mais ínfimo de todos os homens, começando de mostrar no seu Século, a imagem das justiças imparcial, com que todos serão tratados no dia do Juízo!!

(a continuar)

30/06/14

DO VOTO DA OBEDIÊNCIA (II)

(continuação da I parte)

8. Quando os prelados mandam em nome de Jesus Cristo, ou em virtude do Espírito Santo, ou em virtude da santa obediência, entendem obrigar debaixo de pecado mortal; mas quando diz "Mando, estritamente mando, ponho preceito, absolutamente proíbo", não se entender querer obrigar a pecado mortal, porque essas palavras são indiferentes para se entenderem do pecado mortal, ou venial; e quando assim são, se há-de entender obrigar só a venial, enquanto não consta da vontade do Prelado, ou da gravidade da matéria mandada, ou da pena imposta, que sendo grave, como de excomunhão ipso facto incurrenda, significam ter o preceito grave, e obrigar a pecado mortal.

9. Quarta pergunta: Se as religiosas estão obrigadas a obedecer nas coisas, que lhes mandam contra, sobre, fora, ou abaixo da regra, ou constituição? É sem dúvida que as religiosas todas estão obrigadas a obedecer em tudo, que expressamente, ou implicitamente se contém na Regra, e constituição, porque a tudo isto se obrigam na profissão, quando prometem obediência, conforme a Regra. Aquelas coisas se incluem implicite, e indirecte na Regra, e Constituição, que são necessárias, e conducentes à observância regular, como são os actos de caridade, os mútuos obséquios, os ofícios da comunidade, e outros semelhantes. A dúvida está nas coisas, que são contra, sobre, fora, ou abaixo da Regra, ou Constituição.

10. A esta dúvida responde S. Bernardo no Opúsculo das dispensas e preceitos onde diz: "O preceito, ou proibição do Prelado não passe, nem exceda os termos da profissão do seu subdito." E declara que estes termos são: "A quem, além, e contra, por quanto a verdadeira obediência não deve pagar, nem mais, ou além do que deve, e prometeu, nem coisa, que à sua profissão repugne, e contrarie"; e depois de dizer, que o preceito do Prelado se não pode estender a mais, nem contrair a menos do que está na Regra, continua assim: "Nada me proíba o Prelado do que na minha profissão prometi, nem de mim queira mais, do que nela lhe prometi: pelo que nem sem minha vontade acrescente os meus votos, nem sem certa, e bastante causa me alivie deles." E conclui o santo, ensinando aos Prelados como neste particular se hão-de haver com os seus súbditos. Diz que os admoestrem, mas que os não constranjam às coisas mais altas, que a sua profissão; e quando parecer, e for necessário, condescendam com eles, para assim os vencer, e trazer à maior perfeição. Isto mesmo, que diz S. Bernardo, é doutrina dos restantes santos, porque nela todos concordam; mas as que aspiram à perfeição, hão-de obedecer às cegas a tudo o que não for culpa, por árduo que seja o preceito.

11. Quinta pergunta: A que superiores devem, e estão obrigados a obedecer as religiosas? É fora de dúvida que todas as religiosas assim isentas, como não isentas estão obrigadas a obedecer ao Sumo Pontífice, não só ex vi da jurisdição, que tem de Cristo, mas também ex vi do voto da obediência. A razão é clara; porque o Sumo Pontífice é suprema cabeça de todas as religiões [entenda-se "ordens religiosas"], religiosos, e religiosas, e de quem os mais prelados todos recebem a sua jurisdição para poderem mandar. Além de que, quando o Pontífice aprovou as religiões, as aprovou com a condição de ser o seu supremo prelado: logo com maior razão devem as religiosas obedecer ao Sumo Pontífice, que a outro qualquer prelado.

12. É também fora de dúvida que as religiosas sujeitas à jurisdição ordinária estão obrigadas a obedecer aos senhores bispos, e aos seus delegados. A razão é, porque os senhores bispos são os imediatos prelados das religiosas não isentas, mas sujeitas à sua jurisdição; e as isentas estão também sujeitas à sua jurisdição; e as isentas estão também sujeitas aos bispo, como legados da Sé Apostólica, no que toca à clausura, e à averiguação das vontades das noviças antes de professarem, como determina o Concílio Tridentino. Em tudo o mais as religiosas isentas da jurisdição dos bispos estão obrigadas a obedecer aos seus Prelados Regulares, a saber, ao seu Provincial, e Geral, e aos mais, conforme as suas Regras, e Constituições.

(a continuar)

05/01/14

5 de Janeiro - FESTIVIDADE DE S. TELÉSFORO


Hoje, 5 de janeiro, é Festa do Papa S. Telesforo, mártir. Quero prestar a minha especial homenagem a este Santo, porque me batizaram neste dia, também num domingo como hoje.

Pai Nosso...
Avé Maria...
Glória ...

17/07/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (VII)


(da primeira parte)

VI CAPÍTULO
Igreja Católica - Comunicação dos Santos.

Creio... na santa Igreja, na comunicação dos Santos.
 
