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23/07/16

D. MARCEL LEFEBVRE: COMO PORTUGAL, REEDIFIQUEMOS A CRISTANDADE


Em 1969, a revista portuguesa anti-católica (mas anunciada como católica), de nome GEDOC, publicou este artigo, intitulado "Mrg. MARCEL LEFEBVRE":

Papa Pio XII com o seu Delegado Apostólico D. Marcel Lefebvre, Arcebispo de Tulle.
""a exemplo de Portugal, é preciso reedificar a cristandade" [Mrg. M. Lefebvre]
O boletim do "Cercle dínformation civique et sociale" (51, Rue de la Pompe, Paris - 16) publica o texto de uma conferência de monsenhor Marcel Lefebvre, antigo geral dos Padres Espiritanos, pronunciada em Paris no decurso de um jantar organizado pela Union des intellectuels indépendants, a que preside M. François Cathala.
Depois de ter falado da crise moral contemporânea e da situação relativamente florescente do catolicismo sob o pontificado de Pio XII, "papa excepcional", - o prelado traçou a história do Concílio que "desde os primeiros dias foi invadido pelas forças progressistas" e falou da maneira "escandalosa" como foi atacada a Cúria.
Fazendo notar que Vaticano II não foi, como os concílios precedentes, de carácter "dogmático", monsenhor Lefebvre foca a profissão de fé de Paulo VI: "É um acto que, sob o ponto de vista dogmático é mais importante que todo o Concílio (...). Empenha a fé da Igreja (...). É sobre a fé católica e romana reafirmada pelo sucessor de Pedro, que se impõe, reconstruir a cristandade... com os princípios que serviram para a sua construção".
Depois de ter pronunciado o elogio de Salazar, homem "excepcional", "admirável", "profundamente cristão" - o orador acrescentou entre outras coisas:
"O que Portugal fez, não há razão alguma para que nós o não possamos fazer também. Não há razão que impeça reconstruir a sociedade cristã, a família cristã, a escola cristã, a corporação cristã, a profissão cristã e o Estado cristão. Seria duvidar da nossa fé. Só os nossos sucessores tirarão proveito disto, talvez: pouco importa!""
Evidentemente, D. Marcel Lefebvre referia-se à sociedade, a vida das pessoas, a moral, recta intenção, não apenas aos sacramentos e doutrina (estas últimas são ordinariamente de primeira linha, quanto à Fé e à salvação da alma; usadas em contradição às outras levariam ao degredo acabando em idolatria). O elogio feito a Salazar não significou o elogio à república; nem o Estado Novo (de Salazar) foi realmente republicano: o Estado Novo foi a nossa monarquia em espera do seu rei ausente (ao Cardeal Patriarca de Lisboa, António Cerejeira, Salazar, certa vez confessou que "sempre me senti vocacionado para ser Ministro de um Rei absoluto" - eis um Marquês de Pombal bom). Salienta-se, mais que tudo, a referência de Mrg. Lefebvre a Portugal e à Cristandade.

06/06/16

ENCÍCLICA - SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS



Para esta altura, recomenda-se a Encíclica Haurietis Aguas (Pio XII), sobre o Culto ao Sacrado Coração de Jesus.

(aqui, a encíclica)

21/07/14

CONGAR - A NOVA ECLESIOLOGIA (V)

(continuação da IV parte)

2. A influência de Chenu
Professor de história das doutrinas cristãs no Saulchoir, o Pe. Chenu foi tomando cada vez mais importância após 1926. Nos anos trinta, elaborou uma espécie de nova teologia, que pretendia honrar S. Tomás de Aquino (cujos ensinamentos eram obrigatórios), mas que na realidade, tentava relativizá-la: "Não nos faltou a audácia para pegarmos de repente, num dos maiores Doutores da Igreja, separando-o das verdades eternas para o inserirmos no espaço temporal", separando-o das verdades eternas para o inserirmos no espaço temporal", explicava Chenu; enquanto o Pe. Congar ao entrar em 1925 para os dominicanos, era nomeado professor no Saulchoir em 1931, e sofrendo directamente toda a influência do Pe. Chenu, relatava o seguinte: "Quando entrei para o Sauchoir, já tinha uma certa experiência do tomismo (...). No domínio da filosofia, S. Tomás já estava certamente ultrapassado. A sua psicologia racional, por exemplo, a sua crítica do conhecimento (a epistemologia) não podiam ser suficientes. O Pe. Roland-Gosselin, nosso professor, comentava Descartes, Kant... . No entanto, o Tomismo constituía o pano de fundo da nossa formação intelectual. A Suma de S. Tomás era o nosso manual; nós comentávamo-la artigo a artigo. Já não o poderíamos fazer hoje, à excepção talvez de alguns tratados. Devo explicar que S. Tomás de Aquino estava, de novo, inserido no seu contexto histórico. Já não era considerado por nós como uma espécie de oráculo, dominando os tempos, e que teria iluminado de uma vez por todas as grandes verdades da fé." [quanto ao estudar no contexto, o autor quer referir aquele artifício dos nossos tempos com o qual se se quer fazer acreditar que uma obra, ou autor, são mero fruto de um contexto, e afastando assim o leitor e o estudioso de olhar em si mesmas as ideias do autor.]

