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15/12/15

MEMÓRIAS ECLESIÁSTICAS DO REINO DO ALGARVE (Cap. XV, II parte)

(continuação da I parte do Cap. XV)

Viviam os nossos Portugueses, e Mouros Africanos no Algarve sujeitos àquele Império Árabe, quando no porto de Lisboa arribou uma grossa armada de belicosas gentes, que iam em socorro da Cidade Santa de Jerusalém, a qual Guido de Lusigiano perdera no ano de 1186 (é tão diversa a lição dos Autores em pontos de Cronologia, que não me atrevo a deduzir a verdade, dando mais valor ao cuidado, e diligência daquele, ou deste Escritor. Como é impossível deixar muitas vezes de firmar os anos, em que algumas acções, se fizeram, sigo já a uns, e já a outros, segundo a persuasão de que me convenço, lendo os Autores, de cujas notícias me aproveito, em quanto o Cl. Pereira de Figueiredo não faz públicas as grandes aplicações que tem escrito da nossa Chronologia Portugueza), tomando posse dela Saladino no ano seguinte. uma furiosa, e rija tempestade de duros ventos, e grossos mares obrigou ao Imperador Frederico, chamado Barbaroxa (Luíadas de Camões, Canto III, oitava LXXXVI), a fazer a arribada àquele porto. As graças que o Papa Inocêncio III concedeu aos soldados que ajudassem aquela conquista, tinham excitado o espírito, e esforço das gente que adoravam a Cruz, e Insígnias do Salvador, a derramarem seu sangue, e restaurarem aqueles lugares, onde se completou a nossa Redenção.

Silves
ElRei D. Sancho, que então governava o Reino, estava naqueles dias em Santarém; e acudiu a fazer prestes os refrescos, e víveres para a armada, distinguida a todos os oficiais com aquelas honras, que a autoridade sofre. Continuaram os ventos a serem ponteiros, e rijos, e os mares agitados feriam as serras, não dando lugar àquelas naus a prosseguirem a viagem, e derrota do seu destino. ElRei lembrado do grande benefício, que de outra semelhante armada conseguira seu valoroso pai na tomada de Lisboa, não perdia ocasião de tentar os ânimos daqueles capitães para fazerem alguma empresa entre os Mouros nas conquistas deste Reino; e como a causa era tão semelhante aos intentos, e interesses com que empreendiam a glória, e honra do Senhor; e os exemplos da vitória, e prémios, que a outra armada estrangeira tinha conseguido sobre Lisboa, estavam ainda frescos, e excitavam a ambição da sua honra, facilmente deram o seu consentimento.

Ajustou-se em conselho, que se dirigisse a guerra sobre a Cidade de Silves, antigo porto, e asilo dos Africanos, que feitos piratas infestavam os mares, causando algumas ruínas nas nossas possessões, donde cativavam muitas almas, que às vezes perdiam a Fé pela liberdade, conseguindo estes roubos a glória de atrevidos, e ricos.

(a continuar)

03/11/15

CRISE DA EUROPA AGRAVADA PELA ENTRADA DOS MOUROS - CARTA DESESPERADA DA ALEMANHA

Trago uma carta cujo destinatário colocou em circulação ocultando-lhe o nome da remetente (médica checa a trabalhar num hospital de Munique).

Digo no título do artigo "Crise da Europa Agravada Pela Entrada de Mouros", porque aqui é proibido fazer terrorismo verbal: "Crise dos Refugiados na Europa".

Vamos à carta:

Muitos muçulmanos estão recusando ser tratados por funcionários do sexo feminino e, nós, as mulheres, estamos nos recusando a trabalhar, pior do que fossem entre animais selvagens. As relações entre a equipe e os migrantes está indo de mal a pior. Desde o último fim de semana, migrantes que vão a hospitais têm que ser acompanhados por policiais.
“Ontem tivemos uma reunião sobre como a situação aqui e em outros hospitais de Munique ficou insustentável. As clínicas não conseguem lidar com emergências e assim começam a enviar tudo para os hospitais.
Muitos migrantes têm SIDA [AIDS], sífilis, tuberculose aberta e muitas doenças exóticas que, aqui na Europa, nem sabemos como tratar. Se recebem uma receita, aprendem na farmácia que têm que pagar em dinheiro. Isto leva à explosão de insultos inacreditáveis, especialmente quando se trata de remédios para crianças. Eles abandonam as crianças com o pessoal da farmácia e dizem: Então, curem-nas vocês! Portanto, a polícia não tem que proteger apenas clínicas e hospitais, mas também grandes farmácias.
Só podemos perguntar: Onde estão todos aqueles que, nas estações de trem e na frente das câmeras de TV, mostram cartazes de boas-vindas?
Sim, por enquanto as fronteiras foram fechadas, mas um milhão deles já está aqui e, definitivamente, não seremos capazes de nos livrar deles.
Até agora, o número de desempregados, na Alemanha, era de 2,2 milhões. Agora vai ser 3,5 milhões. A maioria destas pessoas é completamente não-empregável. Um mínimo deles tem alguma educação.
E mais: suas mulheres não fazem coisa alguma. Estimo que uma em dez está grávida. Centenas de milhares trouxeram consigo lactentes e crianças menores de seis anos desnutridas e negligenciadas. Se isto continuar, e a Alemanha reabrir suas fronteiras, eu voltarei para casa, na República Tcheca. Ninguém vai poder segurar-me aqui, nem com o dobro do salário. Eu vim para a Alemanha e não para África ou Oriente Médio.
Mesmo o professor que dirige o nosso departamento falou da tristeza em ver a mulher da limpeza fazendo seu serviço há anos por 800 Euros, e depois encontrar homens jovens estendendo a mão, querendo tudo de graça e, quando não conseguem, alteram-se.
Eu realmente não preciso disso! Mas estou com medo de, se voltar, encontrar o mesmo na República Tcheca. Se os alemães, com os seus recursos, não conseguem lidar com isto, lá seria o caos total. Ninguém que não tenha tido contacto com eles pode ter uma ideia de que espécie de "animais" são, e como os muçulmanos agem com soberba sobre a nossa equipe.
Por ora, nosso pessoal ainda não foi reduzido, em consequência das doenças trazidas para cá, mas, com centenas de pacientes todos os dias, isso será apenas uma questão de tempo.
Num hospital perto do Rheno, os migrantes atacaram a equipe à facadas, depois de trazerem um recém-nascido de 8 meses, que estava à beira da morte, arrastado através de meia Europa, durante três meses. A criança morreu, depois de dois dias, apesar de ter recebido os melhores cuidados, numa das melhores clínicas pediátricas da Alemanha. O médico teve que passar por cirurgia e duas enfermeiras foram para a UTI. Ninguém foi punido. A imprensa local é proibida de noticiar. Nós soubemos por e-mail.
O que teria acontecido a um alemão que esfaqueasse um médico e duas enfermeiras? Ou se ele tivesse jogado sua própria urina, infectada de sífilis, no rosto da enfermeira depois da ameaçar de contaminação? No mínimo, seria preso imediatamente e depois processado. Com esse povo, até agora, nada aconteceu.
Então, pergunto: onde estão todos aqueles que saudaram sua vinda e os recepcionaram, nas estações ferroviárias? Sentados, bonitos em casa, desfrutando nas suas organizações não-lucrativas, aguardando ansiosamente os próximos comboios [trens] e o próximo lote de dinheiro em pagamento dos seus préstimos como recepcionistas???!!!
Por mim, arrebanharia todos esses recepcionistas, trazia-os primeiro aqui à ala de emergência do hospital, para agirem então como atendentes, depois levava-os a um alojamento de migrantes, para que cuidarem deles lá mesmo, sem políciais armados, sem cães policiais, que hoje podem ser encontrados em todos os hospitais da Baviera, e sem ajuda médica.”

08/10/15

PORTUGAL, AGRICULTURA, E MOUROS (I)

MEMÓRIAS DE LITERATURA PORTUGUESA,
Publicadas
pela
ACADEMIA REAL DAS CIÊNCIAS DE LISBOA

Tomo II

LISBOA
Na Oficina da Mesma Academia
ano 1792
Com licença da Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame,
e Censura dos Livros.


