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07/02/18

CONVERSAS - O RITO ROMANO


Transcrevemos de um debate no Facebook a parte final, onde o interveniente que defendeu a Missa Tradicional resumiu assim o que havia dito:

"Tradicionalista - nem há necessidade de discutir mais, porque o assunto está mais que trabalhado principalmente por outros:
1 - O Missal de Paulo VI não é nenhum melhoramento ou evolução do Missal de João XXIII. Quem o diz? O Card. Ratzinguer explica, e está publicado, que o Missal de Paulo VI não proveio da Tradição, mas que foi uma fabricação de gabinete. O próprio Mons. Bugnini, responsável na elaboração do dito missal, explica porque ele foi feito ( no seu livro "a Reforma Litúrgica"). Diz que a intenção no Missal de Paulo VI é criar uma formulação da Missa resultante da remoção de tudo o que da Fé católica pudesse não coincidir com a formulação luterana. Se até então a Igreja tinha considerado o Rito Romano como um edifício da Doutrina/Fé, com o Missal de Paulo VI todos os elementos da Fé que desautorizam a heresia protestante foram removidos (lindo! ). Por isso, os maiores críticos deste Missal não tiveram qualquer dificuldade em acha-lo "protestantizante". Além disto, também a sua elaboração foi acompanhada por 6 protestantes (depois recebidos por Paulo VI - existe a foto do momento, publicada no l'Observatore Romano) diz-se "protestantizado". Assim, como seria de esperar, e segundo o que vemos hoje, os católicos ficam abertos a "interpretações" protestantes a respeito das coisas cristãs, ou seja, verdadeiramente vítimas do escândalo que ali passivamente sofrem com a assistência àquelas Missas. Ex: a Doutrina Católica ensina que a Missa é "Santo Sacrifício", enquanto que hoje se diz e abusa de que a missa é a Ceia, e são raros os católicos que agora ouvem dizer "sacrifício".
2 - O projecto para um novo missal deste tipo não veio por via do Concílio Vaticano II, como querem dizer alguns, porque em sessão conciliar o mesmo projecto foi logo reprovado.
3 - O Missal que fixou o Rito Romano foi o chamado "de S. Pio V". 400 (ou 200!?) anos antes disto o Rito Romano tinha sido corrompido com inovações locais, aqui e ali os contaminados pela liturgice, os vaidosos "litúrgicos", e outros tantos motivos injustificáveis de inovações contrárias ao sentido e equilíbrio do Rito, produziram novas formas assentes em Missais. S. Pio V proibiu todos estes Missais alterados durante tal período, e manteve todos os mais antigos. O Missal de João XXIII não surge como uma nova formulação da Missa, mas sim como uma PUBLICAÇÃO, uma edição do Rito Romano fixado por S. Pio V, submetida (a regra é o de S. Pio V), agora com a introdução das rubricas (tipo de notas de rodapé, que antes existiam em outro livro externo), etc.. Como a regra do rito Romano na Missa é o de S. Pio V, a edição de João XXIII nunca fez a regra (o que permite por ele continuar a rezar os dois Confiteor, sem estar a violar coisa alguma). Vc. diz bem ao referir uma evolução no Rito Romano, e a Igreja o disse sempre... mas usa "evolução" como hoje o fazem os teólogos que seguiram a inovação, e perderam o anterior: com o sentido moderno marcado pelo "evolucionismo", e não segundo o pensamento católico (St. Tomás de Aquino).... vale MUITO a pena dizer algo sobre isto, e vai gostar:
a) Evolução não significa mutação, e estas são ideias na realidade opostas. Os evolucionistas dizem "evoluiu, porque mutou", e os católicos, e os clássicos sempre disseram precisamente o contrário. Repare.
b) Uma semente de roseira em POTÊNCIA contém a roseira, já com todas as características que virão etc... Quando a semente entra na terra e recebe as condições necessárias vai aparecendo gradualmente como roseira. Isto não é fruto de mutação.... isto é EVOLUÇÃO, porque gradualmente da POTÊNCIA se passa a ACTO. Evolução sempre tinha sido entendida como VÉU que cobre algo e que depois revela o que lá esteve sempre.
Passemos ao Rito Romano que foi ensinado por Nosso Senhor a S. Pedro (segundo a milenar tradição diz). A evolução que daqui podemos verificar não é mais que um desdobramento das mesmas verdades que sempre estiveram contidas no rito e que a seu tempo foram tomando visibilidade conforme a necessidade. Ex: em França nasceu a elevação da Hóstia na consagração, por necessidade que o grande espaço e quantidade de fiéis... Cristo imolado sempre foi dado em adoração, porque é aquele o momento em que está elevado na CRUZ (Santo Sacrifício da Cruz). A NÃO ELEVAÇÃO, anteriormente, expressava menos a realidade CONTIDA. Logo, é uma evolução verdadeira a precisão deste gesto associado ao Santo Sacrifício.
Parece-me o suficiente... Mas se tiver qualquer outra questão a este respeito, faça o favor de dizer."

