"É costume no Porto, em dia de S. Nicolau, dar o Abade desta freguesia uma rasa de castanhas. Outro tanto acontece no sábado de Aleluia à noite, na vila de Idanha a Nova, distrito de Castelo Branco. Reúnem-se ali as raparigas em dois ou mais bandos, e munidas de pandeiros [adufos], vão ao adro tocar e cantar a Nossa Senhora do Almurtão, festejando assim a Ressurreição de Cristo; ali voltam à porta do Vigário e à do Cura, a darem-lhes as boas festas, e deles recebem castanhas e passas. " (Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro - séc. XIX)
30/03/18
A SEMANA SANTA - Sto. AFONSO DE LIGÓRIO VII (Sábado Santo)
(ver anterior: Sexta Feira de tarde)
SÁBADO SANTO
Sétima dor de Maria Santíssima
Sepultura de Jesus
Sétima dor de Maria Santíssima
Sepultura de Jesus
Involvit sindome, et posuit eum in monumento - "Amortalhou-o no sudário, e depositou-o no sepulcro" (Marc. 15, 46).
Sumário - Consideremos como a Mãe dolorosa quis acompanhar os discípulos que levaram Jesus morto à sepultura. Depois de o ter acomodado com suas próprias mãos, diz um último adeus ao filho e ao sepulcro, e volta para casa, deixando o coração sepultado com Jesus. Nós também, à imitação de maria, encerremos o nosso coração no santo Tabernáculo, onde reside Jesus, já não morto, mas vivo e verdadeiro como está no céu. Para isso é mister que o nosso coração esteja desapegado de todas as cousas da terra.
I. Quando uma mãe assiste a seu filho que padece e morre, sem dúvida ela sente e sofre todas as penas do filho; mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflicta mãe deve despedir-se dele, ó Deus! o pensamento de o não tornar a ver é uma dor que excede todas as outras dores. Esta foi a última espada que traspassou o coração aflicto de Maria.
para melhor considerá-la, voltemos ao Calvário e observemos atentamente a aflicta Mãe, que ainda tem abraçado seu Jesus morto e se consome de dor ao beijar-lhe as chagas. Os santos discípulos, temendo que ela expirasse pela veemência da dor, animaram-se a tirar-lhe do regaço o depósito sagrado, para o sepultarem. Com violência respeitosa tiraram-lho dos braços, e embalsamando-o com aromas, envolveram-no em um sudário adrede preparado. - Eis que já o levam à sepultura; já se põe em movimento o cortejo fúnebre. Os discípulos carregam o corpo exânime; inúmeros anjos do céu o acompanham; as santas mulheres o seguem e juntamente com elas vai a Mãe aflictíssima, acompanhando o Filho à sepultura.
Chegados que foram ao lugar destinado, a divina Mãe acomoda nele com suas próprias mãos o corpo sacrossanto; e, oh! com quanta violência se sepultaria ali viva com seu Jesus! Quando depois levantaram a pedra para fechar o sepulcro, afigurava-se-me que os discípulos do Salvador se voltaram para a Virgem com estas palavras: Eis, Senhora, deve-se fechar o sepulcro: tende paciência, vede pela última vez o vosso Filho e despedi-vos dele. - Ah! meu querido Filho (assim deve ter falado então a aflicta Mãe), não te hei então de tornar a ver? Recebe, pois, nesta última vez que te vejo, recebe o último adeus de mim, tua afectuosa Mãe.
II. Finalmente, os discípulos levantam a pedra e encerram no santo sepulcro o corpo de Jesus, aquele grande tesouro, a que não há igual nem na terra nem no céu. Diz São Boaventura, que a divina Mãe, antes de deixar o sepulcro, abençoou aquela sagrada pedra. E assim dando o seu último adeus ao Filho e ao sepulcro, volta para sua casa, mas deixa o seu coração sepultado com Jesus.
Sim, porque Jesus é todo o seu tesouro, e, como disse Jesus: Ubi thesaurus vester est, ibi et cor vestrum erit - "Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração". E nós onde teremos sepultado o nosso coração? talvez nas criatura? no lodo? E porque não o teremos sepultado com Jesus, o qual bem que subido ao céu, contudo quis ficar, não morto, mas vivo, no Santíssimo Sacramento do altar, precisamente para ter consigo e possuir os nossos corações? Imitemos, pois, Maria; encerremos os nossos corações no santo Tabernáculo, para não mais o tornarmos a tomar. Entretanto, colocando-nos em espírito com a dolorosa Mãe junto ao sepulcro de Jesus, unamos os nosso afectos com os de Maria e digamos com amor:
Ó meu Jesus sepultado! beijo a pedra que Vos encerra. Mas ressuscite convosco na glória, para estar sempre unido convosco no céu, para Vos louvar e amar eternamente. Eu Vo-lo peço pela vossa paixão, e pela dor que sentiu a vossa querida Mãe, quando Vos acompanhou ao sepulcro. (*I 251.)
MEDITAÇÃO PARA A TARDE
Soledade de Maria Santíssima depois da sepultura de Jesus
Posuit me desolatam, total die maerore confectam - "Pôs-me em desolação, afogada em tristeza todo o dia" (Thren. 1, 13).