[...]
§ I
DO TEMPO DO CONDE D. HENRIQUE ATÉ ElREI D. PEDRO I

O Terreno que chamamos Portugal, no tempo do Conde D. Henrique era, grande parte, senhoreado de Mouros, inimigos irreconciliáveis dos Nacionais, com que viviam quase sempre em crua guerra. O carácter da guerra daqueles tempos era principalmente de corridas, de falto, e de pilhagem, a ordem de parte a parte se roubavam os frutos, e os rebanhos. Os Lavradores, destas contínuas inquietações sempre assustados, apenas cultivavam as terras mais vizinhas às casas fortes, e povoações muradas, donde facilmente pudessem ser auxiliados das irrupções dos inimigos. Com a mão, hora nos instrumentos da cultura, outra hora nos da guerra pela maior parte colhiam, e pelejavam.

Nas Províncias do Minho, Trás-os-Montes, e uma parte da Beira se vivia com mais repouso. Aí mais a salvo os Lavradores, semeavam, e colhiam. as colheitas eram principalmente de trigo, centeio, cevada, e legumes. As frutas, e hortaliças eram abundantes à proporção do povo. O azeite era raríssimo no Minho; havia suficiente na Beira, e Trás-os-Montes (vemos isto por algumas escrituras, e doações daquele tempo, que se guardam nos respectivos cartórios, e também pelos forais; muitos nos refere Fr. António Brandão na Monarchia Lusitana, e o P. D. António Caetano de Sousa nas Provas das memórias Genealógicas da Sereníssima Casa de Bragança): do mesmo modo era o vinho. Os mais géneros floresciam medianamente.

Ainda então se não tinham introduzido tantas diferenças de qualidades na Ordem política. Um Lavrador era um homem bom, um homem honrado, que rodava com todos os bons Patriotas, e ocupava os honrosos cargos públicos do Lugar em que vivia.

O Conde vendo, que havia bastantes terras incultas, que era necessário cultivarem-se para a subsistência do Estado, e que por outra parte os cuidados da guerra lhe não deixavam empregar-se de propósito neste empenho, buscou modo, com que, sem faltar ao ministério das armas, promovesse a Agricultura. Repartiu largamente as terras incultas por alguns corpos de mão morta, com às Catedrais de Braga, e outras, e aos Monges Benedictinos; e também por muitos Senhores da sua Côrte, que as fizessem cultivar (que fez doações a vários Senhores da sua Côrte, prova-se pelos testemunhos apontados nos referidos AA. "Deus a Alberto Tibão, e a seu Irmão, e aos mais Franceses o campos de Guimarães junto ao seu Paço." Sousa T. I das prov. nº 2 "Também deu a Egas Moniz o sítio de Britiande, que logo pobrou, e fez aí quinta e morada." consta do liv. das doações do Mosteiro de Salzedas, referido por Brandão Part. III liv. VIII cap. 20; aí mesmo se leem estas palavras "e D. Henrique.... deixou-lhes haver quanto filhavam e contava-lho, e assim fez a D. Garcia Rodrigues e a D. Paião seu irmão, que lhes contou o Couto de Leomil etc..."; no mesmo lugar se acham outros muitos testemunhos; também o Conde fez fundar novas povoações de Lavradores, para multiplicar os homens, honrados a estes novos povoadores com graças e privilégios; para prova disto basta ver o foral da Vila de Constantins de Panoias, que refere Sousa no tom. I das Provas nº 1). A Catedral de Braga repartiu estas terras, aforando umas, dando outras aos Lavradores com a convenção de certas partilhas na colheita dos frutos.

Os Monges em parte fazendo o mesmo que a Catedral, em parte dando ainda melhor exemplo, também promoveram a cultura. Viviam ainda estes respeitáveis Monges em todo o rigor dos trabalhos Monásticos. Multiplicaram, com o favor do Conde, os Mosteiros, onde se recolhiam nas horas do repouso, e Oração. O mais tempo empregavam em cultivar por suas próprias mãos as terras que lhes foram doadas, dando testemunho público da sua observância, e do amor ao trabalho honesto, e proveitoso, fundando ao mesmo tempo muitas povoações, e Freguesias para cómodo daqueles seculáres, que por algum modo se agravam às suas lavouras, donde veio ser a Província do Minho a mais povoada, e por consequência a mais abundante.

Mosteiro do Lorvão
Estas Comunidades de Monges lavradores se aumentaram tanto, que além dos Mosteiros Lorvaniense, e Bubulense serem muito povoados, o Palumbário, segundo escrevem alguns, chegou a ter 900 Monges (Que os Monges Beneditinos viviam do seu trabalho manual, já desde as suas fundações em Portugal, e antes do tempo em que falamos, além de ser conforme à sua regra, e testificado pelos seus anais, se deduz da doação, que fez ElRei D. Ramiro aos Monges de Lorvão, que não querendo eles possuir herdades, e sustentando-se como Lavradores jornaleiros, o Rei lhes dá uma herdade, e os obriga a aceitar "quoniam inter istos montes non habetis campos ad laborandum" prova de que eles trabalhavam nos campos para se sustentarem. Que os Monges deste Mosteiro trabalhavam por suas mãos nas herdades que já depois possuíam, prova-se porque as suas lavouras eram muito grandes. Tais, como se colhe de doação que lhe fez ElRei D. Sancho de Leão, que contendo, como quisera levantar o cerco de Coimbra por falta de víveres, acrescenta: "os frades me deram de tudo o que tinham para comer, ovelhas, bois, porcos, cabras, aves, pescados, e muitos legumes, pão, e vinho sem conto que.... tinham guardado etc."; tais eram as suas colheitas que sustentaram um Rei, e um exército - estas não podiam ser feita senão pelas suas mãos; porque tendo sido, depois de expugnação de Coimbra por Almansor, levadas cativas a Sevilha "todas as pessoas que eram de trabalhar"; e algumas poucas que ficaram, constrangidas pela escravidão, a servir aos Mouros, que dominavam a terra, como podiam ter os Monges tanta cópia de criados para tão grandes lavouras? nem os Mouros lhos consentiam, principalmente tendo tão perto o Mosteiro Bubulense, ou da Vacariça, que unindo-se seriam temíveis aos inimigos; além disso "Os Mouros deixavam trabalhar aos Monges pagando-lhes certo tributo, e ainda sim os vexavam."; são palavras de um monumento antigo referido por Fr. Manuel da Rocha no Portugal Renascido - Que o mosteiro Paumbário, ou de Pombeiro, tivesse 900 Monges, diz Fr. Leão de S. Tomás nos prolómen, às Constituições Beneditinas; outros duvidam do número; como quer que fosse, sempre era grande; o mesmo A. refere uma passagem do Livro dos usos do dito Mosteiro, que determina, que "na 5.ª feira Maior se chamem para o Lava-pés tantos pobres, quanto Monges houver: e no caso de se não acharem tantos pobres Curet Soliem (o Abade) quos centum et viginti minime deficiant."). A utilidade intrínseca de Agricultura, os exemplos destes virtuosos Monges, o favor do Príncipe, e dos poderosos, para o aumento da povoação, e por consequência da Cultura, tudo animou os homens, e começaram a empregar-se com mais gosto nos trabalhos da lavoura.

Neste tempo ainda não era cultivada por nós, mais que uma pequena parte da Estremadura. A Beira nem toda era cultivada, o Além-Tejo era ocupado de Mouros, que não deixavam trabalhar os naturais, oprimindo-os ou com a escravidão, ou com a guerra.

Entrou o governo DelRei D. Afonso Henriques, em cujo tempo já nas três Províncias havia muita colheita de grãos, vinhos, e azeite, principalmente nas vizinhanças de Coimbra. Duarte Galvão, e Duarte Nunes de Leão nos contam, que estando este Príncipe em Guimarães vieram os Mouros cercar Coimbra, e destruíram "pães, hortas, vinhos, e olivais, com tudo era tanta a abundância destes géneros na Cidade, que davam cinco quarteiros de trigo per um meravidy de ouro e dois moros de vinho por outro maravidy" são formais palavras por que Duarte Galvão se explica (Duarte Galv. Crónica Cap 7).