Ou seja "o método e os princípios que serviram aos antigos doutores escolásticos para a instrução da teologia, já não responderiam às exigências do nosso tempo, nem ao avanço das ciências": o problema todo é que se trata aqui de uma proposição condenada por Pio IX, e depois mais tarde por São Pio X na Encíclica Pascendi!

Pio XII, na sua Encíclica Humani Generis (1950) condenou igualmente esta forma de inserir S. Tomás apenas no seu "contexto histórico": os inovadores, como o deplorava este papa "dizem que a filosofia que ensinamos nas nossas escolas, com a sua apresentação clara das questões e das suas soluções, as suas noções cuidadosamente estabelecidas e as suas claras distinções, pode ser útil para iniciar à teologia escolástica, e estava marvilhosamente adaptada aos espíritos da idade-média; mas, dizem eles, já não se apresenta como o método de filosofar que responde à nossa cultura e às nossas necessidades". São Pio X já tinha, denunciado esta táctica própria aos modernistas: "A filosofia escolástica é relegada para a história da filosofia, entre os sistemas caducados." (Encíclica Pascendi).
Cardeal Suhard

Em 1932, o Pe. Chenu foi nomeado reitor dos estudos no Saulchoir, e em 1937 publicou um pequeno livro audacioso, onde expunha a sua maneira de ensinar S. Tomás de Aquino: "Une école de théologie, le Saulchoir". O Santo-Ofício ficou preocupado, o Pe. Chenu deu mostras de se retrair. Em 1942, sob Pio XII, este livro foi colocado no Índex, e o Pe. Chenu foi destituído do seu cargo de reitor do Saulchoir pelo motivo que "desacredita a teologia escolástica, o seu carácter especulativo, o seu método, o valor das conclusões que tira da revelação; e todo este descrédito recai sobre S Tomás". No entanto, o dominicano modernista teve o apoio de cúmplices, mesmo entre os cardeais: "O Cardeal Suhard confrontou-me nessa altura. Fez-me chegar até ele, e disse-me textualmente: 'Pequeno Padre, não se perturbe, daqui a vinte anos, todos falarão como o senhor'. Isto passou-se em 1942; em 1962, João XXIII dava abertura ao Concílio."

(a continuar)

06/01/14

A COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA EM FÁTIMA (1946)

Não pela opinião do autor, mas pela informação contida:

"Foi a 1 de Maio de 1946 que se celebrou a coroação de Nossa Senhora, em Fátima.

Reacendia-se nas almas a chama sagrada do cristianismo. Fátima era considerada o Altar do Mundo!

As azinheiras cresceram, a primitiva capelinha dera lugar a um grandioso edifício, uma basílica, de braços abertos a receber os fiéis, de todas as raças, de todos os continentes, que ali se dirigem com fé. Fátima delatava-se, e constituia pedra basilar do cristianismo do nosso tempos; convertia-se, verdadeiramente, na Pátria adoptiva de Nossa Senhora, Terra inalienável da Mãe de Deus. Terra de Santa Maria.

Como dissemos, celebrava-se naquele dia, o tri-centenário da proclamação, em Cortes Gerais, da Virgem Maria, Padroeira de Portugal, para se proceder à coroação da Mãe dos homens.


Fátima, nesse dia festivo, abraçara cerca de oitenta mil pessoas, oriundas de quase todos os pontos da Europa. De Roma, veio especial Embaixada, presidida por Sua Eminência o Cardeal Masella, legado de Sua Santidade o Papa Pio XII. O Chefe do Estado, então o General Carmona, a par do Governo, fizeram-se representar naqueles actos, vendo-se o Ministro do Interior, que entregou ao Cardeal Legado a belíssima coroa de ouro com pedras preciosas, como oferta dos portugueses, que este colocou na cabeça da Imagem da Virgem de Fátima. Esta cerimónia, foi presenciada pela assistência, dentro do maior respeito e recolhimento.

