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| S. Pio X |
"A respeito do conceito "modernismo", ao sério exame académico não escapa o geral e progressivo fenómeno do desentendimento público. O sentido próprio da palavra "modernismo" tem sua raiz académica no séc. XIX, e é ontologicamente definível como erro relativo ao Ser (eis o âmago irredutível). Na medida em que esse ontológico pressuposto é tomado e aplicado a qualquer área do saber, ou da arte, assim produz sequentes conclusões; foi aplicado na literatura, artes plásticas, sociologia, etc.. No final do século XIX Tyrrell aplicou-o directamente à Teologia, e o alarme soou na Igreja. Em 1907, S. Pio X condenou-o com o nome de "modernismo" através da Encíclica Pascendi, na qual caracteriza-o segundo o que mais urgia combater na Igreja: possibilitar identificá-lo rapidamente entre o clero, para travá-lo na Teologia e Filosofia. (...) Portanto, não há uma variedade de "modernismos", trata-se antes do mesmo erro em peregrinação, produzindo efeitos diversos, tomando múltiplas caras, tantas quanto sejam as realidades onde aplicado. (...)
A condenação do modernismo não se confina àquela ocasião e contexto histórico, nem apenas àqueles vários erros provocados no campo teológico; a condenação papal é para sempre, e dada ao erro "modernismo" concretamente. (...)
O pouco interesse ontológico dos Tradicionalistas pelo modernismo, e o desprezo que os restantes querem dar, produz novo e delicado fenómeno: ignorando o conceito [ontologicamente], manter-lhe o nome recheando-o com características de algum grupo de pessoas, às quais se decida chamar "modernistas"".
(na serra alta - J. Antunes)