14/10/20

DIVIDIDOS PELAS CANONIZAÇÕES

Bento XIV

Faz anos, no facebook houve uma pequena mas significativa conversa entre o responsável do blog ASCENDENS e um senhor que entretanto estava a descobrir o lado de cá da Tradição da Igreja, digamos. Homem honesto intelectualmente, o que certamente lhe permitiu chegar ao caminho da Verdade. A conversa foi da canonização da Madre Teresa, à qual ele defendia como santa canonizada. Infelizmente, depois de cuidadosa e demoradamente concordadas as premissas do assunto o senhor não quis fazer o juízo.

Depois de algum tempo publicámos aqui um artigo para abrir uma série deles sobre o fenómeno em torno das canonizações recentes e sua natureza. Este primeiro artigo foi publicado mas, por afazeres não houve ainda continuidade. O artigo está feito com base num estudo realizado por um conhecido padre, do qual por justiça havemos de dar o nome depois.

Afinal, as canonizações são ou não válidas? Visto que há canonizados recentes que não satisfazem às exigências anteriores. Quanto a isto, pela experiência de uma década podemos dizer que há divisões entre aqueles que se dizem tradicionalistas. Ora, isto não é assunto pouco grave.

SEDEVACANTISTAS

Para estes o problema existe dependendo desde quando consideram vacante o Trono de S. Pedro. Por mais estranho que pareça, existe hoje uma categoria de sedevacantistas desprezados pelos das outras categorias que são aqueles que passaram a considerar a vacância desde o momento da eleição do Papa Francisco. Sobre estes não temos as informações aqui para o assunto. Quanto aos outros, os quais consideram a vacância desde Paulo VI ou João XXIII o problema das canonizações recentes não se coloca sequer "não eram papas, logo não houve canonizações".

SELECTIVOS

O nome teve de ser dado por nós, pois parece não haver quem lhe tenha dado algum. Os selectivos aceitam a autoridade papal de Francisco, Bento XVI, João Paulo II etc., contudo recusam-se dar culto aos que consideram não canonizáveis. Ou seja, fazem uma selecção dentro da lista de canonizações.

SEDEPRIVACIONISTAS

Os sedeprivacionistas consideram que o Poder Papal está em parte congelado, ou seja, que os Papas durante a crise ficam com o poder limitado, não sendo assistido para ensinar ou governar nos assuntos da Fé e da Moral. Sendo assim, também não nas canonizações.

OFICIALISTAS

Estes são o comum dos nossos tempos. Não colocam entraves às recentes canonizações, contudo aceitam também a "descanonização" de santos antigos, como foi o caso de S. Jorge.

PRUDENCIAIS

Também é nome dado por nós e é a nossa opinião. É um posicionamento prático e moral, principalmente. Reconhecendo ou não tendo certezas quanto ao Papa, recusam-se a achar inequívocas as novas canonizações quanto ao novo conceito de santidade e quanto à redução das regras e procedimentos rigorosos que a Igreja tinha vindo a apurar ao longo de séculos; ou pelo menos recusam-se prudencialmente enquanto a Igreja Militante não tenha forma de desambiguar verdadeiramente a situação. Trata-se de considerar que há dois tipos de requisitos prévios que faltam para que a canonização possa realmente acontecer, portanto.

Infelizmente, é necessário alertar os leitores que os católicos são OBRIGADOS a prestar culto público aos canonizados. Tal não é facultativo.

"Aquele que ousasse afirmar que o Sumo Pontífice teria errado nesta ou naquela canonização, e que este ou aquele santo por ele canonizado não deveria ser honrado com culto de dulia, qualificaríamos, se não como herege, entretanto como temerário, causador de escândalo a toda a Igreja, como injuriador dos santos, favorecedor dos hereges que negam a autoridade da Igreja na canonização dos santos, como tendo sabor de heresia, uma vez que ele abriria caminho para que os infiéis ridicularizassem os fiéis, como defensor de uma preposição errónea e como sujeito a penas gravíssimas."

DE SERVORUM DEI BEATIFICATIONE - Bento XIV

12/09/20

DECLARAÇÃO ASCENDENS - O GRUPO "AÇÃO ORLEANISTA"

 


Faz mais de um ano, têm-nos chegado ao conhecimento inúmeros erros de gravidade vária e difundidos pelo grupo "Ação Orleanista" formado no Brasil.

Seria fastidioso enumerar tudo, erros que pela qualidade contrastam com algo a que se quisesse dar o distintivo de "tradicionalista", "católico" e "monárquico", como pretende. Desde o pressuposto modernista à desonestidade intelectual verificada, notámos também o demasiado interesse corporativo/político colocado sobre todos os intentos; ambição que também em Portugal lamentavelmente outros tentaram e já reprimimos.

À imagem de outros grupos modernistas-conservadores, que dependem do epíteto de "tradicionalista" para garante de certa fatia de "mercado" político, o grupo "Ação Orleanista" na pratica também recusa a tradição Lusa, mas baseia-se nas produções literárias da hispanidad militante, de certa forma acompanha a marcha da associação cultural "Causa Tradicionalista" (da qual já aqui tínhamos feito aviso).

Cabe ainda alertar para algo que sempre temos por cá testemunhado durante mais de uma década: o panorama tradicionalista está cada vez mais reduzido e delimitado por um crescente falso tradicionalismo bastante activista, que não é mais que corrupção dentro de portas. Aumentou a quantidade por venda da qualidade. Por todo o lado crescem estes grupos que desgastam o que custou tanto proteger aos tradicionalistas.

Cabe-nos avisar claramente:

- tal grupo não é nem sequer saberia ser anti-liberal, anti-maçónico ou anti-modernista, por mais água-benta que deite sobre si mesmo.

- dá credibilidade a fontes maçónicas e descarta as fontes contrárias insuspeitas.

- o grupo silencia indicações e correcções, em vez de considerá-las seriamente, ou corrigir-se, ou refutar.

- poderia ser captada boa gente para o verdadeiro tradicionalismo, mas então são captados ou ficam nos erros deste grupo. Para essas pessoas a nossa especial simpatia e desejo de melhor porto.

Muito pode ser dito, mas por agora é tudo.

Do responsável do blog ASCENDENS
Pedro Oliveira

17/08/20

A VIOLAÇÃO DA IDENTIDADE


Com o "enriquecimento cultural" prometido pelos que têm desgovernado a Europa a população de então reagiu das mais diversas formas que pôde, dentro dos limites da "paz armada".

Como uma das características da recente invasão da Europa é rácica, os mauzinhos apenas rebaixam o descontentamento da população a "racismo".

Eis que as "santas" da Grande Loja Feminina (EM) "de" Portugal quer também pintar o problema da invasão passiva, fazem soar que condenam esse desconforto dos portugueses chamando-lhes "racistas".

