Depois do Advento, o qual prepara a festa da primeira vinda de Nosso Senhor, e apela à preparação para a Segunda vinda; eis que chega mais um Natal.
A sociedade perde a verdadeira noção do Natal; os católicos perdem o sentido apocalíptico que a Santa Igreja fez sempre questão de sublinhar.
Que este pensamento seja uma ajuda para os nossos leitores; que o Natal seja comemorado com o sentido mais completo, e da forma mais completa que a cada qual for possível.
O MELHOR NATAL POSSÌVEL, são os votos da equipe ASCENDENS.
Está provado que não poderia ter sido D. João IV o autor da famigerada composição musical do "Adeste Fideles". Segundo as investigações mais recentes não há certezas da autoria.
O Adestes apareceu em várias publicações inglesas como "Portuguese Hymn", o que terá contribuído para a formulação de que a autoria teria de ser de D. João IV, compositor e pai da inglesa Rainha D. Catarina de Bragança. O Hino Português era cantado na Embaixada portuguesa em Londres, um dos poucos locais onde o culto católico era permitido.
A "Burropédia" diz bem: "Vincent Novello
(1781–1861), que foi, a partir de 1797, Mestre de Capela e Organista da
Capela Portuguesa, publicou em 1811 uma colectânea intitulada "A
Collection of Sacred Music, as Performed at the Royal Portuguese Chapel
in London" que teve depois grande influência na constituição de um
repertório católico inglês, e como “Adeste fideles” estava nela incluído
passou a ser conhecido como o Hino Português e assim se foi divulgando no mundo católico internacional."
Em tempos de S. Pio X o hino passou a integrar o Liber Usualis.
O blog ASCENDENS lembra aos seus leitores que esta semana há Têmporas: quarta-feira, sexta-feira, e sábado; e deseja a todos uma boa continuação de preparação para o Natal (cada qual como possa).
Eis um recorte de Natal, em música e pintura portuguesas.
MÚSICA
O "Adestes Fideles", é uma composição de 1640 do Rei de Portugal D. João IV de Bragnça (ver aqui), então conhecido em Inglaterra como "hino dos portugueses":
PINTURA
"Um dos grandes símbolos religiosos, que retrata o Natal (...) é o presépio. De acordo com Rafael Bluteau e Cândido de Figueiredo, a palavra "presépio" provém do latim "praesepium", que genericamente significa estábulo, curral, lugar onde se recolhe gado e que, numa outra óptica designa qualquer representação do nascimento de Cristo, de acordo com os Evangelhos [Lucas 2:1 a 18 e Mateus 2:1 a 11]. O Presépio está profudamente representado na pintura portuguesa antiga. Passemos em revista essas representações, que incluem a adoração pelos pastores e a adoração pelos Reis Magos, as quais visualizáveis de uma forma cronológica." (fonte) Alguns quadros:
Para bem, caros leitores, teria eu que colocar esta oratória dia 25, melhor que hoje (24, vésperas). Não sei se amanhã estarei aqui, ou ali, ou terei tempo para fazer postagens.
Quanto a J. Sebastian Bach ser luterano... devo fazer o seguinte comentário: a influência das doutrinas luteranas na sua comunidade foram lentas, nem sequer foram homogéneas, e mais lentas foram as mudanças estruturais na produção artística que, evidentemente, repetia os grandes modelos produzidos na civilização católica. De certa forma a estruturada e enraizada cultura alemã possibilitou que muitos dos primeiros luteranos continuassem a viver como católicos e até ignorando as mudanças reais, situação que dificulta hoje a apreciação de o quanto cada uma daquelas almas continuava ou não católica. Com o passar do tempo, àquela comunidade foram aparecendo já claros os erros doutrinais que inicialmente colocavam (e colocam) toda a comunidade fora da Santa Igreja. Assim, haveria que perguntar aos pensadores que dizem que J. S. Bach transmite na sua música uma concepção luterana, em que notas, conjunto de notas, melodias, harmonias, orquestrações, identificam tal problema (porque a música faz-se com a organização de sons e silêncios concretos).
Sem qualquer ameaça de consciência, e com algum conhecimento,deixo-vos a oratória de Natal de Bach (BWV248)
"Nestes dias, que são os nossos, é muito comum, entre os círculos
sociais que frequentamos, escutar a expressão «Natal é sempre que o
homem quiser». E os homens da nossa sociedade quiseram fazer um Natal à
sua medida – um natal puramente antropológico, sem qualquer rasgo de transcendência,
porque isso poderia inviabilizar o “querer” dos homens. Quiseram tanto
um Natal à sua medida, que o Natal ficou sem medida alguma, sem altura
nem profundidade. Deixou de ser Natal, para ser um tempo de maior
dedicação à família, pelo menos o dia 25 de Dezembro, que quase ninguém
prescinde de passar junto dos seus. Deixou de ser Natal para ser a época
das iguarias tradicionais, e todos reivindicamos poder ter nas nossas
mesas os sabores que ainda nos recordem aqueles tempos idos de quando
ainda era Natal. Deixou de ser Natal para ser um tempo comercial, e
nesta altura até surgem os mais interessantes dados estatísticos, que
tentam, por exemplo, interpretar a preferência dos portugueses em
efectuar os pagamentos através do multibanco. Outros há que tentam
comprovar nestes tempos de maior agitação económica a famosa máxima «os
portugueses deixam tudo para o último dia». Deixou de ser Natal para ser
época de férias, e não apenas escolares, porque há muitos que
aproveitam uns merecidos dias de repouso nas estâncias de neve. O homem
quis tanto um Natal à sua medida que despojou o Natal de significado, de
sentido e lamentavelmente de transcendência." (Pe. JoséAndré Ferreira - in Liturgia Diária -dezembro de 2013)
Dei com este video em que Nelly Furtado canta uma das músicas de Natal tradicionais portuguesas. Não estamos em tempo de Natal, mas fica a anotação simpática e em língua portuguesa:
Agora vim de um blogue de um senhor padre modernista mas, desta vez, por acaso, dei com um artigo que está muito bem . Não vou dar o link para não fazer propaganda. Transcrevo todo o artigo, com imagens e tudo: