16/03/11

RAINHA SANTA MAFALDA - 2ª parte

(Continuação da 1ª parte)


A infanta D. Mafalda foi logo entregue a D. Urraca filha de Egas Moniz (o grande homem da confiança de seu avô D. Afonso Henriques e que o educou). Mantinha-se assim uma continuidade de educação tão fundada na Fé e na valentia.

D. Afonso Henriques o Grande
(D. Afonso I, de Portugal)

D. Henrique I
de Castela
Quando seu pai D. Sancho I morreu em 1211 o Reino de Portugal continuava ameaçado pela moirama, o mesmo para boa parte de Península Ibérica. O reforço do poder cristão devia ser feito contra o perigo dos infiéis, pelo que D. Nunes Lara tratou de concertar o matrimónio da Infanta D. Mafalda com o jovem Rei castelhano para união e amizade dos reinos. Casada como D. Henrique I de Castela seu primo, em 1215, passou a Infanta a Rainha de Castela. Eram bastante jovens, ele com 11 anos e ela com 15, sendo que D. Henrique I de Castela subiu ao trono no ano anterior, com  10 anos de idade. O casamento nunca chegou a ser consumado e a mãe, D. Leonor de Plantageneta (filha do Henrique II de Inglaterra), que ocupava a regência, tratou que o casamento do Rei fosse dado como nulo alegando a consanguinidade (primos).  Roma deu como nulo o matrimónio em 1216, sobe o pontificado de Inocêncio III. Depois de concertado o matrimónio de D. Henrique I de Castela com a Infanta D. Sancha de Leão (ficariam assim unidos estes reinos), o jovem Rei morreu com um golpe duma telha desprendida de uma das torres do palácio episcopal enquanto brincava, aos 13 anos.


D. Afonso II
(o Gordo)
D. Mafalda tinha então regressado a Portugal. Seu Rei era agora seu irmão D. Afonso II que lhe deu grandes aflições assinalando o confronto entre dois modelos de governo. É este assunto, o do confronto entre o Rei e suas irmãs, muito útil de tratar em resumidas linhas.

D. Sancho I tinha deixado a todos os filhos territórios e poder pleno sobre eles. A D. Mafalda tocou-lhe o Castelo de Seia, a respectiva vila com todos os seus rendimentos, e o mosteiro da Bouça. Deste património fê-la o pai Rainha. Ora, o conceito de nação actual diria tratar-se de um Reino dentro do Reino de Portugal. Mas não. Na verdade tratou-se de um território independente, à imagem de feudo. E esta prática não foi tampouco um capricho da originalidade. Também D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, se intitulara Rainha. O conceito de "Reino", até este período, não tinha as especificações que veio a ter depois. É justamente pelo modelo de governo que D. Sancho tinha tido grandes problemas com o Clero e a Nobreza. Também D. Afonso II os teve, e desta vez com suas santas irmãs. Assim os Reis afastavam-se de modelos mais nossos e aproximavam-se de outros modelos mais comuns na Cristandade. D. Afonso II queria fazer valer o seu modelo e não permitira suas irmãs como Rainhas de seus pequenos Reinos. O significado de "rei" era mais o de "senhor".

(Terá continuação)

2 comentários:

Hermínius Lusitano disse...

Fantástico blogue!!!

ASCENDENS ASCENDENS disse...

Hermínius Lusitano,

Obrigado pela simpática apreciação.

Volte sempre.

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