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09/05/17

YAZIDIS SAIRAM DE PORTUGAL

A respeito da crise mundial agravada pela invasão islâmica, temos simpática notícia em Portugal. Melhor dizendo ... não é propriamente islâmica ... Escutemos o Diário de Notícias (4 de Maio):

Refugiados Yazidis Nem Uma Semana Ficaram em Portugal


(Saman Ali, na foto com o cartaz, é o único yazidi que faz questão em estudar e trabalhar em Portugal)
 
Saman Ali, um dos 24 yazidis que chegaram a Portugal há um mês, escreveu uma carta aberta ao Presidente da República, publicada esta quarta-feira pelo Expresso, onde pede ajuda para ficar e revela que é o único do grupo que ainda está em território nacional. Os outros 23 já abandonaram ilegalmente Guimarães, onde tinham sido acolhidos. [... hoje o que dizem ser "legítimo" procede de lei não legítima, e vice-versa - neste caso: 23 "refugiados" que não se querem refugiar estão a ir contra a lei do país estrangeiro, onde não pertencem, e do qual querem sair!]
 
Houve casos de familiares que nem uma semana ficaram no nosso país, soube o DN junto a fontes policiais que estão a acompanhar estes movimentos. A responsabilidade pela sua permanência é das entidades de acolhimento ["a responsabilidade pela sua permanência"... responsabilidade de permanência!... permanência...], neste caso a Câmara Municipal de Guimarães [... é para isto mesmo que existem câmaras municipais - note-se que Guimarães é a cidade "berço da nação portuguesa", e agora não deverá ter sido escolhida pelo seu clima "quente", certamente...], mas que não podia impedir a sua partida, uma vez que Têm liberdade de circulação. Estão obrigadas a informar os refugiados que perdem todos os seus direitos de protecção quando saem do país (...).

"Lamento que isto aconteça. Sinto-me frustrada e receio que isto possa desincentivar quem tem trabalhado tanto, como eu, para conseguir que estes refugiados viessem para Portugal", reage a eurodeputada Ana Gomes [a comunista Ana Gomes tenta apagar o Cristianismo dos símbolos pátrios, como se vê, logo Guimarães é o eleito para sementeira]. (...) A eurodeputada pretendia trazer para Portugal cerca de 400 yazidis que estavam na Grécia e em Itália [portanto, não vieram da região da antiga Assíria, mas sim da Itália, e da Grécia onde têm antiga comunidade RELIGIOSA, que desde 1990 se desdobrou para a Alemanha].  "Acho que não devemos desistir de fazer o que está certo e devemos continuar a aceitar acolher estas pessoas. Não podemos é ter ilusões de que, caso abandonem Portugal, vão ter de voltar outra vez quando forem detectados noutros países. É um sistema perverso", afiança. [Ó Ana Gomes, senhora euroderrubada, diga lá se durante décadas não tem combatido o Cristianismo com a promoção das ideias opostas e forças que lhe sejam opostas, sonhando em remover o necessário e indelével vínculo de Portugal com a Santa Igreja Católica e o Catolicismo tradicional?; tenta um "novo Portugal", uma nova "portugalidade"? Mas porque motivo se empenha tanto? Sabe muito bem, que os yazidi são o que resta do MITRAISMO (religião do deus Mithra, com o qual os ATEUS atacam o Cristianismo, dizendo ser Cristo uma invenção decalcada de Mitra, e que tal é vergonhosa prova). Olhe o que está a tentar colocar na cidade berço de Portugal tão empenhadamente... QUATROCENTOS. Sabe também que os yazidis são indesejados dos "extremistas islâmicos", e que a guerra que a senhora euroderrotada faz não é contra o cristianismo liberal, mas sim contra aquele o de sempre, ou seja, contra o tradicional (que professa a mesma doutrina milenar na forma que sempre foi entendida e transmitida), pois a esta chama-lhe EXTREMISTA também. A sua guerra, Senhora eurotranstornada é o mais refinado modernismo: conservando ainda as formas, progride-lhes o conteúdo, deixando-lhes a unidade (SER) cada ver mais colapsada. Eis o ensinamento dos pensadores da nova-esquerda... Rua... rua que não é portuguesa].
 
Na sua missiva, Ali, o professor universitário de biologia - que se destacou logo à chegada exibindo um cartaz a dizer "Obrigado Portugal. Adoro-te" - pede a Marcelo para acelerar o seu processo de asilo, pois quer estudar, trabalhar e ficar no nosso país "o resto da vida". Contactada a Presidência, fonte oficial disse que "não foi recebida" em Belém esta carta. (...)

Nos últimos dois meses, conforme o DN já noticiou, duplicou o número de refugiados a deixar o nosso país. Os dados recolhidos pelo DN registavam, na última semana de abril 474 fugas, de um total de 1255 recolocados até essa data. Uma taxa de quase 40% de chamados "movimentos secundários" e uma das mais elevadas da Europa. (...)

30/04/17

PORTUGAL de sempre

PORTUGAL - PROCESSO DE ISLAMIZAÇÃO com algumas dificuldades

SIC NOTÍCIAS (24.04.2017)

"Do 1285 "refugiados" acolhidos "por Portugal", 40% abandonaram o país; ou seja, mais de 400. Segundo o levantamento feito pelo Diário de Notícias, só nos dois primeiros meses do ano, mais de 200 refugiados saíram das instituições que os acolheram; na maioria cidadãos de nacionalidade síria. 147 [destes] "imigrantes" foram entretanto dectetados, e até mesmo detidos, sobretudo em Alemanha e França; estão agora obrigados a regressar a Portugal, um deles já o fez, e os restantes continuam em paradeiro desconhecido. O regresso fica a cargo do Governo "português", que é responsável por pagar todas as despesas da deslocação...." (transcrição da notícia televisiva)

14/02/16

PEDIDO AOS LEITORES - PESQUISA SOBRE EXCOMUNHÃO DE D. JOÃO IV

Caros leitores,

em circunstâncias, veio à conversa a questão da "excomunhão" de D. João IV (de Portugal). Este tema esquecido dos bons portugueses tem sido deixado ao trato da imaginação dos inimigos da Igreja, fingidos amigos deste Rei. É hora de recolher fontes e tratar mais demoradamente o assunto da "excomunhão". Posto isto, solicito aos interessados em ajudar que nos enviem fontes (da época, se possível) através do nosso correio electrónico ( ascendensblog@gmail.com ) - quer a respeito da excomunhão quer a respeito do seu levantamento.

