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24/06/17

NA SERRA ALTA - FIDELISSIMOS


"De todas as maravilhas que a Santa Igreja encontrou na fértil ceara dos Reinos Cristãos, a FIDELIDADE achou-se em maior constância e brilho em Portugal; característica esta nossa, tão própria e admirável que o Príncipe dos Apóstolos fez com ela coroa lusa (*). Assim, perante os Reinos Cristãos, e o mundo, Deus preparou Portugal para exemplo de Fidelidade, e da grande fidelidade que é a Fé. (...)  Embora Portugal seja de si mesmo desconhecido, não se entenderia o motivo de tal virtude demorar 600 anos em tornar-se oficiosa aos olhos do mundo, caso não fosse a muita discrição pública outra característica nossa, que nos tem protegido providencialmente tantas e tantas vezes. (...) para que cá os humildes possam assegurar-se que a Fé não é incompactível com a Fidelidade aos legítimos (...)"
(na serra alta - J. Antunes)

04/02/15

CONTRA-MINA Nº 12: Liberalismo Contra a Restauração de Luís XVIII ... (III)

(continuação da II parte)

Clemente XII
Os discípulos de Voltaire, de Volney, e de Rousseau, estão dando as cartas em Paris, e o mesmo tem sucedido em outras cidade principais da França. O mesmo se viu em Turim pelos anos de 1820, e o mesmo se viu em outras cidades da Itália, como por exemplo em Alexandria, na mesma época; e ainda haverá quem diga, que a seita Universitária é um sonho dos Bispos de Roma; assim como já o foi em o Santo padre Clemente XII, o acreditar a existência de Padeiros Livres? Haverá sim, porque há homens para tudo; porém os factos repetidos, constantes, e indubitáveis clamam, e provam demonstrativamente a existência de tal "Seita Universitária"; e ditosos por certo são aqueles Soberanos, que têm conseguido atalhá-la, e sopeá-la por quantos modos, e artes cabem no seu poder.... Ainda não ouvi que os Estudantes de Alcalá, de Granada, ou de Salamanca fizessem ajuntamentos proibidos, e quisessem dar a Lei a seu Soberano; e porque será isto? Porque a Teologia estudada por S. Tomás, que ainda não decaiu, nem decairá jamais do seu bem merecido título de Anjo das Escolas, porque o direito canónico [refere-se ao direito canónico em geral, na sua Tradição, e não a uma codificação deste direito, que veio a acontecer só no séc. XX por mãos de S. Pio X], estudado pelas doutras preleções do Prelado Devoti, nunca há-de fazer os estudantes ingratos, e rebeldes para com os seus legítimos Soberanos.

Não fosse tão acrisolada a vigilância do Governo Hespanhol [refere-se aos dois Governos na Península Ibérica] sobre a entrada de Livros estrangeiros, mormente desde 1823 até ao presente, e veríamos o que já teria sucedido a estas horas. Bem sei, e não me foge, que os anos constitucionais alagaram à Península com uma enxurrada de livros franceses [vindos da França, entenda-se], ou castelhanos [vindos de Castela, entenda-se] estampados em França; porém os voluntários Realistas, e as diferentes autoridades civis, e eclesiásticas de Hespanha têm dado uma caça geral aos possuidores de tais livros; e graças a N. Senhora, ainda os bons poderão ter a consolação de verem tais pestes desterradas para sempre da Península, o que nos afiança a piedade, e zelo incansável dos Reis Fidelíssimo, e Católico; que se o Rei Carlos X tivesse governado à castelhana, assim como governou à francesa, isto é, debaixo de ideais de tolerância, e amalgamento, ainda hoje estaria assentado no Trono dos seus Maiores. E cuidará talvez o Rei Cristão, porque vê os estudantes da Polytechica mui dóceis à sua voz, que está mui bem seguro no Trono, e que o há de transmitir aos seus descendentes? Quanto se engana! Os Estudantes liberais não querem nem sombras de título de Rei; e mais dia menos dia mostrarão os seus verdadeiros intentos; pois já não pode ficar em problema, quais sejam os da "seita universitária", que têm duas bases, ou princípios fundamentais: 1º o Ateísmo, 2º Atravessar o coração de todos os reis. Quem se espantar do negrume de tão abomináveis princípios, ou é estúpido, ou também folga na taberna, e é como eles.

Colégio do Espírito Santo em Coimbra
22 de Janeiro de 1831.

