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16/12/16

DESAFIO DIDÁCTICO: "DÍVIDAS" no PAI-NOSSO

Para quem estiver a acompanhar o debate em torno da tradução do Pai-Nosso pode convir-lhe esta interessante forma de resumo.
 
Devemos rezar no Pai-nosso "ofensas", ou "dívidas", visto que a versão original em português é "dívidas" (tal como o é em outras línguas), que a fórmula universal na Igreja também é "debita", e que "ofensas" e "dívidas" não se significam? Eis a questão.

Construímos um jogo para alguns participantes. Nem todos se encontram em condições de tal. Verifique se pode jogar:
a) Sabe rezar o Pai-nosso em latim, e costuma rezar diariamente? Se sim pode jogar.
b) Não sabe ainda rezar o Pai-nosso em latim, mas costuma rezar diariamente? Se sim, pode jogar e recomendamos que aprenda a oração em latim.
c) Ainda não sabe rezar o Pai-nosso em latim nem em vernáculo? Embora este jogo não seja para si, ainda , aprenda a rezar e será bem vindo ao jogo.
d) Sabe rezar em vernáculo e em latim mas não costuma rezar!? Tome vergonha, não meta o dedo em assuntos dos quais está inimigado... saia deste bloge, e volte convertido ou arrependido!
 
Muito bem... relativamente à tradução de "dívidas" por "ofensas"  no Pai-nosso:
 
1 - Este problema existe, objectivamente, independentemente daquilo que cada qual considere ou ignore? "SIM" (vá para o ponto 3); "NÃO" (vá para o ponto 2)
 
2 - Está com um problema: subjectivismo... agudo; fique-se por aqui, não toque no assunto.
 
3 - A formulação universal do Pai-nosso (latim/grego) não prevalece sobre as versões oficiais em vernáculo?  "SIM, não prevalece" (vá para 4, que nós não contamos a ninguém); "NÃO, pois aquela é a regra da qual dependem as versões vernáculas" (vá para 5)
 
4 - Vc. está preste a alinhar na eclesiologia pós C.V.II, a julgar que o poder vem do povo ou delegado pelo povo etc. . Esteja quieto! Procure rapidamente todas as ocasiões legítimas de praticar a virtude da obediência... e demore-se nisso por meses. Depois volte ao ponto 3.
 
5 - Somos católicos romanos, para nós o latim não é língua estrangeira e é-nos comum? "SIM" (vá para 7); "NÃO" (vá para 6)
 
6 - volte a 5

7 - As versões vernáculas do Pai-nosso podem ser menos perfeitas umas que outras, conforme as qualidades das várias línguas e  factores de decisão na elaboração da versão oficial vernácula? "SIM, tanto que as versões oficiais vernáculas diferem em algumas palavras entre si (vá para 9); "NÃO" (vá para 8)
 
8 - Repare... já tinha aceite o ponto 3! A versão que nos obriga e da qual dependem todas as traduções é aquela que a Igreja apresenta universalmente (latim/grego). Já as versões vernáculas não podem independentizar-se daquela que elas mesmas traduzem (a qual garante o sentido).  Respire fundo, medite neste assunto, e reconsidere a resposta ao ponto 7. 
 
9 - Em português "dívidas" e "ofensas" são sinónimos? "NÃO" (vá para 10); "SIM" (vá para a escola básica)
 
10 - A Santa Igreja tem doutrina sobre a "dívida"? "NÃO" (vá para 11); "SIM" (vá para 12)
 
11 - Este assunto está além dos seus conhecimentos.
 