Sumário - Ah, que noite de dor foi para Maria a que se seguiu à sepultura do seu divino Filho! A desolada Mãe volve os olhos em torno de si, e já não vê o seu Jesus, mas representam-se-lhe diante dos olhos todas as recordações da bela vida e da desapiedada morte do filho. Como se não pudesse crer em seus próprios olhos: Filho, dize-me onde está o teu dilecto?... Minha alma, roga a Santíssima Virgem, que te admita a chorar consigo. Ela chora por amor, e tu, chora pela dor dos teus pecados.
I. Diz São Boaventura que, depois da sepultura de Jesus, as mulheres piedosas velaram a Bemaventurada Virgem com um manto lúgubre, que lhe cobria todo o rosto. Acrescenta São Bernardo, que na volta do sepulcro para a sua casa a pobre Mãe andava tão aflicta e triste, que comovia muitos a chorarem, ainda que involuntariamente: Multos etiam envitos ad lacrimas provocabat. De modo que, por onde passava, todos aqueles que a encontravam, não podia conter as lágrimas. Os santos discípulos e as mulheres que a acompanhavam quase que choravam mais as penas de Maria do que a perda de seu Senhor.
Quando a Virgem passou por diante da Cruz, banhada ainda com o sangue do seu Jesus, foi a primeira a adorá-la. Ó santa Cruz, disse então, eu te beijo e te adoro, já que não és mais madeiro infame, mas trono de amor e altar de misericórdia, consagrado com o sangue do Cordeiro divino, que em ti foi imolado pela salvação do mundo. - Deixa depois a Cruz e volta à casa. Chegada ali, a aflicta Mãe volve os olhos em torno, e não vê o seu Jesus; em vez da presença do querido Filho, apresentam-se-lhe aos olhos todas as recordações da sua bela vida e da sua desapiedada morte.
Recorda-se dos braços dados ao Filho no presépio de Belém, da conversação com ele por trinta anos na casa de Nasareth; recorda-se dos mútuos afectos, dos olhares cheios de amor, das palavras de vida eterna saídas daquelas boca divina. E depois se lhe representa a cena funesta presenciada naquele mesmo dia; veem-lhe à memória os cravos, os espinhos, as carnes dilaceradas do Filho, as chagas profundas, os ossos descarnados, a boca aberta, os olhos escurecidos. E com tão funesta recordação, quem poderá dizer qual tenha sido a dor, a desolação de Maria?
II. Ah, que noite de dor foi para a Bemaventurada Virgem aquela que se seguiu à sepultura do seu divino Filho! Voltando-se a dolorosa Mãe para São João, perguntou-lhe com voz triste: Ah! filho, onde está teu mestre? Depois perguntou à Madalena: Filha, dize-me onde está o teu dilecto? Ó Deus! quem no-lo tirou?... Chora Maria, e todos os que estão com ela choram também. E tu, minha alma, não choras? - Ah! volta-te a Maria, e roga-lhe que te admita consigo a chorar. ela chora por amor, e tu, chora pela dor de teus pecados: Fac tecum lugeam.
Minha aflicta Mãe, não vos quero deixar só a chorar; não, quero acompanhar-vos também com as minhas lágrimas. Eis a graça que hoje vos peço: alcançai-me uma memória contínua, junto com uma terna devoção para com a paixão de Jesus e a vossa; afim de que todos os dias que me restam de vida não me sirvam senão para chorar as vossas dores e as do meu Redentor. Espero que, na hora de minha morte, essas dores me darão confiança e força para não desesperar à vista das ofensas que tenho feito ao meu Senhor. Elas devem impetrar-me o perdão, a perseverança e o paraíso.
E Vós, † "ó meu Senhor Jesus Cristo, que para resgatar o mundo quisestes nascer, receber a circuncisão, ser condenado pelos judeus, traído por judas com um ósculo, acorrentado, levado para o sacrifício como inocente cordeiro, arrastado com tanta ignomínia diante de Anás, Caifás, Pilatos e Herodes, acusado por falsas testemunhas, flagelado, esbofeteado, carregado de opróbrios, coberto de escarros, coroado de espinhos, ferido com uma cana, vendado, despojado de vossos vestidos, pregado e levantado na cruz entre dois ladrões, abeberado de fel e vinagre e traspassado por uma lança; suplico-Vos por vossa santa cruz e morte, livrai-me do inferno e dignai-Vos levar-me para onde levastes o bom ladrão crucificado convosco, ó meu Jesus, que viveis e reinais com os Padre e o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Assim seja." ¹ (*I 252.)
(¹ Ajuntando-se 5 Padre-nossos, Ave-Marias, Gloria Patri a esta oração, pode-se ganhar uma indulgência de 300 dias uma vez por dia.)
29/03/18
JUSTIÇA Nos Mecanismo Da Justiça, em Portugal - Contributos (I)
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| Juízo Final - Bosch |
Nesta Semana Santa meditamos também em como Nosso Senhor foi julgado de forma tão horrenda; porque foi julgado pelas autoridades, e até segundo a lei, mas com total manipulação que a armadilha e a mentira parecessem santo e autorizado monumento da verdade. Esteve em questão a manipulação dos instrumentos da justiça, portanto, não o mentir directo mas sim o enganar, para que parecesse justiça o grande crime.
Fomos ver na Tradição lusa como os nossos antigos portugueses, portanto, católicos, trataram de garantir que para haver justiça haveria de estar primeiro garantida a justiça nas regras, procedimentos, e instrumentos de "fazer justiça".