Ainda que o autor da resposta tenha organizado as ideias por pontos, lembramos tratar-se de uma conversa de facebook, à qual há que dar o devido desconto.

Aproveitamos a ocasião para fazer uma queixa: ao queremos encontrar no Google uma foto de uma Missa Tridentina de aspecto mais SIMPLES, não conseguimos até ao momento... São todas muito brilhantes... enfim, coisas dos novos tempos! Continuaremos a procurar algo belo, mas mais sóbrio, porque faz falta.

18/02/17

"A VERDADE" - XXXII - Culto, e Imutabilidade

A VERDADE
ou
PENSAMENTOS FILOSÓFICOS
sobre os objectos mais importantes
Á RELIGIÃO, e ao ESTADO
 
por
Pe. José Agostinho de Macedo
 
LISBOA
Na Imprensa Régia
Ano 1814
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XXXII
 
Há um Culto Revelado Que Tem em Si os Sinais de Uma Constante Imutabilidade
 
O povo, que nós conhecemos depositário da Revelação, e que pode mostrar seu culto imediatamente revelado por Deus transmitido sempre com fidelidade a seus descendentes os dogmas, e os ritos, que tinha aprendido de Deus. Os cultos das outras nações traziam em si o carácter, ou selo dos vícios, e das paixões nacionais. A impostura ou a Política acomodava os actos da Religião ao vício do país, à natureza do clima, e às circunstâncias dos governos. mas o rito dos antigos Patriarcas era superior a todos os respeitos humanos. Fosse qual fosse a maneira do governo do povo Hebreu, ou vivesse pacífico na Palestina, ou escravo no Egipto, ou em Babilónia, sempre contrário a seus vícios, sempre contante em todo o tempo entre os desastres, e a corrupção universal, se mantinha invariável em seu culto. Não se alteravam os dogmas; não se variavam os ritos; não se perdiam, nem adulteravam os Códices. Este prodígio de Providência prova, que a sua Religião não era dos homens, mas de Deus. De que presta acusar a Religião de quimeras, e assoalha-la como fonte de contradições, e disparates, tornando-a desprezível ao juiz da razão! Houve muitos, e diversos cultos; mas começaram nos homens, mudaram-se com as circunstâncias, ou já acabaram com a mudança dos Governos.

Santo Sacrifício da Missa - Igreja do Mosteiro de S. Vicente de Fora, Lisboa (Portugal)
Tiveram seu culto os Chins, os Índios, os Egípcios, os Gregos, e os Romanos; e que vestígios nos restam destes cultos? O tempo desmente as invenções dos homens. Houve um só culto, que começou com o primeiro homem, prosseguiu em todos os séculos, e em todas as gerações de um povo, que mostrou haver recebido este culto das mãos do mesmo Deus. Este Culto dado ao Summo Creador do Céu, e da Terra, não faltou jamais; e é este o verdadeiro Culto. Reconhecemos nele a única, e verdadeira Religião, que é a revelada; todo o outro culto é falso; todo o outro dogma é ideal. Nada pode o tempo contra as obras de Deus. As vicissitudes, os desastres, as guerras, a corrupção geral do género humano, não poderão destruir este culto; eis-aqui o sinal de que não procedera de invenção humana, mas que descera imediatamente do seio da Divina Revelação.

