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28/04/18

21/03/16

Sto. Afonso de Ligório - SERMÃO DO DOMINGO DE RAMOS (III)

(continuação da II parte)

III
O Costume de Pecado Enfraquece as Nossas Forças

10. Despedaçou-me com feridas sobre feridas, lançou-se a Mim como um um gigante (Job 16. 15). São Gregório parafraseia assim este texto: O primeiro golpe que recebe um homem assaltado por um inimigo, não o põe fora de combate, mas se recebe um segundo golpe, um terceiro, perderá as suas forças e enfim a sua vida. Tal é o efeito do pecado; na primeira ou na segunda vez que a alma está ferida, ainda lhe ficam algumas forças provenientes da graça Divina; mas se a alma continua a pecar, o mal tornado habitual é então para ela como um gigante ao qual não pode resisti. São Bernardo diz que o pecador de hábito parece um homem deitado debaixo de uma enorme pedra e que, não podendo sublevá-la, muito dificilmente se levantará: Dificilmente se levanta aquele que está debaixo da pedra dos maus hábitos.

11. S. Tomás de Vilanova escreveu que a alma desprovida da graça de Deus não pode ficar longo tempo sem cometer novos pecados (Conc. 4. dom. 4 Quadrag.). E S. Gregório, sobre esta passagem de David: Ó meu Deus, torna-os semelhantes às folhas levadas pelo torvelinho semelhantes à palheira diante do vento (Salm. 82. 14). Vede como a palha é levada pelo menor vento; assim o pecador, que, antes de contrair o costume do pecado podia resistir algum tempo, logo que este mau hábito está tomado, deixa-se arrastar pela menor tentação de pecado e cai em queda após queda. Os pecadores de costume, como escreveu S. João Crisóstomo, estão tão fracos contra os ataques do demónio, que muitas vezes são forçados a pecar mesmo contra a sua própria vontade, arrastados pela força do mau hábito: duro é o costume que obriga a cometer coisas ilícitas aos que nem sempre querem. E isso, porque no sentimento do mesmo Sto. Agostinho, o hábito de pecar torna-se com o tempo uma necessidade de pecar. Quando não se resiste a um costume, torna-se necessidade.

12. S. Bernardo de Siena acrescenta que o costume se torna uma natureza [como que segunda natureza]. E desde então o pecado torna-se, para o pecador de hábito, tão necessário como a respiração para a vida do corpo; e o pecador fica-lhe totalmente escravo. Há servidores que trabalham mas com um salário. Os escravos trabalham sem salário e até forçadamente. A este último grau chegam os pecadores de hábito, porque pecam muitas vezes sem nenhuma satisfação, apenas como escravos do demónio, sem salário. S. Bernardo compara-os aos moinhos de vento, que continuam a fazer girar a mó quando já não há grão para moer, quer, dizer, que os pecadores sem ocasiões presentes continuam a pecar, ao menos por maus pensamentos. Os desgraçados, diz S. João Crisóstomo, desprovidos do auxílio divino, já não agem conforme à sua vontade mas conforme à vontade do demónio: O Homem, perdendo a graça de Deus, não faz o que quer, mas o que o demónio quer.

13. Ouvi, acerca deste assunto, o que um autor narra ter acontecido numa cidade da Itália: Um jovem inclinado a um vício de costume, apesar de ter sido chamado muitas vezes pela voz discreta de Deus, e avisado por outras pessoas para mudar de vida, perseverava no pecado. Um dia o Senhor feriu de morte súbita uma das suas irmãs diante dos seus olhos. Ele foi comovido por algum tempo; mas mal ela foi sepultada, ele esqueceu a lição, e voltou à sua inclinação. Depois meses depois da morte de sua irmão, ele próprio caiu à cama, doente com uma febre lenta: mandou chamar um sacerdote para se confessar, mas apesar de tudo isso, exclamou um dia: ai de mim! Reconheço tarde demais todo o rigor da Justiça Divina! E dirigindo-se ao médico diz-lhe: não vos fatigueis mais com os remédios, porque o meu mal não tem cura e eu sinto que ele me leva ao túmulo. Depois, voltando-se para aqueles que o cercavam disse: Sabei que como não há remédio para o meu corpo, também não há para a minha alma, que está inclinada a uma morte eterna. Deus me abandonou, eu vejo isto ao endurecimento do meu coração. Alguns amigos tentaram reanimar a sua confiança na misericórdia de Deus, mas repetia sempre: Deus abandonou-me. Aquele que narra este facto acrescenta que ficando sozinho com este desgraçado jovem, lhe disse: Tomais coragem, uni-vos a Deus; tomai o Santo Viático, mas o doente respondeu-lhe: Amigo, falai a uma pedra; a confissão já a fiz e foi sem contrição; Não quero agora nem confessor, nem sacramento, não levai o Viático, porque isto seria dar-me uma ocasião de fazer um escândalo. O autor deixou-o todo aflito e pouco depois regressando para o ver, os parentes lhe disseram que morreu na noite precedente, sem nenhum auxílio espiritual, e perto do quarto do doente, se ouviam uivos tremendos.

