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03/04/19

O MASTIGÓFORO - ("Frades")

Frades - Quem não lê a sua história pelo Ateu Gibbon, e por outros da mesma laia, conhece perfeitamente, que a Igreja de Deus não é encarecida, quando ao trocar na instituição de diferentes Ordens Religiosas, lhe chama os Subsídios com que a Providência sustentou, e roborou a Igreja militante, e mais é, que nestas ideias esteve a Europa durante muitos Séculos, e o nosso Portugal foi o último Reino que as perdeu. É tão líquido o ser a perseguição dos frades no séc. XVIII obra da pseudo-filosofia, e do Maçonismo, como é dois, e dois serem quatro, e todo aquele, que se põe a desenhar em público de frades, e a aclamar, de que servem os frades? … é dos tais - Fenum habet in cornu. Guardar dele, que é emissário das Lojas para seduzir o povo. Abençoado povo, que lhe deu pelas ventas, chegando a pedir ao ínfimo Congresso, que se conservassem alguns Mosteiros; para cuja extinção já se tinham concedido Bulas à instância dos mesmos frades!!! O povo nesta parte mais atilado, e providente, que muitos Sabichões, quando viu a Quaresma destruída, e o Patriarca de Lisboa desterrado, começou logo a dizer mal da festa, e no segredo de suas habitações começou a jurar pela pele aos tais heróis do Maçonismo. Forte honra têm dado estes Senhores, sem o quererem, ou pensarem, ao Estado Religioso! Já não era pequena o fazermos companhia aos Mestres dos Cristãos, Nosso Senhor JESUS CRISTO, que de antemão nos confortou com a certeza das perseguições, e promessa dos seus auxílios; mas eis-outra de nós fazerem, ou suporem essenciais ao Cristianismo, por sair de tais bocas, é das que mais nos exaltam aos olhos da Sabedoria humana, se ela deixando a sua habitual cegueira, quiser ponderar, e reflectir um só instante nos pasmosos acontecimentos do Séc. XVIII. Que uma Enciclopédia viva, e ambulante, que o oráculo de Ferney tivesse medo dos frades, e que reputasse a sua extinção como o seguro, e único meio para destruir o Catolicismo!!! Por uma parte a gritarem não havia frades no primeiro Século da Igreja, que era o tempo do maior luzimento da Esposa de JESUS CRISTO, donde se vê que são trastes inúteis, e supérfluos, de que se deve prescindir, todas as vezes, que seja necessário acudir às precisões do Estado; e por outra parte morram, acabem os frades, pois mostra a experiência, que onde os houver, terá o povo maior aferro às verdades Cristãs!!! Não é nada, se a escura Seita das Luzes quis medrar, ou deitar de si o próprio clarão das lavaredas infernais, começou por minar tudo, e assestar quantas baterias houvesse, a fim de conseguir, e levar ao cabo a Supressão da Companhia de Jesus, que foi a primeira vítima dos ensaios Maçónicos. E que mal fariam esses Padres? Tenho ouvido dizer muitas, e muitas vezes aos homens antigos, e ditosos restos do nosso Portugal velho. "Ai! que a expulsão dos Frades da Companhia foi a destruição deste Reino! Pregavam, ensinavam, confessavam, e tudo faziam pelo amor de Deus, até saiam pelas ruas a catequizar os meninos, que andavam tão contentes… e caiam tão bons Cristãos! Desde que eles se foram tudo desandou, e foi de mal em pior; quem os dera cá outra vez!!" O certo é que não tenho achado um só ancião probo, e religioso, que não tenha achado um só ancião probo, e religioso, que não tenha estes sentimentos, donde se vê, que Jesuíta quer dizer um frade, que se obriga a ser útil às Sociedades, Civil, e Cristã, que anda milhares de léguas para converter almas, e que não tem outro intento mais, que propagar o Evangelho…. Ora tudo isto no Calepino dos Mações, é crime imperdoável, e de Lesas-Ideias liberais, que onde entrarem os Jesuítas não progridem, e é certo, e inevitável o triunfo do Servilismo. Querem dizer, que onde houver Cristãos haverá sentimentos de verdadeira Lealdade ao Trono… e eis-aqui o mal, que os Pedreiros querem destruir com todas as suas forças. Eu benzi-me quando vi, que o Ex-Arcebispo das Malinas nos seus últimos escritos deplora a infelicidade dos Reinos, onde entrarem Jesuítas, porque necessariamente hão de enterrar as Ideias Liberais. Coitadinhas é pena! deixam vivíssimas saudades em toda a parte onde chegam a entrar, ou dominar!! E o pior é, que ainda há tolinhos Portugueses, que de boa fé não querem os Jesuítas! Pois fazem uma grande África, em darem as mãos ao frenético Voltaire, que enrouquecida de gritar à quadrilha "Frades abaixo, e primeiro os Jesuítas, que são os mais zelosos propagadores da Superstição Cristícola". Ah! sosseguem os proprietários dos bens que foram dos Jesuítas, que de certo ninguém se lembrará de lhes querer tirar o que possuem… Se voltassem para nós esses dignos filhos de Santo Inácio, vinham mais atrás dos bens espirituais, que de outros quaisquer, e como já mostrou a experiência, que onde houver Jesuítas, iriam indefectivelmente de pernas ao a os malditos pedreiros, o Trono se firmará cada vez mais, e os Altares ficaram seguros das invasões, e profanações Constitucionais….

Pouco se me dá que fossem extintos em Portugal, ou quem fosse o primeiro móvel da sua extinção; o caso é, que os Próprios Irmãos da Seita, congratulando-se da boa obra, que tinham feito, deixam cair a seguinte protestação "Cést proprement la Philosophie qui, par la bouche des Magistrats, a porté l'arret contre les Jesuites." É propriamente a Filosofia, que pela boca dos Magistrados deu a Sentença contra os Jesuítas (Alambert Destruition des Jesuites, pag. 192) Se me instarem, que eu perturbo os gloriosos mares dos que figuraram nestes assuntos, e dou a entender, que os autores da extinção neste Reino eram Pedreiros Livres, respondo que não é agora ocasião de se apurar essa verdade; e que não é agora ocasião de se apurar essa verdade; e que me contento de esbarrar os meus arguentes com outra autoridade clássica do mesmo Geómetra. "As classes do Parlamento", diz ele, "julgam servir a Religião, porém servem a razão (isto é a impiedade, e a maçonaria) sem o pensarem. São os executores da alta justiça em pró da Filosofia, de quem cumprem as ordens sem o saberem" (Correspondance de Voltaire et de d'Alambert lettre 100). Tenham pois os nossos Ministros carta de inocentes, e passemos a outra coisa, visto que ainda terei muito que dizer sobre um sujeito, em que os nossos desperdiçadores tanto falaram, e asnearam. A velha, porém muito bem arraigada árvore do Monarquismo viu-se, e desejou-se, da primeira vez usaram de machados velhos para a cortarem, e da segunda apareceu sim em campo uma falange Macedónica, porém tanto abaixo da comandada pelo filho do Macedo, ou Filipe de Macedónia, quanto vai das trevas à Luz….. Por ora tudo são graças, mas o negócio tomará ainda um aspecto sério, e terrível, que faça esmorecer os Juízes Leigos, que presumiram acabar de todo com as Ordens Religiosas…..

(índice da obra)

02/04/19

O MASTIGÓFORO - ("Filosofia")

Pigault Le Brun

Filosofia
- A sua definição obvia - Amor da sabedoria, encerra o seu maior elogio, e neste sentido até o Cristianismo se pode chamar a verdadeira filosofia. Que arma esta, quando tem a fortuna de ser manejada pelos Filósofos S. Justino Mártir, São Clemente de Alexandria, Orígenes e Atenágoras, ou chegando-me para os nossos dias, quando aparece um de Luc examinando as montanhas do Universo, e pulverizando as absurdas hipóteses dos modernos sobre a formação do globo terráqueo!! Porém que triste e apoucada é a Filosofia no sentido Maçónico! Tem sido a mola real de todas as conspirações e rebeliões dos séc. XVIII e XIX, e a comitiva do homem de Ferney, em todos os seus tiros ao Cristianismo, teve sempre como divisa a Filosofia - e não é por aí um punhado de escritores, é uma nuvem deles pouco menor que o exército de Xerxes, que defende a Tese: A FILOSOFIA FOI A PRINCIPA AUTORA DA REVOLUÇÃO FRANCESA. Quem não quer ser lobo não lhe vista a pele. Ser Filósofo no sentido que lhe impingem os Mações seus camaradas, é ter uma carta patente para zombar dos Mistérios Divinos, e propagar o funesto princípio de que a nossa razão, é o Juiz Supremo e único a quem devemos atender, e respeitar! Ser filósofo à moda de Alfieri, que para isso foi citado cum laude nas conferências das necessidades, é ver em todos os reis uns déspotas, e uns tiranos, e em todos os povos, uns infelizes manietados ao carro da servidão, e da arbitrariedade! Nunca me admirei que tais Filósofos, tendo como sempre tem, péssimos costumes (senão haja vista ao que o coitado Alfieri escreve de si, e dos últimos anos do bêbado Thomaz Paine) mordam o freio e queiram sacudir o peso de todas as obrigações Cristãs, e sociais o que me admira, é que tais homens contem ainda neste reino sequazes, e defensores! Estejam porém certos e descansados, que por mais que trabalhem, e forcejem tudo será perdido. Virão ao mundo filósofos de primeira ordem quais foram Pitágoras, Sócrates, Platão, e Aristóteles, formaram seitas fizeram seus prosélitos, porém não consta que chegassem a atrair para o seu partido, uma Cidade, uma povoação notável! Saem por esse mundo fora doze pescadores, sem valias, sem Distintivos honoríficos, sem dinheiros, ou qualquer outro dos meios humanos, prégam, e convertem o mundo ! A filosofia opõem-se de dia, e de noite aos seus progressos, e auxiliada com o poderio dos Césares não depõem as armas por espaço de 400 anos, porém cede a final, e não contra senão perdas, e derrotas. Se torna a levantar cabeça no séc. XVI, e a aparecer em nossos dias tão medonha como se ostentara nos primeiros séculos, há de ser igualmente rechaçada, e agora no ponto em que escrevo, eu posso afirmar sem temeridade, que já perdeu os seus últimos entrincheiramentos, e que tarde recobrará forças para segundar este derradeiro ataque…. É um rizo vê-la agora descansar ora nos Sarcasmos e facecias do monstro Pigault Le Brun, ora nos delírios de Volney, ora nas visões Astronómicas de Dupuis, e por outra parte é coisa bem de lastimar, que vendo-se acossada de todas as nações da Europa, e querendo ter abrigo neste reino, achasse um grande número de papalvos e sandeus que se alegrarão da sua visita, e já se congratulavam dos seus triunfos!! Depois que a Filosofia está convencida de perturbadora da ordem social, de ser o inverso da Cínica desprezadora dos bens e riquezas do mundo, e de ser inimiga do Cristianismo, é loucura embutirem-nos ainda as suas prendas e quererem persuadir-nos que toda a pessoa, que conhecer os gafanhotos, e as borboletas, as plantas Diganias ou Reyptogamias e as pedras calcárias está habituada para governar o mundo! Recairei para outra vez nos planos conservadores ou mantenedores da Filosofia no trono das ciências; que vinham com pés de lã para se introduzirem neste reino como se lhe ignorássemos as suas habilidades na revolução Francesa!

