30/10/15

VOCABULÁRIO DEMOCRÁTICO Nº4 (III)

(continuação da II parte)


RAZÃO – Segundo os Democráticos, a razão está vinculada a eles, e é o fundo principal de seu morgado. É deste modo, que podem fazer quanto lhes vier à cabeça (e nunca é cousa boa); e ainda que cometam as mais altas perfídias, os enganos mais vis, as mais horríveis traições, e mais tirânico despotismo, e ainda que matem,  roubem, blasfemem, a e façam quantas graças não faria o mesmo demónio, sempre tem razão. E dizem muito bem; porque como no idioma democrático razão e força são sinonimamos, já V.m. vê.... É verdade que algumas vezes tem errado a conta, e que, buscando a pedra, foram dar com o amolador, como lhes sucedeu em Alexandria: porém como há de ser? Não há costa acima, que não tenha sua costa abaixo. Mas, deixando isto de parte, (por não molestar os sensibilíssimos, e humaníssimos corações filosóficos) é por causa sentada, que razão em sentido antigo está capitalmente desterrada, não só do Vocabulário, mas até de toda a mente, vontade, e acção de um verdadeiro Democrático. 

(* O que o Autor diz a respeito de Alexandria, todos sabem que se refere à perda que experimentou Bonaparte no Egito: este facto contemplado em si mesmo nada tem de estranheza, atendendo à incerteza das Expedições, principalmente quando são marítimas; mas o motivo, pelo que se torna digno de reflexão este acontecimento, é pelo tom elevado, com que os liberais apregoam as suas victorias ainda antes de conseguidas: a razão do seu procedimento, a justiça da sua causa, e perícia de suas armas, o que tudo combinado deve produzir sempre um resultado victorioso para o seu partido. Mas coitados, muitas vezes lhes tem saído o gado mosqueiro. Ainda a empresa Egiptana se não tinha começado, nem o Corso audaz tinha alinhado os batalhões republicanos, já na mente, e até nos Periódicos dos Franceses se lhe representava o Cairo submisso às suas ordens, Memphis, e Tanais abrindo as suas cem portas, as altas e soberbas Pirâmides inclinando a elevada cerviz às Águias Francesas, os antigos canais, e lados de quarenta léguas desobstruídos, e navegáveis para o Comércio Francês: o Nilo prodigalizando suas enchentes a beneficio dos novos vencedores; a peste, e a febre amarela, em que tanto abundavam aqueles países, fugindo confundidas na presença da Civilização, e asseio, que um nova ordem de coisas ia estabelecer naquela, até ali infeliz região do mundo; e o que é mais que tudo: aberto o Isthmo de Suez, subjugado o Mogol, (e que pechinxa não eram os seus tesouros?!) e o Comércio do Oriente todo, tendo por empório a Republica Francesa!... Já se lhe representavam as Colónias, Estabelecimentos, e Feitorias Inglesas lançadas por terra, e começando a desmaiar o Colosso Marítimo, que privado de suas bases deveria de necessidade precipitar-se sobre a sua mesma ruína, etc. etc. Mas assim se cantam as glórias. Todas estas victórias, interesses, vantagens comerciais, e políticas, de que estavam cheias as cabeças, e papeis franceses, reduzirão-se a fugir Bonaparte em traje de marujo por entre a frota inimiga, e aparecer em França com uma mão atrás da outra!!... Ora um facto semelhante a este, não se circunstâncias, mas em relações liberais acaba de patentear-se, e um desar talvez pior do que aquele acaba de sofrer a política revolucionária. Pelas ordens, e pelo dinheiro do grande Oriente Parisiense [maçonaria] fez-se a revolução da Polónia, o que se comprova pelas figuras, que apareceram na Cena, pelas correspondências, que foram parar às mãos do Imperador Nicolau, e pelo dinheiro argelino, que nesses dias começou a girar em Varsóvia; (descansem que não perdem o juro nem o capital... a seu tempo se colhem as peras) apenas este facto manifestou, para logo serão os Politicões Peridioqueiros: temos um baluarte em nossa frente, que ninguém pode superar; a Polónia reunida, e combinada é capaz não só de resistir a toda a força da Rússia, mas até pela sua posição geográfica, pela valentia de seus soldados, pela arrogância de sua Cavalaria, e máxime pelos auxílios que lhe havermos ministrar é capaz de invadir qualquer dos três Reinos vizinhos, e tornar-se aquilo, que Napoleão quis que ela fosse. Em virtude destas ideias quixotescas todos os dias se assoalhava o valor dos Polacos, em todos os Cafés se defendiam Conclusões acerca dos limites, que havia que ter o novo Império, se havia que ser Monarquia, ou República: uns dias por outros apregoava-se uma batalha ganhada pelos Polacos, em que 60$ destes tinham derrotado 200$ Russos; e quando se era possível que isto acontecesse? respondia-se com um ar majestático: "Pois como não há de ser assim, se eles defendem uma Causa santa e justa, estão unidos, a guerra é nacional, e tem toda a razão  nas suas pretensões?"  Muitas vezes amotinava-se o Povo, gritando  "Vivam os Polacos, morram os Russos!"  e entre estes grupos se viu, e se ouviu muitas vezes o Ex-Imperador Brasiliense [D. Pedro I] com uma voz estrondosa aplaudindo estas orgias revolucionarias; e até o Ministro Perrier, e Companhia, subia muitas vezes à Tribuna para dar as noticias da Polónia: já passava por axioma a fraqueza dos Russos, a invencibilidade dos Polacos, e o próximo reconhecimento da sua independência, etc. Mas em último resultado mudam-se as cenas! e em troco de um Império, ou República triunfante, aparece um país desolado, ultrapassado o invadiavle Vistula, invadidos todo os baluartes, penetradas três grandes linhas de defesa, e tomadas à baioneta cento e vinte peças d’artilheria! Ó lá!... como é isto? Foi a má política, dizem, do Nosso Governo, que há muito devia ter destacado 200$ homens para coadjuvar os Polacos, e então outro galo nos cantára. Sim, isto é muito bom de dizer: quem dera tivesse acontecido; talvez a esta hora se tivesse levantado o véu à alta policia do Norte, e talvez tivesse caído a máscara a alguns Gabinetes Hipócritas, que ostentando que não intervêm em cousa alguma, em tudo se metem, auxiliando sempre os descontentes, ou revolucionários da Europa, etc.  Já se saberia a esta hora quais eram os inimigos, contra quem a Legitimidade Universal tem que levantar  as armas... Mas em fim não tarda quem vem: o Vencedor, e Príncipe de Varsóvia disse aos seus soldados: "Novos triunfos vos esperam."  Pois então esperemos pela Primavera, que é o tempo da flores; agora não se pode, nem deve intentar qualquer empresa Militar, a não ser de Ilhéus, e foragidos, comandados pelo Ex-Imperador, Ex-Rei, General em chefe, e bis-Rei dos degenerados Portugueses: essa sim; a toda a hora que vierem está tudo feito: até o tempo há de enfrentar as suas tempestades, o mar aplacar as suas ondas, e os inóspitos rochedos hão de quebrar por si, para darem franca passagem, e receberem em seus braços os nossos argonautas, que vem tirar as cadeias à sua Pátria. Assim o contemplam, e assim o afiançam. 
Na verdade, não há nada que exaspere mais, e faça ferver tanto o sangue, como é, a estupidíssima altivez, com que a este respeito se explicam os patifes de lá, e os toleirões de cá. Faz criar sangue de carrapato a qualquer homem, que ainda estudasse Lógica à velha, e ouvi-los falar de semelhantes forma. Venham cá, patifes, e desavergonhados, pois não vêm como vão saindo frustradas todas as profecias revolucionárias, como os Povos estão desenganados a este respeito? Pois não sabem que a Revolução de Julho está inteiramente desacreditada, e que por toda a parte é rebatida, e então só em Portugal é que há de achar apoio, só cá, é que hão de ser bem sucedidas as promessas; só cá é que não hão de fazer obstáculos?! Pois então na vossa política era invencível a Polónia, porque seguia uma (na vossa opinião) boa causa, e porque era guerra de Nação, e de Independência, e Portugal não há de poder defender-se, há de sucumbir para logo, e há de render-se à discrição?! Oh! Que estúpidas são as gentes, que assim pensam! Qual Causa será mais Santa, qual guerra será mais Nacional, a nossa, a da Polónia?! Eles eram revoltosos, pugnavam contra um Soberano Magnânimo, Legitimo, Poderoso, e que nada tinha alterado a tranquilidade do País, e que antes a tinha afiançado, mantendo os seus direitos, e imunidades, e advogavam uma liberdade quimérica; por isso não poderão vencer: e nós pelejamos contra uma horda de foragidos, condenados à morte pelas leis do Reino, contra um chefe ilegítimo, odiado pela Nação, nosso perseguidos, traidor à Pátria, fraco como uma abóbora, sem virtudes, nem Morais, nem políticas, nem Religiosas; mau pai, mau filho, mau marido, mau irmão, mau Rei, e péssimo... a lembrança de que é Irmão d’ElRei Nosso Senhor, é que nos suspende a pena; por isso de certo havemos de vencer. Como poderá ter força moral para sustentar um Reino de macacos?! Esta a única lembrança é bastante ridículo todas as suas empresas: e porque pugnamos?! Pugnamos pela Liberdade sólida, e Legal da Nossa Pátria; pugnamos por aquelas leis, que já contam quase sete Séculos; por aqueles usos, e costumes, que em Portugal produziram homens como foram os Gamas, os Alburquerques, os Pachecos, os Castros, os Cunhas, os Ataides, e tantos outros, que foram o assombro do Século de 500; pugnamos pela Causa, que pugnaram D. Nuno Alvares Pereira, e João das Regras, um com armas, outros com as letras; pugnamos pelo mesmo, que pugnaram os quarenta Aclamadores em 1640; pugnamos finalmente pela Causa de um Rei, que é o melhor dos Reis, a quem Deus protege, a Providência defende, e a Nação adora, cujo Trono são os corações de seus vassalos, o Muito Alto e Poderoso Rei Senhor D. MIGUEL I.: este Nome Angelical, Símbolo da Victoria, só por si levado ao meio das fileiras de 80$ homens que para a Sua, e nossa defensa se armam, será bastante para afugentar as invasões de Xerxes, e produzirá nos arraiais inimigos o que nos arraiais do Filisteus produzi a Arca Santa, quando foi conduzida aos ombros dos Levitas. Venit Deus in castra diziam aqueles incircuncisos, quando apoderados de um terror pânico abandonavam o Campo; e estes nossos rivais nem isso saberão dizer, porque são Ímpios, e Ateus.) D. Tr.