14. Eis o fim do pecador de hábito. Pecadores, meus irmãos, se vos encontrais nos laços dum hábito culpável, fazei depressa uma confissão geral; porque as vossas até agora não foram boas. Saí rapidamente da escravidão ao demónio. Ouvi o que vos diz o Espírito Santo: Não dês a tua honra a estranhos, nem os teus anos a um cruel (Provérbios 5. 9). Porque quereis continuar a servir um mestre tão cruel como o demónio, o vosso inimigo, que os faz levar uma vida tão miserável, para vos conseguir uma vida ainda pior, no inferno durante toda a eternidade: Lázaro sai fora: sai dessa fossa do pecado; entregai-vos a Deus que vos chama e vos abre os braços para vos abraçar, se voltais aos seus pés: Ah! Tremei, que não seja a última chamada cujo desprezo acarrete a vossa danação.

23/08/13

OBSTÁCULOS À VIDA SOBRENATURAL


Os obstáculos que ameaçam a existência ou crescimento da nossa vida sobrenatural podem resumir-se aos seguintes:

- O pecado mortal, que é o obstáculo radical, porque destrói por completo a vida divina da alma;
- O pecado venial, principalmente deliberado, a tristeza, o hábito do pecado venial deliberado, e as imperfeições: todos estes, sem destruir nem diminuir a graça da vida sobrenatural, empenha a sua beleza, debilita a sua actividade e freia o seu crescimento;
- As inclinações viciosas, os defeitos naturais, e principalmente o defeito dominante: são a fonte ordinária dos nossos pecados e imperfeições.

O pecado tem uma triple causa:

- A carne, que é a nossa natureza desordenada, na qual o pecado original deixou uma tripla concupiscência que nos arrasta ao pecado: a concupiscência dos olhos, o afã desordenado de bens e riquezas temporais; a concupiscência da carne, o afã desenfreado dos prazeres dos sentidos; e a concupiscência do espírito, o afã desmedido das honras e vontade própria;
- O demónio, que é o conjunto de anjos caídos que nos puxam ao pecado instigando a nossa tripla concupiscência por meio das tentações;
- O mundo, que é o conjunto de homens que se regem pela triple concupiscência, e de que o demónio se serve como de instrumento para conduzir as almas à eterna condenação, pelas suas falsas máximas, modas, escândalos, espectáculos, perseguições, etc.

Assim como para crescer na vida sobrenatural há que desenvolver o gérmen da vida que Deus estabeleceu nas nossas almas pela graça, assim também para protegê-la e defendê-la há que combater esse triplo gérmen de morte (mundo, demónio, e carne) por meio de uma luta enérgica, vigilante e contínua. A mortificação cristã é uma condição indispensável e necessária para conservar a vida sobrenatural no nosso presente estado de prova.

(P. José Maria Mestre - apontamentos. Tradução ASCENDENS)

19/07/13

DO "NOVO MANUAL DO CATEQUISTA" (VIII)


(da primeira parte)

VII CAPÍTULO
Remissão dos Pecados - Pecado

Creio... na remissão dos pecados.
 
133. Que quer dizer "remissão dos pecados"?
R: Remissão dos pecados quer dizer que Jesus Cristo deu aos Apóstolos e aos sucessores o poder de perdoar na Igreja todos os pecados.

134. Como se perdoam os pecados na Igreja?
R: Os pecados na Igreja perdoam-se principalmente com os sacramentos do Baptismo e da Penitência, instituídos por jesus Cristo para este fim.