Estamos perante um como que marxismo, em que as "santas" procuram uma luta rácica contra a população portuguesa, em detrimento do silenciamento da população e canonização da invasão. Evidentemente, o sistema que em Portugal a mesma maçonaria/carbonária "implantou" NÃO concorrerá em benefício dos portugueses.

As declarações racistas contra os portugueses emitidas pela deputada Joacine Moreira despertaram revolta na população portuguesa em geral; população que sabe que sofreria consequências "legais" caso se manifestasse a respeito de tais declarações, uma vez que a deputada é negra e se dirigiu contra aqueles a quem chamou de "brancos". Terá sido a gota de água; agrupamentos discretos de portugueses surgiram então, sendo um deles chamado "Nova Ordem de Avis - Resistência Nacional", grupo não proclamado pela república-em-Portugal e que tem como finalidade reagir e agir contra a invasão e ataques etc.. (desconhecemos quase por completo este tipo de novos grupos de reacção contra a ditadura-diluída).

A maçonaria é mãe da república, as "santas" falaram segundo a ideologia que lhes foi incutida na loja; o "Ministério Público" censurou um e-mail enviado por aquele grupo discreto e prometeu fazer-lhe perseguição; eis que o e-mail enviado à deputada racista dava-lhe 48h para abandonar Portugal.

A invasão passiva vai-se consolidando por todo o mundo, principalmente a Europa. As soberanias desaparecem gradualmente, a identidade está violada.

Nota: este blog não tem relação alguma as entidades ou pessoas referidas.
Notícia: o observador "Racismo: grande Loja Feminina ..."

13/08/20

DUVIDAS DE LEITORES - MONARQUIA HOJE?


(artigo inacabado recuperado dos rascunhos)

Uns menos atentos leitores do blog ASCENDENS comunicaram em seus meios (redes sociais) que queríamos fazer um restauro do "absolutismo". Ora, não se encontra nem encontrou aqui texto algum promotor do "absolutismo".

Na semana passada, apareceu-me um vacinado contra a "tentativa da implantação do absolutismo em Portugal", qual perigo de revolução (não riam... pois há em Portugal club onde foi dada grande prioridade ao combate contra o "absolutismo em Portugal" - flagelo que arruína a banca, fragmenta famílias, agrava o aquecimento global, maltrata viúvas, sabe-se lá ...). Teve o meu interlocutor a sorte de ouvir-me com atenção e reflectiu desapaixonadamente; já saiu do ciclo dos absolutamente enganados.

O diálogo é criado para o efeito:

Leitor - Porque querem implantar hoje o absolutismo?
Ascendens - Não queremos.

Leitor - Mas querem um restauro da Monarquia?
Ascendens - De certa maneira pode dizer-se que a Monarquia Portuguesa pode ser restaurada; mas no fundo convirá dizer "liberta" ou "desocupada". Portugal É uma Monarquia, agora ESTÁ ocupado com uma república. Temos o dever de devolver Portugal ao seu estado natural e saudável.
A Monarquia verdadeira aquela que tivemos até 1834 é praticável, ou melhor, muitíssimo praticável, mas impossível sem uma sociedade verdadeiramente católica bem doutrinada e de pensamento verdadeiramente católico (na tradição católica - civilização). Por isso, preferimos centrar as forças na conversão das almas e em manter a pureza da Fé que fazer maquilhagens institucionais. A nossa verdadeira monarquia sairia da catacumba. Sabemos que o conceito original de "absolutismo" não é sério, é problemático o uso que se lhe tem dado. Se aceitamos por vezes ser chamados de "absolutistas" é somente no contexto em que também os nossos antigos portugueses anti-liberais, anti-maçónicos, amigos da doutrina tradicional o fizeram.

Leitor - Mas hoje sendo Portugal uma república não faria depois sentido voltar à Monarquia. Não?
Ascendens - Na verdade Portugal não é uma República; é Monarquia. Felizmente temos na nossa língua a diferenciação entre ESTAR e SER, o que nos permite ter estrutura de pensamento para realidades que outras línguas não tocam tão facilmente. Portugal é uma Monarquia, ocupada por uma república, e um monte de outras tantas coisas que ofendem Portugal, e os portugueses.

(incompleto)

06/08/20

EM DEFESA DA FRANÇA

aviso a leitores:
entendemos o "modernismo" tal como ele é, ontologicamente; lamentamos e repudiamos aquele confuso e falso conceito que se tem vindo a formar que é concebido-pelo-conjuto-de-impressões-recebidas-de-qualquer-grupo-ao-qual-se-quer-dar-nome-de-"modernista"; este mesmo mau conceito é ele já impregnado de modernismo).
Este artigo foi iniciado em tempos do incêndio em Notre Dame de Paris, mas só agora sai a público.



Clovis rei dos francos

UMA NOTA SOBRE "MODERNISMO"

O Modernismo é grande afronta à ontologia, pois, relativamente ao SER implicar ou ignorância, ou negação, ou desprezo etc.; isto mesmo concorre contra o próprio objecto da ontologia: o SER; qual negação/violência dificulta tomar também verdadeiramente e com profundidade as próprias verdades de Fé. Sempre temos vindo a mostrar a importância de entender bem o problema desde o âmago.

Ora, campeão da alertar para tal gravidade o blog ASCENDENS não quer também eximir-se de livrar de erros semelhantes aqueles que vão "ajuizar" os REINOS (lembrar que os reinos são muito mais que nações; "nação" é designação que tem por base o lugar de nascimento).


A FRANÇA EXISTE

Eis que acaba de deflagrar o terrível incêndio em Notre Dame de Paris, símbolo da França. Por isto, muitos católicos afirmam "a França católica já não existe". O presidente dos USA afirmou até "Paris não existe mais; não há Paris". Infelizmente, por falta do necessário tacto, este tipo de afirmações não literais é por muitos tomado literalmente.

Existe a França, não há outra, e ela está ocupada! Em defesa da França viemos.

Depois do Império (Sacro Império - equivale de certa forma à Alemanha), a França É (atender ao verbo SER) o primeiro Reino, filha primogénita da Igreja. Esta É (atender ao verbo SER) a França,  e não há nem houve outra. Deus criou/fundou os Reinos Católicos (europeus) que por isso têm essência própria.

A existência da França coloca-se ao nível do SER. Contudo, a França, necessariamente católica, ESTÁ (atender ao verbo ESTAR) hoje ocupada! A França É, mas ESTÁ!

A confusão que hoje se faz  entre SER e ESTAR poucas línguas não a permitem ou facilitam, como é o caso da portuguesa e da espanhola. Esta distinção é NECESSÁRIA, e obrigatória ao católico, pois é parte do pensamento católico, evita grandes confusões e perigosas conclusões em assuntos de absoluta necessidade. A estruturação do pensamento e a boa compreensão requerem atenção à distinção em causa.

A França é católica sim, é a "filha primogénita da Igreja", mas a sua sociedade está de tal forma evadida com erros cravados pela maçonaria durante séculos que parecerá talvez que dela não resta coisa alguma. Desta aparência é que alguns falam ao dizer "a França católica não existe", coisa que não poderia ser levado à letra, como já ficou explicado!

