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04/01/15

MAIS VALE TARDE QUE NUNCA - PATRIARCA DE LISBOA A CARDEAL


Desde o séc. XVI,  por Bula de Ouro, os Papas elevam a Cardeal os Patriarcas de Lisboa (logo no primeiro consistório). D. Manuel Clemente é o primeiro Patriarca de Lisboa a quem não foi aplicado este antigo direito, e o Papa Francisco foi o único até hoje a infringir a dita bula. Depois de vários consistórios passados, o Papa Francisco, anunciou hoje (4 de Janeiro) 15 novos Cardeais, entre os quais consta o Patriarca de Lisboa.
O consistório será a 14 de Fevereiro de 2015.

Com a fama de humildade do Papa Francisco, muitos não esperariam a ausência de explicações para tal irregularidade! Assim, pela primeira vez, não fica evidente que a nomeação de D. Manuel Clemente tenha algo a ver com as garantias dadas pela Bula de Ouro.

Mesmo que o Papa não venha a justificar esta sua irregularidade, o blog ASCENDENS vai desde já cessar a campanha em favor da Bula de Ouro e da sua devida aplicação.

O argumento de que D. Manuel Clemente fôra nomeado Patriarca antes da morte do seu antecessor (Cardeal eleitor) não tinha sido publicamente apresentada pela Santa Sé, nem pelo Patriarca de Lisboa. É moda "pós-conciliar" tratar estas dignidades como profissões das quais se poderia pedir aposentação (nisto nem se quer seguir o tão aclamado João Paulo II)! Veja-se a confusão resultante da abdicação do Papa Bento XVI...  (que a moda não pegue).

19/10/14

DECLARAÇÃO ASCENDENS - PORTUGAL, PAPA FRANCISCO, e PATRIARCA DE LISBOA


Por muito menos, nos seus bons tempos, Portugal suspendeu relações com a Santa Sé. Mas qual seria hoje a entidade operando à altura para tentar promover a reparação de uma injustiça pública do Papa a Portugal?! Da República não poderíamos esperar que seja católica, e o Patriarcado de Lisboa anda escondido destas questões, pois preferirá somente expressar-se a um nível mais modesto, e em assuntos de menos afronta!

Quem nos vale, então!? Quem zela para a reparação da ofensa pontifícia, e restituição!?

A Bula de Ouro, na qual os Papas se comprometem a elevar o nosso Patriarca de Lisboa a Cardeal, no primeiro consistório que haja, tem obrigatoriamente de ser também cumprida pelo Papa Francisco (este é o único até hoje a desrespeitar a dita Bula). Por este desrespeito espera-se pelo menos um pedido de desculpas, público, a Portugal e ao Senhor Patriarca de Lisboa.

O Papa tem o poder de desautorizar a dita Bula de Ouro se para isso emitir um documento equivalente onde tal fique estabelecido; mas não pode, sem mais, sem apoio documental prévio, desrespeitar o que está estipulado, e é de tradição, e que sempre muito dignamente foi seguido, honrado e respeitado pelos seus Antecessores.

Por outro lado, mesmo sendo assunto secundário, sabe-se quanto o Papa Francisco é abertamente apegado aos símbolos da sua nacionalidade argentina, e como tende a favorecer a Espanha; ao mesmo tempo que, perante o Presidente da Comissão Europeia, o português José Barroso, afirma sobre a língua portuguesa: "o português é um espanhol mal falado"!

O Senhor Patriarca de Lisboa, por mais que possa estar desagradado, ou não, até ao momento não manifestou publicamente que iria fazer fortes e justos apelos à Santa Sé para que o Papa Francisco corrija esta tal irregularidade! Se o silêncio continuasse por parte do Senhor Patriarca, o que Deus não queira, ficaria demonstrado o alargamento da ofensa a Portugal, então também pela pessoa do Senhor Patriarca de Lisboa.

Como falta o Rei, como se cala o Senhor Patriarca, como nenhuma voz se levanta, cabe a qualquer um de nós declarar:

Até que não haja reparação da ofensa do Santo Padre a Portugal pelo caso da indiferença para com os direitos atribuídos pela Bula de Ouro (concretamente a elevação do Patriarca de Lisboa a Cardeal), todos os portugueses, como e quanto puderem, façam corte* com a Santa Sé. Se o Senhor Patriarca de Lisboa publicamente nada fizer para tentar resolver a situação, seja o nosso justo protesto também provisoriamente alargado a ele.

(* - corte de relações, apenas, e pelo tempo que dure a ofensa).
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Mudança de planos em 2015: Novo Cardeal

Ainda sobre este assunto, ler o artigo Papa Francisco Ofende a Portugal.

01/03/14

APONTAMENTOS A RESPEITO DO PATRIARCADO E PATRIARCAL DE LISBOA

D. Tomás de Almeida,
I Cardeal Patriarca de Lisboa
Depois de uns dias de desaparecimento, volto de novo.

Como me acabam de pedir informação histórica sobre o Patriarcado de Lisboa, e do Patriarca, ao que respondi que não lembro nenhum livro que trate do assunto (embora haja), comecei a procurar alguma coisa aqui nos meus arquivos... Encontrei unas páginas curiosas que, embora não sejam bem o que procurava, achei merecerem dá-las a vós leitores.

"No I de março do referido ano [1710]erigiu por constituição do pontífice Clemente XI a sua Real Capela em insigne Colegiada, com o título de S. Tomé Apóstolo, e condecorada com grandes prerrogativas, instituindo-lhe 6 Dignidades, 18 Cónegos, 12 Beneficiados, além de outros ministros subordinados ao Capelão mor, como seu próprio Ordinário, e lhes estabeleceu para côngrua e sustentação 12:550$560 réis, de forma que ao Deão competia 400$000 réis, a cada uma das Dignidades 300$000 réis, a cada um dos 18 Cónegos 300$000 réis, a cada um dos doze Beneficiados 150$000 réis e a cada um dos Mansionários 80$000 réis; assim tomaram posse a 16 de Maio de 1710." (Fr. Cláudio da Conceição: Gabinete Histórico, vol. X. pag. 137)

"Construida a insigne Colegiada de S. Tomé, passou ElRei a condecorar os seus Ministros com um habito coral distinto do antigo, ordenando que os Cónegos pudessem trazer sobre o roquete capa magna roxa com capelo forrado de peles brancas de arminho em tempo de inverno, isto é - desde véspera de Todos os Santos até Sábado de Aleluia; e no verão usariam das mesmas capas forradas de seda encarnada: e os Beneficiados trariam também capa roxa com capelo forrado de peles cinzentas, no tempo do inverno, e no verão andariam com a mesma capa, e capelo forrado de seda roxa, acrescentando mais a cada Cónego 100$000 réis, e a cada um dos Beneficiados 50$000 réis."

