Mostrar mensagens com a etiqueta Primaz das Espanhas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Primaz das Espanhas. Mostrar todas as mensagens

07/08/15

IV CONCÍLIO DE LATRÃO - PORTUGAL

 
[Participação de Portugal no ]Concílio Lateranense IV
Celebrado em Roma na Basílica de S. João de Latrão, no ano de 1215
sob Inocêncio III

"Assistiu nele D. Estêvão Soares da Silva, Arcebispo de Braga, como constantemente afirmam os nossos Escritores; entre eles D. Rodrigo da Cunha na segunda parte da História de Braga (cap. 21) e Fr. António Brandão na Monarquia Lusitana (na Crónica dos Cónegos Regrantes, livro XI cap. 6).

Todos estes mesmos acrescentam, que no dito Concílio pugnara o Arcebipo D. Estêvão Soares fortemente pela Primazia de Braga, pois o Arcebispo de Toledo D. Rodrigo Ximenes lha disputava, e aos mais Arcebispos de Espanha, querendo-a para si. A [existência da] mesma disputa dá por certa o Padre João Mariana na História de Espanha (no livro XII, cap. 4, e no livro XIX cap. 9), Jerónimo Zurita nos Anais de Aragão (livro II cap. 67); Odorico Rainaldo na continuação do Baronio sobre o ano de 1215 (num.16) e com eles o Padre Luís Thomassin da Congregação do Oratório de França no tomo I de Beneficiis, livro I cap. 38.

A fonte donde para todos se derivou esta notícia, é um manuscrito, que do Cartório de Toledo produziu o Arcebispo D. Garcia de Loaysa, primeiramente na sua Colecção dos Concílios de Espanha impressa no ano de 1593 depois no seu Tratado De Primatu Ecclesiae Toletanae; e que dele inseriu o Cardeal Aguirre na sua Colecção dos Concílios de Espanha imediatamente depois do Concílio Toletano sob Gundemaro, ano de 610. No qual manuscrito se conta, o que o Arcebispo de Toledo D. Rodrigo Ximenes opôs no Concílio Lateranense IV contra os Arcebispos presentes de Braga, Tarragona, Compostela, e Narbona.

Mas toda a narração contida neste Manuscrito, está hoje assentado entre os melhores critérios espanhóis, ser um conto apocrito e supositício, depois que no ano de 1682 publicou o Marquês de Mondexar uma dissertação, na qual com bons argumentos mostrou que o Arcebispo de Toledo D. Rodrigo Ximenes não se achou no Concílio Lateranense IV. Os que não tiverem à mão a dita obra, podem ver resumidas as suas provas no moderníssimo e doutísssimo autor da Espanha Sagrada o Padre Mestre Fr. Henrique Flores (tomo III pag. 46 e seg.).

Incomodava muito aos sábios de Espanha ver, que naquele Manuscrito publicado por Loaysa se negava por boca de um Prelado tão grave e tão erudito, como D. Rodrigo Ximenes, não só estar o corpo do Apóstolo Santiago em Compostela, mas ainda ter vindo o mesmo Apóstolo a Espanha. Com todas as forças por se empenharam em mostrar a falsidade e fingimento de uma escritura, que punha em dúvida as suas maiores glórias. E para que se veja, antes de algum castelhano desconfiou dela um português; é de saber, que muitos anos antes que escrevesse o Marquês de Mondexar, tinha já o Arcebispo de Braga D. Rodrigo da Cunha notado na tal escritura tantos desacertos e desvairos, que dado que tanto ao facto de ter havido no Concílio a disputa, lhe deu inteiro crédito; contudo no tocante a certas proposições atribuídas a D. Rodrigo Ximenes, não duvidou afirmar, que eram supostas, e certamente indignas de se atribuírem a tal pessoa.

Entretanto é notório pelo capítulo Coram, De Restituitione in integrum, que entre o Arcebispo de Braga D. Estêvão Soares da Silva e o de Toledo D. Rodrigo Ximenes, houve graves contendas sobre a Primazia de Espanha [entenda-se "Península Ibérica", ou Espanhas], que por último vieram a ficar sopitas, impondo o Papa Honório III silêncio neste ponto a ambas as partes, e deixando a causa no estado em que antes estava. O que o dito Papa mandou intimar aos dois Arcebipos por seus Braves de 19 de Janeiro de 1218.

Tinha sido o Arcebipos D. Estêvão Soares da Silva Cónego Regrante de Santo Agostinho no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, e era por geração ilustríssimo, e das principais famílias no Reino, como filho de D. Soeiro Pais Escacha, e de D. Froyla Viegas; aquele filho de D. Pedro Escacha de Cuães; da família dos Silvas; esta filha de Dona Urraca Mendes de Sousa, e de D. Egas Fafes do Lanhoso, Fidalgo de que há grande memória no Nobiliário do Conde D. Pedro. Quando o Cabido de Braga o elegeu para seu Arcebipos, era D. Estêvão Soares da Silva Mestre Escola da Sé de Coimbra.

No mesmo Concílio Lateranense IV é provável que assistiu o Bispo de Lisboa D. Soeiro Viegas Cunha..." (Portugueses Nos Concílios Gerais - António Pereira de Figueiredo; 1787)

26/01/15

DA PROVÍNCIA DE GALIZA- AGIOLÓGIO LUSITANO (III)

(continuação da II parte)