12 - Se a fórmula oficial do Pai-nosso (universal) diz "debita", quando em vernáculo eu rezo "ofensas" entendo por isto o que pretende assegurar a fórmula universal em latim? "NÃO, pelo contrário, eu interpreto "debita" por referência a "ofensas" (vá urgentemente para 16); "SIM, graças a Deus" (vá para 13)

13 - Acha que no Pai-nosso vernáculo a palavra "ofensas" acabou por distanciar-nos da doutrina da "dívida"? "SIM; hoje há uma ignorância generalizada a esse respeito, pelo que não teria sido perca de tempo o Episcopado ter dado ouvidos a bons católicos como Alfredo Pimenta; havendo hoje que colmatar a carência doutrinal a respeito da "dívida" (vá tranquilamente para 14); "NÃO" (vá para 15)

14 - Parabéns! Sabe que podemos rezar a versão oficial vernácula (em qualquer uma das línguas), desde que por isso não fique diminuído nem ameaçado o sentido doutrinal de "debita"; prefere a versão tradicional do português ("dívidas") à versão mais recente; sempre que possível reconhece e prefere a nossa língua comum, que é o latim. Então ilustre e motive os outros a estas melhorias, alente os católicos a preferirem sempre o melhor.

15 - Venha... contacte-nos, e mostrar-lhe-emos os factos!

16 - Eis o efeito da versão vernácula em português. É hora de compensar: usar a versão vernácula tradicional ("dívidas"), ou melhor ainda: usar a fórmula universal (em latim).

14/12/16

DOUTRINA DA DÍVIDA - FALEM SANTOS E DOUTORES DA IGREJA

S. Tomás de Aquino
Para evitar que o diabo faça mais estragos, lembramos que:

- Na teologia, no Pensamento Católico representado por S. Tomás de Aquino, existe a DÍVIDA como coisa tratada e definida;
- A língua da Santa Igreja Católica Romana é o LATIM. A fórmula da oração da Igreja está em LATIM, e não em vernáculo (o vernáculo é falível, e não é o critério de referência); a interpretação da fórmula será sempre aquela que foi dada pela milenar Tradição.
Peguemos nas palavras de S. Leonardo de Porto-Maurício que ao ensinar a Doutrina da Dívida repete a S. Tomás de Aquino:

"São Tomás de Aquino, o Doutor angélico, ensina-nos quais são as dívidas que temos com DEUS [impossível traduzir "quais são as ofensas que temos para com Deus"]. Ele diz que há especialmente quatro [Dívidas]. Todas as quatro ilimitadas [pois são para com Deus].
 
S. Leonardo Porto-Maurício

- A primeira é a dívida de adorar, louvar e honrar este DEUS de majestade infinita e digno de infinitos louvores e homenagens;
- A segunda é a dívida de dar-Lhe satisfação pelos pecados que cometemos;
- A terceira é a dívida de render-Lhe graças pelos benefícios recebidos;
- A quarta é a dívida implora-Lhe, como fonte de todas as graças.
 
Ora, como é possível que pobres criaturas como nós, que nada possuímos, nem mesmo o ar que respiramos, possam jamais satisfazer obrigações tão grandes? Consolemo-nos, pois aqui está um meio facílimo. Façamos o possível para participar de muitas Missas com a máxima devoção; mandemos celebrá-la também o mais que pudermos: e, se bem que nossas dívidas sejam enormes e inumeráveis, não há dúvida de que, com o tesouro contido na Santa Missa, poderemos solvê-las inteiramente. E para melhor compreendermos estas dívidas, explicá-las-ei uma depois da outra, e grande será vossa consolação ao ver a grande utilidade e inesgotável riqueza que podeis haurir de mina abundante, para pagar todas. [...]"

Por muito especial prudência, não referimos o nome da obra, para que não venha o diabo colocar a unha com "interpretações" pestilentas que contagiem. Contudo, em privado pelo mail do blog (ascendensblog@gmail.com) poderemos fornecer os restantes dados a pessoas de confiança.

o Doutrina da Dívida não está toda exposta aqui, mas o conceito de "debita" no Pai-nosso não é outro que não o da doutrina da Dívida.

Esta é a tradição milenar, contra a qual não pode haver outra chamada católica.

Que dizer da oficial tradução do Missal de Paulo VI, que em alguns países foi deturpada para "por todos"? As traduções são falíveis e dependem CONSTANTEMENTE da fórmula em latim (não se tornam independentes) e do entendimento tradicional (aquilo que a Igreja ensinou sempre a respeito de "debita").