(continuação, IV parte)

CUM SERO ESSET - João Rodrigues Esteves (sec. XVIII)














VOCABULÁRIO DEMOCRÁTICO Nº4 (II)

(continuação da I parte)

MATRIMÓNIO – Também esta palavra tem perdido seu antigo significado, e o que agora tem entre os Democratas equivale ao que se chamava dantes um concubinato metódico, que é na realidade o único matrimonio do qual são capazes os libertinos. Para os matrimónios desta classe não se requer um amor constante, e racionável, que adoce mutuamente os infortúnios da vida. Também tem a vantagem, e comodidade de livrar da pesadíssima secatura da educação dos filhos. 

Nasce daqui uma séria dificuldade em outro género, que certamente não é fácil de explicar, a saber: que cousa se deve entender por bom Patriota, e bom Republicano, tão engrandecido, e louvado em a língua Republicana? Nos Escritos Republicanos sustenta-se com furor, que não se pode ser bom Patriota, Republicano, etc. etc. sem ser bom pai, e boa mãe, e assim o mais. Ora pois, nos matrimónios democráticos legítimos, legitimíssimos, a boa mãe, depois de três, ou quatro anos de casada, abandona republicana e amorosamente seus filhos, (o que nem ainda os mesmo tigres fazem) e vai a outra parte criar outros, para abandona-los da mesma maneira. Logo, se esta é a boa mãe, (e o é constitucionalmente) querer-me-hão dizer, que gentes perdidas e embusteiras não são o bom Patriota, e o bom Republicano? Mas em fim não há mal, que não venha para bem; pois daqui inferimos: que o Vocábulo bom passou magicamente à significação contraria; em cujo suposto não somente entendemos já, que cousa é em língua antiga bom Patriota, etc. mas sabemos também, que pertencem à conjuração todas as bondades havidas, e por haver, uma vez que sejam Democráticas.


LITERATO – Em boa versão corresponde a ímpio. A literatura Democrática, que é a mesma, que a moderna Filosofia, deve ser despreocupada; e não o pode ser filosoficamente, enquanto não comece por contar entre as mais desprezíveis preocupações  a Religião, a Moral e a existência de... Explico-me?... Em todas as Universidades Democráticas foram destruídas as Cadeiras de Religião, de Teologia, de Direito Divino, etc. Já se vê, como não são mais que chocarrices, e velhices indignas da literatura Republicana, e do alambicado engenho Democrático, que deve unicamente brilhar no campo do ateísmo, do sofisma, da impostura, e da contradição. Fóra ideias rançosas! A Sabedoria Democrática deve reduzir-se, e está já reduzida ao inocente e singelo método de embrulhar todas as ideias, de fazer do negro branco, e do branco negro, e de formar à força de sofismas, sarcasmos, mentiras, embustes, trapaças, e declamações uma nova Lógica Republicana, que sirva como de molde aos saltimbancos, e extravagâncias de engenho, de que há tanta abundância, e que são outrossim incapazes do antigo método, e sistema de reflexões sérias, e justas, e de sólidas deduções. Quando um Literato Democrático, à força de plagiatos, chegou a encaixar num livro uma sátira contra os Monarcas; um troço de Historia sacado violentamente de Montezuma, ou da Cruzada; um facto ou fingido, ou transtornado de algum Pontífice; uma diatribe contra a superstição (em sentido Republicano); uma declamação contra a tirania, uma passagem terna em graça dos lavradores; uma dissertação poética sobre a natureza humana, e seus imprescritível direitos; uma apostrofe emfatica sobre a Liberdade (in genere), e sobre as bondades, e excelência da Sancta Democracia, de repente é tido por um poço de Ciência, e sua obra qualificada uma produção original de literatura democrática, ainda que estejam nela os períodos como as nozes num costal, e ainda que os raciocínios estejam jogando os coices. Por desgraça há infinitos, e infinitíssimos obstinados desta classe, que se riem ás gargalhadas com este método literário democrático; porém ainda que não fora senão pela facilidade, com que em um abrir, e fechar de olhos se faz do mais estúpido um sábio, haviam de olhá-lo com mais respeito. Pobres petímetres, e bailarinos! Desgraçados tunantes, e rufiões! Infelizes tafues, espadachins, e franchinotes! Como, a não ser um método tão esquisito; havíeis de estar a estas horas amotinando os ouvidos, como outros tantos sinos em dias festivo, sobe o maravilhosos edifício da vossa encatadores, e loquacíssima Sabedoria?! Como havíeis de estar passando pelos homens mais sábios, e ilustrados, que tem tido o Universo, e havíeis de estar luzindo com  a vossa sempiterna loquacidade, sem embargo de terdes apagada a lanterna! Desenganemo-nos: onde há melhor cousa, do que fazer-se um sábio consumado, só com chamar superstição à Religião, e tiranos aos Monarcas, que é um estudo, que se faz em meio minuto?!

Um outro, e mais vasto campo há, em que como o lírio em os vales desponta com primor a literatura republicana, a saber: a decente, fina, e modesta linguagem republicana. Cousa excelente para confundir mentecaptos; para que nunca se saiba, qual é o ponto que se tracta, quando se escreve; para combater o que ninguém sustenta; e para sair-se airosamente da questão, atacando uma cousa debaixo do nome de uma outra. Porém depois de tudo, o ápice da perfeição, a flor, a nata, e a espuma da sublime ciência democrática consiste em dizer com uma cara escárnio quantas vilanias, e poucas vergonhas lhe vem aos cascos; em vociferar calúnias, e injúrias as mais grosseiras; em atestar livros inteiros de mentiras, infâmias, sarcasmos, e impropérios. Eis-aqui em que até agora ninguém tem havido que os iguale. O alvo de uma ciência tão eminente, como esta, é todo o homem de bem, honrado, e religioso: se bem, é verdade, que não poucas vezes os mesmos Democráticos se honram mutuamente com estas saudações, e comprimentos literários: supõe-se, que por motivo de ensaio, e para aperfeiçoar-se em a arte.

(continuação, III parte)

24/10/15

UM POUCO DE ÁR FRESCO ;)

Ignoremos-lhe a música:

SOUSA CARVALHO - Sonata em Ré + (séc. XVIII)

Palácio de Queluz, onde Sousa Carvalho foi Professor dos Infantes filhos
da Rainha D. Maria















VOCABULÁRIO DEMOCRÁTICO Nº4 (I)

(anteriormente, o Vocabulário Democrático Nº3)

NOVO VOCABULÁRIO
FILOSÓFICO-DEMOCRÁTICO


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N.° 4
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Cum desolationem faciunt, Pacem appellant.
(Tacito)

*É tão fera a perfídia
De hum cruel, e vil Mação,
Que a paz nos apregoa
Quando faz a desolação. D. Tr
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Vocábulos, que mudaram de sentido, de significação, e de ideia.


NATUREZA – Esta é a principal Divindade da Filosofia moderna, e a que, segundo os Filósofos, tudo produz, tudo dirige, e tudo conserva. Este é um dos Vocábulos, que sempre ficará inexplicável em o moderno sentido filosófico. E se não, apostamos em que nenhum Filosofo se empenha jamais em explica-lo?! Para ele, natureza, e nada devem ser uma, e a mesma cousa.

Segundo a antiga inteligência, natureza é uma ideia abstracta, quer dizer, que nem tem, nem pode ter substancia, nem existência, quer dizer, que nem tem, nem pode ter substancia, nem existência, corpo, nem espírito. Pode tomar-se em dois sentidos: um, para explicar a universalidade, ou coleção dos seres criados. Outro, para denotar as qualidades, e propriedades particulares de um ser, como quando se do fogo, que por natureza alumia, e aquece. Em qualquer dos sentidos é uma ideia abstracta, que não tem mais existência, que a dos entes, em que está; os quais existem como dantes, e não como natureza. Isto suposto, não é um disparate completo personisar uma cousa, que por modo algum tem existência própria, e atribui-lhe operações, acções, e até uma inteligência previdente, como faz a moderna Filosofia? E dizer, e publicar em letra redonda, que a natureza há formado tudo, e tudo conserva, não é o mesmo que assegurar, que o bosque é quem formou as árvores, e quem as sustenta e conserva? Que outra coisa é o arvoredo, ou o bosque, senão uma ideia formada da multidão das árvores unidas e existentes? E não é necessário ser louco rematado para sustentar, que a ideia formada da existência das árvores é quem as produziu? Não são, ao contrário, as árvores, que dão a ideia do bosque? Como pois há de ser ela quem haja produzido as árvores? Não envolve menos absurdo o dizer que a natureza é quem deu ao fogo a propriedade, e a qualidade do calor e luz. Isto é o mesmo, que se disséramos: a qualidade, a propriedade do fogo deram ao fogo sua qualidade, e propriedade. E não é esta linguagem anda pior, que esta outra: é a razão da sem razão?! Logo: ou digam-nos abertamente os Filósofos, que é o que entendem por natureza, ou não levem a mal, que os declaremos por loucos, quando personisam uma ideia abstracta incapaz de existência, e por ímpios, quando desta quimera fazem uma Divindade.