Sé de Braga, Primaz das Espanhas
Que seus prelados se chamassem de Galiza, se prova do Concílio já referido d'Aquis Celenis, onde se compôs a regra da Fé, que por mandado do Papa S. Leão se mandou a Balcónio, Bispo de Braga, para que a aprouvesse, por não terem assistido naquele sagrado conclui, a qual anda no I tomo dos Concílios, no fim do 1 Toledano: "ubi: incipit regula fidei, etc. ad Balconium Episcopum Gallariae." A si mesmo chamam os autores comummente a S. Martinho Dumience "Bispo de Galiza", e a Idacio Bispo de Lamego dão o mesmo título por florescer em tempo, que esta cidade era sufragânea a Braga. Ponhamos o selo a este discurso com uma célebre autoridade de Fr. Jerónimo  Roman, que na sua Eclesiástica de Hispanha falando do nosso Paulo Orosio, depois de referidas várias opiniões cerca de sua pátria, diz as seguintes palavras: "Lo cierto es, que fue de Gallicia, i si se mira a la carta, que el Presbe Avito escribio al Arcebispo de Braga Balconio, quando le embiò las reliquias del Proto martyr S. Estevan, se verà que en ella claramente muestra era natural de Braga, i por el conseguiente Gallego, porque el Reino de Gallicia fuera de lo que oi alcança, que es asta el rio Miño, tambien cogia asta el rio Duero, e an sido los Concilio celebrados en Hespanha, se vè como era gran Provincia; i comprendia muchas sillas Obispales, i el districto del Obispado de Braga, se llamava Provincia Galliciana, por esta ciudad ser cabeça de toda ella." E o mesmo Roman na hist. m. f. de Braga 2 c. I refere: "Que viniendo S. Giraldo de Roma con el pallio tomado, celebrandose Concilio en Palencia ado presidia Richardo Cardeal presentò sus breves, à el Legado le puso en posesion, señalando-le estos sufraganeos, Astorga, Lugo, Tuy, Mondoñedo, Orense, Oporto, Coimbra, Viseu, Lamego, Egitania, Britonia, Oviedo."

Parece-nos que bastantemente deixamos provado que foi Braga no espiritual, e temporal cabeça da Província de Galiza, na qual se incluíam as cidades do Porto (chamada dos Suevos Festabole) Britonia, Cinánia, Flavia Lambria, Bragança (que conforme Juliano, foi a antiga Iuliobriga) Forum Limicorum (que é Ponte de Lima) Tuy, Iria Flavia (que é o Padrão) Orense, Lugo, Astorga, e outras, que ainjúria dos tempos assolou, e muitos ligares de menos nome, cujos antigos Santos, a saber os Pedros, os Torcatos, os Basileus, os Epitácios, os Frutuosos, os Ataulphos, os Rosendos, os Victores, as Vuilgefortes, as Eufêmias, as Engrácias, as Faras, e Senhorinhas nos pertencem, pelas razões apontadas, sem ficarem por isso defraudadas as pátrias, que os procriaram de os três por seus próprios, como no princípio defraudadas as pátrias, que os procriaram de os três por seus próprios, como no princípio propusemos. Vejam-se dos autores castelhanos Tarrafa de rebus Hispaniae fol 55 Florião do Campos l. 3 c. 36 Morales l. 11 c. 71 Loaifa sobre os Concílios de Hispanha, Padilha na Ecclesiastica cent. 4 c. 46. Vafaeus in Chronica, Gil Gonçalvez de Ávila no Theatro de Astorga c.; dos nossos, Fr. Bernardo de Brito em vários lugares na 1 e 2 p. da Monarqchia Lusitana, Fr. António Brandão na 3 l. 8 c. 18 D Fr. Amador Arraes Dialogo 4 c. 18 D. Rodrigo da Cunha, e outros que cita, e segue na 1 p. da história de Braga c. 1.

11/10/14

MUITOS JUDEUS SE CONVERTERAM, OUTRO NÃO, E OUTROS TRAIRAM

Com a transcrição do prólogo que segue quero salientar que:
1 - Houve cristãos novos exemplares;
2 - Houve judeus que se fingiram conservos por apego, e de forma disfarçada quiseram viver entres os cristãos;
3 - D. Manuel não foi "coagido" à expulsão, como hoje muitos querem fazer acreditar;
4 - Antes de Castela, já Portugal tinha anteriores exemplos de significativas conversões de cristãos novos.

Aqui vão as palavras de D. Fernão de Aragão, Arcebispo de Braga, Primaz das Espanhas, no séc. XVII:

"Parecendo-me que para acabar de se extinguir este tão grande mal da heresia, e pravidade judaica que anda neste Reino, bastava a piedade e vigilância ordinária da Igreja, e que assim ficava servindo mais o remédio da dissimulação e do tempo que o de canteiros de doutrinas: não tratarei de tomar a pena contra ele: esperando que o mesmo tempo em breve o consumisse, como havia feito em toda a outra parte, em semelhantes conversões: mas vendo agora que em lugar de se acabar com o tempo o mal; tomou mais força e penetrou, e calou; destruindo não somente o enfermo, e fraco, mas o são, e forte, e que estava já quase seguro; acho-me obrigado da trompeta que me soa cada hora nos ouvidos, e chama a juízo: a que ponha o peito ao maior mal, e acuda ao Reino, a quem sou mais obrigado com o talento que recebi de Deus, assim do conhecimento do mal, como do remédio fundamental dele.