"Toda esta abundância de graças e honras, com que o magnânimo Rei D. João V engrandeceu a sua Real Capela, ainda se não proporcionava com o dilatado do seu pio e régio coração, e assim obtendo da Santidade de Clemente XI a Bulla Aurea [bula de ouro], que começa: In supremo Apostolatus solio, expedida em 7 de novembro de 1716, fez exaltar a sua insigne Colegiada em Catedral Metropolitana e Patriarcal com a invocação de Nossa Senhora da Assumpção, dividindo para este efeito esta cidade e seu Arcebispado em duas partes [Lisboa Ocidental, e Lisboa Oriental], estabelecendo na parte ocidental um Patriarca, a quem uniu a dignidade de Capelão mor com distinta jurisdição da metropolitana, o qual como Patriarca ficou superior a todos os Arcebispos, e Bispos do Reino, e ainda ao de Braga [Arcebispo Primaz das Espanhas]. (... ao Patriarca de Lisboa cabia andar vestido assim:) em habito purpúreo à maneira de Arcebispo salisburgense, Primaz da Alemanha, e outros tantos privilégios e proeminências, unindo-lhe também as honras e tratamento de Cardeal, que lhe mandou dar por decreto de 17 de fevereiro de 1717. (...) o Papa Clemente XII não só o elevasse àquela dignidade [de Cardeal], como elevou por bula de 27 de dezembro de 1737, que começa Inter praecipuas Apostolici ministerii; mas pela mesma estabeleceu para sempre que a pessoa que fosse preconizada Patriarca de Lisboa, fosse logo criada Cardeal no consistório imediatamente seguinte. Para tal fim conseguiu do património Real e do rendimento das quintas das Minas-Geais para sustentação magnífica do Patriarca e seus sucessores, em perpétua doação, todos os anos 220 marcos de ouro, e o grande rendimento da Lezíria da Foz de Almonda, para que sem prejuízo dos pobres, pudesse luzir com esplendor em tão alta dignidade. E prosseguindo na aplicação da nova Catedral, criou nova Dignidade e Cónegos para formarem um respeitoso Cabido, enchendo-os de grandes autoridades e honras, além das que o papa Clemente XI lhes outorgou pela constituição Gregis Dominici, de 3 de janeiro de 1718. Continua a exercitar novas grandezas que já pareciam impossíveis à imaginação, e somente sondáveis e factíveis à dilatada esfera da sua ideia. Tornou a unir as duas cidades [Lisboa Ocidental, Lisboa Oriental] numa só, e por constituição do Papa Bento XIV passada em 13 de dezembro de 1740, e que principia Salvatoris nostri, fez abrogar e extinguir a antiga Sé de Lisboa Oriental, incorporando e estabelecendo uma só Igreja Patriarcal com omnimoda jurisdição metropolitana; e para que as suas dignidades se distinguissem mais especificamente, erigiu um excelentíssimo Colégio de 24 Principais com hábito cardinalício, e 72 Prelados ou Ministros de habito prelatício, divididos em várias hierarquias, a saber - prelados Presbíteros com insígnias episcopais, e exercício de pontifical, Protonotários, Subdiáconos e Acólitos, 20 Cónegos, 12 Beneficiados de 700$000 réis, 32 Beneficiados, 32 clérigos Beneficiados e outros mais ministros da Igreja Patriarcal." (Pe. João Baptista de Castro em Mapa de Portugal, vol. III. pag 183. Lisboa 1763)

"O Rei doou ao Patriarca, além das rendas eclesiásticas, outras muitas para a mantença de seu estado com lustre e grandeza. Quando ainda o Patriarca era Bispo do Porto, deu-lhe D. João V 24 criados de sala, que se apelidavam da sua guarda, com vestidos de pano roxo, guarnecidos pelas costuras e agaloados de ricos passamanes de veludo lavrado carmesim, os quais, quando o Patriarca saia do Estado, levavam umas capas compridas do mesmo pano, abandadas e agaloadas de veludo carmesim, cabeleiras grandes, e voltas: tinha mais 24 creiados das cavalariças, que também acompanhavam o Estado, mas sem capas, vestidos do mesmo pano roxo, guarnecido e agaloado, e todos com meias encarnadas: e mais 2 criados chamados da Cruz, que acompanhavam o Cruciferário, um a cada estibo da mula branca, um estribeiro e um viador. Tinha mais ao seu serviço 12 clérigos, que se apelidavam Capelães, e 12 gentis-homens seculares, os quais entravam de serviço às semanas, e vestiam de seda roxa, loba e sotaina de mangas caídas, e ainda havia mais 24 de ambas estas classes supra numerários, os quais só tinham obrigação de esperarem o Patriarca, ou na Patriarcal, ou assistir às funções patriarcais. E além deste pessoal ainda tinha um secretário do expediente, um esmoler, e muitas mais pessoas do seu serviço. Com estes familiares numerosos saia do estado no seu coche riquíssimo de veludo carmesim, agaloado de ouro por dentro, e tendo no tejadilho, na parte interna, o Espírito Santo, fabricado de ouro, à imitação do que usa o Papa. Os cocheiros eram também como os do Papa, vestidos com calções largos cobertos de ouro, vestias encarnadas todas tecidas de ouro, e por cima destas outras de mangas perdidas, com vários cachos de ouro pelos ombros, volta bordada, cabeleiras grandes, botas encarnadas, e as joelheiras cacheadas com umas rendas finíssimas; montados em selas encarnadas, e os arreios da mesma cor e tecidos de ouro. Seguia-se a liteira do Estado, também muito rica, e depois quatro coches conduzindo os seus familiares, puxados cada um deles por seis cavalos russos bem ajeazados, levados pela rédea por outros tantos criados. E num coche iam sempre nestas ocasiões quatro Desembargadores da Relação Patriarcal." (Ribeiro Guimarães, Summario)