O Mundo cristão estava ali representado, de joelhos, rezando com fé, pedidndo a conversão dos pecadores, conforme Nossa Senhora tivera dito a Lúcia.

O milagre era visível, cumprira-se a palavra de Deus!

Que dúvida pode existir, perante tão flagrante acontecimento!

Ainda há quem não veja esta verdade?

Os cegos por natureza, não vêm a luz do dia, mas os que são crentes, vêem a luz da verdade, a luz que lhes ilumina as almas apesar de lhes faltar a vista. Enquanto que os ímpios, os incrédulos, são mais cegos do que os próprios cegos de nascença, porquenão vêem Deus através do espírito, por falta de fé.

Os altifalantes funcionavam, transmitindo as cerimónias, quando subitamente se ouviu a voz clara, cheia de verdade, de Sua Santidade o Papa Pio XII, ao falar em português, numa alocução ao povo, reunido em Fátima.

Era essa figura altíssima da Igreja do séc. XX que estava com Fátima, devido às recentes descobertas da humanidade, por meio do dom que Deus confere à inteligência do homem para se elevar no tempo e no espaço.

Sua Santidade o Papa Pio XII estava em espírito em Fátima, transmitindo a sua mensagem: 

"Basta reflectir, nestes três últimos decénios, pelas crises atravessadas e pelos benefícios recebidos equivalentes a séculos; basta abrir os olhos e ver esta Cova da Iria transformada em fonte manancial de graças soberanas, de prodígios físicos e muito mais milagres morais, que a torrentes daqui se derramam sobre todo o Portugal e, de lá, rompendo pelas fronteiras, se vão espraiando por toda a Igreja e por todo o Mundo."

Fátima, tinha de revelar-se, porque era a vontade de Deus.

Este acontecimento é tão transcendente, que muita gente ainda não compreende, não atingea sua grandeza, a sua projecção no Mundo.

Naquele dia solene,procedia-se à confirmação, ao crisma, oficial, da vassalagem dos portugueses à sua Mãe Santíssima,Padroeira de Portugal.

Depois de tantos anos de luta acérrima contra Fátima, porque alguma coisa de concreto ali se passara, a luz da verdade aclarou os factos, e a heresia foi calcada aos pés da justiça, enquanto que a palavra do Redentor triunfava na serra de Aire, ecoando para todo o mundo.

Grandioso momento para a História da Cristandade. "Eu dou-vos a minha Paz", disse Jesus Cristo, e, essa paz confirma-se naquele dia, Paz com Deus; Paz com os homens; porque se a paz não se tivesse estabelecido, não estaria em Fátima aquela multidão de gente de todos os pontos do Mundo.

Já não católico que não tenha seus sentidos ligados a Fátima, que nas horas angustiosas da sua vida, não tenha evocado Nossa Senhora de Fátima, a milagreira, pelos seu coração bondoso de Mãe."
(José Dias Sanches)

01/02/13

A POMBA, A GAIVOTA, E O DELÍRIO INTERPRETATIVO!

Recentemente, na Praça de S. Pedro, depois do Angelus (28 de janeiro de 2013), Bento XVI lançou duas pombas. Uma delas foi ligeiramente atacada, por uma gaivota, e ficou encolhida numa janela ao lado, esperando o perigo passar. As duas pombas tinham sido lançadas pelo Papa, em sinal de paz, e no enquadramento da chegada da Caravana pela Paz. O acontecimento foi mostrado na comunicação social, etc..

Há dois pólos contrastantes de interpretações a respeito do recente acontecimento: uns tentam minimizá-lo, dizendo que no final a pomba pôde voar tranquilamente; mas outros dão-lhe significados tão preocupantes (e é da interpretação destes que tratarei agora).

Anunciação - painel de mosaicos da capela do Es.Santo e S. João Baptista (Lisboa)
Segundo este artigo que acabei de mostrar a gaivota atacante seria a boa, e a pomba atacada seria a má! Parece-me que o autor, e dois ou três apoiantes da ideia, foram invadidos de uma emoção estranha por, entre súbitas alegrias, terem feito da gaivota uma sua mascote; só apenas depois buscaram suporte racional para os seus derramados sentimentos.

A pomba, entre nós, tem um bom significado, e a gaivota não tem significado (ou se tem é desconhecido do geral). Mas que fundamentos tem o autor do artigo para se inimizar contra a pomba e aplaudirem a gaivota? Eis os supostos fundamentos, segundo o que lhe podemos levantar do artigo:

1 - Gaba-se de que a gaivota é uma ave universal (que em grego se diz "católica"). Logo a gaivota seria aqui símbolo do catolicismo;
2 - Diz que a pomba é um símbolo que tem sido usado falsamente, e por isso está maculado, mas o da gaivota não;
3 - Diz que a gaivota, por ser monogamiaca, é um sinal anti-liberal, porque o liberalismo se relaxa a esse respeito. A gaivota não seria então compactível com o liberalismo nem com a actualidade do Vaticano.