Mas antes de entrarmos nesta obra se há-de advertir, que entrando ElRei D. Manuel de boa memória no governo deste Reino no ano de 1495, e achando nele uma cópia de gente do povo hebreu que ElRei D. João seu predecessor havia metido nele; desejando ganhar aquelas almas para Deus; movido de santo zelo buscou traças, e modos para levar ao fim seu intento; e favorecendo Deus alcançou ver baptizar-se uma grande parte dela, e receberam a fé com grande alegria e fervor, e fazerem muito fruto nela. Mas porque a ordem de ElRei, foi que os que não recebessem a fé fossem lançados fora do Reino, sucedeu como bem se deixou ver pelo efeito ao diante, que alguns que estavam duros em sua cegueira, estando afeiçoados à terra tomaram baptismo fingidamente, e não de coração, e como a tais pela vigilância dos Prelados no princípio e depois pela da Santa Inquisição descobriram-lhes com o tempo suas maldades, e sempre se foi achando depravação entre eles, e mau zelo, e ruins intentos; ficando por outra parte os que haviam tomado a Fé de verdade assim nesta conversão, como nas mais antigas, luzindo como estrelas no meio da geração prava sem se achar mácula neles em nenhum tempo: Mas não lhes valendo sua inocência, o mal dos maus lhe fazia dano, tomando ânimo o povo para os morder, e chamar contra eles, pelo mal que viam nos maus; cumprindo-se de alguma maneira neles aquilo dos figos do Profeta Jeremias que os bons eram óptimos, e os maus péssimos, como costuma ser onde haja emulações em religiões contrárias. Esta conversão que ElRei D. Manuel fez no ano de 1497, não foi a primeira que se fez do povo judaico à Fé Católica neste Reino, e muito menos em Espanha, porque antes dela se haviam feito muitas outras, como é notório e consta pelos Concílios antigos da Hispanha, onde se trata delas, e nas Ordenações velhas deste Reino está declarado, que das famílias que descendiam de conversões mais antigas que a de 1497 não fossem chamados com nome de Cristãos novos, senão de Cristãos velhos, e que aquele nome ficasse com os da conversão de 1497. Assim foram passando uns e outros largo tempo, os bons de cada vez mais alegres e constantes na Fé, e os maus com indiferença: porque houve tempo que o mal não andava senão em gente baixa e inculta, e era de tão pouca força que havia esperanças que em breve fosse extinto; e outras vezes ressuscitou, e levantou chama de modo que os ifcionados e os fracos pediram perdão por três vezes, e dando-se indulto geral para todo o passado, a última delas que foi no ano de 1605 encheu o Reino de gente de fora corrupta, e ensinada, e destra em seus erros, e desatinos: e a entrada destes foi causa do grande incêndio que depois se achou em muitos lugares do Reino, como estava antevisto: tendo eles como matreiros arte, e mancha com que não somente corromperam os de suas famílias inficionadas, e outros muitos de famílias limpíssimas, mas a muitas outras pessoas nobres e quase sem raça e que haviam tido limpa criação de seus passados: tão danoso é o trato destes lobos; principalmente quando vêm cobertos com pele de ovelhas, como o são quase todos os penitenciados. Pois o zelo de remediar tão grandes males, assim o da heresia, que tão vergonhosa e injustamente vai por diante, como o do mui grave dano que com a mesma injustiça se perpetua e cresce com a errada linguagem do vulgo contra infinita gente limpa e de mui Católico, de e honrado procedimento, e conhecida por essa: foram os dois motivos que me obrigaram a romper pelas dificuldades contrárias de minha pouca saúde, e as mais, e por o peito à empresa: pondo os olhos no prémio que posso esperar de Deus: Ele que só dá incremento aos bons, ponha sua virtude no que disser para que frutifique, e cresça." (Prólogo do "Doutrina Catholica Para Instrucção, firmação dos fiéis: Extincção das seitas supersticiosas, em particular do judaísmo", de D. Fernando Ximenes de Aragão - Arcebispo Primaz das Espanhas. Lisboa, 1630)

04/08/14

NOSSA SENHORA DA OLIVEIRA de GUIMARÃES e SÃO TORCATO

Segundo sempre nos foi transmitido, S. Tiago Apóstolo andou pela Península Ibérica convertendo. Segundo o que nos conta Enliano, tal se deu no ano 36 d.C. na região que vai do Douro (Portugal) e se avança por Galiza. Nos livros da Sé de Braga e de Évora, e outras, tal como S. Isidoro e S. Bráulio, entre outros,  isto fica confirmado. Também o Papa Calisto II confirma esta data, contando que a S. Tiago se juntaram nove discípulos nomeadamente da região de Entre Douro e Minho (hoje Portugal): o primeiro foi S. Pedro de Rates (primeiro Bispo de Braga); o segundo foi S. Torcato, que foi Bispo de Citânia (que ficava a norte de Guimarães, hoje quase sem vestígios). Nesta cidade, que ainda naquele tempo tomou o nome de Gaudis, houve depois da partida de S. Torcato (a 15 de Maio) uma sua relíquia que, no meio de muitas tribulações, foi parar ao Mosteiro de Cela Nova, na Galiza.

Com a invasão dos mouros os cristãos escondiam as coisas santas como podiam, para as livrar de profanação e destruição. Tal como em tantas outras épocas posteriores, escondíamos estes objectos muito bem, grande parte das vezes enterrando-os, e depois apareceram muitos deles de forma miraculosa. Assim foi que esconderam o corpo de Sto. Eufrázio na Galiza. O achamento do corpo de S. Torcato, foi a poucas léguas de Guimarães e com sinais extraordinários: sobre o local, um mato, caíram como que umas estrelinhas do céu, e viram as gentes como numa cova escondida estava o corpo do Santo que transmitia um odor muito agradável. Depois de desenterrado brotou água em abundância, que passou a ser fonte abençoada onde nela se curaram muitas doenças de alma e de corpo. Aqui foi construída uma ermida, onde se venerava a imagem de S. Torcato (chamada S. Torcato o Velho), corria a bendita água, e se guardava o santo corpo (até que foi levado para o mosteiro beneditino construindo para sua invocação). Este real mosteiro foi doado à Condessa D. Mumadona por D. Fernando (o Magno, imperador), era Colegiada, tinha Prior, Dignidades, Cónegos, até que D. Afonso Henriques o deu à Ordem dos Agostinhos, como se vê na carta das calendas de 6  Maio da era de 1111 (ou seja, 20 de Abril de 1173): "Em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo, amen. Esta é a Carta do couto, ou do testamento, que eu Afonso Rei dos Portugueses juntamente com meu filho RlRei D. Sancho, e minha filha a Rainha D. Teresa, e de S. Torcato, e de outros Santos, cujas relíquias estão na mesma igreja; e a vós D. Pelaio Prior da mesma igreja; e aos mais Frades vossos, assim presentes, como futuros, que na dita igreja bem viverem, e perseverarem em santa conversação conforme a Regra de Santo Agostinho: dou-vos, e concedo-vos, e por virtude da presente escritura vos confirmo a mesma igreja com as suas quintas adjecentes." (1). As alterações não deram prejuízo à devoção a S. Torcato.

