19/03/13

PARTICULARIDADES DO BRASÃO DO PAPA FRANCISCO (I)

Peço desculpa aos leitores pela carência de artigos mais importantes nestes últimos dias. Em breve voltaremos à "normalidade".

Saiu hoje o brasão do Papa Francisco, brasão com particularidades que não serão explicadas pela Santa Sé.

Até ao momento, Bento XVI foi o primeiro e único Papa que havia substituído a tiara papal por uma mitra de três níveis no seu brasão. Contudo, a mitra de três níveis é própria apenas para o uso do Patriarca de Lisboa (não como mero símbolo de brasão).

O Cardeal Patriarca de Lisboa António Cerejeira
Mitra dos Patriarcas de Lisboa
Para além dos Patriarcas de Lisboa terem esta "mitra do Patriarca de Lisboa", "mitra tiara", ou "mitra patriarcal de Lisboa", o seu brasão têm tiara e é ladeado de uma palma e um ramo de carvalho (os três símbolos do Patriarcado de Lisboa:

Brasão de D. Tomás de Almeida, I Patriarca de Lisboa (séc. XVIII)
Em 1963, o Papa Paulo VI abandonou a tiara papal, e em 2005 Bento XVI cria o seu brasão sem tiara papal mas com a mitra de três níveis. A actitude de Paulo VI não foi uma forma de negar aos pontificados vindouros a coroação papal, porque diz na Constituição Apostólica "Romano Pontifici Eligendo":  "o Romano Pontífice será coroado pelo Cardeal Proto-diácono e, no momento oportuno, irá tomar posse na Arquibasílica Patriarcal de Latrão, de acordo com o ritual prescrito" (Romano Pontifici Eligendo, Paulus VI, 1975).

Certo é que, desde Paulo VI, ainda nenhum Papa se submeteu ao uso da tiara. Bento XVI ainda foi encorajado com a oferta de uma tiara, oferta que muito dificilmente se repetirá no pontificado do Papa Francisco. É que depois do Concílio Vaticano II a linha de orientação é a de fragilizar certos pontos da doutrina fundamental da Igreja, neste caso o significado do Papado, e o Papado em si mesmo. Tende toda esta linha para uma certa democratização do poder, transformando uma monarquia "absoluta" numa monarquia parlamentar, ou até numa república.

O Papa Francisco nega-se até hoje a conotar-se como Papa, afirmando-se como mero Bispo de Roma, um "primus inter pares", portanto: isto dá ainda mais corpo às condenadas doutrinas que vão contra o sentido católico de "Papa", em outras palavras, uma anulação prática do Concílio Vaticano I (reforçada pela mediática e suposta "humildade" ao gosto do mundano.

Apresentação do brasão de Francisco
Os leitores não tenham dúvidas: a corrente de pensamento do pós-concílio está a operar lentamente as suas ideologias a respeito do Papado já condenadas pela Igreja.
Basta de dizer por todos os lados que "é por humildade".

"1823. Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu directa e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra – seja excomungado." (Concílio Vaticano I)

6 comentários:

João Maria Corrêa Monteiro disse...

acho sempre "curioso" quando se comenta coisas que o Papa diz, faz ou escolhe, com uma atitude sobranceira, pouco respeitosa e nada caridosa... é uma atitude errada. Devemos, enquanto católicos, obediência, respeito e a nossa fidelidade ao nosso Papa, seja ele quem fôr. Podemos e devemos fazer perguntas, racciocinar, desenvolver trocar opiniões etc. mas não assim. Assim é estar contra a Igreja.

ASCENDENS ASCENDENS disse...

João Monteiro,

Obrigado por comentar.

O artigo pode ser corrigido. Por isso, já que lança uma crítica ao artigo sem objectivar, tenha a bondade de apontar quais as afirmação(s) nele feita(s)que acha erradas.

Aguardo.

Volte sempre.

Anónimo disse...

Boa tarde! Eu penso que o João Monteiro não quis dizer que as afirmações do texto estão erradas. Eu entendi que ele se refere a interpretação errônea posteriormente, pelos que já deturpam a Igreja, o Papado!Talvez ele queira dizer que estas coisas referentes a problemática que hoje a Igreja vem passando, deva ser comentado com cautela.

Anónimo disse...

Muitos ficaram assustados com as referências, em seu primeiro discurso, a ele (e seu predecessor) como “bispo de Roma”, dando a impressão de abdicar da posição de “Sumo Pontífice”. No entanto, o fato das seguintes referências ao episcopado de Roma foi contrabalançado quando o Papa disse que a Igreja de Roma “preside sobre todas as igrejas na Caridade”.