Fr. Fortunato de S. Boaventura

11/12/14

CONTRA-MINA Nº 42: Reconhecimento a D. Miguel I Dado Pelo Papa Gregório XVI (III)

(continuação da II parte)

Foi certamente Belzebu, ou Satanás quem, à hora da meia-noite, lhes descobriu, que não tinha sido absoluto, porém condicional o Reconhecimento do Senhor D. MIGUEL I pelo S. Padre Gregório XVI, e é habilidade, que só alguns Pedreiros Livres, e alguns Confessores Jansenistas saibam, o que se ignoram absolutamente nas Côrtes de Lisboa, e de Roma. É sabida bem fraca, e bem despropositada, assim como é bem para admirar, que certos ânimos se deixem preocupar de uma Sandice tão absurda e tão depressível... mas em fim é necessário, que o Esquadrão feminil, que trata de piedade, e que tantos serviços há feito à Causa, que não é certamente a Causa de Deus, tome alentos, e não desanime de prosseguir em seu nobre intento de acarretar sobre este Reino, depois da guerra Civil, a inteira destituição do Catolicismo. Mal sabem os meus leitores o quanto eu aborreço as geringonças, e caramunhas destas carpideiras dos males do seu próximo, quando este próximo é Constitucional, e Pedreiro..... Quando é Realista, ainda que o vejam padecer os mais duros, e cruéis tratamentos, ainda que lhes vejam apertar tanto as mãos, que as cordas assentem em carne viva, e já cheguem aos próprios ossos, a nada as brutinhas se movem, e ficando muito enxutas, apenas dizem "Não fosse tolo, quem o mandou figurar em causas políticas, quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele etc. etc. etc.," e Adeus caridade Cristã, Adeus moral do Evangelho, que deve ceder toda em benefício dos Pedreiros Livres. É bem para lastimar, que o saudoso Padre Macedo [Pe. José Agostinho de Macedo] não chegasse a dar a última de mão ao prometido quadro das Mulhadas, que só um pincel, que no seu género não tinha, nem pouco, nem muito, que invejasse ao de Rafael de Urbino, seria adequado, para o fazer da maneira que convinha, isto é, por tal arte, que as insulsas, ou perversas Malhadas [em linguagem popular, "malhados" eram os maçons, assim chamados pela cena dos cavalos malhados que quase puseram fim à vida de D. Miguel] se corressem de o ser, e tivessem com o Cervantes Português igual sorte, à que experimentaram os Cavalheiros andantes com o Espanhol. Muitas vezes me lembro, de que estas miseráveis, que são a desonra do seu sexo, e de Portugal, tem lá para si, que o Grande Oriente, em contemplação dos seus grandes serviços, lhes conservará sempre uma Igreja aberta, para elas frequentarem os Sacramentos, e serem Cristãs folgadamente, e à sua contade, ou por efeito de alguma revelação do Diácono Paris contem de certo com a geral conversão dos Pedreiros Livres... Deixemos estas loucas, e desvairadas mulheres, e passemos a coisa mais conveniente para os meus Leitores. Dizia eu no princípio deste Nº 42, que o Reconhecimento do Senhor D. Miguel I pelo S. Padre Gregório XVI era um sucesso da maior importância, considerado Politicamente, ou ainda Historicamente. É necessário, que eu dê alguma razão destes meus dictos.