"E para que não só as obras, mas as vozes chegassem ao céu com pura e suave harmonia, sem mistura de sinfonias profanas, mandou vir de várias províncias da Itália os melhores músicos com grosso estipêndios, de que formou um coro especial e grave dos mais selectos cantores. Fez também guarnecer a torre da igreja de muitos e harmoniosos sinos. Constava ela de dois andares de sineiras: o primeiro tinha duas em cada lado, em que havia 8 sinos; no segundo andar havia quatro sineiras; porém o sino grande tomava todo o vão do meio, de sorte que se via por todas as quatro partes, e se sustinha em madeiras, que não tocavam nas paredes da torre. O primeiro sino pesa 800 arrobas, e toca nas festas de I classe e nas exéquias das Pessoas Reais, Patriarcais, Cardeais e Principais: o segundo pesa 152 arrobas; toca nas de II classe e dobra aos Fidalgos titulares, Monsenhores e Cónegos; o terceiro tem 110 arrobas, e toca nas exéquias dos Beneficiados; o quarto, 87 arrobas e toca pelos Capelães; o quinto 77 arrobas e toca pelos Sacristas; o sexto, 35 arrobas; o sétimo, 29 arrobas; o oitavo, 25 arrobas; o nono, 22 arrobas; a garrida, 2 arrobas. Havia outra torre chamada do Relógio, separada da Igreja Patriarcal, cujos sinos tocavam nos seguintes dias: Dia de Reis, S. Vicente [padroeiro de Lisboa], Sábado e Domingo do Espírito Santo, Corpo de Deus, (só à procissão), Conceição e Natal. Era ténue para este monarca toda a profusão que se empregava no culto da Igreja, para cujo ornato mandou também fazer e conduzir de todas as partes do mundo os adornos, adereços e alfaias mais preciosas. Entre elas são dignos de especial memória os nove riquíssimos castiçais, e maravilhosa cruz de exequista e nova invenção, que mandou fabricar a Roma e a Florença, no ano de 1732, pelo desenho e artifício do famoso António Arrighi Romano, cuja primorosa e incomparável arquitetura excedeu a importância de 300 mil cruzados. Toda a máquina de prata excelentemente dourada, que formava a grande cruz se levantava na altura de 17 palmos desde a planta do pé, de figura quadrangular, que tinha três palmos e meios de diâmetro. Viam-se distribuídos com admirável simetria pelas bases e balaústres, assim da cruz como dos castiçais, muitos símbolos, hieroglíficos e génios, querubins e estátuas, umas de vulto, outras de meio relevo, com diferentes acções, que aludiam com propriedade aos mistérios de Cristo e de Maria SS., outros caracterizavam a magnificência da Santa Igreja Patriarcal, outros o Império da Majestade Portuguesa no Reino e suas conquistas; porém tudo guarnecido com muitos e polidos festões da mesma prata dourada, com muitas tarjas e quartelas de perfeitíssimo laizs lazuli, com muitos engraçados esmaltes e embutidos de epigrafes e diamantes preciosíssimos. (Pe. João Baptista de Castro em Mapa de Portugal)

28/09/13

PAPA e PATRIARCA DE LISBOA: CADEIRA GESTATÓRIA (III)

(Continuação da II parte)

Outra das honras do Patriarca de Lisboa é o uso de Sede Gestatória. Esta é uma das honras só reservada ao Patriarca de Lisboa, depois do Papa. Quanto ao uso, podemos dizer que está suspenso sem qualquer obrigação de tal: por motivo dos últimos Papas não se terem servido da sua, por uma questão de justa hierarquia também os últimos patriarcas de Lisboa não têm usado este símbolo tão marcado. Haveria que ter muita coragem e submissão humilde para vencer os preconceitos do mundo e retomar este uso.



Posteriormente adicionarei outras mais fotografias.

(continuação, "Missalete Patriarcal")

09/07/13

13/05/13

TEXTO DA CONSAGRAÇÃO A N. SENHORA DE FÁTIMA DO PONTIFICADO DE FRANCISCO


!Virgem Santíssima,

1. Estamos a Vossos pés, os Bispos de Portugal e esta multidão de peregrinos, no 96.° aniversário da Vossa Aparição aos Pastorinhos, nesta Cova da Iria, para dar cumprimento ao desejo do Papa Francisco, claramente expresso, de Vos consagrar a Vós, Virgem de Fátima, o seu Ministério de Bispo de Roma e de Pastor Universal. Assim Vos consagramos Senhora, Vós que sois Mãe da Igreja, o Ministério do novo Papa: enchei o seu coração da ternura de Deus, que Vós experimentastes como ninguém, para que ele possa abraçar todos os homens e mulheres deste tempo com o amor do Vosso Filho Jesus Cristo. A humanidade contemporânea precisa de sentir-se amada, por Deus e pela Igreja. Só sentindo-se amada vencerá a tentação da violência, do materialismo, do esquecimento de Deus, da perda do rumo que a conduzirá a um mundo novo, onde o amor reinará. Dai-lhe o dom do discernimento para saber identificar os caminhos da renovação da Igreja; dai-lhe coragem para não hesitar em seguir os caminhos sugeridos pelo Espírito Santo; amparai-o nas horas duras de sofrimento, a vencer, na caridade, as provações que a renovação da Igreja lhe trará. Estai sempre a seu lado, pronunciando com ele aquelas palavras que bem conheceis: "Eu sou a Serva do Senhor, cumpra-se em Mim a Tua Palavra".

