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08/04/18

"ACTUALISMO" NO BRASIL


Por aqui, entre amigos, há a crescente impressão de que o comunismo acaba por ser a "encarnação" do modernismo mais prático. Daqui haver dificuldade em dar nome ao título do artigo, ora por não querer colocar apenas "comunismo", ora por não querer apenas colocar "modernismo"... De certa forma, e com certa piada, pela actualidade destes "ismos", ficou o título por "actualismo".

02/08/17

VISITAR PORTUGAL - Campo Maior (X)

(anterior, Lamego)

O socialismo no sul de Portugal foi impondo lento esvaziamento das coisas que lhe incomodavam; não usando de declaradas chacinas, Campo Maior foi levado das comemorações do seu Orago S. João para a "Festa do Povo"... O processo foi gradual; a custo da promoção dos "valores", o novo e falso conceito de "cultura", consequente evolução da ideologia da "separação da Igreja e do Estado", sorridente jogo politiquista, e outras mais gentis artes do Demo, esvaziaram a festa ao Santo, sem que muitos se dessem conta, e sem que muitos mais soubessem sistematizar os argumentos adequados. Processo lento, portanto, que ameaça bastantes outras cidades, vilas e aldeias.

Esta facada foi dada onde? Que terra é Campos Maior? Este modelo anticivilizacional quer vingar na terra de Santa Beatriz da Silva (onde também é cultuada; ela que nos Valha).



Se os Senhores Bispos não voltam aos antigos manuais para entender, não mais poderão fazer que proferir desculpas sorridentes perante a invasão que continua a avançar. O que  dizem ao ocorrido? Continuarão com a gasta frase destas últimas décadas "são os novos tempos"?
 
Principalmente nas aldeias, haverá que explicar que a FESTA não é um acontecimento profano, nunca o foi, não é a "festa da terra" mas sim do santo da terra. A Festa tem o seu cume SACRO, e estende-se depois a toda a realidade humana (seja nas vestes festivas, nas comidas melhoradas, nas actividades de convívio e lazer comuns, em manifestações públicas de honra ao seu Santo, etc.). Portanto, a Festa tem primeiramente a sua realidade SACRA, e depois RELIGIOSA (esta falta de distinção hodierna entre "sacro" e "religioso" tem também levado a confusões quanto à música, etc. - assunto que ficará para outra altura).

Evidentemente, quem gravite em torno do Concílio Vaticano II não estará preparado no conhecimento destas verdades em falta, às quais parece ninguém saber acudir. Mas como travar e reverter? A situação pode, imagine-se, exigiria hoje a criação de grupos de investigação e explicação (como se aquelas necessárias verdades católicas, conhecidas tão bem por os nossos antigos tivessem sido encerradas em museu por pudores ideológicos (ideologices erradas, já mortas desde o dia do "nascimento"; tivessem tido primeiro o funeral, e depois o nascimento fingido). Etc. etc. etc...

Campo Maior tem, isso sim, um "arraial sem Festa"; continuando a Festa a ser a de S. João, tal como sempre foi.

Aos leitores estrangeiros recordo que aquilo que verão mais para o final do vídeo é uma boa decoração das Festas.

(a continuar)

Assim, esvaziado o conteúdo, e mantida de certa maneira a forma exterior, o mundo Cristão a caminhar para uma Disneyland...

09/07/17

MODERNISMO - A DEFINIÇÃO É NECESSÁRIA E URGENTE

O modernismo aplica-se e desdobra-se a várias áreas, como seja à filosofia, teologia, sociologia, artes em geral etc.. tomando depois cada qual certo rumo próprio.
 
O blog ASCENDENS insiste que a definição de MODERNISMO é VITAL na Igreja, e era urgente. A indefinição tem feito estragos incalculáveis entre os católicos: uns porque atacam o "modernismo", outros porque dizem não ser "modernistas", outros porque querem olha o modernismo parcelarmente, outras diversas coisas. É um assunto sério, e não há tempo para melindrices.
 
Ao longo dos anos demos indícios e clarificações sobre o MODERNISMO (embora, por prudência e receio nunca tenha sido feito artigo ou obra acabada), esse problema fundamentalmente ONTOLÓGICO; também sobre o problema da volatilidade do conceito no uso, sintoma do mesmo modernismo.
 
O perigo de não saber o que é MODERNISMO e combater o "modernismo" é real,e cada vez será mais notório. O perigo de não saber o que é MODERNISMO e sem saber motivo válido colocar-se fora dele é um problema, que acontecerá cada vez mais. SIM. Não receamos dizer que não poucos que se dizem tradicionalistas são meros "modernistas-conservadores" (havemos de explicar isto melhor, porque poderá parecer contraditório).

Eu, autor deste blog, conheço várias "regiões" da Igreja, o seu clero (vida e formação); falo de algo que conheço de dentro, por décadas, e desde tenra idade, quando me refiro a "modernismo". A literatura respeitante serviu-me mais de complemento, afinação, e confirmação. Da própria pele me sai que: HÁ QUE SABER DEFINIR MODERNISMO, sim , MAS que tal exercício não pode ser feito sem GRANDE PERIGO (porque muitos que se dizem inimigos do modernismo estão mais em situação de ter de corrigir-se, e não poderia acontecer que tentassem uma "definição" que os sirva, piorando ainda mais a situação actual). Da nossa parte, sempre acusámos o que hoje aqui mostramos, sempre dissemos haver confusão de conceitos etc... somos insuspeitos.
 
A visão ONTOLÓGICA é um dos melhores antídotos contra o modernismo, mas sem intelectualismos demasiados, e mais com sentido pratico do olhar do dia a dia.
 
Pois bem ... a quem por esse tempo aqui e em outros lugares fechou os olhos a tal apelo nosso, cá vai:

"O modernismo foi um erro combatido a seu tempo. Ainda hoje influencia certa teologia. Mas, não tem o menor sentido viver numa cruzada paranoicamente anti-modernista! Acusam de modernismo grandes teólogos do século XX, como Henri de Lubac e Yves Congar e denigrem a memória do grande teólogo Hans Urs von Balthasar! Todos esses teólogos eminentes e santos, apesar de serem somente padres, foram feitos cardeais por João Paulo II Magno e são queridíssimos de Bento XVI. Quanto a de Lubac, Ratzinger o considera um de seus mestres! Será que João Paulo II e Bento XVI são hereges modernistas? Ou será que são ignorantes tolos, que nem percebem o perigo desses teólogos? " (artigo de D. Henrique da Costa, 29 de Dezembro de 2008 ainda como Cónego, publicado ainda no seu site pessoal)
 
Chocante? Para alguns será, para outros quase, e para outros estará tudo em conformidade.