(Índice da obra)

05/04/14

REGIMENTO DOS OFICIAIS DA CASA REAL DelRei D. JOÃO IV (I)


REGIMENTO DOS OFICIAIS DA CASA REAL DelRei D. JOÃO IV

I
"Pela manhã tanto que S. Majestade se acaba de vestir, vai à Missa acompanhado do Camareiro-mor, que virá atrás, até que S. majestade saia da porta da Câmara para fora; e logo que S. Majestade sair da porta para fora, tomará lugar diante com os restantes oficiais da Casa, e mais fidalgos que ali se acharem; e como este acompanhamento é retirado, não se cobre nele ninguém, mas cada um acompanha, na forma que abaixo se aponta.

II
Nos dias Santos, e mais Festas em que S. majestade vai em público à Capela, ou Tribuna, tanto que estiver acabada a reza da Capela, saberá o Capelão-mor se está tudo prestes para S. Majestade pode ir; e tanto que o estiver, irá dar recado a S. Majestade, e o pajem da campainha terá cuidado quando o Capelão-mor quiser dar recado de bater à porta, e não entrar até que S. Majestade lhe responda com a campainha, e não o fazendo a primeira vez, e baterá a segunda, até que S. Majestade faça sinal com a campainha, e então entrará dento, e dará o recado de estar ali o Capelão-mor, e ele entraria a dizer a S. Majestade como está prestes para poder ir; e estando o Capelão-mor por qualquer via impedido, se guardará isto mesmo com quem vier em seu lugar, e todos os dias que S. majestade descer à Capela, terá o Secretário de Estado avisado aos Embaixadores que houver na Côrte para o acompanharem, e o Porteiro da Câmara aos Títulos.

III
Tanto que o Capelão-mor der recado sairá S. Majestade do seu aposento acompanhado dos Títulos, Oficiais da Casa, e mais fidalgos, que ali se acharem que o devem fazer. Os Títulos irão da parte direita, e esquerda por suas precedências, distância de três ou quatro passos diante de S. Majestade, e diante da pessoa de S. Majestade o Mordomo-mor com sua cana na mão que tomará antes que S. Majestade saia, e ainda que não seja Título irá neste mesmo lugar, e nesta mesma forma, e será o último de todos os que acompanham diante que saia pela porta, ainda que acompanhem Duques, que sairão primeiro, excepto os Infantes diante dos quais há o Mordomo-mor de passar.

IV
Onde acabarem os Títulos, irão os três Oficiais da Cana, que são Porteiro-mor no meio, o Vedor da banda direita, e o Mestre Sala da esquerda, e havendo dois Vedores, o que não for de semana irá também da parte direita, mas no meio com o Porteiro mor: os de mais Oficiais da Casa, e moços fidalgos irão diante destes sem precedência, e diante deles os mais fidalgos que ali se acharem. Os Oficiais da Casa são Mordomo-mor, Porteiro-mor, Camareiro-mor, Estribeiro-mor, Guarda-mor, Reposteiro-mor, Copeiro-mor, Vedor, Mestre Sala, Trinchantes, Capitães da Guarda, Capelão-mor, Sumilhares da Cortina; Aposentador-mor, Monteiro-mor, Armador-mor, Esmoler-mor, e os mais, ainda que tenham título de móres, ou são Oficiais da Corte, ou Criados, e não Oficiais da Casa.