Depois da devolução do legítimo ao Trono, D. João IV foi excomungado (Maio de 1647). Provavelmente nula, ou realmente inexistente (visto não haver matéria), a injusta excomunhão foi levantada (ou aparentemente levantada!) depois de morto e enterrado; o ritual foi executado pela Santa Inquisição, segundo os dados que temos.

Este assunto é também interessante e importante do ponto de vista teológico, e canónico.
 
Que haja então por aí  algum leitor que conheça melhor o assunto, que honrar este legítimo superior nosso, e que nos faculte informação.

Desde já, o nosso bem hajam.

13/03/15

SENHORES E ESCRAVOS NOS ENGENHOS PORTUGUESES DO Séc. XVII (I)

(Fonte: Cultura e Opulência do Brasil...; André João Antonil. LISBOA, 1711)


CAPÍTULO IX
Como se há-de haver o Senhor do Engenho com seus Escravos

Os Escravos são as mãos, e os pés do Senhor do Engenho; porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar, e aumentar a Fazenda, nem ter Engelho corrente. E do modo, com que se há-de com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço. Por isso é necessário comprar cada ano algumas Peças, e repartí-las pelos Partidos, Roças, Serrarias, e Barcas. E porque comummente são de Nações diversas, e uns mais boçais que outros, e de forças muito diferentes; se há-de fazer a repartição com reparo, e escolha, e não às cegas. Os que vêm para o Brasil, são Ardas, Minas, Congos, de S. Tomé, de Angola, de Cabo Verde, e alguns de Moçambique, que vêm nas Naus da Índia. Os Andas e os Minas são robustos. Os de Cabo Verde e S. Tomé são mais fracos. Os de Angola criados em Luanda são mais capazes de aprender ofícios mecânicos que os das outras partes ja nomeadas. Entre os Congos há também alguns bastante industriosos, e bons, não somente para o serviço da Cana, mas para os Ofícios, e para o maneio da casa.

Uns chegam ao Brasil muito rudes, e muito fechados, e assim continuam por toda a vida. Outros em poucos anos saem ladinos, e espertos, assim para aprenderem a Doutrina Cristã, como para buscarem modo de passar a vida, e para se lhes encomendar um barco, para levarem recados, e fazerem qualquer diligência das que costumam ordinariamente ocorrer. As Mulheres usam de foice, e de enxada, como os Homens: porém nos Matos, somente os Escravos usam de machado. Dos ladinos se faz escolha para Caldeireiros, Carapinas, Calafates, Tacheiros, Barqueiros, e Marinheiros; porque estas ocupações querem maior advertência. Os que desde novatos se meteram em alguma Fazenda, não é bem que se tirem dela contra sua vontade; porque facilmente se amofinam, e morrem. Os que nasceram no Brasil, ou se criaram desde pequenos em casa dos Brancos, afeiçoando-se a seus Senhores, dão boa conta de si; e levando bom cativeiro, qualquer deles vale por quatro boçais.

Melhores ainda são para qualquer ofício do Mulatos: porém muitos deles usando mal do favor dos Senhores, são soberbos, e viciosos, e prezam-se de valentes, aparelhados para qualquer desaforo. E contudo eles, e elas da mesma cor, ordinariamente levam no Brasil a melhor sorte; porque com aquela parte de sangue de Brancos, que têm nas veias, e talvez dos seus mesmos Senhores, os enfeitiçam de tal maneira, que alguns tudo lhes sofrem, tudo lhes perdoam; e parece, que se não atrevem a repreendê-los; antes todos os mimos são seus. E não é fácil decidir coisa, se nesta parte são mais remissos os Senhores; pois não falta entre eles, e elas, quem se deixe governar de Mulatos, que não são os melhores: para que se verifique o proverbio, que diz: Que o Brasil é Inferno dos Negros, Purgatório dos Brancos, e Paraíso dos Mulatos e das Mulatas; salvo quando por alguma desconfiança, ou crime, o amor se muda em ódio, e sai armado de todo o género de crueldade, e rigor. Bom é valer-se de suas habilidades, quando quiserem usar bem delas, como assim o fazem alguns; porém não se lhes há-de dar tanto a mão, que peguem no braço; e de Escravos se façam Senhores. Forrar Mulatas desinquietas, é perdição manifesta; porque o dinheiro, que dão para se livrarem, raras vezes sai de outras minas, que dos seus mesmos corpos, com repetidos pecados: e depois de forras, continuam a ser ruína de muitos.

Opõem-se alguns Senhores aos casamentos dos Escravos e Escravas; e não somente não fazem caso dos seus amancebamentos, mas quase claramente os consentem, e lhes dão princípio, dizendo: Tu Fulano a seu tempo casarás com Fulana; e daí por diante os deixam conversar entre si, como se já fossem recebidos por Marido e Mulher: e dizem que os não casam, porque temem que enfadando-se do casamento, se matem logo com peçonha, ou com feitiços; não faltando entre eles Mestres insignes nesta Arte. Outros, depois de estarem casados os Escravos, os apartam de tal sorte por anos, que ficam como se fossem solteiros: o que não podem fazer em consciência. Outros são tão pouco cuidadosos do que pertence à salvação dos seus Escravos, que os têm por muito tempo no Canavial, ou no Engelho sem Baptismo: e dos batizados muitos não sabem, quem é o seu Criador, o que hão-de crer, que lei hão-de guardar, como se hão-de encomendar a Deus, a que vão os Cristãos à Igreja, porque adoram a Hóstia consagrada, que vão a dizer ao Padre e ajoelham ou lhe falam aos ouvidos; se têm alma e se ela morre ou para onde vai quando se aparta do corpo. E sabendo logo os mais boçais, como se chama, e quem é seu Senhor; quantas covas de Mandioca hão-de plantar cada dia; quantas mãos de Cana hão-de cortar; quantas medidas de lenha hão-de dar; e outras coisas pertencentes aos serviço ordinário de seu Senhor: e sabendo também pedir-lhe perdão, quando erram, e encomendar-se-lhe, para que os não castigue, como prometimento da emenda, dizem os Senhores, que estes não são capazes de aprender a confessar-se, nem de pedir perdão a Deus, nem de rezar pelas contas, nem de saber os dez Mandamentos: tudo por falta de ensino, e por não considerarem a contra grande, que de tudo isto hão-de dar a Deus, pois (como diz S. Paulo) sendo Cristãos, e descuidando-se dos seus Escravos, se hão com eles pior, do que se fossem Infiéis. Nem os obrigam os dias Santos a ouvir Missa; antes talvez os ocupam de sorte, que não têm lugar para isso; nem encomendam ao Capelão doutriná-los, dando-lhe por este trabalho, se for necessário, maiores estipêdio.