Como é mau ter título de "modernista", ninguém o quer ter; como é moda o título de "tradicionalista", muitos o querem. Há que ter esta realidade em grande conta, e reflectir seriamente.

"PADRE SUMMORUM PONTIFICUM" ?

 
Faz tempo significativo que temos acompanhado um dos casos aos quais não sabemos dar nome; porque ainda ninguém parece ter-se atrevido a dá-lo. Que nome dar aos Padres que seguem exclusivamente a Missa tradicional (como os restantes sacramentos), e doutrina tradicional selecionada (removendo-lhe o que fere a obrigatoriedade pós-conciliar)? Porque a pedra fundamental invocada por estes foi o Summorum Pontificum, e porque não podem ser considerados tradicionalistas, chamemos-lhes "padres summorum pontificum" [quem tiver melhor nome, diga].
 
Qual o motivo de nunca ninguém se ter lembrado de dar nome a estes casos, ou se há nome para eles não é conhecido por nós sequer? Porque estes poucos casos, crescentes, não são estimados: envergonham a uns, e são apenas tolerados pelas autoridades, que se servem deles para satisfazer aquilo que consideram ser uma das "modalidades católicas" agora em moda.
 
Caros leitores, existem hoje estes padres summorum pontificum, e trazemos hoje o caso de um deles, do qual não queremos dar nome nem lugar (há terceiros em causa). É muito provável que deste caso façamos mais artigos a este complementares, os publiquemos aqui, se não forem antes em algum do nosso ciclo de blogs amigos.
 
Este Senhor Padre summorum pontificum costuma apenas dos usos sacramentais antigos, funciona em templo grande e destinado pela paróquia, tudo em total sintonia com o Bispo Ordinário do lugar. Portanto, quem na paróquia quer participar na missa segundo Missal de Paulo VI vai a um lado, e quem quer assistir à Missa segundo o Missal de João XXIII vai a outra (e quem quer ir às duas, esteja à vontade).
 
Segue ele o Concílio Vaticano II? Não propriamente (quem é que o segue realmente!?), mas segue as directivas incontornáveis do "magistério pós conciliar". Além de incluir o Catecismo de S. Pio X nos vários livros recomendados, e livros escritos por santos, outros há que estão em linha incompactível (não tão pronunciadamente que a maioria dos fiéis saiba distinguir).
 
"Se houver por aí exagerados [tradicionalistas] de mentalidade antiquada pode acontecer que fiquemos todos sem sacramentos, sem esta missa. É isso que querem?". Existe este aquele tipo de jogo injusto contra os raros fiéis que se dão conta dos erros e comentam algo: ficam colocados sob o olhar da restante comunidade que lhe diz "calai-vos, ou ficamos sem missa por culpa dos vosso exageros". A preocupação e tentativa de abordagem de um problema real e maior, como se vê, acaba por ficar mascarado de problema subjectivo incómodo à comunidade (é esta corporação no mal e na mentira ainda mais grave pela circunstância, e que entra na marcha de fazer dos Meios ordinários da graça os fins). Os sermões de considerações vagas e veladas contra os fiéis mais lúcidos (os "ameaçadores") acaba por acender na alma dos restantes fiéis gradual inquietação e incógnita, que, mais tarde ou mais cedo, acabarão por equivocadamente encontrar pouso naqueles fiéis alvo.

O próprio manifestou em sermões que aquela comunidade não é tradicionalista, que trata-se de um movimento de pastoral diferente, porque todos na Igreja somos diferentes, e que por isto mesmo há movimentos diferentes na Igreja. Este Padre summorum pontificum quer agradar à autoridade, porque depende disto para viver (provavelmente não quereria ou conseguiria voltar à nova Missa), e não admira que agora mais recentemente tenha até negado o nome "tradicionalista".
 
Pelo que temos acompanhado durante aproximadamente 2 anos, o percurso desta história sempre a descer, mas sempre a subir quanto ao número de fiéis.
 
Este fenómeno não é em Portugal; não há em nossa escrita coisa alguma irreal neste caso e que não tivesse sido moderada previamente. O que aqui está é um resumo, e contamos fazer mais artigos a este respeito.

Eis um assunto que nos diz a todos, e urge também reflexão pessoal ao respeito.

Aguardemos mais notícias.

24/06/17

O DRAMA - A Associação CAUSA TRADICIONALISTA

Algo propagado nas redes sociais pela associação cultural "Causa Tradicionalista":

Ohh gente misteriosa, dizeis "liberalismo-absolutismo-maçonaria-democrático" depois de no nosso programa "Conversas de Café" usarmos "iluminismo-liberalismo-maçonaria"!

Como colocais "liberalismo" na mesma linha de "absolutismo" se aqueles que em Portugal aceitaram ser chamados "absolutistas" estavam declaradamente nos antípodas ideológicos dos liberais?

E pelo que pugnais vós afinal? Pelo "poder de decisão dos povos"!?. Mas isto não era da propaganda liberal?

Perante tanta confusão... decidam-se! Ou quente, ou frio.

23/06/17

OS BONS PRINCÌPIOS E A ESTRANHA PASTORINHA (I)


Submetamos a alguns dos nossos princípios uma passagem atribuída à Irmã Lúcia, do livro "Um Caminho Sob o Olhar de Maria". Tentativa arrojada esta, como verão, e contracorrente; a alguns leitores desagradará que desmontemos tal trecho, o submetamos, e voltemos depois a ordena-lo fazendo conclusão não coincidente com o seu sentir.
A passagem em questão:

"Se Portugal não aprova o aborto, ficará a salvo; se o aprovar, terá muito que sofrer. Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável; mas pelo pecado da Nação paga todo o povo. Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu."
Antes de mais, segundo dados que posteriormente daremos, não garantimos que estas sejam realmente palavras da Irmã Lúcia, nem asseveramos que a Irmã Lúcia não tenha dito algo parecido (anteriormente, já nos tinha parecido haver motivos para colocar algumas reservas ao livro de onde transcrevemos).