Mas se a impudência filosófica é tal, que apesar da razão resistir, e repugnar, todavia insiste em divinizar, e personisar um ente, cuja existência real implica, tome o meu conselho, e divinize, e personise a loucura, que é o que mais lhe cumpre. Em pontos de verdade, tão disparate é uma cousa como outra; mas dado ocaso de não poder passar-se sem uma divindade absurda, perante quem dobrar devam seus duríssimos joelhos filosóficos; então que os curvem perante a loucura por mil e uma razões: primeira, porque a loucura é um numen, que lhes fica prosélitos, é cousa estimável aquela avenida, que conduz ás portas do edifício: por quanto a loucura é sem dúvida a divindade, que mais adoradores tem tanto em público, como no particular.

pelos "nosso direitos"...
DIREITOS – Em os papeis são infinitos os dos homem, segundo a linguagem republicana. Os Filósofos dizem (suponho que o terão estudado bem) que o ente quimérico "natureza" deve ter dado infinitos direitos ao homem, qual deles mais real, e imprescritível. Verdade será, quando tão prazenteiros no-los asseguram. Porém que adiantamos nós com uns direitos, que ficam só em papeis? Disto isto, porque a grande mestra experiência constantemente nos está metendo pelos olhos, que todos os direitos do homem na republica democrática se reduzem simplesmente a dois. O facinoroso e o ímpio tem o direito de mandar, e roubar: o virtuoso e honrado de serem roubados, e oprimidos. Com toda a segurança concedo, que se empenhe algum republicano em convencer-me de embusteio. Vejam-se os Artigos: Pacto Social "Igualdade" e Felicidade.

"se as outras têm, porque é que eu não tenho?"

DEVERES DO HOMEM – Os mesmo Filósofos nos dão em seus luminosos Escritos a explicação que não faça a outro, o que não quer para si. Ah! Pois concorde V. m. isto com o endiabrado prurito, que tem os Republicanos de escravizar todos os Povos, de pôr-lhes o governo que lhes agrada, de que não pensem senão como mandão, e lhes dá na vontade, e despoja-los até do ultimo ceitil. Por vida minha, que estes deveres são os meus pecados!! Pode ser que os Filósofos (como sabem tudo) saibam também como se combina com aqueles tão apregoados deveres, o pôr os homens sob a opressão mais tirânica, e força-los ao mesmo tempo, a que digam que são livres, e que tem felicidade ás arrobas. Nós certamente não sabemos adjectivar estes mistérios; e a única cousa, que fazemos (quando ouvimos gritar os Democráticos que se ofendem os direitos do homem, só porque alguns se quiseram defender deles) é encolhermos os ombros, e dizer: mais sabe Deus, que o homem. Porém a questão é outra! Em quanto os Republicano não nos disserem como concordam isto, não deixaremos de afirmar, que ou o fazer a outro o que não se quer para si, é um dos principais deveres dos Republicanos, ou estes não creem, que os deveres do homem falem com eles. Ainda que também poderá ajudar suceder, que os Democráticos tenham divido o género humano em democrático, e não democrático, e aos primeiros repartido os direitos, e aos segundos os deveres. E quem nos diz a nós, que os Democráticos deram na fina de não serem homens, e que por tanto são para eles os deveres de nenhum efeito?! Pelo que pertence à prática, tudo é verdade; pois se falarmos com justiça, devemos dizer, que os Democráticos tudo reduzem a um traidor, e infame jogo de palavras, tanto pelo que respeita aos direitos, como aos deveres. E quem nos diz a nós, que os Democráticos deram na fina de não serem homens, e que por tanto são para eles os deveres de nenhum efeito?! Pelo que pertence à prática, tudo é verdade; pois se falarmos com justiça, devemos dizer, que os Democráticos tudo reduzem a um traidor, e infame jogo de palavras, tanto pelo que respeita aos direitos, como aos deveres.

(continuação, II parte)

23/10/15

15 de Agosto - ASSUMPÇÃO DE N. SENHORA e DUAS GRANDES FUNDAÇÕES

A 15 de Agosto, dia da Assumpção de Nossa Senhora, foram fundadas a Companhia de Jesus e a Santa Casa da Misericórdia.

Ontem, dia 14, Vésperas da Assunção, foi aniversário da batalha de Aljubarrota: portanto, os Castelhanos tinham programado uma victoria que haveria de ser "autenticada" por Nossa Senhora", o que não ocorreu.

Armas de D. João I de Castela
O Calendário Litúrgico sempre teve muita importância para a marcação dos vários acontecimentos significativos entre os cristãos. Isto foi sempre muito levado em grande conta, ainda mais nos tempos recuados da grande Cristandade. Partamos então desta realidade para fazer algumas observações:

O dia de chegada de Cristóvão Colon às Antilhas, 12 de Outubro, calhou na Festa de Nossa Senhora do Pilar (especialmente significativa para a Espanha). Pedro Alvares Cabral chegou ao Brasil dia 22 de Abril, dia da Ressurreição (Páscoa), no ano de 1500 (que inicia o novo século).

Hoje sabe-se que Portugal conhecia a localização do Brasil antes de 1500. Portanto, o dia e ano de chagada OFICIAL foram previamente programados, e da forma para a qual os portugueses se sentiam prudentemente forçados: em segredo. Mesmo com a programação da data a sua simbologia deve continuar a ser tida em conta, pois tudo o que acontece é porque Deus quer ou permite (já na Batalha de Aljubarrota, Deus não permitiu a iniciativa castelhana, e acabou por dar a victoria aos portugueses na mesma data). Deus, pelo menos, permitiu que a data oficial da descoberta do Brasil tivesse sido na Ressurreição (a permissão ou iniciativa, também é certo, têm valores diferentes).

Hoje está provado que, antes da primeira viagem de Cristóvão Colon, já os portugueses tinham chegado e mapeado as Antilhas (América Central). Como é do conhecimento público, Colon fez a aprendizagem de navegação em Portugal. O diário de Colon diz que ele não descobrira nada que os portugueses não tivessem já descoberto antes, e visto que o trajecto de retorno da primeira viagem  aponta para um conhecimento prévio e seguro daqueles mares, é quase impossível aos investigadores não concluir hoje que Colon já conhecia as coordenadas das Antilhas antes de partir para elas. Se assim foi realmente, a chegada do 12 de Outubro foi também programada (Deus, pelo menos, assim terá permitido).

Interessante... curioso! ...

22/10/15

ASCENDENS - É UM BLOG DO PRESENTE E DO FUTURO


Um ou outro leitor mais distraido julgam que o blog ASCENDENS está voltado para o passado. Já em outras ocasiões ficou explicado que a mostra do passado é um recurso, é um "material" seguro para o presente e futuro. Sem passado não há presente, e do esquecimento propositado das coisas do passado resulta um presente inconsequente, irresponsável e imprudente. As lições de vida não estão no futuro, não vivem só de presente, mas têm base no passado e podem ser aproveitadas no presente e no futuro. Os projectos futuros devem ser como torre que se quer construir, a qual deve ter planta prévia e conhecimento dos materiais.

A Civilização Católica não é mais visível como era, sofre sobreposição de uma anti-civilização. Ora, a visibilidade da verdadeira Civilização, necessariamente católica, muitas vezes só é possível olhando o que ficou do passado. Erro seria o daquele que acha que vive no passado ou futuro. Outro erro é achar que o presente só por si, sem o passado e sem o futuro seria possível. O momento presente "desloca-se" entre o que passou e o que irá passar.

Os nossos primeiros anos de escola, são passados!?... Se os anos são passados, pelo menos o conhecimento adquirido tem continuado presente. O exemplo de nossos avós vêm-nos à memória, e a orientação se faz presente nas nossas acções. A memória é uma faculdade que Deus nos deu, e não um incómodo (que Deus nos dé memória).

Hoje faltam modelos, mas o passado está repleto deles. Onde bscar os exemplos a não ser aos nossos antigos e à Civilização que eles edificaram? Dos santos não lembramos seus feitos PASSADOS, para nossa orientação PRESENTE, para que ganhemos os FUTURO?

O blog ASCENDES tenta comentar o presente e dar orientações de futuro, recorrendo aos modelos seguros da Civilização (católica, necessariamente).

Desejo aos leitores uma continuação de boa leitura PRESENTE, que sirva para o FUTURO. Bom futuro!

MAGNIFICAT - Rodrigues Esteves (séc. XVIII)



20/10/15

O FECHO DE ABÓBADA DA BIBLIOTECA DO REAL CONVENTO DE MÁFRA, E O MITO LIBERAL

D. João o Fidelíssimo (D. João V de Portugal), de cognome "o Magnânimo", tomava decisão em todos os elementos arquitectónicos para a construção das grandes obras religiosas. Como Portugal sempre foi mais de fazer do que propagar o que fez, andam hoje os historiadores e peritos à procura do que fizemos. Mas, os nossos tempos são tão diferentes, tão mitigados no conhecimento das coisas da Religião e Civilização que frequentemente os historiadores e peritos emitem opiniões menos acertadas (como aconteceu com alguma da arquitectura do Real Convento em Mafra).