Cardeal Patriarca de Lisboa e o então Cardeal Bergoglio
(momentos antes de prestarem juramento no conclave).
2. Os caminhos de renovação da Igreja levam-nos a redescobrir a atualidade da Mensagem que deixastes aos Pastorinhos: a exigência da conversão a Deus que tem sido tão ofendido, porque tão esquecido. A conversão e sempre um regresso ao amor de Deus. Deus perdoa porque nos ama. É por isso que o Seu amor se chama misericórdia. A Igreja, protegida pela Vossa solicitude maternal e guiada por este Pastor, tem de se afirmar, sempre mais, como Lugar da conversão e do perdão, porque nela a verdade exprime-se sempre na caridade.

Vós indicastes a oração como o caminho decisivo da conversão. Ensinai a Igreja, de que Sois membro e modelo, a ser, cada vez mais, um povo orante, em comunhão com o Santo Padre, o primeiro orante deste povo e também em comunhão silenciosa com o anterior Papa, Sua Santidade Bento XVI, que escolheu o caminho do orante silencioso, desafiando a Igreja para os caminhos da oração.

3. Na Vossa Mensagem aos Pastorinhos, aqui na Cova da Iria, pusestes em relevo o Ministério do Papa, "o Homem vestido de branco”. Três dos últimos Papas fizeram-se peregrinos do Vosso Santuário. Só Vós, Senhora, no Vosso amor maternal a toda a Igreja, podeis pôr no coração do Papa Francisco o desejo de ser peregrino deste Santuário. Não é algo que se lhe possa pedir por outras razões; só a cumplicidade silenciosa entre Vós e Ele o levara a sentir-se atraído por esta peregrinação na certeza de que será acompanhado por milhões de crentes, dispostos a ouvir de novo a Vossa Mensagem.

Aqui, neste Altar do mundo, ele poderá abençoar a humanidade, fazer sentir ao mundo de hoje que Deus ama todos os homens e mulheres do nosso tempo, que a Igreja os ama e que Vós, Mãe do Redentor, os conduzis com ternura aos caminhos da salvação."

Fátima, 13 de Maio de 2013
D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa.

13/03/13

FRANCISCO...FRANCISCO...

Entre as piadas tontas que se andam já a fazer ao novo Papa, uma delas é curiosa.

"PAPA CHICCO" (Chicco = marca de produto para bebé; Chico = abreviação portuguesa de Francisco; papa = no sentido de alimento).

O pior é que "chico", em espanhol, significa "pequeno", pelo que seria ainda menos apropriado dizer "Papa Chico".

Tendo em conta que não se deve dizer "Francisco I" enquanto não existir um "Francisco II", tal como não há um "Pedro I" nem um" D. José I" (D. José , Rei de Portugal), assim o novo Papa será apenas "Francisco", o que pode originar alguns embaraços. Comparemos:

"Bento XVI tem uma digna cruz peitoral"
"Francisco tem uma digna cruz peitoral"

Quando Bento XVI abdicou, alguém disse "eles querem garantir o 13/03/2013 para eleger outro Papa". Se Francisco se sentir pequeno para o cargo, e "por amor à Igreja" abdicar e passar a Papa Emérito, ainda há tempo de eleger outro novo papa para o 13 de Outubro de 2013 (que é também uma data bonita)...!

Mas, com toda a seriedade, há a possibilidade de esta data não ter sido manipulada. Pode ser este o "Bispo vestido de Branco", pois Francisco apareceu na varanda da Basílica de S. Pedro se chamando a si "Bispo de Roma" (e não "Papa"), suas vestes eram apenas brancas (sem vermelhos). Um dos três pastorinhos chama-se Francisco. No juramento feito antes do "extra omnes" o Cardeal Patriarca de Lisboa, em ordem, estava logo a seguir ao Card. Bergoglio! Enfim... São coincidências, inegavelmente, mas que não podem ser desprezadas.

Não me admiraria que, independentemente do novo Papa ser modernista, comece a haver problemas graves contra a Imagem Falsa da Igreja (aquilo que as pessoas hoje acham ser a Igreja católica) mas que isso comprometa a vida dos baptizados e da hierarquia. Haja depois uma DECISÃO de discernimento feito perante grandes apertos impostos, e se dê uma consequente divisão seguida de forte perseguição aberta. Etc...

Enfim... Rezemos pelo Papa, porque é Papa e porque rezar é sempre de grande proveito, principalmente agora que a desgraça parece ser maior e estar mais perto!

26/01/13

AUXILIAR DE ESTUDO - ENTENDER A NOSSA CIVILIZAÇÃO

Tenho escolhido alguns temas que podem passar por "acatólicos" ou "à margem". Na verdade, a minha preocupação com a civilização católica, sobretudo a que nos está na raiz, pertence-nos conhecer e amar, deve-se à convicção de que a proximidade com a nossa civilização (evidentemente católica) nos civiliza e, por consequência, nos dá suportes e entendimento à Fé. Pelas obras dos nossos antepassados (gente de fé e da civilização católica), a mesma Fé tomará mais corpo e exemplo.

Infelizmente, mesmo entre aqueles que se dizem tradicionalmente católicos, a falta de suporte civilizacional, tão própria dos nossos tempos, enfraquece-lhes a apreciação do passado. Desaproveita-se assim um manancial de exemplo e instrução, referências tão importantes para os dias de hoje. Há por isso quem tenha entendimento muito artificial, mirrado, e distorcido da nossa civilização, e acabe por ser passivo a qualquer exemplo mais romanceado. Eis como tanto acabam por desprezar o que Deus nos deu, e está tão perto (é nosso). Não significa, é certo, que aquilo que é dos outros não nos dê proveito também, mas sem conhecermos o nosso, haverá sempre algo em grande falta.