Atenção primeira a cada um dos pontos seguintes, contendo princípios antigos que defendemos, para melhor ir depois ao assunto (as notas serão colocadas  na caixa de comentários, e poderão ali aparecer outros complementos posteriormente):
- Cremos terem essência própria cada um dos Reinos Católicos (que a Cristandade coloca por ordem: Sacro Império, França, Inglaterra, Castela, Portugal, Catalunha etc.). [1]
- É público que falamos de Portugal pelo Reino Católico que É, o qual ESTÁ hoje ocupado por meio de uma República (antes por meio de uma "monarquia" constitucional, desde de 1834, a 1910 - no séc. XVII a nossa Monarquia tinha ela mesma ficado ocupada pelos ilegítimos reis Filipe). Reino de Portugal por vontade de Deus, com permissão de Deus hoje ocupado (à imagem do que sucede com os restantes Reinos Cristãos). Portanto, quanto ao SER: Portugal é um Reino; quanto ao ESTAR: Portugal está ocupado; e é justamente sob estas distinções que os nossos antigos não confundiram a rebelião com o dever de restituição daquilo que é devido. [2]

- Sabe-se que estamos firmemente com aquela verdade segundo a qual, nos referidos reinos cristãos, uma "lei" que fira aquilo que Deus ordena é violação, ofensa grave, coisa ilegítima (neste nível de consideração não pode haver licitude que seja ilegítima, ou legitimidade que seja ilícita), não seria verdadeira lei.  Tal não seria também coisa de Portugal, portanto, nem dos reinos cristãos, sim contra Portugal, ou contra qualquer um dos reinos cristãos onde aquilo fosse, contra a Europa, conta a cristandade e a Cristandade, [3] contra a Igreja. [4]
- Quem tomar para si estas verdades só poderá dizer: "afinal, Portugal não aprovou leis abortistas, nem aprova, nem aprovará".  E diz bem. É a Lei de Deus e a natural (ambas do mesmo Divino Autor) aquelas que, uma vez tomadas honestamente pelo Rei, ao Reino se aplicam, e estendem, desdobrando-se em várias leis e ordenações, à medida que a realidade clame, aqui e a li. [5]
- Temos usado a designação "República-em-Portugal", que o vulgo por enganado costuma chamar "República Portuguesa". Não pode essa tal república falar verdadeiramente em nome de Portugal [6] (atenção: não sugerimos ignorar ao ponto de ignorar os impostos etc... - assunto que não cabe aqui agora). Com ou sem culpabilidade (que a ignorância não culpável também não culpa), foram os republicanos os responsáveis pelas suas leis abortistas, para impô-las aos portugueses.

O leitor que não aceita estes princípios, provavelmente não lhe adiantará continuar a leitura.
Vamos agora submeter aos mesmos princípios aquelas palavras atribuídas à Irmã Lúcia:

1 - "Se Portugal não aprovar o aborto, ficará a salvo." - Portugal não aprova, não aprovou, nem aprovará (já vimos como). Adaptando: "Portugal não aprovará o aborto, e por isso ficará a salvo".

2 - "se o aprovar [ao aborto], terá muito que sofrer." - como não o aprova, mas como houve "aprovação" republicana, adaptemos: "quem o "aprovar", terá muito que sofrer".

3 - "Pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável;" - Assim é.

4 - "mas pelo pecado da Nação paga todo o povo." - Sim, o princípio está certo, embora requeira trocar "nação" por "Portugal". Acontece tal pecado não é da Nação (como já vimos), é contra Portugal e a culpa recai em quem "aprovou" tal ataque aos portugueses: a "República-em-Portugal". Não há que adaptar que não seja necessário, e por isso apenas suprimamos esta parte.

5 - "Porque os governantes que promulgam as leis iníquas fazem-no em nome do povo que os elegeu." - esta explicação não é necessária agora, mas será depois comentada. Por isso também não há daqui coisa que adaptar.

["Adaptando: "Porque os falsos governantes que forjam as "leis" iníquas fazem-no usando o nome do povo que " ... > vestígio do nosso texto primitivo]
Montando as partes:

"Portugal não aprova o aborto, e fica a salvo; mas quem em Portugal o quer aprovar terá muito que sofrer; pois, pelo pecado da pessoa paga a pessoa que dele é responsável."

Aqueles que dizem "vamos exercer o nosso direito de voto" terão contas a prestar [7], isso sim, porque tal "direito" lhes veio do conjunto republicano de leis que os obriga às leis abortistas. É a esses que cabe ter muito que sofrer pelo negócio de usufruírem de falsos direitos em troca de dar falsa legitimidade à República. Como nós, todos aqueles que se têm negado a dar força de legitimidade à República-em-Portugal", não cabe sofrer nem muito nem pouco como seu povo; somos PORTUGUESES verdadeiros e suportamos o peso que hoje isso representa e exige.

Mas enfim, em Portugal mais legítimo é o poder temporal-territorial de um Bispo que o de um republicano; a Igreja em Portugal esteve sempre declaradamente contra o aborto. Nem sequer o aborto foi aprovado em Portugal ... continuou a ser crime nas leis republicanas, mas, em dadas condições tal crime é despenalizado (despenalizar um crime em dadas condições é diferente de legalizar o crime ou removê-lo dessa classe). Por fim, não foram os governantes republicanos a votar a despenalização: um referendo popular, cuja pergunta tinha várias deficiências, levou com uma abstenção de 56% (a maioria), e tendo havido um anterior, em 1998 o "não"ganhou.

(a continuar)

30/05/17

NA SERRA ALTA - Um Caso Modernista

 
[Edouard Le Roy] "(...) era teólogo, nunca terá redigido algo censurável segundo as sentenças da Pascendi, era considerado modernista, a sua obra está no Index, faleceu em 1954 aos 84 anos."
(na serra alta - J. Antunes)

