Mostrar mensagens com a etiqueta Mentira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mentira. Mostrar todas as mensagens

18/09/13

LIÇÃO XIII - DA VERDADE (V)

(continuação da IV parte)

Sem esta virtude da verdade não pode haver honra nem estimação, porque, conforme ao que diz Pio II, o mentir é de pessoas baixas; e assim assentamos que por nenhum caso pode mentir cristão algum, ainda que da mentira pudessem resultar grandes bens; pois nunca se hão-de obrar males parar consegui-los, como escreve S. Paulo (ad Roman. cap. 3 num. 8), mas principalmente carrega mais esta obrigação sobre os Ministros, nos quais quer Deus a verdade no íntimo de seus peitos, e que ainda no exterior resplandeça no seu Pontífice Sumo, por símbolo e representação de quanto se agrada dela; e assim consta do cap. 28 do Exodo, n. 30 e do cap. 8 do Levítico num. 8 que trazia sobre o peito uma figura, cujo título era Verdade. E o domínio para enganar aos simples com esta imitação, conta S. Francisco Xavier (lib. 3 Epistol. 5) que no Japão o seu Pontífice se chama Mioxit, que significa coração de verdade. Conta Eliano (lib. 14 de varia Historia cap. 34) que os Egípcios observam que os juízes fossem os mais justos e sinceros de todos, e que para símbolo de sua pureza trouxessem ao pescoço uma imagem da verdade; e o mesmo escreve Diodoro (lib. 2 cap. I dos Reys do Egypto). Os ministros foram criados para separarem a verdade da mentira, e o justo do injusto, e mal podem os que não forem verdadeiros e amigos da verdade fazer esta separação com acerto, nem se pode esperar que sejam verdadeiros para os outros os que são memoriosos para si.

(continuação, VI parte)

16/09/13

LIÇÃO XIII - DA VERDADE (IV)

(continuação da III parte)

 Todos os elogios e triunfos da verdade são afrontas e vencimentos da mentira, que é uma falsa significação da voz com intenção de enganar, e de quem S. João, no cap. 5 n 4, dá por pai o diabo; e Santo Agostinho (tractatu 42 in Joan.) diz que como Deus gerou o Filho, que é a Verdade, o demónio tendo caído gerou como filha a mentira; e David (Psalm 5 n 7) testemunha que Deus perderá todos os mentirosos, e que perecerá o que falar mentira. Nos Provérbios (cap. 9 num. 90) de três coisas ameaça Deus, que nos mesmos Provérbios (cap. 6 num. 16 e 19) afirma que O aborrecem; uma é a mentira, e outra o testemunho falso, que é o mesmo; e é no cap. 22 num. 22 dos Provérbios diz que são abominações para Deus os beiços mentirosos; e Job (cap. 72 num. 4) se recata tanto da mentira que diz que a não permitirá à sua língua, nem mesmo pensar nela. Na Sardenha, diz Solino (cap. 10) há uma fonte donde metiam ao que jurava, e se havia jurado mentira saía dela cego, e se dizia verdade ficava livre. Em Lienna havia outra, que era gostosa e agradável aos que dela bebiam se falavam verdade, e o contrário aos que a não diziam. Platão (Dialog. 12 de legib.) pôs uma lei contra os mentirosos, que se agora observasse nem se mentira tanto, nem tantas vezes enganavam os homens uns aos outros; diz pois, que quando algum oficial de nossa República tomar qualquer obra com obrigação de acabá-la dentro de certo tempo limitado, se o tal não cumprir a verdade, primeiramente Deus o castigará, e sem isso desde agora o condenamos a que pague o valor em que se havia concertado pela dita obra, e que a acabe logo, sem que por isso se lhe satisfaça coisa alguma. Maior [lei era] a que usavam os mafilenses, entre os quais havia lei, o que se havendo libertado algum amo a seu escravo, depois disto o tal mentisse a seu amo, o mandavam tornar à escravidão. Mais adiante passavam os Lício, dos quais escreve Heráclides (lib. I de Politiis) que em colhendo em mentira a qualquer pessoa, sem terem respeito a qualidades, primeiramente a vendiam em pública almoeda, e ainda que ele, e toda a sua geração fosse livre, ficava por cativo; para que lhe não ficasse esperança de resgate, lhe confiscavam toda a sua fazenda, deixando-o não menos pobre de fazenda, que de liberdade. Os Índios aos que mentiam lhe punham silêncio perpétuo. ElRey Ataxerxes mandou furar a língua com três cravos a um soldado que mentiu. Do nosso Rei D. Diniz conta-se que lhe ouviam dizer que nenhuma coisa mais o ofendia que uma mentira; e com razão devem ser castigados os mentirosos, pois, como diz Aristóteles, não pode haver coisa mais prejudicial nas Repúblicas que homens mentirosos, que não merecem crédito, ainda quando falam verdade; razão que bastava para que todo o homem fugisse deste vício.

(continuação, V parte)

TEXTOS ANTERIORES