(a continuar 25)

BATALHA DE TOLOSA - SINAL DA CRUZ

Brasão dos Almada
"... na guerra de Tolosa [batalha das Naas de Tolosa - 16 de Julho de 1212] apareceu o sinal da Cruz no céu. Daqui tomou a Cruz floreada por armas o Conde D. Rodrigo Frojaz, e os Almadas, Albergarias, e Farinhas. Autorizaram-se estas famílias em tomar por armas a Cruz sagrada;" (Tractado Panegyrico Em Louvor da Villa de Barcelos ... . Pe. Fr. Pedro de Poiares. Coimbra 1672)

Brasão dos Albergaria

Brasão dos Farinha

31/10/14

FLORES DE HISPANHA, EXCELÊNCIAS DE PORTUGAL (VIII)

(continuação da VII parte)

EXCELÊNCIA I
Europa, a Melhor Das Quatro Partes do Mundo

Primeiramente, Portugal está na melhor das quatro partes do mundo, que é a Europa; que a Europa seja melhor que a África e a América, é coisas clara, ainda que o insigne historiador João de Barros (a) louve muito a África pela parte da Etiópia, somente pela Ásia há poucos fundamento trazidos por Abraham Ortélio e outros autores; (b) mas todos considerados, acharemos em favor da Europa mais fortes razões, porque se na Ásia viveu e morreu Cristo Nosso Senhor para remédio do género humano (que é o maior argumento), aqui na Europa vive hoje no coração dos fiéis, ao contrária da Ásia onde esta muito esquecido. Se na Ásia esteve a lei de Deus, a do Velho Testamento, na Europa está a do Novo Testamento, mais perfeita, e está a suma cabeça da Igreja, Roma: e da Ásia saíram as idolatrias e a pestífera lei de Maomé, contra quem a maior parte da Europa luta continuadamente. Se a Ásia produziu varões fortes, na Europa nasceram o grande Alexandre, os Romanos, Godos, Hispanhois, e outras nações que todo o mundo venceram; se Ásia é maior que a Europa, a pequenês da Europa se suple com seus excelentes qualidades; finalmente, se a Ásia se gaba de ter tido grandes monarquias, olhe a romana, e Hispanhola [Portugal e Espanha] de hoje, e verá como as suas ficam diminuídas e abatidas, e ao fim, bem se vê quanto a Europa em tudo de bom excede a Ásia, pois como diz Gerónimo Cortez, (c) a Europa é terra muito temperada e conveniente para a habitação do género humano, porque é abundante em todo o género de mantimentos, e torna os homens temperados, de grandes entendimentos, e de maior ânimo e esforço que nenhuma outra parte do mundo, e assim Plínio (d) a chama sustentadora da população, vencedora de todas as gentes e avantajadamente a mais formosa de todas as terras da orbe; e Abraão Ortelin, na tábua da Europa, (e) depois de tê-la louvado muito, conclui dizendo que foi sempre tida pela mais excelente de todas as quatro partes do universo: Strabão e Casseano (f) afirmam o mesmo; João Botero (g) prova-o com boas razões: muitas traz João Bohemo (h) em seu favor, e outros autores lhe dão vários títulos que se eu quiser agora referir seria algo demasiado e sairia até do meu assunto: Mas pode-se ver em Volaterrano, Sebastião Munstero, Domingos Negro, Jorge Rithamero em suas geografias; e mais particularmente em Cristoforo, e Anselmo Ceias, Pio II, Gillelmo Gratarolo ao fim do seu livro De regimine iter agentium; Cherubin Stela, Jorge Meiero, e João Herbaceo, que todos tratam de suas coisas e excelências.

[ (a) - Barros dec I lib. 3 cap. ult.;
(b) - Ortel. in Teatro Orbis tab.]



EXCELÊNCIA II
Hispanha [Península Ibérica] é a Melhor Parte da Europa

Depois  disto está Portugal na melhor Parte da Europa, que é Hispanha [Península Ibérica], vencedora do mundo em todas as prerrogativas, e excelências de bondade do céu, fertilidade de terra, virtudes de homens, riqueza de reinos, conquistas, triunfos, títulos gloriosos pelos quais é chamada cabeça da Europa por muitos autores.


EXCELÊNCIA III
Portugal Está na Melhor Parte da Hispanha [Península Ibérica]

Havendo provado que a Europa é a melhor parte das quatro partes do mundo, e que Hispanha é a melhor delas na Europa, digo que Portugal está na melhor parte da Hispanha, o que se prova, porque havendo de considerar-se o princípio e cabeça do mundo donde esta ponta mais ocidental dele, como logo diremos, acontece que o Reino de Portugal está como cabela da Hispanha, e assim na melhor parte de toda ela. Ademais das grandes excelências que deste Reino provaremos no decurso deste tratado, concedem-lhe facilmente o primeiro lugar entre todas as terras.

1. A isto alega-se que somente Portugal, entre todos os Reinos da Hispanha, colocado à orla do mal está mais que os outros, e é parte muito principal e necessária para fazer um Reino excelentíssimo; como a experiência o demonstrou com vários exemplos de poderosíssimos monarcas, que por esta falta [de boa orla marítima] perderam muito nos seus Estados, e foram vencidos por reis mais pequenos, a quem bastou a vizinhança do mar para estarem em maior vantagem, e seus reinos mais enobrecidos; como na Europa vemos, que por esta razão excede nas forças de mar a Inglaterra, Holanda, Veneza, Génova, e o Turco, aos demais príncipes, que têm sua Côrte pela terra adentro; na Ásia os reinos da China, Mongol, o Nisamaluco, e o Hydalean são os maiores senhores que há, e contudo por suas Côrtes não terem portos marítimos são menos poderosos que os reis de Malabar, Dachem, Pan e Joas, e em África que os reinos de Argel, e venceram eles os Xerifes, por serem mais poderosos porque estavam estes metido por terra. Bem entenderam isto os romanos quando não temiam tanto Cartago pela grandeza e força dos cidadãos, quanto por estar aquela cidade junto ao mar, e por isso resolveram no Senado romano que por todas as maneiras se procurasse que Cartago fosse mudada para terra mais interior, (a) porque (diz Lúcio Floro) (b) pouco importava aos Romanos, que houvesse Cartago no mundo, se não estivesse na orla da água, como estava; nem aos próprios cartagineses se escondeu esta verdade, que enviando-lhes a dizer os Consules Lúcio Marcio, e Marco Manilio, que passassem a cidade 3 léguas mais para dentro de terra, mais desejaram morrer que fazer tal; e pela mesma razão os romanos destruíram Capua e Corinto, entendendo bem que só quem tivesse o senhorio do mar lhes podia tirar o império da terra, como o diz Túlio (c). Assim, é grande coisas estar um reino ou cidade em tal sítio. E quando os romanos se contentavam porque os cartagineses ficavam a mais de 3 léguas do mar, tendo-se os cartagineses recusado tanto que mais preferiam ver a sua cidade totalmente assolada, quanto pior é um reino estar com suas cidades, e Côrte, não a 3 léguas, mas 100 léguas, ou mais, terra dentro, longe do comercio marítimo? Elegantemente ficou provado por Manuel Severim de Faria (d), digníssimo Chantre da santa Igreja de Évora, um dos discursos políticos que com grande erudição compôs, no qual traz muitas coisas a este propósito, escusando-me de repeti-las por estarem ali tão bem ponderadas. E outro sim me escusa de alargar-me mais em prova do dito, o insigne testemunho que deu o grande Imperador Carlos V quando, vendo o socorro que lhe foi enviado de Portugal para a tomada de Tunes, e considerando o excelente porto da cidade de Lisboa, disse: "Se eu fosse Rei de Lisboa, em pouco tempo seria Imperador de todo o mundo". (e)

