31/01/13

SENHORA DO ALMORTÃO - ROMARIA MEDIEVAL



Lá para os lados da Idanha, no Principado da Beira, há a romaria de Nossa Senhora do Almortão. Por causa da proximidade com Espanha, os romeiros sempre pediram proteção à Senhora. A canção do vídeo é conhecida simplesmente por "Senhora do Almortão", é cantada e tocada (adufe) por mulheres.

Diz a quadra mais interessante:

Senhora do Almortão (bis)
O minha linda arraiana.
Virai costas a Castela (bis)
Não queirais ser castelhana.

O que vamos ouvir é aqui da minha região, e mantêm-se desde a Idade Média.

MACELADA - HAMONIZAÇÃO de Lopes Graça



A "macelada" é uma cantiga popular antiquíssima que cantamos aqui na minha região, e sobrevive aos séculos. A versão do vídeo é a macelada original com harmonização "neo-modal" de Lopes Graça (está bem conseguida).

A percussão da "macelada" é feita com adufe (pequeno tambor quadrado de pele de cabra e pau de laranjeira, tocado por mulheres). Esta antiquíssima cantiga é cantada e tocada apenas por mulheres, principalmente em dias festivos na parte que toca ao convívio.

Pela altura do S. João as mulheres iam colher macela em dia seco, e ao facto se chamava "macelada". Depois da colheita (macelada) as flores eram colocadas a secar à sombra e em sítio seco para não perderam qualidades. Esta planta é uma camomila e tem propriedades várias (antiespasmódico, digestivo, emenagogo, estomáquico, febrifugo, vulnerário e, em doses elevadas, vomitivo).

As imagem dos vídeo são tiradas na serra da Gardunha, que fica no alto da minha cidade natal (Fundão). Como já tinha dito anteriormente, a "macelada" é uma canção desta região.

MOSTEIRO DE SÃO VICENTE DE FORA

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS do FUNDÃO (1979)

PROCISSÃO DOS PASSOS NA MINHA CIDADE NATAL (Fundão)

CARDEAL PATRIARCA DE LISBOA - INÍCIO DO "ANO DA FÉ"



Com muita mágoa, cabe perguntar: mas que fé!?...

Ir. LÚCIA - TRESLADAÇÃO PARA A BASÍLICA DE FÁTIMA

QUEREM VER PAULO VI EM FÁTIMA COM A IRMÃ LÚCIA?

INAUGURAÇÃO DA IMAGEM DE CRISTO REI

VISITA DE INGLATERRA A PORTUGAL (1957) III

VISITA DE INGLATERRA A PORTUGAL (1957) II

VISITA DE INGLATERRA A PORTUGAL (1957) I

NAZARÉ, PRAIA DE PESCADORES (Leitão de Barros, 1929)

30/01/13

OS PESCADORES DA NAZARÉ



É a II parte de "Maria do Mar " (de Leitão de Barros - anos 30), documentário dramatizado da vida dos pescadores da Nazaré (Portugal). Lembrando que é o realizador quem conta uma história que deve ser olhada apenas como motivo. O filme vale pela informação que dele recolhemos (alguns modos e costumes).

Partes: I, II, III, IV

"FREI LUÍS DE SOUSA" - parte 7



Partes: I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI, XII

ALDEIAS DE XISTO

N. SENHORA DA BOA ESTRELA - SERRA DA ESTRELA


Altar de N. Senhora da Boa Estrela, guia e protectora dos pastores, escavado numa rocha (por António Duarte - 1946), tem 7m de alto, está a céu aberto no alto da Serra da Estrela (a "minha" serra), na zona do Covão do Boi. Foi uma ideia do Pároco de então que, ao dar-se conta da afluência de fiéis ao alto da serra por ocasião de no ponto mais alto se ter colocado um cruzeiro (2000m de altitude), lembrou-se de prestar devida homenagem à antiquíssima aparição de Nossa Senhora da Boa Estrela aparecida nesta serra a um pastor.


A festividade da Senhora da Boa Estrela é no segundo domingo de Agosto, então deslocando-se os fiéis a este altar para ouvir missa.


 Sobre Nossa Senhora da Boa Estrela vale a pena ler o que já aqui foi publicado.


29/01/13

PORTUGAL DA MONTANHA - imagem


EXELENCIA NO PRATO!!!

Cavalos Lusitano
Há meses que os que se dizem"amigos dos animais"andam calados. Não gritam mais contras as touradas, ao que parece.

Em tempos de fartura até havia quem adotasse animais e quase jurasse haver de levar touros para casa. Mas veio a crise... e veio o silêncio.

Os "amigos dos animais" não se manifestaram pelo abate de 2803 cavalos da raça Lusitano ao longo de 2012. A falta de meios dos criadores em Portugal, devida à crise gradual, diminui drasticamente a criação de uma das mais apreciadas raças do mundo. Os "amigos dos animais" entenderam a linguagem "universal" do dinheiro.

Os nossos cavalos Lusitano, animais caros, estão agora a ser vendidos ao quilo, sendo em preço ultrapassados pela vaca. A maior parte dessa nobre carne começou por ser exportada, mas como cresce o número de abates aparece cada vez mais no nosso mercado.

Bon appétit...

28/01/13

PEQUENO PRIVILÉGIO DOS LEITORES - O FRONTAL

Tenho muito gosto em apresentar-vos algo raríssimo de ver: a capela do Espírito Santo e S. João Baptista (Igreja de S. Roque - Lisboa), mandada fazer por D. João V, com o frontal de altar para os dias dedicados ao seus dois oragos. Este frontal só deve ser usado duas vezes por ano, nestes dois dias principais. Sem frontal o altar só era visto pelos faquines da capela, por darem manutenção à capela, e os restantes mortais só o viam "nu" um dia por ano (Semana Santa).

A foto que vou mostrar procede de montagem e, certamente, há-de alegrar muito os estudiosos e admiradores da capela. Senhores, para vós a raridade:

Frontal do Apocalíptico (lapis-lazuli, prata, ouro)
Mais artigos ASCENDENS sobre o mesmo assunto:
CAPELA DE S. JOÃO BAPTISTA da IGREJA DE S. ROQUE em LISBOA (I)
CAPELA DE S. JOÃO BAPTISTA da IGREJA DE S. ROQUE em LISBOA (II)
CAPELA DE S. JOÃO BAPTISTA da IGREJA DE S. ROQUE em LISBOA (III)
CAPELA DE S. JOÃO BAPTISTA da IGREJA DE S. ROQUE em LISBOA (IV)
CAPELA DE S. JOÃO BAPTISTA da IGREJA DE S. ROQUE em LISBOA (V)
CAPELA DE S. JOÃO BAPTISTA da IGREJA DE S. ROQUE em LISBOA (VI)
CAPELA DE S. JOÃO BATISTA, DA IGREJA DE S. ROQUE - D. JOÃO V
Frontal
Foram muitos os artistas para capela tão pequena. Eis alguns:

Arquitectos - 3 (J.F. Ludovice, Nicola Salvi, Luighi Vanvitelli)
Canteiros - 4 (Gregorio Milani, Andrea Mirabelli, Pietro Paolo Rotolone, Cicilia Tedeschi)
Pedreiros - 3 (Gio Carlo Bossi, Francesco Carabelli, Matteo Petrini)
Escultores - 9 (Pe. Antonio Corradini, Agostino Corsini, Pietro de L'Estache, Domenico Giovannini, Alessandro Giusti, Bernardino Ludovici, Gio. Batta Maine, Carlo Marchionni, Pietro Verschaffelt)
Pintores - 6 (Biagio Chicchi, Giuseppe Fochett, Corrado Giaquinto, Agostino Massucci, Gennaro Nicoletti, Ignazio Stern)
Mosaicistas - 20 (Tommaso Albertini, Domenico Bussoni, Pietro Cardoni, Alessandro Cocchi, Gio: Batta Davini, Enrigo Enuo, Liborio Fattori, Giuseppe Garassini, Domenico Gossoni, Antonio Maglia, Gio: Maria Marini, Alesio Mattioli, Mattia Morelti, Nicola Onofrij, Giuseppe Ottaviani, Guillelmo Palate, Filippo Piccirilli, Giuseppe Simouetti, Filippo Valerij, Lorenzo Valle)
Metalistas - 8 (Francesco Anibaldi, Giacomo Fazij, Francesco Giardoni, Francesco Guerrini, Pietro Mascelli, Francesco Rosa, Felice Scifone, Agostino Valle)
Serralheiros e ferreiros - 5 (Agostino Ancidoni, Giovanni Ascenzij, Mattia Moretti, Simone Moretti, Pietro Paolo Pachellini)
Ourives - 27 (Paolo de Aighi, Francesco Baislach, Vincenzo Belli, Pietro Bertelli, Bartolomeo Bounoni, Lorenzo de Caporali, Gio: Battista Carosi, Silvestro Doria, Giuseppe Gagliardi, Antonio Gigli, Caetano Grassi, Carlo Guarnieri, Simone Maglie, Matteo Piroli, Lorenzo Pazzi, Francesco Princiralli, Tomasso Puliti, Francesco Salci, Gio: Felice Smiti, Gaetano Smitti, Angelo Spinazzi, Carlo Tantardino, Filippo Tofani, Pietro Vaccario, Antonio Vendetti)
Latoeiros - 3 (Gio: Paolo Kaiser, Angelo e Giuseppe Picciani, Giuseppe Ricciani)
Douradores - 1 (Pietro Lori)
Bordadores - 12 (Pietro Abbondio, Nicolo Bori, Filippo Gabrielle,Girolamo Mariani, Cosimo Patrenostro, Appolonia Piscitelli, Giacomo Puttini, Benedetto Salandri, Carlo Salandri, Filippo Salandri, Giovanni Battista Salandri, Giuliano Saturni)
Tapeceiros - 8 (Michaele Bastianelli, Ferdinando Canziani, Pietro Ferloni, Filippo Fiorentini, Antonio Gargaglia, Mario Silvestri, Agostino Speranza, Alessandro Zannetti)
Sirueiros - Vestimenteiros - 2 (Gasparo Caro, Francesco Giuliani)
Marceneiros, embutidores, entalhadores - 6 (Lucino Cittadini, Carlo Casolio, Giacomo Manaccione, Gio Palmini, Giuseppe Palms, Antonio Ravasi)
Fornecedores de materiais - 3 (Paolo Campi, Marc' Antonio Ravasi, Gio: Pietro de Angelis)
Maquenistas-engenheiros 1 (Giovanni Corsini)
Rouparia branca - 1 (Marianna Cenci)