O corpo de S. Torcato tinha então sido trasladado para o seu mosteiro onde foi depositado com vestes pontificais. Mas, muito mais tarde, D. Manuel achou que as relíquias dos nossos que andavam ali por lugares de menor dimensão, deviam ser reunidas em templos e centros maiores. Foi assim que as de S. Torcato foram parar a Guimarães, com toda a solenidade e gravidade apropriadas pelos Cónegos da referida Colegiada. Mas.... foi necessária a milícia, porque os devotos do Povo, dizendo que não havia motivos para que entre católicos houvesse traslado, não queriam de modo algum que as relíquias mudassem de casa, e fizeram vários requerimentos nesse sentido, sem deixar de fazer guarda às relíquias dia e noite, porque desconfiaram de que os queriam enganar. Eis que certa vez, lá para 1597, D. Fr. Agostinho de Jesus, então Arcebispo de Braga, fez-se acompanhar de muitos fiéis e respectivo estado para uma visita ao túmulo do santo varão (dizia que tinha que fazer averiguações)... mas não demorou que os sinos repicassem em sinal de alarme e que se juntasse ali a população das periferias, armada com armas de seus ofícios, que assim impediram um disfarçado traslado do corpo para a Sé de Braga.

S. Torcato
Os Cónegos da Colegiada de Guimarães, no ano de 1512 dão notícia de que o corpo de S. Torcato se encontrava não só incorrupto como incorruptas estavam suas vestes. O Cónego responsável pela comitiva feita ao sepulcro relata que saiu sangue claro ao tentar remover um calcanhar, sangramento que se verificou também séculos depois num outro experimento. O calcanhar foi colocado num relicário de prata dourada com vidros por onde se vê o sangramento vivo; relicário que ficou então na Colegiada de Guimarães.

S. Torcato
Mas outras relíquias foram dadas a conhecer, pois diz um certo documento que nas paredes do Mosteiro de S. Torcato há muitas escondidas, e foram então achadas com base no dito escrito. Assim, em 1685, com autorização de D. Luís de Sousa, Arcebispo Primaz das Espanhas (Braga), foi feita uma cuidadosa busca para achar no Mosteiro todas as relíquias e corpos santos escondidos, não apenas tendo por base o referido documento, mas também usando a tradição e memórias antigas: depois de Missa rezada, com toda a seriedade e devoção do acto a que estavam propostos, abriram o Altar-mor e avançaram até uma pedra rectangular betumada que escondia várias relíquias. De longe a tudo isto assistiu muita gente, e havia muito povo espectante e devoto, e todos sem excepções se colocaram de joelhos ao aparecimento das relíquias, e se cantou um Te Deum laudamus. Logo ali as relíquias foram colocadas sobre dois bancos ladeados de duas tochas acesas. Eis o conteúdo:

- 8 caixinhas de pau tosco, dentro de uma desta havia outra caixa de madeira trabalhada:

1ª) havia dois papeis com a inscrição seguinte "Dedicata est Ecclesia ista a Domino Pelagio Bracharensi Archiepiscopo in honore Sancti Salvatoris, Sancta Mariae, S. Michaelis, Sancti Petri Apostoli, Sancti Torcati anno ab Incarnatione Domini millesimo centesimo trigesimo secundo", havia ainda uns fios de ceda já descolorados, havia pedacinhos de osso;
2ª) Esta continha um pape com a inscrição seguinte "Reliquiae Sancti Cosmae, et Samiani", e uns ossinhos atados em ceda preta, que pertenciam a estes santos;
3ª) Havia dento desta o escrito seguinte "Reliquiae de Ligno Domini, et Cosme, et Damiani, et Sancti Torcati", havia ainda uma cedas com cores (vertes e amarelas) que pertenceram a estes santos, um pedaço de tecido em seda, outro ainda em preto com fita verde;
4ª) Esta caixa dividia-se em três partes. Numa parte lia-se somente "Sancti Joannis ..." (e outros nomes não legíveis), e um outro repartimento onde dizia "Sancti Jacobi Apostoli" onde estavam uns pedacinhos de ossos enrolados a um pano e fechado com um ponto.
5ª) Aqui havia um escrito "Reliquiae Sancti Pelagii", e outros nomes ilegíveis, um pedaço de seda com outros fios de cor diferente.
6ª) Do lado de fora da caixa não se conseguia ler com certeza o que parecia ser "São Maxencio". No interior havia uma ceda vermelha com fios brancos dentro.
7ª) Continha um escrito que dizia "Hic sunt Reliquiae Santae Mariae Virginis", e dentro estava um pedaço de seda carmesim, e nela outra mais vermelha provavelmente de lã.
8ª) Nesta havia um escrito a dizer "Reliquiae Sancti Stephani martyris, et Sanctae Eulaliae Virginis, et martyris". Havia dois pequenos ossos um um pouquinho de tecido em seda com outro de lã atado com um fio de retroz vermelho.