(índice da obra)

O MASTIGÓFORO - F ("Fanatismo")

letra
F


Fanatismo - Que palavrão este para me encher longas páginas, se eu pretendesse recensear as coisas, e os objectos a que os Mações têm posto o Sobre-escrito "Fanatismo". Ora o fanatismo denota um zelo de religião, porém cégo, e desmarcado, e também se diz figuradamente de todo o excesso, ou demasia em algum sentimento bom e louvável, como por exemplo, o Senhor da Trofa, que se precipitou da ponte de Coimbra abaixo para se livrar dos rendimentos, que lhe seria necessário fazer ao Rei de Castelhano, que ali passava, foi rigorosamente um Fanático de Realismo. O Regimento Transmontano, que se deixou cortar até aos último soldado na guerra da Grande Aliança, foi um fanático de brio, e coragem militar; porém agora já se não trata desses fanatismos, apareceu outro de maior monta, que os Pedreiros, como inimigos de todas as crenças, definem assim.

"Fanatismo é a crença de qualquer religião que seja, é o apego à crença de seus pais, é a convicção da necessidade de um culto público, é a observância dos seus  ritos, e cerimónias, é o respeito aos seus Símbolos. Tudo isto é fanatismo. Quem estiver iscado dele é um inimigo da pátria, e deve ser exterminado."

Ora esta definição traçada por quem pertenceu quarenta anos à Seita dos Filosófico-Pedreiral, não é para desprezar, nem para ficar no tinteiro (Não há nenhum remédio senão conformar-se o homem à linguagem recebida - são palavras de Mr. de Laharpe Tomo 13 pág. 379. "Sabe-se que há muito tempo a palavra Religião foi riscada da Língua Francesa. Todos os povos do mundo que até agora tinham uma religião, já não tem senão fanatismo. É para notar, o que não escapará aos historiadores, que quando os Filósofos sem calções traziam diariamente à Barra da Convenção os vasos sagrados, e os ornamentos do culto, não se lembraram nunca de dizer, os despojos da Religião, os despojos do Culto, guardavam-se de o dizer; eram sempre os despojos do fanatismo. Que coisas vão metidas nesta expressão para quem estiver em circunstâncias de reflectir… Eu escrevia em 1791. Que homem honrado se esquivará de pertencer à Religião de Fenelon? Conto pôr agora em uma nova edição." Que homem honrado se esquivará de ser fanático como era Fenelon?); porém deve-se acrescentar, que por fanatismo entendem os Mações com muita especialidade a Santa Religião de Jesus Cristo. Desde o tempo que a Maçonaria se entronizou neste Reino (que já vai há um par de anos) era fanatismo ouvir Missa todos os dias, quando a Igreja nossa Mãe quisera que fizéssemos ainda coisas melhores durante o Sacrifício! era fanatismo rezar estações com os braços em cruz, não obstante ser esta a prática dos fieis dos primeiros Séculos, segundo nos consta dos escritos de Tertuliano; era fanatismo confessar-se a miúdo, como se os fiéis assaz cuidadosos de remediarem logo as feridas do corpo, não devessem mostrar ainda maior emprenho por acudirem às feridas da alma; era fanatismo rezar cada um as suas contas, e fazer um bocado de oração, ou vocal, ou mental, como se um homem, dias e dias esquecido de um Deus, que o criou, e o enche de benefícios, não fôra uma espécie de monstro!! E se há 20 ou 30 anos já havia tantos fanatismos, vejam lá o que subiria a conta de 24 de Agosto de 1820 por diante!! Os Sacramentos do Corpo, e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo já era vilipendiado de tal maneira, que dentro em poucos meses não seria possível levá-lo aos enfermos, sem que víssemos apedrejado a ponto de que o seu Ministro era chamado, e por quem ensinava meninos. "O Azemel, ou Almocreve das almotolias"" Enfim tudo era fanatismo, e pouco tardaria, que o Sacerdote pelos exercícios da confissão, e pregação fosse arguido de fanatizar os povos, e como tal, ou espingardeado, ou posto pela barra fora, como praticaram os Mestres Franceses.

Fanatismo - E cuidavam os maçons que eu tinha acabado. Não senhor, ainda falta o eminentemente ridículo Fanatismo Pedreiral. São uns maníacos de nova espécie, que deitando-se de uma ponte abaixo, todos se afligem, e se enraivam de que lhe não façamos a destinta hora de os acompanhar-mos nos seus saltos (para o inferno). Ainda não houve seita mais fanática de momices, de toleimas e de ritos os mais provocantes de riso e mofa… Que é senão um fanático de pedra e cal, e um tresloucado, quem estima o seu Candeeiro triangular acima dos que se fabricaram para o Templo de Salomão, uma trolha a um ceptro, e uma espada do Irmão vigilante a um diadema Imperial!!

(Índice da obra)

26/03/19

O MASTIGÓFORO - ("Corcundas" e "Constitucional")


Corcunda - ou Carcunda, designou sempre uma deformidade corporal, porém os Maçons lhe deram alta, passando este vocábulo para o sentido moral. Corcunda no Dicionário da facção, é todo aquele, que não é escravo, ou cúmplice do maçonismo, e quem tal diria, que sendo ainda ontem este nome desprezado, já hoje seria tido por honorífico, de tal modo, que apareça um excessivo número dessas Corcovas, que eu chamo invisíveis, as quais durante o Sistema Constitucional estavam alapadas no coração, e rebentando por fazerem serviços ao trono!! Ah homens, homens do Século XIX, que pequenos, e desprezíveis sois, e tendes a insânia de querer alterar, e reformar o que saiu de melhores cabeças do que são, ou podem vir a ser as vossas!!! De uma terra sei eu, e das notáveis destes reinos, cujo nome eu colo por decência, em que faz hoje um ano que o nome de Realista era o maximum das injúrias!! E anda agora tão repassada de amor ao Trono do seu adorado Monarca o Senhor D. João VI, que é uma consolação, e um pasmo!!

Constitucional - Veja-se na palavra Jacobino, que é Sinónima.

(Índice da Obra)

25/03/19

O MASTIGÓFORO - ("Conspirador")


Conspirador - Era algum dia o que tramava ou a ruina da sua pátria, ou a expulsão do seu legítimo Soberano para lhe fazer passar o trono a mãos estranhas, porém agora Conspirador é todo aquele que ousa escrever duas regras, que seja, contra o Maçonismo, e contra a prepotência, e intolerável despotismo de seus principais agentes. A famigerada Conspiração da Sua Formoza, patenteou ad tedium usque o verdadeiro sentido desta palavra. Ora Mr. de Laharpe bom conhecedor de tais assuntos deixou-nos uma autoridade clássica "Honras e prémios a quem denunciar seu Pai, sua mãe, seu Irmão, sua Irmã, seu benfeitor, seu amigo e que por sua própria mão os levar ao cadafalso. Pobre de quem mostrar compaixão, de quem falar em ordem, e justiça … É UM CONSPIRADOR, NÃO LHE POUPEIS NEM MULHER NEM FILHOS … são víboras são lobos". (Cours de Litteratura - Ed. in 12 - Paris 1813 - T. 13 pag. 122) Portuguezes honrados e tementes a Deus, arrepiam-se-vos os cabelos ao ler estas monstruosidades!! Pois vivesse mais seis meses a Constituição de 1822, e veríeis dentro daquele espaço tudo isto, e coisas ainda piores…

(Índice da obra)

30/12/18

O MASTIGÓFORO - ("Melhoramentos")


Melhoramentos - Deu o pior de todos os Séculos na fina de querer, e gritar, que o tenham pelo mais avisado, e melhor de todos, e parece-se muito nesta parte com esses residentes fixos na casa dos orates, que embirram em dizer e pensar, que são Reis e Príncipes, quando efectivamente são uns miseráveis, que só têm direito à compaixão, e ao zorraguo quando se excedem. O Século mais doente feito o Século das melhoras, o Século das reformas!! Que pasmo! Faz contudo o nosso Século uma diferença mui essencial dos que padecem desmancho na cabeça, pois a estes se os tem, separados, e em recato não fazem mal a ninguém, mas sucede outra coisa nas melhoras do Século, que por exemplo armando-se com o ferro da guilhotina, e ensopando-o no sangue de 600.000 cabeças, diz que vem felicitar, e melhorar o género humano!! Este é essencialmente imperfeito, e por mais que se atormentem os Sábios, entrou-se em vida do primeiro homem, e torto há de acabar, e quando se tratasse de lhe fazer aqueles melhoramentos compactíveis com o seu estado natural de imperfeição, nem por isso haviam de ser os Pedreiros quem lhos fizesse com os seus martelos, sachinhos, e canudos de lota!! O melhor, diziam os nossos velhos, é sempre inimigo do bem, quem está sofrivelmente não corra atrás de melhoras, que vai errado; por isso os nossos velhos passaram uma vida santa, e regalada. Os tolinhos dos novos, julgando saber mais, perverteram, e arruinaram tudo …. Presenciámos quais foram as bênçãos da Sabedoria do Século. Cidadãos armados uns contra os outros, Comércio perdido, o Brasil separado, inquietações, e desgostos, que excedem todo o número, e todo o cálculo !!! Esteja melhor quem o quiser e desejar; o Mastigóforo não aspira senão a estar bem, e não o pode estar, enquanto houver Pedreiros neste Reino.

14/11/18

O MASTIGÓFORO - ("Clero")

Quando o poder persegue os cristãos voltam eles às catacumbas. A Maçonaria tentou algo diferente: colocar de todas as maneiras o cristãos contra o seu clero, tanto quanto fosse necessário para obter o poder.