- Mas os Senhores Bispos tornaram oficial a versão vernácula, e as "ofensas"! Significa que podemos rezá-la assim, não é!?
- Quando rezamos em vernáculo podemos dizer "ofensas" (é uma questão de língua apenas) desde que com isso fique assegurada a integridade da fórmula original: o significado doutrinal de "DEBITA", tal como a Igreja sempre o entendeu e ensinou.
- E estamos proibidos de rezar "dívida"?
- Não.
- Mas já quase ninguém entender "debita" quando reza "ofensas"!
- Eis o triste efeito prático! Eis o motivo pelo qual se tem que preferir o que era de tradição em Portugal por tantos séculos, para benefício da Fé, e que  justamente é a mesma palavra que em latim, não outra!

Existem imperfeições nestas coisas? Sim... a língua vernácula não promete assegurar... por isso, diariamente, durante anos (e até conjuntamente), nós (o responsável do blog Ascendens com os seus colaboradores, e outros) rezamos o terço em latim! Se há que ajustar, que se ajuste pelo mais alto! Que fique isto como exemplo e sugestão a seguir!

(Como é que certo diabrete, que foge ao terço e à Missa, que nem "dívidas" nem "ofensas" quer, anda agora tão interessado!? Quem tiver cabeça.... pense!)

Pedro Oliveira
(Responsável do blog ASCENDENS)

12/06/16

"OFENSAS" ou "DÍVIDAS", NO PAI-NOSSO?

Porque o "debita" (dívida), na oração do Pai-nosso, é por alguns tido por "ofensas"? Nunca vi uma fundamentação teológica para o facto de, em Portugal, e noutros lugares, ter sido imposta a "tradução" de "ofensas"; quando antes tínhamos a de "dívidas"! Terá sido um agiornamento, ou seja, que se tivesse achado que a palavra "dívidas" poderia ser confundida pelas mentes cada vez mais oprimidas pelos tempos de materialismo e omni-banca.

Caros leitores, em tempos dissemos "dívidas", sim. E então, nunca se tinha ouvido o "ofensas". Tal como se dizia "Padre nosso", só depois "Pai nosso", justamente porque esta oração SEMPRE existiu em português, ao mesmo tempo que em actos litúrgicos continuava em latim. Isto, reparem, vem do tempo em que ainda a palavra PAI era dita PADRE... por via antiga do latim. Contudo, o caso que nos trás não é este, porque, enquanto que a palavra PAI e PADRE são a mesma, as palavras "dívidas" e "ofensas" não são a mesma, nem o sentido TEOLÓGICO de "debita" cabem na palavra "ofensas".

Quem deve é devedor, tem uma dívida; quem ofende é um ofensor, tem uma ....!? ... tem uma?! .. Tem uma dívida de reparação! A teologia da dívida existe, e existe com este mesmo nome. Como vemos, nem sequer etimologicamente na nossa língua uma palavra pode equivaler a outra!

Ora, pergunto-me se aqueles que rezam "ofensas" pensam teologicamente na dívida, ou ignoram tal matéria, e a deixam pela metade! Se a "debita" tem tradução de dívida, e já foi usada assim traduzida pelos nossos antepassados, porque motivo haveríamos de REDUZIR a uma OUTRA palavra que não comporta o mesmo conceito?! ...

Examinemos um diálogo possível com um defensor das "ofensas":