26/01/13

AUXILIAR DE ESTUDO - ENTENDER A NOSSA CIVILIZAÇÃO

Tenho escolhido alguns temas que podem passar por "acatólicos" ou "à margem". Na verdade, a minha preocupação com a civilização católica, sobretudo a que nos está na raiz, pertence-nos conhecer e amar, deve-se à convicção de que a proximidade com a nossa civilização (evidentemente católica) nos civiliza e, por consequência, nos dá suportes e entendimento à Fé. Pelas obras dos nossos antepassados (gente de fé e da civilização católica), a mesma Fé tomará mais corpo e exemplo.

Infelizmente, mesmo entre aqueles que se dizem tradicionalmente católicos, a falta de suporte civilizacional, tão própria dos nossos tempos, enfraquece-lhes a apreciação do passado. Desaproveita-se assim um manancial de exemplo e instrução, referências tão importantes para os dias de hoje. Há por isso quem tenha entendimento muito artificial, mirrado, e distorcido da nossa civilização, e acabe por ser passivo a qualquer exemplo mais romanceado. Eis como tanto acabam por desprezar o que Deus nos deu, e está tão perto (é nosso). Não significa, é certo, que aquilo que é dos outros não nos dê proveito também, mas sem conhecermos o nosso, haverá sempre algo em grande falta.

Muitos, nas circunstâncias que referi, buscam, por exemplo as glorias da cultura francesa (católica), acabando por sabem muito mais dela, e gloriá-la, do que a feitos superiores dos nossos antepassados! Cumpre-se então aquela triste mania, que se foi criando mais recentemente em Portugal e Brasil, que popularmente sintetizámos: "a galinha da vizinha, é melhor que a minha". Tal defeito é, na verdade, uma das vitória prolongadas do liberalismo, o qual mostra em quase todas as suas produções literárias que o BOM que temos seria mau, e que o mau das novidades liberais estrangeiras fosse verdadeiro "progresso".

As novas armas conservam a tiara patriarcal
Dou um exemplo crítico: Quem dos leitores sabe que no séc. XVIII tivemos o ÚNICO patriarcado fundado já depois dos tempos Apostólicos? Qual dos leitores sabe que "Patriarca de Lisboa" não era meramente um título, como o é "Patriarca de Veneza" ou "Patriarca de Toledo" (que não nunca tiveram Patriarcado)? Quantos dos leitores sabe que o Patriarcado de Lisboa era o territorialmente mais abrangente, e com mais população? Algum dos leitores sabe que o Patriarcado de Lisboa foi aquele que recebeu mais honras da Santa Igreja? Achará o leitor que isto não foi obra de Deus, e é fruto de um equívoco continuado por vários papas seguidos? Alguns têm a versão liberal: "D. João V teria comprado um título a Roma corrupta!!!" Versão espalhada pelo liberalismo, porque foram os liberais que, no séc. XIX, exigiram ao Papa a extinção da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa! Assim "triunfaram".

Sem conhecer isto que acabo de contar perdemos coisas, os motivos das coisas, e, não sabendo o que as coisas são, corremos o risco de as falsificar, subverter em desproveito católico. Se estes feitos são altamente dignos, perderíamos então um suporte maravilhoso, seguro, confirmado por Deus e pela Igreja. Ignorância, na maior parte dos casos não culpável, mas muito nociva em efeitos ... os efeitos estão à vista.

Ao homem rude não se lhe pede que saiba muito mais, porque não tem essa obrigação, mas também porque não faz afirmações contrárias nem se coloca em responsabilidades que o requeiram; a ignorância que tem é-lhe à medida do que tem de fazer e julgar. Contudo, hoje, visitamos lugares distantes, falamos de todo o tipo de assuntos, opinamos sobre qualquer coisa, e, por isso erramos tanto: é-nos exigido o conhecimento correspondente, e não o temos (abatidos somos por crer em fábulas). Mas que conhecimento? Apenas o conhecimento histórico? Não tanto, sim mais o entendimento dos princípios contidos na nossa civilização católica, cujo núcleo distintivo é a Fé a a prática da virtude.

Dou um exemplo muito simples, minucioso, pequenino, que hoje quase parecerá ridículo, mas que fará corar quem se apresentar como bom exemplo de tradicional católico: na inauguração da Real Basílica do Convento de Mafra, tudo estava preparado com o critério justo da mentalidade católica, que nesse tempo bem se expressava. As alvas tinham vários tamanhos de rendilhado, medido por dedos: a dos cantores era simples e de um dedo de altura (se a memória não me falha), o do maestro e o organista eram de 4 dedos, o dos acólitos e dos diáconos ao Arcebispo todos tinham altura conforme a função respectiva. Ora, eu dou este exemplo pequenino para realçar que o critério de ordem e justiça, tanto mais nas coisas sagradas, era exemplar... e era do altar que se inspirava a sociedade (o altar como centro do mundo). A hierarquia das coisas, como se vê pelo exemplo, aplicavam-se mais por motivo de que todas as acções católicas devem ser movidas de alto propósito, e não deixadas ao acaso, ou à tirania do capricho e do gosto desgovernado. Este pequeno exemplo revela o quão grandes eram os nossos antigos coisa que hoje só entenderá quem não estiver com disposição ou ordenação contrárias.

Cúpula da Real Basílica de Mafra (vista dos 6 órgãos)
Recomendo a leitura de livros antigos, mesmo os que não são directamente a respeito da Fé, pois acabam por exprimir o pensar dos que tinham a Fé e eram civilizacionalmente frutos dela. E dou outro exemplo para terminar: os nosso antigos colocariam uma sineta na porta secundária, e um sino um pouco maior na porta principal. A sineta da porta secundária, ou traseira, hoje também seria colocada no mesmo lugar, por economia (dinheiro), mas os nossos antigos colocavam-na ali principalmente porque uma porta secundária deve ter um sino (sineta) secundário (em tudo inferior ao sino da porta principal). O critério hoje é mais o do apetite, ou o dos cifrões.

Ao recomendar livros antigos (cuidado com os do séc. XIX até o séc. XX, onde é costume encontrarem-se certas orientações pouco confiáveis, mesmo que por vezes aprovadas - há estranhas edições que fazem "milagres" com a troca de uma simples palavra em livros altamente recomendados, e aprovados - e disto tenho exemplos a dar, tanto de um caso curioso na Argentina, e um outro em Portugal) recomendo principalmente os do séc. XVIII para trás (estão inquiridos). Onde encontrar? Há muitos livros em PDF que se encontram nos motores de busca (consultar o google Books, por exemplo). Mas, por favor, não se acostumem aos livros nestes formatos!!! Se possível, aqueles livros melhores devem ser impressos: é preferível que, num grupo de amigos, cada qual imprima um livro, e os troquem entre entre si, ou formem uma biblioteca comunitária com os melhores "achados" e os mais necessários. Nunca desistir de procurar livros verdadeiros, prefiram de longe os livros verdadeiros (já que dou essas recomendações, obrigo-me também a fazer este importante aviso). Ter em conta o que há nas bibliotecas públicas e privadas, sempre há importantes e antigas raridades (e os que tenham estas bibliotecas privadas bem podem preocupar-se em facultar cópias para que o conteúdo possa ser veiculado entre pessoas sem danificar fisicamente os originais. Há alguns problemas com as edições, nomeadamente para alguns temas, como é o caso da espiritualidade (sobretudo em edições do início do séc. XX e finais de XIX - lembrar que estamos apenas a falar em livros antigos, e não dos mais recentes). E assim acontece com um livro que procuro muito e não encontro uma versão antiga para que me fie: Jesus Cristo Vida da Alma (D. Columba Marmion) - neste caso a mudança de uma ou outra palavra fazem perder o sentido, e torna-se como comer uvas com grainhas gigantes.

Comecei num tema, e quase terminei noutro ou num sub-tema. Significa que há necessidade de abordar estes assuntos, em posteriores oportunidades. Sorte tem que puder juntar-se com amigos para criar uma biblioteca assim, e talvez reeditar os textos destes livros, aprender a bela arte da encadernação tradicional, etc..

Quem queira dedicar-se à "pesca" dos livros antigos online, é bom começar por fazer a listagem do adquirido. Por não ter eu quem me avisasse de tal, colectei, ao longo de anos, livros destes; tenho muitas horas "gastas" na criação duma listagem que me permita identificar os "livros" (PDF) por nome e número, etc.. Há "livros" que hoje estão disponíveis online, mas que deixarão de estar, e outros entram, o que requer método de vigilância sobre algumas bibliotecas online (para quem não se importe de chegar aos milhares de obras). Uso mais a modalidade digital da Biblioteca Nacional de Portugal. Enfim... este tema fica para outro dia.