Milagre de Ourique. Nosso Senhor aparece a D. Afonso I de Portugal
A Igreja de Roma, ainda que goze uma Soberania temporal, de que nunca será esbulhada, sem que logo se arrisquem os interesse da Fé, não tem uma consideração política, que baste, para a fazer independente das grandes Potências Católicas; e por isso tem por costume respeitá-las sem baixeza, e acatá-las sem lisonja, até ao ponto de que tenham algumas, como é notório, o direito de exclusiva nas Eleições dos Sumos Pontífices. Daqui vem igualmente, que tratando-sede Reconhecer um de dois contendores, ou aspirantes a uma Coroa, ele tenha espreitado, e seguido as variedades, e mudanças do Sistema Político da Europa "Se pareceu não atender, como de antes, à Soberania de facto, é por ver, que dificuldades mais graves contrariam as suas antigas ideias.. O Sumo Pontífice é Pai comum de todos os Fiéis, e não olha somente para a felicidade espiritual deste ou daquele Reino Católico da Europa, ou da América; não há um só destes no Mundo, que ele não forceje por conservar, e proteger, para que nunca se retirem do centro da unidade, ou se extraviem do único, e verdadeiro caminho da salvação. Quando os Reis, por uma vingança mal entendida, se resolvem a quebrar com a Igreja de Roma, ou, o que ainda é mais fatal, e pernicioso aos seus melhores interesses, a deixar a Comunhão com aquela Igreja, arrastam consigo os Povos inocentes, e gerações inteiras; e melhor seria para eles o perderem a Coroa temporal, do que esbulharem da Coroa eterna a si próprios, e aos seus infelicíssimos vassalos. Fazem pois o maior serviço aos Reis, e atraem sobre os Povos a maior de todas as calamidades, esses infamente Pedreiros Livres, que depois de terem aprendido, e talvez ensinado, que os Papas nunca se devem fazer Árbitros de Questões Políticas, e de terem explicado no sentido mais lato as Divinas expressões "Regnum meum non est de hoc mundo," criminam todavia os Papas, quando movidos de razões fortíssimas, ou suspendem, ou demoram o Reconhecimento dos Príncipes, que mais desejariam ver firmes, e consolidados na posse de seus Tronos. Quantas vezes depois de azedarem os Príncipes contra o Vigário de Jesus Cristo, e de lho pintarem como o seu maior inimigo, e vendo-se apanhados de súbito pela mais exuberantes provas de uma afeição verdadeiramente Paternal, forcejam por extenuá-las, ou diminuí-las, quando lhes não é dado escurecê-las de todo? O principal fundamento da Monarquia Portuguesa consiste na profissão do Catolicismo puro [milenar, o de sempre], e não mesclado de doutrinas Jansenistas, ou quase Protestantiças [hoje, esse "quase" foi ultrapassado]; mas quem se reputa, e deve reputar como Soberano, ou Cabeça da Igreja? É o Sumo Pontífice; pois eu que vejo quebrada a Linha da Sucessão de tantos Bispos nas Igrejas fundadas pelos Apóstolos, vejo-a sustentada, e nunca interrompida desde S. Pedro até ao Sumo Pontífice Gregório XVI. Logo o Sumo Pontífice é parte essencial na firmeza do Trono Português, e por isso este Reconhecimento do Senhor D. MIGUEL I por aquele S. Padre, é o mais apreciável de todos. Que fui eu dizer? Pois não seria melhor, que fosse Reconhecido por algum Soberano, que em lances de perigo lhe enviasse 30$ homens de auxílio, para rechaçar, e debelar completamente os adversários da Sua Pessoa, e Governo? Tal não dizem, e ainda menos pensam os verdadeiros Portugueses (que somente os que forem Católicos merecem tal nome). Os verdadeiros Portugueses não têm uma só Pátria, que se chama Reino de Portugal, aspiram a outro melhor, que nunca lhes poderá ser, nem franqueada, nem entregue senão pelo Ministério das Chaves de S. Pedro. Desde o princípio da minha carreira Literária tenho eu estranhado muito a opinião, em que somos tidos por vários Escritores estrangeiros, e bem estrangeiros na matéria, que se meteram a tratar, sem o devido conhecimento de causa. Temos na Santa Religião dos nossos Maiores um princípio de força irresistível, com que de ordinário se não conra, e que pesa muito nas balança, quando se trata de avaliar os nossos feitos antigos, e modernos. A História de Portugal, no que toca a milagres, e coisas extraordinárias, em que se apalpa continuamente um braço superior, só é excedida pela História do antigo Testamento; e quem a chamar, ou reduzir às causas naturais, e ordinárias da elevação, e queda dos Impérios, forçosamente há-de enervá-la, e despi-la do mais essencial, a ponto de a tornar um esqueleto mirrado, e informe.

(continuação, IV parte)

04/12/14

CONTRA-MINA Nº 42: Reconhecimento a D. Miguel I Dado Pelo Papa Gregório XVI (I)

CONTRA-MINA
Periódico Moral, e Político,

por

Fr. Fortunato de S. Boaventura,
Monge de Alcobaça.

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Nº 42
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O medonho Fantasma se esvaece,
O dia torna, e a sombra se dissipa;
Os Insectos feíssimos de chofre
Entram no poço do afumado Inferno:
Eternamente a tampa se aferrolha.
No meio do clarão vejo no Trono,
Cercado de esplendor, MIGUEL PRIMEIRO.
(Macedo, Viagem Estática ao Templo da Sabedoria, pág. 141)
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O Reconhecimento do Mui Alto e Poderoso Senhor D. MIGUEL I Pelo Santo Padre Gregório XVI, Agora Presidente na Universal Igreja

Papa Gregório XVI
"Sucesso foi este da maior importância, e que debaixo de qualquer dos aspectos, que se considere, ou Religiosa, ou Política, ou ainda Historicamente, foi da mais conhecida vantagem para o Reino de Portugal. Este Reino exceptuada a Grei Maçónico-Liberal, é Católico, e sempre foi obedientíssimo à Igreja de Roma, e ao Sucessor do Príncipe dos Apóstolos; e se a minha tal qual memória me não engana, já houve um Rei de Portugal, que tratando-se em sua presença dos vários Títulos Religiosos, usados pelos Reis, v. g. Rei Católico, Rei Cristianíssimo, disse, que se lhe cometessem a eleição de um Título, não se pagaria de nenhum como deste "Filho obedientísssimo da Igreja Romana".