Com o mundo actual é herdeiro da propaganda liberal, a qual difama a Monarquia Tradicional do Rei absoluto (chamando-a de absolutismo), certos peritos, segundo lhes ouvi, tentam então explicar que o feche de abóbada da biblioteca do Real Convento em Mafra, no qual há esculpida uma cara com resplendor, representaria o "Rei Sol português" (D. João V) como senhor de todo o poder e conhecimento, e que ali assim se terá querido impor....! E lá segue a opinião de que D. João V teria tentado imitar Luís XIV, etc. etc...

Enfim, onde não chegaram os ecos difamatórios da velha campanha dos vencedores liberais!?

Na verdade, esta cara com resplendor, no centro da Biblioteca (a qual foi recentemente classificada pela UNESCO como a mais bela do mundo), é uma alusão a Nosso Senhor que, quando menino, ensinou entre os Doutores da Lei.


Este rosto infantil de Nosso Senhor, colocado no centro da Biblioteca (que é cruciforme), evidentemente faz presente que Deus está sobre todo o conhecimento e é omnisapiente e omnipresente. É de lembrar que também à cabeceira da Biblioteca D. João V arrumou a secção da Teologia.

A difusão desta explicação só contribuirá para esmagar a difamação que os liberais foram lançando no séc. XIX.

REGINA COELI - Rodrigues Esteves (séc. XVIII)







16/10/15

O BRASÃO PELO QUAL SE PODE ORAR CCLXX

OS NOTÁVEIS DESACATOS OCORRIDOS EM PORTUGAL (VII)

(continuação da VI parte)


Vem cá, ímpio, se é que me escutas, eu te ofereço combate, diz-me, qual é o carácter de que te revestes? És Judeu? certamente; ainda que oculto e disfarçado. Pois se como Judeu me perguntas: como pode Jesus Cristo dar-nos a sua Carne para comer, e o seu Sangue para beber? Quommodo postest hic dare carnem suam ad manducandum? Pode; porque quem pôde criar o Céu, e a Terra com uma única palavra, o homem de um pouco de barro, e obrar tantas, e tão extraordinárias maravilhas, seladas com a autoridade Divina podia converter o Pão e o Vinho na substância do seu Corpo, e do seu Sangue!

És Herege? certamente, porque abraças os erros de todos os Hereges, em todos os séculos, e em todas as idades; e se como Herege abraças o Evangelho, vê, contempla, medita nas terminates, e claríssimas expressões do Divino Salvador, na Instituição do Adorável Sacramento. Toma o pão, abençoa-o, e diz: Este é o meu Corpo. Hoc est Corpus meum; e da mesma sorte o vinho: Este é o meu Sangue. Hic est Sanguis meus. Não disse, como querem os Luteranos, e Calvinistas: Este Pão é a imagem, e a figura do meu Corpo, e do meu Sangue; mas disse, e declarou aquilo que não tinha feito na instituição dos outros Sacramentos; esta comida é a verdadeira e real substância do meu Corpo, e esta bebida o meu verdadeiro Sangue: Caro mea vere est cibus, et sanguis vere este potus, e para nos tirar toda a dúvida, ainda acrescenta: e este mesmo Corpo, que aqui fica debaixo das espécies de Pão, é aquele mesmo que há de ser entregue aos meus inimigos para vos salvar. Hoc Corpus, quod pro vobis tradetur.

És Filósofo ímpio? então contigo não quero argumentar; eu te voto ao desprezo do género humano; porque o teu sistema é uma mescla de todas as Seitas, um agregado de todas as impiedades, um ódio desenfreado sobre tudo que é sagrado. Eu, assim como todos os verdadeiros crentes, adoramos, protestamos adorar a Real Presença de Jesus Cristo no Augusto Sacramento dos nossos Altares; é verdade que a minha razão fraca e limitada não pode compreender a grandeza deste Mistério, nem os meus sentidos ali encontram senão as espécies de pão; mas a minha Fé me ordena que adore, que acredite a Real Presença de Jesus Cristo no Augusto Sacramento dos nossos Altares; ainda que a minha razão o não compreenda, e os meus olhos o não vejam; quod non capis, quod non vides animosa firmat Fides.

Que triunfo pois, C. O., ainda que aparente para os ímpios e filósofos do século, e fundado somente no testemunho dos sentidos, a sacrílega profanação, que se tem feito do Santuário, e do que nele se contém de mais Divino! Com que insultantes risos ouviriam eles a lastimosa história das profanações, e desacatos, cometidos na Igreja de S. Pedro da Queimadela (acontecido na noite de 22 para 23 de Janeiro), na Capela de N. S. da Lapa, da Cidade de Braga (acontecido durante o dia 7 de Março), e noutras partes do nosso Reino? Que mofa, que escárnio fariam da nossa Fé? Com que indiferença, ou sacrílego prazer, ouviram eles, que fôra espargido pelo pavimento do Santuário o Pão do Céu, que foram roubados os Vasos com as sagradas Fórmulas, e o Divino e Augusto Sacramento sacrílega e injuriosamente tratado? Com que ufania diriam eles talvez, e desvanecimento: eis aí o Deus, que os Cristãos reconhecem nos seus Templos: vêde como é falsa a sua crença: alimentam-se de fábulas e quimeras, adoram um Deus encoberto em fracos acidentes de pão; um Deus, que não veem, nem sentem por modo algum - Dicant in gentibus ubi est Deus eorum?

Não, ímpios Filósofos, incrédulos dos nossos dias, não canteis a victoria; já vos disse que esse triunfo é aparente, e momentâneo; debalde cevais a vossa cólera contra a Religião, conspirando-vos por toda a parte contra o Mistério mais pomposo, e brilhante da nossa crença, vós injuriais e incultuais um Deus, que é infinitamente superior a toda a vossa raiva; J. C. sofre-vos porque muito quer, mas ele reserva para a eternidade (que vós não quereis reconhecer) a sua justa vingança.

Os Judeus puderam tirar-lhe a inocente vida sobre uma Cruz; mas gloriaram-se por curtos instantes: os mesmos que o guardavam no frio túmulo, o viram surgir glorioso. Dali saiu a propagar-se os Cristianismo, que eles queriam sufocar logo no berço; e Jerusalém Deicida, arrasada, e para sempre destruída, reduzida a um montão de cinzas; e as suas Tribos dispersas pela face da terra, tidas em opróbrio, e abominação de todo o mundo, pagam bem caro o maligno prazer, que tiveram de o cobrir de opróbrios, e matar na Cruz. O Gentilismo pôs-se logo em campo para combater o Crucificado, e os seus Discípulos: as cavernas da terra lhe serviram de Santuários, o sangue dos defensores da Religião correu em abundância, toda a espécie de martírio se pôs em uso, para suspender a sua propagação: o mesmo Pão Celeste, nestes tempos de perseguição, teve ultrajes a sofrer da parte dos Tiranos, e ainda mais dos diferentes Hereges, que no progresso dos séculos excitara o Inferno; sobre tudo os Valdenses, e Albigenses: o mesmo fogo e água, a que muitas vezes era lançado, sempre o respeitou: e no meio da pertinaz guerra, que a Heresia, o erro, ou a impiedade lhe tem sempre suscitado, a verdade triunfa, a Fé, neste mesmo artigo, se propaga; se perde em um canto da terra, ganha e adquire em outro: e pela própria experiência, bem apesar vosso, deveis conhecer, ó impios, que toda a força, e guerra da Filosofia nada pode contra as obras de um Deus, e contra a Religião, que é obra sua.

Consolai-vos pois, fiéis discípulos de Jesus Cristo; nem a vossa Fé vacila, nem a impiedade triunfa: se ela se desvanece destes insultos, se com eles intenta destruir em nós a nossa crença, engana-se; a impiedade só triunfa por momentos, e a Religião de J. C. há de prevalecer contra os seus esforços, porque a palavra de Deus não falta. Portae inferi non proevalebunt adversus eam.

Recolhei pois, C. O., dentro de vossos corações as consolantes verdades, com que acabo de instruir-vos, e que devem destruir os escândalos, que destas terríveis e sacrílegas profanações podem resultar; ou fazendo diminuir e vacilar a vossa Fé, ou dando ocasião ao suposto triunfo da impiedade. para obstar a estes escândalos, e desagravar a Divina majestade ofendida com tão nefandos e horrosos desacatos, redobrai a perpétua adesão à vossa Fé, e à nossa sagrada Religião Católica. O Senhor quis servir-se desses malvados, que o insultaram, para vingar-se dos nossos crimes; tolerou, sofreu por esta ocasião gravíssimos insultos, mas nós vimos a ser pelo menos uma causa indirecta dos mesmos ultrajes, que lhe fizeram.

Não peçamos a Deus que castigue os malvados, porque isso pertence à sua impreterível Justiça; mas devemos satisfazer a Deus por eles, e rogar-lhes que perdoe tanta maldade. As lágrimas, o jejum, e o exercício das boas obras seja a nossa principal ocupação; tanto vos pede a glória de J. C. injuriada naquele Augusto Sacramento.

Se o Povo de Israel, à vista das profanações cometidas por Antíoco, e seu exército, vendo o Altar profanado, as portas queimadas, rasgaram seus vestidos, derramaram lágrimas, gritaram até o Céu, cobriram-se de pó, e cinza; sciderunt vestimenta sua, planxerunt planctu magno, et imposuerunt cinerem super caput suum; com quanta maior razão o Povo Cristão, à vista dos horrores perpetrados por homens, que se dizem filhos do Cristianismo, dentro do Santuário da Nova Igreja, deverá dar-se a todos os sinais de uma santa e verdadeira dor, e de uma sincera penitência, para reparar do possível modo os ultrajes feitos a Jesus Cristo, por tantos malvados?