O ataque à Filha Primogénita implica uma resposta de defesa pela parte das outras filhas e filhos da Igreja: os restantes Reinos Católicos (os quais estão mais ou menos ocupados também).

Como chegaram as coisas a este estado de ocupação? Não deveria Deus enviar maiores imunidades à Filha Primogénita? A maior parte dos tradicionalistas de língua espanhola faz mais de um século diz que França é a primogénita apenas por idade, mas que traiu (dizem que Luís XIV negou à França o que Nossa Senhora lhe pediu); dizem também que, a Espanha se tornou a "filha predileta da Igreja" (título que aplicam a si mesmos). Enquanto isto, o inimigo avançou e as coisas estão hoje como estão.

Haverá dúvidas que a Cristandade é aquela que está a ser realmente atacada?


PORTUGAL

Portugal mereceu da parte da Igreja também consideração especial várias vezes.

Pio XII mencionou os nossos antepassados Suevos (com o rei Requiário) como fundadores em Portugal do primeiro reino cristão da orbe latina, anos antes de Clovis dos francos. Este reino suevo veio a ser politicamente desmembrado pelo inimigo mas seus descendentes/população foram base do futuro povo português. (...)

(o artigo foi interrompido aqui)

03/08/20

ESPANHA EM CHAMAS



Indícios de fogo posto na espanhola igreja de São Martinho, em Placência



Antes em França, agora em Espanha.

Não esperemos que as "autoridades" locais passem a preocupar-se mais com a CAUSA que com somente aspecto "cultural". As autoridades religiosas... talvez estejam entretidas em colaborar com as civis = o mesmo método trará o mesmo tipo de resultado!

31/07/20

CHIESA VIVA - Haja Entendimento II

(continuação da I parte)

LEVAR CONHECIMENTO ONDE HÁ IGNORÂNCIA

"Quando aqui na serra mais próxima vejo um pastor tocando uma destas flautas, transportando o seu cajado de pastor, guardando suas ovelhas junto a ele, vestido como humano (portanto, como um pastor), não penso nem digo que vi um Pã! Digo e penso que vi um pasto!... Óbvio! Se no painel central da mitra há uma personagem com pés humanos, cabeça humana, que guarda ovelhas, se veste humanamente, porque é que alguns querem dizer que é um Pã!?" (do nosso artigo "Chiesa Viva - Tolice Satânica?") .

Desde 2012 ninguém livrou a tese do artigo da Chiesa Viva para demonstrar que a imagem da mitra fosse realmente Pã e não um pastor. Lembremos agora em 2020 o comentador do nosso artigo não consegue também negar que vê um pastor (ao qual passou a chamar de Pã!!!).

A QUEM FRANCO ADESSA CHAMOU PÃ?

(imagem: Nas Catacumbas Domitilla, séc. III)

O artigo de Adessa é bastante arrojado nas afirmações, fortíssimo na conclusão que faz supor aos leitores mais incautos, terrivelmente fraco na sua ciência e critérios, muito sensível à opinião do seu público alvo. Neste e em outros artigos parece fazer mais levantamento sobre os elementos da maçonaria, mitologia, etc. que procurar saber das próprias coisas da cultura cristã.

Franco Adessa com a sua tese da mitra demonstrou não ter conhecimento sobre aquela figura do pastor; não gastou tempo em procurar imparcialmente fonte e informação sobre tal imagem (erros graves para qualquer investigação e posição moral talvez duvidosa quando isso implica culpabilizar terceiros). Em suma, este "investigador" desconhece uma das figuras mais reproduzidas pelos primeiros cristãos nas catacumbas: um pastor simbolizando "Cristo bom pastor" condutor das suas ovelhas.

Enquanto tal redactor não buscou a cristã informação, porque antes aplicou o tempo em construir pintadas narrativas em torno das suas suposições fantasiosas, foi-se formando gradualmente um artigo que fez as delícias de muitos leitores Chiesa Viva. Foi assim que uma multidão de gente por ignorância tomou um antigo símbolo do Cristianismo por uma imagem pagã!

(imagem: na Basílica Patriarcal de Aquileia, mosaicos representando o Bom Pastor com uma flauta na mão - séc. IV)

Lamentável...!!! Más cá estivemos nós a tempo para dar SUFICIENTE sinal. Cá voltamos em 2020 para dar uma ajuda mais a quem então não viu, e uma oportunidade mais a quem não quis ver.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sobre a mitra papal pode sim dizer-se o óbvio:
1 - faz presente o ângulo da "pastoralidade" (aspecto sobrevalorizado nos tempos "pós-concílio");
2 - faz presente a ideia do Papa como Pastor Universal da Igreja;
3 - usa as conchas como fundo (a concha é um elemento presente no brasão de Bento XVI, o mesmo para quem foi feita a mitra em causa);
4 - preenchimento secundário de elementos vegetais decorativos, dispostos na forma mais comum.

Então, sendo assim tão simples, como foi possível ter havido tanto engano e persistência nele!? É assim que costuma ser!

18/07/20

FRANÇA EM CHAMAS


A França Cristianíssima faz séculos ocupada sofre hoje descarados golpes, sem que ninguém intervenha atempadamente. Não seria já pessoa de razão aquela que depois de tantos casos não pense "onde há fumo há fogo". É evidente a afronta feita à civilização cristã operada com maior força nos locais de maior simbologia.

Agora arde a catedral de Nantes (São Pedro e São Paulo). Tal como a de Paris, tudo indica mão criminosa... pudera! (fonte: OBSERVADOR)

A ocupação da França tem séculos, agora com o Islamismo e as políticas de "invasão obrigatória".


17/07/20

CHIESA VIVA - Haja Entendimento I


Caros leitores, em tempos alertámos para dois artigos da famigerada revista CHIESA VIVA.  Em 2012, com outros dois artigos ASCENDENS ("CHIESA VIVA - Tolice Satânica" e "CHIESA VIVA - Outra Análise Mitral Daquelas") refutámos em definitivo aqueles dois lamentáveis artigos, os quais estavam a arrastar muitas almas a obsessões e desordens várias prejudiciais à própria Fé e Moral.

Até ao momento não houve qualquer contrariedade às demonstrações que fizemos. Mas, estranhamente, agora mesmo, em caixa de comentários do nosso artigo "CHIESA VIVA - Tolice Satânica?" alguém interviu não refutando coisa alguma, mais parecendo nem ter entendido a refutação feita, repetindo como slogan aqueles mesmos erros! Como o nosso artigo não é de difícil compreensão, como não devemos partir sem mais para o pressuposto de culpabilidade, optamos por dar certo crédito à intenção da intenção daquele leitor. Sendo assim, redigimos agora um artigo dedicado aos: Super-Seguidores da CHIESA VIVA que nem com os nossos dois artigos tenham não entendido!