Ora bem, o Apóstolo S. Tiago levantou o primeiro altar nas Espanhas, em Saragoça, com a sagrada imagem que conhecemos pelo título de Nossa Senhora do Pilar. Depois, em Braga, numa gruta junto ao templo de Iris, fez o mesmo; logo depois o mesmo fez em Guimarães onde a imagem é venerada com o título de Nossa Senhora da Oliveira (assim o vão repetindo a Tradição venerável e os textos antigos, como é o escrito gótico referido por Fr. Bernardo de Braga e Fr. João do Apocalipse, entre outros). Diz assim Fr. Bernardo de Braga: "No Rossio; ou Praça de Guimarães está um templo, que foi da gentilidade, é de obra mosaica, majestoso, e antiquíssimo, e nas notícias, que tenho, foi dedicado a Ceres: a este destruiu S. Tiago vindo a esta terra, onde baptizou a S. Torcato, e lançado por terra aos falsos ídolos, colocou no Altar a Virgem Senhora nossa, cuja imagem é hoje a Senhora de Oliveira; e bem se colhe, diz o autor, de um letreiro, que vi, e se achou no interior da parede junto à torre, quando esta se começou a arruinar pelos anos do Senhor de 1559. Caiu uma pedra, e porque se partiu, se fez juntar, para se lerem as letras que diziam "in hoc simulacro Cereris collocavit Jacobus filius Zebedaei Germanus Joannis imaginem Sanctae Mariae IIIS.CISX". Era o letreiro Gótico, e em breves, mas a substância era esta; e também se acharam medalhas, por onde alguns escritores tomaram motivo para dizerem que o templo fora de Minerva; e continua, dizendo, que no Cartório do Cabido daquela Real Colegiada achará claras notícias, donde se infere esta verdade. Foi esta Igreja dedicada a N. Senhora, e depois a dedicou o povo a Santiago, por ele ser o primeiro, que nela levantou Altar. Teve esta igreja Raçoeiros, como consta dos pleitos, com que a Real Colegiada teve, que se vê dos papeis, que se guardaram em seu Cabido: num se acha notícia em que tempo se desanexaram; só sei que a dignidade de Mestre-escola se intitula Abade de Santiago, e recolhe os foros, que a esta Igreja se pagam. A imagem da Senhora se conservou até o ano do senhor de 417, em que entráram Alanos, e Suevos na Galiza, e outras nações bárbaras, que queimaram os corpos, e imagens dos Santos. O Arcebispo de Braga Pancrácio mandou esconder esta, conforme uma memória confusa, que achei no Arquivo Bracarense: "o lugar, onde foi depositada, foi poucos passos fora de Guimarães em um pequeno monte, que se chamava Latito.""(1)

E onde é este monte!? Parte foi chamado "Monte de Santa Maria" (por lá ter a tão venerável imagem), e parte foi chamada "Largo" (que é em português o nome "Latito")

Segundo os levantamentos documentais, o Padre Fr. Gil de São Bento encontrou no Mosteiro de Santa Maria da Costa (Ordem de S. Jerónimo, ao lado de Guimarães), provas de que a actual imagem de Nossa Senhora da Oliveira é aquela que o Apóstolo S. Tiago colocou no templo de Ceres.

(1) - "Corografia Portugueza, e Descripçam Topografica...", Tomo II.

10/08/13

S. PEDRO DE RATES E A VILA DE RATES

S. Pedro de Rates
"A uma légua de Barcelos para o Sul, e sete de Ponte de Lima, tem seu assento a Vila de Rates, povoação antiga mui principal, ainda que agora pequena. Foi destruída várias vezes pelos galegos em guerras connosco. Afirmam alguns que ali chegassem do mar, naqueles tempos, as embarcações das frotas Offirinas, ao menos as pequenas, que navegavam por um esteiro, de que se vêm vestígios vindo da Pulha, e que este nome tomou dois navios, que isso quer dizer em latim Rates. O que a fez nomeada [afamada] no mundo, foi o martírio de S. Pedro de Rates, primeiro Arcebispo de Braga e o primeiro que tiveram as Espanhas, e por isso são os [Arcebispos] desta Sé Primazes de todas. É certo que aqui houve logo muitos cristãos com Templo na primitiva Igreja, e assim como nós chamamos aos hereges Albigenses do nome da terra em que seu erro teve princípio, chamaram os gentios Ratinhos aos católicos desta província pela morte que em Rates se deu a S. Pedro Patriarca, ou Apóstolo desta cristandade. Outros afirmam que se derivasse [este nome] dos segundos partos das mulheres desta província, de quem se tem em tão breves anos povoado aqui todas as mais províncias do Reino, e muitos lugares em África, Angola, Sofala, e ouros na Ásia, Índia, e América.

Governa-se por Juiz ordinário, que também o é dos órfãos, dos Vereadores e Procuradores do Concelho, feito por pelouro, eleição trienal do povo a que preside o Ouvidor de Barcelos, de quem está sujeita. Vem escrever-lhe um Escrivão de Barcelos por distribuição, serve em tudo como na Almotaçaria.

Não é terra rica, dá muito pão porque até os montes o dão bom, pouco vinho, muitos gados e bestas de criação, mel, caça miúda, veações de raposas e outros bichos pequenos.

Tem uma paróquia de invocação de S. Pedro que já era igreja paroquial quando este santo vivia, porque nela o mataram os tiranos e sobre ele a arrasaram. Tornaram logo a levantá-la os devotos, e depositando nela o sagrado corpo foi mui [ali] venerado dos católicos. Passou a Mosteiro de Monges bentos, crê-se ser o primeiro que em Espanha tiveram, e do qual era Abade Stº. Estêvão, que no ano de 590 reinando Requeredo, se achou no grande Concílio nacional (que dizem ser o terceiro), e no ano de 676 era Abade dele um Monge chamado Pedro. Devia [ter-se] arruinado com a invasão dos Mouros, pois o Conde D. Henrique e a Rainha D. Teresa levantaram-no dos fundamentos por estar destruído havia muitos tempos, e dele fizeram doação em Coimbra, no mês de Março do ano de 1100, ao Prior do mosteiro de Santa Maria de Caride de Monges Cluniacenses na Província de Aquitânia, não longe da Cidade de Altisiodoro, hoje Auxerre; outros afirmam [que] vieram de lá religiosos para ele. Mas a mim me parece que comeriam a renda, e lhe apresentavam Cura; porque no ano de 1113 Gonçalo Annes, que devia ser Visitador Geral pelo Metropolitano, deixou uma verba na visita, em que mandava a Jorge da Póvoa, Cura do Mosteiro, que enterrasse uma caixinha de relíquias, porque abrindo-a desconfiou de que o eram.