29/05/17

NA SERRA ALTA - Modernismo Multi-aplicado

S. Pio X
"A respeito do conceito "modernismo", ao sério exame académico não escapa o geral e progressivo fenómeno do desentendimento público. O sentido próprio da palavra "modernismo" tem sua raiz académica no séc. XIX, e é ontologicamente definível como erro relativo ao Ser (eis o âmago irredutível). Na medida em que esse ontológico pressuposto é tomado e aplicado a qualquer área do saber, ou da arte, assim produz sequentes conclusões; foi aplicado na literatura, artes plásticas, sociologia, etc.. No final do século XIX Tyrrell aplicou-o directamente à Teologia, e o alarme soou na Igreja. Em 1907, S. Pio X condenou-o com o nome de "modernismo" através da Encíclica Pascendi, na qual caracteriza-o segundo o que mais urgia combater na Igreja: possibilitar identificá-lo rapidamente entre o clero, para travá-lo na Teologia e Filosofia. (...) Portanto, não há uma variedade de "modernismos", trata-se antes do mesmo erro em peregrinação, produzindo efeitos diversos, tomando múltiplas caras, tantas quanto sejam as realidades onde aplicado. (...)
A condenação do modernismo não se confina àquela ocasião e contexto histórico, nem apenas àqueles vários erros provocados no campo teológico; a condenação papal é para sempre, e dada ao erro "modernismo" concretamente. (...)
O pouco interesse ontológico dos Tradicionalistas pelo modernismo, e o desprezo que os restantes querem dar, produz novo e delicado fenómeno: ignorando o conceito [ontologicamente], manter-lhe o nome recheando-o com características de algum grupo de pessoas, às quais se decida chamar "modernistas"".
(na serra alta - J. Antunes)

21/05/17

NA SERRA ALTA - A Verdade Na Mão dos Errados e dos Certos

Estas seriam mãos certas
"Do séc. XIX para cá S. Tomás de Aquino tem também sido mal usado, e disso têm passado erros! Liberais interpretaram-no, modernistas interpretaram-no, ambos interpretaram diferentemente em certos pontos, não coincidindo com aquilo que sempre foi de Tradição. Autores que hoje conhecemos por infeliz sucesso argumentaram-se também com S. Tomás. Mais que na interpretação, o problema maior tem sido o da aplicação: por mais que livrescamente conheça a S. Tomás, a cabeça não liberta da herança liberal (cultural) acaba por não estar longe do todo, aplica indevidamente à realidade um daqueles fragmentos, a visão que têm da realidade não é suficientemente compactível com as altas verdades daquele santo Doutor. Já diferentemente ocorrem em lugares remotos de Portugal, onde uma velhinha ainda tem na prática, nos costumes, na estrutura de pensamento os traços de uma milenar herança verdadeiramente católica; "Suma Teológica"? Não, nunca ouviu tal nome. (...) Conhecimento e sabedoria também não são a mesma coisa, (...)"
(na serra alta - J. Antunes)

16/03/17

O ALCORÃO É CLARO ...



NOTA:

Se o Islão não for mais o que sempre foi, ou seja, se ele não tiver a interpretação que sempre lhe foi dada, não é mais Islão, mas sim uma seita do Islão, o resultado de um cisma doutrinal. O mesmo se passaria com o Catolicismo, ou Judaísmo.

O cisma prático do "Islão Moderado", ou seja do "Islão Ocidentado" (acidentado ... ocidentalizado .... ), existe hoje, tal como existe ´face ao Judaísmo, e ... Catolicismo. As características são sempre as mesmas: manter as fórmulas, e deslocar-lhes o conteúdo... Mas.... massss!!!! Isso chama-se MODERNISMO!

01/02/17

NA SERRA ALTA - O PARTIDARISMO


"[Fr. Fortunato de S. Boaventura, Fr. Alvito de Miranda, Pe. Agostinho de Macedo etc.] Condenaram então o espírito de partidarismo que o Liberalismo e Maçonaria conseguiram colocar entre citadinos portugueses do início do séc. XIX. Os nossos heróis da Tradição Católica lusa defenderam a permanência da unidade pela Verdade, segundo o que até então tinha sido, e alertaram fortemente contra o espírito partidário. Eis o momento que podemos chamar do nascimento da famigerada dualidade "direita - esquerda" em Portugal; ou, de forma menos pragmática dizemos hoje também "conservadorismo - progressismo". O modernismo necessita destes dois polos de sustento, porque existe pela conservação da forma à qual se lhe  faça progredir o conteúdo."
(na serra alta - J. Antunes)

26/07/16

NA SERRA ALTA - O MODERNISMO

Cristo Rei (Lisboa)
"Que outro nome daria ao modernismo? Daria o nome de "Crise Ontológica", porque o primeiro nome é vago e fácil vítima da tendência do próprio modernista: conserva-lhe a palavra e progride-lhe o conteúdo (podendo até chegar à total desfiguração, ou inversão); já a segunda designação, de tão directa e irredutível tem ela mesma valor ontológico (é quase à prova de modernismo). Sim, o modernismo é a Crise Ontológica: negado ou ignorado o Ser toda a heresia é admissível. Por fim, a negação do Ser é já uma negação indirecta ao próprio Cristo!"
(na serra alta - J. Antunes)

06/04/15

VOCABULÁRIO DEMOCRÁTICO Nº1 - Introdução (II)

(continuação da I parte)


NOVO VOCABULÁRIO
FILOSÓFICO-DEMOCRÁTICO


Cum desolationem faciunt, pacem appellant.
TACITO

INTRODUÇÃO

Todos os homens, que em outro tempo habitavam a terra, viviam unidos no campo de Sennaar: tinham todos umas mesmas ideias, a mesma linguagem, e os mesmo costumes. Multiplicados de maneira, que lhes foi necessário separarem-se pela falta de subsistências, empreenderam, antes de o efectuarem, fabricar aquela famosa Cidade, e Torre, que deviam servir de testemunho eterno, não menos de comum origem, que da sociabilidade, cultura e mutuo amor, que desde o principio havia unido a linhagem humana para confusão de alguns abortos da natureza, que com o discurso do tempo haviam querer confundir a origem do homem com a das feras, e deduzir desta suposta original bestialidade humana a liberdade, a sociedade, e os direitos dos homens.

Mas, nem porque estes vissem que lhes era necessária a separação, lhes deixava de ser amarga, e mui de propósito iam dilatando um negócio, donde lhes resultava um desgosto, que assim não podam evitar. Todos se empregavam em celebrar com demonstrações de alegria os últimos momentos de união, fazendo ver com isto que nunca o bem nos causa tão sensíveis, e doces impressões como nos últimos instantes, em que se nos avizinha a sua perda.