[(a) - Britto Monarch. Lusit. lib. I tit. 13;
(b) - Lucius Flor. lib. 2 cap. 15;
(c) - Tullias de lege Agraria contra Rullum;
(d) - Manuel Severim de Faria discurs. I;
(e) - Fray Nocolás de Oliveira en las grandesas de Lisboa trat. 4 cap. 4]


(continuação, IX parte)

20/03/14

1811 - AO CLERO PORTUGUÊS

(Pe. José Agostinho da Silva)

AO CLERO PORTUGUÊS
(1811)

Pe. José Agostinho de Macedo
"Assim como há vícios comuns a todos os séculos, da mesma maneira há remédio também comum, e aplicáveis aos mesmos vícios. Foi comum, por exemplo, o luxo a todos os tempos, os Mestres do Cristianismo invectivaram o luxo; e desde os discursos de S. João Crisóstomo ao Povo de Antioquia sobre este vício até agora, poucos são os Oradores Evangélicos, que tenham deixado de clamar contra esta peste da sociedade civil, e assim dos outros vícios dos homens. Mas quanto os séculos oferecem novos crimes, devemos buscar novos remédios. Os males que sentimos, as desgraças que suportamos, o transtorno universal de que somos testemunhas, nascem e procedem unicamente da exaltada malícia dos homens pelo espírito de um partido dominante. Esta preciso atacá-lo da cadeira da verdade com verdadeiro zelo Evangélico, e com um ardentíssimo amor da nossa Pátria, eis aqui o que eu fiz num dos Templos mais frequentados da Capital. Eu consagro pois este veementíssimo discurso ao Venerável Clero Português, atrevendo-me a fazer-lhe uma súplica, que talvez pareça estranha, e para alguns génios soberbos, e delicados, ofensiva; e vem a ser, que o preguem ao Povo, se se lhe oferecer ocasião. Noli esse humilis in sapientia tua, nos diz o Espírito Santo no Cap.13 do Ecles.. Mais de 24 anos de exercícios oratórios me dão algum conhecimento do valor do presente discurso, e quase me dão a autoridade de pedir ao venerável Clero, que o pregue, porque pode produzir vantagens para a Religião, e para o estado. Mas se vós, Veneráveis Irmãos em J.C., achardes outros caminhos, segui-os, deixai este discurso; mas combatei o vício, ainda que digais de mim o que disse Santo Agostinho de Cipriano: Magnus Cyprianus Orator, sed maior Petrus piscator, per quem credidit non solum Orator, sed et Imperator."

14/02/14

TESTEMUNHO INGLÊS - CAMPONESES DE PORTUGAL E A DEFESA

fardamento do praça da
Leal Legião Lusitana
"Os camponeses de Portugal possuem duas coisas mais estimáveis qualidades exigidas para formarem um bom soldado, sobriedade e obediência passiva às ordens de seus superiores; e as ocorrências posteriores são suficientes para removerem todas as dúvidas nos espíritos dos mais incrédulos com respeito à bravura do soldado português, quando convenientemente disciplinado. Em prova disto basta-nos apenas referir a valente defesa da ponte de Alcântara pelo primeiro batalhão da Leal Lusitana Legião, as proezas do segundo batalhão daquele corpo em Carvalho d'Este, e a magnífica maneira como lord Wellington em seus despachos menciona um regimento português na tomada do Porto. Se precisássemos de mais alguma prova de energia do soldado português, quando disciplinado convenientemente, bastava-nos olhar para o mapa da Península, e ficaríamos absortos como um povo tão pequeno teve a possibilidade de manter sua independência, estando completamente fechado pela Espanha ao norte e ao nascente.

A que se deve então atribuir senão ao valor próprio do país e ao patriótico ardor de seus habitantes? Sem este último nenhum país é forte, por mais bem disciplinado que seja seu exército. Rios, desfiladeiros, serras, baluartes, tudo isto para nada serve: defendidos porém por verdadeiros patriotas tornam-se completamente inexpugnáveis." (ELIOT (WILLIAM GRANVILLE) - Capitain in the royal regiment of artillery, 1811)

17/12/13

LOUVORES A PORTUGAL - POR OLHOS ESTRANGEIROS (I)

Laure Permon, Duquesa de Abrantes (mulher do general Junot), na obra "Douvenirs d'une ambassadeet dún sejour en Espagne et en Portugal":