Civilização católica sim, e principalmente a de cada um.

25/01/13

NOTA BREVE - DESCOBRIMENTOS


Pode haver dúvidas a respeito dos descobrimentos, e é natural que sim, não sobre as versões mais difundidas mas a respeito da realidade. É que no artigo "Portugal Não é a Espanha Nem é o Brasil", artigo compacto, deve fazer admiração a muitos que se viajasse às américas antes de Colon la ter chegado na sua primeira viagem oficial.

Como vimos, os jesuítas não tiveram qualquer problema em dizer que S. Tomé tinha chegado às américas (pelo menos América do Sul e América Central). Como se sabe pelos estudo recentes, quando Colon chegou às Antilhas já tinha as coordenadas do caminho que havia de percorrer, antes de 1500 os portugueses já conheciam o Brasil e já tinham chegado à América do Norte e à Australiana.

Há muito tempo que tento provocar a curiosidade dos leitores. Infelizmente ninguém lhes parece ter tocado nos temas, ninguém me perguntou ou criticou... É que tudo isto vai levar a coisas muito significativas, e ficam depois muito melhor entendidos os meandros da história dos descobrimentos e da evangelização, nomeadamente os de Portugal e Espanha-reino.

Recordo o mesmo assunto aqui tratado em artigos, tal como o "Em 1500 Foi a Descoberta do Brasil?". Os restantes não os mostro, porque quero revê-los ainda...

24/01/13

"GREC" ESCONDIDO COM O RABO DE FORA...

DOIS NÍVEIS DE ENCONTRO:
O DIÁLOGO "DIPLOMÁTICO" E AQUELE "DOUTRINAL"

por

Dom Cruzio Nitoglia
tradução de
Gederson Falcometa [pt/Br]



Convite à Leitura

Em dezembro de 2011 foi publicado um livro muito interessante, escrito pelo Reverendo Padre Michel Lelong (licenciado em língua e literatura árabe, laureado em letras, professor emérito no Instituto das Ciências da Teologia das Religiões em Paris) da “Sociedade dos Padres Brancos”. O livro é intitulado Pour la nécessaire réconciliation. Le Groupe de Réflexion Entre Catholiques (GREC), Nouvelles Editions Latines, Paris [1].

Uma leitura estimulante, que aconselho a todos.


Encontros Discretos e Privados

O “Padre Branco”, ordenado sacerdote em 1948, narra a história dos diálogos do “Groupe de Réflexion Entre Catholiques; Grupo de Reflexões Entre Católicos” (‘GREC’); diálogos que define “discretos, mas não secretos” (pg 29) com alguns membros da dirigência da FSSPX em vista de um acordo pleno entre a mesma Fraternidade Sacerdotal São Pio X e o Vaticano, depois de ter aceitado a interpretação do Concílio Vaticano II a luz da Tradição ou a “hermenêutica da continuidade” e ter recebido a liberação da Missa tradicional, a remissão da excomunhão e a plena sistematização canônica. 

Padre Lelong se define um amante da Liturgia tradicional (pg 25) e ao mesmo tempo do Concílio Vaticano II, especialmente das relações inter-religiosas promovidas pela Nostra Aetate, a “Declaração sobre as relações entre Igreja Católica e as religiões não cristãs” (pg 17), mas também da Gaudium Et Spes, da Unitatis Redintegratio, da Dignitatis Humanae e Sacrosanctum Concilium (pg. 75-82), todas – segundo ele – perfeitamente legíveis a luz da Tradição. Ele, junto aos chefes tradicionalistas reunidos no ‘GREC’, buscou levar adiante um diálogo caritativo e diplomático mais que doutrinal (pg 21-22) para chegar a um acordo sobre a conciabilidade entre Vaticano II e Tradição.

Um dos inspiradores do ‘GREC’ foi o ex-embaixador da França na Itália, Dr. Gilbert Pérol (†1995), que de 1963 a 1967, havia já exercitado importantes funções no Eliseu ao lado do Presidente Charles de Gaulle, depois foi nomeado ‘Secretário Geral’ do Ministério das Relações Exteriores e enfim embaixador na Tunísia, em Tóquio e então em Roma de 1988 a 1991 (pg 17 e 24).


O embaixador francês pensava, como P. Lelong, que alguns textos do Concílio Vaticano II fossem bons em si, porém foram mal interpretados, de maneira discutível e incorreta, pelos progressistas (pg 18). Então, para chegar a “uma necessária reconciliação” com os tradicionalistas, era necessário interpretar lhes a luz da Tradição ou segundo “a hermenêutica da continuidade”, permanecendo fiel, ao mesmo tempo, a Liturgia tradicional (pg 18).

O embaixador francês, partindo do ponto firme e imprescindível de que o Concílio não pode ser rejeitado em bloco (pg 22), desde 1988 (ano da consagração dos quatro Bispos por parte de Mons. Lefebvre e da sua própria chegada em Roma na qualidade de neo embaixador), se prontificou para recompor a fratura, antes de tudo frequentando o Priorato de Albano Laziale e enfim em 1995, pouco tempo antes de morrer, escrevendo um texto que influenciou o nascimento do ‘GREC’ e então os encontros “discretos” de diálogos caritativos e diplomáticos mais que doutrinais (pg 21-22) com a dirigência da FSSPX (pg 29), da qual dez anos depois, graças a Bento XVI e o seu “cavalo de batalha” sobre “hermenêutica da continuidade e não ruptura” a respeito do Concílio,  resultou – segundo P. Lelong – a concessão do Motu Proprio de 2007 (pg 49), depois a remissão das excomunhões aos quatro Bispos consagrados por Sua Excelência Mons. Marcel Lefebvre em 1988 e então os colóquios doutrinais “públicos” entre Vaticano e a FSSPX (pg 50-52).

A obra do Dr. Gilbert Pérol depois da sua morte foi levada adiante pela sua mulher, a senhora Huguette Pérol, autora de dois interessantes livros sobre questões atualmente debatidas [2].


O Padre Lelong narra ter dado a conhecer a alguns chefes da FSSPX a partir de 1996. Antes de tudo a Padre Emmanuel du Chalard no Priorado de Albano Laziale (pg 24), o qual «jamais cessou de levar o seu sustento tanto discreto quanto precioso ao ‘GREC’» (pg 24) e em 1997 com Padre Alain Lorans, ex-Diretor do Seminário de Ecône, depois do Instituto Universitário São Pio X de Paris e então, Diretor da Agência de imprensa oficial da FSSPX “DICI” (pg 24). Só então nasce formalmente o ‘GREC’. As reuniões tiveram lugar na casa da senhora Huguete Pérol a rue de Rome em Paris; deles participavam sobretudo, a senhora Pérol, Pe Lelong, Padre Lorans, que prestava conta ao Superior geral da FSSPX (pg 29), e P. Olivier de La Brosse, um dominicano que em seguida se tornou porta-voz oficial da Conferência Episcopal Francesa (pg 24 e 25).

Leia a II parte em SALVE REGINA

PORTUGAL NÃO É A ESPANHA NEM É O BRASIL

Anjo Custódio do Reino de Portugal
Nestes últimos anos tenho-me deparado com ideias ferventes, tanto quanto ousadas, relativamente ao que fosse Portugal. Nem eu, que sou genuinamente português, defino Portugal, mas não o confundo. O que nos é mais familiar, como o são os nossos pais, não nos é tão simples definir e descrever, mas é muito difícil não os identificar. Ao longe, Identificamos facilmente os nossos pais, de perto nunca nos enganamos, e tudo isto fazemos automaticamente sem ter que cogitar.

Não seria necessário saber definir Portugal para saber que: Espanha não é Portugal, e que o Brasil também não é Portugal.

Em determinados meios, por motivo das coisas que Nossa Senhora aqui nos veio dizer, como aconteceu com os pastorinhos, ouvi dizer que Portugal seria agora o Brasil. Outros, antes das aparições também já diziam que Portugal fosse Espanha, e que, depois das aparições em Fátima, alguns destes dizem que estas aparições são espanholas. Enfim... como dizemos aqui em Portugal: "cada cabeça, sua sentença", ou  "presunção e água benta cada um toma a que quer".

No meados do séc. XX o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Cerejeira esteve no Brasil e proferiu certo discurso. Opinou então que o Brasil se teria tornado Portugal, um Portugal realizado. Um dos efeitos deste discurso é encontrado depois em D. António Mayer, o qual espelhou também a mesma ideia! Mas qual a explicação dada? Como tal coisa teria possível? Infelizmente, não podemos já consultar nenhum dos dois eclesiásticos e saber da profundidade e contexto de tal opinião.

Dito por dito, lembro que Mons. Marcel Lefebvre, quando esteve aqui, disse que Portugal iria um dia despertar com um "clique" (de um momento para o outro). Este Portugal de Mons. Lefebvre é este mesmo, onde estou e nasci, o território de sempre e onde reside encoberto o coração do Portugal total - não há outro, nem nunca houve! Portanto, Mons. Lefebvre considerou este Portugal como Portugal real, e não outro fora deste.

O Brasil é Portugal, continuando Portugal a ser Portugal, diriam alguns tentando solução para o caso.