Seja pois este o fruto das minhas palavras neste dia, que vós consagrais à espiação e desagravo do Santíssimo Sacramento. Não nos contentemos de lamentar no segredo dos nossos peitos as sacrílegas profanações dos Lugares Santos, e desacatos, cometidos contra J. C. na sua Real Presença naquele Augusto Sacramento. O desagravo deve igualar a gravidade da ofensa, praticando actos diametralmente oposto àqueles, que na perpetração destes insultos deixaram ver os ímpios e malvados agressores, que os cometeram. A impiedade, e falta de Fé nos malvados, eis. aqui o fatal princípio dos seus insultos: uma Fé bem pura e firme nesse Divino Sacramento; eis aqui um dos meios, com que devemos desagravar a J. C. ultrajado.

Procuremos, Fiéis de J. C., opor um muro de bronze à torrente da impiedade e Filosofia do século, que por toda a parte se conspira contra a Religião, e sobre tudo contra o Augustíssimo Sacramento da Eucaristia, por isso mesmo que é de todos os mais sublime Sacrifício, e a mais digna honra, que Deus pode receber do homem. Vê o demónio por toda a parte os altares do erro caídos por terra; e por toda a parte levantados os Altares, onde J. C. se oferece debaixo das Espécies Eucarísticas: empenha por isso todos os seus esforços para os destruir; suscita os Hereges, os Infiéis, e até os mesmos Cristãos degenerados, para arruinar nossos Altares, roubar os sagrados Vasos, vilipendiar, ultrajar, e sacrilegamente tratar o Divino Sacramento, e o mais Augusto da nossa Religião.

A nós, Cristãos, pertence expiar os crimes que se cometeram, tratando daqui por diante o Templo com mais respeito; adorando o Santíssimo Sacramento daquele modo que exige a Real Presença de J. C. ali existente, e purificando nossas consciências, antes de nos prostrar diante da sagrada mesa para receber a J. C. em nosso peito.

Prostremo-nos ante o Trono da sua Misericórdia, choremos ainda mais nossas iniquidades, como causa de tantos crimes, do que os mesmos agressores, que os perpetraram.

Meu Deus, gentes malvadas poluíram, e profanaram o vosso Templo sagrado. Venerunt gentes poluerunt Templum sanctum tuum. Nós, os verdadeiros Portugueses, somos o opróbrio, e escárnio dos ímpios, dos libertinos, e dos vossos inimigos, que por toda a parte nos insultam, e nos perseguem. Subsannatio, et illusio his, qui in circuitu nostro sunt. Até quando, Senhor, exercitareis contra nós a vossa ira! Exercitai-a, empregai-a nesses que vos não conhecem, e ultrajam. Effunde iram tuam, in gentes, quae te non noverunt. Eles profanaram o vosso Templo, e desacataram a vossa Divina Pessoa. Comederunt Jacob, et locum ejus desolaverunt. Castigai, Senhor, os vossos inimigos, até pela glória do vosso Nome, para que eles não digam com desvanecimento "Aonde está, Católicos, o vosso Deus, do qual tanto escarnecemos? Ne sorte dicant in gentibus; ubi est Deus erorum?". Nós somos o vosso Povo escolhido, nós vos adoramos, e protestamos adorar nesse Augusto Sacramento por todos os séculos sem fim. Amen."

FIM

CAPELA MÓR DA SÉ DE ÉVORA (II)

(continuação da I parte)


De Estremoz, Borba, Vila Viçosa, Montes Claros vieram as Pedras mais corpulentas puxadas umas a 19 Juntas de Bois, outras a 13 a 11 e a 9 quais fossem não é possível agora distinguir, porque vinham toscas ainda, e sem polimento marcadas com números de conta, e só por esta cifra se aceitavam, e pagava-se o seu transporte. Entre as Pedras encontradas conserva nome uma a que o Padre Franco chama Soberana de 9 palmos de largura 26 de comprimento, e palmo e meio de grossura destinada para Bofete, ou Mesa das Sessões Capitualares, porém os Estado do Cabido por curtos, e acanhados ficaram sem merecer a honra e o gosto desta Soberana. Toda a Pedra branca, mais ou menos calcária a Pedra azul escura, empregada na obra saiu de Estremoz. A Pedra vermelha, amarela, preta, e a pedra de burnir, saiu de Cintra e Vizinhanças. A Pedra verde veio de Roma. António Vicente, e Mateus Francisco do lugar de Caneças obrigaram-se a arrancar 74 Pedras vermelhas das Pedreiras de Cintra, assim como Manuel Gonçalves Lobato obrigou-se a arrancar 59 Pedras das mesmas Pedreiras para a Capela Mor de Évora. Foram Mestres da Obra em Évora Manuel Gomes, e Manuel da Cruz ambos subordinados a direcção de Frederico, e este dependente da aprovação Real; porque o Sr. D. João V alternava os traços no desenho sempre que se lhe antolhava melhorias que de ordinário era o mais dispendioso, e conservava tão presente em Lisboa a obra da Capela Mor, que a dirigia em Évora como se fora feita no seu próprio Palácio com o fim particular de suas devoções. Frederico queria que o Tecto fosse de Estuque dourado: "Não (respondeu ElRei), há-de ser feito de Pedra encarnada à Cardeal". Queriam que o Coro tivesse assentos de abaixar, e levantar; Cadeiras separadas com a das outras Sés. "Não (disse ElRei) é melhor que sejam Bancos rasos à maneira das Capelas Pontifícias onde os Cardeais se sentam". Quiseram tirar os Espaldares aos Bancos dos Beneficiados acudiu ElRei, e disse "não convenho nisso Conservem os Espaldares aos Bancos dos Beneficiados visto ser-lhes esta regalia concedida por pleito". Pequenas quebras houveram na continuação da obra desde 1718 em que começou, até se concluir e foi dedicada com o seguinte Epitáfio:
Dei Matri in Coelum Assumptrae sanctiorem hanc Basilicae
Partem veterae Augustioris Forma solo aequatae
Regnante Joanne quinto
Sedente RomaInnocentio decimo tertio
Sacrum Eborensium Canonicorum Collegium.
P.
D. Fr. Miguel de Távora Arcebispo assegurou a 22 de Maio de 1746, em que se festejava a dedicação antiga. No Cofre das Relíquias se pôs esta Legenda:
MDCCXXXXVI die vigesima secunda Mensis Maii Ego Frater Michael de Tavora Archiepiscopus Eborensis consecravi Ecclesiam et Altare hoc in Honorem Bentae mariae Virginis d' Assumptione, et Reliquias Sanctorum Martirum Stephani Justini, et Feliciani in eo inculusi et singulis Christi Fidelibus hodie unum annum et in die anniversarii consecrationis hujusmodi ipsum vesitantibus quadraginta dies de vera Indulgentia in forma Ecclesiae consueta concessi. F. M. Archiepiscopus Eborensis.
Existem originais os Livros de contas receita, e despesa que se fez com a obra dos Cofres em diferentes períodos das Superintendências, que se sucederam até ao ano de 1734 72:864$573. Destes até Março de 1730 foram remetidos para Estremoz. . . . . . . .  18:771$398. Certamente a despesa foi muito maior do que 72 contos tirados dos Cofres porque nos Livros não andam algumas verbas crescidas talvez por serem pagas por outra contabilidade por ex. a compra, e transporte por Mar da Pedra Vermelha, e amarela vinda de Lisboa a Aldeia Galega, ou Alcácer; a compra, e transposto das Pedras verdes vindas de Roma, os Salários ao Arquitecto, as Madeiras para os Andaimes mandados vir da Quinta de Valverde; e outras que avultam pelo que não me conformando com a opinião, que a orça a um milhão de cruzados também não julgo que tenha descido de cento e vinte contos. No Convento da Graça em Évora ora Quartel da Segurança junto à Portaria existe o Modelo desta Obra feito de Madeira em 1721 reduzido à quarta parte da sua grandeza tirando quando a obra ainda não era acabada pois que lhe faltam desenhos ou Peças que têm o próprio Edifício, e vice versa custou .  . 2:256$000. No Modelo há um Altarsinho que é próprio do Modelo, e não modelo do existente na Capela Mor, nele dizia-se no tempo dos Frades Missa duas vezes cada ano uma em dia de Assunção, outra em dia de S. Miguel nome do Arcebispo Sagrante. para obter as dimensões da Capela Mor fui valer-me deste Modelo muito à mão e por isso as dou por exactas e geométricas.

(continuação, III parte)

11/10/15

GENÉTICA - DESCOBERTA CIENTÍFICA: O GENE LUSITANO EXISTE REALMENTE

Viriato, o herói lusitano
Os descendentes dos lusitanos possuem dois genes próprios: o A25-BIS-DR2 e o A26-B38-DR13.

O Estudo dos Genes de Histocompactibilidade (HLA), revelou que os Lusitanos (habitantes do Centro e Norte do actual território português) possuem aqueles dois génes. Mais incrível é que o A26-B38-DR13 é o mais antigo da humanidade, e o A25-BIS-DR2 apenas existe nos Lusitanos.