O CICLO VICIOSO

Antes de mais, recordamos bem quem foram os pólos de maior difusão do CHIESA VIVA em Portugal e Brasil nos anos 2012 e seguintes. Denunciamos que os primeiros interessados nessa divulgação não tinham como fim dar a conhecer os perigos da maçonaria entre os católicos, mas sim a devoção ao "sedevacantismo militado" que lhe agrada qualquer verdadeira ou fantasiosa associação entre a maçonaria e os Papas. Tanto é que, por e-mail alguns dos nossos leitores enviaram apenas aqueles números da revista que tinham a ver com os Papas, e não outros números.

Além da ajuda que as refutações ASCENDENS aos artigos do CHIESA VIVA deram a algumas almas, houve azedume calado por fora mas tagarela por dentro. Os espíritos mais fracos fizeram-se logo fácil veículo de aparentes argumentos, que lhes foram soprados por gente mais esperta e interessada em manter o "posto". Argumentos realmente não tinham; não os tendo também desde 2012 não no-los colocaram para debate!

Assim convive a confusão cultivada/permitida ao lado ou no espaço do Sacramento de Nosso Senhor.

UM FALSO ARGUMENTO

Certa moça aquecida pelos vapores daquele "ciclo", saltando completamente qualquer uma das refutações por nós oferecidas, disse que a revista não podia estar enganada nos artigos porque o fundador dela era o Padre Luigi Villa, o qual sempre tinha estado pelo lado tradicional na Igreja e foi incentivado pelo Padre Pio na sua tarefa de investigar e publicar.

Mas, o blog ASCENDENS não publicou artigo algum relativamente ao Pe. Villa, nem sequer relativamente à CHIESA VIVA. Fizemos e publicámos a refutação clara e incontestada a dois ARTIGOS da dita revista.

Ora, aqueles tais "super-seguidores" da CHIESA VIVA são de tal forma que como quiseram fazer passar o Padre Villa por infalível, que não se pudesse ter enganado vez alguma, ou que a CHIESA VIVA fosse como que assistida pelo Espírito Santo constantemente. Errado o pretendido argumento de "autoridade". Até o próprio Cardeal Ottaviani acabou por consentir o Novus Ordo, no final da história; lembremos!

FRANCO ADESSA

O Pe. Villa morreu a 20 de Novembro de 2012, ano em que aqueles artigos foram publicados no CHIESA VIVA. Na prática Franco Adessa era já quem manobrava a revista durante o período de doença e fragilidade do fundador, foi quem depois lhe sucedeu na direcção da revista.

As duas teses refutadas pelo blog ASCENDENS publicadas na CHIESA VIVA já são assinadas por Franco Adessa. Os tais "super-seguidores" entretanto prepararam uma cortina de fumo espalhando que Franco Adessa funda-se nos elementos de investigação que tinha sido feita pelo Pe. Villa. Mas para que usar tal cortina de fumo? Porque não disseram antes: Franco Adessa é infalível e impecável porque não recebemos qualquer notificação do Pe. Villa em contrário!

Daqui talvez se explica porque os últimos números da CHIESA VIVA tinham erros de investigação tão graves e fáceis; embora os "super-seguidores" não os tenham visto por lhes servir para a causa sedevacantista militada!

(continuação, II parte)

11/07/20

DECLARAÇÃO ASCENDENS - A ONU


Dadas as evidências cada vez maiores, o blog ASCENDENS não pode já calar uma antiga opinião:

A ONU acaba por ser uma "super organização criminosa" de altíssima eficácia na implantação da contra-civilização Cristã; em suma, uma organização que, por meio dos vários mecanismos políticos e mediáticos, tende a impor ideologias, políticas e práticas que os nossos antepassados souberam repudiar e combater.

01/07/20

HÁ CONSAGRAÇÕES E CONSAGRAÇÕES



Pelos mais diversos meios de comunicação noticia-se que, será feita a consagração de da Diocese de Pyongyang (na Coreia do Norte) a Nossa Senhora de Fátima, pelo Cardeal Andrew Yeom Arcebispo da Diocese de Seul (na Coreia do Sul).

Ora, para desengano informamos que: caso* o Arcebispo de Seul não tenha jurisdição sobre aquela dioceses do país vizinho, a consagração será nula como tal.

Já noutra oportunidade demos a conhecer que, não basta ter vontade de consagrar o dos outros. Há que ter a devida legitimidade/responsabilidade sobre a coisa, sítio, pessoa etc. para que uma verdadeira consagração se efectue.

Dada a situação, é de lembrar especialmente o pedido que Nossa Senhora em Fátima fez: a Rússia fosse consagrada ao seu Imaculado Coração pelo Papa juntamente com todos os Bispos do mundo; este último requisito estranhamente nunca cumprido.

Em tempos, a Santa Igreja para toda a parte conhecida do mundo tinha o seu Bispo, mesmo que este não tivesse depois os meios de ocupar o seu território (como ocorria tanta vez na Ásia e na África). Até mesmo em Portugal, a Diocese de Beja teve por um século Bispos ausentes, pela guerra que os filhos do Liberalismo Petrino (D. Pedro IV), a maçonaria, lhes fez localmente (Beja então mantinha o seu Bispo em Lisboa). Destes casos episcopais ausentes de seus territórios, o pós-concílio caiu no abuso de consentir e multiplicar os "bispos sem território", portanto, "bispos titulares". Sendo assim, não estando nós para já em posse de mais detalhadas informações, se foi o caso questionaremos porque motivo não poderia ter sido o próprio Bispo de Pyongyang (na Coreia do Norte) a consagrar a própria Diocese!

*(ver comentários)

12/06/20

NA SERRA ALTA - Os "ultra-racistas"


"Se de entre todas as espécies apenas na humana odeiam as raças, são inimigos da humanidade! Têm fobia à raça. Acham insuportável esta diversidade natural da espécie humana, não a valorizam, tudo fazendo para que se dilua por meio de infortúnios sociais e políticos. (...) Forçam por meios inimagináveis o aparecimento de uma "raça única" e miscigenada.
(na serra alta - J. Antunes)

11/06/20

REALIDADE E PRUDÊNCIA - RECOMENDAÇÕES PARA ESTES TEMPOS


Faz anos que entre os nossos amigos temos desaconselhado a instituição de grupos no sentido mais corrente. Faz anos (uma década!?)

Verificámos que, enquanto as mentalidades conservadoras tendem a achar estes tempos difíceis, as verdadeiras almas tradicionalistas acabam por descobrir-se em tempos especialíssimos de excepção, quase impossíveis, insuportáveis, talvez os últimos, indubitavelmente cada vez mais perto dos últimos tempos.

