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07/02/18

CONVERSAS - O RITO ROMANO


Transcrevemos de um debate no Facebook a parte final, onde o interveniente que defendeu a Missa Tradicional resumiu assim o que havia dito:

"Tradicionalista - nem há necessidade de discutir mais, porque o assunto está mais que trabalhado principalmente por outros:
1 - O Missal de Paulo VI não é nenhum melhoramento ou evolução do Missal de João XXIII. Quem o diz? O Card. Ratzinguer explica, e está publicado, que o Missal de Paulo VI não proveio da Tradição, mas que foi uma fabricação de gabinete. O próprio Mons. Bugnini, responsável na elaboração do dito missal, explica porque ele foi feito ( no seu livro "a Reforma Litúrgica"). Diz que a intenção no Missal de Paulo VI é criar uma formulação da Missa resultante da remoção de tudo o que da Fé católica pudesse não coincidir com a formulação luterana. Se até então a Igreja tinha considerado o Rito Romano como um edifício da Doutrina/Fé, com o Missal de Paulo VI todos os elementos da Fé que desautorizam a heresia protestante foram removidos (lindo! ). Por isso, os maiores críticos deste Missal não tiveram qualquer dificuldade em acha-lo "protestantizante". Além disto, também a sua elaboração foi acompanhada por 6 protestantes (depois recebidos por Paulo VI - existe a foto do momento, publicada no l'Observatore Romano) diz-se "protestantizado". Assim, como seria de esperar, e segundo o que vemos hoje, os católicos ficam abertos a "interpretações" protestantes a respeito das coisas cristãs, ou seja, verdadeiramente vítimas do escândalo que ali passivamente sofrem com a assistência àquelas Missas. Ex: a Doutrina Católica ensina que a Missa é "Santo Sacrifício", enquanto que hoje se diz e abusa de que a missa é a Ceia, e são raros os católicos que agora ouvem dizer "sacrifício".
2 - O projecto para um novo missal deste tipo não veio por via do Concílio Vaticano II, como querem dizer alguns, porque em sessão conciliar o mesmo projecto foi logo reprovado.
3 - O Missal que fixou o Rito Romano foi o chamado "de S. Pio V". 400 (ou 200!?) anos antes disto o Rito Romano tinha sido corrompido com inovações locais, aqui e ali os contaminados pela liturgice, os vaidosos "litúrgicos", e outros tantos motivos injustificáveis de inovações contrárias ao sentido e equilíbrio do Rito, produziram novas formas assentes em Missais. S. Pio V proibiu todos estes Missais alterados durante tal período, e manteve todos os mais antigos. O Missal de João XXIII não surge como uma nova formulação da Missa, mas sim como uma PUBLICAÇÃO, uma edição do Rito Romano fixado por S. Pio V, submetida (a regra é o de S. Pio V), agora com a introdução das rubricas (tipo de notas de rodapé, que antes existiam em outro livro externo), etc.. Como a regra do rito Romano na Missa é o de S. Pio V, a edição de João XXIII nunca fez a regra (o que permite por ele continuar a rezar os dois Confiteor, sem estar a violar coisa alguma). Vc. diz bem ao referir uma evolução no Rito Romano, e a Igreja o disse sempre... mas usa "evolução" como hoje o fazem os teólogos que seguiram a inovação, e perderam o anterior: com o sentido moderno marcado pelo "evolucionismo", e não segundo o pensamento católico (St. Tomás de Aquino).... vale MUITO a pena dizer algo sobre isto, e vai gostar:
a) Evolução não significa mutação, e estas são ideias na realidade opostas. Os evolucionistas dizem "evoluiu, porque mutou", e os católicos, e os clássicos sempre disseram precisamente o contrário. Repare.
b) Uma semente de roseira em POTÊNCIA contém a roseira, já com todas as características que virão etc... Quando a semente entra na terra e recebe as condições necessárias vai aparecendo gradualmente como roseira. Isto não é fruto de mutação.... isto é EVOLUÇÃO, porque gradualmente da POTÊNCIA se passa a ACTO. Evolução sempre tinha sido entendida como VÉU que cobre algo e que depois revela o que lá esteve sempre.
Passemos ao Rito Romano que foi ensinado por Nosso Senhor a S. Pedro (segundo a milenar tradição diz). A evolução que daqui podemos verificar não é mais que um desdobramento das mesmas verdades que sempre estiveram contidas no rito e que a seu tempo foram tomando visibilidade conforme a necessidade. Ex: em França nasceu a elevação da Hóstia na consagração, por necessidade que o grande espaço e quantidade de fiéis... Cristo imolado sempre foi dado em adoração, porque é aquele o momento em que está elevado na CRUZ (Santo Sacrifício da Cruz). A NÃO ELEVAÇÃO, anteriormente, expressava menos a realidade CONTIDA. Logo, é uma evolução verdadeira a precisão deste gesto associado ao Santo Sacrifício.
Parece-me o suficiente... Mas se tiver qualquer outra questão a este respeito, faça o favor de dizer."