O leitor deve-se ter apercebido já do "altíssimo nível" de fundamentações daquele artigo...!

"Catoliciza" a gaivota, apoiando-se num argumento natural (e meramente quantitativo), esqueceu-se da igual "catolicidade" da pomba, segundos os mesmos princípios. E tudo porque se trata de um ataque a uma pomba lançada por Bento XVI. Oh...  sentimentalismo!

Mas, não só converteram a gaivota, "excomungaram" também a pomba. Segundo a posição dos "gaivoteanos", o uso dos símbolos caducariam assim que inimigo da fé os usassem com outro sentido! Dizem que, depois de João XIII, a pomba começou a ser usada de forma corrompida. Mas aquela pombinha de ramo no bico, que dizem não ser a mesma "pomba católica" que representa o Espírito Santo, aparece no brasão de PIO XII... Enfim...

De forma idêntica fizeram outros idênticos tolos a respeito de outras simbologías, como foi com duas mitras de Bento XVI (1 e 2), assunto que já está tratado.

Para teste, experimentemos substituir na Sagrada Escritura a "pomba", por "gaivota católica", e apaguemos todas as correspondentes representações na arte. 

Brasão de Pio XII
Qual seria o significado da pomba no "milagre das pombas", repetidamente feito por Nossa Senhora de Fátima~, junto à sua imagem, acontecimento que se deu em várias partes do mundo? Será este caso ficado esquecido pelos "adoradores da gaivota"? A emoção roubou-lhes a memória, ou, caso sejam  espanholátricos, pode ser que o seu catolicismo termine em Carlos V...

Podia procurar outras características! Por exemplo, que a gaivota atacante, por baixo com as assas abertas é toda branca, mas sobre as asas é escura, enquanto a pomba lançada pelo Papa era toda branca por igual. Assim fariam passar a pomba por verdadeira e a gaivota por falsas. Mas como isto não convinha à "alegria ruidosa" dos gaivotanianos (fica a sugestão para uma nova irmandade) toca de escolher algo mais rebuscado que encaixasse nas vãs expectativas.

Mais foi dito: que "santa gaivota" é anti-liberal, imagine-se, por ser um dos tantos animais monogâmicos (não me chamem a testemunhar). Mas, afinal a pomba um animal poligâmico?... Se sim, isso deve ser tão importante que Deus nem sequer nos recomendou tolerância para com ela e, mesmo assim a Tradição não se repugnou que ela represente o Espírito Santo.

São interpretações liberais essas dos gaivotanianos, que se desprendem tão generosamente dos factos que só escolhem deles os que agradam, e não se sujeitam a mais. Parece-me que, sinceramente, não é pomba a ave que paira sobre suas cabeças, mas sim uma outra de dorso escuro por cima, e branco por baixo.

 Porque motivo se terão alegrado tanto eles contra a pomba? A resposta parece-me simples: eles identificam-se com aquela gaivota atacante. Mas a mesma euforia une-os com marxistas e maçons, não digo que seja caso de tentarem juntos um "ecumenismo de reacções"...

A conclusão espantosa dos gaivotanianos deve-se a duas coisas: por um lado tomam para si um espaço interpretativo sem temor de reprimendas ou castigos (o que dá aso a tudo o que lhes apeteça), por outro lado têm o vício da reacção contra Bento XVI, seja como for. Com estas duas premissas constroem juízos de qualidade pior aos que desejarão um dia para eles mesmos na hora das contas. À pomba deram-na símbolo da mentira, talvez em homenagem à paz que dizem ter. Com riso nervoso, chamaram ao acontecimento na Praça de S. Pedro "humor de Deus" (cada um tem o deus que lhe apetece)...

O que aconteceu na praça de S. Pedro é bem simples: O Papa lançou as pombas ao perigo, como se o perigo não estivesse  (não o viu no momento, mas estava lá)!

13/06/12

Sto. ANTÓNIO DE LISBOA, DOUTOR DA IGREJA - 13 de Junho

"SANCTUS ATO' ULIXBONENSIS"

Hoje, dia 13 de Junho de 2012, festejamos Sto. António de Lisboa (ou de Pádua - é provavelmente o único santo a ter duas designações oficiais).

Como vai sendo costume, Deus tem marcado a Portugal com este número 13 (vá-se lá saber o motivo).

