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26/04/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (LXXIV)

(continuação da LXXIII parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações

Cap. XLVII
Sofrer Todos os Males na Esperança Dos Bens Eternos 

1. Cristo - Filho, não esmoreças nos trabalhos que empreendeste por mim. Que as atribulações não te desanimem e as minhas promessas te fortaleçam e consolem em todos os sucessos da vida. Eu sou assaz poderoso para pagar-te quanto fizeres por mim, dando-te uma recompensa sem limites e sem medidas.
Os trabalhos que padeces agora não serão dilatados, nem sempre viverás oprimido de dores. Espera um pouco e  verás depressa o fim dos teus males. Virá brevemente o momento feliz em que hão-de cessar todos os trabalhos e fadigas. É sempre breve tudo o que passa com o tempo.

2. Faz com cuidado e trabalha fielmente na minha vinha; e eu mesmo serei a tua recompensa.
Escreve, lê, canta, geme, cala, ora e sofre varonilmente todos os trabalhos. A vida eterna merece ser comprada por estas e outras maiores pelejas. A paz virá no dia em que o Senhor sabe, e este dia não será como o dia deste mundo, que é seguido da noite, mas será um dia eterno, uma luz infinita, uma paz firme e um seguro repouso. Tu, então, não dirás: "Quem me livrará deste corpo de morte?» Nem exclamarás: "Ai de mim, quão dilatado é o meu desterro!"
A morte será destruída e entrarás numa vida imortal, isenta das inquietações, para então gozares da alegria dos bem-aventurados, da doçura da sociedade celeste, da formosura do Paraíso.

3. Se visses as coroas que os santos possuem no Céu e a glória que gozam aqueles que passavam no mundo por desprezíveis e por indignos da vida, certamente te humilharias. Preferirias obedecer a todos que governar um só. Não desejarias os passatempos desta vida, gostarias de padecer por amor de Deus e terias por lucro grandíssimo ser avaliado por nada entre os homens.

4. Se gostasses destas verdades e elas penetrassem até ao fundo do teu coração, como te atreverias a manifestar uma só queixa, quando oprimido pelos teus males? Que coisa existe tão penosa, que se não deva sofrer de bom ânimo pela vida eterna? Achas de pouca importância ganhar ou perder o reino de Deus?
Levanta os olhos ao Céu. É aí que habito, com os meus santos, que, depois de tantos combates no mundo, se alegram agora, cheios de consolações, de segurança e de descanso, e permanecerão comigo para sempre, no reino de meu Pai.

13/02/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (LVI)

(continuação da LV parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações

Cap. XIX
O Sofrimento de Injúrias e a Prova da Verdadeira Paciência

1. Cristo - Filho, que é que dizes? Deixa-te de queixas, considerando a minha paixão e o sofrimento dos santos. Ainda não resististe, até derramar o teu próprio sangue. Pouco padeces em comparação de tantas e tão diversas atribulações e que foi exercitada a paciência dos meus servos. Lembra-te, pois, da grandeza das suas penas para que mais docemente suportes as tuas, bem menores. E, se pequenas não as julgas, é a tua impaciência que te persuade. Mas, seja pouco ou muito o que sofres, sofre-o com paciência.

2. É grande sabedoria dispor-te para o sofrimento. Quando te resolveres a sofrer, os males representar-se-ão mais leves e o merecimento que terás em sofrê-los será maior. Não digas: "Eu não posso tolerar que um tal homem me trate desse modo; isso me é inteiramente insuportável. Ele faz-me grande dano, arguindo-me de coisas que nem ao meu pensamento vieram. Eu sofreria facilmente outras pessoas e outras ofensas menos sensíveis." Este discurso é producto de uma imaginação vã, pois nele não se considera o que significa a paciência nem quem vai recompensar, mas só a pessoa que ofende e a ofensa recebida.

3. Não é verdadeiro sofredor quem sofre só o que lhe parece e a quem lhe parece. Quem possui a virtude da paciência não olha se aquele que o persegue é seu prelado, seu igual ou seu inferior; se é santo e bom ou se é mau e indigno. Ele recebe indiferentemente todo o mal que lhe fazem e as vezes que lho fazem, como se viera de Deus, julga isto de grande utilidade, pois vive persuadido de que o mal, por leve que seja, sofrido por amor de Deus, não fica sem merecimento.

4. Aparelha-te para combater, se queres sair vitorioso. Sem peleja não podes alcançar a coroa da paciência. Se rejeitas o sofrimento, é sinal de que não queres ser coroado. Mas, se desejas essa coroa, combate varonilmente e sofre com paciência. O descanso é prémio do trabalho e a vitória é recompensa do combate. 

Alma - Meu Deus, faça-me possível a Vossa graça aquilo que naturalmente me parece impossível. Vós sabeis a pouca força que tenho para sofrer, pois qualquer mal pequeno basta para derrubar-me. Fazei, pois, que eu deseje e abrace com ardor o exercício das atribulações, para glória do Vosso nome, já que de tão grande proveito me é sofrer e ser perseguido por amor de Vós.