As armas Portuguesas conduzidas por este Príncipe foram correndo pela Estremadura, entrando por Além-Tejo, e compelindo os Mouros até aos fins da Monarquia. Novas terras conquistadas pediam novos povoadores, e colonos. Ele todo ocupado na reparação da Pátria, vendo que os trabalhadores da guerra lhe não deixavam pôr todos os esforços no aumento da Cultura, seguiu os vestígios de seu Pai, já em cuidar, que se fizessem novas povoações, já em repartir as terras pelos Corpos de mão morta; deu muitas às Catedrais de Viseu, e Coimbra, que fizeram fundar inumeráveis povoações (consta das nossas Crónicas, da Monarquia Lusitana, e de infinitos documentos dos referidos cartórios; fez das terras de Coja outro, e Senhorio dos Bispos de Coimbra, que as fizeram cultivar - Brand. Part. III liv. 9 Cap.18), outras muitas ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (o livro das doações de S. Cruz está cheio de provas "Fez o couto de Verida a esta Casa, na Era de 1204 e deu suas terras para se fazerem abrir", "deu também o Castelo de S. Olaia"; A doação deste Castelo traz Brand. Part. III Liv. II Cap. 7; também lhe deu Leiria, da qual o Rei diz "Quod castruns in terra deserta ego primitus edificavi" Id. Part. III Liv. 9 Cap. 25). Estas corporações repartiram também as terras pelos seus colonos com foros, ou por convenções de partilhas na colheita, por terço, quarto, e oitavo; e esta foi a origem dos direitos que este Mosteiro ainda hoje tem nos campos de Cadima, Tocha, Antuzede, Reveles, Ribeira de Frades, Condeixa a nova, e Vetride povoações, que aquela Comunidade ou fundou, ou reedificou para cómodo dos seus Lavradores.

(a continuar)

07/10/15

MEMÓRIAS ECLESIÁSTICAS DO REINO DO ALGARVE (Cap. XV, I parte)

(voltar ao capítulo XIV)

CAPÍTULO XV

D. Sancho I (Catedral da Guarda)
Antiga Fundação da Praça de Silves: Não Foram os Povos Curetes, Sim os Cynetas, ou Fenícios, Seus Primeiros Habitadores: Breve Narração da Tomada Daquele Castelo Por ElRei D. Sancho I.

A Cidade de Silves, célebre pela riqueza, e comércio de seus antigos habitadores, lastimosa pelas ruínas de seus edifícios, e cidadãos, está situada à parte Ocidental do Reino do Algarve (na versão da Geog. Nubiense ediç. Paris 1619 citada pelo Cl. Gonçalo Xavier de Alcobaça na Diss. da Academ. Liturg. Tom II, pág 527 "huic esiam provinciae limitanea est ab occasu provincia Alfaghar [Algarve] intra cujus ambitum deprehenduntur Sancta maria, Martola, Selves cum plurimis castelis, ac pagis. Jungitur hic provinciae Alacacer, quae nomen a filio Danes, continetque Jaboram, Batalios, Saripam, Maredam, Cantarai, Aljaif & Coriam, etc."), três lugares ao Oeste do antigo Porto de Anibal. Alguns Escritores asseguram ser edificada aquela Praça pelos Povos Curetes (Plobacion Gen. de Esp. pág. 2 ediç. 1675 Corog. Portug. Tom III, pág. 4, D. Luís Caet. de Lima, Geog. Hist. Tom II diz, que Silves se supõe edificada antes da vinda dos Cartagineses. É certo que os Povos chamados Curetes, de quem fala Justino no Liv. XLIX vindos da Grécia às Espanhas, são os Cynetas, Cinésios, ou talvez antes dos Fenícios. Sabemos que os Historiógrafos daqueles tempos lhes dão os nomes, segundo a diversidade das Regiões que habitavam. Os Curetes porém nunca vieram às Espanhas, o que dignamente decidem, e provam com eficazes razões os Cl. PP. Mohedanos na sua Hist. Litt. de Hesp. Tom. II Part. I Liv. IV, pág. 127 e seg. e Tom II Part. II Dis. VIII pág. 71 e seg.), quatrocentos, e quarenta antes da vinda de Cristo. Sobre um monte, a que vai contornando uma pequena planície, se vê elevada esta Cidade. Altas serras encurtam por todos os lados a sua vista, e fazem seu horizonte restrito, e muito apanhado. A diversa disciplina de seus conquistadores a fez confluir de fortes muros, e baluartes, segundo os tempos, e interesses obrigavam. Uma ribeira lava as casas de seu arrabalde, e por isso suas estreitas margens não são estéreis à benigna cultura.

Desemboca esta ribeira na barra de Portimão, por onde lhe entra o fluxo da moré, que sobe até cobrir as mesmas fontes. Foi antigamente famoso este rio pelas enterprezas dos Cartagineses. Romanos, e Sarracenos, como também foi útil ao comércio nacional no princípio do governo dos nossos Soberanos (antigamente eram frequentes entre nós as Assembleias dos Povos dos diversos Estados do Reino, a que chamam Côrtes. Nelas se resolviam as controvérsias, e se ordenavam as decisões, e Leis sobre os pleitos, queixas, e interesses dos mesmos Povos entre si, e da Coroa. A Câmara de Silves abunda nestes Pergaminhos originais das decisões que li, e consta deles os grandes interesses de comércio, que se fazia naquela Cidade até aos anos de 1351 que totalmente foi arruinada; recobrando um pouco o antigo esplendor no fim do século XV e princípio do XVI em que o Senhor Rei. D. Manuel mandou reformar os antigos Forais das Cidades, e Vilas; reduzindo a melhor forma a economia da fazenda; e no Foral de Silves, assinado em 1505 se lê, ser esta Cidade reputada primeiro que a de Lisboa para o privilégio de vizinhança. A decadência do comércio, e as disposições que a Província permite para castigo dos homens, arruinaram Silves, até ao ponto de lhe ser arrancada a glória da Cadeira de Paulo III que depois de alguns anos se verificou governando o Senhor Rei D. Sebastião, apesar das oposições dos moradores, que ainda hoje sentem, e choram esta falta). Um Ilhéu de cem palmos de comprido por vinte de largo divide uma pequena foz (a que chamam a barra de Silves) da serra da atalaia, onde houve uma guarita dos tijolos, ou ladrilhos Fenícios, de que já falei, a qual servia aos Turdetanos, e Sarracenos de vigiarem sobre a entrada do Porto. Bem poucos anos há que se viam nas rochas vizinhas argolões grandes de ferro, e bronze, destinados a se amarrarem as embarcações de maior parte. Os velhos têm insstruido a seus netos haver naquele Ilheu um registo, onde antigamente davam entrada, e saída às embarcações, que parece ficavam ali em franquia (sabemos por uma Lei do Senhor Rei. D. João II, passada em Évora aos 23 dias de Janeiro de 1495, que este Soberano para adiantar o comércio daquele País deu uns grandes privilégios, e isenções a doze Pescadores nacionais, que se estabelecessem no lugar da Amixolhoeira da Carregação, termo da Cidade de Silves, por ser o sítio daquela Povoação mais acomodado à transformação, e saída dos géneros daquele terreno, e o da Pesca. Guarda-se este Pergaminho na Câmara de Silves, do qual extraí uma cópia).

Sofreram os moradores de Silves as mesmas mudanças de costumes, ritos, e dominadores, como o mais resto dos Povos da Lusitânia. os bárbaros Sarracenos da família dos Almoadas tinham o senhorio das Espanhas, o célebre Abderrame Mouro honrado, e valoroso passou naqueles dias da África com grande poder de soldados; e internado na Lusitânia, tomou Beja, Évora, Santarém, Lisboa, e todo o Algarve (nisto viu um mouro honrado a Espanha: e pelejou com Juffez, e matou-o, e fez-se Rei, esse Abderame veio dalém mar com grande poder de gentes de  Miramulim, e depois que matou Juffez senhoreou-se de toda a Espanha. E tomou os lugares que ficavam por tomar aos Cristãos: este destruiu as Igrejas, e queimou os Santos que estavam nelas, etc. "São palavras originais de um raríssimo Mss. que se conserva entre os Livros do Sábio Professor de Filosofia bento José de Sousa Farinha, a pág. 72 e é uma Crónica das coisas daqueles tempos, descoberto este Mss. na Cidade de Évora." Tem lembrado ser a Tradução de Rafis, por Mahamet, e Gil Peres, ou outra Crónica das mais antigas, ou a Tradução que fez Resende, como já disse). Segundo alguns Escritores, Silves foi tomada aos Mouros por ElRei D. Fernando o Grande de Castela em 1060 cuja possessão logrou poucos tempos (Corograf. Portug. Tom III pág. 4 D. Luís Caet. de Lima Geog. Hist. Tom. II). Com Ismar, e os demais reis, que foram vencidos na batalha do Campo de Ourique, também se sabe que viera o Potentado de Silves, homem de grandes forças, e agigantada estatura, a quem ElRei D. Afonso Henriques matou naquela famosa victoria com uma lançada (Mr. de la Clede Hist. de Portugal).