V
De traz de S. Majestade irão os Cardeais, e depois deles os Embaixadores, e logo os Arcebispos, e Bispos, e Capelão-mor com eles, se for Bispo, e não o sendo, irá com os mesmos Oficiais da Casa, advertindo que se S. Majestade levar fralda, lha há-de ir levando atrás o Camareiro-mor mais junto à pessoa de S. Majestade que todos e em quanto a levar, irá descoberto, ainda que seja Título. Os Oficiais da Casa que não forem Títulos acompanham com os outros Títulos, e não poderão acompanhar com os Oficiais da Casa por não fazer ofensa à dignidade do Título, que é maior; mas isto não terá lugar nos Oficiais da Cana, porque este ainda que sejam Títulos, hão sempre de acompanhar com sua cana no lugar de Oficiais, e como tais se não hão de cobrir, ainda que sejam Títulos, salvo o Mordomo-mor, que sempre se cobre.

VI
Nesta forma baixa S. majestade à Capela, e à parte que está no fim da escada que desce da Galaria da banda de fora por uma e outra parte, estarão as Guardas em ala uma da mão direita, e outra da esquerda; e a que for da banda direita há-de ficar da banda esquerda, quando S. Majestade voltar, e a outra da direita; e desta maneira ficam as Guardas iguais na precedência, posto que não havendo meio haja de preceder sempre a Guarda Portuguesa à Alemã, e hão-de ir governadas por seus Capitães, que irão no meio delas em corpo com suas Insígnias, e os Tenentes nos seus lugares.

VII
O Corregedor do Crime da Corte, e Casa irá diante de todos, levando consigo o Meirinho da Côrte.

VIII
Antes de S. Majestade chegar à porta da Capela o Arcebispo, e não o havendo o Bispo mais antigo que ali se achar, se adiantará para dar água benta a S. Majestade; e não havendo Bispo presente, o fará o Capelão-mor, ainda que não seja Bispo, e sendo-o, a dará só no caso de ser mais antigo.

IX
Logo que S. Majestade entrar na cortina, lhe chegará o Reposteiro-mor a Cadeira ou Almofada, e o mesmo fará aos Infantes filhos legítimos de ElRei, e aos filhos e filhas dos Infantes nomeará S. Majestade pessoa que lhes haja de chegar as Almofadas; e o mesmo Reposteiro-mor chegará a Almofada quando S. Majestade por ao Altar, e em ausência do Reposteiro-mor, toca fazer isto ao Vedor da Casa; e logo que S. Majestade se assentar, saíram todos os que acompanharam para os seus lugares.

X
Os Cardeais têm seus lugares da parte do Evangelho mais chegados ao Altar em Cadeiras de Espaldas, e logo abaixo em banco coberto de Rãs os Arcebispos e Bispos por suas antiguidades, começando a precedência do Altar. O Capelão-mor sendo Bispo se senta numa Cadeira rasa, que há-de estar da cortina para cima entre elas, e os degraus que sobem para a parte do Evangelho; e quando S. Majestade não vai à Capela se senta no banco dos Bispos, precedendo a todos ainda que seja mais moderno por Diocesano da Casa Real, e não sendo Bispo, está em pé abaixo da cortina com os Sumilhares, indo S. Majestade à Capela, e não indo, parece que não tem outro lugar senão o seu de coro; e advirta-se que não sendo Bispo, não pode fazer função alguma na Capela sem sobreplis. (Nota: Por resolução de S. majestade tomada em assento do Conselho de Estado de 8 de Março de 1687 se ordenou, que o Cardeal de Alencastre tivesse o seu assento da parte da Epístola acima dos Embaixadores em Cadeira de espaldas por ser assim conforme ao tratamento que em Madrid se dá aos Cardeais, cujo Cerimonial resolveu S. Majestade se usasse em tudo a respeito dos Cardeais.)

XI
Os Embaixadores se assentaram de grade para dentro em Cadeiras rasas de veludo com Almofadas do mesmo defronte da cortina de S. Majestade alguma coisa mais para baixo, e diante de cada um se porá um banquinho coberto com um pano de veludo.

XII
Os Duques da mesma grade para dentro junto à cortina de S. majestade em Cadeiras rasas de veludo com suas Almofadas do mesmo, e uma Alcatifa debaixo das Cadeiras não muito larga em que ponha os joelhos.