Ainda que o autor da resposta tenha organizado as ideias por pontos, lembramos tratar-se de uma conversa de facebook, à qual há que dar o devido desconto.

Aproveitamos a ocasião para fazer uma queixa: ao queremos encontrar no Google uma foto de uma Missa Tridentina de aspecto mais SIMPLES, não conseguimos até ao momento... São todas muito brilhantes... enfim, coisas dos novos tempos! Continuaremos a procurar algo belo, mas mais sóbrio, porque faz falta.

18/02/17

"A VERDADE" - XXXII - Culto, e Imutabilidade

A VERDADE
ou
PENSAMENTOS FILOSÓFICOS
sobre os objectos mais importantes
Á RELIGIÃO, e ao ESTADO
 
por
Pe. José Agostinho de Macedo
 
LISBOA
Na Imprensa Régia
Ano 1814
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XXXII
 
Há um Culto Revelado Que Tem em Si os Sinais de Uma Constante Imutabilidade
 
O povo, que nós conhecemos depositário da Revelação, e que pode mostrar seu culto imediatamente revelado por Deus transmitido sempre com fidelidade a seus descendentes os dogmas, e os ritos, que tinha aprendido de Deus. Os cultos das outras nações traziam em si o carácter, ou selo dos vícios, e das paixões nacionais. A impostura ou a Política acomodava os actos da Religião ao vício do país, à natureza do clima, e às circunstâncias dos governos. mas o rito dos antigos Patriarcas era superior a todos os respeitos humanos. Fosse qual fosse a maneira do governo do povo Hebreu, ou vivesse pacífico na Palestina, ou escravo no Egipto, ou em Babilónia, sempre contrário a seus vícios, sempre contante em todo o tempo entre os desastres, e a corrupção universal, se mantinha invariável em seu culto. Não se alteravam os dogmas; não se variavam os ritos; não se perdiam, nem adulteravam os Códices. Este prodígio de Providência prova, que a sua Religião não era dos homens, mas de Deus. De que presta acusar a Religião de quimeras, e assoalha-la como fonte de contradições, e disparates, tornando-a desprezível ao juiz da razão! Houve muitos, e diversos cultos; mas começaram nos homens, mudaram-se com as circunstâncias, ou já acabaram com a mudança dos Governos.

Santo Sacrifício da Missa - Igreja do Mosteiro de S. Vicente de Fora, Lisboa (Portugal)
Tiveram seu culto os Chins, os Índios, os Egípcios, os Gregos, e os Romanos; e que vestígios nos restam destes cultos? O tempo desmente as invenções dos homens. Houve um só culto, que começou com o primeiro homem, prosseguiu em todos os séculos, e em todas as gerações de um povo, que mostrou haver recebido este culto das mãos do mesmo Deus. Este Culto dado ao Summo Creador do Céu, e da Terra, não faltou jamais; e é este o verdadeiro Culto. Reconhecemos nele a única, e verdadeira Religião, que é a revelada; todo o outro culto é falso; todo o outro dogma é ideal. Nada pode o tempo contra as obras de Deus. As vicissitudes, os desastres, as guerras, a corrupção geral do género humano, não poderão destruir este culto; eis-aqui o sinal de que não procedera de invenção humana, mas que descera imediatamente do seio da Divina Revelação.

(Índice da obra)

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