Porém, no comenos que os cuidados e trabalhos humanos se prodigalizavam em um só lugar, a terra por todas as partes deserta reclamava habitadores e indústria: e a Providência soube obrigar os homens a separar-se sem lesão do belo desejo de viverem unidos. Chegou finalmente o dia destinado por ela para o complemento de um prodígio, que por modo algum podiam imaginar. Despertam do sono, e se dispõe aos seus costumados mestres: falam uns com outros, os pais, e os filhos, o maridos, e a mulher, os vizinhos, e os parentes; entende-se mui bem; julgam falar a mesma linguagem que dantes, e falam outra inteiramente diferente: chegam à grande fábrica, falam-se; alguns particulares entendem-se; porém a comum confunde-se, e articula vozes sem comunicar pensamentos. A inocente discórdia não ofende a Natureza: todos estão conformes em máximas, em vontade, em amor, em desejos, e somente em vozes discordam. A Providência mesma já tem sinado, os que devem unir-se, e os que devem separar-se. Despedem-se os homens para multiplicar as Nações; e o ultimo adeus, que podem dar-se à despedida, é de mudos abraços, e ternas lágrimas.

Tal foi o prodígio da confusão em Babel; grande na verdade, porém inocente, e útil. Mas, oh! Quam diverso teria sido o resultado, se em vez da mudança das vozes correspondentes às idas, se houvessem mudado as ideias correspondentes ás vozes?! A suceder assim, seguir-se-ia que julgando os homens entender-se, pois não usavam de palavras senão bem conhecidas, nem se entenderiam, nem fariam outra cousa que enganarem-se. E então que confusão! Que discórdia! Que fatais distúrbios se não teriam originado!!...

Pois esta perniciosa confusão de línguas é a que, de algum tempo a esta parte, se há descoberto com surpresa universal em todos os idiomas da Europa! É verdade que as vozes são as mesmas, porem é igualmente certo que muitíssimas delas, e as de mais importância, não significam já o que antes significavam. É verdade, repito, que são as mesmas vozes, porém também é indubitável que um sem número delas, longe de explicar, o que até aqui hão explicado, não têm outro uso que significar o contrario do que soam. Desta confusão pois, tão fatal em ideias e vozes, tem nascido justamente o universal transtorno social, que tanto à nossa custa palpamos. Ela é que tem feito que muitos Povos, enganados por falsos e mal intendidos Vocábulos, hajam corrido direitos àquilo mesmo, que na realidade detestavam; e só hajam encontrado a escravidão a miséria, a desgraça, onde pensavam achar o porto da liberdade, da felicidade, e o supremo poder, com que tantos os lisonjeavam.

É demasiado interessante este acontecimento, para que se esqueça sua história, com razão pode ser considerado como uma espécie de prodígio. Ele é uma nova confusão de línguas, e se não se há obrado instantânea e milagrosamente, como o de Babel, é sem embargo muito mais importante, funesto, e doloroso para todo os Género Humano, do que foi aquele.

Sua origem remota quiçá pode buscar-se nos tempos de Cromwel, ou de Hobes, e Espinosa; porém a mais recente se deve fixar com segurança nos de Rousseau, e sua contraditaria pena.

Havia já muito tempo que certos entes ridículos, que se diziam Filósofos, maquinavam a ruína da Religião, da ordem, dos costumes, e das Soberanias Legítimas; mas esta empresa era mui difícil, e não devia pôr-se em pratica, sem que o engano mais delicado houvesse antes preparado o caminho. É por esta razão que muitos tentaram a carreira, porém com infeliz sucesso. Só Rousseau teve a glória de inventar uma vereda capaz de confundir os cérebros, e de fazer que todos os homens corressem após aquilo mesmo, que mais aborreciam.

Inventou um absurdo agradável, e chamou-se "Pacto Social": fundou este pacto social sobre a liberdade humana: a liberdade humana sobre os direitos do homem: os direitos do homem sobre a natureza; e a natureza sobre o que ninguém entende, nem há podido compreender, senão ele.

Porém como a Religião, a razão, e os deveres estavam em oposição manifesta com a sua liberdade, e seus direitos, deixando a um lado a definição verdadeira daquela, e destes, armou tal confusão de linguagem (algarabia), e faltou tão contradictoriamente da Religião, da liberdade, dos deveres, e dos direitos, que jamais se chegará a saber o que foi, o que ele entendeu por semelhantes nomes. Mas ao mesmo tempo que com estes Vocábulos se confundia a razão, se foi introduzindo uma linguagem doce, que mansamente ia lisonjeando as paixões mais vivas, e despertando o orgulho, e o desejo da independência, e insubordinação. O método foi qualificado de excelente por todos aqueles, que suspiravam por precipitar o género humano em o ateísmo, no desenfreamento, e a libertinagem. O charlatão Filósofo teve infinitos sequazes, discípulos, e defensores; e transtornadas as cabeças, começou todo o mundo a gritar: pacto social, liberdade, igualdade, direitos, sem saber, nem entender o que significavam estes Vocábulos. Ultimamente, a geringonça há sido tal, que não somente se hão transtornado os cérebros dos ignorantes e estúpidos, mas até os de muitos, que se jactavam de doutos e raciocinadores.

Nada menos se pretendia que uma tal confusão, para ir pescando os homens. Falava-se, escrevia-se, e até se apregoava liberdade, soberania, direitos, governo, leis, religião, superstição, fanatismo, e outros infinitos Vocábulo; e falavam-se, e escreviam-se de uma maneira, que perdendo insensivelmente seu verdadeiro significado, e conservando do antigo nada mais que o som, excitaram em os Povos e disparatado entusiasmo, e a extravagante mania de caminhar em direitura à irreligião, à imoralidade, à escravidão e pobreza, imaginando que iam lançar-se em os braços da liberdade, e da ventura.

Atónitos ficaram os homens, quando, instruídos finalmente pela experiência, viram que a liberdade se opunha à razão, os direitos do homem a seus deveres, a natureza a si mesma, sua sonhada soberania à sua felicidade, e as grandiosas promessas aos factos. Foi então quando conheceram de algum modo a inopinada confusão de línguas, sem com tudo descobrir a origem de um tal prodígio.

Já a este tempo estavam repartidos esquadrões de Filósofos, que, reunidos em lugares determinados, trabalhavam com o santo fim de fazer-se tiranos debaixo do nome de libertadores, e de fundar o despotismo, e a escravidão debaixo do nome de Democracia, ou Republica. Mas como a Religião era para isto um estorvo, começaram a combatê-la debaixo do nome de superstição, e a denegri-la cobrindo-a de opróbrios, e dictérios. Assim foram seguindo seu infernal plano de roubar os Estados e os Reinos, debaixo do nome dos fazer livres e felizes; de destruir as propriedades com o pretexto de igualdade, e de induzir os Povos para que preferissem a bestialidade democrática aos pequenos defeitos da Monarquia. Esta perversa linguagem tem chegado a propagar-se de maneira, que não somente é já comum em todas as Republicas democráticas, mas a estas horas se acha espalhada por todo o mundo. Tem-se tornado por tanto necessário formar, e publicar um Vocabulário da língua antiga, e da moderna democracia e republicana, não só para impedir que os Povos, enganados pela semelhanças das palavras, vivam eternamente deslumbrados; mas para que se entendam os republicanos, e para que se destruam os seus embustes.