Clero
- A prepotência do Clero, as usurpações do Clero feitas ao Estado, e aos Soberanos, a necessidade de abater um corpo que só ele faz outra monarquia separada, tem sido os Clamores da Seita há mais de 50 anos, e triste coisa foi, que muitos Reis caíssem neste laço, e que cingindo-se aos princípios Maçónicos, se desligassem de primeira ordem do Estado, ficando assim com todo o corpo descoberto aos tiros da Pedreirada!! Sobre a ideia que os Pedreiros têm do Clero Católico, temos agora coisa muito recente, e muito decisiva… É o conceito, que Napoleão Bonaparte fazia dos Pedreiros!.. No seu Quartel de Santa Helena um pouco melhor do que muito, que ele tivera na Rússia, perguntou-lhe o Cirurgião  O'Maera, que conceito fazia ele dos Pedreiros Livres "É um monte de imbecís (respondeu ele), que se juntam para comemorar à regalada, e fazerem algumas Loucuras ridículas. Todavia, acrescentou, eles fazem de tempos a tempo algumas acções boas. Tiveram o seu préstimo na revolução, e ainda há pouco o tiveram para se diminuírem o poder do Papa, e a influência do Clero." Perguntou-lhe mais se ele tinha protegido os Mações. Respondeu que assim o fizeram, mais por eles serem contra o Papa, do que por outro qualquer motivo (V. Compement du Memorial de S. Helene Napoleon em exil. etc. par Barry E. O'Meara - 2ª edição T. 1º pág.133-3ª edição T. 1ª pag. 151). Ora este conceito do Ir. Bonaparte não é dos mais airosos para a confraria, mas por outro lado nos serve de muito para conhecermos o espírito da maçonaria que insistindo neste propósito desmascararei de todo no artigo "Papa".

(Índice da obra)

26/10/18

O MASTIGÓFORO - L ("Lei, Legislação")

letra
L


Lei, Legislação - Definir aquela, e melhorar, ou refundir esta nos diferentes reinos da Europa tem sido um dos primeiros fitos da Maçonaria. Lei, dizem eles mui empanturrados, e vaidosos, é a expressão da vontade geral, e por isso tem dado grossas alvíssaras ao Genebrino, que fez esta descoberta, que os antigos quiseram, e não poderão fazer! Lá me custa desfolhar, ou arrancar este florão da Coroa Maçónica, e para o dar a quem? Se fosse ao menos a um grande Filósofo como Platão, e Aristóteles? Ainda, ainda. Se fosse a um desses génios transcendentes, como foram os Lockes, e os Hobes? Tudo ficava em casa, e do mal o menos. Se fosse a um Jurisconsulto da estofa de um Bodino [Bodin] percursor das ideias liberais, ou ainda a um Teólogo como Fr. Paulo Sarpi? Não era descrédito para a Maçonaria … porém a um autor do séc. XIII, que morreu há bons 500 anos; a um Doutor da Igreja Romana, e a um Santo canonizado!! Oh! que desonra para os Mações, e para os seus chamados inventos!! É pois S. Tomás de Aquino, talento superior a quantos não aturdiram no séc. XVIII o que se explica assim na definição de Lei.

Non cujuslibet ratio facit legem, sed multitudinis, aut Principis vicem multitudeinis gerentes. (1ª 2ª questão 90 art. 3º)

Eis aqui patenteada a expressão da vontade geral; pois como a lei deve ser ordenada para o bem comum [cuidado; não confundir com a liberal deturpação de "bem comum", que é hoje entre nós de predomínio] supõe o Legislador, que todos, quantos lhe estão sujeitos, querem o bem; ideias estas já tão velhas na sagrada Teologia (ciência de estúpidos no Dicionário Maçónico) que é de admirar esse aparvoado júbilo, com que as festejaram os panegiristas do contrato social. Definimos de passagem uma das mais lindas expressões da vontade geral dos bons Portugueses. Quando se discutiram as basinhas Constitucionais houve grande mixórdia sobre a introdução da palavra única em o artigo concernente à Religião dos Portugueses. Uns 22 Deputados fizeram o seu protesto contra a exclusão da palavra ... mas tudo isto ficou em nada, porque; era contra a vontade do Jove Tonante do Maçonismo …. Ora 22 Representante dão por aí 500 a 600$ representados, o que não é tão pouco em um reino, que à muito puxar contará treze milhões de habitantes. Mas para que me canso? Expressão da vontade geral cum addito, com o acrescento "dos Mações" é a verdadeira definição, que somente agora ficará mais clara, que o definido.

No tocante à legislação passávamos neste reino excelentemente, e só com o desgosto de que muitas vezes não fosse observada, e guardada fielmente, e por sinal, que custou aos Portugueses altos e baixos, sábios e ignorantes que Mr. Lagarde fizera muitos encómios à nossa legislação, e o certo é que a combinou com a Francesa e na classificação de vários crimes, e das suas penas, o que certamente não indicava muito desprezo dos nossos legisladores. Aqui se deve aplicar o "Quod non fecerunt barberi, fecerunt Barberini" Vem do Porto uns barbinhas de alho muito empavonados de ciência, e poder legislativo, botam-se às nossas leis como os seus martelos, e picaretas fazem, desfazem, concertam, e desconcertam, e em todas as suas providências realizam, e desconcertam, e em todas as suas providências realizam a fábula da sementeira de Cadmo, que produzia umas homens armados a matarem-se uns aos outros, e nós que os ataremos!! Não fizeram lei que prestasse, e o seu até aqui lei, o seu parto mais laborioso, o seu ratinho de lei da Liberdade de Imprensa, foi toda uma pura miséria, que logo nos primeiros Conselhos de Jurados se lhes conheceram falhas terríveis! Sei que um Pároco do Bispo de Coimbra, homem de tanto saber, como virtude, (Manuel Pires Vaz, Prior do Couto do Mosteiro) e que já luziu nas Campanhas da Gazeta Universal, tem escrito largamente sobre este sujeito, e confio que há de pôr bem a Calva à mostra e esses ineptos legisladores.

(Índice da obra)

O MASTIGÓFOTO - ("Inventários") b

(continuação da parte a)

As "Côrtes Constitucionais", ou "Côrtes Constituintes", de 1820 não têm qualquer poder e autoridade, são nulas, irregulares, ilegítimas, sectárias, escandalosas e afronta gravíssima a Portugal. Infelizmente, esta ofensa maçónica-liberal foi tida com autoridade válida por D. Pedro de Alcântara e sua gente no Brasil.

Tremam os Pedreiros Livres Portugueses!! A causa do altar é a mesma do Trono, e a quem despeja o altar do que é seu, quem propõe ao Soberano, que se desligue do Sacerdócio, que o deteste, que o esmague com pesadíssimas contribuições, está bem longe de ser amigo do Rei e do Trono! Forte receio é este que acompanha certos homens de que parecerão desviar-se das Luzes do Século se derem mostras de que são favoráveis à Igreja!!! Antes querem parecer Jansenistas, Parienses e Mações do que bons Católicos! Não podem renunciar o leite das pestilenciais doutrinas que beberam no seu Gmeiner, no seu Dannemair, e agarrados à Soberania do povo, que se lhes meteu nos cascos para nunca mais sair deles, escudam-se talvez neste princípio abominável para quererem ainda sustentar os monstruosos excessos das chamadas Côrtes Constitucionais!!! Tenho-os poupado em demasia, porém chegará uma vez o dia fatal para esses Jacobinos encobertos, ou incautos seguidores da Luz, que para não desmancharem a sua fortuna, ousam muitas vezes mentir ao Soberano, carregando sobre os mais fraco, e humilhando cada vez mais, o que já não é nem sombra do que foi no reino do Senhor D. João V, ou ainda no do Senhor D. José I que tendo para fazer as maiores despesas ou reedificações de Lisboa, e na criação de um exército, nem por isso se lembrou de impor contribuições à Igreja Lusitana! Igreja desditosa! Em paga dos teus inauditos sofrimentos no regime constitucional, é ameaçada de sucumbir ainda aos esforços da Pedreirada!! Eu bem sei onde a maioria do Congresso Demoníaco aprendeu, que só para satisfazer o povo, e acautelar o escândalo dos pequenos é que se deviam requerer Bulas para a extinção dos Mosteiros! .. Até sei quem ensinou a um dos mais campanudos Legisladores (o que fazia mui bem o papel de Asmodeu), que nós tínhamos neste reino tantos Papas, quantos eram os Bispos! Provera a Deus, que eu não soubesse mais nada! Cai-me a pena da mão à força de horror e mágoa…. que forçosamente se apodera de mim, que conheço como os dedos das minhas mãos, todos esses paus de Laranjeira, as suas artes e manhas… e que por isso hei de agora desafogar um pouco na descrição do que é ser.

(Índice da obra)

24/10/18

O MASTIGÓFOTO - ("Côrtes")


