07/02/16

NOVAS EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS A RESPEITO DE D. SEBASTIÃO

ElRei D. Sebastião
Nós, portugueses, guardamos a lenda do Rei D. Sebastião: o qual voltará, montado em seu cavalo, numa manhã de nevoeiro. Em criança, mesmo antes de eu saber quem ele foi, já conhecia este dito; assim todos nós, suponho.

Não vemos motivos para apoiar o grupo sebastianista, contudo, há que dar valor a alguns estudos pertinentes realizados por membros seus. É o caso dos levantamentos, investigações, e descobertas a respeito do elmo de D. Sebastião, com o qual terá morrido na batalha de Alcaçer Quibir. Este estudo deve-se a anos de investigação e trabalho do investigador português, especialista em armas (Presidente da Sociedade Portuguesa de Armas Antigas), Rainer Daehnhardt (com o qual não se pode concordar com todas as teses e opiniões). O estudo do elmo revela aspectos importantes da história de D. Sebastião, relativamente à famigerada batalha (que ao tempo seria a última da Cristandade contra o Islão - mas perdida), e dá-nos alguma orientação a respeito da forma como o Trono de Portugal possa ter sido usurpado por Filipe II de Espanha.


Segundo a cronologia indica, a história de D. Sebastião e Alcácer Quibir, tal como a conhecemos, sofreu manipulação posterior, não lhe coincidindo totalmente os dados da época nem a teimosa tradição oral  popular portuguesa.

Rainer Daehnhardt com peças da armadura do Rei D. Sebastião. Ao lado, o Tenente Coronel Brandão Ferreira
Caro leitor, se desde criança guardou esta "lenda" (mais dito, que lenda), pense lá: não é verdade que, vez alguma, pensou aquele matinal retorno de forma fantasmagórica ou ressuscitada!? Pois não... sem especulações feitas podemos dar-nos conta que este dito de 500 anos se manteve connosco em referência a um homem vivo e nunca morto!


Algumas das marcas das muitíssimas marcas de golpes no elmo. Um número assustador.

Temos então três fontes distintas:
1 - a clássica, história retocada e posterior, a qual fixou D. Sebastião como morto em Alcácer Quibir;
2 - um conjunto de dados da época, coincidentes entre si, mas desfavoráveis à versão clássica. D. Sebastião não terá morrido em Alcácer Quibir, mas muito depois;
3 - a tradição oral, insuspeita, que nos faz guardar o regresso deste Rei em vida, e não após a morte. Evidentemente, não se trata aqui de messianismo português, embora este fenómeno tenha sido também interpretado como tal, mas nunca foi essa a intenção de quem tem transportado o dito.


São fontes da época e outros dados arqueológicas que se juntam; tudo entre nós ficou sossegado (ao bom estilo português: como rica casa fechada, esquecida por séculos, a qual, sobe denso manto de pó, guardou brilhante a frescura do último dia... até que a porta volte a abrir - um quadro a meio, um terço sobre a mesinha de cabeceira, ali um brinquedo de criança, mesa posta para o almoço que ainda não chegou, um cesto de lenha que acabou de ser colocado perto da lareira, aquela carta recém chegada que ficou por atender... - qual máquina do tempo - se assim descobrimos intacto, foi porque outros não mexeram antes). Mas que fontes são essas?

Filipe II de Espanha
Fontes da época acham D. Sebastião na Itália, no ano 1598, preso, ora em Veneza, ora em Florença, ora em Nápoles, com cumplicidade de Espanha. A versão clássica foi gradualmente promovida durante a ocupação dos Filipes (certamente por motivos políticos).

Alguns dos relatos pessoais sobre a batalha de Alcácer Quibir, dão o Rei D. Sebastião com sobrevivente, pelo menos. D. Sebastião Figueira, conta como ele e o Rei se retiraram de campo, e que, mais tarde, em Veneza, o reconheceu como o "Cavaleiro da Cruz". Finalmente, no séc. XIX, em Limoges (França), no convento dos Agostinhos, na capela de S. Sebastião, foi aberto um túmulo que continha uma medalha de ouro, na qual se lia "Sebastianus Primus Portugaliae Rex" (anteriormente à descoberta, ali sempre se tinha guardado o costume de dizer que ali estava sepultado um rei do mesmo nome que o de S. Sebastião).

A batalha de Alcácer Quibir foi talvez a última Cruzada da Cristandade da Península Ibérica (agora e terras de África), caso não contemos com a batalha de Matapã com o seu simbolismo. Dos relatos da batalha, propriamente dita, não há convergência na parte final, sobretudo depois dela. Veja-se, por exemplo, como termina este relato: "Neste tempo, vendo ElRei que na sua vanguarda estava o campo desbaratado, foi recolher-se pela banda do Duque de Aveiro, e foi seguido por alguma gente a cavalo e a pé, julgando que ia fazendo uma ponta para volver sobre os mouros, viu o campo já tão desbaratado que se retirou. Durou a batalha quatro horas sem se declarar a vitória."

D. Afonso VI conta que certo dia seu pai beijou a mão a um velho desconhecido, ao qual tratou por Rei.

Pois bem... e o dito fica: "... voltará montado em seu cavalo,numa manhã de nevoerio."

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