Muitos, nas circunstâncias que referi, buscam, por exemplo as glorias da cultura francesa (católica), acabando por sabem muito mais dela, e gloriá-la, do que a feitos superiores dos nossos antepassados! Cumpre-se então aquela triste mania, que se foi criando mais recentemente em Portugal e Brasil, que popularmente sintetizámos: "a galinha da vizinha, é melhor que a minha". Tal defeito é, na verdade, uma das vitória prolongadas do liberalismo, o qual mostra em quase todas as suas produções literárias que o BOM que temos seria mau, e que o mau das novidades liberais estrangeiras fosse verdadeiro "progresso".

As novas armas conservam a tiara patriarcal
Dou um exemplo crítico: Quem dos leitores sabe que no séc. XVIII tivemos o ÚNICO patriarcado fundado já depois dos tempos Apostólicos? Qual dos leitores sabe que "Patriarca de Lisboa" não era meramente um título, como o é "Patriarca de Veneza" ou "Patriarca de Toledo" (que não nunca tiveram Patriarcado)? Quantos dos leitores sabe que o Patriarcado de Lisboa era o territorialmente mais abrangente, e com mais população? Algum dos leitores sabe que o Patriarcado de Lisboa foi aquele que recebeu mais honras da Santa Igreja? Achará o leitor que isto não foi obra de Deus, e é fruto de um equívoco continuado por vários papas seguidos? Alguns têm a versão liberal: "D. João V teria comprado um título a Roma corrupta!!!" Versão espalhada pelo liberalismo, porque foram os liberais que, no séc. XIX, exigiram ao Papa a extinção da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa! Assim "triunfaram".

Sem conhecer isto que acabo de contar perdemos coisas, os motivos das coisas, e, não sabendo o que as coisas são, corremos o risco de as falsificar, subverter em desproveito católico. Se estes feitos são altamente dignos, perderíamos então um suporte maravilhoso, seguro, confirmado por Deus e pela Igreja. Ignorância, na maior parte dos casos não culpável, mas muito nociva em efeitos ... os efeitos estão à vista.

Ao homem rude não se lhe pede que saiba muito mais, porque não tem essa obrigação, mas também porque não faz afirmações contrárias nem se coloca em responsabilidades que o requeiram; a ignorância que tem é-lhe à medida do que tem de fazer e julgar. Contudo, hoje, visitamos lugares distantes, falamos de todo o tipo de assuntos, opinamos sobre qualquer coisa, e, por isso erramos tanto: é-nos exigido o conhecimento correspondente, e não o temos (abatidos somos por crer em fábulas). Mas que conhecimento? Apenas o conhecimento histórico? Não tanto, sim mais o entendimento dos princípios contidos na nossa civilização católica, cujo núcleo distintivo é a Fé a a prática da virtude.

Dou um exemplo muito simples, minucioso, pequenino, que hoje quase parecerá ridículo, mas que fará corar quem se apresentar como bom exemplo de tradicional católico: na inauguração da Real Basílica do Convento de Mafra, tudo estava preparado com o critério justo da mentalidade católica, que nesse tempo bem se expressava. As alvas tinham vários tamanhos de rendilhado, medido por dedos: a dos cantores era simples e de um dedo de altura (se a memória não me falha), o do maestro e o organista eram de 4 dedos, o dos acólitos e dos diáconos ao Arcebispo todos tinham altura conforme a função respectiva. Ora, eu dou este exemplo pequenino para realçar que o critério de ordem e justiça, tanto mais nas coisas sagradas, era exemplar... e era do altar que se inspirava a sociedade (o altar como centro do mundo). A hierarquia das coisas, como se vê pelo exemplo, aplicavam-se mais por motivo de que todas as acções católicas devem ser movidas de alto propósito, e não deixadas ao acaso, ou à tirania do capricho e do gosto desgovernado. Este pequeno exemplo revela o quão grandes eram os nossos antigos coisa que hoje só entenderá quem não estiver com disposição ou ordenação contrárias.

Cúpula da Real Basílica de Mafra (vista dos 6 órgãos)
Recomendo a leitura de livros antigos, mesmo os que não são directamente a respeito da Fé, pois acabam por exprimir o pensar dos que tinham a Fé e eram civilizacionalmente frutos dela. E dou outro exemplo para terminar: os nosso antigos colocariam uma sineta na porta secundária, e um sino um pouco maior na porta principal. A sineta da porta secundária, ou traseira, hoje também seria colocada no mesmo lugar, por economia (dinheiro), mas os nossos antigos colocavam-na ali principalmente porque uma porta secundária deve ter um sino (sineta) secundário (em tudo inferior ao sino da porta principal). O critério hoje é mais o do apetite, ou o dos cifrões.

Ao recomendar livros antigos (cuidado com os do séc. XIX até o séc. XX, onde é costume encontrarem-se certas orientações pouco confiáveis, mesmo que por vezes aprovadas - há estranhas edições que fazem "milagres" com a troca de uma simples palavra em livros altamente recomendados, e aprovados - e disto tenho exemplos a dar, tanto de um caso curioso na Argentina, e um outro em Portugal) recomendo principalmente os do séc. XVIII para trás (estão inquiridos). Onde encontrar? Há muitos livros em PDF que se encontram nos motores de busca (consultar o google Books, por exemplo). Mas, por favor, não se acostumem aos livros nestes formatos!!! Se possível, aqueles livros melhores devem ser impressos: é preferível que, num grupo de amigos, cada qual imprima um livro, e os troquem entre entre si, ou formem uma biblioteca comunitária com os melhores "achados" e os mais necessários. Nunca desistir de procurar livros verdadeiros, prefiram de longe os livros verdadeiros (já que dou essas recomendações, obrigo-me também a fazer este importante aviso). Ter em conta o que há nas bibliotecas públicas e privadas, sempre há importantes e antigas raridades (e os que tenham estas bibliotecas privadas bem podem preocupar-se em facultar cópias para que o conteúdo possa ser veiculado entre pessoas sem danificar fisicamente os originais. Há alguns problemas com as edições, nomeadamente para alguns temas, como é o caso da espiritualidade (sobretudo em edições do início do séc. XX e finais de XIX - lembrar que estamos apenas a falar em livros antigos, e não dos mais recentes). E assim acontece com um livro que procuro muito e não encontro uma versão antiga para que me fie: Jesus Cristo Vida da Alma (D. Columba Marmion) - neste caso a mudança de uma ou outra palavra fazem perder o sentido, e torna-se como comer uvas com grainhas gigantes.