105. Que é a Igreja?
R: Igreja é a sociedade dos verdadeiros cristãos, isto é, dos baptizados, que professam a fé e a doutrina de Jesus Cristo, participam dos seus sacramentos e obedecem aos Pastores constituídos por Ele.

106. Por quem foi fundada a Igreja?
R: A Igreja foi fundada por Jesus Cristo, o qual congregou os seus fiéis numa sociedade, a sujeitou aos Apóstolos com S. Pedro por cabeça, e lhe deu o sacrifício, os sacramentos e o Espírito Santo que a vivifica.

107. Qual é a Igreja de Jesus Cristo?
R: A Igreja de Jesus Cristo é a Igreja Católica Romana, porque é una, santa, católica e apostólica, como Ele a quis.

108. Porque é que a Igreja é una?
R: A Igreja é una porque todos os seus membros tiveram, têm e hão de ter sempre uma única fé, o Sacrifício, os sacramentos e a cabeça visível, o Romano Pontífice, sucessor de S. Pedro, formando assim todos um só corpo, o corpo místico de Jesus Cristo.

109. Porque é que a Igreja é santa?
R: A Igreja é santa, porque são santos Jesus, sua cabeça invisível, e o Espírito Santo que a vivifica; porque nela são santos a doutrina, o Sacrifício e os sacramentos, e todos são chamados a santificar-se; e porque muitos foram, são e serão realmente santos.

110. Porque é que a Igreja é católica?
R: A Igreja é católica, isto é, universal, porque é instituída e adaptada para todos os homens e difundida por toda a terra.

111. Porque é que a Igreja é apostólica?
R: A Igreja é apostólica, porque foi fundada sobre os Apóstolos e sobre a sua pregação, e governada pelos seus sucessores, os Pastores Legítimos, os quais, sem interrupção e sem alteração, continuam a transmitir a doutrina e o poder dos mesmos apóstolos.

112. Quem são os legítimos Pastores da Igreja?
R: Os legítimos pastores da Igreja são o Papa ou Sumo Pontífice e os Bispos em união com ele.

113. Quem é o Papa?
R: O Papa é o sucessor de S. Pedro na sé de Roma e no primado, a saber no apostolado e episcopado universal; portanto o chefe visível, Vigário de Jesus Cristo, chefe invisível de toda a Igreja, a qual por isso se chama Católica-Romana.
Para os "primeiros elementos da doutrina cristã", a resposta é esta: O Papa é o sucessor de S. pedro; e portanto o chefe visível de toda a Igreja, Vigário de Jesus Cristo, chefe invisível.

114. O Papa e os Bispos em união com ele que coisa constituem?
R: O Papa e os Bispos em união com ele constituem a Igreja docente, chamada assim porque tem de Jesus Cristo a missão de ensinar as verdades e as leis divinas a todos os homens, os quais só dela recebem o conhecimento pleno e seguro que é necessário para viver cristãmente.

115. A Igreja docente pode errar ao ensinar-nos as verdades reveladas por Deus?
R: A Igreja docente não pode errar ao ensinar-nos as verdades reveladas por Deus, ela é infalível, porque como prometeu Jesus Cristo, "o espírito de verdade" a assiste continuamente. (S. Lucas, 1, 28).

116. O Papa, só por si, pode errar ao ensinar-nos as verdades reveladas por Deus?
R: O Papa, só por si, não pode errar ao ensinar-nos as verdades reveladas por Deus, quer dizer, é infalível, como a Igreja, quando, como Pastor e Mestre de todos os cristãos, define doutrinas a respeito da Fé e dos costumes.

117. Pode outra Igreja, fora a Católica-Romana, ser a Igreja de Jesus Cristo, ou ao menos parte dela?
R: Nenhuma Igreja, fora da Católica-Romana, pode ser Igreja de Jesus Cristo ou parte dela, porque não pode ter juntamente com aquela as qualidades distintivas singulares, una, santa, católica e apostólica; como de facto as não tem nenhuma das outras Igrejas que se dizem cristãs.

118. Para que é que jesus Cristo instituiu a Igreja?
R: Jesus Cristo instituiu a Igreja para que os homens encontrassem nela o guia seguro e os meios de santidade e de salvação eterna.

119. Quais são os meios de santidade e de salvação eterna que se encontram na Igreja?
R: Os meios de santidade e de salvação eterna que se encontram na Igreja são a verdadeira fé, o Sacrifício [missa] e os sacramentos, e os auxílios espirituais recíprocos, como a oração, o conselho, o exemplo.

120. Os meios de santidade e de salvação eterna são comuns a todos os homens?
R: Os meios de santidade e de salvação eterna são comuns a todos os homens que pertencem à Igreja, isto é, aos fiéis, os quais nos escritos apostólicos são chamados santos; por isso a união e participação deles nestes meios é comunicação dos santos em coisas santas.

121. Porque é que são chamados santos os fiéis que se encontram na Igreja?
R: Os fiéis que se encontram na Igreja são chamados santos, porque são consagrados a Deus, justificados ou santificados pelos sacramentos e obrigados a viver como santos.