Os textos que agora transcrevemos são pequena selecção dos bons exemplos que Portugal dá, e recorda aos hodiernos:
Da II parte, tomo I, das Collecções da Legislação antiga e moderna do Reino de Portugal, e comentamos no final:
Título XCIV
Que não tenham Ofícios públicos os menores de 25 anos, nem homens solteiros
Mandamos que nenhuma pessoa sirva Ofício algum de Justiça, nem da Fazenda, de qualquer qualidade que seja, nem da Governança das Cidades, Vilas, e Lugares de nossos Reinos, que lhe seja dado, nem o possa servir em nom de outrem, posto que tenha licença de Nós para isso, não passando de idade de 25 anos. E fazendo o contrário, perca o Ofício, se for seu, e nunca o mais haja. E não sendo seu, perderá a estimação dele, a metade para quem o acusar, e a outra para os Cativos. E sendo Juízes dos Órfãos, serão de idade de trinta anos, e daí para cima, como fica em seu Regimento.
1. E qualquer pessoa, a que for dado Ofício de julgar, ou de escrever, não sendo casado, será obrigado a se casar dentro de um ano, do dia que lhe for dado, sob pena de perder o dito Ofício. E os que houverem de servir de Provedores de Comarcas, não serão providos sem serem casados. E se depois dos ditos Oficiais serem casados viuvarem, serão obrigados a se tornarem a casar dentro de um ano, do dia em que assim viuvarem, sob a mesma pena: salvo se ao tempo, que houverem os Ofícios, ou ao tempo, em que viuvarem, passarem de quarenta anos: porque em tal caso não serão obrigados a se casar.
1. E qualquer pessoa, a que for dado Ofício de julgar, ou de escrever, não sendo casado, será obrigado a se casar dentro de um ano, do dia que lhe for dado, sob pena de perder o dito Ofício. E os que houverem de servir de Provedores de Comarcas, não serão providos sem serem casados. E se depois dos ditos Oficiais serem casados viuvarem, serão obrigados a se tornarem a casar dentro de um ano, do dia em que assim viuvarem, sob a mesma pena: salvo se ao tempo, que houverem os Ofícios, ou ao tempo, em que viuvarem, passarem de quarenta anos: porque em tal caso não serão obrigados a se casar.
Título XCV
Que os Julgadores temporais não casem com mulheres de sua jurisdição.
Que os Julgadores temporais não casem com mulheres de sua jurisdição.
Por muito inconvenientes, que se seguem, de os Julgadores temporais casarem com mulheres de sua jurisdição, durando o tempo de suas Judicaturas, e ser o sobredito muito contra o serviço de Deus, e nosso, e boa administração da justiça, querendo nisso prover, mandamos que os Corregedores das Comarcas, Provedores, Ouvidores, e os Juízes de Fora das Cidades, Vilas, e Lugares de nossos Reinos, e Senhorios, durando o tempo de seus Ofícios, não casem por palavras de presente sem nossa licença, com mulheres dos Lugares, ou Comarcas, em que forem Julgadores, nem com mulheres, que nas ditas Comarcas estejam com intenção de nelas morar: posto quer delas, ou dos ditos Lugares não sejam naturais. E casando sem nossa licença, por esse mesmo feito fiquem suspensos dos tais Cargos, para Nós deles provermos, como houvermos de bem. E tudo o que nos ditos Cargos fizerem depois do casamento celebrado, seja nenhum, e de nenhum efeito: e pagaram às partes todas as custas, perdas, e danos, que por essa causa receberem. E querendo algum deles casar com alguma das ditas mulheres, haverá para isso primeiro a nossa licença. E os Julgadores, que nas partes da Índia nos servirem, precisam tal licença ao Vice-Rei, ou Governador dela, o qual lha poderá dar, entendendo que nisso se não seguirá prejuízo algum a nosso serviço, nem a bem da justiça das partes.
Título C
Como os Julgadores, e outros Oficiais serão suspensos, quando forem acusados por erros
Todo o Julgador, que for acusado por erro, que se diga ter cometido por malícia em seu Ofício, porque provado mereceria perdê-lo, será suspenso dele, e dado, ou cometido a outro, que o sirva, até ele ser livre, e achado por sem culpa do malefício. A qual suspensão se fará, tanto que o libelo for recebido contra o acusado. E enquanto o libelo não for recebido, não será o dito Julgador, se outras culpas aí não houver, porque pareça ao Juiz da causa que deva ser suspenso, antes de ser recebido o libelo.
1. Porém, quanto aos Tabeliães, e outros quaisquer Oficiais de Justiça, tanto que se mandar proceder contra eles por erros de seus Ofícios, ou tanto que por os ditos erros forem presos, os Julgadores os hajam logo por suspensos dos ditos Ofícios, e os não sirvam até serem livres, posto que sejam acusados por erros de pessoas, que por eles sirvam. O que os ditos Julgadores cumpriram sob pena de serem suspensos de seus Ofícios, e de não servirem mais o Ofício da Justiça. E a mesma pena haverão os mesmos Tabeliães, e Oficiais que servirem.
2. E sendo os ditos Julgadores, e Oficiais presos por outros crimes, fora do Ofício, em cadeia pública, não poderão servir seus Ofícios, enquanto assim forem presos. Porém a Nós ficará prover sobre as ditas suspensões, considerada a qualidade do acusador, e acusado, como nos parecer serviço de Deus, e nosso.