XIII
Da grade para fora em primeiro lugar se porá o assento do Mordomo-mor, e ainda que não seja Título por proeminência do Ofício, há-de ter sempre o mesmo lugar, e se há sempre de cobrir; mas no caso de não ser título, há-de ser a Cadeira rasa de couro preto. Depois dele se seguirão os assentos dos Marqueses que são Cadeiras rasas de veludo com Almofadas do mesmo, e logo abaixo o dos Condes, que é um banco coberto com espaldeira de Rãs.

XIV
O Sumilher da semana junto ao canto da cortina da banda de baixo.

XV
Os três Oficiais da Cana Porteiro-mor, Vedor, e Mestre Sala em pé com suas canas de grade para dentro em fileira defronte da cortina de S. Majestade, e dois até três moços fidalgos, dos que têm Ofício também em pé, e defronte da cortina alguma coisa por cima do lugar dos Embaixadores.

XVI
Dentro da cortina se assenta S. Majestade em Cadeira de espaldas, e logo abaixo o Príncipe, e os Infantes depois dele em Cadeiras iguais, e em igual fileira e os filhos dos Infantes mais abaixo em Almofadas duas a cada um em lugar de Cadeiras. O abrir da cortina toca ao Sumilher da semana, e ele sempre se procurará pôr de maneira que de dentro possa S. Majestade ver o púlpito, e a Tribuna da Rainha; e advirta-se que se os Duques quiserem estar dentro da cortina em pé o podem fazer.

XVII
Depois de ElRei estar na cortina, iria logo o Capelão-mor ao asperges os dias que o houver, e fazendo primeiro sua inclinação a ElRei lhe deitará água benta, e do mesmo lugar fazendo a mesma inclinação a deitará à Rainha, se estiver na cortina, e logo ao Príncipe, e logo aos Infantes, que quando lha deitarem, a virão receber um passo fora da Cadeira, e os filhos dos Infantes, a quem também a há-de deitar, a irão receber dois passos; e aos Infantes, e seus filhos não fará o Bispo inclinação; e se o Capelão-mor não for Bispo deitará água benta ao Prelado mais antigo, e fará as demais funções; e neste caso toca só ao Capelão-mor purificar o texto do Evangelho e instrumento da paz; e se se não achar na Capela o Capelão-mor, nem Prelado algum, toca o sobredito ao Deão.

XVIII
Começada a Missa irá o Capelão-mor dizer a Confissão, o Glória, e o Credo com S. Majestade dentro da cortina, e se ElRei houver de rezar o Ofício divino o rezará também com ele dentro da cortina, e em sua ausência o Deão da Capela. Tirará o mesmo Capelão-mor o Evangelho, e incenso, e o porta-paz, e uma e outra coisa limpará, o Sumilher da semana antes que S. Majestade o beije, e S. Majestade estará sentado, e o Capelão mor lhe fará sua inclinação, e logo fará o mesmo ao Príncipe, e se assentará um pouco; e ali irão os Infantes por suas idades beijar, fazendo à ida e à vinda mesuras a S. majestade, e a Suas Altezas, e a eles não fará o Capelão-mor inclinação. Se na cortina estiverem os Infantes filhos DelRei estarão em Cadeiras como seus Irmãos, e as filhas dos Infantes em Almofadas de Rãs, como se disse acima dos filhos.

(Continuação, II parte)

28/10/13

COMO SE TOCA ASSIM SE DANÇA - MISSA NO CARTAXO

Ontem, dia de Cristo Rei, nas paróquias não se comemorou o Cristo Rei... pois o calendário litúrgico  tradicional da Santa Igreja foi abafado nas paróquias, sendo raros os sacerdotes e fiéis que continuam a comemorar os santos nos mesmos dias. O dia de Cristo Rei, é o último domingo de Outubro!

Ontem, 27 de outubro (2013), também no Cartaxo não se esteve em comunhão com a Festa do Cristo Rei, Festa que a Igreja Triunfante também comemorou connosco nesse dia. No Cartaxo, ontem foi outro dia qualquer, outro calendário...!