(continuação, II parte)

06/10/15

MEMÓRIAS ECLESIÁSTICAS DO REINO DO ALGARVE (Cap. XIV, IV parte)

(continuação da III parte)

Depois deste Príncipe ter dado mostras de seu ânimo, e valor, depois das conquistas de Sevilha, de Beja, de Santarém, e de outras muitas Praças fortes do Reino, Senhor absoluto da Monarquia, medita emprezas grandes, e as desempenha. Não é sempre propícia a Providência aos interesses marítimos. Ela obriga muitas vezes os navegantes a empreenderem escalas contra os intentos premeditados. Uns aventureiros da glória militar, e religiosa, que se dirigiam à conquista da Terra Santa, entram no porto de Lisboa, impelidos de uma furiosa, e rija tempestade. ElRei D. Sancho não perdeu tempo em os obsequiar, enquanto este ia contrário á viagem intentada. Aquele Soberano lhe propõe alguma conquista nos vizinhos Mouriscos; e uns, e outros convieram em se dar assalto à Cidade de Silves, Praça forte, e florente no Algarve, e que servia de asilo às entrepreza dos Africanos.

Silves
Este Castelo depois de sofrer quase dois meses de assédio, em que a presença do Soberano influía para a conquista, foi cedido às forças das armas Portuguesas, e dado a saque aos estrangeiros. ElRei mandou consagrar a Mesquita maior dos Mouros em Catedral, sendo feita esta religiosa acção pelos Prelados que ali se achavam. Então é que se renovou a antiga Igreja Osnobense, que estava esquecida havia tantos séculos; nomeando o mesmo Soberano por Bispo Silvense a D. Nicolau.

Como vivi alguns anos no Convento, que a minha Congregação tem nesta Cidade, desejo ser grato a instrução da mocidade que ali eduquei, e à civilidade que devi às pessoas advertidas do país, fazendo desta conquista uma narração circunstanciada, e propondo algumas antiguidades que vi, e descobri no Cartório daquela Câmara.

É pois Silves respeitável pela glória de ser escolhida para residência da Cadeira Episcopal do Algarve, em que se ia renovar o esplendor da Igreja Godo-osnobense. Desfrutou séculos esta glória, que perdeu pelos fins que a Providência permite. Dentro da Sé daquela cidade se encontram ainda hoje dignos testemunhos da sua grandeza nos sepulcros elevados de muitos veneráveis Prelados, na campa DelRei S. João II e de outras Pessoas qualificadas. Poucos dias há que vimos destruir a Cadeira Prelatícia, e Episcopal do Coro alto, onde dignos Prelados assistiram aos Ofícios Santos, ficando-no a mágoa de ignorarmos a decência, e usos da nossa primitiva Igreja, que se conservavam naquela Catedral, nesta, e outras antigualhas, cuja perda lamentam os sábios, e amadores das coisas da nossa primeira fundação. Estas, e outras memórias dos veneráveis, sábios, e ilustres Bispos de que formaremos os elogios, obrigam de justiça a um conhecimento mais amplo das conquistas da Cidade de Silves na dominação portuguesa.

(Capítulo XV)

17/08/15

MEMÓRIAS ECLESIÁSTICAS DO REINO DO ALGARVE (Cap. XIV, III parte)

(continuação da II parte)

Continuam as victorias na Turdetânia, a quem os Mouros chamam  Fogron (12), e determinadamente Alburg, como já dissemos. As nossas Cidades, Lugares, e Povoações ficam ermas, e solitárias. Os homens se embrenham nos desertos, nos cabeços dos montes: seguem-nos os filhos, e as mulheres, repetindo clamores, e áis aos Céu. A cada instante topavam cadáveres, que juntando as campanhas, faziam horroroso o trato da humanidade. O susto, a fome, a morte, e a desesperação os transformava em Estátuas. Uns a outros divisavam nos seus rostos como em espelho os males que os seguiam. Esquecidos de si, e parece que insensíveis à mesma natureza, tinham como inveja aos irracionais, vendo que se nutriam na carne dos amigos, e parentes.

Tristes, e fatais dias foram estes à Pátria, e à Igreja! Emudeceram as vozes dos Pastores: não se ouve a doutrina do Santo Evangelho: o sangue dos Mártires: os trabalhos dos crentes encerrados nas escuras cavernas a que se refugiavam: as lágrimas, e desamparo das donzelas, dos pais, e dos filhos: todos estes sensíveis objectos gritavam ao Céu, que parece endurecido aos penetrantes clamores dos inocentes. Tudo, na verdade, tudo fugia diante destes bárbaros, que pisavam aos pés as Leis mais santas da natureza, e profanavam com impiedade todas aquelas mesmas coisas, que o Cristianismo tem de mais sagrado, e respeitável. Abandonados aqueles fiéis ao despotismo, e tirania dos Mouros, a sua formosa, e amável Esposa a Santa Igreja ia como desgarrada, entregue ao ludibrio, e profanação dos infames Africanos. Malvados, e sem humor se atrevem a profanar, e pôr as mãos na Arca do Testamento: roubam os Vasos Sagrados, despedaçam as alfaias que servem ao Santuário: aquele mesmo tremendo Sacrifício, onde veneramos, e respeitamos os Mistérios da nossa Reparação, onde humilhados adoramos presente ao Supremo, e Omnipotente Senhor, é interrompido, e apenas seria por alguma vez praticado sem aquele esplendor, e aparato que pedia o Deus Imenso, a quem se tributavam aqueles cultos.

Dura séculos este bárbaro domínio. Dilatados tempos geme a Lusitânia nesta escravidão. Os Reis das Astúrias, de Leão, e de Navarra sacodem o jugo, e por muitas partes levantam o troféu, e estandarte da Cruz contra os intrusos, e infames Africanos. Castigam a ferro, e fogo o ímpeto de suas victorias aqueles Soberanos, que animando com os seus exemplos aos soldados, adiantavam conquistas em que se respeitava a Lei de Jesus Cristo que eles seguiam.

A Província também se mostrou benigna aos males que padecia a Lusitânia. O Todo Poderoso suscita de entre nós ao insigne, e grande Rei D. Afonso Henriques, terror, e açoite dos Mouriscos, e vencedor de muitas, e famosas batalhas, que a benignidade de um Deus, Senhor dos Exércitos, lhe fez conseguir, ainda em idade provecta (13). Um digno sucessor anima as suas venerandas cãs. Sancho I herdando as virtudes, e forças de tão valoroso pai, segue as pisadas do respeitável Progenitor.

