15/05/15

A BANDEIRA AZUL E VERMELHA - Breve reflexão.

Este artigo terá várias repetições das mesmas ideias, para que não passem aos distraídos:

A Casa Real Portuguesa, em tempos do Senhor D. João VI, tinha por suas a combinação de cores azul-vermelho. As cores da Casa de Bragança, eram (e são) azul-branco.

As tropas Reais, evidentemente, usavam a identificação cromática da Casa Real, e as tropas de D. Pedro usaram as da Casa de Bragança, porque assim compete. Contudo, pelo lado de D. Pedro, não houve apenas milícias de azul e branco, e muitos nem militares eram, havia estrangeiros (inclusivamente chefes militares franceses). Igualmente, da nossa parte, não havia apenas milícia da Casa Real, porque as milícias nesse tempo pertenciam também a várias Casas, cada qual com suas cores. Nesta diversidade, e como a guerra era interna, os vários soldados por vezes ficaram agrupados sobre aquelas cores (não necessariamente). Temos o caso do Remexido, o qual levou a resistência militar até às últimas (o que nos dá mais que obrigação de lhe erguer monumento de herói), e que tinha para si as cores da Casa Real, mas que, ao que parece, também eram as cores soldadescas da Casa algarvia por quem lutava!

Não foi D. Miguel quem levou as cores vermelho-azul para a Casa Real, nem foi D. Pedro quem designou cores para a Casa de Bragança. Sem dúvida alguma, sendo justos na avaliação, há que reconhecer que nesse tempo eram estas as cores OFICIAIS das respectivas Casas, e não as cores oficiais de "causas". Não se pode dizer que o azul-branco deixara de ser o conjunto de cores da Casa de Bragança, e que tivesse passado a ser o da causa liberal, constitucional,... não troquemos casas por causas. Não se pode dizer que o azul-vermelho deixara de ser o conjunto de cores da Casa Real, para passar a ser o da causa tradicional (a defesa da Fé católica, do Rei, e do Reino na sua integridade). Contudo, há uma identificação necessária entre a Casa Real e ela mesma, ou seja, a permanência na sua integral tradição; não pode haver uma identificação da Casa de Bragança com o liberalismo, a não ser por acidente momentâneo, pelo qual havemos de dizer: o Casa de Bragança não pode ser liberal, tem que ser tradicional, tem que ser fiel aos seus princípios fundacionais, e que fora deles ela não É nem pode realmente. Disto também se conclui que a atitude de D. Pedro não é mais que privada, e não pode obrigar a Casa de Bragança nem manchar os seus antecessores nem vindouros, nem comprometê-los, porque aquele que indo contra os princípios da Casa não pode usar a casa como garante de contra-princípios. As cores que o liberalismo pretendeu dar a uma bandeira que representasse o Reino de Portugal, ao fim e ao cabo, nem sequer são as da Casa de Bragança, ma sim as da causa liberal.

A bandeira branca, é a bandeira que os nosso Reis conheciam como aquela que estava sobre todas as existentes em Portugal, sobre todas as Casas, incluindo a Casa Real. Os liberais lutaram indevidamente com as cores de uma das Casas contra Portugal (e assim se diz como um dos argumentos para a legitimidade de D. Miguel: que D. Pedro lutou contra as tropas portuguesas) e derrubaram a bandeira branca, colocando uma outra, azul-branca (a bicolor), para a substituir. Nunca houve o mesmo procedimento relativamente ao azul-vermelho, porque, evidentemente, essas cores são as da Casa Real que se abriga com as outras casas sob a bandeira branca.

O liberalismo-maçonaria estava por D. Pedro,  ou melhor, estava contra D. Miguel (pois este, como quase todo o Portugal, e com a Igreja, combatia as novas e ilegítimas ideias e ímpias doutrinas). A fim de contas, o projecto internacional da Maçonaria passava pela aniquilação das "monarquias católicas", instauração de "semi monarquias" ("monarquia constitucional") ou até mesmo repúblicas, desde que nelas ficassem assentes os princípios que mais tarde pudessem estourar definitivamente com aquilo que restava da Civilização Europeia (Católica), por fim infiltrar a Igreja até a controlar desde o topo (se bem que antes houve várias tentativas de destruir a Igreja de forma menos "moderada" e declarada, forma demasiado visível que afastava a população cristã. Por isso, o apoio da Maçonaria a D. Pedro deve-se a que este era a mais credível alternativa contra tudo o que representava D. Miguel na sua legitimidade.