A experiência, que é a mestra mais segura em todas as coisas, é mui especialmente sobre isto que nos fala com toda a clareza: sirvamo-nos de um exemplo: um cão, que logo depois da voz "pau" provou os seus repetidos golpes, chega perfeitamente a entender o que significa, e foge apenas ouve a tal palavra "pau". E se isto assim é, porque razão a experiência não há de ter ensinado aos homens o verdadeiro significado dos Vocábulos republicanos? Por ventura não tem eles palpados o que constantemente se tem seguido às palavras dos republicanos liberdade, propriedade, soberania, etc.?!

Algumas objecções se podem fazer a este Vocabulário, a que convém responder. Dir-se-há, por exemplo, a língua republicana se irá enriquecendo cada dia mais: logo o presente Vocabulário é imperfeito. Não temos a menor duvida a este respeito; porém isso quer dizer que haverá matéria para novos Tomos; e por esta causa poremos em frontispício deste = Tomo primeiro.

Um agudo Jacobino sustentou em um Café, que um Vocabulário Republicano era inútil, pois que daqui a duzentos anos, e talvez antes, teriam voltado os Vocábulos a seu antigo significado; e se agora p. ex. Felicidade dos Povos, significa extrema ruína e miséria, daqui a dois séculos significará, ainda que republicanamente, o que antes significava.

Porém apesar de tudo, sobram-nos fundamentos para crer que os sucessores dos ilustres autores da linguagem republicana, se existe (o que Deus não permita) por todo esse tempo, terão sumo cuidado de conservar a língua em sua primitiva pureza. Além de que, como a presente geração não há de ter a honra de falar com os Republicanos, que hão de viver daqui a dois séculos, a deseja vivamente entender aos que agora vivem, por esta causa o presente Vocabulário não pode deixar de ser de suma utilidade.

(continuação, III parte)

20/06/14

HEREGES COMO ESTE ...

"Uma coisa é a Eucaristia enquanto ágape, que era uma refeição em memória de Jesus, como aqueles banquetes que Jesus fazia com as pessoas e no princípio era isso que havia. Lembrava-se a memória de Jesus e quem presidia à Eucaristia... e era uma revolução porque se um senhor se convertesse sentava-se à mesa com o escravo. Houve mulheres que presidiram às Eucaristias, porque eventualmente era alguém que possuía uma casa maior e eram elas que presidiam. Se foi possível no início, porque não é possível agora?"

"No início os cristãos eram acusados de ser ateus porque não ofereciam sacrifícios à Divindade. Então interpreta-se a Eucaristia como Sacrifício. Há aqui duas coisas tremendas para a Igreja. Se realmente Deus precisa do Sacrifício do próprio Filho para aplacar a Sua ira e estar reconciliado com a humanidade então esse não é o Deus de Jesus em primeiro lugar. Isso é contraditório com a afirmação de Jesus de que Deus é amor."

Palavras do Reverendo Padre Anselmo Borges (
Sociedade Missionária Portuguesa), publicamente proferidas no programa televisivo (RTP1) "Pós e Contras" sobre o tema "Igreja e Sexualidade"  ...

Não há Santa Inquisição, não há Santo Ofício ... e estes são os pastores a quem foram entregues ovelhas ...

Até quando Senhor!? Os hereges deixaram de estar fora há muitíssimo tempo. Depois passaram a estar dentro e ocultados. Hoje estão na dianteira!

Senhor ... abreviais este tempo, antes que não sobre nada!

21/08/13

20 de Agosto de 2013 - OPINIÕES DO BISPO CONDE DE COiMBRA (II)

D. Virgílio, Bispo Conde de Coimbra
(continuação da I parte)

Estamos no "ano da fé", e até agora não encontrei jovens oficialmente "bem formados" que conseguissem dizer por palavras suas o que é "fé" tendo por base o "Catecismo da Igreja Católica"! Nem no "ano da fé"...!? Mas igualmente os sacerdotes, no geral, não sabem definir "fé", e os que tentam não definem, "explicam". Como não hão-de haver preconceitos relativamente a "fé"? A fé é virtude (teologal) pela qual cremos em todas e cada uma das verdades reveladas (doutrina)...; mas quem sabe isto hoje!?... Onde está a eficácia do aumento sucessivo dos anos de catequese, quando não se sabem os conceitos básicos? O preconceito relativo a fé, hoje, pelo que vejo, coincide com o conceito à protestante, mas não tenho visto o clero a usar o conceito tradicional (o único verdadeiro). Porque estranhar os resultados!?... Dar o Brasil como um bom exemplo a este respeito é ainda mais estranho, porque lá o drama é maior, lá o conceito é esmagadoramente de índole protestante. Será que D. Virgílio, afinal, tem interesse em apoiar um conceito não católico que não coincide com o Catecismo Romano e Catecismo de S. Pio X e todos os que deles se desdobram?

No "ano da fé" todos festejam e celebram, sem que da hierarquia se veja promover a definição de fé. Cada um que imagine, ou retire um único sentido entre as linhas não convergentes apresentadas pelo "Catecismo da Igreja Católica", ou, na falta de definição que seja o mundo a guiar o conceito dos católicos!

Há dois anos, uma familiar minha fez a "primeira comunhão". Mesmo sendo uma pessoa inteligente e empenhada, a minha familiar não soube minimamente dizer o que é a Missa e o que acontece na Consagração da Hóstia. Nesse mesmo dia tive a oportunidade de falar com o pároco, e aproveitei para apalpar o terreno que ele andava a semear. Afirmei-lhe que a Missa é o Santo Sacrifício, ao que ele respondeu que sim, que "também é Sacrifício". Perguntei-lhe então porque é que na catequese as crianças não aprendem que a Missa é Sacrifício, ao que ele não soube responder. Disse-lhe que se elas não aprendem na catequese não irão aprender nunca por "vias oficiais". Perante a vergonha dele, ilustrei com uma expressão de João Paulo II: "apostasia silenciosa".