122. Que quer dizer comunicação dos santos?
R: Comunicação dos santos quer dizer que todos os fiéis, formando um só corpo em Jesus Cristo, participam de todo o bem que existe e se faz no mesmo corpo, quer dizer na Igreja universal, uma vez que não sejam impedidos pelo afecto ao pecado.

123. Os bem-aventuradosdo paraíso e as almas do purgatório estão na comunicação dos santos?
R: Os bem-aventurados do paraíso e as almas do purgatório estão também na comunicação dos santos, porque, unidos entre si e comnosco pela caridade, recebem uns as nossas orações e outros os nossos sufrágios, e todos nos retribuem com a sua intercessão junto de Deus.

124. Quem é que está fora da comunicação dos santos?
R: Está fora da comunicação dos santos aquele que está fora da Igreja, isto é, os condenados, os infiéis, os judeus, os hereges, os apóstatas, os cismáticos e os excomungados.

125. Quem são os infiéis?
R: Os infiéis são os não baptizados que não crêem no Salvador prometido, isto é, no Messias ou Cristo, como os idólatras e os maometanos.

126. Quem são os judeus?
R: Os judeus são os baptizados que professam a lei de Moisés e não crêem que Jesus é o Messias ou Cristo prometido.

127. Quem são os hereges?
R: Os hereges são os baptizados que se obstinam em não crer alguma verdade revelada por Deus e ensinada pela Igreja, como, por exemplo, os protestantes.

128. Quem são os apóstatas?
R: Os apóstatas são os baptizados que renegam, com acto externo, a fé católica, que dantes professavam.

129. Quem são os cismáticos?
R: Os cismáticos são os baptizados que recusam obstinadamente submeter-se aos legítimos Pastores, e por isso estão separados da Igreja, ainda mesmo que não neguem verdade alguma de fé.

130. Quem são os excomungados?
R: Os excomungados são os baptizados excluídos por culpas gravíssimas da comunhão da Igreja, a fim de não perverterem os outros e de serem punidos e corrigidos com este remédio externo.

131. É dano grave estar fora da Igreja?
R: Estar fora da Igreja é dano gravíssimo, porque estando fora dela não se tem nem os meios estabelecidos nem a guia segura para a salvação eterna, a qual para o homem é a única coisa verdadeiramente necessária. 

132. Quem está fora da Igreja salva-se?
R: Quem está fora da Igreja por culpa própria e morre sem dor perfeita, não se salva; mas quem se encontrar fora dela sem culpa própria e viver bem pode salvar-se com o amor de caridade, que une Deus, e, em espírito, também à Igreja, isto é, à alma dela.

21/03/13

FUNDAMENTAÇÃO DO PAPADO

Esta semana cruzei-me com um antigo meu professor, dos meus tempos de aluno de teologia. Ele progressista, e eu, hoje, um mero tradicional católico. Este simpático sacerdote diocesano, relativamente a "Papa" e "Papado", acredita em oposição ao que eu acredito.

Como podem dois católicos acreditar diferentemente a respeito de conteúdos da Fé? Ou um está errado ou os dois estão errados, como mostra S. Tomás de Aquino: os dois não podem estar certos ao mesmo tempo em opiniões que se contradizem - porque uma mesma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo.

Enquanto fui aluno de teologia, naqueles tempos, acreditei sempre que o Papado e o Papa eram o que este meu antigo professor acredita. Muitos outros acreditam nestas novas ideias que hoje penetraram gradualmente a vida dos católicos como parte do "pensamento dominante". São erros de época, não são coisas enunciadas pela Santa Igreja (pelo contrário, são enunciadas contrariamente à Santa Igreja, e levadas em andas por boa parte do clero que, por sua vez, foi já formado pelos introdutores, ou alunos dos introdutores). Quanto mais longe estamos dos primeiros tempos de introdução das terríveis ideias na sociedade católica mais probabilidades há de os seus "portadores" não serem culpáveis.

Como acho muito perigosas essas e outras ideias, e como católicos cabe-nos repetir o que a Igreja ensinou para os outros venham a dar-lhe proveito, para que realmente todos sejam um.

Aquelas teses da moda, a respeito do Papa e do Papado, podem ser agrupadas em duas ideias:

- O poder do Papa adviria da Diocese de Roma perante as dioceses do Rito Romano;
- O Papa seria um "primus inter pares" (seria o primeiro entre iguais).

Estas duas crenças são postas ao catolicismo que diz justamente o contrário:

- O poder do Papa foi dado directamente por Nosso Senhor Jesus Cristo a Pedro;
- O Papa não é um igual aos outros Bispos porque a Igreja é fundada nele e foi apenas a ele que lhe foi confiado o rebanho.

A primeira Constituição Dogmática sobre a Igreja, IV sessão do Concílio Vaticano I, não deixa qualquer dúvida a quem a leia com boa-vontade:

"1823. Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu direta e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra – seja excomungado. "

No tempo em que Pedro recebe a chefia da Igreja de Nosso Senhor ainda nem sequer havia comunidade em Roma, logo fica reforçada também pela lógica a impossibilidade do poder do Papa advir da Diocese de Roma. Continuando...