Já mui antes que o Santo Padre Bento XIV concedesse aos Reis de Portugal a sobremaneira honrosa de Reis Fidelíssimo, o Santo Padre Eugénio IV havia concedido aos nosso Reis, que depois da sua Exaltação ao Trono fossem Sagrados à maneira dos Reis da França, e que o Ministro desta Cerimónia Religiosa fosse o Arcebispo de Braga; e não se apontará em nenhum dos séculos da existência destes Reinos algum intervalo notável de anos, em que a Sé Apostólica deixasse de outorgar-lhes as mais exuberantes graças, e privilégios. Ora esta aliança dos Sumos Pontífices com os Reis, sendo tão falta como era ao progresso das Ideias Liberais, sucedeu toda a fúria dos Jansenistas, que de mãos dadas com os Pedreiros Livres têm feito as maiores diligências por empecê-la, e destrui-la. Bem sabiam eles, que a Suprema Autoridade do Vigário de Jesus Cristo, ainda nesses dias, manhosamente chamados escuros e tenebrosos, era sempre mais fácil em conquistar os Vassalos rebeldes a que prestassem a devida sujeição aos seus Príncipes, do que em desentronisar estes, e relevar àqueles o Juramento de fidelidade; e para se livrarem do peso da evidência histórica, que muito os atormentava, pesaram em campo um exército de Historiadores, que tomando a liberdade Filosófica, (e por isso tem dado aos seus aranzeis o nome de Histórias Filosóficas) separam dos acontecimentos da meia idade só aquela parte, que, abstraindo de todas as mais circunstâncias, possa fazer odiosa a Autoridade Pontifícia, escondendo ardilosamente, o que lhe podia ser, não só favorável, mas até mui decoroso. Desta arte conseguem barafustar, e confundir tudo, e perverter os incautos, e desavisados, que olham para essas rapsódias, como para outros tantos Evangelhos. Costuma dizer-se, que S. Gregório VI era o flagelo dos Reis, e que tratou despótica, e orgulhosamente o Imperador Henrique; porém não se diz, ou se diz apenas por entre dicção para depor o Sumo Pontífice, e eleger outro, que o substituísse. Em uma palavra, somente os Neros, ou Calígulas, chamados Cristãos, e que na meia idade foram às vezes pouco menos que feras, é que podiam recear-se da Autoridade Pontifícia; porém os Reis bons, justiceiros, e Cristãos nunca se temeram de uma Autoridade sempre bemfazeja, e protectora para com eles. Fazendo previamente uma advertência aos nosso Sabichões, de que o ímpio Hobbes não achou nem débeis, nem ridículos certos argumentos do Cardeal Belarmino, convém dar aqui um exemplo de todas estas verdades. Que altos gritos, e clamores se têm ouvido neste Reino sobre a injusta deposição do Senhor D. Sancho II? Mas quem teve neste sucesso a maior influência? Os Nobres, e os Prelados deste Reino, que acudiram em chusmas às portas do Vaticano, instando com o Santo Padre, que se dignasse valer a um Reino, que apenas resgatado do poder dos Mouros ameaçava a sumir-se no pétago insondável da anarquia, e da guerra civil. Que faria pois nestes lances o Santo padre Inocêncio IV? Deixaria parecer em breves dias a obra de tantos anos, de tantos combates, e de tantas vítimas? Seria melhor, que todo o Reino andasse, até se consumir de todo, em uma guerra desastrosa de pais contra filhos, e de irmãos contra irmãos, ou que a Tutoria do Reino fosse dada ao Conde de Bolonha, que era o legítimo herdeiro da Coroa? Atrevo-me a dizer, que os que presumem de mais versados na História Portuguesa ainda não sabem, que o Sumo Pontífice dirigiu nesta ocasião um Breve ao Senhor D. Sancho II, já desentronisado, e residente em Toledo, em que lhe mostra os sentimentos de verdadeiro Pai, e declara, que nunca foi do seu ânimo privar do incontestável direito à Coroa Portuguesa os descendentes legítimos, quando os tivesse. E onde está o Breve? (dirá talvez algum curioso) Está impresso, e declarado genuíno pelo famoso Crítico Estêvão Baluzio. Sirva por este único exemplo de confirmar, o que tenho dito; e persuadam-se de uma vez todos os bons Portugueses, que a proporção do que se enfraquece, ou diminui a Autoridade Pontifícia em um Reino Católico, move, adianta-se, e triunfa a Seita Maçónica, por certo a mais empenhada em tirar aos Reis tudo quanto os possa fazer mais respeitados, e temidos de seus Povos.

(continuação, II parte)

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