Senhor Bispo Conde de Coimbra, não só se ignora o que é a Fé como também a Missa (Santo Sacrifício). E como resultado temos uma população católica que foi formando falsos conceitos que, por acaso, coincidem na maioria, ou na totalidade, com os do protestantismo, afastando-se muitíssimo dos do catolicismo. Os catecismos básicos há muitos anos, gradualmente, têm vindo a retirar elementos fundamentais da Fé. Dou o caso da Missa: os catecismos foram-na reduzindo à Ceia, logo a população, gradualmente, vai ganhando falsos conceitos que, por consequência, despistam a Fé. No Brasil!?... Não... no Brasil a euforia não é Fé, é a mesma euforia que faz proliferar as ceitas e outras "religiões"... essa euforia, na verdade não pode ser "fé viva", é sim FOME viva.

28/02/13

A BABEL - O CAOS DAS "LÍNGUAS" E OUTRAS COISAS

Tem-me vindo a parecer que há uma crescente confusão babilónica. Há um caos das línguas, ou melhor, o caos dos conceitos que atravessam as várias línguas. Esta confusão geral é por sua vez fruto do "modernismo" (mas isto é outro assunto).

Um moço brasileiro veio em conversa dizer que a Igreja mudou o seu conceito de "tradição". Ora, como sabemos, a Igreja não muda conceitos profundos, nem doutrinas, porque é Santa e inerrante. Esta mesma ideia de mudança já me foi apresentada várias vezes por alguns "modernistas" e por alguns "tradicionalistas", com as diferenças seguintes:

"Modernistas": dizem que a Igreja mudou, e que isso é bom;
"Tradicionalistas": dizem que a Igreja mudou, e que isso é mau.

Com esta mostra sublinho o erro em se achar que a Igreja teria mudado em questões tão fundamentais e inalteráveis.

Dizia-me o mesmo moço que há como que uma "Igreja do Concílio". Mas o mesmo é dito por alguns "modernistas" e alguns "tradicionalistas", com as divergências seguintes:

"Modernistas": dizem que a "Igreja do Concílio" é uma renovação da Igreja depois do Concílio Vaticano II e que, de certa forma, libertaram-se do passado da Igreja;
"Tradicionalistas": dizem que a "Igreja do Concílio" é uma outra Igreja diferente da Igreja Católica que apareceu com o Concílio Vaticano II.

Com esta mostra friso o erro de achar-se que a Igreja tivesse pelo Concílio Vaticano II dado origem a uma outra Igreja real.

Esta é a mostra de um problema grande que não para sem um uso mais preciso de designaçõs!

O que há a dizer a este moço brasileiro?

A Igreja é inerrante, não transmite erros, em vez alguma esteve errada e o pecado do homem não a afecta quanto à sua inerrância. É quem se afasta dos seus muito antigos ensinamentos quem erra e se afasta d'Ela (ou parcial ou totalmente). Isto basta para avisar que a Igreja não pode ter alguma vez mudado algo tão fundamental como o conceito de "tradição". Logo, evidentemente, a Igreja não mudou o seu conceito de tradição, nem mudou nada de substancial. Se alguma mudança foi feita, ela não pode ter partido da Igreja nem se opera realmente na Igreja (a Igreja é imaculada). Por mais que os acidentes sofram a essência da Igreja permanece.

Há possibilidade de tudo isto ser de outra forma? Não! A inerrância da Igreja não possibilita equívocos. Existe a possibilidade de ter-se tratado de uma evolução do conceito, de tal forma que possa parecer agora dois conceitos diferentes? Não! Pois nesse sentido não seria realmente uma evolução mas sim uma ruptura (ou deturpação) que são exactamente conceitos opostos - para ser uma evolução o primeiro estádio deverá conter inteiramente em potência o estádio final.

Aparenta...
O uso de "Igreja do Concílio", na realidade, só pode ser usado em sentido figurado, caso contrário cai-se em alguns problemas como: achar ou fazer pensar que foi fundada realmente uma nova Igreja no Concílio Vaticano II. Ora, presume-se que uma mesma pessoa não pode estar numa Igreja ao mesmo tempo que está em outra Igreja que se diferenciassem unicamente por doutrinais diferentes! Logo a hierarquia de uma obrigatoriamente não podia ser a hierarquia de outra, a não ser, claro está, que uma delas não exista mais que em nome, nome esse que é um recurso para identificar um problema.

Aqueles "modernistas" que julgam existir uma "Igreja do Concílio" propriamente dita são levados por acharem que houve um salto evolutivo da Igreja, mas nunca o conseguem demonstrar (confundem "evolução" e "ruptura"). Aqueles "tradicionalistas" que julgam haver realmente uma "Igreja do Concílio" são levados por acharem que houve uma ruptura como que autorizada pelo Concílio Vaticano II, e que terá possibilitado a criação de uma outra Igreja (como uma seita); contudo nunca conseguem demonstrar que essas divergências doutrinais constituem uma ruptura formal, ao ponto de fazerem crive a fundação real de uma outra Igreja.

Ora esta configuração problemática é tão dramática que a inteligência não a suporta sem estar muito distraída (coisa que é mais comum e compressível do que se costuma imaginar). Chega-se ao ponto de colocar lado a lado a Igreja Católica com a "Igreja do Concílio" como se fossem coisas comparáveis (no caso de alguns "tradicionalistas"), e coloca-se também a "Igreja do Concílio" coincidindo com a Igreja Católica (no caso de alguns "modernistas").

Recentemente, ouvi uma senhora usar "Igreja do Concílio" junto com "Igreja Católica" para dizer que se tratam de duas igrejas diferentes. Ao ouvir isto eu emiti um ruído: "ahhhhhmmmmm....!?" seguido de um "ohh não...!!!". E queixava-se ela que há quem diga que aquelas duas Igrejas são a mesma! E com toda a razão: não são mesma, mas também não são diferentes, ou melhor, não são designações comparáveis. Uma delas designa a Igreja e a outra uma metáfora de um problema na comunidade católica ou, colmatando o erro dos "modernistas" seria uma metáfora de um renovamento da mesma Igreja (que na verdade não pode ter acontecido). E aqui há que dar razão à parte tradicionalista (toda ela): há um problema real de conflito entre o que se julga hoje ser católico e aquilo que sempre a Igreja ensinou (e ensina) ser católico. É impossível que uma suposta renovação da Igreja tenha tantos conflitos directos com a Doutrina sempre transmitida e o Magistério Papal continuado.

