07/06/11

MÚSICA MAÇÓNICA

Tenho em minha posse uma composição musical brasileira, da qual infelizmente não sei data (parece-me dos finais do séc.- XIX a princípios de XX), intitulada “A Maçonaria e os Jesuítas”. Como subtítulo tem “Quadrilha Para Piano Por Um Maçon”. Nas 5 páginas, esta quadrilha divide-se em: 1- Ataque dos Jesuítas á Maçonaria; 2- O Irmão Terrível, Brada as Armas; 3- Toque de Rebate Nas Columnas; 4- Grande Batalha Maçónico-Jesuítica; 5- A Maçonaria Suplanta o Jesuitismo. Pobres iniciados na ceita, sempre foram enganados, e vê-se aqui a falsa propagada caluniosa de que os Jesuítas fizeram guerra à maçonaria. A Maçonaria fundada em 1717 é uma afronta à humanidade e é corruptora da moral e dos valores, pelo que desde cedo foi combatida pelas autoridades civis e pela Igreja. Surge como inimiga da sociedade, operando de forma discreta e secreta para alastrar suas doutrinas e derrubar a Verdade Revelada. Aprece assim a maçonaria como UM ATAQUE de rebeldia à civilização cristã, ao homem, e a Deus (um grito de "non serviam"). Continuou sempre a operar de forma o menos visível possível (evitando as reacções sociais que lhe possam ser adversas) e ocupar assim a carapaça dessa maravilhosa civilização, com nunca outra houve, que é essencialmente a estrutura da civilização católica com suas excelências produtivas. É como assaltar a mais incrível e bela das cidades alguma vez existente, construída por efeito da mesma excelência e maturada genialidade, mas agora dominada pela barbárie e o egoísmo (poderá parece civilizado o assaltante caso seja filho ou neto dos antigos moradores da cidade a quem as novas gerações apenas conhecem pelas histórias que os assaltantes sentiram a necessidade de inventar). Em suma, diria que a maçonaria tem feito apenas uma coisa: construir um Reinado Social do Anticristo, Anticristo que, não sendo capaz de construir e de expressar a excelência, não poderá fazer mais que manipular o produto exterior de uma civilização produzida pelo exercício do Bem.
Mas não vemos aqui, musicalmente, uma quadrilha composta directamente contra a Igreja anunciando a vitória final sobre a Igreja. Não seria mais coerente?! Foram escolhidos os Jesuítas como alvo! D. Pedro Imperador do Brasil e ilegítimo Rei de Portugal, maçon, a primeira das barbáries que fez em Portugal foi a perseguição às ordens religiosas. Um ataque directo à Igreja, em todos os domínios, seria declarar guerra a todos os portugueses e a todos os católicos, assim foi que escolheu os pacíficos mosteiros (não ofereceriam resistência, e tinham terras e belos edifícios em serviço de Deus que poderiam ser pilhados gulosamente), por outro lado seria sempre fácil acusar gente tão silenciosa e retirada da sociedade. Mas os Jesuítas... esses eram bem visíveis, conhecidos nas cátedras, nas ciências, donos de uma cultura que desmoronava qualquer "sábio" liberal (e por outro lado tinham mais que os ladrões cobiçassem).Em 1911, depois da maçonaria ter manhosamente imposto a república e usurpado o trono português, apresou-se impor "leis" republicanas aos portugueses nas quais demonstrava ser inimiga das famílias e da Igreja. Começou nova perseguição à Igreja indirectamente, pois como já foi dito, ir contra a Igreja directamente significaria a decapitação da república por parte dos portugueses. Assim a cobardia escolheu mais uma vez uma "secção" da Igreja. O problema seria agora o clero apenas. E sempre a mesma técnica: isolar uma parte do todo e atacar apenas essa parte, pois sempre se pode fazer crer que o problema não seria a Igreja mas sim o clero, e que até seria defender os católicos ao aparta-los do clero: enfim, seria um esquema de "luta de classes" que já tinha tido efeitos para instalar a fragmentação na monarquia (monarquia liberal), ideias que já tinham envenenado a monarquia em França (antes da revolução), e que assim poderia ter tido o mesmo efeito entre os leigos e o seu clero. O Santo Padre Cruz é um ícone deste período, e era Jesuíta. Viu os seminários fechados por ordem da Usurpadora República (República Maçónica). Evidentemente que os padres Jesuítas foram os mais perseguidos  humilhados, insultados, presos, agredidos, tratados como mentalmente inaptos (tal era o ódio  ao sucesso intelectual e universal dos Jesuítas)  ... Novamente os Jesuítas!?O primeiro famoso perseguidor de Jesuítas no Império Luso foi o implacável Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês  de Pombal), que reinaugurou uma Inquisição (não para aspectos religiosos, nem morais, nem de bons costumes, e só para os outros aspectos civis) para assassinar os invejados, piedosos,  inocentes Marqueses de Távora sobe capa de justiça. Tal assassinato "oficializado" não poupou nenhum Távora, e tal atitude de "justiça" foi acompanhada da ordem de apagar o nome "Távora" de toda a lápide ou monumento. Os Jesuítas estavam tão altos no seu cumprimento católico de exclusividade de ensino (a Santa Igreja ensinar que a Ela cabe a função de ensinar por mandato divino) que as falsas ideias da moda tinham dificuldade em corroer o ensino (por algum motivo a maçonaria sempre teve o interesse de assaltar e dominar o ensino). Evidentemente que este ranger de dentes contra os Jesuítas não foi apenas por eles defenderem o ensino contra a pretendida corrupção maçónica (pelo menos em alguns países como Portugal e Espanha, o mesmo já não acontecia em França). O pensamento católicos, bem explicito em S. Tomás de Aquino, era (e é) uma dor de cabeça para as correntes protestantes (ambientes propícios à maçonaria). A única forma de derrotar o Tomismo era abafa-lo, mas para tal havia que retirar os Mestres de suas cátedras. Outros menores motivos existiam, mas menores.Se um jesuíta incomoda muitos maçons e protestantes, e marxistas, e liberais, muitos jesuítas encomodam muito mais. No fundo incomoda-os a Igreja, porque Deus incomoda. Visto que nunca desafiaram directamente a Igreja, resolveram toma-la. Esta atitude subversiva lembra-me o mesmo mecanismo embriónico do modernismo: a carcaça mantém-se e o interior muda.A quadrilha, e fica-lhe bem o nome, escondeu aos iniciados a verdade, de quem é o INIMIGO. Hoje a maçonaria não tem sequer que se preocupar em ocultar a verdade, pois a sociedade deixou de ser "profana" (como sempre afirmaram) e é efectivamente "iniciada", visto que já todos professam as mesmas mentiras e erros... Os jesuítas do presente não são impedimento, contudo, a Companhia de Jesus (a de sempre) ainda os mantêm em "mentira activa".Por fim, encerro este artigo de forma "musical", tal como foi aberto:
"O Irmão Terrível, Brada as Armas" (este irmão terrível do segundo andamento da música é quem?)
"... Ás armas, ás armas, contra os canhões marchar, marchar" (é o brado do hino republicano em Portugal)

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito bom.

ascendens disse...

obrigado. Volte sempre.

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