A TVI (Televisão Independente) esteve no Cartaxo e transmitiu a missa paroquial, no programa de transmissão dominical acostumado. A missa seguiu o Missal de Paulo VI, ou seja, não seguiu o missal legado como Rito Romano pela Tradição da Santa Igreja... o que vai sendo costume nas paróquias (outro costume...).


Perante o abandono do Calendário Litúrgico (o que representa uma situação complicada e anti-natura), perante o abandono do Rito Romano na sua forma Tradicional e a adopção de um "missal fabricado" (segundo afirmou o Card. Ratzinger), alguns católicos que não usam o calendário e o missal legado pela Tradição da Igreja (ou seja, pela Igreja) ficaram escandalizados porque o sacerdote, no sermão, usou um fantoche para tornar a "pastoral" mais didática!...

Eis uma conversa em torno desta imagem (nomes fictícios):

Joaquim: Nosso Senhor, numa revelação ao Santo Padre Pio: «O Meu Coração está esquecido. Já ninguém se preocupa com o Meu amor. A Minha casa tornou-se, para muitos, um teatro de divertimentos; mesmo os Meus ministros, que sempre considerei com predilecção, que amei como a pupila de meus olhos, deveriam consolar o meu Coração cheio de amargura, deveriam ajudar-me na redenção das almas. Em vez disso, devo receber deles ingratidão e falta de reconhecimento».

Paulo: Qual é o problema?!

Joaquim: Além do problema grave das cenas circenses num local de culto, durante a celebração do Sacrifício da Morte de Jesus, é também um grave problema haver quem pergunte, perante isto, "Qual é o problema?!" 

Manuel: Creio que o que o Paulo está a querer dizer é que não há problema, uma vez que a Missa de Paulo VI já é, em si, ilegítima. Estarei enganado?

Joaquim: Ok, percebido...Discordo, no entanto e obviamente, que o Missal de Paulo VI seja ilegítimo.

Paulo: Joaquim,

1 - A questão sacrificial: quase garantidamente não houve Sacrifício algum nessa missa, porque o padre não cumpre pelo menos um dos 3 requisitos para se dar a transubstanciação! No caso de ter havido transubstanciação, ouve sacrilégio, profanação das espécies... coisas mais graves que levar um fantoche para a missa (ando até S. Filipe Neri, colocava um gato sobre o altar...)... Por outro lado, esse padre não ofereceu a Cristo como Vítima, ele ofereceu o "fruto da terra e do trabalho do homem..."...

2 - O respeito pelo local de culto: em maior parte dos templos para sacerdotes hoje viram as costas ao sacrário para ser mais "didático", mais "participativo"... Nada melhor que um boneco para fazer cumprir essa didática e tornar a missa mais "participativa" e "didática".

3 - "Qual é o problema?": o missal de Paulo VI consiste no tirar ao Rito Romano todos os elementos que expressavam claramente a Fé e que chocassem a doutrina protestante. Segundo a "teologia" do mesmo missal, não há elementos que expressem o "SACRIFÍCIO" nem a "PRESENÇA REAL" de Nosso Senhor, nem o "SACERDÓCIO" da ordem. Infelizmente os católicos vivem numa ignorância crescente e ficam presos em questões sensíveis.... a intenção é boa, mas a realidade que consideram escapa-lhes por completo.... uma pena!

4 - Ontem foi dia de Cristo Rei: nas paróquias não se comemorou a Festa de Cristo Rei... porque o calendário litúrgico legado pela Tradição da Santa Igreja (ou seja, pela Igreja) não se conhece mais!....

Em suma... acho que está preocupado com a beleza da FACA com que o criminoso matou! ...

Para acabar realmente o problema: é retirar a consagração da Hóstia a essa missa do missal de Paulo VI (já que nele isso não consta) e dizer às pessoas que há apenas nessas missas uma "presença espiritual" de Cristo. Assim acaba-se o problema.
Joaquim, não tem que discordar, mas se discorda tem que explicar, porque é que permite sacrilégios na missa, por exemplo, e não admite um fantoche! ...

