06/04/13

ESCRAVATURA - FINALMENTE APARECERAM OS CRÍTICOS

Escrava Agar (A. Testamento)
Faz alguns meses que redigi o artigo "Solicitação Aos Católicos - A Escravatura", no qual apelei do seguinte modo: "Há mais ou menos um ano pedi a esse meu amigo brasileiro que, por favor, me enviasse todo o material sobre a escravatura, e o Magistério da Igreja naquela tal cadeira. Infelizmente, se bem me lembro, não tem tal material com ele. Sendo assim, peço aos que este artigo lerem que, por favor, me enviem alguma informação a respeito da condenação da escravatura em si mesma, por parte da igreja [se é que existe]. Estou quase convicto que a escravatura nunca foi condenada pela Igreja [mas sim aquelas situações onde a escravatura não seja mais um bem.]".

Como se pode ver na transcrição, eu mesmo já tinha pedido dados fiáveis que mostrasse que a Igreja condena a escravatura. Até há pouco tempo aparece um jovem brasileiro, muito inflamado, que trocou a colaboração, por assim dizer, por uma disputa de capoeiro. As varias tentativas de argumento apenas reforçaram o contrário daquilo a que se propunha este jovem. Eu tinha então começado a publicação do "Contra a Mitificada "Escravatura" da Seita dos Filósofos" (Transcrição do documento "Concordância das Leis de Portugal e das Bulas Pontifícias.." por D. José Azeredo Coutinho) e eis que mal terminei de publicar todas recebi um comentário de um leitor português, com sintomas de indignação. O argumento deste era o mais forte argumento do outro, ambos apoiados no trabalho feito pela Associação Cultural Montfort (Brasil).

Acho que há dificuldade em olhar a "escravatura" devido aos estereótipos hoje divulgados tão insistentemente e sem oportunidade de haver contestação. O leitor ao ouvir "escravatura" continuará a ouvir todo o discurso seguinte agarrado ao conceito adquirido. E pelo que verifiquei, nem lendo documentos que lhes mostrem contradições param para pensar. Dificilmente colocarão em dúvida o conceito que têm de "escravatura", que é um aglomerado de contos e filmes hoje metidos pelos ouvidos e olhos dentro (com propósitos bem determinados), e por isso respondem previsivelmente e tão prontamente segundo o "programa" para o qual nos formataram!

Como não me proponho tratar definitivamente este assunto, proponho aos leitores que leiam a série de artigos "Contra a Mitificada "Escravatura" da Seita dos Filósofos" sem grandes preocupações (senão pode acontecer que algum leitor fique preso a um ou outro pormenor) e tente entender o que está em jogo, o contexto, o problema, os argumentos. Desta leitura parecem-me de salientar (para o nosso caso) as ideias seguintes:

1 - Quem são na história os primeiros atacantes da escravatura (portanto, quem é a "seita dos filósofos"), e quais os seus argumentos;

2 - Quais são os argumentos de autoridade inquestionável dados por D. José Azeredo Coutinho?

Aqueles dois leitores tinham usado um único documento pontifício como argumento de autoridade, contudo os argumentos de autoridade apresentados por D. José Azeredo Coutinho são em maior número e são de maior autoridade. Não creio que o desencontro dos dois leitores com a autoridade superior na fundamentação do autor seja totalmente consciente nem venha a ser persistente depois da leitura deste mesmo artigo.

Se os dois leitores apresentaram um argumento menor contra um argumento maior, não significa necessariamente que o argumento por eles escolhido careça de veracidade ou autoridade, porque pode ter sido mal usado. Foi mal usado, sim! Na verdade D. José Azeredo Coutinho apresentou argumentos de autoridade incontestável onde assenta a verdade sobre a escravatura, e os dois leitores usaram um documento de autoridade menor que, na verdade não vai contra o apresentado pelo autor... e explico como:

Segundo os maiores argumentos do autor, que são as Sagradas Escrituras e sucessivas Bulas Papais, temos que considerar que a escravatura, antiquíssima, não é má como se acredita hoje, e por isso nunca tinha sido condenada como tal. Mas, no séc. XIX o Papa proibiu a escravatura (que já tinha sido proibida no séc. XVIII por D. José de Portugal, por mão do Marquês de Pombal - há nisto uma ligação com a tal "seita dos filósofos"). Esta proibição, claro está, não pode ser condenação à escravatura em si mesma (ou seja, por esta condenação não podemos considerar que as escravatura anterior até aos tempos dos Patriarcas do Antigo Testamento seja abrangida ou seja igual), mas sim demonstra que no séc. XIX o conceito de "escravatura" já tinha ganho a conotação dos abusos contínuos dos senhores em relação aos escravos, e que, não sendo mais possível uma escravatura benigna, só podia agora ser desculpa de senhores moralmente desvirtuados. O fenómeno da escravatura no liberalismo acaba por gradualmente ir coincidindo com aquilo que os pais do Liberalismo queriam atirar de culpas à Igreja e aos católicos. Isto fica demonstrado pelas intervenções papais ao longo da história, nunca tinham condenado a escravatura mas sim os casos pontuais onde houve mau agir de um ou de alguns senhores, e assim o séc. XIX (intoxicado de mentalidade liberal) tornou tão sistemático o mau agir contra tudo e contra os escravos que "escravatura" e "mau agir" se conotaram um com o outro com a mesmíssima força pretendida pela "seita dos filósofos" (maçonaria).

Penso em redigir depois outro artigo que contribua para o entendimento daquela escravatura como bem desejável, antes do séc. XIX.

Espero ter exprimido o problema dos dois leitores contra o autor ilustre e dado parte da solução.

Gostaria de ser contactado caso hajam discordantes...

1 comentário:

ASCENDENS ASCENDENS disse...

Discussão sobre parte do assunto na caixa de comentários do artigo "CONTRA A MITIFICADA "ESCRAVATURA" DA SEITA DOS FILÓSOFOS (IV)":

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