Espiritualmente falando, ao demónio não dá grande trabalho manter equivocadas os equivocados, manter os locais e "grupos/sistemas" praticamente garantidos; mas sim que lhe são mais apetecíveis as almas, sistemas, "grupos" mais vincados em lhe fazer oposição. Assim, a própria história recente tem demonstrado aos verdadeiros Tradicionalistas que os sistemas/grupos são mais facilmente confundidos e tomados pelo maligno que por vezes o geral das almas que os integram. Simplificando: são tomados primeiro os sistemas para que as almas neles confiadas sejam gradualmente arrastadas, enganadas, enfraquecidas etc.. [resumidamente]

Daqui que temos recomendado uma atenção especialíssima à hierarquia de verdadeiras prioridades na vida do católico e não admitir inversões e excepções nisso. É certo que nem todos poderão ter suficiente discernimento sem conhecimento ou alguma graça provida por Deus.

Posto isto, recomendámos sempre que os católicos se organizem mais por PROJECTOS sujeitos constantemente a uma como que revisão de acções: revisão rigorosa de acções/pensamentos, afirmações/negações feita com base nos princípios doutrinais e morais do Catolicismo. Porque muito menos hoje parece não poder haver novos grupos/sistemas inerrantes, imutáveis, impecáveis, imaculados etc. [veja-se como está a vida católica, por exemplo]

Evidentemente, escrevemos agora o que consideramos suficiente para aviso das almas. Este artigo não é uma exposição exaustiva nem uma apologia que tivesse a intenção de convencer. Com este artigo espera-se que algum leitor tenha também a graça de saber "ler".

Haverá quem pense que estamos em tempos de EXPANDIR; mas a nós tem sempre parecido que estamos em tempos de PROTEGER e RECOLHER [são movimentos em direcções opostas].

03/06/20

DECLARAÇÃO A RESPEITO DA ASSOCIAÇÃO "DO CRISTO REI E SÃO MIGUEL DA ALA"


DECLARAÇÃO A SOBRE A PRETENSA ORDEM MILITAR "DO CRISTO REI E SÃO MIGUEL DA ALA" E RESPECTIVA ASSOCIAÇÃO

Por estes dias, a por nós designada república-em-Portugal viu em si erigida mais uma associação de âmbito regional (Vila Real).

Depois de examinarmos o que diz de si mesma associação, tal como em tempos considerámos mui acertadamente a respeito do grupo Nova Portugalidade e associação Causa Tradicionalista, concluímos com tranquila e dorida certeza que:

1 - Uma vez mais, devemos reafirmar nestes tempos conturbados a desaprovação à instituição de grupos com os quais se pretenda representar o "tradicionalismo" (vemos nisso os perigos já bastante comprovados);

2 - evidentemente, não ficou realmente instituída Ordem Militar alguma (indubitavelmente, houve certo afrontamento do ambicioso intuito à dignidade e tradição das nossas verdadeiras Ordens Militares);

3 - utilizar uma associação como submisso instrumento de serviço a um grupo católico não nos parece talvez impossível. Contudo, porque não são muitos os dados disponibilizados (estatutos, regulamento interno, etc.) não pudemos estudar como a associação se relaciona com o grupo: critérios de eleição e hierarquias;

4 - em geral, o contexto da criação da associação dá suficiente sinal da sua natureza (quando? quem? como? etc.);

5 - não são poucos os erros conceptuais que estão na base desta iniciativa associativa, tais como "absolutismo" (conceito/palavra criado por iluministas maçónicos [circulo de influência de Benjamin Franklin] nos USA e para escarnecimento da tradicional monarquia*);

6 - a associação descarta à partida a tradição lusa como a excelentíssima chave de leitura que faltava, em detrimento da tradição franca (já a associação Causa Tradicionalista preferiu guiar-se pela tradição espanhola);

7 - são de natureza vária e múltiplos os erros, desde a ofensa às legitimidades ao legado que por dever devemos respeitar e proteger, etc. etc..

Interessando apenas alguns pontos ilustrativos do nosso aviso/declaração, não querendo demorar mais em outros tantos pontos, resta recomendar aos leitores absterem-se da dita "Ordem Militar".

Por agora é tudo.

Do responsável do blog ASCENDENS,
Pedro Oliveira

(* - Não advogamos a errada tese espanhola que se auto-designa por "monarquia tradicional". Por isto usamos "tradicional monarquia" para não confundir os leitores, e simplesmente designar aquela monarquia católica que tem sido pelos séculos anteriores).

29/05/20

PEQUENA DECLARAÇÃO - "Julgamento Final"

Como foram várias as pessoas informadas que o leitor do blog ASCENDENS Eduardo Almeida teria processado o autor deste blog, convém aclarar que:

1 - Acreditamos que aquelas pessoas são honestas no que disseram e não descartamos o seu testemunho;
2 - vez alguma o autor do blog ASCENDENS recebeu qualquer tipo de notificação processual, muito menos do resto;

3 - sugerimos a quem esta declaração ler pedir o número de processo [inexistente] a quem insistir na falsa propagação.

A ocorrência "informativa" testemunhada pelas várias pessoas deu-se faz quase um ano.

(julgamento particular e julgamento final)

31/03/20

CONSAGRAÇÃO DE PORTUGAL E ESPANHA II

Afinal, houve algumas alterações ao que tinha sido anunciado, e que tínhamos aqui noticiado a respeito da consagração de Portugal e Espanha aos Sagrados e Imaculados Corações. Não foi o Cardeal Patriarca de Lisboa, mas sim o Cardeal D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima!


Problemática:

 1 - durante a cerimónia não foi referido que os Bispos de Espanha estivessem unidos a esta  consagração, mas sima Conferência Episcopal da Espanha. Convenhamos, as Conferências Episcopais não são entidade que possa legitimamente ir para lá dos assuntos entre Bispos ("conferência"). Os legítimos Ordinários, estes sim, são cada um dos Bispos e têm poder e deveres territoriais.

2 - A consagração ao Sagrado Coração de Jesus foi clara, mas a menção ao Imaculado Coração de Maria aconteceu apenas numa parte do texto, a qual poderíamos chamar explicativa ou descritiva (estranha mania do Clero hodierno, que se atreve a dar catequese a Nosso Senhor e Nossa Senhora!). Não parece ter havido uma invocação ao Imaculado Coração de Maria, em suma!

3 - Posto isto, fica-nos incerta a validade da consagração!

Seria tão fácil ter feito as coisas bem!

23/03/20

CONSAGRAÇÃO DE PORTUGAL E ESPANHA


Depois da consagração de Portugal ao Imaculado Coração de Maria, em 13 de Maio de 2016, feita pelo Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa em unidade com os Bispos de cada uma das Dioceses portuguesas, veio recentemente um pedido para nova consagração, a saber, ao Imaculado Coração de Maria e Sagrado Coração de Jesus. Tempo andando, os Bispos da Espanha quiseram também seguir o exemplo para o seu território e decidiram unir-se alargando a mesma consagração à Península. O Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa fará a consagração ibérica. (infovaticana)


Lembrando que não pode alguém consagrar validamente o território alheio, observa-se no caso que há validade, uma vez que os Bispos dos respectivos territórios fazem-se representar/delegar pelo Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa.