Não me atrevo a imaginar o que queria dizer D. António Mayer, mas sei que é difícil aos brasileiros dos nossos tempos conceber ideias de identidade nacional, unicamente por não haver talvez suporte para tal. As 3 américas são recentes e foram varridas pelo liberalismo, os suportes civilizacionais anteriores foram quase apagados. Só assim é possível entender que, ao mesmo tempo se diga que o Brasil é o país mais católico do mundo, quando na verdade também é conhecido como o menos católico entre todos os outros países católicos. Como explicar um número tão grande de católicos e um imbatível número de seitas? Problema civilizacional; é importante explicar este ponto mais a diante.

Segundo testemunham os Jesuítas, e há trabalhos teológicos que apoiam, a América do Sul e a América Central (pelo menos) sofreram a evangelização do Apóstolo de S. Tomé. Depois de eu mesmo ter investigado e reflectido, estou convicto de tal veracidade. O Pe. José Maria Mestre (FSSPX) segue esta opinião, fundamentando-se ainda com as Escrituras; vários autores há que subscrevem o mesmo. Para o efeito desejado tomemos aqui estas coisas por verdade, e coloquemos a questão incontornável: o que foi feito à Fé dos apostólicos nas Américas até à chegada dos portugueses e espanhóis? Como é possível que as Américas tivessem sido único(s) continente(s) sem Igreja local (sucessão apostólica) até nele chegarmos? Porque era o único território que, de modo geral, não tinha um grau de civilização mínimo necessário para aprofundar e transmitir da Fé de geração em geração! Tudo ficou reduzido ao mínimo; foram guardados sinais da Fé católica entre alguns índios, sinais que os Jesuítas haveriam de encontrar e descrever-nos. Com isto se vê que a Igreja deve ter suporte civilizacional, não fosse Deus escolher Roma para assentar a base permanente e visível da Santa Igreja. São os próprios Jesuítas que dão notícia dos vestígios de S. Tomé pelas américas; por mais desconfiado, nenhum homem sensato acharia que os Jesuítas contra sua reputação fossem inventar uma viagem de S. Tomé às Américas, quando tal implica algo que até aos olhos da grande parte dos homens hodiernos é impossível: as Américas descobertas antes das datas oficiais, e à mão de um Apóstolo que não podia querer iniciar viagem para um continente "inexistente" -  seria também uma mentira inacreditável a troco de nada, ou então deixarem-se arrastar por lendas nativas absurdas. Como sabemos, os Jesuítas não eram tolos.

Tal como o bom vinho fica inutilizado depois de vertido em copo com sal, assim a Igreja quer assentar em bases que a possam suportar, e fazer crescer, enfim, dar-lhe corpo A civilização é fundamental e, na verdade, a verdadeira civilização é católica. Para os impios o suporte reduz-se sobretudo ao material, e também intelectual, mas a parte visível da nossa civilização tem a sua muito maior invisibilidade, pois nela o espírito que ordena as coisas ao bem.

O Brasil não está concluído talvez, e só se poderá reencontrar conhecendo a sua raiz, e não em conflitos permanentes com a sua raiz. Por outro lado julgar que o Brasil é agora e logo agora Portugal, pode ser desculpável a um americano que ame a sua pátria, mas não seria admissível a quem venha da "antiga civilização católica" (Europa). Na verdade, foi isso mesmo que Portugal levou: não levou o catolicismo mas sim uma civilização católica... o catolicismo, por si, sem mais, já S. Tomé o tinha levado, e a falta de suporte o foi levando também depois. O que levámos às américas foi portanto civilização católica (no nosso caso de tradição lusitana - a nossa "árvore genética" vem por via apostólica, foi essa que levámos).

Muitos esquecem que Brasil já foi Portugal (outros opinam que ainda continua a ser Portugal). Exemplificando: Tal como o Estado de S. Paulo é parte do Brasil, o Brasil foi também uma região de Portugal. Não por conquista, mas por fundação: Portugal fundou o Brasil, o Brasil é uma obra lusa, interrompida.... Portanto, o ANJO de Portugal protegeu as terras do Brasil como suas, mesmo que, cada sub-território possa ter seu próprio anjo inferior. Mas, para quem acredita que hoje Portugal não é mais, e o é agora o Brasil, deveria vir explicar onde teria Deus colocado o ANJO DE PORTUGAL, entretanto. Vamos ver das possibilidades no campo da ficção, não podendo evitar algum humor:

1 - O Anjo de Portugal seria agora Anjo do Brasil, e o antigo Anjo do Brasil estaria de férias;

2 - Aqui, eu já não estou sob protecção do Anjo de Portugal mas sim de um outro nomeado para o novo "falso portugal";

3 - O tradicional Anjo do Brasil teria férias até ao fim do mundo, ou teria sido transferido para nova missão em terras novas;

Voltando à realidade, a festa do nosso Anjo de Portugal está instituída desde 1504 por Leão X, e é cultuado desde o séc. XII por iniciativa do primeiro Rei de Portugal (D. Afonso Henriques). Depois de oficializada esta festa o Rei D. Manuel I mandou que em todos os lugares fosse celebrado o dia do Anjo Custódio do Reino com a máxima solenidade em todas as cidades, vilas e lugares e nela participariam todo o povo e nobreza com as devidas autoridades do lugar. Por autorização papal, esta festa era de solenidade equiparada a do Corpo de Deus (que já no séc. XVI era a maior festa em Portugal). Tradicionalmente desde D. Afonso Henriques acreditamos que S. Miguel Arcanjo é o Anjo de Portugal, os próprios reis assim acreditaram, e não é por acaso que a única devoção entregue por S. Miguel Arcanjo foi dada por ele em Portugal, a uma vidente a quem apareceu. Não é por acaso que o nosso Anjo de Portugal foi o único anjo de um reino que apareceu (em Fátima, onde também aparece S. Miguel Arcanjo sem se distinguir que sejam dois diferentes, e sabendo Deus que para nós sempre foram o mesmo, não podendo Ele enganar-nos).

Mostrem-me a oficialização da Festa do Anjo Custódio em outro Reino, antes de 1504! Não há?... Pois não. Mostrem-me agora datas posteriores ...

Mas de onde surge a ideia de que Portugal fosse agora o Brasil? Surge de uma rebuscada incompactibilidade que levaram a rever a interpretação a respeito das palavras de Nossa Senhora. Os que confundirem "FSSPX" com "Tradição" dirão: "mas em Portugal a FSSPX não cresce, os fiéis ora entram ora saem, não há sacerdotes genuinamente portugueses!"... logo concluem: "então, como Nossa Senhora não nos engana, e a nossa obra não está a crescer em Portugal, é porque a palavra "Portugal" deve querer dizer outra coisa qualquer". E toca de cair em todas as teorias que digam que Portugal é outra coisa qualquer. E nesta busca caiem em concluir: "os ferrenhos espanhóis já há muito diziam que Portugal é parte da Espanha-nação, logo Nossa Senhora se referia a Espanha", ou "Portugal é o Brasil porque D. António Mayer estava inclinado para esse lado", ou ainda, pasme-se "Fernando Pessoa dizia que o império português é a língua, ora o maior número de falantes desta língua está no Brasil, logo Nossa Senhora se referia ao Brasil". Lindo serviço, acrescido de que Fernando Pessoa nasceu num dia 13 (Junho de 1888), e acrescido da falta de cálculo destes teóricos que, caso seguissem bem a lógica, teriam de concluir o contrário: o Brasil é parte de Portugal! Enfim...

Caros leitores, geograficamente Portugal será sempre aqui, no mesmo lugar. Quando Nossa Senhora diz "Portugal" não se refere a outro fora da essência, e com manobras territoriais, sem rodeios. As aparições foram antecedidas justamente do Anjo de Portugal (a primeira aparição de um anjo ao respectivo Reino). Atenção, que há nisto uma marca de Deus completamente oposta às teorias que agoraalguns querem fazer valer, porque o resultado das contas não é o que esperavam.

Os espanholátricos não suportam que Portugal possa ser aquele mesmo que Nossa Senhora menciona, eles preferem dizer aos brasileiros que agora são eles o Portugal mencionado em Fátima, ao mesmo tempo que lhes dizem que o Brasil é fruto da Espanha, e que os jesuítas são Espanha. Por favor, haja cuidado com essas teses, e diga-se a tais pessoas que não pode ser assim. Se Portugal tiver que ter a sua antiga visibilidade, terá, e todo este tempo de "invisibilidade" não terá sido para nós mais que uma protecção.

Voltarei ao tema. Hoje debitei informação tentando evitar que certas más ideias se espalhem sem travão algum.

Voltarei...

23/01/13

ABRANTES, 1713 - FESTA DA RESSUREIÇÃO (II)

(continuação da I parte)

Abrantes a cavalo


Abrantes montada num cavalo branco curiosamente adornado com boas clines, e em tudo o mais custoso: a figura irá de mulher, no vestido a mais pomposa e rica, e no peito a mais custosa, caraminhóla na cabeça toda emplumada, na mão direita um Estandarte branco com as Armas de Abrantes, e por baixo esta letra de ouro: Dabo tibi primamsessionem in Resurrectione mea. (Esdr. 4.2.23) no braço esquerdo uma tarja com esta letra: per sanctam Resurrectionem tuam, libera nos Domine. (In Litania Eccles). e nas costas o seu nome: Abrantes.