135. O que é o pecado?
R: O pecado é uma ofensa feita a Deus, desobedecendo à sua lei.

136. De quantas espécies é o pecado?
O pecado é de duas espécies: original e actual.

137. Que é o pecado original?
R: O pecado original é o pecado que a humanidade cometeu em Adão sua cabeça, e que de Adão todos os homens contraem por descendência natural.

138. Entre os filhos de Adão foi alguém preservado do pecado original?
R: Entre os filhos de Adão foi preservado do pecado original só Maria Santíssima; a qual por ter sido escolhida para Mãe de Deus, foi "cheia de graça"* e portanto sem pecado desde o primeiro instante; por isso a Igreja celebra a sua Imaculada Conceição. (* S. Lucas, I, 28)

139. Como se apaga o pecado original?
R: O pecado original apaga-se com o santo Baptismo.

140. Que é o pecado actual?
R: O pecado actual é aquele que comete voluntariamente a pessoa que tem o uso da razão.

141. De quantos modos se comete o pecado actual?
R: O pecado actual comete-se de quatro modos, isto é, por pensamentos, por palavras, por obras e por omissões.

142. De quantas espécies é o pecado actual?
R: O pecado actual é de duas espécies: mortal e venial.

143. Que é o pecado mortal?
R: O pecado mortal é uma desobediência à lei de Deus em matéria grave, feita com plena advertência e consentimento deliberado.

144. Porque é que o pecado grave se chama mortal?
R: O pecado grave chama-se mortal, porque priva a alma da graça divina que é a sua vida, tira-lhe os merecimentos e a capacidade de adquirir outros novos, e torna-a digna de pena ou morte eterna no inferno.

145. Se o pecado mortal torna o homem incapaz de merecer, é então inútil que o pecador faça boas obras?
R: Não é inútil que o pecador faça boas obras, pelo contrário deve fazê-las, não só para se não tornar pior omitindo-as e caindo em novos pecados, mas também para se dispor com elas de algum modo para a conversão e para recuperar a graça de Deus.

146. Como se recupera a graça de Deus perdida pelo pecado mortal?
R: A graça de Deus, perdida pelo pecado mortal recupera-se com uma boa confissão sacramental, ou com a dor perfeita que perdoa os pecados, ficando no entanto a obrigação de os confessar.

147. Juntamente com a graça, recuperam-se também os merecimentos perdidos pelo pecado mortal?
R: Juntamente com a graça, por suma misericórdia de Deus, recuperam-se também os merecimentos perdidos pelo pecado mortal.

148. Que é o pecado venial?
R: O pecado venial é uma desobediência à lei de Deus em matéria leve, ou em matéria por si grave, mas sem toda a observância e consentimento.

149. Porque é que o pecado não grave se chama venial?
R: O pecado não grave chama-se venial, isto é, perdoável, porque não tira a graça, e pode obter-se o perdão dele com o arrependimento e com boas obras, mesmo sem a confissão sacramental.

150. O pecado venial causa dano à alma?
R: O pecado venial causa dano à alma, porque a esfria no amor de Deus, a dispõe para o pecado mortal, e a torna digna de penas temporais nesta vida e na outra.

151. Os pecados são todos iguais?
R: Os pecados não são todos iguais; e como alguns pecados veniais são menos leves do que outros, assim alguns pecados mortais são mais graves e funestos.

152. Entre os pecados mortais, quais são os mais graves e funestos?
R: Entre os pecados mortais, são mais graves e funestos os pecados contra o Espírito Santo e os que bradam ao céu.* (* Fórmulas 24 e 25)

153. Porque é que os pecados contra o Espírito Santo são dos mais graves e funestos?
R: Os pecados contra o Espírito Santo são dos mais graves e funestos, porque com eles o homem se opõe aos dons espirituais da verdade e da graça, e por isso, ainda que possa converter-se, dificilmente se converte.

154. Porque é que os pecados que bradam ao céu são dos mais graves e funestos?
R: Os pecados que bradam ao céu são dos amis graves e funestos, porque directamente contrários ao bem da humanidade e odiossíssimos, provocam, mais que os outros, os castigos de Deus.

155. Que é que particularmente serve para nos desviar do pecado?
R: Para nos desviar do pecado serve particularmente o pensamento de que Deus está em toda a parte e vê os segredos dos corações, e a consideração dos Novíssimos, isto é, do que nos espera no fim desta vida e no fim do mundo.

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