- Sim, é ofensa, porque já ninguém sabe o que é isso da dívida, e ainda acabam por pensar que se trata de dinheiros.
- E "ofensas"!? ... também hoje se entende "ofensas" de forma errada e meramente sentimental: a ofensa, que é um agravo ao SER de quem seja, hoje é interpretado como desagrado ao sentimento de quem seja. Logo, se fizermos como sugeres com "dívidas", nem a palavra "ofensas" já serve (porque leva a erros, e se leva...), e servirá talvez a palavra "desagrado"... E lá vai a oração de Nosso Senhor a reboque da degradante mutilação semântica (que ideologicamente vai sempre no sentido inverso ao que a Civilização tinha apurado e usado). Outros há que mudaram a liturgia com o mesmo argumento: para que se entenda pelas pessoas de hoje, o mesmo disseram para o catecismo. Ora, como sabes, no catolicismo, é o baixo que deve ser ajudado ao alto, e não o contrário (como faz o igualitarismo e o marxismo).
- Sim, é verdade, não me tinha lembrado que existe um sentido teológico próprio para a "dívidas", e vejo agora que, portanto, não cabe a "dívidas" na "ofensas". Com o sentimentalismo, e subjectivismo crescente na Igreja, muitos rezam já "ofensas"até com o sentido de "desagrados"... Falemos baixo para o Papa Francisco não nos ouvir... não vá ele "actualizar" "ofensas" por "desagrados".

Melhor, melhor, é rezar em latim, visto que já estamos em tempos muito evoluídos onde todos aprendemos línguas estrangeiras...

Deixo as questões teológicas, propriamente ditas, para outros que nelas têm mais obrigação... Aqui restringi-me ao suficiente.

12/02/12

O CATECISMO CATÓLICO - "Puro e Duro"... (II)

(2ª parte do artigo "El Catecismo Católico" - Roma, ano VII - Nº 32, Verão 1973/74 BUENOS AIRES)

A Realidade Concreta da Vida Interior

"Teoricamente, poder-se-iam ensinar as verdades necessárias para a salvação de outro modo; não seria a explicação do Credo, do Pai Nosso ou dos mandamentos, a única maneira. Mas não temos que lançar hipóteses e possibilidades meramente teóricas. Trata-se antes de saber o que é realmente necessário ás crianças na vida sobrenatural (vida da alma) de cada dia.

Com os novos catecismos, as crianças não sabem mais o Pai Nosso nem o Credo. Na melhor das possibilidades, repetem o Pai Nosso e o Credo que não lhe explicaram realmente. Não aprendem mais a fazer exame de consciência quotidiano, ou na melhor das hipóteses não o fazem tendo como referência os dez mandamentos.


Com o pretexto de afastar o que é "abstracto" e de ensinar um "comportamento religioso concreto", os novos catecismos perderam completamente de vista a realidade: ou seja, que a vida religiosa quotidiana está primeiramente fundada sobre a oração de cada dia e o exame de consciência.

A oração quotidiana, o exame de consciência de cada dia progridem à medida que a explicitação do Credo é feita, igualmente do Pai Nosso e dos mandamentos da lei de Deus: tal é a realidade concreta e vivente, tal é a pedagogia católica. Nenhuma outra pode substituir os Dez mandamentos, o Pai Nosso e o Credo. Deixar ás crianças o Credo, sem Pai Nosso, sem mandamentos - deixá-los sem explicação do catecismo - é condená-los a um abandono espiritual espantoso. Neste abandono, espiritualmente órfão, tornam-se verdadeiros selvagens.

Com os novos catecismos, no melhor dos casos, o Credo, o Pai Nosso e os Mandamentos sobrevivem como fórmulas recitadas de memória sem serem explicadas jamais.

O absurdo mais criminoso dos novos catecismos é a não consideração do seguinte facto capital: Credo, Pai Nosso e mandamentos são, por um lado, os textos que a criança reza quotidianamente, são pontos fixos da sua vida interior (são os textos mais oficiais da Santa Igreja, os mais fundamentais da vida cristã - por isto foram sempre explicados). Segundo a pedagogia tradicional da Igreja, é justamente a explicação que procura fornecer os conhecimentos necessários para a salvação.

Recordemos então que o Credo, ou Símbolo dos Apóstolos, é o resumo da doutrina cristã composta pelos primeiros Apóstolos. O Pater (Pai Nosso) e os Dez Mandamentos são a oração e a lei revelados por Deus.  É de tudo isto que os novos catecismos amputam."

(Continuação, aqui)

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