Comecei num tema, e quase terminei noutro ou num sub-tema. Significa que há necessidade de abordar estes assuntos, em posteriores oportunidades. Sorte tem que puder juntar-se com amigos para criar uma biblioteca assim, e talvez reeditar os textos destes livros, aprender a bela arte da encadernação tradicional, etc..

Quem queira dedicar-se à "pesca" dos livros antigos online, é bom começar por fazer a listagem do adquirido. Por não ter eu quem me avisasse de tal, colectei, ao longo de anos, livros destes; tenho muitas horas "gastas" na criação duma listagem que me permita identificar os "livros" (PDF) por nome e número, etc.. Há "livros" que hoje estão disponíveis online, mas que deixarão de estar, e outros entram, o que requer método de vigilância sobre algumas bibliotecas online (para quem não se importe de chegar aos milhares de obras). Uso mais a modalidade digital da Biblioteca Nacional de Portugal. Enfim... este tema fica para outro dia.

Civilização católica sim, e principalmente a de cada um.

10/10/12

MAÇONARIA - colecção de artigos do DN

 Foi com boa surpresa que dei com uma coleção de artigos do DN (Diário de Notícias) sobre a maçonaria. Temo que, em tempo de crise económica, estes artigos acabem por aliciar alguns, em vez de repelir...

"Conheces alguém da maçonaria no desemprego?" (Oscar Mascarenhas) - não esquecer de virár a página do artigo.

"A maçonaria exposta" (anónimo) - não esquecer de virar a página do artigo.

""Não é compatível" ser católico e maçom"

"Políticos, gestores e juízes entre os 1438 maçons expostos" (Rui Pedro Antunes)

"Uma sociedade pouco secreta" (Alberto Gonçalves) - não esquecer de virar as páginas do artigo.

"O poder da maçonaria portuguesa" (Video)

"Grande Oriente Lusitano corta relações com GLLP" (Rui Pedro Antunes)

"Maçonaria e espiões na direcção do Observatório de Segurança hoje a votos"

"Símbolos maçónicos comprados com dinheiro público"

"Secretas estrangeriras desconfiam de espiões portugueses"

"Patriarca critica influência de maçons na política" (2011)

09/03/12

PROTECÇÃO À FRANCESA !!! (II)

(continuação)


"Marcha Inglaterra, e Espanha
Com muita descompostura,
Quando da França a impostura
Tem posto a França por terra,
Prégar a paz e fazer guerra
Aos que têm mando ou riqueza,
É protecção à Francesa.

Roubar os Templos Sagrados,
Roubar a Casa Real,
Entrar na Patriarcal
Em nove meses um dia!
Portugal, quem tal diria!
Mas este mal que te lesa
É protecção à Francesa.

Entrar nas casas dos grandes,
Destruir o que elas Têm,
Sem lhes custar um vintém,
Querendo afectar por logro
Vilão em casa do sogro:
Tão descarada esperteza
É protecção à francesa.

Dizerem que são Cristãos,
Sendo na Lei mascarados,
Roubar os vasos Sagrados,
Com sacrilégio tremendo,
Na Igreja bestas metendo;
Este insulto, esta baixeza
É protecção à francesa.

Por vingança ir aos Conventos
E com rancor, sem piedade
Matar o Clérigo e o Frade,
As freiras ir perseguir,
E nos seus fazer preza
É protecção à francesa.

Se os Mouros aqui tornassem,
Outro tanto não fariam:
Se os Franceses protegiam
Os mais Reinos desta sorte,
Já sabem que o saque, a morte,
A fome, o engano, a fereza,
É protecção à francesa.

Mandar pôr a gente em marcha,
Ouvir de um Sírio o tambor, ... (4)
Com denotado valor,
Lançar-lhe mão da bandeira,
Vir na gazeta primeira
Por façanha a grande empresa
É protecção à francesa.

De igual forma Dom Quixote
Ao longe os moinhos vendo,
Enrista a lança, e correndo
Esfrangalha, fura, impele,
Mas a quem protegeu ele?
Aos moinhos: tal fraqueza!
É protecção à francesa.

Perder a vida um Soldado,
Que em saques foi cão de fila,
E achar-se-lhe na mochila
Orelhas e mãos cortadas,
De brincos e anéis ornadas,
Este horror da natureza,
É protecção à francesa.

Fuzilar gente nas Caldas,
Sem dó, sem humanidade,
Sofrer igual impiedade
Évora, Beja, Leiria,
Minha pátria: oh tirania!
Este excesso de crueza
É protecção à francesa.

Querer sujeitar o Povo
Com tramóias disfarçadas,
Com compras atraiçoadas,
São acções de alta memória;
E quem ler a nossas História,
Verá, que tanta vileza
É protecção à francesa.

Deixar impunes os crimes,
Quando algum dos seus os faz,
E fuzilar um rapaz, .... (5)
Cuja culpa era a demência,
Faz girar a consciência:
Despotismo sem defesa
É protecção à francesa.

Consentir que a tropa brava
Queime olivais, vinhas corte,
Dando sentença de morte
Aos bois de carro e de nora,
Sem compaixão de quem chora,
E de quem fica em pobreza,
É protecção à francesa.

Podia-se bem compor
Um catálogo de petas
Dos Editais e gazetas
Destes nossos protectores;
Mas serem uns impostores
Com capa de singeleza,
É protecção à francesa.

Porém faça-se justiça;
Nem todas tão maus seriam;
Porque eu sei que alguns viviam
Prudentes, bem inclinados;
Mas em maça incorporados
Seguir do todo a fereza
É protecção à francesa.

Os cem Meninos perdidos, ... (6)
Que não negam que há um Deus,
E que os sentimentos seus
São cheios de honra e constância,
Vem abater a jactância
De uns monstros, cuja altiveza
É protecção à francesa

Isto são puras verdades,
Praticadas sem desculpa:
O Menino não tem culpa;
Tem-na quem o cá mandou:
A Passarola voou,
E se for morta ou for preza
É protecção à francesa.