Título LXXXVI
Dos Inquiridores
Os Inquiridores devem ser bem entendidos, e diligentes em seus Ofícios, em modo que saibam perguntar, e inquirir as testemunhas por aquilo, para que forem oferecidas. E antes que a testemunha seja perguntada, lhe será dado juramento dos Santos Evangelhos em que porá a mão, que bem, e verdadeiramente diga a verdade do que souber, acerca do que for perguntado. O qual juramento lhe será dado perante a parte, contra quem é chamada, se ela a quiser ver jurar: do qual juramento o Tabelião, ou Escrivão dará sua fé, no dito da testemunha que [da qual] escreve. E depois que assim jurar, dará seu testemunho secretamente, sem nenhuma das partes dele ser sabedor, até as inquirições serem abertas, e publicadas. E assim as preguntará logo pelo costume, e coisas que a ele pertencem, convém a saber, se tem devido, ou cunhadio com alguma das partes, e em que grau, e se tem tão estrita amizade, ou ódio tão grande a alguma delas, porque deixem de dizer a verdade. E se receberam de alguma delas, ou de outrem em seu nome algumas dádivas, e se foram rogadas, ou subornadas que dissessem em favor de alguma das partes. E lhes perguntaram por suas idades. E tudo o que disserem escreverá o Tabelião, ou Escrivão, que a inquirição escrever. Pelo qual costume perguntaram sempre as testemunhas, sob pela de perdimento dos Ofícios, assim nas inquirições devassas, como judiciais. Porém nas inquirições devassas gerais, ou particulares perguntarão pelo costume no fim do testemunho.
1. Em bem assim perguntarão declaradamente pelo que sabem dos artigos, e não perguntarão por coisa alguma, que seja fora do que neles se contém, e da matéria, e caso deles. E se disserem que sabem alguma coisa daquilo, porque são perguntados, perguntarem-lhe como o sabem. E se disserem que o sabem da vista, perguntar-lhe em que tempo, e lugar o viram, e se estão aí outras pessoas, que também o vissem. E se disserem que o sabem de ouvida, perguntarem-lhe a quem o ouviram, e em que tempo, e lugar. E tudo o que disserem, faça-o escrever, fazendo-lhe todas as outras perguntas, que lhes parecerem necessárias, porque melhor, e mais claramente se possa saber a verdade. E atentem bem com que aspecto, e constância falam, e se variam, ou vacilam, ou mudam a cor, ou se se torvam na fala, em maneira que lhe pareça que são falsas, ou suspeitas. E quando assim o virem, ou sentirem, devem no notificar ao Julgador do feito, se for no lugar onde se tirar a inquirição: e se for absente, mandão aos Escrivães, ou Tabeliões, que escrevam as ditas turbações, e desvairos das testemunhas a que acontecer, para o Juiz que houver de julgar o feito prover nisso, como lhe parecer justiça. E fazendo outras perguntas fora as contidas nesta Ordenação, ou não fazendo todas estas, por esse mesmo feito o Inquiridor perca o Ofício, e nunca mais o haja, e o Tabelião, ou Escrivão, que as escrever, seja suspenso até nossa mercê [a do Rei]. E posto que a testemunha queira dizer mais do conteúdo no dito artigo, ou da substância, e caso dele, ainda que lhe não seja perguntado, o Tabelião, ou Sacristão o não escreva sob a mesma pena.
2. E será avisado o Escrivão, ou Tabelião, que a inquirição com algum Inquiridor tirar, que quando a testemunha disser de algum artigo, ou artigos, nihil não escreva nem ponha em cada artigo particularmente: Perguntando por tal artigo, e feita pergunta, que era o que dele sabia, etc. disse nihil. Somente em um só capítulo, no fim do testemunho. E depois de acabar de escrever todos os artigos, em que a testemunha disse alguma coisa, fará um capítulo, em que dirá assim: E perguntado por tal artigo, e tal, declarando-os somente por número, assim como, primeiro, segundo, e terceiro, a todos disse nihil. E o Tabelião, ou Escrivão, que o contrário fizer, será suspenso do Ofício até nossa mercê.
(continuação, II parte)
27/03/18
NOSSA SENHORA DA GARDUNHA (II)
(continuação da I parte)
A sumptuosa fábrica, que aqui edificou o Autor da natureza para morada de sua Mãe Santíssima, e para amparo, e casa de refúgio, dos que a ela recorrem a buscar os seus favores, merecia uma melhor pena que a descrevesse, e que com todas as circunstâncias a tratasse, porque há muitas de que se devia fazer caso; mas como o meu assunto é somente referir os Santuários de passagem, assim o farei com este, o que é nesta maneira. Sobre o mais alto da Serra da Gardinha, uma légua de Castelo Novo, e outra de Alpedrinha, e pouco mais de outra dos lugares de Alcongosta, Alcaide, Souto da Casa, e Castelejo, se levanta uma penha acumulada de monstruosas pedras, a modo de pirâmide, e em circuito, altura, e distância de uma milha. No meio desta distância, para a parte do Ocidente, se descobre uma lhanura, ou terrapleno, que mais parece que o fabricou a arte, que a natureza. Desta parte se mostra uma boca, que do pé da mesma penha forma uma entrada, como porta de uma casa de abobada, e tão alta, que por ela cabia muito bem um guião arvorado no tempo das romagens, que das vilas, e lugares concorriam a visitar a Senhora em Procissão: suposto, que já agora não é tão alta a entrada; porque o Ilustríssimo Bispo da Guarda D. Luís da Silva (hoje Arcebispo de Évora) indo a visitar aquele Santuário, lhe mandou fabricar um formoso portado de pedra lavrada.