A Crónica dos Cónegos Regrantes conta que no ano de 1152 a Rainha D. Mafalda mandasse levantar da terra e meter em túmulo na parede o corpo de S. Pedro, e lhe pôs Cónegos Regrantes com Prior, que trouxe de Santa Cruz de Coimbra, e lhe fez aquele Couto. Tudo poderia ser, e com o tempo se extinguiria, se bem não querem [sustentam] muitos que tais Cónegos o ocupassem nunca. O que é certo, e consta do Arquivo da Sé de Braga, é que em 13 de Agosto de 1315 tinha religiosos com Prior, os quais negavam a obediência, e não queriam ser visitados pelo Primaz D. João Martins de Soalhens, fundados em alguns privilégios Apostólicos: mas fazendo o Arcebispo queixa a ElRey D. Diniz, e achando que os Arcebispos tinham esta posse, o mandou conservar nela, e que suas jutiças o favorecessem contra os frades. Num nicho ocultado está a Rainha D. Teresa com cetro na mão, e não a Rainha D. Mafalda como alguns cuidam. Depois se fez Priorado secular, entendemos do Padroado Real, que teve João de Sousa, filho de Pedro de Sousa de Ceabra, e de sua mulher Maria Linheiro, que de Clemência Rodrigues teve a Tomé de Sousa, primeiro Governador do Brasil, (que até ali se governava por Capitanias) e Veador DelRey D. Sebastião e primeiro Comendador desta igreja, que entrou a ser Comenda da Ordem de Cristo em tempo DelRey D. Manuel por Bula do Papa Leão X, solicitada pelo Cardeal D. Jorge da Costa. Foi mais filha deste prior D. Helena de Távora, mulher do licenciado Henrique Pereira, e ambos pais do Doutor Pedro de Sousa, Comendatário de Paderne, de que há nobre descendência na ribeira do Minho, e em outras parte. Conserva-se em Comenda com Reitor do Ordinário sem ordenado: leva por ele Sanjoaneira, ao todo render-lhe-há cento e quarenta mil reis e para o Comendador trezentos e cinquenta mil reis. Em memória do Priorado, que foi, conserva um benefício simples, que rende cinquenta mil reis, servindo-o, data do Arcebispo. Tem à roda do adro muitas sepulturas antigas, deviam ser de pessoas grandes, que nelas se sepultavam; porque não vinha de perto a pedra para elas. Na mesma igreja estão os santos ermitas Feliz e seu sobrinho, e esteve S. Pedro de Rates, até que o mudou para Braga o Arcebispo D. Fr. Baltasar Limpo; só ficaram relíquias suas, que são um dente, parte de ossos, e de um dedo em uma custódia de prata com vidraça, e outro relicário com mais: são procuradas pormuitos devotos, em que obram infinitos milagres quotidianamente em mulheres devotas de parto. Tem cento e cinquenta visinhos, que são os que há na vila."

(Cap. IV do Tomo I da Corografia Portugueza, e Descripçam Topografica do Famoso Reyno de Portugal - 1706

17/06/12

CRUZADA DOS COSTUMES CRISTÃOS


VENHA A NÓS O VOSSO REINO
CRUZADA DOS COSTUMES CRISTÃOS


Senhoras católicas de Portugal, à conspiração judaicò-maçónica, tão anti-Portuguesa como anti-cristã, que porfia paganizar o mundo, é urgente opor uma generosa, uma invencível Cruzada que se proponha restaurar e defender os santos Costumes Cristãos.

É a Cruzada para restaurar e defender tudo quanto vos deve encher o coração generoso e puro de mulheres portuguesas e cristãs.

É a Cruzada para vossa dignidade, pela vossa Pátria, pela vossa Religião.

Deus, a Pátria, a vossa dignidade querem a

CRUZADA DOS COSTUMES CRISTÃOS
--

PROGRAMA

1.º - A Cruzada dos Costumes Cristãos, consagrando-se ao Santíssimo Coração de Jesus e tomando por modelo e protectora a Imaculada Padroeira de Portugal, propõe-se restaurar e defende contra o neo-paganismo os Costumes Cristãos nos indivíduos, nas famílias e nas sociedades.

2.º - Para esse fim resolvem as Associadas:
a) Consagrar suas famílias e promover a consagração das outras ao Santíssimo Coração de Jesus por meio da entronização da sua imagem:
b) Desterrar de suas casas tudo o que desdiga da modéstia e decoro cristãos, como livros, jornais, revistas, quadros, colecções de postais, álbuns, etc.;


c) Evitar rigorosamente no vestir qualquer coisa que ofenda o pudor, como seriam vestidos curtos, apertados, transparentes, decotados;

d) Não tomar parte alguma em danças menos honestas;
e) Não assistir a espectáculos, teatros, cinemas, etc., onde haja perigo para a moralidade;
f) Não promover nem concorrer para festas mundanas, nem sequer para as organizadas sob pretexto de caridade;
g) Nas conversas, sobretudo com pessoas de diferente sexo, evitar com todo o cuidado palavras equívocas e expressões menos dignas, e nunca versas assuntos escandalosos, ou que de longe sequer possam ofender a pureza, os primores da piedade e o respeito devido aos ministros de Deus e às coisas santas;
h) Em todo o porte exterior evitar tudo o que destoe da dignidade e modéstia da mulher cristã;
i) Empregar todos os esforços para que os moribundos recebam os últimos sacramentos.

3.º As Associadas que forem mães de família ou tiverem a seu cargo a educação de meninas valerão com sumo cuidado para não exporem suas filhas ou educadas a perder o pudor, quer pelo modo de vestir e nudezas excessivas, quer pela promiscuidade de sexo e certas liberdades complacentemente permitidas.