Festejamos um Doutor da Igreja, patrono secundário de Portugal (sendo o primeiro a Imaculada Conceição, Rainha de Portugal) e chefe militar do Brasil (por iniciativa do saudoso D. João VI).

Real Convento de Mafra
(dedicado à Imaculada Conceição e a Sto. António de Lisboa)

Em 1946, o Papa Pio XII declara Sto. António de Lisboa Doutor da Igreja:


Carta Apostólica
EXULTA LUSITANIA FELIX
Pio XIIPara perpétua memória

"Exulta, ó feliz Lusitânia; regozija-te, feliz Pádua, porque a terra e o céu vos deram um homem que, qual astro luminoso, não menos brilhante pela santidade da vida e pela insigne fama dos milagres do que pelo esplendor da doutrina, iluminou e continua a iluminar todo o universo!

António nasceu em Lisboa, a primeira cidade de Portugal, de pais cristãos, ilustres por virtude e sangue. Pode deduzir-se de muitos e certos indícios que desde os primeiros alvores da vida, foi abundantemente enriquecido pela mão do Omnipotente com os tesouros da inocência e da sabedoria.

Ainda muito jovem, tendo vestido o hábito monástico entre os Cónegos Regulares de Santo Agostinho, durante onze anos dedicou-se com o maior empenho a enriquecer a sua alma com as virtudes religiosas e o seu espírito com a sã doutrina. Elevado depois à dignidade sacerdotal por graça do céu, enquanto vai aspirando à vida mais perfeita, os cinco Protomártires Franciscanos em missão de Marrocos consagram com seu sangue os princípios da Religião Seráfica.

E António, cheio de entusiasmo por triunfo tão glorioso da fé cristã, sentindo-se inflamado de vivíssimo desejo do martírio, (vestido o hábito franciscano), dirigiu-se contente numa nau a Marrocos e chegou felizmente às praias africanas.

Vítima, no entanto, pouco depois, de grave enfermidade, viu-se obrigado a retomar a nau para voltar à pátria. Desencadeando-se então formidável tempestade, e sendo levado para uma e outra parte nas asas do vento e das ondas, finalmente, por disposição divina, é arrojado ao mais remoto extremo da costa italiana. Dali, desconhecendo o lugar e as pessoas, pensou em dirigir-se à cidade de Assis, onde então se celebrava o Capítulo Geral da Ordem dos Menores.

Chegado ali, teve a dita de ver e conhecer o Seráfico Pai São Francisco, cujo dulcíssimo aspecto o encheu de consolação e o incendiou de novo ardor seráfico. Tendo-se divulgado mais tarde a fama da celestial doutrina de António, o mesmo Seráfico Patriarca, ao tomar dela conhecimento, confiou-lhe o ofício de ensinar Teologia aos seus frades, mandano-lhe este suavíssimo diploma: "A Frei António, meu bispo, Frei Francisco deseja saúde.

Apraz-me que ensines aos frades a sagrada Teologia, contanto que neste estudo não extingas o espírito da santa oração e devoção, como na Regra se prescreve''.

António cumpriu fielmente o ofício do magistério, e deve considerar-se o primeiro professor da Ordem Franciscana. Ensinou primeiro em Bolonha, então primeira sede dos estudos; depois em Tolosa e, finalmente, em Montpellier, onde igualmente floresciam os estudos.

António ensinou a seus irmãos, recolhendo frutos abundantíssimos e, como lhe ordenara o Seráfico Patriarca, não deixou esmorecer o espírito da oração, antes o Santo de Pádua procurou instruir os seus discípulos não só com o magistério da palavra, mas ainda muito mais com o exemplo duma vida santíssima, conservando e defendendo especialmente o branco lírio da pureza virginal.

E Deus não deixou de lhe manifestar várias vezes quanto foi estimado pelo Cordeiro Jesus Cristo este amor que tinha à pureza. E fetivamente, enquanto Antônio estava rezando solitário na sua cela eremítica, todo absorto com o espírito em Deus e com os olhos voltados para o céu, eis que, de repente, num raio de luz lhe aparece o Divino Menino Jesus, cingindo-se ao colo do jovem franciscano, e com os seus bracinhos cumula de carícias o nosso Santo que, anjo em carne humana, arrebatado em suavíssimo êxtase, vai pascendo entre os lírios' (Cant 2,16) junto com os anjos e com o Cordeiro Divino.

Os autores coevos dão testemunho da muita luz que brilhou na doutrina de Antônio, aliada da pregação da palavra divina, e com eles os autores mais recentes que unanimemente celebram com altos louvores a sua sabedoria e exaltam até ao céu a sua robusta eloquência.