Encontrei um artigo que explica este assunto, contudo, está também ele cheio de opiniões... enfim! Trancrevo o que importa:

"O trabalho aqui reproduzida de forma livre, essencialmente tem uma alteração, o termo artificial "português" (ou portuguesa) foi substituído pelo termo étnico-racial ou nativo Lusitano. Não no sentido político mas sim no científico. E porquê? Porque é a única forma de o texto fazer realmente sentido. Como todos sabemos (ou deveríamos saber) os portugueses não são assim tão antigos, nem sequer se trata de uma raça, os portugueses étnicos são apenas um povo mestiço racialmente (ou maioritariamente) branco de diversas origens, que só começou a aparecer no século X da nossa Era, e que teve aparecimento oficial um pouco mais tarde, no século XII com a independência e o reconhecimento do Reino de Portucale ou Portugal. Muito embora os antepassados dos mestiços portugueses tenham aparecido antes, no século I da nossa Era com o estabelecimento dos primeiros colonos romanos e de outros povos e mercenários da península Itálica, e mais tarde no século V com as primeiras invasões barbáras de povos germânicos, principalmentes visigodos. Estes dois povos (essencialmente eram militares, governantes ou cobradores de impostos), romanos e godos, que na verdade eram uma minoria ou uma gota de água no oceano da população nativa Lusitana, quando apareceram por cá e se misturaram com a elite colaboracionista Cónia e Calaica (repita-se, a elite Calaica e não o povo Calaico, é na verdade o antecedor directo do étnico português), enquanto a elite Lusitana foi toda exterminada em combate, já nós Lusitanos étnicos cá estavamos. Nós Lusitanos (aqui empregue de forma genérica ou abrangente, pois incluímos também os Calaicos, os Cónios, os Turdulos, os Célticos e outros povos nativos) já cá estávamos milhares de anos antes do aparecimento dos portugueses e ainda cá estamos! Estes portugueses repita-se, são um povo mestiço não nativo de origem estrangeira, com algum sangue (muito reduzido) das elites nativas colaboracionistas, daí este povo minoritário os "portugueses" serem ainda hoje um povo elitista, eles são uma gota de água, são uma minoria de quase meio milhão de pessoas dentro do oceano dos dez milhões de Lusitanos (incluindo outros povos nativos) que vivem em Portugal e mais quatro milhões no estrangeiro. Na verdade esta alteração do termo trata-se de uma correção ao texto original.
O Lusitano actual é dolicocéfalo, ortocéfalo (quase camecéfalo), metriocéfalo (quase acrocéfalo), levemente eurimetópico, de buraco ocipital mesossema (quase megassema), leptoprósopo, cameconco ou mesoconco, leptorrínico, fenozígico (quase criptozígico), mesostafilino (quase leptostafilino), ortognata e megalocéfalo.
Para aqueles que tanto apregoam a extinção dos Lusitanos, para aqueles que persistem em dizer que o povo português é um povo latino, ou que o termo português é o mesmo que o Lusitano, ou que os povos nativos de Portugal são étnicos portugueses, entre outras barbaridades que ao longo dos últimos séculosforam impostas por uma classe governante corrupta a todo um país e aos seus povos, aqui estão algumas respostas...

A ORIGEM DO POVO LUSITANO QUE AINDA HABITA ACTUALMENTE PORTUGAL É INCRIVELMENTE ANTIGA. SOMOS MARCADOS COM UM GENE QUE NÃO EXISTE EM MAIS NENHUM LUGAR DO MUNDO. SOMOS OS ÚLTIMOS SOBREVIVENTES DE UMA ANTIQUÍSSIMA RAÇA IBÉRICA PRÉ-MEDITERRÂNICA. VIVA A DIFERENÇA!

Os cientistas estão certos das particularidades genéticas dos cidadãos portugueses descendentes dos Lusitanos, particularmente os Lusitanos que ainda habitam as montanhas isoladas, as aldeias e vilas do interior Beirão. O porquê das nossas diferenças é simples: não nos deixámos misturar com os Norte-Africanos do Paleolítico, da chamada raça Mediterrânica, portanto, não temos o gene do Mediterrâneo, como o têm os Cónios do barrocal Algarvio; nem nos deixámos absorver completamente pelos Indo-Europeus, especialmente os Celtas, apesar da forte influência cultural e linguística destes últimos sobre nós, especialmente sobre os Calaicos a norte do Douro. O que prova isolamento, e temos dois genes específicos, sendo que um deles não foi encontrado em mais nenhum lugar no Mundo. Somos únicos.

[...]

O povo Lusitano de Portugal, queremos dizer, a grande maioria da sua população, e dizemos isto com orgulho desenvergonhado, é o mais antigo povo da Europa. Os Lusitanos já cá estavam (e ainda cá estão!) antes dos romanos ou portugueses aparecerem! Não são só as fronteiras políticas, essas já passaram de moda e ninguém se interessa. Somos nós. E não somos nós quem o diz, são uma série de peritos portugueses e (espante-se) espanhóis, que ganham a vida a estudar genes e ligações genéticas.

Estes cientistas juntaram-se na Universidade de Coimbra, no Centro de Histocompatibilidade do Centro, e viraram ao contrário o nosso passado genético, supostamente latino, como quem faz uma genealogia da família. Compararam os nossos genes com os dos espanhóis, incluindo os bascos, com os dos italianos, incluindo os sardos, e com o dos argelinos, especialmente os berberes, e concluíram, entre muitas outras coisas, que o povo que habita Portugal, os Lusitanos, tem genes únicos no Mundo, que não tem vestígios fortes dos povos norte-africanos do Paleolítico que há milhares de anos habitaram a Península Ibérica e que não partilha dos mesmos genes que abundam nos povos do mediterrâneo. Ou seja, somos uma excepção.

Este estudo exaustivo, centrou-se principalmente, em desvendar as relações genéticas entre bascos, espanhóis, argelinos (de origem berbere e não árabe) e "portugueses" (os Lusitanos, queremos dizer). Sem descurar as evidências culturais, linguísticas e geológicas dos últimos séculos. E prova-se aqui que, por mais que tentemos ser europeus, ou latinos, nunca o seremos. O passado não deixa.

[...]
As invasões Indo-Europeias, especialmente as Celtas, trataram de estragar o arranjo que estava feito, e estes povos do centro da Europa aqui ficaram até à chegada dos romanos e dos seus aliados e mercenários germânicos, que acabaram corridos pelos árabes e berberes agora islamizados, que por sua vez, vieram a ser expulsos totalmente da Ibéria em 1492.

Parecendo a História assim tão simples, é de estranhar que a nossa composição genética não seja mais do que um somatório de genes destes povos todos, aqui descritos, e de mais alguns outros cuja influência foi menor e que não fazem a diferença, nesta pequena descrição. Com os espanhóis, por exemplo, essa adição é quase uma realidade, mas, quanto aos Lusitanos (ou, portugueses, como alguns preferem), estes, são feitos de outra massa. E aqui entramos na história genética e no estudo efectuado pela Universidade de Coimbra que relaciona todos os povos da actual Ibéria com os argelinos de origem berbere (e não com os argelinos arabizados, embora a religião e a cultura hoje seja a mesma), tentando para isso descobrir o berço de cada um deles ou, em termos técnicos, o fundo genético. Pode-se começar por dizer que o estudo concluiu que os portugueses, bascos, espanhóis e argelinos berberes estão mais próximos uns dos outros que os restantes europeus, geneticamente falando, claro.

Mas as grandes diferenças estão no princípio dos tempos. E a nossa particularidade também. É que o único povo que não tem uma frequência genética herdada dos norte-africanos do Paleolítico é o Lusitano (ou português, como muitos gostam de ateimar). Em todos os outros, em especial nos bascos, ela abunda. Os cientistas arriscam explicar que esta diferença se deve à possibilidade de as tribos Ibéricas que aqui habitaram durante o Paleolítico serem diferentes umas das outras e tenderem para o isolamento, o que também é possível. Outro gene que nos falta para sermos parecidos com os nossos vizinhos da Península Ibérica e com os argelinos (de origem berbere, não se esqueça) é a frequência existente em todos os povos mediterrâneos. Não a temos, nem nós nem os bascos, e daí a comparação que se tem feito entre portugueses (etnicamente Lusitanos) e bascos. Em relação a este povo, ao qual também falta o gene mediterrâneo, os peritos encontraram outro gene que só eles têm. Esta particularidade é explicada através da sugestão de este gene ser uma marca da antiga população basca que ainda não foi diluída devido a um certo isolamento ou um baixo grau de mistura com outros povos. O que faz algum sentido, tendo em conta os bascos dos dias de hoje. O mesmo poderá ser válido em relação aos Lusitanos de hoje, mas só àqueles que se mantém racialmente puros,como são os que habitam no interior montanhoso da Beira.

Apesar das particularidades deste povo, as suas semelhanças com argelinos (berberes) e espanhóis foram também provadas e são bastante fortes. Assim, dizem os demais peritos, espanhóis e bascos partilham uma frequência elevada do mesmo tipo de genes: da antiga Europa Ocidental, dos norte-africanos do Paleolítico e dos Celtas da Europa Central. Mas há mais: os bascos e os argelinos têm em comum um específico gene que nem nós Lusitanos nem os espanhóis conhecemos.

A língua basca foi outro factor a ter em conta na procura do fundo genético deste povo. Descobriu-se então que a sua língua é bastante parecida com a dos berberes do Norte de África, o que suporta ainda mais a teoria de que os bascos descendem parcialmente dos norte-africanos do Paleolítico. Quanto aos espanhóis, esses, originam de quase todos os povos aqui referidos (embora o grau de parentesco varie de região para região espanhola), e têm ligações fortes tanto com os outros povos ibéricos (Lusitanos e bascos) como com os argelinos (berberes). A relação genética entre berberes eespanhóis é uma certeza. A origem deste povo é coincidente com a dos bascos e argelinos no que se refere à herança genética dos norte-africanos do Paleolítico. Além disso, os espanhóis partilham com os argelinos um gene que só eles têm: o característico dos povos mediterrâneos. As ligações entre argelinos e espanhóis são também consideradas fortes. Sendo que aos primeiros só lhes falta o gene trazido pelos Celtas para a Península Ibérica para terem a mesma origem dos nossos vizinhos. Não fosse ainda um gene particular que também só este povo da África do Norte tem e que mais uma vez prova a falta de misturas.