Depois da entrada vai fazendo por dentro (toda ao nível) uma airosa, e clara concavidade por todos os quatro lados, a modo de corpo de Igreja tão espaçosa, que cabe nela a maior parte do povo nos dias principais de suas romagens, e celebridades. O que mais admira é, que na extremidade deste corpo fez a natureza dois braços colaterais, onde está um Altar em que se diz Missa, que chamam o Altar de fora, e estreitando-se logo com outra entrada que tem suas grades de ferro, vai prosseguindo mais estreita como Capela até ao Altar mor, em que também se diz Missa, onde está o nicho da Senhora, ficando toda esta distância coberta de um côncavo rochedo a modo de abóbada, a que serve de zimbório, e obelisco o remate da mesma penha. Não sei que se possa referir de outra Casa da Senhora, nem que haja outra maravilha mais rara. Porque se nas fábricas do Loreto, Monserrate, e Pilar de Saragoça intervieram os Anjos, e na fábrica das outras intervieram os homens; na fábrica deste Templo, e desta Capela, podemos dizer, que interveio a mesma Senhora, e o mesmo Artífice supremo, fazendo-a muito de propósito para deposito daquela Sagrada Imagem.
E não parecerá coisa nova assistir Maria Santíssima às grandes fábricas do universo, pois nos diz o Espírito Santo nos Provérbios: Quando appendebat fundamenta terrae, cum eo eram cuncta componens; que ela em sua companhia compusera, e formara todas as coisas. O terrapleno desta penha, e entrada da Igreja da Senhora da Serra, está cercada de algumas Capelas, e Ermidas bem ornadas; e algumas Celas, que um Ermitão devoto fabricou à sua custa, para viver, com um poço de água perene. Está também ali uma cova, onde viveu outro Ermitão Sacerdote por algum tempo, onde fazia rigorosa penitência, e uma santa vida, até que depois, por causa de achaques, lhe foi preciso fazer uma Cela, que é a de que agora usam, e onde vivem os Ermitões. A Imagem da Senhora tem três palmos de altura, e a matéria é pedra rija, mas de muito excelente escultura. Porém a piedade, e a devoção dos que a servem a têm vestida, e adornada de preciosos vestidos. Da Senhora da Serra escreveu a nossa instância, o que fica referido da Senhora, e de outras Imagens, o Doutor José Salvado Cinza, Médico [+1694] de Alpedrinha. Concorrem a festejar a Senhora os três povos de Castelo Novo, Alpedrinha, e Alcongosta, em procissão nas Oitavas da Páscoa, e cada um destes povos faz seu dia, com Missa cantada, e Sermão.
SEMANA SANTA - de Sto. Afonso de Ligório
Em 2016 publicámos a Semana Santa de Sto. Afonso de Ligório. Este ano voltamos a recomendar:
DOMINGO DE RAMOS
SEGUNDA FEIRA SANTA
TERÇA FEIRA SANTA
QUARTA FEIRA SANTA
QUINTA FEIRA SANTA
SEXTA FEIRA SANTA, de TARDE
SÁBADO SANTO (Manhã, e Tarde)
NOSSA SENHORA DA GARDUNHA (I)
Entre as Vilas de São Vicente da Beira, que fica para a parte Sul, e dista de Castelo Branco cinco léguas ao Noroeste, e as Vilas de Castelo Novo, e a de Alpedrinha, da parte do Nascente, e a Vila da Covilhã da parte do Norte, e os lugares do Souto da Casa, Castelejo do termo da mesma Vila da Covilhã, da parte do Ocidente, se levanta uma grande Serra (muito mais digna de nome, e fama que a da Estrela tão nomeada), que lhe fica em distância de cinco léguas; senão é que a quiseram compreender nela como braço seu. Esta se vê cercada de muitos lugares, e povoações, como são (além das Vilas, e lugares nomeados) os muitos lugares dos temos das mesmas Vilas de São Vicente, Castelo Novo, Alpedrinha, Covilhã, Alcaide, Alcongosta, e outros que não têm número. Fica-lhe também diante de sete léguas a antiga Egitânia, hoje Idanha a Velha, que foi uma das mais nobres, e populosas Cidades de Espanha, ao redor da qual se vê uma grande campina, a que chamam os campos de Idanha, semeados de lugares, e castelos, que foram povoados, e edificados (como outros mais afastados) das ruinas da mesma Egitânia, e de outros do seu circuito, como são a Cidade da Guarda distante dez léguas, que lhe sucedeu na Igreja Episcopal, a Vila de Penamacor, Penagracia, Monsanto, Idanha a Nova, Segura, e Salvaterra.
Esta Serra, que melhor lhe convinha o nome de um agregado de jardins pelo vistoso de suas árvores, e delicioso de suas fontes, e regatos, adornada de muitas ervas cheirosas, e árvores, que tendo o nome de silvestres, por serem nascidas espontaneamente, ou plantadas pelo soberano Agricultor, são domésticas pelas excelentes frutas que produzem; outras plantas, e cultivadas pela indústria dos homens, de tão diversos, e regalados frutos, e de tão suaves, e extraordinários gostos, que servem de admiração; como são os verdeais, as camoezas, capanduas, repinaldos, ginjas garrafais, e outras muitas frutas em tanta quantidade, que não só provém a muita parte deste Reino, mas de Castela.