4.º As que tiverem outras pessoas sob a sua dependência exigirão que elas atendam a estas


normas: e todas no meio das suas amigas e conhecidas pugnarão com firmeza, sem respeitos humanos, pelos costumes cristãos.

5.º Farão todas uma comunhão mensal em reparação das ofensas que recebe Jesus no Santíssimo Sacramento da parte das pessoas que profanam com trajes indecentes a santidade da casa de Deus.

6.º Podem ser Associadas as senhoras de qualquer estado ou idade, que se comprometam a observar este programa.

7.º Tratará dos interesses da Cruzada uma comissão de senhoras, que entre si nomearão uma Presidente, Vice-Presidente, Secretária e Tesoureira.
_______

Eu ................................................................................................... aderi à Cruzada dos Costumes Cristãos, comprometendo-me a observar o seu programa a ......... de ................................. de 19..... . Assim Deus me ajude.

Aprovação da autoridade eclesiástica

Aprovamos e abençoamos os estatutos da associação denominada "Cruzada dos Costumes Cristãos". Associação oportuníssima e de suma necessidade; pelo que fazemos votos por que ela tenha o desejado êxito na luta contra os costumes pagãos que a mulher de hoje parece querer preferir aos santos e nobres costumes cristãos.

Braga, 27 de maio de 1923.

MANUEL, Arcebispo Primaz.

01/06/12

TAMBÉM NO PRIMEIRO de JUNHO...

D. Manuel I, Rei de Portugal
D. Manuel I - "D. Manuel, único do nome, e décimo quarto Rei de Portugal, nasceu em Vila de Alcochete situada na Província Transtagana no primeiro de junho de 1469, podendo justamente gloriar-se para inveja das mais famosas Cidades do mundo de ter sido berço de tão augusto Monarca." (Bibliotheca Lusitana, Vol. 3., pag 161) - "Neste próprio ano de 1521 (em que foi Dominical a letra F), aos 13 de Dezembro, dia de Santa Luzia, (que calhou então à sexta feira) pelas nove horas da noite, nos Paços da Ribeira em Lisboa, faleceu ElRei D. Manuel de uma febre, espécie de letargo, (doença, de que na mesma Cidade morria muita gente) tendo de idade cinquenta e dois anos, seis meses, e dois dias, contados desde o primeiro de Janeiro do ano de 1469 em que nasceu; dos quais reinou vinte e seis anos, um mês, e dezoito dias, contados desde 25 de Outubro de 1495 em que herdou a Coroa. Jaz no Real Mosteiro de Nossa Senhora de Belém extra muros de Lisboa, que ele edificou para ter nele seu jazigo, e ser habitado de Monges Jerónimos." (Colecçam dos Documentos Estatutos e memórias da Academia Real da História Portuguesa..., pág. 468)

D. Paio Galvão - Foi natural de Guimarães, filho único de Pedro Galvão e de D. Maria Pais. Foi Cónego Regrante de Santa Cruz de Coimbra. Foi Mestre em Teologia pela Universidade de Pais. Foi Mestre-Escola de Guimarães, Embaixador de Obediência a Roma, mandado por ElRei D. Sancho I. Pelo Papa Inocêncio III foi nomeado Cardeal Diácono no título de Santa Maria in Septisolio no ano de 1206. No ano de 1211 foi Cardeal Bispo Albanense. O Papa Honório III nomeou-o Legado Apostólico para a Cruzada à Conquista da Terra Santa no ano de 1219. No ano de 1225 foi Legado ao Imperador Frederico II. Morreu no primeiro de Junho de 1228. Dele falam todos os que escreveram as vidas dos Cardeais, e as Histórias das Cruzadas. O Padre António de Macedo na Lusitania Purpurata, O Padre D. Nicolau de Santa Maria escreveu-lhe a vida na Chronica dos Conegos Regrantes, tom.2 lib. II, cap. II." (Catálogo Histórico dos Summos Pontifices, Cardeaes, Arcebispos, e Bispos Portuguezes..., D. Manuel Caetano de Sousa. pág. 11)

Três Estados - "Auto do Juramento, que os Três Estados destes Reinos fizeram em presença de ElRey Nosso Senhor ao primeiro de junho de M.D.LXXIX." (Dedução Chronológica e Analytica, Vol. , pág 117) - "No dia primeiro de Junho foi lavrado o Auto formidável de Juramento, que na presença do Rei deram os Três Estados, cuja substância era: Que por morte do actual Soberano, eles obedeceriam aos Governadores nomeados, e teriam por natural, e verdadeiro Rei aquele, que os mesmos Governadores, e Juízes declarassem,que o era. Aos quatro dias do mesmo mês jurou a Cidade de Lisboa, e nele o Duque de Bragança; aos três do dito jurou o Senhor D. António, que para isso foi chamado à Corte do lugar do seu extermínio. Mas ele sem perder  tempo reclamou logo o juramento na presença do Núncio, protestando não lhe prejudicar o acto, que fizera em reverência ao Rei seu Tio, por temor que caia em Varão constante, que se via face a face com o Soberano de longos tempos até agora seu declarado inimigo. Para não defraudar aos Leitores com a falta de instrução da formalidade destes juramentos, eu os transcrevo pelas próprias palavras." (História Geral de Portugal e Suas Conquistas... Tomo XVII, Pág.233)