Admita: não lhe tinham dito que em TODAS as paróquias, a cada missa, há matéria suficiente para excomungar o sacerdote! ... Não sou eu quem o diz!!! Até ao Concílio Vaticano II o sacerdote que se negasse a manter juntos os dedos indicador e polegar desde a consagração até à purificação, era excomungado.... HOJE TODOS O FAZEM.

Ò Joaquim ... não se escandaliza que na "nova missa" se tenha suprimido uma das duas jenuflexões do sacerdote à presença Real de Nosso Senhor nas espécies!? ... Que desrespeito!!!...

Sacrifício?!?!? Porque então substituíram TODO o ofertório!? Substituíram a oferta de Cristo Cordeiro a Imola, pelo fruto da terra e do trabalho do homem, e isso não o incomoda!? Já tem nisso o exemplo de Caim e Abel, um que ofereceu o sacrifício, e o outro que ofereceu apenas uma oferenda dos frutos... Deus recebeu o sacrifício do cordeiro, mas mandou FUMO contra o que tinha oferecido apenas os frutos... Este encheu-se de raiva e procurou matar o seu irmão.

É o que se passa aqui....

Gostaria ainda de saber a sua opinião a respeito desta situação:

1 - O Concílio de Trento, para que o Rito Romano não sofresse desvirtuações, mais do que aquelas que tinha sofrido em 400 anos, mando que fosse CODIFICADO este Rito legado pela Tradição de S. Pedro Apóstolo. Todos os missais com menos de 400 anos foram proibidos. O Rito Romano tinha finalmente um assentamento universal para evitar deturpações na sua TRANSMISSÃO. Eis então o "missal de S. Pio V", ou seja, nada mais nada menos que "o RITO ROMANO"!

2 - O Missal de João XXIII é integralmente o Missal Romano (S. Pio V), ao qual foram acrescentadas rúbricas... Ou seja, estruturalmente nada foi alterado, mas sim acrescentadas "anotações".

3 - No Concílio Vaticano II, a proposta de um Missal X? foi avançada, e chumbada pelo Concílio;

4 - A proposta do missal X? voltou depois do concílio com a intenção de haver um missal que pudesse ser rezado por católicos e protestantes.... Eis o primeiro passo para a existência do Missal de Paulo V. ... A história é complicada e TRISTE... não vamos entrar nela. O que é certo é que foi promulgado este missal, e não foi abrogado missal algum anterior!!!...

5 - Em 2007 Bento XVI diz que o missal de Paulo VI é uma "forma" "expressão" ORDINÁRIA (continuada) do Rito Romano (portanto, do Missal de S. Pio V), e diz que o missal de S. Pio V é a forma extraordinária do Rito Romano.

O que eu lhe quero perguntar agora é o seguinte: como é que o missal de S. Pio V é a forma extraordinária de si mesmo?!... O Papa não explicou, e não é dogma de Fé, e não é um mistério de Fé, e não é algo dado pela Tradição da Igreja... É uma contradição que, como tal, não tendo matéria, sai do poder do Papa!!!... Se o Papa disser "a lua é quadrada" e agora passam a dizer que é quadrada, essa ordem não vale! Mas pode ser que eu esteja enganado e o João consiga explicar também como é que o missal de Paulo VI é forma ORDINÁRIA do Rito Romano quando o Missal de S. Pio V sempre foi a ORDINARIEDADE do Rito Romano? Acha que os nossos antepassados usavam uma "forma extraordinária do Rito Romano"!? .... É que se não me explicam isto eu acho que há muito maluquinho à solta para lá da esmagadora ignorância crescente entre os católicos!

Aguardo!

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É suficiente.

18/04/13

ALTARES EM PORTUGAL - ANTES DA "REVOLUÇÃO CONCILIAR" (VII)

Mosteiro de Bustelo, Penafiel


Mosteiro de Cucujães




Convento do Espírito Santo, Sta. maria da Feira

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