(4) O Círio da Ameixoeira, com que a Tropa francesa investiu destroçando-o em forma de batalha, em que os franceses venceram a Bandeira de S. Senhora, que veio para o quartel General por testemunho daquela vitória.
(5) Execução feita na Praça do Comércio aceleradamente, sem formalidade de Justiça.
(6) Soldados ingleses tratados por irrizão numa gazeta, pelo nome de cem Meninos perdidos, porque soltaram nas nossas praias, e nossa defesa.

(Tem continuação, aqui)

28/02/12

ABSOLUTAMENTE SOB VONTADE DIVINA - D. JOÃO V e "MAFRA"

D. João V
"Tendo El-Rei designado o local para o edifício no sítio denominado Vela, junto a Mafra, cometeu o desenho dele a diferentes, ficando aprovado o de Frederico Ludovice, arquitecto alemão educado em Roma, e que estão se achava em Lisboa dirigindo trabalhos dos padres da Companhia. [Note-se a nobre atitude de D. João, Rei absoluto, em dar os traços gerais aos técnicos, para no final aprovar o de melhor resultado.]

Ordenou o monarca as preciosas expropriações que pagou na importância de 358$000 réis: a edificação que então estava em projecto era convento e igreja, cujas dimensões e riqueza em nada se alteraram posteriormente quando El-Rei mudou o seu plano [inicial].

Começaram pois os trabalhos, abrindo-se alicerces de 5,30 m de profundidade - grande múmero de homens aí trabalhou, tendo começado por cortar uma montanha que fica ao sul do edifício, a fim de nivelar o terreno onde devia construir-se a grande fábrica.

Em 17 de novembro de 1717 teve lugar a inauguração do edifício, a cujo acto assistiu El-Rei e toda a Família Real, o Cardeal Patriarca e Cúria Patriarcal, grande número de fidalgos, uma força militar de cavalaria e infantaria, e imensa multidão de povo.


No local onde devia ser a capela-mór lancou El-Rei a primeira pedra, de figura quadradrangualar, que continha a seguinte inscrição:

Deo optimo maximo
Dico que Antonio Lusitano
Templum hoc dicatum
Joannes lusitanorum Rex
Voti compos ob susceptos liberos,
Primumque fundavit lapidem
Thomas I Patriarcha Ulyssiponensis. Occidentalis
Solemni ritu
Sacravit posuitque
Abbi Dimini 1717
XIV. Kal. decembr.

Aí foi igualmente lançada uma urna de prata que continha 12 medalhas, 4 das quais eram de oiro, 4 de prata e 4 de cobre; estas medalhas continham a seguinte inscrição [nelas estavam esculpidas a Igreja, e Convento, os rostos do Rei e da Rainha, e o rosto de Clemente XI]:

Joannes V Portugaliae et Algarbiorum Rex
Et Marianna de Austria conjux.

[isto era apenas na primeira medalha que no verso tem a imagem do convento e a legenda "De Antonio Lusitano. Mafra 1717" - Ao final do artigo especificarei o assunto das medalhas]

Lançaram-se mais 12 pedras e 12 dinheiros comemorando os 12 Apóstolos: uma outra caixa ou cofre contendo 2 vidros de óleo santo que se cobriu com uma pedra, na qual se via outra inscrição que certificava o voto; sobre ela lançou o esmoler-mor 12 moedas de oiro, 12 meias moedas e 12 quartos - de prata 12 moedas de 480 réis, 12 ditas de 240 réis, 12 de 120 réis - de cobre 12 moedas de 20 réis, 12 ditas de 10 réis, 12 de 5 réis, 12 de 3 réis e 12 de um e meio real - colher e trolha de prata, cestos dourados e prateados foram os objectos de que El-Rei se serviu nesta cerimónia; acabada a qual, numa capela primorosamente ornada, se celebrou uma missa de pontifical, durante todo o acto desde as 8 horas da manhã até às 3 da tarde. (A cerimónia solene da inauguração é uma manifestação pública de Fé, é um reconhecimento do soberano domínio de Deus, é um acto brilhante de adoração dirigido à Majestade suprema daquele de quem todas as coisas depende o ser, o movimento e a vida - é ver o que o mundo tem de maior, isto é, poder, coragem e génio, inclinarem-se diante de Deus soberano, cerimónia importante para obter o concurso necessário da protecção Divina sobre a obra mais brilhante do espírito humano.)" (O Monumento de Máfra, Joaquim da Conceição Gomes)

Clemente XI
Segunda medalha: Figura do português S. António numa nuvem sobre um altar com o Rei D. João de joelhos e mãos levantadas, a legenda é "In Coelis regnat, invocatur in patria". No verso a figura do templo com a legenda "Divino Antonio Ulyssiponensi dicatum". No pórtico do templo a inscrição "Joannes V. Portugallie Rex mandavit, Mafrae 1717".

Terceira medalha: O retrato do Papa Clemente XI com a seguinte legenda "Clemens undecimus Pontifex Maximus". No verso estão as armas de Clemente XI com a legenda "Pontificatus anno 17."

Na quarta medalha: O retrato do Patriarca com as legenda seguinte "Thomas I. Patriarcha Ulyssiponensis Occidentalis". No verso estão as armas do Patriarca com a legenda "Sancti Antonii Ulyssiponensis templum à Joanne V, Portugallie Rege designatum constructum lapidem in singnum posuit, Anno Dñi M, DCC, XVII".

Estas 4 medalhas, como foi dito, foram triplicadas em metais diferentes (ouro, prata, e cobre).

23/02/12

O SACRILÉGIO EM SANTA ENGRÁCIA (LISBOA - 1630)

"Ainda estava bem viva a memória deste desacato [ver aqui], quando de 15 a 16 de Janeiro de 1630 se comete novo sacrilégio, no Mosteiro de Santa Engrácia.