Nesta serra pois levantaram os Cavaleiros Templários um Castelo, ou Convento (porque foram muitos os que fundaram na Província da Beira). Um destes Conventos foi o da Serra da Gardunha, que na língua Arábica, donde tomou o nome, quer dizer, acolhimento da Idanha; porque guarda, significa acolhimento: odunha, ou odonha por corrupção de vocabulário vale o mesmo que Idanha, a que parece não chegava a pronuncia dos Mouros. E a razão de se lhe dar este nome foi; porque sendo combatida, e devastada por eles a Idanha, ou Egitânia, seus moradores, e os dasw terras do seu contorno se acholheram àquela Serra como a castelo, e um presidio forte de onde se podiam defender.
Nesta ocasião levaram os moradores da velha Idanha, em sua companhia, uma devotíssima Imagem da Mãe de Deus, que tiraram de uma das sua Igrejas, que parece já naqueles tempos resplandecia em milagres, e com ela alegres, ou animados se davam por seguros, para se defenderem de seus inimigos os Bárbaros. Já este tempo estavam os Cavaleiros do Templo nesta Serra, e nela se defendiam, e aos Cristãos das correrias dos Mouros; até que ElRei D. Sancho I edificou a Cidade da Guarda, para onde se passaram os moradores, que da Idanha ainda ali residiam. No ano de 1199, assenta o Pe. Mestre Fr. António Brandão na sua IV parte do Mon. Lus. que fizera da acção ElRei D. Sancho I à Ordem dos Templários da Cidade das Idanha, já habitada outra vez dos Cristãos. E no mesmo ano, diz, dera foral o mesmo Rei à Cidade da Guarda, para onde havia passado a Cadeira Episcopal da Idanha.
Passados à Guarda os que viviam na Serra da Gardunha, deviam ficar ainda na mesma Serra os Cavaleiros, ou fosse que passando a povoar a Idanha, em virtude da doação feita à Ordem em 5 de Julho de 1199 ficou a Santa Imagem ainda na sua Casa, que lhe haviam fabricado os da Idanha; e ao depois invadindo os Mouros a Serra, esconderam os Cristãos a Santa Imagem na lapa onde depois foi servida de se manifestar.
Foi o caso, que perdendo-se uma menina de Alcongosta da companhia de sua mãe, que em uma tarde havia saído a buscar lenha a esta Serra, lá foi achar o seu cuidadoso desvelo, depois de nove dias, junto a uma penha, ou dentro de uma lapa, que servia de Casa, e de Altar àquela soberana Imagem; e vendo-a a mãe viva, quando a considerava já tragada de alguma fera, lhe perguntou com admiração onde estivera, e quem a sustentara: ao que a menina respondeu, que fora um Senhora Tia, que naquela Casa morava, apontando com o dedo para a lapa, e que lhe dava sopas de leite a comer, e água por uma campainha onde entrando a mulher, descobriu aquele precioso tesouro da Imagem da Senhora posta no mesmo Altar, que era o último pendor da lapa, e nicho em que hoje é servida, e venerada; mas admirável pelo estranho da natureza, que pelo magnifico e sumptuoso da arte.
Deu a mulher notícia da preciosa dracma, que achara, ao Prior de Alcongosta sua terra, e ele foi o primeiro que a foi buscar, e venerar, convocando o Clero, e povo, e a levaram com grande festa, e alegria de todos para a Matriz de Alcongosta, e a colocaram no Altar mór, que é dedicada esta Igreja à Conceição da Senhora. Daqui procedeu o ficarem os Priores daquele lugar com a posse da Senhora, e juntamente com as ofertas, e emolumento daquele Casa, que fica distante de Alcongosta uma légua, e não o ficarem os Priores das Igrejas de Castelo Novo, e Alpedrinha, sobre que se referem algumas patranhas, como a de fugir a Senhora para a Igreja de Alcongosta, e estar nela mais um dia, do que nas outras. Aqui começou logo a Senhora a resplandecer em milagres, e maravilhas, e tantas, que era aquela lapa uma perene piscina de saúde.
(continuação, II parte)
Passados à Guarda os que viviam na Serra da Gardunha, deviam ficar ainda na mesma Serra os Cavaleiros, ou fosse que passando a povoar a Idanha, em virtude da doação feita à Ordem em 5 de Julho de 1199 ficou a Santa Imagem ainda na sua Casa, que lhe haviam fabricado os da Idanha; e ao depois invadindo os Mouros a Serra, esconderam os Cristãos a Santa Imagem na lapa onde depois foi servida de se manifestar.
Foi o caso, que perdendo-se uma menina de Alcongosta da companhia de sua mãe, que em uma tarde havia saído a buscar lenha a esta Serra, lá foi achar o seu cuidadoso desvelo, depois de nove dias, junto a uma penha, ou dentro de uma lapa, que servia de Casa, e de Altar àquela soberana Imagem; e vendo-a a mãe viva, quando a considerava já tragada de alguma fera, lhe perguntou com admiração onde estivera, e quem a sustentara: ao que a menina respondeu, que fora um Senhora Tia, que naquela Casa morava, apontando com o dedo para a lapa, e que lhe dava sopas de leite a comer, e água por uma campainha onde entrando a mulher, descobriu aquele precioso tesouro da Imagem da Senhora posta no mesmo Altar, que era o último pendor da lapa, e nicho em que hoje é servida, e venerada; mas admirável pelo estranho da natureza, que pelo magnifico e sumptuoso da arte.