Acompanham a figura de Abrantes seis figuras todas bem vestidas e com suas caraminholas; cada uma leva na mão esquerda um escudo, e nestes seis escudos irão pintadas com a maior propriedade as obras dos seis dias da criação do mundo, na forma seguinte: a primeira levará no escudo pintada uma grande luz com esta letra: Prima die luz facta est. (Gen 1.3) e no alto da traja a letra, Allleluia. A segunda levará pintado no escudo um globo de água com estas letra: Secunda die factum est firmamentum, e diviso sunt aquae. (Ibidem 6) no alto Alleluia. A terceira leva no escudo um campo com plantas e flores, com esta letra: Tertia die protulit terra herbam viventem. (ibidem 12) e por cima, Alleluia. A quarta leva no escudo o Sol e a Lua, com esta letra: Quarta die sunt luminaria magna. (ibidem 16) e por cima, Alleluia. A quinta levará no escudo peixes e no ar aves com esta letra: Quinta die fiunt pisces et aves. (Ibidem 21) e por cima, Alleluia. A sexta levará pintado no escudo um homem honestamente despido, com esta letra: Sexta die homo factus est. (Gen. 2.2) e por cima, Alleluia. Cada uma delas vai pegando com a mão direita em um cordão que vai preso ao guião.

Cada uma destas figuras levará nas costas o seu nome, porque representam as seis Vilas, que estão mais perto de Abrantes, cujos nomes são: primeira, Tomar; segunda, Sardoal; terceira, Mação; quarta, Vila de Rei; quinta, Punhete; sexta, Ponto do Soro.

Para se mostrar que entre estas seis vilas, figura dos seus dias da criação do mundo, é neste triunfo Abrantes o dia sétimo, levará diante do cavalo um rapaz curiosamente vestido, com caraminhóla na cabeça, e na mão direita um escudo grande e pintado nele Cristo Ressuscitado, sentado num Sepulcro com esta letra por baixo: Die setima requivit Deus ab universo opere, quod patrarat. (Gen. 2 ver. 2)

O dia de Pascoa a Cavalo

Irá esta figura vestida de roupas brancas as mais ricas, e o mais custoso peito, na cabeça capela de flores, na mão direita um estandarte branco, nele um tarjão com esta letra escrita em ouro: Haec este dies, quam fecit Dominus, exultemus et laetemur in ea. (Psl. 117) no braço esquerdo uma traja, e nela esta letra: pascoa nostrum immolatus es Cristo. (I ad Cor. 5) nas costas. Dia de Pascoa.

As duas pontas deste Pendão levam duas figuras trágicas, uma vestida de pardo (mas alegre) na cabeça capela de flores, no braço esquerdo uma tarja com esta letra: Vespere autem Sabbati, e nas costas esta letra: Tarde. A outra ponta leva a outra figura vestida de branco, com capela de flores na cabeça, no braço esquerdo uma tarja com esta letra: Et valde mane una Sabbatorum, e nas costas esta letra: Manhã, porque esta é a manhã, e tarde do dia de Pascoa.

Este é o preâmbulo, segue-se a primeira Ala.

(terá continuação s.D.q.)

SACERDOTE E MAÇONARIA - TUDO NA MESMA MISSA - BRASIL



Aqui têm a notícia:

http://www.traditioninaction.org/RevolutionPhotos/A490-Masonry.htm

PEQUENA MEDITAÇÃO IMPROVISADA

Caros amigos, encontrei umas gravações de 2006 que julgava perdidas. Alegro-me e partilho convosco a parte de uma delas: uma "meditação" improvisada, ao órgão. Espero que se agradem:



20/01/13

A SAÚDE "COME-SE"



Aproveito esta publicidade para incentivar à saúde. Principalmente, a saúde que não temos deve-se em grande parte ao que não comemos. Os nutrientes contidos nos alimentos têm a sua função específica. Apenas em segundo lugar vem a questão calórica, que hoje é colocada quase como factor único ou principal. O comer a mais deve ser visto como inútil (a não ser que haja nisso uma outra função ocasionalmente justificável - arte, medicina, festividade...), e tendo em conta a repetição desnecessária dos mesmos nutrientes numa refeição.

Enfim... um exemplo bom é a chamada "dieta mediterrânica". A boa saúde é preocupação que os católicos não podem descuidar. A alimentação tem uma função!

S. PIO X - DE SEMINARISTA A PAPA

Copiei esta imagem agora mesmo ao amigo Furini... Partilho-a:

POR MUITO POUCO...



Este vídeo de promoção ao azeite Gallo é muito interessante por vários aspectos:

1 - Descreve o ambiente em extinção em algumas aldeias de Portugal;
2 - Mostra-nos que esse ambiente é o mesmo do tempo dos nossos pais e avós etc...
3 - Testemunha que o ALTAR-MESA é o único elemento "moderno" em todo o vídeo

O altar-mesa é um fenómeno que surgiu gradualmente nos anos 70 e que acompanha mais ou menos a introdução do missal de Paulo VI. A lenta introdução de uma outra doutrina possibilitou hoje suprir a missa católica propriamente dita e o entendimento dos bons costumes.

Guardem estes vídeos, pois servirão de memória incompreensível aos vindouros.

19/01/13

S. SEBATIÃO E A "FESTA DAS PAPAS" de ATALAIA

Imagem do Mártir S. Sebastião
Dia 20 de Janeiro a Igreja comemora a S. Sebastião, advogado da guerra, da fome e da peste, santo muito devotado por cá.

Em data recuada que desconheço (idade Média), os habitantes da aldeia da Atalaia (Fundão - Castelo Branco - Portugal) fizeram a promessa de oferecer aos peregrinos algum alimento festivo (desconheço qual) caso S. Sebastião livrasse o povoado de uma terrível praga que ia dizimando a região. Pedido satisfeito, promessa paga... Todos os anos, desde então, a população encarrega-se de cumprir o prometido. Desconheço que tipo de alimento se dava gratuitamente aos peregrinos antes da introdução do milho na Europa, mas, a julgar por outros casos idênticos, seriam aqueles que a terra dava mais a carne (os animais, segundo consta, também tinham feito parte da preocupação entregue ao santo).

Tabuleiros com papas de carolo (Atalaia - Fundão)
O milho foi introduzido na Europa, e em data incerta os habitantes de Atalaia resolveram simplificar todo o procedimento acostumado mas sem perca de valor: dar aos peregrinos não vários mas sim um ou dois alimentos festivos dos quais se destaca hoje o doce "papas de carolo" (papas de milho). A confeção das papas é distribuída pelas casas da aldeia e, no dia da Festa de S. Sebastião, são distribuídas aos devotos do santo Mártir, como o prometido.

Lembro que o milho era tido como um alimento de segunda preferência na base da alimentação, mais barato, e podia compor certos pratos enriquecidos com outros alimentos ou servir para a confeção de doces.

Na região de Cabeceiras de Bastos, desde a Idade Media, cumpre-se a mesma promessa a S. Sebastião. Contudo há diferenças: as papas não são doces e contêm variedade de carnes, os alimentos são cozinhados à vista de todos, são benzidos, há missa e procissão... ou seja, mantêm-se tudo na sua devida ordem: a FESTA de S. Sebastião com todas as suas consequências espirituais e sociais. Nesta região fazem a parte das "papas" rotativamente.

As papas são depois servidas com carnes, pão e vinho (produtos locais)
Quando a Festividade a S. Sebastião engloba este tipo de cumprimento de promessas designa-se popularmente esta última faceta de "festa das papas", fenómeno que ocorre em várias localidades de Portugal, (Norte e Centro).

18/01/13

ABRANTES, 1713 - FESTA DA RESSUREIÇÃO (I)

Ainda vem longe a Pascoa, mas antes agora que postar depois o livrinho "Breve Relação da Sumptuosa Festa, que a Sempre Leal, e Muito Nobre Vila de Abrantes Dedica à Gloriosa Ressurreição de Cristo Nosso Redentor, na Igreja Paroquial de S. João Baptista, este ano de 1713" da autoria de António Feio da Maia e Almeida, com o sermão de Fr. João de S. Caetano da Santíssima Trindade:

Igreja de S. João Baptista - Abrantes
"Principia a festa no Sábado Santo, ao aparecer a Aleluia, com várias Danças e músicas que, incessavelmente, irão passando as ruas cantando e dançando, para excitarem os ânimos a prevenirem-se de alegria para ajudarem a celebrar tão alto e soberano mistério.

A noite se desmentira com multiplicadas luminárias, com as quais se lograram diversos festins, que os curiosos e devotos deste mistério farão para aplaudi-lo. Isto durará até além da madrugada do dia de Páscoa.

Neste alegre dia, à hora competente, junto o concurso se principiara a festa pela Missa solenemente cantada com seu Sermão à hora costumada. Acabada a Missa, principiará a triunfante Procissão, da qual se faz aqui antes um breve extracto.

Ao Tabor levou Cristo nosso bem três Discípulos e, transfigurando-se diante deles, apareceram ali Moisés e Elias falando com o mesmo Senhor: Apparuerunt Moyses, et Elias, cum eo loquentes: e disse o Senhor aos Discípulos que não falassem naquela visão até que o filho do homem ressuscitasse: Nemini dixeritis visionem, donec filius hominis a mortuis resurgat. Mathaei 17.

Elias representava a Lei Natural, Moisés a Lei Escrita, e Cristo principiava a Lei da Graça; e, como na Ressurreição de Cristo tiveram estas três leis o seu complemento, por isso estas três Leis formam esta Procissão de Triunfo, porque a lei, como diz Cícero, é a que ordena e manda o que se deve fazer e ordenar: Est autem lex ratio summa, insita in natura, quae jubet ea, quae facienda sunt. Cic. hb. 2 de leg.