(continuação, IV parte)

15/08/14

15 de AGOSTO - NÓS CERTA VEZ NA ÁSIA


"Era D. Paulo de Lima muito devoto da Assumpção de N. Senhora, que cai a 15 de Agosto, e tinha determinado de cometer a Cidade em seu dia: foi dilatando a bateria, e dando ordem às coisas, desembarcaram, e informando-se da terra, e do modo da fortaleza, e aos 13 dias do mês mandou armar da outra banda de Jor um altar, e desembarcou com tod a gente, e se lhe disse uma devota Missa, na qual tomáram a maior parte dos da armada o Diviníssimo Sacramento, porque se tinham já confessado, sendo os primeiros os Capitães, porque quis D. Paulo registar primeiro com Deus aquelas coisas; porque quanto lhe quer se entenda que todo o bem vem dele, e que nos homens não há poder para nada; e a gente que faltou por confessar, e comungar, o fez ao outro dia, que era véspera de N. Senhora, e assim se gastaram estes dois dias nestes exercícios cristãos, nos quais todos mostraram bem grandes exteriores de arrependimento, e ao outro dia no quarto de alva começou toda a armada a disparar aquela tempestade de artilharia, e de bater a cidade com grande terror, e espanto, e o Capitão Mór se mudou aos navios de remo com toda a gente da armada, deixando encarregada toda a frota a Luís Martins Pereira, que se passou a uma galé, e com todo o poder cometeram os nossos a terra, e ao som de muitas trombetas,  tambores, e pífaros, levando o Capitão Mór ordenado de toda a gente três batalhas, que nunca quis fazer dela alardo, por se não saber o pouco poder que tinham, e todavia passavam de seiscentos portugueses: a primeira batalha encomendou a D. António de Noronha, e a D. João Pereira, que haviam de ser a dianteira, e com eles seu irmão D. Nuno Alvares, D. Manuel de Almeida, D. Fernando Lobo, Sebastião de Sousa, Martim Afonso de Melo, e outros muitos Fidalgos, mancebos aventureiros, que desejavam de ganhar honra, e toda a gente de Malaca: a segunda batalha deu-a a Mateus Pereira de Sampaio, e com ele D. Bernardo de Menezes, Sebastião de Miranda, e outros Fidalgos, e Cavaleiros, e a gente dos bantins de Malaca; e a terceira batalha tomou o Capitão Mor para si, e com ele ficaram Francisco da Silva de Menezes, D. Pedro de Lima, Diogo Soares de Melo, Francisco de Sousa Pereira, Pedro Alvares de Abreu, e os dois Capitães Frois, e Coelho; e cometendo a terra, o primeiro que nela pôs os pés foi D. João Pereira com a sua bandeira, e logo D. António de Noronha com a de N. Senhora do Rosário, e em terra acharam um esquadrão de inimigos, de que era Capitão Raja Macota, que o Rajale mandou defender a desembarcação, com o qual D. João Pereira travou logo com grande determinação, e levou de arrancada um bom espaço até além do Forte do Corritão; mas chegou logo outro grande esquadrão de inimigos de fresco, e ajuntando-se todos, tornaram a voltar sobre D. João; e como o poder era grande, foi-lhe tendo o encontro até se recolher no Forte do Corritão até chegar D. António de Noronha com toda a dianteira; e ajuntando-se todos, deram nos inimigos, e os fizeram recolher para um palmar, que se fazia da banda do mar, e antes dele ficaram os nossos esperando pelo Capitão Mór, que ia desembarcando devagar. Tudo o que neste tempo se ouviu eram coriscos, e trovões, assim da armada, como da cidade, que este dia disparou com todas as suas carrancas; porque como se guardava para então, que havia de ser o último dos seus trabalhos, toda a força, e resistência para a sua defesa, e nos nossos todo o valor, e esforço, que era necessário para cometer uma cidade tão forte, e bem provida, assim se desfazia tudo em trovões, e terramotos, que não havia quem se pudesse entender. Já neste tempo era manhã clara, e a gente não acabava de desembarcar pelo impedimento das estacadas, em que alguns dos navios se embaraçaram; e muitos soldados deles vendo o seu Capitão Mór em terra, se lançaram à água, por a ele não poderem chegar. O Capitão Mór depois de posto em terra, mandou a Diogo Soares que lhe fosse recolher alguns soldados, que viu andar desmancados, e que ele não pôde fazer só, e o foi ajudar Francisco de Sousa Pereira, os quais recolheram com trabalho, por andarem já travados com os Mouros, e alguns já bem escalavrados; e porque o Rajá Macota se tinha recolhido ao palmar, e afrontava dali os nossos com suas arcabuzaria, mandou D. Paulo meter um daqueles Capitães no Forte do Corritão para dali fazer afastar os inimigos, o que ele fez com morte de alguns." (X Década da Ásia, cap. X)

14/08/14

MOUROMANIA; QUE ENVERGONHAS

Eles andam por aí há anos, andam pelo Reino do Algarve a comprar terrenos e a fazer hotéis. Há mais de 15 anos que tenho reparado num estranho movimento "mouro" que avança. E bastou estar atento para o ver avançar, passo a passo. Recuam os cristãos e avança a moirama.

Vieram os altos turbantes montar estrutura, vieram as feiras medievais lá para o sul onde os mouros ganham nas batalhas simuladas. São políticos pró-mouro, são sociedades pró-mouro, são mesquitas, e é o castelo de Sinta do qual não querem tirar o nome estúpido de "castelo dos mouros".... Ah, cidade dos burros que vos alegrais mais com a vitória inimiga que os nossos antepassados evitaram: não tardará que festejeis a nossa derrota e a imponhais socialmente.

É a mouromania junta com a judaicomania, porque um mal nunca vem só. E o que têm os dois males em comum!? Simples: a descristianização! Por isso a ditadura republicana em Portugal ditou que os descendentes de mouros e judeus, que por cá tivessem andado no passado, podem agora receber passaporte português [perdão... na verdade "passaporte republicano"] tendo Portugal como segunda Pátria. Que desonra aos nossos antepassados, que desautorização a todos os nossos reis e a todo o nosso sangue derramado, e a toda a nossa tolerância e inteligência. Desde quando um judeu ou um mouro foi português!? Nunca! ... Os que não eram filhos da Santa Igreja eram a seu modo tolerados aqui como estrangeiros, e para eles eram reservados os seus costumes e leis sem afectar a sociedade portuguesa. Não havia judeu nem mouro português: logo não podem herdar hoje o que os seus antepassados não tiveram, nem pode a república abolir o vínculo necessário da catolicidade à portugalidade, tal como não pode retirar às leis do Estado o seu fundamento na Lei Divina, e o seu fim. Mas... a república, seja por nós apenas tolerada enquanto não tivermos forças para correr com ela (se algum dia Deus nos der forças para tal). Seja tolerada a república na sua imundice como um peso, já tolerados tinham sido os Filipes de Espanha (ilegítimos) enquanto não tivemos condições de correr com eles.

A mouromania está em alta, a burrice também, a ignorância ainda mais, e os cristãos são hoje desonra dos nossos antepassados. Cante Sintra desafinada quartos de tom de sensualidade inteira, e seja castigada a olhos vistos para que pelo menos um dos nossos caia em si. Queira Deus da misericórdia do castigo terreno para poupar os homens de maior dano e de castigo eterno.

"tás lindo, filho..."
Pois "Sintra vai ser uma vila árabe durante cinco dias", segundo dizem as notícias ( http://observador.pt/2014/08/12/sintra-vai-ser-uma-vila-arabe-durante-cinco-dias/ ). Esperemos que o Papa Francisco não envie uma carta de "paz" para fazer mais forte a labareda.

22/07/14

O SANTO LENHO DA SÉ DE ÉVORA (IV)

(continuação da III parte)

Assim animados com a confiança que lhes incutia a presença do Santo Lenho, os portugueses atacaram os granadinos. Foi dura e longa e terrível a peleja. Começavam já a enfraquecer os nossos:

"... os membros com que haviam de ferir lhes enfraqueciam assim que os não podiam reger senão muito gravemente. As vozes deles eram baixas e tão mudadas que se não entendiam uns aos outros, como aqueles que começaram a lide à hora de Prima [seis da manhã] e estuam passante meio dia. Os mouros refrescavam-se cada vez mais e mais dos que estavam folgados."

A fraqueza corporal foi felizmente vencida pelas fortalezas da fé. Continuemos a dar a palavra ao cronista do Livro das Linhagens:

"Esta hora foi para os cristãos de angústia. E diziam contra Jesus Cristo "Senhor porque entraste no ventre da Virgem Maria e nasceste dela e foi virgem ante parto e pós parto, Senhor porque te prouve de receber morte por salvação dos cristãos, Senhor porque ressurgiste ao terceiro dia a tirar os que jaziam em trevas e em coita, Senhor porque nos mostraste caminho de salvação pelos sacramentos que nos destes, Senhor porque nos mostraste em como fazer igrejas em que te louvássemos e seguíssemos pois de todo isto hoje faleces a toda a cristandade?."