Quem atentamente percorrer os "Sermões" do paduano, descobrirá em Antônio o exegeta peritíssimo na interpretação das Sagradas Escrituras e o teólogo exímio na definição das verdades dogmáticas, bem como o insigne doutor e mestre em tratar as questões de ascética e de mística - tudo o que, como tesouro da arte divina da palavra, pode prestar não pouco auxílio, especialmente aos pregadores do Evangelho, pois constitui rica mina de onde os oradores sacros podem extrair as provas, os argumentos oportunos para defender a verdade, impugnar os erros, combater as heresias e reconduzir ao recto caminho.

Ademais, como António costumava confirmar as suas palavras com passos e sentenças do Evangelho, com pleno direito merece o título de "Doutor Evangélico". De fato, de seus escritos, como de fonte perene de água límpida, não poucos Doutores e Teólogos e oradores sacros têm extraído, e podem continuar a extrair, a sã doutrina, precisamente porque vêem em António o mestre e o doutor da Santa Mãe Igreja.

Sisto IV, na sua Carta Apostólica Immensa, de 12 de março de 1472, escreve o seguinte: "O bem-aventurado Antônio de Pádua, como astro luminoso que surge do alto, com as excelentes prerrogativas dos seus méritos, com a profunda sabedoria e doutrina das coisas santas e com a sua fervorosíssima pregação, ilustrou, adornou e consolidou a nossa fé ortodoxa e a Igreja católica".

Igualmente Sixto V, na sua Bula Apostólica de 14 de janeiro de 1486, deixou escrito: "O bem-aventurado Antônio de Lisboa foi homem de exímia santidade..., e cheio também de sabedoria divina".

Além disso, o nosso imediato predecessor Pio XI, de feliz memória, na sua Carta Apostólica Antoníana Sollemnia, publicada em l de março de 1931 por ocasião do sétimo centenário da morte do santo e dirigida ao Exmo. Sr. D. Elias da Costa, então Bispo de Pádua e agora Cardeal da Santa Igreja Romana e Arcebispo de Florença, celebrou a divina sabedoria com que este apóstolo franciscano se dedicou a restaurar a santidade e a integridade do Evangelho.

Apraz-nos também recordar da mencionada carta do nosso predecessor as seguintes palavras: "O taumaturgo de Pádua levou à sociedade do seu proceloso tempo, contaminada por maus costumes, os esplendores da sua sabedoria cristã e o suave perfume das suas virtudes... O vigor do seu apostolado manifestou-se de modo especial na Itália. Foi este o campo das suas extraordinárias fadigas. Com isto, porém, não se quer excluir outras muitas regiões da França, porque António, sem distinção de raças ou de nações, a todos abençoava no âmbito da sua actividade apostólica: portugueses, africanos, italianos e franceses, a todos, enfim, a quem reconhecesse necessitados do ensinamento católico. Combateu depois com tal ardor e com tão feliz êxito contra os hereges, isto é, contra os Albigenses, Cátaros e Patarenos, na época enfurecidos quase por toda a parte a tentarem extinguir no ânimo dos fiéis a luz da verdadeira fé, que foi chamado com razão "martelo dos hereges".

Nem se pode calar aqui, pelo peso e importância que representa, o sumo elogio que Gregório IX tributou ao Paduano, depois de ouvir a pregação de Antônio e comprovar o seu admirável viver, chamando-o "Arca do Testamento" e "Arsenal das Sagradas Escrituras".

É igualmente mui digno de memória que, a 30 de maio de 1232, onze meses apenas depois da sua morte, o taumaturgo de Pádua seja inscrito no Catálogo dos Santos, e que, terminado o solene rito da canonização, o mesmo Gregório IX, segundo contam, tivesse entoado em voz alta, em honra do novo Santo, a antífona própria dos Doutores da Igreja: Ó grande Doutor, luz da Santa Igreja, Bem-aventurado António, amante da lei divina, rogai por nós ao Filho de Deus!

Foi este precisamente o motivo por que desde o primeiro momento se começou a tributar na sagrada liturgia a Santo António o culto próprio dos Doutores da Igreja, e no missal, "segundo o costume da Cúria Romana", se pôs em sua honra a missa dos Doutores. Esta missa, mesmo depois da correcção do calendário, introduzida pelo Pontífice São Pio V em 1570, nunca deixou de se usar até nossos dias em todas as famílias franciscanas e nos cleros das dioceses de Pádua, de Portugal e do Brasil.

Pela mesma razão de tudo quanto até agora temos dito, logo depois da canonização de António, se impôs o costume de apresentar à veneração do povo cristão, na pintura e na escultura, a imagem do grande apóstolo franciscano, levando em uma das mãos ou perto um livro aberto, índice da sua sabedoria e da sua doutrina, e tendo na outra uma chama, símbolo do ardor da sua fé.

Por isso, a ninguém deve admirar que não somente toda a Ordem franciscana, em especial por ocasião dos seus Capítulos Gerais, mas também muitos ilustres personagens de todas as classes e condições tenham exprimido muitas vezes o vivo desejo de ver confirmado e estendido a toda a Igreja o culto de Doutor, desde há séculos tributado ao Taumaturgo de Pádua.

Estes desejos intensificados principalmente por ocasião do sétimo centenário da morte de Santo António, em vista também das honras extraordinárias a ele tributadas, a Ordem dos Frades Menores, primeiro ao nosso imediato predecessor Pio XI e recentemente também a Nós, apresentou súplicas ardentes para que nos dignássemos contar a António entre os Santos Doutores da Igreja.

E como para exprimir o mesmo desejo concorre também o sufrágio tanto de muitos Cardeais da Santa Igreja Romana, de Arcebispos e Bispos, de Prelados, Ordens e Congregações religiosas, como de outras doutíssimas personagens eclesiásticas e seculares e, finalmente, de mestres de Universidades, instituições e associações, julgamos oportuno confiar ao exame da Sagrada Congregação dos Ritos assunto de tanta importância.

Esta Sagrada Congregação, mostrando-se, como costuma, disposta a seguir as Nossas ordens, elegeu uma Comissão especial e oficial, para que fizesse exame cuidadoso da proposta. Pedido, pois, e obtido em separado e depois dado à estampa o voto de cada um dos comissionados, não faltava mais que interrogar os membros da Sagrada Congregação sobre se, dadas as três condições que o Nosso predecessor Bento XIV requer no Doutor da Igreja universal, isto é, santidade insigne, eminente doutrina celeste e declaração pontifícia, julgava que se podia declarar Santo António Doutor da Igreja universal.

Na sessão ordinária celebrada no Vaticano a 12 de junho de 1945, os Eminentíssimos Cardeais encarregados dos assuntos da Sagrada Congregação dos Ritos, depois que o Nosso amado filho Rafael Carlos Rossi, Cardeal-Presbítero, Secretário da Sagrada Congregação Consistorial e relator desta causa, fez sobre ela o devido relatório, e depois de ter ouvido o parecer do Nosso amado filho Salvador Natucci, Promotor Geral da Fé, deram o seu próprio assentimento.

Estando assim as coisas, Nós, por Nossa espontânea e boa vontade, secundando o desejo de todos os Franciscanos e de todos os demais citados, pelo teor da presente carta, de ciência certa e com madura deliberação e com a plenitude do poder apostólico, constituímos e declaramos a Santo António de Pádua, Confessor, Doutor universal da Igreja, sem que possam obstar as Constituições e Ordenações Apostólicas e qualquer outra coisa em contrário. E isto o estabelecemos, decretando que a presente carta deva ser e permanecer sempre firme, válida e eficaz, e surta e obtenha o seu pleno e inteiro efeito, que assim, e não de outra maneira se deva julgar e definir; como também, a partir deste momento, declaramos inválido e nulo tudo quanto porventura intente contra as preditas disposições qualquer pessoa ou autoridade por conhecimento ou por ignorância.

Dada em Roma, junto de São Pedro, sob o anel do Pescador, no dia 16 de janeiro, festa dos Protomártires Franciscanos, no ano de 1946, sétimo do nosso Pontificado."

14/05/12

"A vontade de Deus" nas relações com a Roma conciliar segundo D. Lefebvre

O Papa Pio XII e seu Delegado Apostolico D. Marcel Lefebvre


Grupo São Domingos de Gusmão: "A vontade de Deus" nas relações com a Roma concil...: Conferência feita em Sierre (Suíça) em 27/11/1988. Extraído de FIDELITER n.° 89 (set. 1992) p. 12. ""é a apostasia geral, é por isso que nós resistimos, mas as autoridades romanas gostariam que nós aceitássemos...."

