27/02/12

O ABSOLUTISMO LUSITANO - D. JOÃO V

D. João V e a Rainha D. Maria Ana
Recomendo muito aos leitores terem presente que Portugal é um caso muito diferente de todos. Sim, por mais que pareça um modo de dizer, Portugal deve ser olhado como excepção, na maior parte das vezes.

D. João V foi um grande "Rei absoluto", que não tem sido tomado como exemplo por quem diz mal do absolutismo. Se o absolutismo funcionou tão bem em Portugal porque motivo só têm referido os maus sucessos para caracterizar o absolutismo? Mas se é "absolutismo" o Reinado de D. João V, e se foi ele tão bom reinado, porque não foi alguma vez apontado como o bom exemplo do absolutismo?

Inácio Barbosa Machado diz de D. João V, em 1750:

"Foi consumado na difícil arte de Reinar, pois não derramando o sangue dos Vassalos, antes fazendo benefício aos mesmos, que lhe eram ingratos, soube fazer-se igualmente amado, que temido, porque melhor que seus Antecessores conheceu as prerrogativas do Trono, para ser Pai benéfico e Soberano respeitado. Foi mais generoso que todos os Reis que o precederam, excedendo ao todos os seus Coroados Ascendentes nesta virtude [...]
[...]Esta paz conservou perpétua com benefício dos Vassalos e admiração da Europa, que no seu tempo ardeu em sanguinolentas guerras; porque, sobre a política do seu Príncipes, quis ser nas suas discórdias arbitro e não aliado."

Este testemunho bastante significativo mostra que D. João V, Rei absoluto, soube manter-se afastado de certas  problemáticas europeias. Portanto, é oportuno perguntar se o "absolutismo", fora de Portugal, não tem sido confundido com o cumprimento de certos Reis para com Deus e depois para com o Reino.

Em Portugal o absolutismo, que era querido pelo próprio povo, acabou por revelar-se um amadurecimento da monarquia católica tradicional. Se em Portugal o Rei submetia seriamente a sua vontade à vontade de Deus (lembremos que o Rei tem de Deus a "graça de estado") já noutros reinos Reis houve que se apoderaram da musculada máquina do Reino Católico desenvolvido por séculos colocando a própria  vontade mais alto do que é legítimo. Esse casos de incumprimento não deve ser confundido como se fora uma forma oficial de governo à qual muitos chamam "absolutismo", caso contrário D. João V não seria chamado de Rei absoluto.

Seja qual for o sistema ou tipo de governo, dentro do catolicismo há a condição sine qua non da sujeição à vontade divina. Portanto, não é o absolutismo um sistema em si não católico, pelo contrário... Mas deve ser deposto qualquer chefe que governe contra ou indiferente a vontade de Deus. Esta mesma regra torna legítimo que os povos católico devam submeter os não católicos quando a conversão do seu Estado não se puder dar antes.

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