"1824. Porém o que Nosso Senhor Jesus Cristo, que é o príncipe dos pastores e o grande pastor das ovelhas, instituiu no Apóstolo S. Pedro para a salvação eterna e o bem perene da Igreja, deve constantemente subsistir pela autoridade do mesmo Cristo na Igreja, que, fundada sobre o rochedo, permanecerá inabalável até ao fim dos séculos. "Ninguém certamente duvida, pois é um fato notório em todos os séculos, que S. Pedro, príncipe e chefe dos Apóstolos, recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador e Redentor do género humano, as chaves do reino; o qual (S. Pedro) vive, governa e julga através dos seus sucessores".
1825. Se, portanto, alguém negar ser de direito divino e por instituição do próprio Cristo que S. Pedro tem perpétuos sucessores no primado da Igreja universal; ou que o Romano Pontífice é o sucessor de S. Pedro no mesmo primado – seja excomungado
1826. Por isso, apoiados no testemunho manifesto da Sagrada Escritura, e concordes com os decretos formais e evidentes, tanto dos Romanos Pontífices, nossos predecessores, como dos Concílios gerais, renovamos a definição do Concílio Ecuménico de Florença, que obriga todos os fiéis cristãos a crerem que a Santa Sé Apostólica e o Pontífice Romano têm o primado sobre todo o mundo, e que o mesmo Pontífice Romano é o sucessor de S. Pedro, o príncipe dos Apóstolos, é o verdadeiro vigário de Cristo, o chefe de toda a Igreja e o pai e doutor de todos os cristãos; e que a ele entregou Nosso Senhor Jesus Cristo todo o poder de apascentar, reger e governar a Igreja universal, conforme também se lê nas atas dos Concílios Ecuménicos e nos sagrados cânones.

Portanto, não é um bispo como os outros a quem se dá preferência. Pedro Apóstolo recebeu uma vocação e encargo de naturezas próprias que o diferenciam em relação aos outros bispos. Continuando...

1827. Ensinamos, pois, e declaramos que a Igreja Romana, por disposição divina, tem o primado do poder ordinário sobre as outras Igrejas, e que este poder de jurisdição do Romano Pontífice, poder verdadeiramente episcopal, é imediato. E a ela [à Igreja Romana] devem-se sujeitar, por dever de subordinação hierárquica e verdadeira obediência, os pastores e os fiéis de qualquer rito e dignidade, tanto cada um em particular, como todos em conjunto, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao regime da Igreja, espalhada por todo o mundo, de tal forma que, guardada a unidade de comunhão e de fé com o Romano Pontífice, a Igreja de Cristo seja um só redil com um só pastor. Esta é a doutrina católica, da qual ninguém pode se desviar, sob pena de perder a fé e a salvação.

Aqui está! O Cânon 1827 é muito importante porque é por Roma ser a comunidade de Pedro que ela tem o primado sobre as outras, e não o contrário: o poder de Pedro advir do primado de Roma. Noutras palavras, este cânon conta com todos os outros formando um conjunto coerente. Aproveito para dizer que o Rito Romano é também aquele que veio da tradição de S. Pedro e, por isto, considerado por nós o rito central e indispensável. Alerto ainda para o "seja um só redil porque pode parecer que se diz que não é um só redil mas que virá a sê-lo. Continuando...

1828. Estamos, porém, longe de afirmar que este poder do Sumo Pontífice acaba com aquele poder ordinário e imediato de jurisdição episcopal, em virtude do qual os bispos, constituídos pelo Espírito Santo [cf. At 20,28] e sucessores dos Apóstolos, apascentam e regem, como verdadeiros pastores, os seus respectivos rebanhos; pelo contrário, este poder é firmado, corroborado e reivindicado pelo pastor supremo e universal, segundo o dizer de S. Gregório Magno: "A minha honra é o vigor dos meus irmãos. Sinto-me verdadeiramente honrado, quando a cada qual se tributa a honra que lhe é devida".
1829. Além disso, do supremo poder do Romano Pontífice de governar toda a Igreja resulta o direito de, no exercício deste seu ministério, comunicar-se livremente com os pastores e fiéis de toda a Igreja, para que estes possam ser por ele instruídos e dirigidos no caminho da salvação. Pelo que condenamos e reprovamos as máximas daqueles que dizem poder-se impedir licitamente esta comunicação do chefe supremo com os pastores e os fiéis, ou a subordinam ao poder secular, a ponto de afirmarem que o que é determinado pela Sé Apostólica em virtude da sua autoridade para o governo da Igreja, não tem força nem valor, a não ser depois de confirmado pelo beneplácito do poder secular.
1830. E como o Pontífice Romano governa a Igreja Universal em virtude do direito divino do primado apostólico, também ensinamos e declaramos que ele é o juiz supremo de todos os fiéis, podendo-se, em todas as coisas pertencentes ao foro eclesiástico, recorrer ao seu juízo; [declaramos] também que a ninguém é lícito emitir juízo acerca do julgamento desta Santa Sé, nem tocar neste julgamento, visto que não há autoridade acima da mesma Santa Sé. Por isso, estão fora do recto caminho da verdade os que afirmam ser lícito apelar da sentença do Pontífices Romanos para o Concílio Ecumênico, como sendo uma autoridade acima do Romano Pontífice.
1831. Se, pois alguém disser que ao Romano Pontífice cabe apenas o ofício de inspeção ou direção, mas não o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao governo da Igreja, espalhada por todo o mundo; ou disser que ele só goza da parte principal deste supremo poder, e não de toda a sua plenitude; ou disser que este seu poder não é ordinário e imediato, quer sobre todas e cada uma das igrejas quer sobre todos e cada um dos pastores e fiéis – seja excomungado.