Côrtes - Definidas pelo Pe. Bluteau [católico inglês], são um "Ajuntamento geral dos que têm voto nas matérias concernentes ao bem comum do Reino, e particular do Rei" [Vocabulário Português e Latino, 1712-1721] . O seu compendiador, e adicionador Morais, sem contrair o defluxo que lhe podiam trazer facilmente os ares da América Inglesa, juntou a devida explicação de que era voto consultivo, e não decisivo, de maneira, que as Côrtes foram instituídas para aconselhar e propor, e não para governar, e decidir [no dicionário da língua portuguesa, 1789]. Assim o provam uma infinidade de documentos históricos, desde as primeiras Côrtes em Lamego, no séc. XII até às ultimas em Lisboa, no séc. XVII. Muito boa coisa eram tais ajuntamentos [… portanto, consultivos], enquanto a funesta revolução, produzida pelos erros de Lutero, não alienou os espíritos, e fez caminhar o género humano atrás das supostas delícias de uma independência toda fantástica, que o constitui mais infeliz, e mais escravo, que de antes era. A França como habitada por esses excelentes vassalos, que em 1585 a quiseram fazer um estado republicano, e que no Século seguinte fizeram guerra formal ao seu Príncipe, que se viu obrigado a levá-los por força de armas, forçando-lhes o seu baluarte de Rochella, desistiu das suas Côrtes, que chamava Estados Gerais, muito mais cedo do que nós, que ainda as tivemos no fim do séc. XVII. Ora quando os homens são bons, tudo se faz bem…. Logo, que se lhes volta a cabeça, e o mais insignificante advogado, começando de repetir com ênfase os nomes de Vatel, Mabli, e Rousseau, tem lá para si, que é um consumado Legislador … que se deve esperar de tais ajuntamentos? O que temos visto há poucos meses neste rancho de homens Luzentes, ou ilustrados, que se reuniam numa grande Sala, para darem cabo de todas as nossas instituições, e ainda em cima dá cá esses 4$800 réis diários, que te faço grande favor, em te levar tão pouco! É pena que estejamos condenados a aturar um Século, que não admite senão luzes, e talentos, e já ninguém faz caso de virtudes!! pois trabalhem quanto quiserem, que sem estas não se podem fazer, nem Côrtes, nem mudanças [verdadeiramente] úteis, nem reformas [realmente] saudáveis. Nunca se me tirará uma espinha que eu conservo, e que só por morte me poderá sair. Que muita gente caísse… esperançada em Côrtes não admira, mas que sendo elas convocadas pelo governo, que nos deixará ElRei Nosso Senhor, não fossem queridas, nem aprovadas, é caso bem triste!! E que lindas Côrtes não surdiram das forjas Maçónicas! Que inaudita série de vilezas de toda a marca! Que horrendas profanações dos lugares santos, quando se faziam as tais eleições!! Houve descomposturas, houve murros, houve facas arrancadas, e por bem pouco, não houve mais alguma coisa!! No meio porém da intensa mágoa que nesse tempo me oprimia, e acabrunhava, deu-me vontade de rir, quando vi que tínhamos reproduzido o Convite de Mr. de Brienne aos homens sábios, para fazerem mais vivas as luzes desses choradores pelas desgraças públicas!!! Também cá me chegou esta sinalada honra, que logo me fez entrar na honrosa classe dos Suspeitos. Côrtes velhas foi o meu voto, e o da maioria dos consultados… porém o GRANDE ORIENTE quis outra coisa, e não houve remédio senão fazer-lhe a vontade…. De Côrtes Portuguesas, nem fumos tiveram essas que tão despejadamente se alcunharam deste modo! Eu tenho lido as cópias fieis de muitas em diferentes reinados, e agora mesmo eu tenho sobre a mesa onde escrevo, os transumptos das celebradas pelos Senhores D. Afonso IV e D. Pedro I, e examinando o que se passou nelas desde o princípio até ao fim, nenhuns visos encontro de outra soberania, que não seja a DelRei. Queixam-se os povos de Lisboa, do Porto, de Évora, e de outras Cidades, ou Vilas notáveis, e ElRei defere como lhe parece melhor, e tudo se acaba na paz do Senhor, sem gritarias, nem usurpações da autoridade real. Tomara eu que os nossos Jurisconsultos se incumbissem, ou na imperfeição do andamento dos negócios judiciais naquelas eras, ou antes na falta de muitos Tribunais, que depois se instituíram, uma das causas principais da frequência daquelas reuniões em tempos de mais antigos, pois olhando eu para o trabalhos, e competências da maioria dessas Côrtes, parece-me que ainda hoje estou vendo nas Relações do Porto, e de Lisboa, umas Côrtes permanentes, sem muita diferença das antigas. Parece-me, não é decidir, e antes que me enxotem com o Ne sutor ultra crepidas, tornemos à vaca fria…. Tenho observado que os Mações trazem muito na boca as primeiras Côrtes, e as primeiras do reinado do Senhor D. João IV, e é necessário, que eu não pareça estranho, e hospede nestes dois memoráveis acontecimentos. Muito se comprazem os tais heróis daquele - Não queremos, ou queremos que este ou aquele reine sobre nós, e guisando isto a seu modo, empurram-nos um pacto social, da fábrica de Rousseau, e assentam que ficou demonstrada a soberania do Povo Lusitano. Ora pois vamos por partes - Que era o Senhor D. Afonso Henriques antes da batalha do Campo de Ourique? Um Príncipe Soberano, e absoluto do que então se chamou o Condado de Portugal; e um cento de monumentos daquelas eras assim o mostram clarissimamente… Ora pois o Exército aclamando-o Rei, não lhe deu a Sabedoria, que já era de seu Pai, e lhe foi transmitida por herança. Logo o Exército nem se quer sonhou, que tirava as suas prerrogativas, antes lhas engrandeceria se necessário fosse…. Porém os grandes, os Prelados, e os Representantes da nação, parecem cortar-lhe os seus poderes com aquele "Queremos, ou não queremos". Ah pobre gente, Maçónica, que pelo que eu vejo tens de andar sempre às escuras! Quem chamou estas Côrtes foi ElRei, quem as presidiu foi ElRei, e tudo quanto nelas se tratou de mais importante, foi em pró de ElRei. Tratou ele de segurar a Coroa nos seus descendentes, de impedir que ela passasse nunca a um Príncipe Estrangeiro; e de obstar aos desejos ambiciosos de algum Príncipe natural destes reinos, onde facilmente se podia renovar as cenas lastimosas, em  que fôra envolvido um D. Garcia, Rei de Portugal, e fez adoptar por aquele Congresso todas as medidas que ele traçara de antemão, e que ora fazia executar na Cidade de Lamego.

Passando às Côrtes do Senhor D. João IV, é necessário distinguir o ajuntamento de 1641, da obra do Doutor Valasco de Gouveia. Não se encontra naquele uma só expressão, que favoreça os Pedreiros, mas é forçoso confessar de pleno, que o Doutor Valasco é o seu escudo, o seu autor e o seu desperdiçado. Têm eles sobeja razão para se aplaudirem; de que um Jurisconsulto dos nossos roubasse as alvissaras ao cidadão genebrino, porém cometendo a fraude de chamarem nacional a doutrinas de um livro mais filho das circunstâncias, que das verdadeiras e sólidas doutrinas, que devem seguir todos os defensores da realeza, dão a entender, que será essa a doutrina corrente daqueles dias, e por isso ousaram escrever pregar e imprimir não só que a Soberania é atributo essencial do povo, mas também, que:

o Senhor D. João VI perdeu o direito de governar imediatamente em Portugal, durante a sua residência no Rio de Janeiro, depois da paz geral…. E saiu em letras gordas, e não faltou, quem dissesse já nesses tempos que eram irmãs gémeas as letras do Autor em matérias políticas! Foi esta obrinha como o segundo filho do Doutor Valasco, que o primeiro alcunhou-se manifesto da Oficialidade dos regimentos que vinham do Porto, saiu dos prelos da nossa Atenas, muito airoso, vestido e calçado pelo homem, que tantas vezes me faz lembrar da árvore em que judas se enforcou! Não tardou a vir e aparecer o terceiro filho, que foi um sermão estupendo, que bebeu os princípios do Doutor Velasco até os esgotar, e doendo-se da sua consciência lá diz no fim quem é o pai da criança. "Os Portugueses (ita legitur no seu esclarecimento último) que tinham lido o Livro "Justa Acclamação do Sereníssimo Rei de Portugal D. João IV" por Francisco Valasco de Gouvea (nome ilustre que era crime citar, como experimentei antes do dia 24 de Agosto) sabiam os princípios fundamentais do nosso direito público, isto é, que a Nação pode depor um Rei, e entregar o ceptro a quem julgar mais capaz de bem o reger."

Ora já se vê claramente, que nenhum destes abomináveis princípios se estriba em outra autoridade, que não seja a de um Jurisconsulto, que levado de um imprudentíssimo zelo, tanto quis apurar a justiça com que tínhamos sacudido o jugo Castelhano, que veio a prejudicar gravissimamente a boa causa, que ele defendia…. quanto mais nobre, e mais louvável foi o procedimento das Côrtes, que insistindo no direito da Senhora D. Catarina Duquesa de Bragança à Coroa de Portugal por morte do Cardeal Rei, firmam nesta base todos os seus trabalhos para conservarem o Cetro na Augustíssima Casa de Bragança!! Tanto crédito merece para mim o Doutor Valasco parecendo um eco das obras incendiárias de Buchanan, e Milton, como estes Pregadores do tempo da Aclamação do Senhor D. João IV que não há mal nem doenças, que não atribuam aos Castelhanos, e tal houve, que declamou terrivelmente contra o uso das meias, porque os Castelhanos nos trouxeram com elas muitas e gravíssimas enfermidades…. Basta de Côrtes, que se elas tornarem a ser algum dia, como essas que nos estafaram, sumidas sejam elas no inferno, lugar próprio de tão hediondas assembleias (Haverá quem repute defeituoso este artigo por falto de citações… A seu tempo satisfarei esta dúvida… que por ora não convém.)

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20/10/18

O MASTIGÓFORO - A ("Absolutismo")

letra
A

No ciclo de Benjamin Franklin foi formada a palavra/conceito ABSOLUTISMO, como forma de ridicularizar uma das características fundamentais da tradicional monarquia.

Absoluto e Absolutismo - A primeira destas palavras é antiga, porém a outra é de novo cunho, e foi trazida, para subsídio da primeira tanto que lhe fecharam o seu novo sentido. Vem de longe a transformação do sentido inocente da expressão - Rei absoluto - Já houve, quem arguisse os Publicistas Ingleses de terem feito o absolutismo Sinónimo de Despótico, e os Mações encorem na mesma Censura - Rei absoluto quer dizer - um Rei como sempre foram os nossos, que fundaram, restauraram, e ampliaram a monarquia… Foi Rei absoluto o Senhor D. João I, foi Rei absoluto o Senhor D. Manuel, e foi Rei absoluto o Senhor D. João III. Rei absoluto é um Rei, que governa o seu Reino sem conhecer por seu superior se não o mesmo Deus…. O poder dos Reis é absoluto, porque não é responsável a nenhuma jurisdição humana, do que fizer, ou determinar, porque se houvesse jurisdição de inquirir do seu procedimento, seguia-se que este se devia chamar propriamente Soberano, e o Soberano seria ao mesmo tempo inferior, e dependente, o que repugna segundo a hipótese! De mais nestas ideias de Soberania, ou se estabelece um progresso até infinito, porque à medida, que formos subindo aparecerá sempre um Soberano, que esteja nas mesmas circunstâcias do Rei, e que seja necessário fazer responsável a um superior, ou se introduz apelação para o - Povo - e se vem a degenerar (pelo menos nos grandes Estados) em uma perpétua confusão, e anarquia. Devo aqui notar o que foram de sensatas, e ajustadas com o bem comum as ideias dos jurisconsultos antigos sobre a autoridade Real. Ulpiano diz por formais palavras "Principes legibus solutus est" e a famosa lei Real, que era o fundamento da autoridade de Augusto, e seus sucessores, não denota outra coisa se não um Rei Absoluto. Não me fogem as interpretações populares ou democráticas de Noodts; e Gronóvio, sobre estes dois fundamentos de autoridade Imperial entre os Romanos, porém é lástima, que uns graves Jurisconsultos estremeçam de que por aquelas palavras se conceda aos Reis o poder absoluto com independência das próprias leis da natureza!! Pode um Rei alterar, dispensar, ou derrogar as leis civis, porém não tira que deixando ele de atender ao público, seja responsável diante de Deus, e é quanto basta para que os povos Cristãos se disfarçam por uma vez desse terror pânico que lhes mete a expressão - Rei absoluto. - Enfim para concluir já este pequeno artigo, que parecerá mais longo do que fora anunciado juntarei as palavras de Bossuet, que no meu fraco entender levam a palma a tudo quanto se tem escrito sobre tais assuntos: "As monarquias mais absolutas não deixam de ter barreiras inabaláveis, em certas Leis fundamentais, contra as quais nada se pode fazer, que não seja nulo por si mesmo. Roubar os bens de um vassalo, para os dar a outro é um acto dessa natureza. Não há necessidade de armar o oprimido contra o opressor; o tempo combate a seu favor, e a violência está gritando com si própria; nem há homem tão isento, que pense ter segura a fortuna da sua família por meio de semelhantes actos." (Cinquieme avertissement aux Protestants)

Abusos…. A própria noção etimológica da palavra assaz os condena, porém no Dicionário Maçónico tem uma significação amplíssima [como hoje "opressão", por força da produção comunoide], e nós podemos estar lembrados de que o melhor da nossa legislação parecia abuso, e musgo aos nossos Pseudo-reformadores [os protestantes]. É certo, que na prática dos deveres Cristãos, se podem introduzir facilmente abusos, que é necessário corrigir; porém os abusos por este lado estendem-se no Dicionário dos Pedreiros até às causas mais santas, e obrigatórias que segundo lhes devem entrar neste número, e por isso eles tratam de abuso, por exemplo, a obrigação de nos confessarmos ao menos uma vez cada ano, e para eles um homem desabusado, é um homem, que despreza todas as leis da Igreja, e vive isento do prejuízos, e fanatismo, que hão de explicar-se nos respectivos lugares.