Duquesa de Abrandes
"Quem não tem visto Lisboa, não tem visto coisas boa". Estas palavras admirativas, que o orgulho nacional inspira sempre a qualquer português habitante de Lisboa, serão reconhecidas como verdadeiras por aqueles, que tiverem tido a ventura de viver sobre as margens encantadas do Tejo!... Com efeito, nada mais belo, que a vista de Lisboa, chegando ao rio, ou por Aldeia Galega, ou por Cacilhas, ou pela Moita. - Tenho percorrido toda a Europa, e, exceptuando Nápoles,nada vi que me tenha penetrado de admiração como esta cidade, levantando-se em forma de anfiteatro na margem da imensa planície de água do Tejo. É especialmente ao vir de Aldeia Galega que seu aspecto é o mais majestosamente imponente. No primeiro plano do quadro o Tejo, cuja largura neste sítio é de mais de duas léguas francesas, está coberto de milhares de embarcações, cujos mastros empavezados anunciam, que toda a marinha do mundo pode vir demandar asilo à baía de Lisboa. É do seio deste lago, ou antes deste mar, que se levantam como anfiteatro as colinas, sobre que assenta Lisboa. à medida que o barco se desvia da margem do Alentejo, descobre-se uma nova beleza no quadro, que se tem diante dos olhos. A cidade estende-se sobre as colinas, que limitam o rio, e se vos apresenta com seus zimbórios, seus conventos, palácios, jardins, campos cultivados, que separam um palácio de um mosteiro, uma praça pública de um cemitério, e lhe dão assim parecença com uma cidade oriental; e depois desenrolam-se ao longe esses jardins embalsamados, essas quintas, que estão em roda de Lisboa, como um rico e suave cinto. Sobre um plano mais longínquo, as rochas de Cintra ornam o fundo desse rico quadro, fantástico de beleza... Eis o conjunto, que se vos oferece, quando aos saírdes de Aldeia Galega, depois de terdes atravessado a árida e arenosa província do Alentejo, embarcais no rio deste nome num escaler dirigido por vinte remadores, e avançais rapidamente para a cidade maravilhosa, sobre esse rio coberto de navios de todas as nações... cada impulso de remo descobre uma parte dessa rica decoração, que se torna cada vez mais visível. É principalmente pela manhã, ao nascer do sol, que devemos ver dourar com seus raios, (antes que sejam mais ardentes), suas novas ruas, a bela Praça do Comércio, o Arsenal, o Terreiro de Trigo, e Belém com sua quinta e sua igreja gótica, Ajuda e seus pomares de laranjas e limões... ao passo que o rio mais rápido e mais profundo e está apertado entre as serras de Almada,esse precipita para o mar, onde se lança entre colinas, que limitam o lado do sul. Não comente bela; mas uma vez na cidade, a estranheza da direcção de suas ruas, de suas praças, a maneira caprichosa como seus próprios defeitos se apresentam à curiosidade do estrangeiro, suas belezas, que não são comuns a nenhuma outra cidade europeia, tudo a torna uma cidade à parte entre as mais extraordinárias, e dá o desejo de voltar para ela, quando já se habitou uma vez.

A pretensão de todas as cidades fundadas sobre montes é de ter sete, à maneira de Roma. Lisboa faz como as outras, e os portugueses sustentam que tem sete montes.

Porém uma particularidade notável é que em 1806, cinquenta anos depois da catástrofe, viam-se ainda nas duas de Lisboa não somente sinais do terremoto de 1755, mas até os entulhos, tais como os deixara aquele ano maldito. Várias ruas de Lisboa, pequenas praças continham ainda esses restos da cólera do céu. Imundícies, esqueletos de cães, cabras, jumentos, até de machos, jaziam por cima de ruínas, e a cidade ameaçada de peste pelas exaltações mephíticas desses montões de matérias algumas vezes em putrefacção, não devia sua salvação mais que ao ar activo e salubre, que purifica com seu sopro, e dá saúde a uma cidade, que deveria, como se vê, perecer com a morte comum aos povos do oriente.

[...]

Encontrei em Lisboa quem tinha mudado o aspecto desta cidade, o Conde de Novion. Antes dele as ruas desta capital apenas eram iluminadas por pequenas lanternas, suspensas diante das imagens de Nossa Senhora, que estão quase a cada canto; porém esta luz baça guiava os assassino, mostrando-lhe a vítima, e não era de nenhum socorro; por isso é que as ruas de Lisboa eram mais perigosas para se andar por elas a pé em 1719 por exemplo, que por qualquer de nossas estradas. À meia noite ninguém ousava sair sem ir armado, e as próprias armas quase sempre eram inúteis, porque os bandos de ladrões eram tão numerosos, que mal se lhes podia resistir. Tem-se visto pessoas presas pelos bandidos, serem completamente roubadas, e obterem deles um salvo-conduto para não serem atacadas segunda vez. Pelo que toca aos assassinatos, era costume ir a certas igrejas, conde se encontram homens que faziam justiça pronta e sanguinolenta, conforme a vingança que lha pedia. Aqueles homens viviam ali, naquele lugar santo, como num lugar de refúgio, onde a própria Inquisição não os podia ir arrancar; e além disso as igrejas quase toas estão contiguas a conventos de homens, ou de mulheres, e o assassino estava certo da impunidade, se trabalhasse, como dizia, para o Abade ou Abadessa do convento. Eis um caso acontecido na própria Lisboa em 1798:

O Cônsul de uma nação estrangeira teve uma questão com o parente dum outro Cônsul. Poderia vingar-se com sua espada, mas preferiu ir procurar numa destas igrejas pessoa, que trazia sempre escondido um punhal prestes a ferir. Encontrou a quem desejava; fez seu ajuste, deu metade da soma exigida, que foi (creio que atendendo à quantidade da vitima) 24$000 réis. Devia receber a outra metade depois do assassinato.

O sicário, depois de ter tomado todas as informações possíveis, despediu seu freguês, porque tinha outro negócio entre mãos. Mas o freguês, não era cruel; sentiu depois acalmar essa agitação servil, que dá o furor de uma ofensa a uma alma nobremente nascida. Bem depressa sentiu uma outra tempestade levantar-se em lugar daquela, que se extinguia, e esta tornou-se terrível, e bem ameaçadora, porque era contra ele, e ele tinha andado mal. Finalmente os remorsos tornaram-se insuportáveis.

Eram apenas nove horas; a cidade estava ainda animada e sussurrante. Embrulhou-se em seu capote, pôs seu chapéu baixo, e com passos rápidos dirigiu-se para casa do homem, que por um pouco de ouro devia tomar a desforra. Neste momento a torre de Belém soou as dez horas, o grande sino vibrava no ar, levando para longe o som argentino, e por isso solene de suas badaladas. O indivíduo estremeceu. Ia finalmente descer, quando ouviu o barulho no quarto do homem, barulho que se parecia com o ranger de um leito, quando alguém se vira. O indivíduo bateu com força, e desta vez uma voz lhe respondeu: era a do scelerado. Abriu sua porta ao reconhecer o som da voz de F...

Oh! Já vós por aqui, disse ele bocejando, e estendendo os braços. Por Santa Maria da Glória, que bem apressado sois. Julgava que só nós, que vivemos ao ardor do sol, elevávamos a vingança a tal ponto! Mas parece...
Oh! Não, interrompeu o outro, pelo contrário venho dizer-vos que já não quero a morte daquele, a quem eu tinha condenado.
Ah! Exclamou o assassino com um espanto de que estava possuído pela primeira vez, isso é indiferente; porém é tarde de mais.
Já o mataste, miserável?
E que outra coisa me tínheis vós dito que fizesse senão que o assassinasse? Quem poderia esperar que, depois de terdes condenado vosso inimigo no tribunal de vosso ódio, vós os fosseis absolver nesse mesmo tribunal, uma hora depois?
Nós não procedemos assim em nossa terra. Pelo que me toca, disse ele, com uma expressão de demónio, a única pena que tenho do meu inimigo, é não estar dele ainda em estado de sentir meu punhal.