Dividir-se-á logo esta procissão em três alas. A primeira dará princípio à Lei Natural, com a Fé e cinco Patriarcas da mesma Lei, e três Sibilas das nove que profetizaram a vida, morte e Ressurreição de Cristo. Por fim desta ala irão três andores, que emblemáticos mostraram a Ressurreição de Cristo.

Dará princípio a segunda ala a Lei Escrita, com a Esperança e cinco figuras de Profetas, Sacerdotes, e Capitães, e três Sibilas. Por fim desta ala irão três andores, que nas visões da Madalena exprimirão a Ressurreição desta madrugada.

Dará princípio à terceira ala, a Lei da Graça, com a Caridade e os quatro Evangelistas, S. Pedro e três Sibilas, e por fim desta ala três andores dos Discípulos de Emaús, que foram os primeiros que publicaram a Ressurreição de Cristo; no fim o Carro triunfal de Cristo Ressuscitado: seguirão três andores, o primeiro é do Menino Deus, que costuma ir todos os anos; o segundo da Virgem n. Senhora; o terceiro de S. João Baptista, por ser o Patrão da igreja donde sai esta procissão e se faz toda a festa.

Entre as mais Danças que irão nesta Procissão, quatro são as principais dos quatro Elementos, e estas farão de cinco figuras cada uma, por que a ímpar é de ser guia que explique no seu título qual é o seu Elemento, e irão nos lugares aqui assinalados. 

Antes que entre a primeira ala das três que formam esta Procissão, principiará por dois Cavaleiros emparelhados, lustrosamente vestidos, com chapéus emplumados, irão tocando dois clarins. Leva o primeiro no braço esquerdo uma Tarja, nela esta letra: In ominem terram exivit sonos corum. Psal. 18 nas costas este letreiro: Jubilum. O segundo leva na Tarja do braço esquerdo esta letra: Buccinate vieomenia tuba in insigm die solemnitatis vestrae. Psalm. 80 nas costas o letreiro, Aplauso.

(terá continuação s.D.q.)

CATÓLICOS E EVENTOS FESTIVOS - GRATULAÇÃO PELOS DESPOZÓRIOS DE D. JOSÉ (III)

(continuação da II parte)
Sé do Porto
Neste dia saiu o Coronel Governador das Armas com o seu Regimento vistosamente formado, e por sua ordem a brilhante Companhia dos Moedeiros, e todas as das Ordenanças com seus Capitães, Oficiais, e Soldados geralmente vestidos de gala, e festa, para estarem, como estiveram, em ala postos em armas nas ruas do largo giro, por onde havia de discorrer a Procissão de tarde; nela se viam adornadas todas as janelas de admiráveis tapeçarias. Pelas duas horas da mesma principiou a sair da Sé a Procissão precedida de sonoros clarins a cavalo, a que se seguia S. Jorge precedido também  de copioso cortejo de um Alferes com bandeira bem montado, e de lacaios, e cavalos à destra; seguiam-se 8 bailes compostos de Saraus, e Músicas ordenadas à celebridade do dia, e governados por outros tantos Cidadãos vestidos de gala. Via-se logo S. Crisóstomo na mesma fórma que costuma sair na Procissão de Corpus; a que se seguiam em avultado número todas as Confrarias da Cidade com bem compostos andares.

Continuavam o acto todas as Comunidades Religiosas, e o Clero levada por este a Arca do venerável corpo de S. Pantaleão Padroeiro desta Cidade, e o Reverendo Cabido adornado de murças de veludo admiravelmente forradas,e com toda a mais magnificência, que pedia o lustre desta vistosa função. Levavam os 6 cidadãos referidos o Pálio, e debaixo dele ia o Reverendo Deão Jerónimo de Távora de Noronha e Leme revestido de riquíssimos paramentos, levando uma Imagem de prata de N. Senhora da Conceição Padroeira do Reino. Rematando tudo com vistosíssimo aparato o Doutor Corregedor da Comarca, o Doutor Juiz de Fora, e todo o Senado da Camera em seus competentes lugares, e tanto que passava a Procissão, dava toda a Milícia, que estava posta em armas, uma continuada, ardente,e estrondosa salva, e nesta forma continuou pelas ruas destinadas até se recolher outra vez na Sé Catedral, com que finalizou, e juntamente o dia sem a mínima desordem, a solenidade desta pomposa gratidão.

Observou-se com particular atenção como prodígio celeste em aprovação destes felicíssimos Reais despozorios, que sendo repetidamente chuvosa, e com bastante inundação a quadra, e Estação do tempo, foram nele únicos, e especiais bons dias o de 24 de Janeiro, em que se celebrou a primeira função do Te Deum na Igreja de S. Domingos, e os de 4 e 5 de Fevereiro, em que se fizeram a Emcamisada, e procissão referidas, antecedendo, e seguindo-se a estes alegres dias as chuvas em todos os mais continuadas.

Na noite deste último dia deu o Coronel Governador das Armas em sua casa aos seus Capitães, e mais Oficiais, e a muita da principal nobreza, e pessoas de distinção desta Cidade, e que se achavam nela, o dicertimento de uma Loa, e vários bailes, e Serenatas com alusão à celebridade do dia, a que se seguiu um esplêndido banquete com uma notável profusão de esquisitas iguarias, doces, bebidas, e refrescos, sendo alternados com brindes feitos em obsequio das Majestades com respeitadas salvas de artilharia de uma quantidade de morteiros, que para isso estavam dispostos em sítio acomodado.

FIM

12/01/13

"FIDALGOS DA CASAMOURISCA" - "ABSOLUTISMO PORTUGUÊS" (I)


Júlio Dinis, liberal, escreveu a obra "Os Fidalgos da Casa Mourisca" como forma didática de incutir e justificar o liberalismo e denegrir os absolutistas.

Recortei este capitulo da obra para mais tarde tecer-lhe alguns comentários:

"Em uma das espaçosas salas da Casa Mourisca, alumiada por três rasgadas janelas ogivais e mobilada ainda com certa opulência, vestígios do esplendor passado, esperavam a hora de jantar o velho fidalgo e o seu capelão-procurador frei Januário dos Anjos.

Não foi rigoroso o emprego no plural do verbo da última oração.

Frei Januário era quem esperava, porque essa era também a principal ocupação dos seus dias. Os gozos do paladar mal lhe compensavam as amarguras destas longas expectações. Eram elas talvez que não o deixavam medrar na proporção dos alimentos consumidos, porque frei Januário era magro. O mistério fisiológico desta magreza ainda não era para se devassar de pronto.

D. Luís lia as folhas absolutistas, que lhe mandavam da capital e do Porto, e dava assim em alimento ao seu ódio contra as instituições liberais um dos frutos mais saborosos delas - a liberdade de imprensa -; fruto, em que os seus correligionários mordem com demasiada complacência, apesar de ser para eles frutos proibido.

De quando em quando D. Luís interrompia a leitura com uma frase de aprovação ao artigo que lia ou de censura a qualquer medida promovida pelo governo, que nunca tinha razão.

Frei Januário secundava, com toda a força do seu obscuro credo político, as reflexões de s. exc.ª, e requintava na intensidade dos anatemas, com que eram fulminados os homens da época.

Mas, solta a frase que o caso pedia, e as competentes exclamações, voltava o padre a consultar o relógio, a abrir a boca, a suspirar; dava dois ou três passeios na sala e terminava por is inspecionar a cozinha. os intervalos das refeições eram para ele séculos!

- Humh! - disse D. Luís naquela manhã, poisando a folha, como enojado com o que lera - Lá foi concedido um subsídio para a construção do lanço de estrada de Vale-escuro!
- Fartos sejam eles de estradas! - acudiu logo frei Januário - Para esta gente a moralidade e a ventura de um país consciente em ter estradas e diligências, e acabou-se. Olhem lá se eles levantam sequer uma igreja? Isso sim!O dinheiro do clero sabem eles roubar! E que pena não terão por não deitarem a baixo os templos que por aí ainda há! Mas atrás do tempo tempo vem. Vontade não lhes falta.

Não sei se foi esta última frase que recordou ao padre que também a ele não faltava vontade... de comer. O certo é que, mudando de tom, acrescentou:

- Querem ver que o Bernardino se esqueceu hoje do jantar? Isto não quase duas horas, e eu não ouço tugir nem mugir na cozinha! Nada, aqui anda coisa. Com licença, eu vou ver e volto já.

E frei Januário saiu da sala para ir para a vigésima vez à cozinha, que ele suspeitava abandonada pela incúria do cozinheiro, estando pois a família toda ameaçada com a tremenda catástrofe duma retardação do jantar.

D. Luís pegou de novo nas folhas e deixou-se ficar lendo até à volta do padre, que entrou indignado.

- Eu que dizia?! Posto  à taramela com o hortelão, sem se lembrar do jantar? Olhem se eu lá não ia! Não que dizem que uma pessoa pode descansar nos criados. Há de poder! São uma corja! E, v. exc.ª não quer crer, aquele excomungado daquele hortelão há de ser a ruína desta casa. Foi uma imprudência da parte do Sr. D. Luís meter em casa um libertino daqueles, mação nos ossos e no sangue. Foi um passo muito errado... Aquilo é um péssimo exemplo para os outros. Sabe v. exc,ª em que ele estava falando? Não cantiga do costume. No desembarque do Mindelo. Quando eu cheguei ainda lhe ouvi dizer que eram sete mil e quinhentos bravos que vieram pôr fora da cidade os oitenta mil lobos que andavam lá, e coisas assim. E o cozinheiro a dar-lhe ouvidos, e o leitão a queimar-se e a sopa a pegar-se no fundo da panela, que logo me cheirou a esturro. É preciso que v. ex.º dê as providências, quando não...