Ao Papa Francisco, por exemplo, Deus ter-lhe-a dado plenos poderes de Papa. Se o Romano Pontífice resolve expressar-se apenas a um nível mais modesto como um "primus inter pares"... hum...

Estamos a viver os efeitos da infiltração lenta de doutrinas heréticas, de tal forma que hoje já são o "ar que se respira". O próprio erro é veiculado pelos instrumentos da Santa Igreja... Devido a uma ignorância possivelmente não culpável (depende dos casos) pouco mais se pode fazer do que rezar e difundir a doutrina entre os próprios católicos.

E mais não digo... por hoje.

13/03/13

HABEMUS PAPAM (13/03/2013)

Obrigado meu Deus por fazerdes mais claro o peso da nossa cruz.


11/02/13

RESIGANÇÃO!?...

Depois da notícia preocupante da resignação de Bento XVI, notícia que se espalha e repete, ainda havemos de saber porque motivo este Papa decidiu apertar com as regras do conclave dias antes de anunciar o Summorum Pontíficum Cura com uma temida carta aos Bispos.

Diz-se que Bento XVI é o sétimo papa a resignar, mas sem fazer distinção dos motivos, o que preocupa.

Clemente I (séc. I) havia resignado, contudo por motivos de ter sido exilado, o mesmo veio a acontecer com o papa Ponciano (séc. III). Em 537 o papa Silvério foi banido pelo Imperador e forçado directamente a resignar. No séc. XI Bento IX foi deposto, voltou, resignou, voltou e foi deposto. Em 1294 Clemente V resignou depois de alguns meses de eleição não se sabe muito bem o motivo embora se saibam as circunstâncias em que foi eleito e que perduraram após a eleição. Já Gregório XII resignou por não ser verdadeiro papa e, assim, acabar com a existência de dois "papas" (cisma do Oriente).

Bento XVI, a idade avançada perante a energia do mundo... o mundo... idade avançada... humm!!!

Vereis qual o passo seguinte...

Dia 28 de Fevereiro de 2013, às 19H (Lisboa/Londres) a Cadeira de Pedro ficará vacante.

Foi escolhido o ano 2013, o Decano Card. Sodano (o mesmo que, em Portugal, no ano 2000, anunciou o "segredo" falseado - já hoje vi o Cardeal segurar um sorriso!). Ângelo Sodano foi aquele que, depois de se ter "reformado", passou a habitar instalações nos jardins do Vaticano e pediu mais secretários (5 ao todo) - assim testemunhou Mons. Fellay!

08/02/13

HISPÂNIA - SUMOS SACERDOTES DA GALÉCIA

Siricio, Papa
"O Papa Sirício, na sua Decretal do ano 384 a Eumerio, Bispo de Tarragona, chama aos bispos das igrejas metropolitanas da Hispânia Sumos Sacerdotes, dentro das suas províncias.

Bem poderia ser já Bispo de Braga Paterno, de que há notícia no ano 400. De qualquer forma Paterno foi Sumo Sacerdote ou Metropolita da Província Galaico-bracarense."


(de fonte por mim perdida)


21/10/12

O QUE É UM "TRONO"?

O que resta do trono real português que por cá mais conhecemos
Abundam pela internet imagens de cadeiras às quais alguns chamam "trono". Criou-se a ideia, e moderníssima ideia, de que o trono seria uma cadeira. Venho então partilhar algumas noções a respeito do que é verdadeiramente um "trono".
Armação de um trono na Academia Real de Ciências (Lisboa)
em tempo de D. Carlos

O trono é formado por dois elementos: degraus cobertos por docel ou cúpula. Simplesmente!

No trono pode haver cadeira, banco, sofá, ou coisa alguma para sentar ou deitar. Pode armar-se um trono provisoriamente, e depois desarmar e guardar.

Trono do Palácio Real em Buckingham
Tantas e tantas vezes os Reis receberam em pé no trono, sem que no momento houvesse qualquer assento.

Nas casas principais dos nobres (restrinjo-me ao que é português e tradicional, pelo menos) há que ter Sala de trono (com trono armado ou não armado). Evidentemente, a esmagadora maioria dessas nobres casas nunca receberam o Rei. Contudo, a sala do trono é requisito próprio de tais casas.