F. estava abatido. Neste momento o clarão da lua deflectia perfeitamente por cima do pequeno terraço, que ficava ao lado da porta do homem. O clarão caiu direito sobre este,e fez ver uma longa mancha de sangue na manga e na mão do assassino. F. não pode conter um grito, e deitou a fugir pela escada abaixo; mas foi agarrado por esta mesma mão ensanguentada.

Mais um momento, um momento , Senhor! Tenho pena, apesar de tudo, que o nosso negócio andasse tão depressa;mas julguei que fazia bem, e deve-se a minha paga. Dai-me então, e que não haja mais questão entre nós: bem vos conheço, e eu sabia bem procurar-vos, se me não quisésseis pagar meu trabalho.
F. atirou-lhe com a bolsa, sem querer tocar naquela mão manchada de sangue. O malvado apanhou a bolsa, e contou o dinheiro, que continha. 
Está aqui mais do que é preciso, disse ele ao separar sua paga do resto do dinheiro. Aqui está isto que vos pertence.
Ficai com tudo, respondeu F.
Então ficarei com ele, visto estardes penalizado da morte daquele nome, que todavia era um homem valente, e não vos disse isso por ser inútil para o nosso fim. Defendeu-se como um diabo, e vi-me obrigado a chamar em minha ajuda um dos meus homens, um dos meus ajudantes, porque muitas vezes o negócio é custoso, e corre seus riscos. Um de nossos colegas, Sebastião, bem novo ainda no ofício, foi morto por um inglês, a quem não atacava, e do qual somente queria a bolsa. Sua mulher ficou sem nada, e nós vi-mo-nos na necessidade de lhe fornecermos uma pequena mesada, contribuindo cada um de nós com sua quota. Se quiserdes, Senhor, as três peças, que sobram, serão para a viúva de Sebastião, e para mandar dizer missas por alma do rapaz, por cuja morte estais mortificado. Ouvi então; a culpa não foi minha; disseste-me às onze horas... o rapaz passou porém em ocasião favorável para a ponta do meu punhal... às oito horas e meia... a ocasião era excelente...ah! palavra de honra, caiu, mas levantou-se ainda...

Esta história, que me foi narrada por aquele mesmo, que dela foi o herói, pode fazer conhecer os costumes de Portugal no fim do último século somente.

[...]

À esquerda, conventos, igrejas, jardins, quintas, pomares de laranjeiras, onde os áureos pomos brilham ao lado das flores embalsamadas. Em frente, a íngreme altura, sobre que está construido o castelo, que defende a cidade. À direita o Tejo, coberto de navios com pavilhões de mil cores, flores por todos os lados, e por todos os sítios um ar doce e embalsamado, que vos enfeitiça, que vos penetra com seu encanto, e por cima de tudo isto dardeja um sol puro! Tudo em volta de vós respira um duplicada alegria; tudo, até os edifícios, que parecem cobertos de um véu de várias cores, dando ares dum docel lançado por cima de suas grimpas. Neste país a natureza está sempre em festival. Nunca lhe pedi uma distracção, uma consolação, que me não respondesse concedendo-mas com profusão. Não há sofrimento de alma, não há dor de corpo, que me não tenham sido mitigadas com a visita deste paraíso. Durante minha residência em Portugal, vi chegarem àquele país doentes condenados a morrer, e todavia prendiam-se à vida! Muitos desmentiram a sentença, e aqueles que a padeceram, não sofriam pelo menos o aguilhão ardente da morte. Sem dúvida, neste país morre-se, chora-se sofre-se como em todas as outras partes; a dor é uma lei de nossa natureza, a que não podemos fugir: mas, assim como o apoio adormenta os padecimentos do corpo, a vista deste país lhe mitiga os sofrimentos.

Na margem do Tejo fica a bela Praça do Comércio [Terreiro do Paço]. Nada temos em Paris, mesmo actualmente, tão belo como os cais, que terminam este lado da praia.

Muito tenho viajado; percorri o norte e o meio-dia da Europa, e nunca se patenteou a meus olhos uma cidade tão extraordinária, e aos mesmo tempo tão notável e tão formosa, como Lisboa. Nunca um céu mais belo espergiu sua luz sobre uma cidade rodeada de uma natureza, que a cinge com suas maravilhas: mas ao mesmo tempo em lugar nenhum eu vi tantos dons de Deus tão mal conhecidos e inutilizados.

É nos arredores de Lisboa que se torna necessário aprender a conhecer este país, que se pode descrever, mas nunca pintar. Estas circunvizinhanças  parecem ser formadas para fazerem uma decoração à maneira de vestíbulo, e de entrada a este vale de Cintra, cantado pelo amor com sua voz de cisne em Camões, e celebrado por Lord Byron em Child Harold, e admirado por quantos o percorreram, a ponto de não o quererem deixar.

[...]

O nome de Inês de Castro quase que é mágico para evocar tudo quanto se refere à sua pátria, a essas margens encantadoras do Mondego, a esses maravilhosos arrabaldes de Coimbra, cuja a beleza pode rivalizar com tudo, quanto a Espanha pode por sua vez oferecer ao estrangeiro, que percorre aquele país. Posso mesmo acrescentar que a universidade de Coimbra levava muita vantagem a todas as outras de Espanha. Ai! (...)"

(continuação, II parte)

13/12/13

BEATA MADRE MARIA DO DIVINO CORAÇÃO

Madre Maria do Divino Coração
 A Condessa alemã Maria Anna Johanna Theresia Antonia Huberta Dröste zu Vischering nasceu a 8 de Setembro de 1863 junta com seu irmão gémeo (na Festividade da natividade de Nossa Senhora). Era filha do Conde Clemente Heidenreich Franz Dröste zu Vischering e da Condesa Helana von Galen, pertencia a uma das mais ilustre famílias que se distinguiu pela fidelidade ao Catolicismo frente à perseguição de Kulturkampf.