Foi então que, na aflição da derrota iminente, deram pelo desaparecimento do Lenho Santo:

"Estando os cristãos nesta pressa e coita aventura sem esperança chegaram três cavaleiros ao Prior D. Álvaro de Pereira e disseram-lhe: "Senhor que fazeis? Os cristãos estão em perdição, as azes de cunha e de curral [Az de cunha: disposição das tropas em forma de cunha; Az de curral: disposição do exército em forma circular para envolver o inimigo] e cinco magotes estão folgados e não é coisa que como veerem a lidar os que posades sofrer. E uvera cruz não tendes aqui! O Prior foidissto muito coitado pelo que ele dissera ao Rei D. Afonso que por a bem aventurada santa vera cruz havia de vencer primeiro. E disse em alta voz: "ai Deus poder-me-ieis dizer onde e ficou?". E os cavaleiros aí disseram "Senhorse cá nos viemos ficar o crerigo neste vale."

Correram  pressurosos a buscar o Santo Lenho e operou-se logo a reviravolta:

"Estando em esta presa e esta coita chegou o cavaleiro de foi em busca da vera Cruz com seus três criados bem armados eles e seus cavalos e trazia a vera Cruz ante seus braços em grande asta, e os três cavaleiros [estes cavaleiros forma sepultados com D. Álvaro Gonçalves Pereira na igreja do mosteiro da Flor da Rosa, junto do Crato, pois "que com ele se criaram", como explica o autor do fragmento do Nobiliário] ante ele e viam a maior parte dos mouros ali entrava com a vera Cruz [...]. [Os portugueses] que estavam já muito esmagados pela força que perderam, olharam para ela e viram-na andar entre os mouros, e logo em si sentiram que a graça de Deus estava com eles porque se acharam naquela hora valentes e esforçados como em começo da idade [...]. Ali se mudou a quentura que estava em choro "e de lágrimas e de grande lástima" e amargura a toda a cristandade e tomasse em toda a lidice e em todo o goyo, os cristãos seguiram a vera Cruz por um dia".

Batalha do Salado
Os destroços na mourama foram ingentes, porque os portugueses - acrescenta a crónica medieval - "entendiam que andavam cobertos com a graça da vera Cruz em que traziam os olhos" e cresceram "como leões bravos", pondo em debandada os maometanos, que já diziam mal de Mafoma, que "não havia poder para os defender".

Os próprios infiéis confessaram que a sua derrota se deveu à aparição da Cruz. De feito, quando o turco Alcarac segurou o cavalo do Rei de Marrocos, Abul-Háçan (O Albofacem do Livro das Linhagens e o Aben Amorim da Lápide da Sé de Évora) impedindo-o de voltar-se contra os cristãos que o perseguiam, a fim de o salvar da morte certa, perguntou-lhe este: "Como sabes tu que eu recebera morte?". Disse ele, "Senhor sei porque eu vi coisas estranhas e tão maravilhosas que por homens não se poderia pensar".


(a continuar)

20/07/14

BERÇO DA ORDEM DO CARMO EM PORTUGAL (I)

MOURA, BERÇO DA ORDEM DO CARMO EM PORTUGAL

"Reinado D. Sancho II, aportaram ao Reino uns Cavaleiros da Ordem de Malta, que se faziam acompanhar de padres carmelitas. E como esses cavaleiros eram já Senhores de algumas vilas e lugares do Reino, em cujo número se contava a vila de Moura, fundaram nela em 1250, reinando D. Afonso III, ou depois de 1251 como indicam alguns autores, um convento para os religiosos dessa ordem cedendo-lhes para tal, umas casas que tinham edificado junto duma devota ermita da invocação de Nossa Senhora da Luz.

Devemos dizer que os hospitalários da Ordem de S. João de Jerusalém mantinham com os carmelitas estreita confraternidade na Terra Santa e o seu Padroeiro, S. João, é incluído entre os adeptos dos ermitas fundadores da Ordem do Carmo.

Ante as perseguições infligidas pelos sarracenos aos carmelitas que chegaram ao extremo de lhes detruirem o próprio convento do Monte Carmelo, tomaram eles a resolução de emigrar para a Europa. Em 1238, estabeleceram-se em Chipre, Messina, Paris, levados por S. Luís, Rei de França e em Aylesford, na Inglaterra. 

Coube pois a Moura a honra de ter o primeiro convento carmelita que se estabeleceu na Península.

Isto acontecia, portanto, a não muitos anos da sua reconquista, efectuada pouco depois de 1191, visto a primeira conquista pelos exércitos cristãos ter-sedado em 1166, no reinado de D. Afonso Henriques, com a intervenção daqueles célebres cavaleiros de nome Álvaro e Pedro Rodrigues, cujas cinzas se guardam num túmulo manuelino existente na arruinada Igreja do convento das dominicanas do Castelo, mandado construir pela sua primeira abadessa, Dona Ângela de Moura, da família dos mesmos cavaleiros, nas próprias casas de sua residência.

Convento do Carmo, em Moura
Vem a propósito referir - como hipótese - que a primeira conquista cristã, cuja data se ignora, talvez se tivesse dado no dia litúrgico do santo que se vê representado num fresco, quase destruído, existente na capela onde se encontra o túmulo dos primeiros conquistadores de Moura.

A figura parece a do Apóstolo S. Bartolomeu e, sendo assim é provável que a conquista se tivesse verificado em 24 de Agosto, tempo estival próprio para conquistas e fossados.

A reforçar esta nossa suposição, temos o facto de quase todas as conquistas feitas pelos cristãos aos mouros serem referenciadas aos santos dos dia de S. Barnabé, santo que teve capela própria na igreja de Santa Maria do Castelo dessa cidade, do lado da Epístola, junto do jazigo onde se guardam os ossos dos sete cavaleiros cristãos mortos pelos mouros no sítio de Antas, causa imediata dessa conquista por D. Paio Peres Correia, esforçado cavaleiro de Santiago.

(a continuar)

05/05/14

FÁTIMA - ESCLARECIMENTOS ...

Fátima!? Escuto dizer agora "era uma princesa moura, que apareceu...", "é uma divindade etc...etc...".

Castelo de Ourém
Nunca se espalhou tão rapidamente o erro, como hoje... Por isso, a propósito do nome "Fátima", e referindo-me à localidade, em Portugal, vou transcrever algumas linhas de um livro publicado antes de qualquer suspeita. O livro é o "Anno Historico, Diario Portuguez, Noticia Abreviada de pessoas grandes, e cousas notaveis de Portugal ... oferecido a elRey D. João V ..." (Tomo II, LISBOA, 1744):

XI
(do dia 24 de junho)

"Gonçalo Hermiges, ilustre Cavaleiro Português, de tempo do nosso primeiro Rei, foi não menos entendido, que ilustre, e não menos esforçado, que entendido. Fazia os versos com mais elegância, e cultura, do que se podia esperar da rudeza daquela idade, e por eles era na Côrte estimado. e aplaudido com vantagens aos da sua esfera. Em valor igualava na campanha aos mais destemidos. Tinha contra os Mouros uma tão ardente aversão, que em os vendo, mas que fossem, ou embaixadores, ou cativos, lhe pulava o coração no peito de tal sorte, que se lhe divisavam no resto os sinais da ira. O seu mais frequente exercício era andar em contínuas invasões sobre as terras dos bárbaros, fazendo-lhe todo o género de hostilidades, sem perdoar a coisa viva, e foram tantos os mortos aos golpes da sua espada, que lhe chamavam vulgarmente o Traga Mouros. Entre outros, caso sucedeu o que agora diremos. Achou-se antes da madrigada deste dia, no ano de 1170, junto de Almada, vila fronteira a Lisboa, sabia que ao romper da manhã haviam de sair os mouros da mesma vila a lograr frescura, e amenidade dos campos, e a celebrar, por seu modo, aquele santo, a quem rendem venerações, e tributam aplausos até os mesmos infiéis. No ponto em que sairam , foram improvisamente assaltados dos portugueses, e metidos em grande número, uns à espada, outros ao grilhão, recobrados, porém, os que restavam, vendo a pouca gente, que os investia, formaram-se num corpo em nossa ofensa, e se travou um duríssimo combate.