O perigo disto é que os "modernistas" em geral criam a ideia de que seria legítimo adoptar qualquer doutrina ou enunciado não porque ele venha do que a Igreja sempre ensinou mas porque ele vem de uma parte ou da maioria da hierarquia actual. Por outro lado há o perigo de haver alguns "tradicionalistas" que recusem honrar e obedecer à hierarquia alegando que ela ensina agora doutrinas e pensamentos em contradição com o que a Igreja sempre ensinou. Há quem vá para lá desse limite e como que demite quase toda a hierarquia da Santa Igreja enquanto esta não aceite formalmente a totalidade da Doutrina e pensamento católicos (o que leva a um "sedevacantismo" prático, ou mesmo a um cisma material- é nestes casos que surge a falsa ideia de "Igreja do Concílio" como se de uma Igreja de facto se tratasse).

Para finalizar, e apenas para que não escape um assunto tocado: a obediência à sagrada hierarquia da Igreja não é uma opção, é uma obrigação sobe pena de pecado mortal. Se não há realmente duas Igrejas, se não há realmente duas hierarquias, tem de haver obediência honesta a toda a hierarquia, contudo a obediência a Deus que é mais alto, passa também e claramente pela aceitação inequívoca da Doutrina e da moral. Ora, a Doutrina é expressão da vontade de Deus e não pode ser rejeitada ou diminuída, assim, nos casos em que algum superior hierárquico (Bispo, pais, patão) mande ou ensine algo contra o que Deus ensinou pela Igreja deve-se resistir (ou seja: deve não se cumprir essa ordem nem aceitar esse mesmo ensinamento). Acontece que hoje há um caso especial: a esmagadora maioria dos superiores (da militância da Igreja, família, ou  trabalho) estão distantes da Doutrina e pensamento católicos por gradual substituição de crenças e conceitos (e por décadas), que há a necessidade de criar protecção (ou seja "resistência" no sentido de protecção e não de ataque): o estado de necessidade tornou-se tal que a exposição aos agentes comuns de difusão de mensagens tornaram-se o "vírus" mais comum e à maioria como que invisível.

Muito, muito, muito haveria a dizer.

14/12/12

OS ERROS DE LUTÉRO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL (VIII)

(continuação da VII parte)


OS ERROS DE LUTERO E O ESPÍRITO DO MUNDO ACTUAL
Pe. Franz Schmidberger


A respeito disto podemos citar a S. Paulo: “Eu estou cheio de regozijo no meu sofrimento por vós, e estou cumprindo na minha própria carne o que resta à paixão de Cristo, sofrendo em favor do seu corpo, que é a Igreja” (Col 1.24). Intrinsecamente nada falta à Igreja de Cristo; contudo, não por necessidade mas por pura bondade e efeito da sua infinita misericórdia, Ele quis fazer-nos participes da sua obra de redenção, tal como expressa a bem-aventurada Isabel da Trindade maravilhosamente na sua oração: “A mim, Cristo amado, crucificado por amor, vinde a mim como Adorador, como reparador e como Salvador (…) que se realize em mim como uma encarnação do Verbo; que eu seja uma humanidade suplementar, na qual Ele renove todo o seu mistério”.

Por não terem oração e realidade expiatórias e a satisfação na comunhão dos santos, falta aos protestantes um elemento fundamental de toda avida cristã: o Santíssimo Sacrifício da Missa, a união das almas com a Vítima divina nos nossos altas. A vida dos católicos é desta forma uma santa missa vivida, é um confiteor, um gloria, um credo, uma oferenda contínua, uma consagração e uma comunhão, portanto uma união da alma com o Criador, Salvador e Juiz.

Evidentemente Lutero opõe-se combate o ofertório da missa e o Canon Romano, aos quais trata como abomináveis. Introduz prontamente uma outra liturgia supostamente “reformada”, que abandona o carácter sacrificial (afastando o carácter de sacrifício expiatório e impetratório, desejando substitui um sacrifício de louvor e de acção de graças). Ainda, as palavras da consagração tomam uma carácter narrativo, o latim é substituído por língua vernácula, a comunhão é distribuída nas duas espécies.

Na verdade a realidade do Santo Sacrifício da missa está ligada à realidade da nossa vida cristã que é um combate espiritual (Luc. 5.13), uma maturação, um esforço e uma subida até que a alma alcance o esplendor da eternidade. Esse fogo do Espírito Santo, que nós católicos recebemos a cada dia na Santa comunhão, comunica-nos o espírito missionário e apostólico. Que contentamento ver essas falanges de apóstolos de Jesus e de Maria recorrer o mundo para anunciar o Evangelho, semear a palavra divina com suor e a por vezes sangue derramado; que pobre é o protestantismo em comparação com o apostolado da Igreja missionária!

Que dor infringida aos católicos aquela de ver o protestantismo estabelecer-se entre nós, da forma como o Santo Sacrifício da Missa se transforma agora em comida comunitária e o sacerdote um "presidente da assembleia", os altares substituídos por mesas, enfim, o santuário transformado em sala de reunião superficial e fria.

Há quatrocentos e cinquenta anos [o protestantismo] é uma comunidade que se celebra a si mesma e substitui a presença de Deus vivo sobre a terra. A verdade revelada, objectiva, cede lugar à livre consciência; a submissão, a obediência e o silencioso serviço deixam lugar à emancipação e até direitos do homem.

O católico moderno já não quer ajoelhar-se para receber a comunhão sobre a língua, é adulto, pode servir-se a si mesmo. A Igreja, sendo unidade de Fé, de culto e de governo, desaparece completamente para deixar lugar a um conjunto de inumeráveis opiniões e diversas correntes, a uma liturgia criativa e subjectiva, aos erros da livre interpretação. O carácter sobrenatural da igreja, especialmente no caso da sua liturgia, desaparece por dar passo ao naturalismo, humanismo e liberalismo.

Não é difícil descobrir o parentesco espiritual que existe entre o protestantismo e o neo-catolicismo. Ser católico significa ser humilde, aceitar com espírito de absoluta dependência a revelação de Deus, viver como um filho na casa do Pai. Por trás do protestantismo esconde-se a antiga palavra pronunciada pelo antigo rebelde: “Sereis como Deus”. O protestante, como o neo-católico, não quer submeter-se nem em espírito, nem em vontade, nem demonstrá-lo pela sua actitude exterior, não se ajoelha. “Non serviam”, acaba por ser a sua divisa.

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