02/01/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (XLIX)

(continuação da XLVIII parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

III Livro
A Fonte Das Consolações

Cap. XII
Necessidade da Paciência na Luta Contra os Apetites

1. Alma - Meu Senhor, meu Deus, reconheço que a paciência me é necessidade indispensável, porque nesta vida sucedem muitas coisas que afligem. Ainda que eu faça por ter paz, a minha vida será sempre acompanhada de perturbações e dores.
Cristo - Meu filho, o que dizes é verdade. Mas eu não quero que faças consistir a tua paz na isenção de tentações ou não encontrar coisa alguma que te aflija.
Antes crê ter encontrado paz, quando tiveres padecido muitas atribulações e tiveres experimentado muitas adversidades.

2. Se dizes que não podes sofrer tanto, como suportarás o fogo do Purgatório? Entre dois males é preferível eleger-se o menor. Para evitar os males eternos, sofre por Deus e de bom ânimo os males presentes.
Crês que os mundanos têm pouco ou nada que sofrer? Aqueles mesmo que vivem nas maiores delícias não estão livres de padecimentos. Dirás, talvez, que eles, por outro lado, usufruem de várias diversões e satisfazem todas as suas inclinações e desejos, o que serve de adoçar-lhes as penas.

3. Suponhamos que assim seja e eles têm tudo o que quiserem. Mas quanto tempo julgas que lhe durará essa felicidade imaginária? Verás todos esses grandes do mundo desaparecerem como o fumo que se esvai, sem deixarem memória alguma dos seus prazeres passados. Enquanto vivem, não usufruem esses prazeres sem amargura, fastio e temor, porquanto muitas vezes lhes vem o castigo e a dor do próprio objecto do seu deleite.
A minha justiça é que os castiga dessa forma. Já que desordenadamente buscam e seguem os prazeres da carne, é bem que os não gozem sem confusão e amargura.

4. Que coisa há mais falsa, mais desordenada, mais ignominiosa do que a sensualidade? Mas os homens, por sua cegueira, não conhecem isto; antes, deixando-se arrebatar pelas paixões, como brutos sem razão, compram as breves delícias desta vida pelo preço da morada eterna das suas almas. Tu, pois, filho meu, não sigas jamais as tuas paixões, mas renuncia aos teus desordenados desejos. Põe as tuas delícias no Senhor e Ele te dará o que pedir o teu coração.

5. Se queres ter verdadeira alegria e receber de mim abundantes consolações, despreza o mundo, corta os laços de todos os prazeres materiais, e, vindo, então, sobre ti, a minha bênção, estarás cheio de uma doçura inefável.
Quanto menos procurares consolações nas criaturas, tanto mais acharás em mim os verdadeiros prazeres do espírito.
Não os podes conseguir, porém, sem tristezas e sem peleja. O teu mau costume se oporá a esse desígnio, mas será vencido por outro melhor costume.
A carne te fará sentir as suas rebeliões, mas ela será refreada pelo fervor do espírito. A antiga serpente armará contra ti toda a sua malícia e toda a sua violência, mas as tuas orações a lançarão em fuga e a prática permanente de trabalhos úteis fechará uma das principais portas da tua alma.

11/09/14

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (XVI)

(continuação da XV parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO
Thomas de Kempis

Cap. XVI
Paciência Para Com os Defeitos do Próximo

1. O que não pode um homem emendar em si mesmo, ou nos outros, deve sofrer com paciência até que Deus o disponha de outro modo. Considera que assim convém para provar a tua paciência, sem a qual não são dignos de estima os nossos merecimentos. Deves, porém, pedir a Deus que te ajude a suportar semelhantes estorvos.
Se alguém, sendo uma ou duas vezes admoestado, não se emenda, não porfies com ele, mas encomenda tudo a Deus, para que se faça a Sua divina vontade e seja honrado em todos os seus servos, pois Deus sabe dos males tirar bens.

2. Aprende a sofrer com paciência os defeitos e fraquezas alheias, pois muito tens do que a outrem faz sofrer. Se não podes fazer de ti mesmo quanto desejarias, como queres submeter o outro à medida que traças? Sempre desejamos ver os nossos perfeitos, mas não cuidamos de descobrir e emendar as nossas próprias imperfeições.

3. Comummente, queremos que os outros sejam castigados, mas não gostamos de ser repreendidos. Parece-nos mal que se concedam aos outros largas licenças; e não queremos que se nos negue o que pedimos. Queremos que os outros sejam apertados com estatutos e de nenhuma maneira sofremos que nos reprimam. Isso demonstra que não amamos ao próximo como a nós mesmo. Se todos fôssemos perfeitos, que mérito teríamos perante Deus, vivendo sem sofrer os outros, por Seu amor?

4.  Mas assim ordenou Deus, para que aprendamos a tolerar as faltas dos outros, porque ninguém há sem defeito, ninguém como nós gostaríamos que fosse, ninguém suficientemente bom nem necessariamente educado; mas convém que uns aos outros nos soframos, nos compreendamos e nos perdoemos, e reciprocamente nos ajudemos com instruções e ponderações caridosas.
De quanta virtude cada um possui, melhor se manifesta na ocasião da adversidade, porque não são estas que fazem o homem fraco, mas descobrem se ele realmente o é.

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