Deu a mulher notícia da preciosa dracma, que achara, ao Prior de Alcongosta sua terra, e ele foi o primeiro que a foi buscar, e venerar, convocando o Clero, e povo, e a levaram com grande festa, e alegria de todos para a Matriz de Alcongosta, e a colocaram no Altar mór, que é dedicada esta Igreja à Conceição da Senhora. Daqui procedeu o ficarem os Priores daquele lugar com a posse da Senhora, e juntamente com as ofertas, e emolumento daquele Casa, que fica distante de Alcongosta uma légua, e não o ficarem os Priores das Igrejas de Castelo Novo, e Alpedrinha, sobre que se referem algumas patranhas, como a de fugir a Senhora para a Igreja de Alcongosta, e estar nela mais um dia, do que nas outras. Aqui começou logo a Senhora a resplandecer em milagres, e maravilhas, e tantas, que era aquela lapa uma perene piscina de saúde.
(continuação, II parte)
25/03/18
Sermão sobre Sta. Teresa de Ávila em dia de Ramos - "PRO MULTIS"
§II
345. Declara melhor o que tenho daquele soberano Juiz, e Senhor Sacramentado, em outro sucesso milagroso, e raro, e foi, que comungando Teresa aquele divino Pão em dia de Ramos, antes que passasse a forma Sagrada ao estômago, ficou com grande suspensão, da qual como volvesse em si depois de um espaço, lhe pareceu que verdadeiramente tinha toda a boca cheia de sangue, e a si mesma, e que todo os seu rosto, e toda ela estava banhada no mesmo sangue tão quente, como se então se acabara de derramar. Era excessiva a suavidade, que com este divino banho sentia, e disse-lhe o Senhor: Filha eu quero, que o meu sangue te aproveite, e não haja medo, que te falte minha misericórdia. Eu o derramei com muitas dores, e tu o gozas com grande deleite; como o vez. (46) Há maior maravilha? Há maior fineza? Há prova mais clara para confirmar o discurso em que estamos, e nossa matéria? O sangue que derramou Cristo por todos, e pela redenção de todo o mundo; e agora o lemos derramado só por Teresa. E que o extremo que Cristo o obrou por todo o mundo, o obrasse só por Teresa, e a maior maravilha, obrar só por Teresa o extremo, que tinha obrado por todos, a publica a mais amada, e uma que vale por tudo na estimação Divina.
346. Entre mortais agonias se via o Amorosíssimo, e Amabilíssimo Redentor do mundo no Horto. Tão mortal foi o seu sentimento, que se viu às portas da morte, e correu o sangue, como a preparar-lhe na terra a sepultura: Factus est ejus, sicut guttae sanguinis decurrentis in terram. (47) Razão foi esta porque Hildeberto chamou a esta agonia Cruz antes da Cruz, ou morte antes da morte: Sanguineus sudor Crux fuit ante Crucem (48) Agora o maior reparo: se uma morte na Cruz do Calvário bastava para redemir, e remediar todo o mundo; para que fez Cristo este antecipado extremo de derramar o sangue na cruz do Horto? É, que o sangue, que derramou na cruz do Calvário, era para todos, e por todos: Redimisti nos in Sanguine tuo. Per crucem tua redimiste mundum. Porém o sangue, que derramou na cruz do Horto, era para remediar os seus amados Discípulos: Ut fidem, videlicet, Discipulorum, quam terrena adhuc fragilitas arguebat, suo sanguine purgaret. (49) Maior dúvida. Pois o mesmo sangue derramado na cruz do Calvário, não era bastante para remédio dos Discípulos, e de todos? É certo, que sim. Pois para que era repetir, e antecipar a efusão do sangue na cruz do Horto? É, que eram os Discípulos os mais amados; e uns que seu amor parece, que avaliava por todos; pois na ceia, quando os tinha pelos pés, e nas palmas: Caepit lavare, disse o Evangelista, que tinha nas mãos a todos: Omnia, dedit ei Pater in manus: Omnia, idest homines. Comenta Jerónimo; e para os publicar por tais, achou seu amor necessário, singularizá-los no benefício. Em benefício comum derramou Cristo no Calvário o sangue, e o que aqui fez por todos, fez seu amor no Horto singularmente pelos mais amados Discípulos; mostrando, que a singularidade com que por eles derramava o sangue era a mais singular prova para mostrar o muito, e singular amor, que lhe tinha; que eles eram uns, que o seu amor avaliava por todos; pois só por eles obrava o que pelo bem se todos fazia: Sanguineus sudor crux fuit ante crucem. Ut fidem Discipulorum suo sanguine purgaret.
