12/02/12

RETRATO DE CALVINO, DOS SEUS DISCÍPULOS E COOPERADORES (I)

João Calvino

"Passemos a falar do terceiro reformador, Calvino, e dos seus principais adictos.

João Caoven, ou seja Calvino, nasceu em Noyon, de um barrileiro que com o tempo chegou a ser notário e promotor fiscal do bispado desta cidade. Por um desses abusos que são muito frequentes quando os reis ou os povos se intrometem nos negócios eclesiásticos, foi dada a Calvino, aos doze anos de idade, uma capelania na igreja de Noyon e pouco depois a cura de almas de Pont l'Eveque, antes de ser promovido ao sacerdócio. Desempenhando o quarto, foi acusado este infeliz do crime infame de sodomia.

Eis aqui como refere o inglês Stalepton este memorável sucesso: "Existe ainda (em 1590, ou seja 20 anos após a morte de Calvino) em Noyon, cidade da Picardia, os registos judiciais, em que se lê que convencido de sodomia, foi marcado na espádua, e isto por graça do bispo e dos magistrados, pois a fogueira era suplício ordinário destes delitos, e que em seguida foi expulso ignominosamente da cidade. As pessoas mais honradas da sua família, algumas das quais vivem ainda, não têm podido conseguir que esta nota infame desapareça dos arquivos públicos" (In promptuário cathol. Sabbato Hebdom., III. Quadrag. fol. 749)

Bolsec, ou seja Jeronymo Hermes, assegura ter visto as provas autênticas deste crime execrando nas mãos  de Berthelier, secretário do Conselho de Genebra, que foi enviado a Hoyon pelos magistrados daquela nação para que colhesse informações autênticas.

Na Vida de Calvino dada à luz em Paris em 1577 8note-se a data porque dela se depreende que o biografo era contemporâneo de Calvino), se refere que em Genebra teve também a seu Adonis, que o abandonou, fugindo depois de o ter roubado. (In promptuário cathol. Sabbato Hebdom., III. Quadrag. fol. 749)

Estes factos são de todos tão conhecidos, que tendo o P. Campiano afirmado, como coisa notória em Inglaterra, que o chefe dos calvinistas fôra marcado com a flor do liz, o mesmo Wittakers, antagonista do P. Campiano, longe de negá-lo, respondeu-lhe com uma indigna e caluniosa comparação, dizendo que, se Calvino tinha sido estigmatizado, também o foram S. Paulo e outros muitos. (Campian. licção III, 1532)

Obrigado Calvino a sair de França, passou à Alemanha, e em Basileia foi apresentado por Bucero a Erasmo, o qual, depois de ter falado com ele, disse a Bucero: "Vejo levantar-se uma grande peste na Igreja contra a igreja". Video magnani pestem oriri in Ecclesia contra Ecclesiam. (Florim. Hist., pag. 889)"

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