Pontifical na Sé de Évora (Portugal, 1946)
O mesmo acontece quanto ao clero: há nas casas principais trono para o Papa, melhor dizendo, para e seus representantes. A regra, na verdade, é mais extensa que estes apontamentos principais.


Sala do trono em casa nobre, em uma vila,
aquando da visita de D. Manuel II
Trono, na Turquia onde o Sultão costuma usar sofá
Trono do Palácio Real do Prado (Madrid - Espanha)
D. Carlos por ocasião das Cortes
Palácio de S. Bento (Lisboa - Portugal) - fotografia

Hoje, mais que nunca, é importe recordar os tronos dos altares, que é coisa muito própria em Portugal (e é uma rara concessão) e que se tornou uma quase marca própria dos portugueses. O trono é colocado no retábulo, é formado por uma "escadaria" coberta com cúpula (que muitas vezes imita panos, porque imita o docel), situa-se no centro do retábulo logo acima do sacrário (sobre estas matérias ainda haveria várias outras considerações a fazer, e serão feitas em tempo oportuno). Estes tronos devem ter nunca menos de 20 velas (incluindo as da banqueta e tocheiros).

Trono ao centro do altar da igreja de S. Victor (Braga - Portugal)
Papa Pio XII
Cadeira de trono usada pelo Papa Leão XIII


Não mais se confunda "trono" com as cadeiras adornadas que foram usadas em tronos. Há também cadeiras feitas unicamente para os tronos "cadeira de trono", ou feitas para usar no trono e fora dele (em certas ocasiões).

Sala do Trono do Palácio Real de N. Sra. da Ajuda (Lisboa - Portugal)

O trono não tem que abrigar apenas a Real pessoa, podendo abrigar a Alteza Real, e mais.

Brasil - montagem museológica.
Trono napoleónico no Castelo de Fontaine Bleau (França)

Curiosamente, e é caso para um estudo mais aprofundado, há sinais de que aos monarcas revolucionários (liberais e "republicanos") lhes ficou ocultada a tradição, ou não a entenderam nunca. Vemos isso, por exemplo, na pouca altura dos doceis e pelo uso de longos cetros.Com isto ri-se a monarquia tradicional da presunção da "monarquia" liberal!

04/10/12

ALGUMAS MEMÓRIAS DA CAPELA REAL DO PAÇO DA RIBEIRA (II)

D. João III
 “Quanto à Capela Real, não afroxou el-Rei D. João III na devoção paterna, e obteve do Santo Padre Adriano VI, que por Breve de 22 de Maio de 1522 lhe concedesse o resar-se lá, todos os sábados da Mãe de Deus, e nas terças feiras de S. Miguel, Oficio e Missa solene, eceptuados os dias em que houvesse festa duplex, pois nesse caso se celebraria o Ofício no dia imediato.

Há um pormenor, que mostra o apuro do luxo artístico-religioso em que então se vivia cá: el-Rei D. João encomendou a Francisco de Holanda (nada menos) o desenho para as Hóstias que se usavam em todos os mosteiros de Portugal; desenho que depois foi gravado num cunho por um tal Frei Lopo (outro nome para os anais da nossa gravura).

Era mestre da Capela Real em 1551 Francisco Rodrigues; chantres Manuel Cardoso e António Fernandes, todos capelães e cantores. No tempo de Bluteau chamava-se por antonomásia “Bispo cortesão” ao prelado do título in partibus, que presidia ao coro e aos pontificais na Capela Real.

Que nesta casa eclesiástica se conservou sempre muito esplendor, prova-o a menção que certo autor nos faz de “toda a Capela del-Rei, com suas charamelas e trombetas, que de quando em quando tocavam alguns motetes, e cantavam salmos e hinos” na festa do Corpo de Deus em 1557.

À Capela Real em dias del-Rei D. João III refere-se um caso lastimoso, em cuja descrição será melhor não nos determos: o desacato cometido por um fanático herege, inglês de nação, contra a Hóstia Consagrada, no próprio momento em que o Padre Julião Soares, Capelão do Paço, a erguia entre as suas veneráveis mãos. Não se deu o triste facto na capela, mas sim numa sala, onde o Rei, como muitas outras vezes, desejou assistir aos santo Sacrifício. Foi isto um Domingo 11 de Dezembro de 1552, logo depois de celebrados os desposórios dos Príncipes (D. Manuel de Meneses – Chron. De D. Sebastião, cap, V).

A esse desacato infame, seguiu-se, terrível castigo: o perverso foi queimado vivo no terreiro do paço, em frente das janelas do palácio, assistindo toda Lisboa.

No oratório particular do paço da Ribeira celebrou-se, em 27 de Janeiro de 1554, o cerimonial do batizado do pequenino Príncipe que veio a ser o Rei. D. Sebastião. Foram padrinhos el-Rei D. João III avô do neófito, e o Infante D. Luís, e madrinha a Rainha D. Catarina, Foi o menino levado à Pia pela Camareira mor D. Joana d’Eça, e lançou-lhe as águas lustrais o Cardeal D. Henrique.