Que o coronavirus (saúde física) tenha sido o motivo pelo qual os Senhores Bispos decidiram colocar "trancas à porta" da casa roubada... valha-nos pelo menos isso! Esperemos que a consagração seja geral, e não para obter apenas a saúde física e travamento da epidemia.

09/03/20

RÁPIDA AVALIAÇÃO

Considero que, depois deste longo intervalo de tempo sem publicações houve percas importantes. Olhando o panorama "tradicionalista" de momento, parece que quase tudo em bloco se deslocou "à esquerda". Nada de novo, porque é isto que tem ocorrido durante uma década principalmente. As bandeiras do "tradicionalismo deslizante" tiveram mais que tempo para provar um qualquer milagre de sanação, que não ocorreu afinal!

24/12/19

NATAL - 2019

O blog ASCENDENS deseja a todos
BOAS FESTAS;
Santo Natal e boas entradas em 2020.
 

21/12/19

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 32 (IV)

(continuação da III parte)

Mas ainda o Soberano Congresso, segundo os desejos do Independente, tivesse projectado a extinção das Religiões [entenda-se: expulsão das ordens religiosas], não seria contra a lei, antes seria em virtude da mesma lei da Liberdade da Imprensa, expor sentimentos opostos, enquanto isto estivesse só em projecto; pois para se discutirem as opiniões interessantes à Nação é que ela se estabeleceu; e só o que afinal se decreta e decide é que nos obriga a obedecer e calar. Desta liberdade é que se serviu o Independente para dar os seus conselhos posteriores aos dos projectos da Comissão, sem que ninguém o acusasse de ter infringido a lei. Se pois, opinando contra os projectos já existentes, não há informação da lei enquanto não estão decretados; muito menos a pode haver, opinando a favor dos mesmos projectos contra quem os impugna, como no caso presente.


O Autor deste artigo na verdade não trata com melindre os Mações: porém eles que se queixem. Se os há, e se julgam ofendidos, apareçam eles no Tribunal dos jurados para denunciar o Autor, que só contra eles é que fala: e se os não há, para que fim é tomar a sua defesa, e acusar quem os não lisonjeia? Demos que a sua existência é suposta e imaginária: mas é inegável que muita gente diz que os há, e que são tais como o Autor os representa: é invejável que os Supremos Pastores da Igreja têm declarado por excomungado todo aquele, que o for; e que a nossa Legislação ainda bem modernamente estabelece rigorosas penas contra as suas associações.

Vós todos, Srs. Juízes, conheceis bem a propriedade do Acusado: há longo tempo sois testemunhas da sua conduta, tanto Civil, como Religiosa: tem sido sempre manifesto, e até espectável o seu patriotismo: nada certamente tereis notado de repreensível em seu comportamento, ou considereis na ordem política, ou na moral. É pois só por não respeitar uma seita, ou não existente, ou proscrita pela Igreja, e pelo Estado, que será condenado um Português, que com tanto prazer acha nas Bases da Constituição que a sua Religião é a Católica Apostólica Romana, que esta seita pretende destruir? Se é um crime pensar, falar, e escrever segundo o espírito e o preceito das leis eclesiásticas e civis, que nos governam, o Autor é criminoso. Mas é só este o crime de que aqui pode ser acusado, e não de outro algum.

Por quanto, em suma, do que se trata unicamente (pois é só este, e nenhum outro, Srs. Juízes, o objecto da vossa reunião), é saber, e declarar se o Autor do Maço Férreo Anti-Maçónico está incurso, como diz a Denúncia do Promotor do Tribunal dos Jurados de Lisboa, na primeira e terceira espécie de artigo 12 da lei, que é: Abuso da Liberdade da Imprensa:
1.ª Excitando os Povos directamente à rebelião;
3.ª Atacando a forma do Governo Representativo, adoptado pela Nação.

Ora do que fica dito mostra-se que não pode achar-se nas expressões do Autor excitamento directo à rebelião, como era absolutamente necessário para incorrer nas penas da primeira espécie do artigo 12 da lei; porque excitamento directo, segundo os Códigos Constitucionais mesmo, é chamar formalmente os Povos à revolta com proclamações, ou escritos que provoquem positivamente a insurreição contra o Governo; o que aqui não há; e a Denúncia está em contradição consigo mesma, enquanto acusa o Autor de excitamento directo à sedição, sendo-lhe preciso fazer raciocínios e tirar conclusões das expressões do Autor, ainda mudadas e transtornadas a seu jeito, para mostrar que há excitamento directo à sedição: quando das próprias e genuínas expressões do Autor nem excitamento indirecto se pode mostrar; e ainda que se mostrasse já não incorria as penas da lei, por não ser directo.

Porém não só não há excitamento directo nem indirecto à sedição, mas antes pelo contrário há um excitamento indirecto à obediência, dizendo-se aos Povos que a Constituição é respeitável até no nome; e tão boa, que proibindo ela os crimes, os malévolos, cobertos com a sua capa, fazem dela um sacrilégio abuso para ficarem impunes. Portanto não há infracções da primeira espécie do artigo 12 da lei.

Mostra-se igualmente que se não ataca a forma do Governo Representativo, porque a reforma ou extinção das Religiões não tem nada com a forma do Governo adoptado pela Nação; que é o objecto da terceira espécie do mesmo artigo. Nem mesmo se atacam as determinações do Soberano Congresso, ou Governo Representativo: 

1.º Porque o ponto em questão à cerca das Religiões [ordens religiosas] não está ainda decretado, mas só em projecto; e bastaria isto para que o Autor não infringisse a lei, ainda que falasse contra ele, da mesma sorte que a não infringiu o Independente, e outros muitos, em iguais, e mais melindrosas circunstâncias;

2.º Porque este projecto do Soberano Congresso é de reforma, e não de extinção; não podendo de sorte alguma aplicar-se ao projecto de reforma o que o Maço Férreo diz dos conselhos de extinção dados pelo Independente; porque

3.º e muito principalmente, não só se não atacam as deliberações do Governo Representativo; mas são estas mesmas deliberações, são estes mesmos projectos de simples reforma que tacitamente se objectam aos péssimos conselhos de extinção dados pelo Independente; com isto é que o Maço Férreo os impugna; e faria um inepto argumento, se não julgasse bons aqueles projectos de reforma.

Portanto não há também infracção da terceira espécie do artigo 12 da lei; antes pelo contrário, dos mesmos períodos denunciados se mostra o respeito e submissão que o Autor deles consagra ao Governo Representativo, e o quanto o seu modo de sentir é conforme às ideias e intenções do Congresso Nacional.

São tão claras, tão palpáveis, e tão evidentes estes raciocínios, que eu espero, Srs. Juízes, do vosso bom senso e integridade que declareis o Autor do artigo denunciado plenamente absolvido da acusação que se lhe fez; e para que seja patente a todo o mundo a rectidão e justiça com que o absolveis; devem estas razões juntar-se aos autos.