Palácio Erbdrostenhof (Münster), onde nasceu
Maria
A infância de Maria foi passada no castelo de Darfeld (Münster), e desde muito cedo sentiu-se atraída pela devoção ao Sagrado Coração de Jesus junto com a devoção ao Santíssimo Sacramento. Mais tarde dizia "Nunca posso separar a devoção ao Coração de jesus da devoção ao Santíssimo Sacramento e nunca serei capaz de explicar como e quando o Sagrado Coração de Jesus se dignou favorecer-me no Santíssimo Sacramento da Eucaristia".

Castelo de Darfeld
"Nesse dia esperei em vão a graça da vocação religiosa, mas em vão", dizia a respeito do dia sua Primeira Comunhão (25 de Abril de 1875). Mas esta graça foi recebida pouco depois, a 8 de Julho do mesmo ano, depois da receber a Confirmação.

Durante um sermão, em 1878, ao ouvir "Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma." pensou "Tenho que ser religiosa", e comentou mais tarde "Teria preferido que os meus ouvidos não o tivesse escutado, mas é impossível resistir à voz de Deus". Um ano depois tinha chegado a uma conclusão "que sem espírito de sacrifício o amor ao Coração de Jesus é apenas uma ilusão."
Estando na capela do seu Castelo de Darfeld, no ano de 1883, ouviu no seu interior uma voz de Nosso Senhor que lhe diz "Tu serás a esposa do Meu Coração". Em 1888, ouviu novamente Nosso Senhor interiormente a dizer-lhe "Tens que entrar no Convento do Bom Pastor", ao que acedeu em seguida entrando para este convento em Münster.

No mesmo dia e na mesma hora, Maria e Sta. Teresa de Lisieux, uma na Alemanha e outra na França, recebiam o hábito. Maria passa a ser Irmã Maria do Divino Coração, tinha 28 anos.

Depois de 5 anos foi enviada em missão especial a Portugal como assistente da Madre Superiora do Convento, em Lisboa. Depois de 4 meses foi enviada para o Convento do Porto como Madre Superiora. Aí começou por destacar-se como restauradora da disciplina religiosa, e pela muita exigência na vida de santificação.

Dizia: "Quando se pede ao Seu Divino Coração por uma alma, Ele nunca recusará, embora às vezes peça muita oração, sacrifício e sofrimento".

Nosso Senhor apareceu então à Madre Maria do Divino Coração, várias vezes, dizendo-lhe que queria que o Papa consagrasse o mundo ao Seu Sagrado Coração. Nesta sequência, tomando conhecimento do divino pedido a Junho de 1898 e Janeiro de 1899, o Papa Leão XIII recebeu os Condes Dröste zu Vischering, pais da Madre Maria, e disse-lhes "Dizei à vossa filha que a consagração do mundo ao Sagrado Coração que me pediu será feita em todas as catedrais e igrejas do mundo; e dizei-lhe que isto é consequência do que ela me informou e que eu espero daqui as maiores graças para o mundo inteiro."

No mês de Maio desse ano, o Papa promulgou a encíclica Annum Sacrum, onde consta a dita consagração. A 11 de Junho desse ano, depois de um Tríduo solene a nível mundial, o Papa fez a consagração na forma pedida, e afirmou "Este é o maior acto do meu pontificado!"

Nos últimos três anos de vida, por enfermidade, sofreu bastante e foi afectada de paralisia progressiva.

A Madre Maria do Divino Coração faleceu horas depois de ter recebido duas cópias da encíclica, e nas Vésperas da Festividade do Sagrado Coração. Por desejo não foi levada a Alemanha e ficou sepultada em Portugal (Igreja do Convento do Bom Pastor - Ermesinde, Porto). Depois de 45 anos verificou-se que o corpo da Madre Maria estava incorrupto. Venerável em 1964, Beata em 1975.

Cristo Rei (Almada, Lisboa)
Da Madre Maria do Divino Coração há relíquias expostas fora do local da sua sepultura, na Capela dos Confidentes de Jesus no Santuário Nacional de Cristo Rei (Almada, Lisboa - Portugal).

12/12/13

DIA DE NOSSA SENHORA DE GADALUPE

Imagem milagrosa de N. Senhora de Guadalupe (México)
Honra-se neste dia especialmente a Nossa Senhora, sob o título de "Virgem de Guadalupe".

Como quase sempre os meus artigos são complementos ao que por aí anda, e assim quero realçar alguns aspectos esquecidos por abafados que andam.

Por mais emoção que isso cause nos "espanholátricos", seria desejável que deles, aqueles que dizem que João Paulo II não é Papa, ou que nada ou pouco vale a documentação dele apresentada como Magistério Pontifício, não digam que Nossa Senhora de Gauadalupe é "Imperatriz da América" (titulo dado por João Paulo II no ano 2000)! Menos recente é o título de "Padroeira da América latina" que deve significar entre várias coisas: a parte das Américas que falam português e castelhano. Este título coloca em reflexão o valor e alcance dos dos santuários nacionais e padroeiras nos vários países americanos em questão. É certo que Nossa Senhora de Lujan (padroeira da Argentina) é, nada mais nada menos, que Nossa Senhora Aparecida (padroeira do Brasil), levada por um comerciante português. Contudo já não podemos dizer que Nossa Senhora Aparecida seja uma importação (ou quase) de Guadalupe. Há nisto diferenças significativas que, por vontade de Deus, foram marcadas e dadas ao mundo, e que não competem ao homem adulterar-lhes o significado.

Mas como fica então o caso do Brasil relativamente ao México!? Houve algum sinal de "importação" da padroeira do México relativamente à Padroeira do Brasil?

Sem dúvida que o primeiro fenómeno mariano nas Américas, foi o de Nossa Senhora de Guadalupe. Se a devoção de Nossa Senhora de Gadalupe tivesse sido influente na cristianização do Brasil, porque mandaria Deus, depois, tudo o que foi e é Nossa Senhora da Aparecida até fazer desta a sua padroeira!? A reposta é óbvia: o fenómeno de cristianização do Brasil pouco ou nada tem a ver com o que aconteceu no México, e a única relação entre os dois fenómenos de cristianização talvez tenha sido encontrado e sublinhado apenas no séc. XX, quando o Papa Pio XII, em 1945, atribuiu por primeira vez o título de "Padroeira das Américas" a Nossa Senhora de Guadalupe. Para lá de ser mariano, evidentemente, não há qualquer encadeamento entre a Padroeira do México com a Padroeira do Brasil.