04/01/12

CHANTAGEM do "O POVO É QUEM MAIS ORDENA"


"Alguns homens, negando com completo desprezo os princípios mais certos da sã razão, atrevem-se a proclamar que a vontade do povo, manifestada pelo que eles chamam de opinião pública ou de outro modo qualquer, constitui a lei suprema, independente de todo o direito divino e humano" ("Quanta Cura" - Pio IX)

"Muitos dos nossos contemporâneos, seguindo a pegada daqueles que no século passado deram-se a si mesmos o nome de filósofos, afirmam que o poder vem do povo [...]. Muito diferente é neste ponto a doutrina católica, que coloca em Deus, como em princípio natural e necessário, a origem do poder político". ("Diuturnum Illud" - Leão XIII)

"Daquela heresia nasceram no século passado uma filosofia falsa, o chamado novo direito, a saberania popular e uma descontrolada licença, que muitos consideram como a única liberdade." ( "Diuturnum Illud" - Leão XIII)

"As leis ondenam-se ao bem comum, e não são ditadas pelo voto nem em juízos falazes da multidão, senão pela verdade e pela justiça".  ("Diuturnum Illud" - Leão XIII)

"Rejeitam a doutrina recordada por leão XIII sobre os princípios essenciais da sociedade, colocando a autoridade no povo". ("Notre Charge Apostolique" - S. Pio X)

08/03/11

PIO XII - ORAÇÃO PARA AS CRIANÇAS, PELA PAZ


ORAÇÃO
COMPOSTA POR SUA SANTIDADE PIO XII PARA O DIA MUNDIAL DA ORAÇÂO DAS CRIANÇAS PELA PAZ

"Ó querido e doce Jesus, Vós fostes um dia também criança como nós e disseram-nos que gostáveis de ter os pequeninos à vossa roda. Nós vimos, pois, nós as crianças de todas as nações do Mundo, agradecer-vos e dirigir-vos a nossa oração pela paz. Vós desejais estar connosco em todos os momentos e em todos os lugares: fazei, pois, dos nossos corações a vossa morada, o vosso altar e o vosso trono. Fazei com que nós todos formemos uma só família, unida sob a vossa guarda e no vosso amor. Afastai de todos os homens os pensamentos e as obras do egoísmo que separam uns dos outros os filhos do Pai celeste e os apartam de vós. Que a vossa graça seja para todos o escudo contra os inimigos do vosso Pai e vossos; perdoai-lhes, Senhor; eles não sabem o que fazem.

Se os homens, com o vosso auxílio, se amarem uns aos outros, haverá verdadeiramente a paz no mundo, e nós as crianças, poderemos viver sem recear os horrores duma nova guerra.

Nós pedimos a Maria Imaculada, vossa Mãe, que é também  a nossa, que vos apresente a nossa oração pela paz, certos de que então Vós a atendereis favoravelmente.

Ó doce Jesus, obrigado. Assim seja."
IMPRIMATUR- Guarda, 19-V-54
+ DOMINGOS, B. da Guarda

13/10/10

13 DE OUTUBRO DE 1951 - MENSAGEM DO PAPA PIO XII

"Veneráveis Irmãos e amados Filhos,

Magnificat anima mea Dominum! é a palavra que espontânea acode aos Nossos lábios para traduzir os sentimentos que Nos inundam a alma, neste momento histórico das actuais solenidades, a que presidimos na pessoa do Nosso digníssimo Cardial Legado; solenidades, ou hino grandioso de acção de graças; que pelo inestimável benefício do Ano Santo mundial a vossa iluminada piedade quis elevar ao Senhor, aí nessa montanha privilegiada de Fátima, da Virgem Mãe escolhida para trono das suas misericórdias e manancial inexaurível de graças e maravilhas.

Há um ano, na hora saudosamente solene, em que na Basílica do Príncipe dos Apóstolos encerrávamos a Porta Santa, parecia-Nos ver o Anjo do Senhor, que, saindo por ela doze mêses antes, se fôra por todo o mundo a convidar as almas de boa vontade, para que viessem a procurar a paz e renovar a vida sobrenatural na salutar piscina do Jubileu, preparada no coração da Cidade Eterna.

13 DE OUTUBRO - ALEXANDRINA, FÁTIMA, CONSAGRAÇÃO DO MUNDO

Hoje, dia 13 de outubro, seria esperada uma palavra sobre Fátima. O mesmo era esperado de muitos outros articulistas, e certamente cumpriram a praxe.

Não sei o quanto este artigo tem a ver com Fátima, mas tem.

Alexandrina Maria da Costa, morreu a 13 de outubro de 1955, depois de ter vivido os últimos 13 anos de sua vida sem tomar alimento terreno, tomando apenas a santa comunhão. Assim, nesta milagrosa condição, foi levada ao céu segundo o que Nosso Senhor lhe tinha prometido. No seu funeral uma multidão de devotos tornou o acontecimento num fenómeno de massas, assim só conseguiram sepultá-la às 13:00 h.

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