Os liberais, não podendo usar a bandeira de Portugal, porque não se distinguiriam, usaram a de D. Pedro, ou seja, a da Casa de Bragança, à qual chamaram  eles mesmos de "a bicolor" (indicando pela negativa que aquela contra a qual lutaram não era bicolor). Esta bandeira foi usada para toda a causa liberal em Portugal, e passaria a ser depois a bandeira "nacional", que derrubara a BRANCA (bandeira do Reino de Portugal). Temos uma substituição, portanto: um grupo que substituiu a bandeira do Reino pela bandeira da Casa de Bragança porque colocou à frente da causa liberal a D. Pedro de Alcântara Duque de Bragança.

Conclusão:

A combinação zul-vermelha é a da Casa Real, e estas cores são usadas para os servidores da Casa Real, inclusivamente para as milícias, segundo decreto real feito por D. João VI.

A bandeira oficial do Reino de Portugal, pelo menos em tempos de D. João VI e D. Miguel, era branca.

O uso da combinação de cores azul-vermelho foi usado num contexto interno, para identificar ALGUNS daqueles que se juntavam às tropas da Casa Real (os fiéis); muito mais foi com aqueles que se juntaram às tropas da Casa de Bragança, com as respectivas cores. Este é, recordemos, apenas um contexto militar e pontual, mas que também foi aproveitado posteriormente (e a isto há que dar o devido valor, mas com as devidas distinções).

Quanto ao conflito geral, ideológico, político, religioso, estrutural, a nossa bandeira do Reino de Portugal era a BRANCA (é a branca), e a sua inimiga era "a bicolor" azul-branca, e a verde-vermelha da ocupação republicana.  [o regime liberal e o republicano, não são legítimos, ainda que possam ser tolerados]

A questão da TRADIÇÃO (necessariamente católica), da LEGITIMIDADE (segundo a Lei divina, moral, e doutrina católicas), de PORTUGAL (necessariamente católico), joga-se com a bandeira branca, sob a qual a azul-vermelha é essencialmente um episódio bélico.

Dizer que a bandeira azul-vermelha era a bandeira de D. Miguel, é tão certo como ser a de D. João VI, ou a da Casa Real, ou a do servidores da Casa Real... mas... ela nunca foi oficial, e em parte é fruto de uma construção afectiva de alguns grupos que se julgam "tradicionalistas" etc... Ninguém acreditou que uma vitória de D. Miguel haveria de pretender a substituição da bandeira branca por uma outra bicolor (azul-vermelha). Os órgãos "oficiais" liberais deram notícias sobre "a bicolor", quando foi asteada no Castelo de S. Jorge (Lisboa), o que indica que o liberalismo não lutou contra outra "bicolor" como causa, mesmo que no campo de batalha muitas bicolores houvessem, mas que nunca foram tomadas como suficientemente universais para representarem a causa ou formarem unidade. Foi a bandeira branca, portanto a bandeira do REINO DE PORTUGAL, aquela contra a qual os "bi" (liberais e maçons) lutaram.

4 comentários:

Reaccionário disse...

Infelizmente existe muita confusão de bandeiras. Mas se não estou enganado, a bandeira do Ducado de Bragança (se não foi modificada com o tempo) será esta:

http://www.mundodasbandeiras.com.br/historicas/img/bandRestauracao.png

A coroa aparenta ser ducal.

Rafaela P. disse...

Caro Reaccionário,
obrigada por comentar.

Fique com Deus.

César Augusto Canedo disse...

Um artigo magnífico. Bem haja o seu autor.

ASCENDENS ASCENDENS disse...

César Augusto Canedo,

obrigado por comentar, e pelas gentis palavras.

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