10/02/15

ACLARAÇÃO - A "BICOLOR"

Rei D. Miguel, o Tradicionalista
Houve inesperadas reacções ao artigo A Bicolor - Refutação Definitiva. Uma delas veio da parte de um legitimista, situação dialogada; a outra veio por parte de um elemento da Causa Monárquica (mais concretamente da Real Associação da Beira Litoral), reacção que se limitou ao uso do poder, e sem qualquer diálogo. A Causa Monárquica usa a bicolor, e perante certa acusação, de estar ainda em guerra com os "absolutistas", resolveu integrar também a bandeira "branca", mas com coroa ducal (o que tem levado muitos a crer tratar-se da bandeira de Portugal, usada pelos últimos Reis até D. Miguel, inclusivo).

Amigos da Causa Monárquica, que usais da bicolor,

nunca os autores discordaram que a bicolor tivesse sido a bandeira exclusivamente levantada pelo liberalismo em Portugal, e como "bandeira nacional". Por isso, o artigo da Chronica Constitucional de Lisboa, o qual transcrevi no meu mencionado artigo, retrata tal realidade. Por ser isto verdade tão inegável, não se atreverão os da Causa Monárquica entrar em demonstrações contrárias.

A alguém que tentou fazer da Chronia Constitucional de Lisboa um documento de opinião muito particular, e por isso seria nada representativo nestas questões, direi que: é justamente o oposto. A Chrónica Constitucional de Lisboa manteve este nome de 1833 a 1834 (ano da usurpação total) e logo passou a ter o nome de Gazeta Oficial do Governo (*). O Chrónica Constitucional de Lisboa foi o órgão oficial do governo usurpador, desde o seu primeiro número, e nele foram publicadas as "leis" e comunicados "oficiais"; facto que explica a elevação do nome deste jornal, em 1834.

A verdade existe! O contar da história deve resultar da sujeição à verdade, e não aos desejos de quem quer que seja. Neste caso, o da bandeira liberal, os factos claros nunca deixaram espaço à dúvida. A bandeira bicolor é a bandeira liberal, sobre a qual esteve assente e jaze a linhagem de D. Pedro de Alcântara.

Desmotivo a Causa Monárquica a operar como aquele seu calado membro. Não irei motivar a Causa para o abandono da bicolor, visto que, muito ou pouco, defendem ainda as mesmas ideias da facção liberal, contra as quais D. Miguel e Portugal lutaram. Quem sabe... quem sabe, um dia!

(*) - cf. o II volume de "Jornais e Revistas do Séc. XIX", pág. 226.

1 comentário:

Telmo Pereira disse...

Já tenho visto esta imagem numa biografia de D. Miguel editada pelo Círculos de Leitores.
Mas é muito curioso porque é que D. Miguel foi retratado com a coroa sobre a sua cabeça...

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