Desta arte promoviam os corifeus da Justiça Constitucional aquela pretendida igualdade diante da lei, com que nos vieram aturdindo desde o Porto até Lisboa!! Podiam eles a seu salvo infringir as Bases Constitucionais, prescindir inteiramente das restrições da Liberdade da Imprensa, que tudo que era lei se entendia somente obrigatória dos Católicos e Realistas.... Bem de perto nos levaram do quid ultimum in servitute, de que tanto se horrorizava o Historiador mais filósofo da antiguidade.

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LISBOA, NA IMPRESSÃO RÉGIA. 1824
Com licença da Real Comissão de Censura

12/10/19

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 32 (III)

(continuação da II parte)


Sentença dos Juízes de facto de Coimbra, que vem na folha 45 do Processo

(Importa que eu renda as devidas graças ao Bacharel Zacharias Alves Faia, Advogado nos Auditórios de Coimbra, que fugindo ou esquivando-se outros de fazerem papel em uma causa, que tratada legalmente os privaria de mercês e graças do Patriarca dos rebeldes, por isso mesmo, como verdadeiro Cristão e bom Realista que é, aceitou gostosamente o encargo de me defender.)

O Conselho dos Juízes de Facto, consultando a convicção de sua consciência, entende que o impresso acusado não contém o abuso de que é arguido, nem o acusado é criminoso. Coimbra 11 de Setembro de 1822. - Alexandre Dias Pessoa - Pedro Paulo de Figueiredo da Cunha e Melo - António Honorato de Faria e Moura - António de Vasconcellos e Sousa - João Pedro Corrêa de Campos - António Joaquim Bajona - António da Cunha e Sousa - Manuel Dias de Sousa - Agostinho José Pinto de Almeida - Nicolau Soares Barbosa - Bento Joaquim de Lemos.

À vista da declaração dos Juízes de Facto, julgo ao réu inocente da denúncia contra ele dada, e não incurso na lei da Liberdade da Imprensa: pelo que mando que se lhe relaxe o sequestro, e que o mesmo réu goze da sua liberdade. Coimbra 11 de Setembro de 1822 - Pedro Henriques de Castro.

Passemos aos escritos mais notáveis sobre a minha causa - Apenas o Redactor da Gazeta Universal foi inteirado da denúncia, publicou o que se pode ver na Gazeta Universal Nº82.

Seguiu-se em Coimbra o meu oficialíssimo defensor o Reverendíssimo Padre Mestre Doutor Fr. João Huet, Cronista Mór do Reino, e Lente Substituto de Teologia na Universidade, que tratou os meus negócios, talvez com maior desvelo de que se fossem próprios, e que prescindindo generosamente de se indispor com esses Mandões, perante os quais ficaria apontado como inimigo do sistema, ou fautor dos Realistas e do Catolicismo, e por isso incapaz de exercer lugares públicos, fez tirar a lume cem exemplares de uma defesa que apresentou aos Juízes de Facto, e é a seguinte.

Defesa da Acusação feita no Tribunal dos Jurados contra o Doutor Fr. Fortunato de S. Boaventura, oferecida por um seu amigo aos Srs. Juizes de Facto da Comarca de Coimbra.

São dois os periodos do Artigo Maço Férreo Antimaçónico da Gazeta Universal N.º67, denunciaados no Tribunal dos Jurados da Cidade de Lisboa, como puníveis pela lei da Liberdade da Imprensa, e inclusos na primeira e terceira especie do artigo 12 da mesma lei por conterem excitamento directo à sedição, e ataque ao Sistema Constitucional; julgando-se procedente a denúncia pelos Juizes de Facto.

O primeiro diz: - Ah! Constituição, Constituição! Quantos malévolos, e quantos ímpios se cobrem com o teu respeitável nome, para fazerem  mais declarada guerra ao Catolicismo, e para levarem ao cabo os laminados fins dessa hidrópica sede de ouro, que os atormenta!

O segundo diz: - Foi jurada (que o sei) nas hediondas e lobregas cavernas do Maçonismo a extinção das Ordens Religiosas, que oferecem um abundante pasto à insaciável cobiça para o género humano!) carecem ainda dos meios necessários para consolidarem a facção dos Trolhas em as quatro partes do mundo. - E aludindo a uma passagem do Periódico intitulado Independente (Suplemento ao N.º45), que quer que Ordens inteiras sejam reduzidas a um só Convento, diz: - Veio já tarde (o Independente) com esses péssimos conselhos, que depois de turbarem o sossego de muitas famílias respeitáveis, acabariam por atear neste Reino as vorazes chamas da discórdia e da guerra civil.

A denúncia, que tem por objecto estes períodos, diz:

- No N.º67 ataca-se o Sistema Constitucional, e a Constituição, enquanto se diz que acolhe e encobre os ímpios, que têm declarado guerra ao Catolicismo; e se chama a Nação à discórdia e guerra civil, ou sedição, logo que apareça a reforma dos Conventos, tendo-se dito que esta reforma está decretada nas hediondas e lobregas cavernas do Maçonismo: e eis aqui um excitamento directo à sedição, e um ataque ao Sistema Constitucional para entrar na primeira e terceira espécie de lei no artigo 12.

Pela simples leitura dos sobreditos periódicos, e confrontação com a denúncia, parece que esta devia ser rejeitada in limine como improcedente, visto que ela acusa o Autor pelo que ele não diz: porquanto 1.º acusa-o por ele dizer: Que a Constituição acolhe e encobre os ímpios, que têm declarado guerra ao Catolicismo; quando ele pelo contrário diz; Que os ímpios é que se acolhem à Constituição, e se cobrem com o seu respeitável nome. 2.º Acusa-o de chamar a Nação à guerra civil logo que apareça a reforma dos Conventos; e de dizer que esta reforma foi decretada nas hediondas cavernas do Maçonismo; quando ele não fala de reforma, mas de extinção, porém só diz, conjecturando que ela excitaria a discórdia e guerra civil. É pois preciso inverter e transtornar inteiramente as expressões do Autor para achar nelas ataque à Constituição, ou excitamento à sedição contra as determinações do Soberano Congresso, quando tais imputações nem por sombra se fundam nas palavras ou mente do Autor (onde deviam expressamente fundar-se para proceder a denúncia), antes o contrário se mostra pela análise dos períodos denunciados. 