347. Escuso aplicar o texto ao nosso intento, porque é trabalho supérfluo. Passo a confirmar o pensamento com as palavras que disse aquele Senhor, quando instituiu aquela divina iguaria, o qual falando do seu sangue disse: Hic est enim sanguis meus, qui pro multis essundetur. (50) E em São Lucas disse: Qui pro vobis essundetur. (51) Num Evangelista diz; este é o meu sangue, que será derramado por muitos: Pro multis essundetur, em outro Evangelista diz que o sangue será derramado pelos Apóstolos: Pro vobis essundetur; e que mistério tem dizer Pró vobis, e pro multis? Em dizer que seria derramado o sangue por todos se dizia, que seria derramado pelos Apóstolos. Parece logo supérflua a palavra Pro vobis. Notem, que assim como diz Pro vobis, e pro multis, também diz: Essundetur, e essunditur, como está no Grego. (52) Derramou Cristo o sangue na Cruz por todos: Pro multis essundetur, e derramou só pelos Discípulos no Cenáculo: Pró vobis essunditur. In Sacramento altaris sub speci vini dum sumitur (53) Para mostrar os Discípulos mais amados, quis fazer por sós eles a efusão do sangue, que havia de fazer por todos; mostrando em isto o seu amor os avaliava por todos os Justos: Pro vobis, pro multis; pois só por eles derramava no Cenáculo o sangue, e chegava a fazer o extremo, que por todos na Cruz havia de obrar: Qui pro multis essundetur, pro vobis essunditur. Assim Cristo, quando quis dar o maior testemunho, de como os seus Discípulos eram do seu amor o maior emprenho: Cum dilexisset suos in finem delexit eos; (54) Para publicar como eles eram o maior desvelo do seu amor, declarou como eles na sua estimação valiam por todos os Justos: Omnia idest homines; e para declarar isto não achou prova mais evidente, que derramar só por eles no Horto, e no Cenáculo o sangue, que derramou por todos no Calvário. Assim também o mesmo Cristo, para declarar o muito, que a Teresa amava, derramou o sangue só por ela; e fazendo só por ela o extremo que por todos obrara, a publicou mais amada, e uma que valia por todos na estimação Divina. (do IV sermão de Fr. António de Santo Eliseu, no II tomo do Estrela Dalva, 1740)
347. Escuso aplicar o texto ao nosso intento, porque é trabalho supérfluo. Passo a confirmar o pensamento com as palavras que disse aquele Senhor, quando instituiu aquela divina iguaria, o qual falando do seu sangue disse: Hic est enim sanguis meus, qui pro multis essundetur. (50) E em São Lucas disse: Qui pro vobis essundetur. (51) Num Evangelista diz; este é o meu sangue, que será derramado por muitos: Pro multis essundetur, em outro Evangelista diz que o sangue será derramado pelos Apóstolos: Pro vobis essundetur; e que mistério tem dizer Pró vobis, e pro multis? Em dizer que seria derramado o sangue por todos se dizia, que seria derramado pelos Apóstolos. Parece logo supérflua a palavra Pro vobis. Notem, que assim como diz Pro vobis, e pro multis, também diz: Essundetur, e essunditur, como está no Grego. (52) Derramou Cristo o sangue na Cruz por todos: Pro multis essundetur, e derramou só pelos Discípulos no Cenáculo: Pró vobis essunditur. In Sacramento altaris sub speci vini dum sumitur (53) Para mostrar os Discípulos mais amados, quis fazer por sós eles a efusão do sangue, que havia de fazer por todos; mostrando em isto o seu amor os avaliava por todos os Justos: Pro vobis, pro multis; pois só por eles derramava no Cenáculo o sangue, e chegava a fazer o extremo, que por todos na Cruz havia de obrar: Qui pro multis essundetur, pro vobis essunditur. Assim Cristo, quando quis dar o maior testemunho, de como os seus Discípulos eram do seu amor o maior emprenho: Cum dilexisset suos in finem delexit eos; (54) Para publicar como eles eram o maior desvelo do seu amor, declarou como eles na sua estimação valiam por todos os Justos: Omnia idest homines; e para declarar isto não achou prova mais evidente, que derramar só por eles no Horto, e no Cenáculo o sangue, que derramou por todos no Calvário. Assim também o mesmo Cristo, para declarar o muito, que a Teresa amava, derramou o sangue só por ela; e fazendo só por ela o extremo que por todos obrara, a publicou mais amada, e uma que valia por todos na estimação Divina. (do IV sermão de Fr. António de Santo Eliseu, no II tomo do Estrela Dalva, 1740)
15/03/18
10/03/18
O BOM CRISTÃO É PATRIOTA - ESPANHA OCUPADA
O patriotismo não é facultativo aos católicos.
O Patriotismo vem na sequência do mandamento "Honrar pai e Mãe e outros legítimos superiores", diz a Igreja. Este mandamento em todas as suas derivações é hoje muito abandonado e transgredido; daqui que não admira que também as consequências se manifestem tão visivelmente. A falta de patriotismo, a desobediência e desonra aos legítimos superiores e aos pais é tão notória hoje quanto o são os castigos e ameaças correspondentes.
O mundo cristão está a sofrer uma invasão programada, a mais cruel já vista; pois é silenciosa, não nos é dado o direito de voz, nem alternativa, nem defesa, nem coisa alguma que não seja a de aceitar o dito programa de auto-extinção!
Quem sabendo isto não deve preocupação grave?
Podia ser sobre outros tantos países, mas este vídeo é sobre a ocupação que está sendo feita em Espanha:
Quem sabendo isto não deve preocupação grave?
Podia ser sobre outros tantos países, mas este vídeo é sobre a ocupação que está sendo feita em Espanha:
06/03/18
NA SERRA ALTA - Quando a Pureza da Fé Deixa de Estar na Frente
"O Concílio Vaticano II é reflexo de um período anterior característico, em que pensamento católico mitigado, modernismo, liberalismo, activismo crescente, voluntarismo etc. coabitaram no mesmo espaço dos Sacramentos tradicionais, Magistério,etc.. Isto pode ser melhor considerado quanto mais atendermos à diferença de situações de cada região no mundo católico. (...) Com o anúncio do Concílio, os Bispos desejaram uma ampla reforma que travasse a propagação de erros, apurando e definindo. Contudo, estava também armado o aggiornamento, quer por forças externas, quer internas não oficiais eclesiásticas, e leigas."
(na serra alta - J. Antunes)
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