Martirológio Romano - "Em Roma, de S. Juvêncio Mártir. Em Cesareia da Palestina, de S. Pándilo Sacerdote, e doutrina, e liberalidade para com os pobres; o qual, na perseguição de Galério Maximiáno, atormentado primeiramente pela Fé de Cristo, e metido num cárcere por mandado do Presidente Urbano; depois posto segunda vez a tormentos por mandado de Firmiliano, consumou juntamente com outros seus o martírio. Padeceram também nesta mesma ocasião Valente Diácono, e Paulo, com outros nove; cuja festa se celebra em outros dias. Em Autum, dos Santos Mártires Reveriano Bispo, e Paulo Presbítero, com outros dez, os quais foram coroados de martírio, em tempo do Imperador Auréliano. Em Capadócia, de S. Teófilo Mártir, o qual em tempo do Imperador Alexandre, e do Prefeito Simplício, depois de outros tormentos, foi degolado. No Egipto, dos Santos Mártires Isquirion Capitão, e dos outro cinco soldados; os quais em tempo do Imperador Dioclesiano foram mortos pela Fé de Cristo com diversos géneros de martírios. Também de S. Firmo Mártir, o qual, na preseguição de Maximiáno, foi gravemente açoitado, depois apedrejado, e ultimamente degolado. Em Perósa, dos Santos Mártires Felino, e Graciano Soldado, os quais, em tempo do Imperador Décio, atormentados com vários tormentos, alcançaram com gloriosa morte a palma do martírio. Em Bolonha, de S. Próculo Mártir, o qual padeceu em tempo do Imperador Maximiano. Em Amélia, de S. Secundo Mártir, o qual, em tempo do Imperador Dioclesiano, sendo lançado no Tibre, deu fim a seu martírio. Em Tiférno na Umbria, de S. Fortunato Presbitero, esclarecido com virtudes, e milagres. No Mosteiro de Lirins, de S. Caprásio Abade. Em Treveris, de S. Simeão Monge; a quem o papa Bento Nono pôs no número de Santos. (Martyrologio Romano Dado a  Luz Por Mandado do Papa Gregório XIII ...LISBOA, M.DCC.XLVIII. pág. 134)

Forais - Vila de Meda: "A Vila de Meda fica a noroeste de Marialva a uma légua, e de Trancoso quatro para norte, situada em lugar alto com sua torre de Relógio: é fértil de pão, vilho, azeite, gado e caça. Tem 330 vizinhos com uma Igreja paroquial da invocação de S. bento, com Vigário, Coadjutor, e Tesoureiro da Ordem de Cristo, que apresenta o Comendador desta Vila, a quem pertencem os dizimos, que é o Conde da Castanheira. Tem mais estas Ermidas, S. Franciso, N. Senhora da Assunção, S. Domingos, N. Senhora das Tábuas, S. Sebastião, o Espírito Santo, e S. João. É do Bispado, e Provedoria de Lamego. ElRei D. manuel lhe deu foral em Évora no primeiro de junho de 1519." (Corografia Portuguesa, e Descriçãm Topográfica do Famoso Reyno de Portugal... Pe. António Carvalho da Costa. Tomo II, LISBOA M.DCCVIII.  pág. 310). Vila Ruiva : "Entre as Vilas de Alvito e Vila Alva, uma légua de Alvito para o Sul, na ladeira de um monte tem seu assento Vila Ruiva, a quem deu foral o Convento de Mancelos, e o confirmou ElRey D. Manuel estando em Lisboa no primeiro de Junho de 1512." (pág.491). Vila da Vidigueira - "A esta vila deu foral ElRey D. manuel achando-se em Lisboa no primeiro de Junho de 1512; e dela fez Conde ao mesmo D. Vasco da Gama, a quem honrou com outras merecês dignas dos seus grandes merecimentos. Nesta ilustríssima casa se conserva o domínio da dista villa, cujos Condes são juntamente Marquezes de niza. Com o tempo se foi aumentando a mesma vila de tal modo que actualmente consta de 656 fogos, em que se compreendem pouco menos de três mil pessoas; pois havendo curiosidade em se examinar este número, consta, que só as pessoas que chegam à Sagrada Mesa da Comunhão, vem a ser duas mil e trezentas e vinte e seis. É cercada de largos, e formosos rocios, num dos quais está fundada a Igreja Matriz que é a terceira das que se tem destinado para se administrarem nela os Sacramentos aos Fiéis." (Chronica dos Carmelitas de Antiga e Regular Observância.. Tomo II, Parte IV. Pág. 309)

Fortaleza de Mombaça - "Matias de Albuquerque foi logo ao outro dia, que foram vinte e três de Maio, visitar o Conde Almirante com todos os Oficiais da justiça, e fazenda; e querendo logo nesta visita fazer entrega da governação da Índia, a não quis o Conde aceitar, senão aos vinte e cinco do mesmo mês, que foi dia do Espírito Santo, donde a fez na forma costumada. Os Vereadores foram logo visitar o Conde, e pediram-lhe que se detivesse ali alguns dias até que prepararem o seu recolhimento; o que lhe ele concedeu até ao primeiro de Junho, dia da Santíssima Trindade, em que fez sua entrada com grande pompa, e aparato, e regozijo de todo o povo, de que as ruas por onde havia de passar estavam toldadas, e com muitas invenções. Foi recebido com fala de parabéns de sua vinda, e levado de baixo do Pálio até à Sé, passando por baixo de muitos, e mui formosos arcos ornados com muitas riquezas, e galantarias, indo à sua ilharga o Arcebispo Primaz D. Fr. Aleixo de Menezes; e depois de fazer sua oração, se recolhei aos passos, em cujo terreiro lhe correram muitas carreiras, e fizeram muitas festas, e regozijos, em que o dia se gastou. E há de aqui notar-se, que no mês de Junho, em que o Conde Almirante tomou posse da Índia, se cumpriram cem anos que seu bisavô a descobriu." (Da Asia de João de Barros e de Diogo de Couto, Vol. 23, pág. 14)

Escravidão - "(c) No primeiro de Junho o Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Bispo de Elvas leu um Capítulo de uma, em que mostra, que não se contradizem as leis que permitem as escavidão dos pretos da África e proibem a dos Índios do Brasil." (Memórias, Academia das Ciências de Lisboa. Vol.3 - Discurso Histórico (...) de João guilherme Christiano Müller a 24 de Julho de 1810, pág.10)

14/01/12

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR LXX

Brasão de D. José de Bragança Arcebispo de Braga, primaz das Espanhas

TEXTOS ANTERIORES