Nessa noite,parece que os elementos se tinham conjurado contra a cidade, fazendo desabar sobre ela medonho temporal (*) que ajudou a cometer o crime, abrindo ao criminoso as portas da modesta igreja, sede da nova freguesia que Pio V fundara em 30 de Agosto, a pedido da Infanta D. Maria, que tinha ali perto, no Campo de Santa Clara, o seu palácio.

Ao centro aquela que depois foi a igreja de Santa Engrácia hoje transformada em Panteão Nacional, por ironia profanado.

Na manhã do dia 16, viu-se que tinha sido arrombada a porta do Sacrário e que foram roubados um cofre com 10 Partículas e uma Hóstia, um Vaso de prata dourada contendo também 25 Partículas e outra Hóstia, e uma cruz que servia de remate ao último cibório.

A notícia deste desacato espalhou-se rapidamente na Capital onde causou a maior dor.

Como penitência e desagravo, esteve na Sé o Lausperene, durante oito dias, por ordem do Arcebispo D. Afonso Furtado Mendonça. A igreja estava ornamentada de panos reais da tomada de Tunes e celebravam-se Missas e ofícios e pregava-se. Terminando este oitavário num domingo, fez-se nesse mesmo dia uma solene procissão a que concorreram clero, e nobreza e povo, sendo tanta a gente, que principiando a sair da Sé ao meio-dia, só à noite chegou a Santa Engrácia, depois de ter percorrido muitas ruas (**).

Na igreja de Santa Engrácia, conservou-se o Lausperene outros oito dias. A despesa da festa de cada dia foi custeada pelos diferentes fidalgos. A igreja ficou depois interdita, passando a sede da freguesia para a ermida de Nosso Senhora do Paraíso.

Instituiu-se então uma grande confraria de fidalgos, intitulada Escravos do Santíssimo Sacramento, cujos estatutos foram assinados no dia 19 de Maio do mesmo ano. O seu presidente era o Rei e os Irmãos eram apenas 100 fidalgos.

Nos dias 16, 17, e 18 de Janeiro de cada ano, a Irmandade fazia uma festa ao Santíssimo Sacramento, a que assistia El-Rei, o Patriarca e o Cabido. As despesas do primeiro dia ficavam a cargo da Família Real e as dos outros dias eram pagas pela Irmandade. A festa deste tríduo terminava com procissão, em que as pessoas reais se incorporavam. Durante as festas do desagravo, os Irmãos traziam ao pescoço pendente de fita escarlate, uma medalha de cobre dourado representando o Sacrário arrombado e a custódia com o Santíssimo Sacramento e vários anjos. No verso, lia-se esta jaculatória: BENDITO E LOUVADO SEJA O SANTÍSSIMO SACRAMENTO.

Ainda como acto de reparação, surgiu também uma procissão, a chamada Procissão dos Ferrolhos, que se fazia todos os anos na noite de 15 para 16 de Janeiro à meia-noite do Convento do Desagravo - Clarissas do Desagravo - então fundado, para a igreja da Penha de França."


(*) - Corografia Portuguesa, pelo Padre Carvalho da Costa, vol. III, pág. 256.

(**) - Portugal-Dicionário, por Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, pal. Santa Engrácia.

21/08/11

MEMÓRIA CURTA

Patriarca de Lisboa

Há tempos levantaram-se vozes contra o Cardeal Patriarca de Lisboa pelas limitações que tinha levantado à Missa tradicional. As vozes não se calaram e garanto que não fazem parte dos conhecidos como "tradicionalistas". Ora, já em 2007 tinha D. José redigido uma circular interpretando o Summorum Pontificum de forma tão ilusionística que conseguia tirar coelhos da cartola. As interpretações, longas, fantásticas, chegaram a todos os sacerdotes e Bispos auxiliares que decidiram obedecer ao documento Papal através do documento Patriarcal. Em 2007, na internet, nenhum católico português manifestou espanto pela circular limitadora do Motu Proprio, vendo-me compelido a apresentar a minha reflexão fundei o blogue ASCENDENS.

As vozes descontentes que já referi voltam a manifestar-se contra o Cardeal Patriarca como se ele fosse o problema. Estranho este comportamento por dois motivos: os "tradicionalistas" não são os autores dessas queixas e depois deste Patriarca virá outro. Virá outro... Volto a repetir que o problema não termina nem começa em D. José Policarpo, e o grupo de não tradicionalistas que se costumam manifestar sistematicamente contra o Cardeal Patriarca parece fazê-lo como se o próximo fosse garantidamente melhor.

Que fique por muito tempo o presente Cardeal Patriarca de Lisboa. Enquanto a derrocada da Igreja continuar a probabilidade do próximo Patriarca ser pior é maior. Temos os Bispos de Portugal que ensinam o que ensinam e refinaram o seu modernismo adaptando-se a todo o tipo de situações adversas e novas, para as quais o actual Patriarca não estava preparado. Um deles será Patriarca de Lisboa, valha-nos Deus...

Bento XVI dá um estalo na cara daqueles que levantaram a voz contra o Cardeal Patriarca em defesa do Papa. Pelos 50 anos de sacerdócio de D. José Policarpo o Papa manifesta a sua opinião pessoal: 

“Conhecemos bem, venerável irmão, terem sido estes anos distinguidos pela sólida doutrina, pelo conhecimento preciso da disciplina eclesiástica, pelo intenso labor na ilustre Sé de Lisboa. Nela começara a manifestar-se os recursos, largamente difundidos, das tuas virtudes sacerdotais e episcopais” (by Agência Ecclesia)

Caros leitores, desculpem desapontar, mas quem beatificou João Paulo II pode dizer tudo inclusivamente isto. Só há dois caminhos: ou continuar a levar estaladas e adaptar-se ao erro ou manter-mo-nos firmes na verdade. Uma destas só leva ao degredo (o caminho fácil). As memórias são curtas e por isso apagam os registos que seriam importantes para conseguir avaliar a totalidade da situação.

O que farão agora os descontentes do Cardeal? Ficarão descontentes com o Papa?!!!

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