30/05/12

OBRIGATÓRIO PARA ESTES TEMPOS

Neste momento é fundamental que os católicos tenham claros certos pontos do Catolicismo:

- DOUTRINA: tudo o que entre os católicos não esteja em conformidade com a Doutrina, a moral e os bons-costumes (católicos), não é realmente católico (não é da Igreja Católica, nomeadamente os pecados privados de cada um que são eles mesmos condenados por Ela e contra as Virtudes que ela ensina como remédio).

- HIERARQUIA CATÓLICA: Se algum membro da católica hierarquia, afirmar algo que diminua ou contrarie a Doutrina da Igreja, ou a moral, ou os bons-costumes, independentemente da intenção que tal membro tenha, com isso não faz vincular realmente tais acções ou afirmações como coisa da Igreja. Tais afirmações ou acções, ou até mando, só sairiam da responsabilidade meramente individual.

- JUSTIÇA: Se em algum ponto de algum Direito Canónico não estiver totalmente conformado à Doutrina, moral, e bons-costumes católicos, tal ponto, na realidade, teria valor nulo na Santa Igreja. Pois o Direito Canónico surge da necessidade de ordenar e possibilitar no campo da justiça os ensinamentos Divinos que são eles mesmos a Vontade revelada por Deus.

- PASTORAL: A pastoral legítima é uma humilde serva da Doutrina (não pode ser de outro modo), e nasce do esforço prático de encaminhar as almas aos mesmos Divinos ensinamentos para a santificação e a salvação da alma. O PASTOR guia as ovelhas (daqui vem o nome de "pastoral"). Se, em algum ponto uma Pastoral diminuir, obscurecer, contrariar a Doutrina ou a Moral e os bons-costumes católicos é uma má pastoral que pouco ou nada pode ser chamada de Católica.

- RITO ROMANO: Por Tradição este é o coração do Rito Católico, referência pela qual se examinaram todos os restantes Ritos católicos. Ele provêm da Tradição unicamente, a do Apóstolo S. Pedro, e todo o seu desenvolvimento tem como única finalidade a força de afirmar o edifício que é o próprio Rito e o que ele contêm.

- MISSAL ROMANO: O Missal Romano (não confundir com Rito Romano), é a codificação do Rito Romano (da Missa). Para segurança da Fé, teve de ser codificado infalivelmente (assim o declara o Concílio Ecuménico de Trento) por autoridade de S. Pio V. Está protegido por Bula sobe pena de excomunhão (visto que a Missa é assunto muito especialmente inseparável da Fé, - Doutrina -). Por identificação, hoje é conhecido como Missal de S. Pio V, ou seja, o único Missal Romano propriamente dito. É importante saber que ele não resultou de uma construção de gabinete, pois é uma codificação (uma fotografia) ritual legada pela Tradição. Já o Missal de Paulo VI é uma composição baseada ora no Rito Romano ora no rito luterano de forma a eliminar os elementos que no Rito Romano choquem a doutrina protestante, (o Cardeal Ratzinger dele disse que é um "missal fabricado" - o responsável pela elaboração de tal missal foi Monsenhor Annibale Bugnini que explicou ser esta uma tentativa de aproximação ao protestantismo). Ao contrário do que se espalhou, o missal de Paulo VI é um projecto que não vêm do Concílio Vaticano II, mas foi rejeitado pelo próprio Concílio.

- MISSAL DE PAULO VI: Doutrinalmente, todos aqueles elementos que ao longo de séculos afirmaram a Fé e eram contrários à heresia protestante, foram retirados ou diluídos nesta composição e, em alguns casos, foram até introduzidos elementos que reforçam as heresias protestantes contrárias à Doutrina contida na Santa Missa. A igreja luterana emitiu um comunicado que dizia que essa composição era compactível com o Luteranismo.

- CONCÍLIO VATICANO II: É um caso ambíguo por três motivos fundamentais: 1) Há teses não refutadas, e ignoradas, que apontam no sentido de uma quebra de legitimidade no decurso do mesmo Concílio. 2) Caso o Concílio tivesse sido realmente legítimo até à sua conclusão, há ainda a questão de não ter havido outro na Igreja que tivesse reunido com todo o vigor apenas para se pronunciar a nível pastoral (não confundir os títulos, como o de "Constituição Dogmática", com pronunciamento dogmático). Paulo VI e o Cardeal Ratzinger tinham-se pronunciado a respeito disto explicando que afinal tal Concílio se quis apenas pronunciar num nível mais modesto (pastoral). 3) Há ainda quem julgue que o Concílio se pronunciou infalivelmente e, por isso, o tome com valor de lei, de tal forma que a Doutrina de sempre deveria submeter-se-lhe. Toda a Doutrina, portanto, teria de ser interpretada à luz do Concílio Vaticano II. Nesta linha, há ainda (cada vez menos) quem  ache que não só a Doutrina de sempre teria de ser interpretada à luz deste Concílio como ele mesmo teria de ser interpretado à luz de um "espírito do Concílio". O Novo Catecismo, por sua vez, em vez de corrigir estes problemas, acentua-os e parte do próprio problemático Concílio na tentativa de reformular uma parte significativa da Doutrina de sempre magistralmente codificada no Catecismo de Trento (ele sim obrigatório e não dispensável - há várias adaptações fundadas no Catecismo, uma das mais famosas é o Catecismo de S. Pio X pela formulação didáctica).