Numa era de EXTREMO egoísmo, autossuficiência, hedonismo e orgulho, Francisco parece ser o homem certo. Tomara que tenha nascido pra ser Papa.


"Depois do Concílio Vaticano II a linha de orientação é a de fragilizar certos pontos da doutrina fundamental da Igreja, neste caso o significado do Papado, e o Papado em si mesmo."

Há algum documento do CVII que atesta isso ? Ou algum outro documento da Santa Sé ?

A paz.

Maria Luísa De Sá

ASCENDENS ASCENDENS disse...

Anónimo,

Obrigado por comentar.

É difícil saber se o João Monteiro se refere ao artigo desta caixa de comentários ou está a falar no geral. Contudo o meu convite está feito e não há obrigação moral de aceitá-lo caso a opinião do "anónimo" seja acertada.

Não vejo problemas nisso.

Volte sempre.

ASCENDENS ASCENDENS disse...

Maria Luísa De Sá,

Obrigado por comentar.

Diz: "o Papa disse que a Igreja de Roma “preside sobre todas as igrejas na Caridade”"

Essa é a tese segundo a qual o poder do Papa advêm de ser Bispo de Roma. A novidade dessa afirmação é que o Papa vai mais longe dizendo que esse presidir consistiria na Caridade. Mas o Papado não advêm da "igreja de Roma" como fez crer o Papa Francisco, tese condenada com pena de excomunhão pelo Concílio Vaticano I.

Por outro lado TODOS os gestos de Francisco, até ao momento, são da linha condenada pelo Concílio Vaticano I e que, resumidamente, são uma linha que assenta nestes ideias:

- O poder do Papa advêm de ser Bispo de Roma;
- O Papa é um "primus inter pares".

Estas ideias heréticos (é a Igreja que as proíbe com excomunhão) têm orientado TODO o pontificado de Francisco, e tal pode observar em certos momentos e gestos como:

- Na entronização (mesmo contra o esforço de alguns Cardeais tentou cumprimentá-los no trono de igual para igual e em pé);
- À mesa, nas refeições, abandonou o lugar reservado ao Papa para se misturar indiferentemente com os Cardeais;
- Em visitas de Estado cumprimenta como se fosse um qualquer (o que ofende a Deus e aos católicos, pois o cargo que lhe foi conferido não é uma coisa de capricho pessoal mas sim um fardo ao qual tem de se submeter porque representa TODA a Igreja e não apenas uma diocese ou até todas as dioceses - é um escândalo);
- Impõe o seu gosto pessoal sobre a tradição papal;
- Foge com o anel papal a quem lho queira beijar (mesmo quando se trata de chefes de estado).

Enfim... se comporta a todo o momento como um bispo qualquer que tem uma diocese que está sobre as outras, e não como o vigário de Cristo na terra sobre o qual Cristo funda a Igreja e da as chaves do Céu.

Qual o motivo de isto tudo acontecer? Simples. Esta corrente (modernista progressista) tem o "ecumenismo" (entenda-se "ecumenismo" no sentido pós conciliar - é o sentido da união das igrejas protestantes começado no final do séc. XIX) como um dogma prioritário. Em nome deste falso ecumenismo eles chegam a ir contra a verdade ensinada pela Igreja (protegida com pena de excomunhão - Concílio Vaticano I) que nos diz que o Papado é de instituição divina sobre toda a Igreja e este poder foi dado por Cristo pessoalmente (portanto, antes de existir diocese de Roma e independentemente dela).

Até ao momento o Papa Francisco nem UMA vez foi contra aqueles dois pontos em que assenta a posição herética condenada pelo Concílio Vaticano I, e, antes pelo contrário, em todas as oportunidades a afirma em gestos. Não é imprudente nem injusto dizer que o Papa Francisco é um herege material (ou seja, um herege a quem nunca foi formalizada a heresia em que vive). Em último caso, segundo o que a Igreja ensina, o papa Francisco não tem Fé (porque vai contra alguns pontos da Fé).

Espero que a Luísa volte a esta caixa de comentários, porque quando duas opiniões não coincidem, explica S. Tomás: ou estão as duas erradas, ou está uma certa e outra errada, mas nunca estão as duas certas. E como não há catolicismo contra a verdade, eu espero que volte a este assunto até que as duas opiniões coincidam.

Volte sempre.

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