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26/08/16

O MASTIGÓFORO - Satisfação Prévia ...

Satisfação Prévia aos Realistas, aos Mações, e aos Atravessados de Púrpura, e Trolha.

Quando o Maçonismo era despótico, e regulava a seu modo, e bel prazer a Monarquia, fundada nas vitórias do Senhor D. Afonso Henriques, ou antes no favor, e promessas do Deus dos Portugueses, não faltou neste reino um coro de esforçados atletas mais escolhido, que numeroso, o qual nem por isso andava a gritar pelas ruas, que sustentaria até ao fim, a mais nobre, e mais santa de todas as causas, nas por acções nada equívocas assaz mostrou, que os gritos Monarquia absoluta, ou desterro, Religião, ou morte, eram como a divisa, que os animava, e reunia. Mal posso recordar-me sem uma espécie de ufania, que fui a mais rouca, e desentoada voz desse coro, e o certo é, que saí tirei azos para nunca mais soçobrar, ou emudecer! Não era com efeito de presumir, que tendo eu arrostado a maior sanha, e raiva dos Mações, no seu requinte, ou no zenith das suas fúrias, me acobardasse agora de pôr em toda a luz os meus sentimentos. Só algum desses Mações contraditórios por essência, é que poderá estranhar-me de que eu declame ainda contra a pior de todas as seitas. Mais lhes convinha que pasmassem, e se confundissem da moderação com que os trato, demorando-me, e insistindo mais nas coisas, que nas pessoas, e seguindo o rumo contrário ao que seguiam há pouco os Astros da Lusitânia, os Portugueses Constitucionais, antes e depois de regenerados, os Censores de Lisboa, e seus reforços, os Censores Coinbrões, as Minervas, e os Publicolas da nossa Atenhas!!

"Mas para que é tanto escrever, e dissertar contra os Pedreiros Livres? Anoja-se o público de tantas refutações, e invectivas, e os tais amigos que só dão alguma coisa pela sensibilidade física, e tem perdido inteiramente o senso moral, vão-se rindo às claras, e minando à surrelfa, até plantarem outra vez, ainda que seja de estaca, a majestosa árvore da liberdade, para o que já tem as figuras prontas, e marcadas as primícias do sangue impuro, que há de regá-la!!"

Por isso é que eu escrevo, por isso mesmo é que não largo facilmente a pena. Se eles já nos tivessem despejado o bairro (Almas santas, hoje fora o dia que tal sucedesse!) ou o traste do cais do tojo lhes tivesse curado a mania, que segundo os melhores facultativos, não tem outro remédio, senão este heróico, e decisivo "forca, e mais forca" então de certo me calava eu, que naturalmente afrouxo nestes lances... mas em quanto os contemplar vangloriosos, e como triunfantes, e respirando, (que a tais extremos chega a sua inaudita loucura) no seu ar, nos seus gestos, e nas suas palavras, o íntimo desejo de verem outra vez aclamada, e entronizada a infernal Constituição Gálica em 1791 - Gaditana em 1812 - Lisboeta em 1822... não lhes dou quartel, nem eles o merecem: hei de cair-lhes em cima com todas as armas, que me possa ministrar o justo furor, que de contínuo me acendem as suas odiosas tentativas, e estonteadas maquinações.

Servi-me bons oito meses de armas curtas, e descarregados 33 golpes, vejo que os tais ainda bolem, e julgam ser, ou valer alguma coisa neste mundo!!

Bem quereriam eles, que eu para lhes dar importância, e consideração, denominasse este Periódico, a Lança, a Espada, ou um Dardo para eles. Não esperem de mim uma tal desacerto. Um bando de cegos, e de mentecaptos, cuja teima é persuadirem-se, que são filhos da Luz, que são todos uns linces, e que ninguém vê como eles, por certo não merece que se empreguem outras armas, senão aquelas com que ordinariamente se enxota um rancho de rapazes, e gritadores... Mastigóforo sobre eles, ou em Português: chicote, zorrage sobre estes pedantíssimos seguidores do novo alcorão, sobre esta seita desprezível, que o menos que merece é o tratamento, que se dá na casa dos orates aos que lá existem por menos razão.

"Mas que será feito da gravidade, e sisudeza de um escritor público? Onde estará aquele escrito de união, e caridade, que por certo deve animar todos os discípulos do Evangelho? Chufas não são argumentos, e sátiras nunca foram objecções atendíveis."

Forte novidade! Eu sou o primeiro, que o digo, e confesso, mas que se há de fazer ao Século dos Mações, que eles fizeram eminentemente frívolo, para melhor o desencaminharem... Ridículo, e mais ridículo entornado sobre eles, para se lhes abaterem as cristas, que se assim não for persistirá ele nos seus delírios, e nunca se poderá convencer, que é mais pequeno que uma pulga. No que toca às mansidões Evangélicas (que a dizermos a verdade ficam muito airosas na boca de quem trata o Evangelho de fábula, e de impostura) enquanto eu usar com os Pedreiros Livres, o mesmo que usaram os Santos com os maiores inimigos do Cristianismo irei pelo bom caminho, sem receio de me extraviar, ou perder. Basta que eu faça aos Pedreiros os mesmos ecómios, que Santo Atanásio fez a Ário, que Santo Agostinho fez a Pelágio, e S. Jerónimo a Vigilâncio, para que ninguém possa criminar-me de excessivo.

"Porém a seita (agora entram os medrosos, que vão dizer bocadinhos de ouro!) é poderosíssima, e desde os alvos, ou alvores Carbonários do País das musas, até aos negros mais retintos da Guiné, tem feito rápidas, e maravilhosas conquistas... e é bem, bem para temer, que doendo-lhe as chicotadas faça por aí alguma das suas proezas... e a sorte de Kotzebue é para abrir os olhos a quantos puserem o peito à bala por Deus, e pelo Rei."

Conheço os podres da seita no género de vinganças, ou estúpidas, ou cobardes; as primeiras são por escrito, e as segundas por obra da loje, id est, por veneno, ou apunhalada às ocultas, e à falsa fé.... Enquanto ao mais nego-lhe todos os seus poderes, que infelizmente emperraram, e claudicaram nesses dias de eterno opróbrio para a seita, em que o grito de constituição ou morte, lhe morria nos beiços, caso triste! sem lhe passar às mãos se quer uma pequenina doze daquele furibundo entusiasmo, com que se repetiam aquelas palavrinhas, que já foram a senha dos Jacobinos Franceses!!

Eu não possuo, nem talentos, nem a influência de Kotzebue, que se me assistissem as prendas deste corajoso, porém mal fadado escritor, eu antes quisera morrer, combatendo pela causa de meu Deus, e do meu Príncipe, do que viver cocegado entre a matilha dos cães mudos, que ficam imóveis, e nem se quer ladram, quando estão vendo saquear, e assolar a fazenda de seus donos!! Por outra parte os efeitos da morte de Kotzebue foram tais, que muito melhor teria ido aos Pedreiros, e Iluminados, se o estudantinho Sand não tomasse o freio nos dentes, e deixasse falar à sua vontade o autor da Misantropia, que mais fundamentalmente que um Stozi, poderia nos últimos parocismos aplicar a si o 

Exoriare aliquis nostris ex ossibus ultor.

Seria vergonha para os defensores do Trono, e do Altar, se consentissem ver-se excedidos pelos sábios indagadores da natureza, que sem embargo de todos os dissabores, contingências, e perigos, nem por isso fogem de examinar os vulcões, as cataratas, e outros fenómenos espantosos; muito embora eu caminhe sobre dolosas cinzas, debaixo das quais dorme o fogo prestes a acender-se; muito embora eu sacrifique o meu sossego, e as minhas felicidades temporais à melhor de todas as causas; muito embora eu ouça a cada instante o ranger de viperinos dentes, que me faz lembrar outro já destinado para suplício das infelizes, e desacordadas vítimas do Maçonismo; antes quero ser o último na casa do meu Deus, que o primeiro nos tabernáculo do vício, e da maldade. Ainda há pouco dizia o mais eloquente dos nossos Oradores Cristãos na augusta presença DelRei Nosso Senhor, que já tinha o lençol pronto para se enterrar com ele, eu nem esse tenho próprio, e mais de uma vez o intruso, é nefando governo Constitucional me quis arrancar, e fazer em pedaços essa mortalha em que me lisonjeava de ser entregue à sepultura!! Escrevi pois como é justo que escreva um homem despido de temores, e de pretensões, forcejarei por ser entendido, não tanto das sábias gentes de mais alta esteira! como desse povo o mais real do Universo, que a todo o custo deve ser instruído, e avisado para que se previna, e arme contra tudo o que cheirar a empresa Maçónica.

Por bem pouco não ficou ele, sem Rei, sem Altar, sem Vítima, e Sacerdócio!! a lição foi terrível, e merece que todos a aproveitem sob pena de desafiarem outra vez a cólera do Céu.. O Sistema Constitucional desapareceu da face da terra; porém as suas raízes ainda existem, e ainda brotam pestilenciais ramificações. É necessário cortá-las, e cortá-as sem dó... mãos trémulas, e convulsas não podem ser bem sucedidas neste género de operações..... já que os Mações tudo corromperam, e adulteraram começarei por instruir os desprevenidos, e ignorante, para que nunca mais se deixem embair das falcílimas promessas do Maçonismo. Verei se posso achar algum fio que me conduza nesse labirinto de incertezas, e contradições, em que laboram, e se perdem quase todos os historiadores do começo desta mortífera contagiam das Sociedades Cristã, e Civil. Penetrarei até ao mais recôndito das suas manobras para ultimarem a completa ruína do catolicismo. Projectista de reforma do Clero Secular e Regular, Prégadores Constitucionais, Teológia, e Jurisprudência Liberal, aparecerá tudo debaixo do seu verdadeiro ponto de vista, e para que assim o escritor, como os seus leitores ganhem alento, e se refaçam para contemplarem novos horrores, darei entrada a seu tempo aos mofinos, e hediondos partos de literatura Constitucional, teatro este onde com mais desaforo e sem apertos de coração poderemos calcular até onde chegou a inépcia dos que tratavam de ineptos a João das Regras, e ao Marquês de Pombal.