D. Luís, tomando menos a peito do que o capelão os destinos do jantar e da sopa, e fiel ao hábito de nunca falar, nem em mal nem em bem, do hortelão, não respondeu e prosseguiu a leitura das folhas.

Daí a pouco referiu ao padre a notícia que tinha lido do desastre sucedido a uma diligência ao passar em uma ponte que na ocasião abatera, resultando muitas vítimas.

A indignação do padre exaltou-se.

- Pois se esta gente que nos governa deixa as estradas e pontes em um abandono desses! Vejam que tempos os nossos! Em que país do mundo se veem estradas assim arruinadas como as nossas? São os bens que nos trouxeram os homens da Carta! Isto é bonito!

E o padre Januário continuou ainda por algum tempo a condenar, pelo crime de desleixo e de falta de protecção à viação pública, os mesmos governos que, momentos antes, acusara de conceder para esse fim subsídios e de lhe dar importância demasiada.

A política de frei Januário é vulgar na nossa terra.

D. Luís, tendo concluído a leitura da folha, pô-la de lado e resumiu a série de pensamentos que essa leitura lhe sugeria, na seguinte e contraída síntese:

- Isto vai cada vez melhor, frei Januário.
- Isto vai bonito, não tem dúvida nenhuma - secundou o padre.
- Enfim, quem viver verá onde isto vai parar, onde nos leva esta torrente.
- E não é preciso viver muito, mais dia menos dia temos aí os espanhóis, ou então passamos a ser ingleses. Não há que ver; da maneira por que vão as coisas...
- Ai, pobre Portugal! - exclamou melancolicamente D. Luís.
- Que vais à vela - concluiu o padre. - Desde que puseram a cabeça à roda a esta gente com liberalismos... ficou tudo transtornado. Agora todos mandam, todos falam, e não há quem governe. isto de não haver um que governe... Estes patetas não se desenganam de quem um país em uma cozinha, sem ninguém que os vigie, e verão o que vai! esperem por o jantar, que hão de achar-se servidos!

O simile fôra sugerido a frei Januário pela sua constante preocupação.

- O que me custa é lembrar-me de que meus filhos têm de viver nesta sociedade assim organizada. Quem sabe a sorte que lhes está reservada, aos pobres rapazes! - disse o fidalgo, suspirando com escuras apreensões sobre a posição precária da família.
- Os filhos de v. exc.ª não devem transigir em caso algum com estes homens! - exclamou com veemência o padre - É não fazer como a sobrinha de v. exc.ª, a snr.ª D. Gabriela, que já é baronesa das feitas por eles. Quando se é fidalgo é preciso ser fidalgo.
- É bem negro o futuro que espera as casas como a nossa, e sabe Deus se em parte preparado por nós - insistia o fidalgo. - Também pecamos.
- Pois é uma triste verdade, mas isso não é razão para que os que nasceram nessas casas se abaixem diante dos que nem sabem onde nasceram. Deixe v. exc.ª medrar quanto quiser o Tomé da Herdade, que no fim de tudo sempre há de mostrar que andou descalço em criança e que foi levar a beber o gado desta casa. Há certas coisas que  não dá o dinheiro.
- O Tomé da Herdade! - repetiu D. Luís com amargura - Esse é que prospera, os tempos estão para ele. Quem o viu e quem o vê aquilo!
- Então que quer? Inda mais havemos de ver. E então não sabe v. ex.ª que o homem mandou educar a filha na cidade, como se fosse a filha de alguém?
- A Berta?
- Sim, a que é afilhada de v. exc.ª Com que fim faz aquele toleirão uma coisa dessas? Veja a parlapatice daquele homem. Não repara na posição falsa em que coloca a rapariga. Meteu-se-lhe talvez na cabeça que ainda a casava com algum fidalgo! Pode ser. Veja v. exc.ª se ela serve para algum dos seus filhos.

D. Luís sorriu, encolhendo os ombros.

- Ora para que precisa a mulher de um lavrador e, que é afinal o que ela tem de ser, das prendas e da educação que o pai lhe mandou dar? Não me dirá v. exc.ª?
- Todos hoje têm aspiração a subir - reflectiu D. Luís com ironia. - A maré sobe.
- Eu bem sei o que é que dá causa a estas toleiras. Tudo isto vem da barulhada que estes liberalões fizeram na sociedade. Tudo está remexido e ninguém se entende. O sapateiro que nos vem tomar medida de umas botas parece um visconde. Onde isso é bonito, segundo dizem, é em Lisboa. Hoje todos por lá tem excelência!

Nestes sediços comentários sobre o estado do século deixaram-se ficar os dois por muito tempo, desafiando assim a sua má vontade contra as instituições modernas. O padre Januário porém não perdia com isso a  ideia do jantar, e de quanto em quando voltava os olhos para o relógio, cujos lentos ponteiros não correspondiam nunca à impaciência dos seus desejos. Enfim deu uma hora e frei Januário erguei-se instintivamente para ir ver se o jantar estava servido.

Passado pouco tempo tocava a sineta, tão grata aos ouvidos do reverendo. Vibraram pelos desertos aposentados e extensos corredores da Casa Mourisca aquele sons, que em felizes tempos punham em movimento uma numerosa e esplêndida côrte, que os ventos da adversidade tinham dispersado.

D. Luís entrou nasala de jantar, onde com impaciência o aguardava já o capelão.

Aquela grande sala vazia, aquela extensa mesa, apenas servida com quatro talheres, falava tanto do esplendor passado e da decadência presente, que poucos lugares havia na casa que deixassem no fidalgo mais melancólicas impressões. Nunca se lhe anuviava tanto o coração como ao sentar-se-à cabeceira da mesa, em torno da qual outrora vira rostos conhecidos e amigos, hoje tão solitária e abandonada.

. Luís, reparando que o escudeiro principiava a servir, perguntou, apontando para os lugares dos filhos, que ainda estavam de vago.
- Então os senhores não ouviram a sineta?
- Os senhores ainda não vieram.
- Nem Jorge?  - perguntou D. Luís, como se estranhasse menos a ausência de Maurício.
- Nem um, nem outro.
- O snr. D. Maurício - observou o padre, que temia um adiamento do jantar - saiu para a caça; quando virá ele agora?

E dizendo isto, fazia sinal ao criado para que servisse o fidalgo.

- E Jorge? - insistiu o pai.
- O snr. D. Jorge... esse não sei... talvez esteja aqui por alguma parte.

O fidalgo, evidentemente contrariado com a ausência dos filhos, que ainda mais aumentava a solidão daquela sala, resignou-se a principiar a jantar sem eles.

O jantar correu em silêncio.

O humor negro de um dos comensais e o apetite do outro não davam azo ao diálogo.

Estaca o padre deliciando-se com uma farta posta de assado e o cometente acessório de massas, quando Jorge entrou na sala.

D. Luís não lhe dirigiu a palavra, nem sequer um olhar.

Jorge formulou uma vaga desculpa, que o pai interrompeu, com o gesto a mandá-lo sentar; e, passados momentos, levantou-se ele e saiu silencioso.

Frei Januário, tendo já satisfeito as primeiras e mais urgentes exigências do seu estômago, achou-se disposto a continuar o diálogo. Por isso, ao encetar a sobremesa, dirigiu por comprazer a plavra a Jorge:

- Com que vem do seu passeio, hein? A manhã estava bem bonita. E então o que viu por esses campos?
- Muito trabalho, snr. frei Januário, muita vida rural - respondeu Jorge.
- Sim, agora é o tempo das colheitas, Anda por aí tudo azafamado.
- Mas porque é, snr. frei Januário, que nos campos da nossa casa não vejo o movimento dos outros?

A imprevista interpelação do adolescente ia entalando o padre.

- Causou-me sensação isto hoje - prosseguiu Jorge.
- Quem subir ao alto do outeiro da Faia, por exemplo, e olhar de lá, em roda de si, para o vale, pode marcar as propriedades da nossa casa; onde vir um campo quase maninho, um muro a cair, umas paredes negras, um aspecto de cemitério, tenha a certeza de que nos pertencem esses bens.
- Não é tanto assim... É verdade que... meu rico filho, que quer? depois que os homens do liberalismo tomaram conta deste país, as coisas mudaram. Quem não está por o que eles querem...
- Não vejo em que eles influam para isto, snr. frei Januário. Quem nos impede de fazer o que os outros fazem? de cultivar os nossos campos? de pôr homens a trabalhar nossas terras incultas?
- O que os outros fazem, diz ele! Os outros... os outros... e quem são os outros? Uns miseráveis que eu conheci de pé descalço, a limpar os cavalos e a cavar nos campos desta casa.
- Tanto mais para admirar e para louvar o esforço que os tirou dessa posição humilde e os elevou àquela, que hoje ocupam.
- Olhem que grande milagre! Homens que não devem respeito a si mesmos, para quem todo o trabalho está bem,como não hão de enriquecer? Ora essa é muito boa!
- E os que devem respeito a si mesmos estão pois condenados à miséria?
- À miséria... à miséria!... Que palavra! Ora para o que lhe deu hoje! Foi sobre que se lhe pegou? Se ela anda por aí tão acesa! O menino ainda é muito criança para pensar nessas coisas. Coma e beba e...