- PAPA: O Papa pode gozar de infalibilidade em certas ocasiões e dentro de certas condições rigorosamente estabelecidas infalivelmente (Dogma da Infalibilidade Papal) no Concílio Vaticano I. O Papa está obrigado a guardar a Doutrina de sempre e a não aceitar novidades doutrinais (explico: a desviar, diminuir, obscurecer, inventar, introduzir etc...). A Santa Igreja, pela boca autorizada de Doutores da Igreja, e santos (e aprovando-lhes as seguintes conclusões), tem como certo que: se um Papa ou Bispo ensinar ou mandar fazer algo contrário à Doutrina (e a moral e bons-costumes)  católicos) - independentemente da intenção pessoal - devem ser desobedecidos nesse ensinamento ou mando pontual porque o católico está obrigado à obediência absoluta a Deus que expressa a sua Vontade na Doutrina (etc..). O novo argumento que tem corrido hoje é de que o Espírito Santo não abandonaria a sua Igreja permitindo a confusão na hierarquia... contudo, como já se deve ter entendido neste parágrafo, a Vontade de Deus expressa-se inequivocamente na Santa Doutrina de sempre a qual todos os católicos estão obrigados (sejam eles da hierarquia ou não). Esta condição é,  portanto, regra obrigatória e referência máxima pela qual os grandes santos foram pautados e por isso canonizados. Esta condição é a mesma que tem de estar satisfeita para num acto (pronunciamento) que se queira fazer como Infalível (por exemplo, na infalibilidade Papal).

- HERESIA: Esta existe unicamente quando há uma afirmação que não esteja em acordo com a Santa Doutrina (que é imutável e infalível). Contudo, tal heresia pode não estar formalizada como tal: seria o exemplo de além ter feito a afirmação de que Deus não é trino sem que as autoridades da Igreja o saiba ou sem que elas se tenham pronunciado a respeito do indivíduo. A heresia passa a ser formal quando o indivíduo, depois de ter afirmado a heresia, a continua a sustentar depois de ter sido confrontado com as explicações da Doutrina por parte de um representante da Autoridade da Igreja. Ninguém, portanto, é dado como herege formalmente (e fica assim claramente rompido o vínculo com a Santa Igreja), por mera ignorância e sem vontade. Hoje a heresia nunca esteve tão propagada, e até estabelecida e todas as suas formas, sem que a Autoridade a afronte (por isso não tem havido "heresia formal" nem oficialmente hereges - na minha opinião é a prova mais frontal de uma Apostasia Geral, curiosamente "silenciosa").

- IGREJA: Deus, pessoalmente, na Pessoa do Filho (Jesus Cristo), fundou uma comunidade (Ecclesia - que traduzimos à nossa língua por Igreja e que significa Comunidade). A Igreja é constituída de: Igreja Militante (aquela que militamos aqui na Terra), Igreja Purgante ou Padecente (purgatório, onde as almas com custo de dor se vão libertando e purificando para alcançarem o Céu), Igreja Triunfante (o que costumamos chamar Céu). Por excelência esta é a Comunidade (letra maiúscula), portanto Igreja, e APENAS depois d'Ela foram inventadas outras igrejas (comunidades) que, ao longo de séculos e milénios, tentam de várias formas reclamar-se como sendo aquela que Deus fundou (ou, segundo algumas, que Deus teria hoje fundado...enfim). Uma das verdades doutrinais transmitidas pela Santa Igreja é de que fora d'Ela não há salvação possível (contando com os casos extraordinários do "baptismo de sangue" e "baptismo de desejo"). A Igreja é imaculada (não tem mancha), santa (dela não provêm qualquer pecado), inerrante (não tem erro)... contudo muitos católicos hoje, por não terem sido já doutrinados na Doutrina de sempre, não sabendo sequer o que é a Igreja (confundem-na) ficam chocados com uma Doutrina que sempre os seus antepassados conheciam, tinham como certa, e transmitiam. É famoso o caso de um degenerado teólogo pós-conciliar, hoje muito repetido, que disse que a Igreja seria santa MAS também pecadora - o que é uma corrupção do significado de "ser santa" que sempre foi transmitido  e abunda em grandes escritos sumamente aprovados ao longo de dois milénios - e por isto quando certos católicos rezam o Credo, chegados à parte do "Creio na Igreja, una, santa...", é como se estivesse a rezar com uma OUTRA crença (porque dão outro significado), ao mesmo tempo que as palavras se mantêm as mesmas (uma das características do modernismo).

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