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06/08/16

O MASTIGÓFORO - Apêndice

APÊNDICE

Não desagradará aos Leitores ler um retalho do grande Edmund Burke, extraído dos seus Pensamentos, sobre a proposta de paz entre a Inglaterra, e França, que ele intitulou Paz Regicida em 1796, a fol. 75 do opúsculo já traduzido em português, e impresso em Lisboa em 1822 (obra na verdade digna de todo o bom, e fiel vassalo a ler, e decorar, pela sua sã doutrina, profunda política, e encantadora eloquência, e muito mais discorrendo tão profundamente sobre as causas, progressos, e consequências de ímpia Revolução Francesa, e seus remédios, e até mesmo pelo diminuto preço de 360 reis porque se vende uma obra, que em outro tipo custa 1$920 reis) diz ele o seguinte:

A obra Francesa não é uma má obra velha, coberta com prescrição; é nova demolição, e decomposição de todo o Edifício da sociedade civil, e infame arquitectura do covil de ladrões, assassinos, e ateus: obras de rapina, matança, e impiedade, longe de serem títulos a causa alguma, são por isso só públicas declarações de guerra ao Género Humano.

Esta guerra porém não é feita à França, mas à cáfila dos salteadores, que exterminaram de suas casas os respectivos proprietários; pois as Nações são Essenciais morais, e não Superficiais geográficas.

Supõem-se, (o que Deus não permita) que o nosso amado Soberano fosse sacrílegamente morto; a sua exemplar Rainha, a Cabeça das matronas da Terra, tivesse o mesmo fado; as suas Princesas, que pela sua beleza, e modesta elegância, são as flores do país, e os modelos das virtudes do seu sexo, sofressem igualmente cruel, e ignominiosa traição, com cem outras mais, filhas, e senhoras da primeira distinção; os Príncipes de Cales, e York, esperanças, e timbres da Nação, com todos os seus Irmãos, fossem obrigados a fugir dos punhais de assassinos; todo o corpo do nosso excelente Clero fosse assassinado, roubado, e desterrado; a Religião Cristã, e todas as suas comunhões, proibida, e perseguida; a Lei da Terra, fundamental, e totalmente abrogada; os Juízes conduzidos ao cadafalso por Tribunais revolucionários; os nobres, e plebeus esbulhados de suas possessões até à última geira de terra, e em cima empobrecidos, e aviltados; todos os Oficiais do Serviço Civil, Militar, e de Marinha sujeitos aos mesmos desterros, confiscos, e perigos; os principais Banqueiros, e Comerciantes arrastados ao patíbulo, para o matadouro geral dos que não tinham outra culpa senão o ter dinheiro, e fazer Comércio; os Cidadãos das Cidades mais populosas, e florescentes encadeados, e juntos numa Praça, e aí destruídos a milhares com metralha de artilharia, e descargas de canhonada, por não se acharem patíbulos, máquinas, e algozes suficientes para expeditas execuções capitais; trezentos mil outros sentenciados a uma situação pior que a morte, presos em pestilentes, e infernais calabouços; (Burk neste exemplo descreve o que fizeram os Jacobinos e Pedreiros Livres na Revolução Francesa, e como Profeta político prognosticou, o que há pouco praticaram, e intentaram fazer na Espanha, Nápoles, Piemonte e Portugal, e a quanto eles se propõem em toda a parte do Mundo, em que poderem exercitar os seus execráveis, e mortíferos planos. Pela continuada guerra contra os Pedreiros acabou, e só podia acabar o seu governo, e influência, e pararam, e só podiam parar os seus dolorosos estragos. Todo o Governo pois, que não seguir este exemplo, e não desalojar até o último Pedreiro, que existir, virá a ser por eles espezinhado, e desgraçado, com todos os seus vassalos - De um Anónimo) em tais circunstâncias calamitosas cairiamos porventura Ingleses a Facção dos malvados, que praticassem tais desordens, e horrores? Seria o país, onde se vissem tais tragédias, a Inglaterra, tão admirada, honrada, amada, e querida? Não reputaríamos antes por únicos compatriotas os fugitivos leais deste país? A terra de seu temporário asilo não se deveria considerar a verdadeira Grã-Bretanha? Poderia eu ser considerado como traidor a meu país, e digno de perder a vida com infâmia, se andasse por todas as Nações da Europa batendo a todos os Paços, e Corações dos Principais da Cristandade, para socorrer os meus amigos, e vingá-los dos seus inimigos? Podia nunca mostrar-me melhor Patriota? Que se devia pensar dos Príncipes, que insultassem a seus Irmãos perseguidos pelos rebeldes, e que os tratassem de vagabundos, e mendicantes? Que generosos sentimentos de poderiam considerar nos que mostrando-se Geógrafos, em lugar de Reis, reconhecessem como os idênticos países nacionais as cidades, só por terem a mesma medida geométrica, depois de tais cruezas, para continuarem com os usurpadores, e malvados as mesmas antecedentes relações políticas? Que juízo faríamos da bárbara protenção dos que, atendendo às cabalas, e intrigas, e declarações dos levantados, lhes entregassem as vítimas da Lealdade de seu país, que lhe tinham ido suplicar refúgio no Altar da Compaixão, para serem sem misericórdia abandonados aos Tribunais dos bebedores de sangue, e parricidas de seu Soberano?

A opressão, e a sensibilidade fazem loucos os homens sábios; mas, ainda assim mesmo, a sua loucura é melhor do que o juízo dos néscios. O seu brado é a voz sagrada da humanidade, e miséria, exaltada no santificado frenesim da inspiração, e profecia. Na amargura da alma, na indignação da virtude sofredora, no paroxismo da desesperação, no espírito da lealdade Britânica, não clamaria eu por cem bocas, e denunciaria a iminente destruição, que espera os Monarcas, que consideram a fidelidade do Vassalo como torpe vício, e que toleram, que ela seja punida como delito abominável, e que só se tenha veneração aos rebeldes, traidores, regicidas, e furiosos escravos, que quebraram os grilhões, e correm à rédea solta a devastarem a terra, deixando-nos adormentar por dormideiras de aduladores, que nos aliciam a descansar nos braços da morte!

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02/08/16

O MASTIGÓFORO - P ("Papa")

letra
P

Papa - O Mastigóforo sabendo por mercê de Deus o que se deve tratar sério, e o que pode temperar-se com a pimenta das facecias, e com o vinagre da Sátira, chegou ao ponto que mais desejava neste prospecto, em que forcejara por açoitar deveras esse rancho de pedantes, que não sabendo nem sequer onde tem a sua mão direita, ousam abocanhar matérias, que levam anos de estudo, e que nunca se aprenderam, como importa em dois rabiscos de Eybel, de Gmeiner, ou do insípido Danemair.

O lusitano Papa S. Dâmaso I
É o Papa o Lugar Tenente de Nosso Senhor JESUS CRISTO, e o seu Vigário na terra. Que mais é necessário para o definirmos de sorte, que ele mereça os rendimentos, e acatamentos do mundo Cristão? Mas enfim parece não ser fora do meu propósito, que devendo eu alargar-me neste objecto de mais alta monta para o bem da Igreja Lusitana, eu distribua, e classifique as ideias de tal maneira, que ao mesmo passo que o povo as entenda, nenhum lugar deixem aos semidoutos para me arguirem, ou de confuso, ou de exagerado. Que é o Papa na Igreja Católica? Que é o Papa no entender dos Mações? Quais são as causas principais da quebra da autoridade Pontifícia em muitos Reinos, que se dizem Católicos? Eis a divisão geral do assunto. Comecemos.

Papa João XXI, um português sábio da medicina

Que é o Papa na Igreja Católica!
Quid est Papa?

Se o pergunto a São Cipriano, isto é, ao próprio que se costuma alegrar como impugnador da autoridade Pontifícia, por ter combatido o Papa Santo Estêvão [e por sinal que a verdade estava na Igreja Romana, e que ele cometeu nesta resistência, o que longe de ser coisa boa, devia purificar-se, que assim o diz Santo Agostinho, pela foice do martírio] ele me responde, que o Papa é o Bispo elevado no cume da dignidade Apostólica, que ele está sentado na Cadeira, e governa a Igreja Principal, que a sua Cadeira é a origem da dignidade Sacerdotal, o laço da unidade, e o lugar onde reside a Potência Principal.

Se faço a mesma pergunta ao Sábio Orígenes, ele me responde, que o Sucessor de São Pedro é a boca, e o chefe do Apostolado. Se faço a mesma pergunta a São João Crisóstomo, sentado na própria Cadeira rival das preeminências da Cadeira de Roma, ele me responde, que São Pedro foi a boca de JESUS CRISTO; e longe de contestar este privilégio aos sucessores do Príncipe dos Apóstolos, foi nos braços de um Bispo de Roma, onde ele achou decisão favorável, e seguro asilo para escapar aos seus perseguidores. Santo Ambrósio chama-lhe outro Abraão no seu Patriarcado. S. Jerónimo, que sabia Grego melhor, que os intérpretes modernos, reconhece em S. Pedro a mesmíssima pedra, em que JESUS CRISTO fundou a sua Igreja, e usa de tais expressões para com o Papa São Dâmaso [natural da Diocese da Guarda, antiga Egitânia - Portugal], que nessa parte custará a ser excedido pelos mais rígidos Ultramontanos.... Dispenso-me de fazer mais perguntas, que de certo as podia fazer aos centos em cada um dos Séculos, e acharia sempre a mesma reposta, como desejoso que estou de ouvir a de meu grande Pai São Bernardo, a quem o infame, e pernicioso Livro, as Superstições descobertas, insultou descaradamente neste artigo... "Eia pois, dizia o Anjo de Claraval ao seu discípulo Eugénio III, eia pois examinemos com mais diligência quem tu és, e que figura fazes actualmente na Igreja de Deus. Quem és tu? O Grande Sacerdote, o Sumo Pontífice. Tu és Príncipe dos Bispos, tu herdeiro dos Apóstolos, Abel na primazia, Noé no governo, Abraão no Patriarcado, Melquisedec na ordem, Araão na dignidade, Moisés na autoridade, Samuel na judicatura, Pedro no poder, Cristo na unção. Tu és o próprio a quem foram entregues as chaves, a quem foram cometidas as ovelhas. Também há outros porteiros do Céu, e pastores de rebanhos, porém tu herdastes ambos estes nomes tanto mais gloriosamente, quanto os possuis com mais diferença daqueles outros. Têm eles os seus rebanhos determinados, e cada um tem o seu, porém todos foram cometidos a ti, como um rebanho a um só pastor. Nem tu és Pastor somente das ovelhas, és tu só o pastor de todos os pastores. Perguntas-me donde eu provo isto? Da palavra do Senhor. Se me tens amor Pedro, apascenta as minhas ovelhas. Quais ovelhas? São talvez os povos desta ou daquela cidade, ou região, ou de um reino determinado. As minhas ovelhas, diz o Senhor? Para quem não será líquido, que não lhe designará ovelhas em particular, mas que lhas entregara todas... O poder dos outros encerra-se em certos limites, o teu estende-se aos mesmos, que receberam o poder sobre os outros. Porventura não podes tu, havendo causa fechar o Céu a um Bispo, depô-lo do bispado, e até entregá-lo a Satanás?.." (V. São Cupr. Ep. 3,4,12, e 55. Origines Homilia 55 in Math. São Cipriano Homilia 2 in divers. Serm. Santo Ambr. in 1. ad Tim. 3 São Jer. Ep. ad Damasum.)