As particularidades dos Lusitanos, hoje, são portanto, várias e vastas.

Diz o estudo: "Apesar de os portugueses (diga-se, portugueses de origem étnica, descendentes ou de sangue Lusitano) terem também sofrido as invasões dos povos da Europa Central e Oriental durante o 1º milénio antes de Cristo, o grau de similitude genética entre o povo português (Lusitano) e os outros grupos étnicos (espanhóis e bascos) da Península Ibérica não é certa". O porquê das nossas diferenças é simples: não nos tendo misturado com o norte-africano do Paleolítico, não temos o gene do mediterrâneo, nem nos deixámos absorver pelos Indo-Europeus (Celtas), o que prova isolamento, e temos dois genes específicos, sendo que um deles não foi encontrado em mais nenhum lugar no Mundo. Em relação aos Italianos (ou latino-romanos), a nossa semelhança ou parentesco com eles é genéticamente nula, ou seja, nenhuma. Hoje, no nosso país, apenas se fala uma língua, o Português, não originada, mas influênciada pelo latim dos Italo-romanos.

Os nossos dois genes que marcam a diferença - também marcada pela ausência de genes comuns aos outros povos, ibéricos e argelinos - fazem com que os Lusitanos que hoje habitam em Portugal, sejam uma população relativamente distinta entre os ibéricos. Mas quem são estes "heróis"? Um chama-se A25-BIS-DR2, só foi encontrado nos portugueses de origem étnica Lusitana entre os europeus, apesar de também existir no Brasil e na américa do Norte, sendo que esta propagação se deve, obviamente, à nossa tendência de emigrar e de só nos misturarmos além-mar. O outro gene, e o mais particular que prova sermos a população mais antiga que por esta europa anda, tem o nome de A26-B38-DR13. Sobre este só se sabe que terá existido nos primeiros ibéricos ocidentais.

A estes genes portugueses foi adicionado o gene Europeu, que para aqui veio através dos Celtas. E foi esta mistura que deu origem aos Lusitanos (e aos outros povos nativos), que ainda hoje habitam maioritariamente em Portugal. Definidos neste estudo "como os mais corajosos e temidos guerreiros ibéricos contra os invasores romanos". Qual latinos, qual quê!


Por outro lado, foi sem surpresa que os cientistas confirmaram em estudos de genética populacional que os Lusitanos (ou, cidadãos portugueses de origem étnica Lusitana) têm uma influência africana reduzida no seu património genético. A História e a geografia já o contavam noutra linguagem. Um dado intrigante emergiu, porém, das observações, o de uma concentração da influência africana no Norte de Portugal, sem aparente explicação. Um estudo da Universidade da Madeira, porém, veio agora esclarecer o mistério, ao estabelecer duas migrações africanas distintas para a Península Ibérica, com milhares [não apoiamos este tipo de datação] de anos de intervalo.

Que a influência genética de África (berbere da Argélia e de Marrocos) exista no Sul do País, como defacto acontece, não surpreende ninguém. Pois estiveram ali estabelecidas durante alguns séculos, já numa época tardia, ou seja, no sétimo século da nossa Era, populações semitas árabes e berberes muçulmanas oriundas do Norte de África. Mas uma evidência tão marcada em terras nortenhas sempre pareceu estranha. O estudo internacional "HLA genes in Portugal inferred from sequence-based Typing in the crossroad between Europe and Africa", liderado pelo investigador Hélder Spínola, do Laboratório de Genética Humana da Universidade da Madeira, caracteriza pela primeira vez a população portuguesa de origem Lusitana para três genes que estão associados ao sistema imunitário: o chamado sistema HLA. Ao fazê-lo, lança uma nova luz sobre esta realidade. E também sobre a própria História.

De acordo com os resultados da pesquisa, que foram publicados na revista científica "Tissue Antigens", as influências africanas identificadas a Norte e a Sul não são as mesmas, e correspondem afinal, "a movimentos populacionais diferentes, com cerca de 4 ou 5 mil anos de diferença entre si, e com origem em zonas distintas daquele continente", explica Hélder Spínola. E sublinha "Esta diferença entre as características de origem africana encontradas a Norte e a Sul do país era completamente desconhecida até agora".

[...] esta marca norte-africana, que em termos genéticos, caracteriza a maioria da população portuguesa no Sul do País.
Além da clarificação histórica, e deste novo "retrato bipolar", a pesquisa dos "detectives" genéticos trouxe outra novidade. A de que na região centro (nas Beiras portanto, o coração da Lusitânia) aquelas características norte-africanas não existem, sobressaindo, por outro lado, marcas genéticas trazidas pelas migrações Célticas e (em muito menor escala) pelas invasões bárbaras (germânicas portanto) e que ocorreram entre a primeira e a segunda grande vagas africanas do magrebe.

Isto não significa que a população actual que vive em Portugal seja toda a mesma. A base genética pode ser a mesma, só que as diferenças regionais agora encontradas permitem traçar as suas origens até muito longe no passado. De resto, era este estudo antropológico, que não estava ainda feito, o primeiro objectivo do trabalho.

A interpretação para esta espécie de "enclave Indo-europeu" ao centro (na região central da Lusitânia, onde hoje habitam os Lusitanos étnicamente puros) é clara para nós, foi aqui, que a pressão dos povos Celtas mais se fez sentir, o que impediu a diluição das populações vindas do Norte de África.

Não acabam aqui as novidades. Recorrendo ao estudo dos três genes ligados ao sistema imunitário, a pesquisa é mais um passo em frente também para a medicina (principalmente, para os transplantes) já que, ao caracterizar a actual população Lusitana (ou portuguesa, como se queira) para estes genes, ajudará a calcular com uma aproximação maior a probabilidade dedadores compatíveis.

Para a variedade. Ao contrário de muitos outros genes, que são razoavelmente idênticos para a generalidade da espécie humana, os do sistema HLA, que se situam no cromossoma seis, possuem uma particularidade, têm muitas variações possíveis (a que os geneticistas chamam poliformos), consoante as populações e as suas geografias regionais. Bom, mas esta questão já não faz parte do nosso trabalho.

Resumindo; Nós não concordamos com o todo deste texto mas concordamos com o essencial, que desmistifica a falácia ou a mentira portuguesa de os Lusitanos e os portugueses serem o mesmo povo. É verdade que existe em Portugal um povo que fala uma língua neo-latina, ou por outro lado podemos dizer que em Portugal existem vários povos unificados sob uma mesma língua, os nativos e a elite mestiça portuguesa, apesar de desde sempre (desde a formação de Portugal, queremos dizer) terem governado este país, eles portugueses são uma pequena minoria comparados com o resto da população nativa. Estes portugueses de origem estrangeira, étnicos neo-latinos ou godo-romanos, não devem ser confundidos com os cidadãos "portugueses" nativos étnicos Lusitanos (Calaicos, Conios e outros), porque os nativos Lusitanos apenas são "latinos" pela língua e cultura que foram obrigados a adoptar (progressivamente) desde à quase dois mil anos, mas não o são etnicamente, porque etnicamente (e racialmente falando...) estes "portugueses" nativos ou Lusitanos são isso mesmo nativos Lusitanos! E já cá estávamos (e estamos!) milhares de anos antes do aparecimento dos portugueses, agora, os étnicos portugueses mestiços neo-latinos, estes sim descendem de povos latino-godos (ou italo-germânicos) e mais um ou outro, alguns da velha Aristocracia nativa que não foi aniquilada pelos romanos e germânicos (...). Os romanos ou Italo-latinos que vieram e se instalaram por cá foram muito poucos, depois de servirem as legiões ou chefiarem a administração do Estado, eles sempre regressavam quase sempre às suas terras de origem na península Italiana ou noutra província do Império Romano (...). Só após a total pacificação das Terras Lusas no século I da nossa Era, é que apareceram os primeiros colonos estrangeiros e as suas "villas", são estes que deram origem à actual elite portuguesa [nem tanto...]. Quanto aos mercenários bárbaros de origem germânica (principalmente godos) que adoptaram a língua e a religião romano-cristã e substituiram a administração do império romano na Lusitânia (e noutras colónias do império romano decadente), estes embora ficassem por cá, como elite governativa não se misturavam (eram nobres, guerreiros e sacerdotes) com os nativos e eram menos de dois por cento em relação ao total da população nativa da Lusitânia. (...) E os portugueses neo-latinos (...) vivem no Porto e em Lisboa, mais os seus enclaves em Cascais, Coimbra, costa litoral Algarvia e pouco mais, porque no resto do país vive ainda a sua população maioritariamente nativa ou Lusitana.

