04/09/15

IMITAÇÃO DE CRISTO - Thomas de Kempis (CI)

(continuação da C parte)

A IMITAÇÃO DE CRISTO

Thomas de Kempis

IV Livro
O Augustíssimo Sacramento do Altar


Cap. XV
Pedir, Esperar, Receber e Conservar a Graça

1. Cristo – Deves procurar a graça da devoção com perseverança, pedi-la com ardor, espera-la com paciência e confiança, recebê-la agradecido, conservá-la com humildade, e ter grande cuidado de obrar com ela, cometendo a Deus o tempo e o modo em que lhe agradar visitar-te.
Humilha-te, quando em ti sentires pouco ou nada de devoção, sem que entretanto, desanimes ou te entristeças excessivamente.
Muitas vezes dá a Deus, em um breve movimento, o que durante muito tempo parecia ter negado, e muitas vezes concede no fim da oração o que recusou dar no principio.

2. O homem é tão fraco nesta vida que, se alcançasse sempre a graça e, em pouco tempo, na medida do seu desejo, não poderia suportá-la. Por isso deves esperar a graça da devoção com segura confiança e humilde paciência; ou, quando não te for concedida ou te for tirada secretamente, lança a culpa em ti mesmo e nos teus pecados.
Algumas vezes é bem pequena a coisa que impede ou enfraquece a graça, se, todavia se puder chamar coisa pequena o que prova de tão grande bem. Se removeres este obstáculo, seja ele grande ou pequeno, e o venceres, certamente terás o que pedires.

3. Porque logo que te entregares a Deus de todo o teu coração, e não buscares coisa alguma por teu próprio gosto, mas de todo te puseres nas Suas mãos, tu te acharás recolhido e sossegado, pois nada te será tão grande e tão jucundo como o beneplácito da divina vontade.
Aquele, portanto, que elevar a sua intenção pura ao Senhor, e tiver a sua alma desocupada de todo o afecto desordenado às criaturas, estará em condições de receber a graça e será digno de receber o dom da devoção.
O Senhor derrama as suas bênções onde acha vasos desocupados e, à proporção que o homem renuncia às coisas terrenas, e morre mais para si, pelo desprezo de si mesmo, a graça mais prontamente e em maior abundância se lhe comunica e a sua alma se eleva a uma mais alta liberdade de coração.

4. Então, transportado de admiração, verá o que não tinha visto, estará na abundância e o seu coração se dilatará, porque o Senhor está com ele e ele mesmo se pôs inteiramente nas mãos de Deus.
Deste modo, será abençoado o homem que busca a Deus, de todo o coração, e que fecha a entrada da alma a tudo o que é inútil e ilusório.
Este discípulo fiel, quando recebe a sagrada comunhão, merece a graça singular de uma união mais íntima, com o Senhor, porque não considera tanto a sua devoção ou a sua consolação particular; é a glória de Deus que ele prefere a todo o fervor e alegria espiritual que recebe neste sacramento.

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