Aqui está como pensava dos Bispos de Roma esse próprio, que só por querer arredar da Cúria Romana as mais leves sombras de venalidade, depotismo, se alega em tom de confiança para se deprimir a jurisdição essencial do Romano Pontífice. Dir-se-ha por ventura que ele foi encarcido? Encarecido quando louva os Papas, mas verídico por extremo, e exavtíssimo quando censura certos excessos, e abusos da Cúria!! Eis-aqui um dos argumentos da boa Lógica dos nossos dias! Que mal se ajustam semelhantes discursos, com o que nós sabemos da nobre independência com que este Santo arrostou, e combateu os vícios de seus contemporâneos, onde quer que eles se tivessem acastelado, sem diferençar um Rei de França, um Duque de Aquitânia, de um pobre, de um escravo, ou do mais ínfimo de todos os homens, começando de mostrar no seu Século, a imagem das justiças imparcial, com que todos serão tratados no dia do Juízo!!

(a continuar)

O MASTIGÓFORO - PASTORAL DO BISPO DE TREGNIER

Fragmento da Pastoral do Bispo de Tergnier
"Quando o primeiro, e mais esclarecido trono do Universo, está comovido até aos seus alicerces, quando os movimentos convulsivos da Capital se fazem sentir nas províncias mais remotas dão Império Francês, será permitido a um Bispo o guardar silêncio?... Houve um tempo em que o amor dos Franceses aos seus Reis não conhecia limites; bem longe de procurarem discutir, ou contestar, ou ainda menos limitar os direito, e prerrogativas da Coroa, nossos pais folgavam de multiplicar os testemunhos de seu zelo, de sua obediência, e de sua devoção ao Monarca. Ah! meus caríssimos irmãos, quão diferente é agora do que já foi, essa Monarquia Francesa! Os príncipes de sangue Real, fugitivos nas nações estrangeiras, a disciplina militar enervada, o Cidadão armado contra o Cidadão, um sistema de independência, e de insurreição apresentado com arte, recebido com entusiasmo, sustido pela violência; todos os mananciais do  crédito nacional interceptados, ou secos, o Comércio definhando-se, as Leis sem força, e sem vigor, seus depositários dispersados, ou reduzidos a silêncio, o nervo da autoridade em poder da multidão; todas as classes de Cidadãos confundidas, a vingança sequiosa de sangue, aguçando os seus punhais, designando as suas vítimas, praticando os seus furores homicidas; tais foram os triunfos monstruosos desses homens perversos, que abusando dos talentos, que lhes dera a natureza para melhor uso, sopraram na França o espírito da independência, e da anarquia. Praza aos Céus, que essas produções internais, e que os planos de regeneração que aí se contêm, sejam sumidos no nada, donde nunca deveriam ter saído.
Conservamos as nossas leis antigas; são elas a salva-guarda de nossas propriedades, de nossas pessoas, e de nossa glória. O vício do Governo Francês não está nas Leis que são boas, está nos costumes públicos, que são depravados. Conservemos as nossas Leis, e reformemos os nossos costumes. Nada há mais perigoso que insultar as Leis antigas, referi-las à simplicidade gótica dos nossos antepassados, como princípios rançosos e bárbaros, e desprezá-las como frutos de ignorância, e de opressão.
Que felizes tempos eram aquele que precederam a actual anarquia, tempos em que os nossos dias corriam desassombrados de sustos, em que as nossas humildes queixas encontravam um fácil acesso ao coração de nossos Reis, em que os ricos gozavam sem temor, da sua opulência, e das suas heranças; em que o plebeu contente de sua sorte vivia satisfeito com o seu estado! Estes dias serenos já lá vão, e desapareceram como um sonho. A Igreja cai no aviltamento, e na escravidão; seus Ministros são ameaçados de condição de homens assalariados....
Pelo mais deplorável abuso da Liberdade, precioso mimo da natureza, querem que cada um possa pensar, e escrever segundo lhe agrada; que todos os cultos sejam indistintamente permitidos; que o discípulo obstinado de Moisés, que o fanático seguidor de Mafoma [Maomé], que o adorador insensato dos ídolos mais desprezíveis, que o artificioso Sociniano, que o cego e voluptuoso Ateu, que as Seitas as mais contrárias, e as mais absurdas, repousem de mistura com o Cristão Católico, debaixo das asas, e protecção do Governo Francês!...
Não é pois já tempo que o povo Francês acorde, e que do íntimo dos nossos corações se levante um grito geral para reclamar as nossas antigas Leis, e o restabelecimento da ordem pública?
Dizei aos Povos (continua o Prelado, dirigindo-se aos Párocos) que se enganam a si próprios, quando se lisonjeia de uma diminuição de tributos, em tempos desastrosos, quando o Estado exige os maiores sacrifícios. Dizei-lhe que os enganam quando lhes pintam os Chefes do Clero como sujeitos devorados de ambição, vendidos à intriga, e dados aos excessos de um luxo escandaloso. Dizei-lhes que a autoridade, ainda que seja legítima não pode exigir respeito, senão enquanto ela respeita as Leis recebidas; que fazer matar os cidadãos ainda que sejam criminosos, sem ouvir a sua defesa, roubar as Corporações, e aos particulares a existência, e os bens de que eles sempre gozaram, debaixo da protecção do governo, confundir os contratos que reuniram à Coroa as mais ricas, e as mais consideráveis províncias do Reino, é um Sistema de opressão e tirania, que despedaça todos os vínculos do pacto Social [ou este que luta do lado bom, está já contagiado de erros que para o caso não calham ser significativos - há que olhar este caso como o paradigma dos católicos da época liberal, que, mesmo quando lutaram do lado bom já transmitiam aos descendentes ideias que não sabiam serem más; ou este que luta, está a usar apenas do mesmo argumento da sua oposição para lhes fazer ver que nem o contrato social, crença deles, eles respeitam]. Dizei-lhes, que os enganam com esses infames libélos, que a filosofia emprestou com seus venenos, e paradoxos, quando lhes representam os membros das suas primeiras ordens da Monarquia, como aristocratas odiosos, conspirados contra o povo, e não procurando senão esmagá-lo debaixo do jugo da tirania, e do despotismo, etc..." 

(Tudo isto consta do Avant Moniteur, Paris 1805, a pág. CXLIII, e bem lastimado fiquei eu de não poder achar por inteiro este belo monumento de firmeza, e lealdade ao Trono de S. Luís!)

Quem falou tão denodada, e apostolicamente não podia agradar aos ímpios, que o taxaram de fanático, e sedicioso. Compareceu diante dos Tribunais, opôs-se à declaração de que os bens de Igreja eram nacionais, e só em última extremidade é que se retirou de França para levar à Grã-Bretanha o famoso espectáculo de suas virtudes.... Ah Bispo de Tregnier, Bispo de Tregnier!!! (nota: Não é fora de propósito referir aos meus Leitores o que felizmente achei escrito pela dourada pena do Abade Carron, que tenho citado mil vezes noutra parte [nos Arquivos da Religião Cristã] e que segundo se vê do contexto seguinte, assistiu deste virtuoso, e exemplaríssimo Bispo: "Sejais mil vezes bendito meu Senhor [Pensées Chretiennes, ou Entrtiens de láme fidelle avec le Seigneur pour touts les jours de l'anneé Tom. 4 da edição de País 1802 pág. 131 e seg.] hoje, sim hoje mesmo eu vi consumar a obra das vossas misericórdias. Oh que terníssimos espectáculos! Saíram eles nunca de minha lembrança? Ali, é um venerável Pontífice, a honra do Sacerdócio, e o primeiro de seus ilustres colegas, que confessou a fé perante os Tribunais. Honrado de um longo desterro, banido de sua pátria, modelo há dez anos do Clero perseguido e fiel, sinalou cada um dos seus dias por novos actos de virtude, ainda ontem, já com a última respiração nos beiços, e com os olhos amortecidos, voz moribunda, assentado tranquilamente à mesa, ele estava, e eu o vi nesse triste momento, ocupado todo na salvação da França, e nos meios de haver obreiros fiéis para essa vinha que ele amava com extremo. A noite passada, no leito de suas dores, quieto, e sossegado contava, com uma terna impaciência, as horas, que o chegavam ao seu último suspiro. Que horas são, perguntou ele com toda a paz, ao testemunho, e admirador da sua agonia. É uma hora, lhe respondem.... A esta palavra, o anjo visível pára, seus olhos se fecham, sua cabeça repousa docemente.... o anjo não vive já neste mundo, os Céus o possuem". Acrescenta o mesmo autor em nota: "Por estas feições quem deixará de conhecer-te, quem não há de nomear em continente o virtuoso le Mentier Santo Bispo de Tregnier? Que luto universal foi para nós a tua perda! Que sentida não foi pelas nossas lágrimas, e saudades!! Que consternadora a cerimónia da tua sepultura!! É na terra de teu glorioso desterro, e em lugar retirado e solitário, onde os teus modestos despojos descansam sem estrondo, sem pompa ao lado das cinzas de meus irmãos; porém tu não morreste todo.... Desde o interior do teu Sepulcro, ainda nos prégas todas as virtudes: e a tua memória nunca se há de apagar.) Ficarei neste gemido.... sem acrescentar milhares de reflexões, que me acodem a enxames.