Santuário de Fátima
Pelejavam os Mouros, vendo, e ouvindo as lágrimas, e gemidos das suas famílias, e posto que estas vozes da natureza, e do amor, lhe infundiam alentos, como estavam cortados do primeiro temor, cederam enfim à impressão furiosa das nossas armas. Recolheram-se os portugueses aos bateis carregados de riquíssimos despojos, dos quais o generoso, e namorado Hermiges, não quis outro para si, mais que uma formosíssima Moura chamada Fátima, que ele cativara por sua mão, e de quem logo ficara cativo. Tratou-a com honestas atenções, muito diferentes das que costuma a licença militar. Conseguiu com estremado gosto seu, que se fizesse cristã, e recebeu o baptismo, e nele mudou o nome de Fátima, em Oriana. Logo lhe deu a mão de esposo, e começaram ambos a ser exemplo de amor conjugal a todo o Reino; e Hermiges esquecido já de tudo o que não era a sua Oriana, só a ela dedicava as elegâncias do seu engenho, e os afectos do seu coração; mas arrebatando-lha a morte dentro em poucos dias, esteve em pontos de perder o juízo, até que caindo em si, e entrando no verdadeiro conhecimento das vaidades desta vida, tomou o habito de Cister no Mosteiro de Alcobaça, empregando todos os seus bens, que eram muitos, na erecção do Mosteiro de Tomarais junto à vila de Ourem, onde faleceu santamente. Já não aparece este convento; porque se aplicaram as suas rendas ao Colégio de S. Bernardo de Coimbra."

15/08/13

CONQUISTA DE CEUTA - ASSUNPÇÃO DE NOSSA SENHORA (15 - 25 de Agosto de 1415)

Assumpta est Maria. Tecto da igreja de S. Francisco (Ouro Preto - Brasil)

Hoje, 15 de Agosto de 2013, dia da Festa da Assunção de Nossa Senhora, trago um documento da conquista de Ceuta, dedicada a Nossa Senhora da Assunção (por ter sido conquistada dias antes desta Festa, o que induziu alguns autores a achar que não tivesse sido a conquista a 25 mas sim a 15). Podemos ver a acção de D. João I, o Infante D. Henrique e o Beato Nuno Alvares Pereira ("Santo Condestável"). Recomendo aos leitores mais apressados a leitura do ponto 1685 do texto, pelo menos. 

Cap. CCCVII

Dos avisos que ElRey fez de ser tomada a cidade, e como no outro dia ainda vieram alguns mouros escaramuçar junto aos muros; e como enfim se purificou a mesquita maior, e ElRey armou Cavaleiro seus filhos e outros fidalgos, como também os Infantes fizeram.

"1682. Tanto que ElRey se viu senhor da cidade, a primeira pessoa a quem se avisou de tão feliz sucesso foi a Martim Fernandes Porto-Carreiro, Governador de Tarifa (e não de Tavira, como erradamente diz Duarte Nunes de Leão na Crónica deste Principe, na pag. 367, o que pode ter sido erro de impressão) assim pela boa vontade que lhe mostrara como porque mais depressa chegasse a Castela esta notícia, a qual lhe mandou por João Rodrigues Comitre, seu criado, que dele foi gratamente recebido fazendo particular estimação desta nova; e achando-se presente seu filho, Pedro Fernandes, que foi o que havia levado a ElRey aquele refresco quando chegou a Tarifa, começou a queixar-se e arguir a seu pai por lhe não ter dado licença, como ele lhe pedira, para então ir a esta expugnação, e o pai se desculpou, não só com a incerteza do sucesso mas com o pouco tempo, que tivera para haver de aviá-lo como convinha à sua pessoa; e nao satisfeito de agradecer a ElRey pelo mesmo mensageiro com afectuosas demonstrações aquela notícia (que bem podiam fiar-se do seu ânimo e das conveniências, que a ele, como tão vizinho daquela Praça e também a toda a Hespanha [entenda-se "Espanhas" ou "Península Ibérica"] se seguiam da sua conquista) quis acompanhar ao mesmo João Rodrigues para melhor expressar a ElRey a sua estimação e o seu agradecimento.

ElRey D. João I
(Mestre de Aviz)

1683. Depois disto, mandou ElRey ao de Aragão outro criado seu, chamado João Escudeiro, para lhe participar com toda a individuação a mesma notícia, e daí a poucos dias mandou também a Álvaro Gonçalves da Maya, Védor da sua Fazenda na Cidade do Porto, para insinuar ao mesmo Príncipe "O desejo, que tinha de o servir, e ajudar na guerra contra os mouros, se ele quisesse empreendê-la, principalmente na conquista de Granada, para a qual lhe havia já aberto aquela porta". ElRey D. Fernando estimou igualmente a atenção e o aviso (que agradeceu também aos portadores com largos donativos), e, ainda que Azurara diga que desejando ele falar a ElRey D. João lhe mandara pedir se avistassem nos confins do Reino e  vindo a esta diligência se lhe agravara o achaque que morrera no caminho, contudo Duarte Nunes, no lugar referido diz melhor e mostra com evidência ser isto um erro manifesto a que eu também me inclino pelas mesmas razões.

1684. Finalmente, deu ElRey também parte deste sucesso a ElRey de Castela, como dizem todos os escritores, ainda que não declaram por quem.

Beato D. Nuno Alvares Pereira, Condestável de Portugal
("Santo Condestável")
1685. Expedidos estes avisos, e tendo ElRey determinado que se purificasse a Mesquita maior, para no Domingo seguinte se dizer Missa nela, o fez logo saber ao seu Capelão mor, Affonso Annes, que havia de celebrá-la juntamente ao Mestre Fr. João Xira seu pregador, a quem encomendou o sermão, o que assim foi disposto no segundo dia depois da batalha, que foi na sexta feira, e neste mesmo tempo tiveram os Infantes repetidas notícias, estando cada um em sua parte, de que alguns mouros dos que haviam fugido se tinham incorporado e estavam à vista da cidade provocando os nossos a saírem dela. O Infante D. Henrique, assim que o soube saiu logo a uma torre para ver quantos eram, mandando ao mesmo tempo buscar um cavalo, se fosse necessário; e vindo com o mesmo intento o Infante D. Henrique, e achando o cavalo à porta da torre, montou nele e deixou dito a seu irmão: Que tivesse paciência, que ele queria satisfazer o desejo daqueles bárbaros, indo buscá-los como eles pretendiam, e não podia perder a ocasião de sair logo, achando ali tão pronto o que haver de fazê-lo; e posto que fora das portas, junta já muita gente com ele, se formou em batalha à vista dos inimigos, e esperou largo espaço, contudo, não abalando eles do lugar em que estavam se recolheu o Infante para a Cidade.

1686. Outras muitas vezes, em onze dias que ElRey ali se deteve, vieram os mouros ao mesmo lugar, e saindo em algumas os nossos, houve várias escaramuças que, ainda que ligeiras, custaram não só sangue mas vidas, até que estando para sair a uma o Infante D. Duarte com o Condestável, e outros fidalgos, e sabendo-o ElRey lhes mandou: Que se abstivessem, e que dali por diante ninguém saísse fora da Praça sem sua licença, pois de semelhantes acções se não tirava honra nem conveniência, e que ele não viera ali a escaramuçar com os mouros, senão a ganhar-lhe a cidade, como havia feito. E assim desde aquele dia cessaram as saidas e as escaramuças.