As faces de Jorge tingiram-se de um rubor intenso, e redarguiu com energia e irritação:

- Não sou criança, frei Januário; acredite que o não sou. Tenho mais de vinte anos e estou resolvido a ser homem. Córo da minha ociosidade, quando vejo que somente as nossas terras fazem vergonha à actividade deste povo. Tenho anos para viver, deveres de honra a cumprir, um nome para conservar sem mancha, e quero saber que futuro me preparam os gerentes da nossa casa, quero desviar a tempo de mim a tremenda responsabilidade de ser na minha família talvez o primeiro a faltar um dia aos seus compromissos. É por isso que falei e que desejo que me responda, snr. frei Januário.
- Ai. menino; isso não é seu! Aí anda doutrina liberal. Eu cheiro-a à distância de léguas. Então quando o senhor seu pai me honra com a sua confiança, é acaso justo, é acaso bonito que eu seja suspeito e interrogado por uma criança, que ainda nada sabe do mundo?
- E quando hei de aprender? Querem-me estúpido, como esses morgados que por aí se arruínam?
- Mas que quer o snr. Jorge afinal? Então não sabe que desde que os lavradores se fizeram fidalgos, ninguém luta com eles? O dinheiro está de lá; para lá vão os trabalhadores; senhor. Ora é boa! Eu acho graça a certa gente!
- O dinheiro está lá! Mas como conseguiram eles enriquecer? Pois não diz que eram uns miseráveis?
- Ah! então quer principiar como ele principiaram, cavando com uma enxada todo o dia e furtando à boca para juntar ao canto da caixa com o fim de comprar uns bois? etc. etc. Veja se quer.
- Não principiávamos de tão longe como eles, escusávamos de tantos sacrifícios. Bastava que olhássemos com atenção para o muito que temos ainda, e que tentássemos desenredar, a pouco e pouco, esta meiada, que nos enleia e que nos há de afogar a todos.
- Ora é boa! E então o que é que eu faço, o que é que estou fazendo há quase trinta e oito anos em que o snr. D. Luís me distingue com a sua confiança? Mas a coisa não é tão fácil, como lhe parece. É boa!
- Mas quais são os seus plano, padre Januário, qual é o seu sistema de administração?
- Os meus planos?!... Ora essa!... Então que planos quer que sejam os meus? Sistema de administração!... isso é frase de cortês... Humh! tenho entendido... É o que eu digo... Ó snr. Jorge, ora fale-me a verdade, aí andam ideias de liberalismo. Com quem falou esta manhã! ora diga.
- Venham de onde vierem as ideias. A origem pouco importa, a questão é que elas sejam boas. Eu não trato de liberais nem de absolutistas agora. Vejo que a minha casa se perde, vejo caírem os muros e nunca se repararem; vejo campos e campos sem menor cultura, encontro em tudo quanto nos pertence profundos sinais de decadência, e quero saber a grandeza do mal que nos oprime.
- E se for grande o mal, o que quer que se lhe faça?
- Quero que se trabalhe para remediá-lo; que se façam sacrifícios úteis, que deixemos a louca vergonha e o orgulho enfuatuado que nos faz viver hoje ainda uma vida que não é destes tempos. Desengane-mo-nos; a época não é de privilégios nem de isenções nobiliárias, é de trabalho e de actividade. Plebeu é hoje só o ocioso, nobre é todo o que se torna útil pelo trabalho honrado.
- Jesus! O que aí vai! O que aí vai! Eu bem o digo! Há liberal na costa! Isso é tão certo como dois e dois serem quatro. Se o pai  o ouvia!
- Há de ouvir-me, porque tenciono hoje mesmo falar-lhe.
- Que vai fazer, snr. Jorge?
- O meu dever. Eu e meu irmão seremos um dia os representantes da nossa família. Para que nos orgulhemos do nome que herdamos, é necessário que esse nome não tenha manchas e que nós lhas não lancemos.
 - Mas quem lhe diz, quem lhe fala em manchas? Ora... ora... ora... ora esta não está má!
- Frei Januário, eu não sou criança, repito-o. Sê-lo-ia ontem, hoje não o sou já. Faça de conta que o sol desta manhã me amadureceu. Por isso não me iludo enquanto à natureza dos meios com que se sustenta ainda nesta casa um resto de esplendor de antigos tempos. Pois mais valeria comer em louça nacional e vender as matilhas e os dois cavalos de luxo, que ainda temos, para comprar dois bois.
- Mas...
- Até logo, frei Januário, conversaremos mais de espaço sobre isto.
- Mas...

Jorge, sem o atender, dispunha-se a sair, quando o padre, puase assustado, o chamou.

-Mas venha cá. Ouça-me valha-me Deus! Olhem que homem este! Tem muita razão no que diz. Sim senhor. As coisas não vão bem. Hoje não é ontem; e esta casa já viveu melhores tempos do que os que correm. Mas de quem é a culpa? É de mim ou do senhor seu pai? Pois não foste! Para remediar o mal trabalhamos nós há muito. A culpa é desta gente que nos governa, destes homens que juraram perder tudo quanto era nobreza para poderem à vontade fazer das suas, sem ter quem lhe vá à mão. Percebe agora? Desde que os liberais...
- Por quem é, frei Januário, não me venha outra vez com os liberais. Eu tenho a razão bastante clara para ver as coisas como elas são, e não me deixar levar por essa cantiga do costume. Os liberais!... Os liberais o que fizeram foi aliviar a agricultura dos enormes encargos que dantes pesavam sobre ela e que não a deixavam prosperar, foi criar leis e instituições que facilitássemos esforços dos laboriosos e castigassem se veramente a incúria e a ociosidade. Quando ao de oprimir-se o lavrador de tributos pesados e iníquos e dos odiosos vexames do fisco, ao tornarem-se-lhe mais fáceis os contactos e as transmissões da propriedade, ao criar-se-lhe recursos para ele tirar do seu trabalho e da sua inteligência dez vezes mais do que antes podia obter, quando na época em que tudo isto se realiza, uma casa como a nossa, em vez de prosperar como tantas, vê apressada a sua decadência, é porque tem em si um velho e incurável cancro a roê-la. E é esse cancro que eu quero conhecer, para extirpar-lo, se ainda for possível.
- Eu estou pasmado! Pelo que ouço, acha o menino que todas essas fornadas de leis, que esta gente tem feito, são muito boas e que a sua casa devia ser muito bem servida com elas?
- Essas leis de que se queixa, são racionais; uma casa racionalmente administrada não pode pois perder com elas.
- Sim, senhor! Visto isso, o menino, que depois da morte dos manos, ficou sendo o filho mais velho da família, gostou talvez muito de ver acabar com os morgados? Sim, como as leis modernas são tão boas, havia de gostar - Argumentou o procurado, com ares de finura, como de quem apanhava em falso o seu adversário.

Jorge respondeu serenamente:

- E porque não? A abolição dos morgados acho eu que foi um grande acto de justiça e de moralidade; além de ser uma medida de longo alcance político.
- Ai... ai... ai... o que mais terei de ouvir! O menino está perdido!... Pois já me aplaude a maldita lei, que há de dar cabo das famílias mais ilustres do reino... Ai, como ele está!...
- Deixe-se disso. A abolição dos vínculos só trouxe a morte às casas que deviam morrer. O que ela fez foi proclamar a necessidade do trabalho indistintamente para quem quiser prosperar. O esplendor das famílias deve ficar somente ao cuidado dos membros delas e não da lei. Quando esses não tenham brio nem dignidade para o sustentar, justo é que ele se apague, e que o nome dos antepassados não continue a ser desonrado pelos vícios e ociosidade dos descendentes. Mas deixa-mo-nos destas discussões, frei Januário.O meu partido está tomado. mais tarde saberá das consequências dele.

E Jorge que saiu da sala, deixando o egresso apertado com o que ouvira.

- Que anda aqui liberalismo, isso para mim é de fé. Mas que mosca o morderia? Querem ver que já fizeram do rapaz maçon? Pois olhem que não é outra coisa. Eu quando os ouço falar muito do trabalho... já estou de pé atrás. Tem graça! Quem os ouvir, persuade-se de que o trabalho é um prazer. Ora adeus! O trabalho é uma necessidade, o trabalho é um castigo. Para aí vou eu. Que trabalho tinha Adão no paraíso? E não lhe chamam os livros sagrados um lugar de delícias? Amassar o pão com suor do rosto, olhem que título de nobreza! Estes modernismos! Mas é a cantiga da moda. O trabalho enobrece, o trabalho consola, o trabalho é uma coisa muito apetitosa... Será, será, mas eu, por mim, se pudesse deixar de trabalhar... Ah! ah! ah!.

Aqui bocejava o agresso.

- Mas que ali anda liberalismo, isso é tão certo como eu estar onde estou. Como ele falou nos morgados!... Provará que é tão pateta que, sendo ele morgado, diz daquilo. E que cai declarar ao pai... Não declara nada. Um criançóla que não sabe senão passear. Tomara ele que o deixem... O ocioso é que é o plebeu, o nobre é o que trabalha. Sim, sim, contem-me dessas. Aquilo é música de anjos. Diga-se o que é verdade, quem puder queixar de trabalhar...

Frei Januário, nestas graves ponderações, deixou-se a pouco e pouco invadir pelo sono, e acabou por adormecer à mesa, sonhando-se em uma espécie de paraíso, com o tal lugar de delícias de Adão, cuja ociosidade sempre fora objecto muito dos seus enlevos.

Deixe-mo-lo adormecer, e vamos ter com Jorge a um dos menos arruinados ângulos da Casa Mourisca."

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