Quando o Papa Pio XII deu tal título, estávamos no auge da força franquista e no início do retorcer doutrinal em Espanha, levado a cabo pelos próprios responsáveis eclesiásticos, o que se veio a notar mais tarde no decorrer do próprio Concílio Vaticano II. Neste tempo, era natural haver na Europa regimes fortes que tentavam resistir e elevar-se aos ataques declarados dos inimigos das nações, o patriotismo foi fomentado como uma das medidas óbvias entre as várias nações. Nem tudo o que se produziu neste tempo foi necessariamente santo, porque o inimigo não era apenas objectivo, frontal, externo, evidente, e nestes casos quase nunca a história regista a acção daquele inimigo mais interno de todos que corrompe interiormente os homens. Onde o diabo vê nascer uma resistência trata logo, com antecipação, de recrutar para ela elementos que sabe como trazer dominados. Quero eu dizer com isto que o fenómeno a que eu chamo "espanholatria" é um dos frutos da deturpação de válidas resistências na Espanha, e que a própria hierarquia espanhola também tratou de transformar a sua fé mais em "amor pátrio" do que em "amor à verdade". A "hispanidad", que em princípios se apresenta louvável e desejável, na prática, como podemos hoje confirmar, transporta erros lamentáveis que resistem a qualquer tentativa de emenda ou de diálogo franco com a verdade. A influência de toda esta força, segundo parece, terá elevado desta forma a "raça espanhola" a um lugar tão ambicioso que não estranha haver dela as influências num período em que Pio XII já começava a estar rodeado de inimigos não sabendo eles quem eram (história conhecida por muitos...). Evidentemente que há fundamentos para o título atribuído pelo Papa, fundamentos que são mais que motivações hegemónicas daqueles que sobre ele exerceram diplomacias.

Real Mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe
(Espanha)
Considero então que o título de "Padroeira da América Latina" veio por diplomacia espanhola a título de hegemonia, ao mesmo tempo que se tentava em vão elevar Isabel de Castela às dignidades mais gloriosas, e considero que este título é um pouco forçado, embora permitido por Deus, é um título recente. Mas o mais interessante é que João Paulo II não contradisse este título e, antes pelo contrário, o eleva muito mais a "Imperatriz da América"... Não adiantaria dizer que isto se deveu a estratégia de propagação da Opus Dei que se monta igualmente no "cavalo" da "hispanidad" quanto baste. Adianta dar o fundamento sobre o qual se assentaram os títulos: foi esta a primeira aparição de Nossa Senhora nas Américas. Contudo, como já devem saber os leitores, segundo as determinações universais, temos na verdade mais de uma América (sim Américas), ou seja, temos na verdade não um continente, mas pelo menos dois continentes, e Nossa Senhora de Guadalupe apareceu no do norte. Por outro lado a descoberta da América, como hoje se pode já comprovar, é uma fraude (visto que as Antilhas e outras partes estavam já cartografadas antes da "descoberta da América"), à que se lhe soma a questão da descoberta não ter sido feita segundo algum critério linguístico (portanto, cai por terra o argumento da "América Latina" relativamente à "descoberta da "América".) ... Parece-me óbvio estarmos perante um caso tolerável, mas longe de justo e definitivo.

Dizem-me os mexicanos que o nome original não seria "Guadalupe", mas algo parecido. E esta anotação que me fazem tem até algum paralelo com algo típico: seria uma palavra indígena, foneticamente semelhante a "Guadalupe", mas que os espanhóis (que acreditam sempre que se coisa boa então é deles) interpretaram como lhes era mais familiar: "Guadalupe".

Como este é um artigo mais de anotações, quero aproveitar para mostrar-vos um texto de Isabel Dumond Braga:

"O santuário de Guadalupe, situado na Estremadura do Reino de Castela, atraiu desde a Idade Média muitos peregrinos portugueses, além de ter conseguido captar a simpatia e a protecção régias, que se traduziam na concessão de privilégios e de dádivas, para além de visitas pessoais de alguns monarcas lusitanos. Tal aproximação aos mosteiros remonta a D. Fernando.
As populações da raia, e particularmente do Alentejo, devido à proximidade geográfica do santuário, deslocava-se aí com alguma frequência, evitando, em muitos casos, uma deslocação maior como por exemplo a Compostela. Tal facto levou, na época medieval, a uma certa rivalidade entre os dois cultos.
No séc. XVI, a situação não se alterou. Os registos de peregrinos, depositados no mosteiro, permitem-nos afirmar que a zona do Tejo em muito contribuiu para a difusão do culto de Santa Maria de Guadalupe em Portugal. Com um itinerário documentado, seguindo por Évora, Estremoz, Elvas, Badajoz, Talavera (antes Talaverula), Mérida e Guadalupe, os peregrinos afluíam sobretudo para cumprirem dados votos.
Tal como aconteceu para outras épocas e para outros santuários, o principal motivo que levava as populações alentejanas a deslocarem-se em peregrinação a Guadalupe foi a falta de saúde. (...) problemas diversos tais como reumatismo, as febres de origem diversa, a peste e outros males (...)."


Em continuação, esta autora vai mostrando como a devoção a Nossa Senhora de Guadalupe no seu santuário original está ligado profundamente aos motivos de recuperação da saúde física, e mais tarde aos perigos, nomeadamente relacionados com os resgates e viagens. Registam-se ao longos dos séculos muito milagres concedidos por Nossa Senhora de Gadapule (no santuário original). Não admira que Cristovão Colon, que morou no Alentejo tivesse ele mesmo devoção a Nossa Senhora de Guadalupe.

Torno à queixa mexicana que diz que não teria sido "Guadalupe" o nome que Nossa Senhora deu a conhecer a João Diogo. Mas, porque a tradição o reforça, vamos tomar o nome como certo, e vamos pegar nas outras duas padroeiras nacionais das quais já falei. Apenas uma delas é "superior" às outras pela originalidade, ou seja, Guadalupe original não é no México mas sim na Espanha, e Nossa Senhora de Lujan é a Aparecida do Brasil, pelo que se conclui que a Aparecida é a única original do sítio entre todas estas.

Enfim... no meio de tanta questão e interesse, louvemos Nossa Senhora.

06/09/13

INTERRESANTE SITE DE MÚSICA PORTUGUESA

Apresento-vos um site novo do Movimento Patrimonial Pela Música Portuguesa. Ainda não tive a oportunidade de observar com cuidado, mas desde já reconheço que é de utilidade.


IMAGENS AQUI NA CIDADE - COVILHÃ (Portugal)

PORTUGAL PARA BRASILEIROS (Turismo)

,, (novamente o apelo: há que dar desconto ao vídeo. Hoje é quase impossível encontrar um vídeo destes que não merecesse eliminar cenas e ideias)...

PORTUGAL (vídeo promocional)


Estive para não colocar este vídeo... Peço aos leitores que lhe dêem o desconto devido.

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