1687. Chegou pois o Domingo 25 de Agosto de 1415, quatro dias depois de que se tomou a Praça (que foi aos 21 do dito mês, como fica referido, e não aos 14 ou 15 como julgam devota mas erradamente alguns eclesiásticos e com eles Manuel de Faria e Sousa, na sua África Portugueza, na pág. 32 e o que mais é, o mesmo Rui de Pina, na Chronica DelRey D. Duarte, por darem mais este feliz sucesso aos santíssimos dias da Véspera e Festa da Assumpção gloriosa de Nossa Senhora, como ElRey havia experimentado) e junto todo o Clero, que trazia a Armada, revestido de ornamentos riquíssimos (como também a igreja) que para este fim se haviam conduzido, se ordenou a Procissão, e feita ela se entrou a purificar a mesquita maior, com todas as cerimónias que determina a Igreja, a qual se dedicou à mesma gloriosíssima Virgem da Assumpção, acompanhando e assistindo ElRey a esta função com os Infantes e com a Nobreza toda; e acabado este primeiro acto, acesas as tochas, armadas as paredes, benta a casa, e composto o Altar, se entoou o Te Deum, no fim do qual se tocaram as trombetas e charamelas, e se repicaram os sinos que o Infante D. Henrique tinha feito colocar numa torre lembrado que os mouros haviam levado de Lagos alguns deles, e que Deus foi servido que logo fossem achados; e suspenso este festivo estrondo, subiu ao púlpito o Mestre Fr. João Xira, e com a sua costumada elegância ponderou a celebridade daquele dia, de cuja pregação fez um breve resumo Gomes Annes de Azurara, na pág. 262. Acabado o sermão se entrou a Missa, que de todos especialmente DelRey, foi ouvida com lágrimas de alegria, e devoção; e dita ela, se tornaram a repicar os sinos e tanger as trombetas, e neste sonoro ruído continuaram até que os infantes e o Conde deBarcelos, que haviam de ser armados Cavaleiros, tiveram lugar de vestir as suas armas para este ministério, sendo o primeiro que chegou aos pés DelRey o Infante D. Duarte, que tirando da bainha a espada a beijou e lha deu, e ele lha restituiu com as cerimónias de semelhante acto, que podem ver-se em Manuel Severim de Faria nas Notícias de Portugal (Discurso 3§ 28pág. 147 e seq.) e também no cap. II da Nobiliarchia Portugueza.

Infante D. Fernando, o "Infante Santo"
1688. O mesmo fez depois o Infante D. Pedro, a quem se seguiu seu irmão D. Henrique e depois Conde de Barcelos; e armados Cavaleiros, e depois o Conde de Barcelos; armados cavaleiros, se retiraram os infantes, cada um para sua parte a armarem também os seus criados e pessoas principais da sua comitiva, enquanto ElRey fazia o mesmo, os quais foram tantos que os não nomeiam as histórias, e só dizem que ele cançado suspendera esta função, e assim o Infante D. Duarte armou cavaleiros ao Conde D. Pedro de Menezes, D. João de Noronha, D. Henriqueseu irmão, Pedro Vaz de Almada, Nuno Martins da Silveira, Diogo Fernandes de Almeida, nuno Vaz de Castelobranco, e outros.

D. Duarte, então infante.
1689. O Infante D. Henrique armou a D. Fernando, Senhor de Bragança, a Gil Vaz da Cunha, Alvaro da Cunha, Alvaro Pereira, Alvaro Fernandes Mascarenhas, Vasco Martins da Albergaria, Diogo Gomes da Silva, João Gonçalves Zarco, e a outros muitos que os autores não nomeiam.

1690. O Infante D. Pedro armou a Aires Gomes da Silva, filho de João Gomes da Silva, a Alvaro Vaz de Almada, a Aires Gonçalves de Abreu, Martim Correia, João de Ataide, Digo Gonçalves Travaços, Fernão Vaz de Siqueira, Diogo Ceabra, e Martim Lopes de Azevedo filho de Lopo Dias de Azevedo que se achou com ElRey no sítio de Lisboa e em outras muitas ocasiões, nas quais se portou sempre com igual valor à sua qualidade, e o dito Martim Lopes foi um dos mais alentados homens daquele século, e dos doze que foram à Ingalterra em defesa das Damas; militou em todas as guerras do seu tempo, e na jornada de Ceuta acompanhou a ElRey, e foi por Capitão de uma nau (como seu pai foi também de outra) e ultimamente morreu na expugnação de Tanger, e seu filho Lopo de Azevedo, indo acompanhar aos Infantes D. Henrique e D. Fernando; e também seu irmão Pedro Lopes de Azevedo, indo com o Conde D. Pedro de Menezes, morreu num choque com os mouros, como se refere no cap. 162 nº 936. Teve mais Lopo Dias de Azevedo outros filhos (todos dignos de tal pai), dos quas diz Gomes Annes de Azurara na História de Ceuta que ainda conhecera quatro, todos homens de grande talento e capacidade, principalmente Fernão Lopez de Azevedo, Comendador de Ordem de Cristo, e Luiz de Azevedo, Védor da Fazenda, ambos do Conselho DelRey e Embaixadores a vários Príncipes nos reinados de D. Duarte e D. Afonso V, como consta das saus crónicas.

D. Duarte
1691. Este Martim Lopes parece ser filho primogénito de Lopo Dias de Azevedo, e não o quarto como dizem os Nobiliários, pois seu segundo neto, do seu mesmo nome, Martim Lopes de Azevedo, na demanda que trouxe com seus irmãos sobre suas partilhas, livrou destas a Quinta de Azevedo, que possuem seus descendentes, por se mostrar que esta, desde mais de trezentos anos sem interpolação andara sempre como Morgado nos filhos mais velhos dos seus antecessores; o que tudo consta da sentença que ele alcançou a seu favor, e foi proferida em Évora aos 30 de Agosto do ano de 1533 pelos Desembargadores dos Agravos, Martim Docem e Rui Gomes Pinheiro, a qual eu li no  primeiro traslado autêntico, que se extraiu dos autos naquele mesmo tempo em que eles se findaram, e que conserva para seu título Leonardo Lopes de Azevedo, que hoje é o Senhor deste Morgado; cuja certeza bastante abona a sua antiguidade, que não menos acredita a forma da letra igualmente conhecida por daquele tempo; e assim alcançado esta sentença o segundo neto, e possuindo a fazenda o bisavô, bem se infere ser filho mais velho de Lopo Dias de Azevedo o dito Martim Lopes, pois de outra sorte não pudera tocar-lhe nunca, sendo de Morgado, o que sempre chama os primeiros filhos." ("Memórias para a historia de Portugal que comprehendem o governo del rey D. Joäo o I", Tomo III, 1732)

03/04/13

OFÍCIOS DIVINOS QUE TINHAM OS PORTUGUESES EM FEZ E MARROCOS

Como em Fez e em Marrocos tinham os Cristãos Missa e pregação e os mais Ofícios Divinos.

"Em que ainda mais resplandeceu o cativeiro dos Cristãos em Fez e em Marrocos, para honra de Deus, foi o favorecê-los o Xarife, como atrás dissemos, e dar licença de se celebrar o culto Divino, o qual se fazia com muita solenidade dos Ministros e devoção dos ouvintes; com isto se consolavam as almas dos devotos, porque além de dizerem cada dia missas rezadas e cantadas na semana, também havia pregação com que se animavam a sofrer o terrível cativeiro. Nas Quaresmas e em outros dias pregava o Pe. Fr. Vicente da Fonseca da ordem dos Pregadores, que depois foi Arcebispo de Goa, e o Dr. Pedro Martins da Companhia de Jesus, que se perdeu indo à conversão dos gentios da Índia na mau S. Tiago, onde Fernão de Mesquita ia por capitão; Fr. Tomé de Jesus, Religioso de Sto. Agostinho, irmão da Condessa de Linhares, e Fr. Luís das Chagas, frade de S. Francisco, os quais, e outros Sacerdotes seculares e regulares, que lá havia ouviam muito frequentemente as confissões a todo o género de católico cativo, administrando-lhes os Sacramentos, com o qual exercício se consolavam muito, e chegou a liberdade dos Cristãos a tanto que fizeram o Ofício das Endoenças a canto de órgão com todo o aparato como se fôra na Cidade de Lisboa, e esteve o Santíssimo Sacramento encerrado em um cálice dourado por não haver custódia, o qual cálice Martim de Castro do Rio resgatou em Fez da mão dos mouros com uma grande quantidade de relíquias de ossos de muitos santo que em Lisboa eu tive nas mãos; mas porque não faltasse alguma coisa, ordenaram os Cristãos uma procissão em quinta feira de endoenças à noite, onde houve muitos disciplinantes; e ordenaram na manhã da Ressurreição fazer procissão muito alegre, com que os Cristãos davam graças a Deus. Desta maneira andavam os Cristãos cativos muito a alegres, que quase não sentiam seu cativeiro; não faltaram a estas obras outras de sepultar os mortos, visitar os enfermos, e suprir com esmolas aos necessitados." 

(DA MOURA, Miguel. Chronica do Cardeal Rei D. Henrique, Lisboa 1840. Cap. XXXII)

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