[comentário ASCENDENS: na tentativa de encontrar documentação a respeito do Bispo de Tregnier, transcrevo: "Charles-Jean-Marie Alquier, membre de la convention national, avocat du roi, à la Rochelle, avant la révolution; il était maire lorsque l'assemblée du tiers-état de la sénéchausée de la Rochelle le nomma, em 1789, député de cet ordre aux états-généraux; il entra bientôt dans le comité des rapports, et fut chargé, le 22 octobre 1789, par ce comité, de faire léxposé de la conduite de l'evêque de Tregnier, qu'on accusait d'avoir provoqué, par un mandement, línsurrection de la Bretagne contre les décrets de lássemblée. Un décret rendu, à la suite de ce rapport, ordonna que cette affaire serait instruite devant le tribunal chargé de poursuivre les délits de lèse-nation." (Galerie Historique des Contemporains, ou Novelle Biographie - Tome I, pág. 81. Bruxelles, 1843). "ALQUIER, député de la Rochelle, fait le rapport du mandement de l'évêque de Treguier, et des circonstances qui l'ont accompagné. Il lit les différentés pièces d'une information fait par toutes les municipalités réunies du diocèse de Treguier. Il en résulte que non seulement ce prélat a excité le peuple que non-seulement ce prélat a excité le peuple à lá séduction par son mandement, mais encore qu'il a concouru, avec les nobles de son diocèse, à faire déserter de la milice nationale un nombre considérable de jeunes citoyens, qui, séduits par de l'argent et par des promesses, se sont engages à n'obéir qu'aux gentilshommes, et à les prendre pour leurs chefs." (Les Contemporains de 1789 et 1790, ou les Opinions Débattues Pendant La Premièr Législature; avec Les Principaux Événemens de La Révolution... Tome I, pág. 47. Paris, 1790). A Diocese de Tregnier, segundo parece, terá sido extinta, mais ou menos no tempo deste Bispo.]

(índice da obra)

19/07/16

O MASTIGÓFORO - N ("Natureza")

Natureza - Houve tempo, e não vai muito longe de nós, em que esta palavra foi inocente como significativa da força das causas segundas, que lhes era comunicada pelo seu Autor, e faltava-se sem receio nas obras da natureza como excelentes, e admiráveis; hoje a natureza é mais um capote em que se embrulha o Ateísmo; a natureza faz tudo, porque chega a fazer os homens bons ou maus, visto que hoje em dia os temperamentos, e os climas resolvem os mais difíceis problemas sobre o físico, e moral do homem!! Natureza é hoje o móvel supremo dos astros, dos elementos, dos mares, e dos animais. O nome de Deus vem como por cerimónias, e aparato na frente de alguns livros Filosóficos para nunca mais aparecer, e uns que lhe furtam o corpo, ou a língua quanto podem são os Mações, que não há que pinhar-lhes outro nome, que não seja o de Natureza que muito lhes agrada, e quando se vêem apertados recorrem ao Supremo Arquitecto, ou ao Ente Supremo, que são estes uns novos disfarces para enganarem os simples e os ignorantes, como ainda veremos debaixo da primeira destas palavras, e já o deixámos apontado na segunda.

(Índice da obra)

O MASTIGÓFORO - N ("Nação")

Letra
N

Nação - Está definida e exactamente pelo Corso Bonaparte, que alguma coisa havia de dizer, que tivesse jeito Quando a Canalha ficou de cima, chama-se nação, e é o que se viu neste reino, como se prova do seguinte:
Nação (vontade da) É a escora do Maçonismo para capear as suas rebeliões. Um só indivíduo chama-se vontade do Clero, outro chama-se vontade da Nobreza, outro vontade da Magistratura, outro vontade do Exército, e com estas vontadinhas bem somadas, que apenas constituem uma pequeníssima fracção da vontade geral, aí os temos a darem as cartas, e a definirem com toda a impavidês, que Rebelião é a obediência ao Governo Legítimo, que nos deixará ElRei Nosso Senhor!! Quando foi ouvida a Magistratura para escolher o grão Tomaz, a Igreja Lusitana para ser representada pelo Deão Brederode? Onde estava pois nesses dias de mais vulto para a criação do Sistema aquela vontade que se dizia o fundamento de quanto se decidisse e Legislasse? Existia na cabeça de Fernandes Tomás, e Companhia, e é quanto basta segundo a jurisprudência alumiada das rutilantes Luzes do Século, para se dar como existente a parte Rei à vontade Nacional!! Na cena penúltima do último acto da Tragicomédia intitulada "As Cortes extraordinárias de 1823" quando o imortal, o augusto, o Soberano Congresso já entrava em agonias da morte, rompeu um dos mais ilustres preopinantes numa distinção Peripatética de vontades nacionais, que deve ficar em Lembrança para escarmento dos presentes, e ensino dos futuros: "Ó Género humano, Senhor Presidente, governa-se há muitos séculos por duas qualidades de direitos; um ilegítimo, que é a força; outro legítimo que é a vontade geral ou expressa ou tácita". Por era vontade geral estávamos nós aqui etc. (Diário de 2 de Junho de 1823). Distinguiu pois, em maravilhosamente, o que era tácito ou calado das trevas, em que se urdia a Constituição, que rebentou a 24 de Agosto, do que era expresso e notório, e se porventura não se pusesse a salvo nessa tabuinha furada, e podre da vontade tácita não sei como seria possível conciliar com a vontade Nacional, o que se passava a essa mesma hora no distrito de Vila Franca, onde ninguém havia de dizer, senão que a vontade nacional era que logo, logo se desfizesse a caranguejola das Côrtes, para que nunca mais aparecessem vestígios de semelhante diabrura.

(Índice da obra)

O MASTIGÓFORO - J ("Juramento")

Juramento - Só o nome faz tremer a quem é Cristão pela graça de Deus, e não foi pequena misericórdia deste Senhor, o consentir, que o chamem para testemunha "em juízo, em justiça, e em verdade", porém no Dicionário Maçónico é simplesmente uma certa armadilha aos fiéis Cristãos para os desassossegar, inquietar, ou reduzir a ponto de mudarem de pátria, e deixarem lugares vagos para os Mações. Logo na primeira redada se viu claramente para que se mandaram fazer tais juramentos, não só confirmatórios de uma rebelião manifesta, porém o que é mais, promissórios de se observar à risca tudo quanto nos despejassem os Luzentíssimos cacos Thomazianos, e Mouriscos, que já se sabia há muito ser o Catolicismo o seu forte!! Não tardava muito a Constituição chamada Civil do Clero, ainda mais liberal que a Francesa, e o pior seria, que a Igreja Lusitana talvez desse mais exemplos de Fauchets, Gobels, e Gregoires, que de Dulaus, Rochsfocaulds, e Hercés! Juramento de guardar, e fazer guardar a Constituição!! Moralizemos o nosso bocado. Quem foram os primeiros que a deitaram a perder? Os Mações. Que forma os primeiros que a deram a conhecer por desprezível de facto e direito? Os Mações. Quem foram os que violaram descaradamente todos os seus artigos, reformando-os, alternando-os, e derrogando-os a seu sabor, contra o que se estipulava desde o começo da obrinha? Os Mações. E os mais insolentes perjuros, que nunca teve este Reino, a estranharem seriamente o perjúrio dos desafectos à Constituição!! Há muito que nós sabemos como eles representam as suas comédias "os Juramentos". Lembro-me de que imediatamente à criação do Instituto Nacional de França, o primeiro acto a que procedeu este Corpo Científico, foi o Juramento de ódio à Realeza, a 21 de Janeiro de 1796; e é para notar que nos Juradores aparecia um Lalande, o ímpio, o Deão dos Ateus!!! Já de antes haviam declarado qual fosse o verdadeiro espírito das requisições de Juramentos. Um Padre Católico havia de jurar ou morrer, porém um Quaker, um Anabaptista não só era dispensado de jurar, mas até de pegar em armas para defesa da pátria!!! Antes que me esqueça, e o juramento dos Mações, diametralmente oposto ao bem da Sociedade; e em perpétua contradição com os deveres do Cristianismo, que impõe aos seus filhos a necessidade de declararem ao Juiz o que souberem!!! Ai! mas esse pertencerá lá para o fim às virtudes Maçónicas, que fazem mártires da Laia dos do Campo de Santa Ana [Lisboa]!

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O MASTIGÓFORO - J ("Jejum")

Jejum - É um acto especial de uma virtude Cristã sumamente recomendado, e autorizado com as instruções, e exemplo de Nosso Senhor JESUS CRISTO, e pela Sagrada Quaresma, de que é impossível assinar-se outro princípio, que não seja a Tradição Apostólica. Viram-se até nesse crescido número de jejuns expiatórios, que fazem uma espécie de voz da natureza, e ainda que os gentios erravam crassamente no que pertencia ao objecto, e aos fins destas obras de mortificação, nem por isso o Apóstolo São Paulo deixou de lançar em rosto aos Cristãos melindrosos, e delicados, essas privações a que se condenavam os Atletas para ganharem uma coroa corruptível. Por tudo isto é o jejum aborrecido mortalmente dos Pedreiros, que bem sabem, que derribado primeiramente o Jejum da Quaresma, e depois tirada a consideração ao Sacerdócio, ou pelos diminutos, rendimentos, que se lhe assinam, ou pelas gages, ou jornais, ou jornais, que se lhes prometem do Tesouro Nacional, chegava-se dentro em poucos anos à meta desejada, à extinção do Catolicismo em Portugal!!! Coitados saiu-lhes tudo às avessas do que premeditavam, e o seu ódio ao jejum, como parte de uma virtude Cristã, voltou-se contra os próprios, que o nutriam, e fomentavam. O povo de Nosso Senhor, nessa parte melhor Teólogo, que os Teólogos seus Conselheiros, não abraçou a doutrina pedreiral do jejum contrário à natureza, e deitado, ou estendido no rol das Superstições, jejuou como jejuaram os seus avós, não quis uma graça, que sempre lhe pareceu coisa mais de graça que de veras, e marcou os espiões das Famílias, que nunca estiveram pela graça, como outros tantos Solicitadores de Causas Maçónicas, e dignos de censura, e opróbrio geral... E o mais é, que a gracinha ia dando na cabeça a quem desejava meter as almas no caminho do Céu!! Houve queixas dos Confessores, que nunca reputaram legítimas as Causas expendidas na Bula, e por bem pouco não veio por aí alguma lista de Confessores deportados, por ensinarem a verdade aos seus penitentes!! Mas dispensar a abstinência não é dispensar o jejum, e pode não haver abstinência, e existir o jejum!! Forte novidade!! Porém o caso é outro, e a asa da galinha, física, e moralmente o mesmo, que um bocado de bacalhau, não é coisa que eu possa levar, que tenho más engolideiras.... E os Mações a misturarem lampreia com vaca, e galinha, e a fazerem outras habilidades, em que se mostraram sobranceiros às decisões Pontifícias!! E o que tarda (menos no Patriarcado de Lisboa) o curativo dessa tinha ou peste Carnívora, que se tem apossado de várias gentes de gravata ao pescoço, ou apedreiradas!! Já agora como lhe fez seu jeitinho hão de ir comendo carne em todas as Quaresmas, até chegar, não uma quarentena de dias, de anos ou de séculos, porém uma eternidade de castigos! Esses mal aventurados seguidores da nova Religião Política (que a seu tempo definirei) só depois de mortos, é que serão completamente desenganados, que a sua vida foi toda pagã, e toda repreensível aos olhos de Deus!!

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