Quanto à minoria Lusitana deste país, na verdade eles são a grande maioria da actual população de "Portugal", melhor sentido teria o país se fôsse adotado oficialmente outra vez o nome Lusitânia e Lusitanos, ou no mínimo criar-se oficialmente, como fazem outros países, a sua região Lusitana no solar da nação Lusitana, nas Beiras. Não é por os Lusitanos não terem consciência da sua verdadeira identidade étnico-cultural Lusitana ou por a sua língua nativa original ter desaparecido que eles deixam de ser etnicamente Lusitanos. Porque o são! Embora a população racialmente pura Lusitana esteja confinada às vilas e aldeias montanhosas da Beira interior, e eles sejam em número de cerca de um milhão de pessoas, não é por o resto da população de "Portugal" ser descendente de Lusitanos (maioritariamente) ou terem sangue de outros povos pré-romanos, como os Calaicos, Turdúlos e Cónios, entre outros, que deixam também de ser Lusitanos. A população actual deste país é racialmente quase a mesma de à dois mil anos. São Lusitanos mais uma pequena minoria de origem estrangeira. E o país deveria portanto alterar o seu nome oficial para o de sempre, ou seja, para Lusitânia, porque o povo é maioritariamente Lusitano! Além disso, os Lusitanos já aqui existiam centenas ou mesmo milhares [não seguimos este tipo de datação] de anos antes de aparecerem na península Itálica os próprios romanos, que refira-se de passagem, não eram um povo racialmente puro, eram um bando de ladrões de várias procedências étnicas que estabeleceram no seu acampamento na região do Lazio uma base para atacarem os povos vizinhos e adoptaram o nome da tribo latina dos Sabinos, só após a submissão dos povos itálicos vizinhos é que este povo mestiço (à semelhança dos actuais EUA) fundaram a sua Roma e roubaram o mito dos irmãos gémeos alimentados pela loba (já alguém viu coisa semelhante?) aos vizinhos Etruscos, e a sua língua crioula (o latim) se impôs no mundo através de legiões de mercenários e escravos [falso - a mentalidade geneticista do autor do texto está demasiadamente fixada na questão da pureza racial, ao ponto de transferi-la ao sistema da linguagem; neste caso, o latim, por ter tido contacto com várias outras línguas, foi preservando e integrando todas as distinções linguísticas possíveis, e impôs-se, e permaneceu, em grande parte pelas suas qualidades de clareza e precisão; por outro lado, não é apenas a genética que conta, e são os Lusitanos um povo católico-Romano]! (...)". (fonte)

HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DA REAL BASÍLICA E MOSTEIRO DO SANTÍSSIMO CORAÇÃO DE JESUS DA CIDADE DE LISBOA (XII)

(continuação da XI parte)


Capítulo 5º
Da Benção Pontifical das Cruzes, e Paramentos, que se fez na tarde do dia 14 de Novembro

§1.º Toda esta Cerimónia, como a Sagração da Igreja, e seus Altares foi executada na forma ordenada no Pontifical Romano, e da que se acha descrita no monumento Sacro da Sagração da Basílica de Mafra; portanto aqui só apontaremos o que sucedeu, e houve de mais notável em toda esta vistoza função; sendo por isso escusado e desnecessário o referir agora, por menor o modo por que a mesma se executou, e em seu lugar substituírem coisas úteis nos cap. 10, e 11. Mas em primeiro lugar transcrevemos aqui uma exacta relação de todos os paramentos, e alfaias, que da Sta. Igreja Patriarcal se mandaram conduzir para servirem em todos os dias desta função, e o mais como se possa a ver.
"LISTA DOS PARAMENTOS E ALFAIAS, QUE VÃO DESTE TESOURO DA Sta. IGREJA PATRIARCAL PARA A SAGRAÇÃO DA NOVA IGREJA, E ALTARES DO REAL CONVENTO DO CORAÇÃO DE JESUS

Parte 1.ª

Para a Bênção das Cruzes, que se há-de fazer pelo Ex.mo Principal Deão. Paramentos completos encarnados, e bordados de Pluvial: Turíbulo dourado, com Naveta: Caldeirinha dourada com Hisope: Cruz Processional dourada: Duas tochas para acompanhar a Cruz à Bênção; e para S. Ex.ª receber os referidos Paramentos se porá sobre a alcatifa pequena uma cadeira de braços com assento e respaldo de veludo carmesim guarnecido de galão, franjas de ouro, e pregaria grossa dourada; e para os Rev.mos dois Cónegos assistentes saias roxas, e escabelos.

Para a Benção dos quadros dos Altares, Paramentos e Cofre, em que se hão de depositar as Relíquias, haverá unicamente a mudança dos Paramentos acima referidos para cor branca, e para ambas estas bênçãos Pontifical Romano com capa irmã dos Paramentos, e candela dourada.
Para a mudança da Cruz que se acha arvorada desde a imposição da primeira pedra em lugar das tochas acima ditas, se usará de ciriais dourados.
CAPELA DO SACELO PARA A SIGILAÇO DAS RELÍQUIAS, E SUAS VIGÍLIAS

Nota que todos os Paramento são encarnados, e a prata dourada, à excepção da que expressamente se nota.

Docel com espaldar de damasco de ouro, debaixo do qual estará Altar sem pedra: Toalha lisa: Frontal bordado sobre o meio da Mesa do dito altar: Peanha entalhada de pau dourado com dez castiçais dos lados; Na Banqueta seis castiçais, e Cruz de prata branca: No lugar do costume cepo para a Cruz Patriarcal.

CORPO DA CAPELA

Trono de S. Em.ª; dois escabelos ao lado do dito, Lanterna, que terá coto, candela, almofada de gorgorão bordada de palheta: Pontifical com capa irmã, e signáculos: Genuflexório de pau entalhado e dourado com duas almofadas de brocado: Sede gestatória de veludo carmesim recamada de ouro com seu degrau, e vários ornatos de bronze dourado, com dois escabelos de lados: Quadratura para SS. Ex.ªs ILLmªs e mais Ministros da Capela, segundo o costume:Credências de oito palmos coberta de toalha crespa que terá cofre coberto com pano de lhama bordado: Prato com a caixa da condução das Relíquias coberta com um pequeno véu bordado: Dito com a caixa de prata, em que se devem sigilar: Dito com doze grãos de incenso: Dito com um pequeno vazo de goma arábica, e sua Espátula: Dito com tesoura, peça de fita de hábito, lacre, sinete, Inscrição, ou Autêntica em pergaminho: Escrivaninha com penas, tinta e areia: Castiçal de bofete com bogia: Pasta de S. Em.ª, Caldeira e hisope do dito Senhor: Bofete de seis palmos coberto de veludo para a sigilação: Estante de torquez com o livro do Hino para os Músicos: Em lugar cómodo, fogão com brasas, tenaz e fole.

CASA DOS PARAMENTOS DE S. EM.ª, ORNADA SEGUNDO O COSTUME

Paramentos completos de Pluvial de gorgorão bordado de palheta, e a horas competentes irão os dois Virgas rubeas, e os Masseiros com suas insígnias.

PREPAROS PARA MATINAS CAPITULADAS POR BENEFICIADO

Branco de encosto coberto de pano verde para os Beneficiados: Ditos rasos com a mesma cobertura para os Capelães, todos dispostos em linha recta pelo comprimento da Capela: Estante com o Capituleiro para o Capitulante, junto a esta escabelo para o Mestre de Cerimónias: Quatro ditos para as Capas: estante com Breviário para as Lições: Dita com livro para a Cantoria: depois escabelos para os Regentes, e iluminação da Capela.

SACRISTIA

Pluvial de damasco de ouro, e Livro da nona Lição, sem capa, para o Capitulante: 4 Pluviais de lhama para as Capas: Turíbulo branco, e naveta. Fogão, tenaz, e fole: Ciriais brancos.
Findas as Matinas se tirará tudo quanto a elas serviu ficando só das tocheiras as 6 das Relíquias; e de madrugada depois de os Armadores mudarem para cor branca o Docel de S. Em-ª, se asseará toda a Capela para o que vão 6 paus com vassouras, e 4 pás.
Lavábo da Sacristia
DIA DA SAGRAÇÃO PARA A CASA DE PARAMENTOS DE S. EM.ª

Nota que todos os Paramentos são brancos, e aqueles de que se não fizer especial menção, se deve entender serem de gorgorão bordados de palheta, a prata, segundo a nota supra.

Falda curta: Paramentos completos de Pluvial: Formalio rico: Báculo leve para servir até Tercia: Os mesmos Virgas Rubeas, e Masseiros.

SACRISTIA DO SACELO

Neste se destruiriam os Paramentos para S.S. Ex.ªs em cestos forrados de nobreza carmesim, guarnecidos de renda de ouro, e coberto cada um com véu de igual seda, e ornato; a saber.
Para as Ex.mªs Dignidades; Cota, Amito, Pluvial de lhama com um galão largo, e suas próprias armas bordadas nas simbrias, Formalio, Mitra com seu véu, e Cota para o Caudatário. Para os Ex.mos Presbíteros Amito, Planeta de lhama bordada, e na parte posterior as suas Armas bordadas, Mitra Damascena, e para o Caudatário véu e Cota.
Para os Ex.mos Diáconos Amito, Dalmática em tudo irmã das sobreditas, Planetes de cachos de ouro, igual Mitra etc.
Nesta mesma Sacristia tomarão Paramentos, os Ill.mos Monsenhores Prelados, o Ill.mº Crucífero, e Rev.dos penitenciários, a saber; para os Ill.mos Prelados Amito Pluvial de lhama com galão de ouro, e Mitra linea.
Para o Ill.mo Crucífero Amito, Alva, Cíngulo de linha, tunicela e pendentes de cachos de ouro.
Para os Rev.dos Penitenciários Amito ordinário, mas crespo, Alva, Cíngulo de linha, Planeta de damasco liso guarnecida de galão, e franjinha de seda e ouro.
Estará mais na dita Sacristia o seguinte; Duas tochas para acompanhar a Cruz; Doze ditas para a Procissão das Relíquias; Sei lanternas em Banco para o mesmo; Feretro com um docel firme para o transporte das Relíquias, posto sobre bofete coberto de pano de veludo; Rolo para aceder; Naveta com 3 Turíbulos; e finalmente fogão, tenaz e fole.

CAPELA DO SACELO

A quadratura da mesma sorte que serviu à sigilação; Trono para S. Em.ª, Genuflexório, e almofadas, lanterna com os seus pertencentes descritos acima.
Nesta Capela, prestada que seja a obediência, tomam S.S.Ex.ªs os Paramentos, e os mais no lugar acima referido, e retirados todos dela, se colocará em seu próprio lugar o bofete com o Fereto para o transporte das Relíquias.
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