No primeiro período tão longe esta de se atacar ou inculcar por má a Constituição, dizendo-se que à sombra dela os ímpios e maléolos, cobertos com o seu respeitável nome, procuram fazer guerra ao Catolicismo, e encher-se de dinheiro; que antes isto é o maior abono e louvor que se pôde fazer à Constituição, pois supõe (como assim é), que ela proíbe estas maldades, as quais só por abuso se podem cometer à sombra desta boa Constituição (da qual até o nome é respeitável) contra o que ela determina e quer.  Querendo chamá-la boa em um grau eminente, ninguém saberia expressar-se mais energicamente de outro modo. Eu apello para vós mesmos, Srs. Juízes: quantas vezes tendes lido, tendes ouvido, e talvez dito, que à sombra da Religião (muito mais acrescentando-lhe o epíteto de Santa, ou Respeitável) se praticam grandes abusos; veio-vos nunca à mente que se atacava a Religião, que se tinha por má? Que se excitavam os Povos directa ou indirectamente a sacudir o seu jugo? Ou que tínheis incorrido (se assim o escrevêsseis) nas penas desta mesma lei da Liberdade da Imprensa?


Sustentai, Srs. Juízes, eu vo-lo rogo pelo bem do género humano, sustentai a boa inteligência deste modo de falar, ou estabelecei-nos um novo modo de nos expressamos: aliás daqui a dois dias não nos entendemos uns aos outros; porque a nova inteligência que na denúncia se quer atribuir a esta expressão, não pode ainda servir-nos de lei, nem fazer-nos responsáveis pela tomarmos na acepção em que toda a gente a tem tomado até ao dia de hoje.

No segundo período diz-se: Que foi jurada nas cavernas do Maçonismo a extinção das Ordens Religiosas. Isto é um facto. Querer-se-há pois negar este facto? Quando ele não tivesse transpirado dessas cavernas para nossas próprios ouvidos, não se lê ele repetidas vezes nos escritos dos Corifeus da Seita Maçónica! Não se lê ele em Linguagem Portuguesa nesses papeis que a mesma Seita tem ultimamente espalhado, para ver se realiza os votos de um dos seus Patriarcas (Diderot) de enforcar o último Rei com as tripas do último Sacerdote? Mas que tem a Constituição, com aquilo que fez o Soberano Congresso, como o que se decreta nas cavernas do Maçonismo? Acaso tem o Congresso Nacional decretado a extinção das Religiões [ordens religiosas]? Nada ainda tem decretado a este respeito: têm sim decretado que se deve fazer uma reforma nas Ordens Religiosas. Isto é outro facto: e tão longe está de ter decretado, ou querer a sua extinção, que no projecto, ainda o mais rigoroso, apresentado pela Comissão Eclesiástica ao Soberano Congresso para este fim, se propõe conservar mais de metade dos Conventos de cada uma delas.

A este facto é que o Autor alude, quando diz ao Redactor do Independente, que veio já tarde com os seus péssimos conselhos de reduzir Ordens inteiras a um só Convento; por ter já saído o projecto da Comissão, de conservar maior número de Conventos de cada uma delas, do que os que se deveriam suprimir. Porque, numa palavra, o que o Esclarecido Congresso intenta é uma reforma; e o que se tem decretado nas lobregas cavernas é a total extinção; esta, e não aquela, é a que perturbaria o sossego de muitas famílias respeitáveis; e não é muito dizer-se que então se atearia a chama da discórdia, e talvez a guerra civil. O exemplo dos nossos vizinhos nao nos deve fazer recear que sucedesse o mesmo em nossa casa?

Sendo pois certos, mas tão diferentes, estes dois factos; como é que a declaração contra um se pôde julgar um ataque feito ao outro? Extinção e reforma são contradictórias e opostas: uma exclui necessariamente a outra; porque a extinção tira todo o objecto da reforma; e a reforma não se pode fazer senão em objecto persistente. Ora o que se afirma de um de dois contradictórios, não se pode dizer afirmado do outro senão pela lógica mais inexacta e absurda; portanto afirmando-se neste período que nas cavernas do Maçonismo se têm decretado a extinção das Ordens Religiosas, e que com isto se perturbaria o sossego de muitas famílias respeitáveis, e se atearia a discórdia e a guerra civil, não se diz senão uma verdade, já bem sabida, que os Mações não quererão talvez que se diga, mas que é impossível que ofenda o Soberano Congresso, pois o que ele tem projectado é o contradictório desta extinção.

E é mais impossível ainda o poder-se concluir sem absurdo que se chama a Nação à guerra civil, logo que apareça a reforma das Religiões [ordens religiosas], intentada pelo Soberano Congresso, por se dizer: Que a total extinção decretada pelos Mações atearia a discórdia e guerra civil: porque do caso mesmo desta extinção o Autor só diz, conjecturando que se atearia a guerra civil; e isto não é excitar a ela. No caso porém da reforma projectada pelo Congresso Nacional, o Autor tanto não diz nem conjectura que isto excitará a discórdia e guerra civil, que antes por julgar racionáveis qualquer dos dois projectos de reforma propostos pela Comissão Eclesiástica, é que ele os contrapõe aos tardios conselhos do Independente, que contariam o sistema destes projectos.

Apesar desta oposição do Independente aos projectos da Comissão, já existentes e públicos, ninguém o acusou de atacar o Governo Representativo, nem as suas deliberações: e aquele, que aprovando o sistema destes projectos, os opõe e lança em rosto ao Independente, é acusado de atacar o Governo Representativo, ou as suas deliberações? Isto é incompreensível!.. Quem ataca o Sistema Constitucional, e o desacredita, são aqueles que pretendem fazer passar as sentenças do Independente, e de outros Escritores desta categoria por decisões do Congresso Nacional; querendo que se repute um ataque feito ao mesmo Congresso tudo o que se diz contra as opiniões destes Escritores de esquentado cérebro.

(continuação, IV parte)

07/05/19

O PUNHAL DOS CORCUNDAS Nº 32 (II)

(continuação da I parte)

Não me foi estranho que soasse logo o canhão de alarme, e fosse decretada solenemente nesses covis pedreirais a minha perseguição (ao mesmo tempo me elogiava pelo Maço Férreo na própria Gazeta Universal, e me excitava a combater os Mações uma personagem de alta hierarquia, e assaz conhecida pelo seu acrisolado realismo, e pelo seu tão vasto como profundo saber. Assim eu merecera os seus louvores como ele [o Excelentíssimo Senhor D. Luís António Carlos Furtado de Mendonça] as merece pela sua elegante e incontestável demonstração dos erros do Cidadão Lusitano, e pela excelente carta latina ao Santo Padre Pio VII, em que tão sucinta como eloquentemente deplora os males da Igreja Lusitana no governo constitucional!!). Um devoto militar foi o denunciante oculto, e uma ordem expressa do Ministro da Justiça fez pôr em movimento os austeros e incorruptíveis Jurados de Lisboa, que me deram por incurso na mais formal transgressão das leis coercitivas do exercício da liberdade da imprensa… Se eu blasfemasse de Nosso Senhor Jesus Cristo, dizia um piedoso Mação Conimbricense, não era nada, nem ele me dicaria aborrecendo por isso… mas ter eu a louca presunção de atacar o mimo da sabença, o corifeu, o dulce decus, et praesidium da Maçonaria Lusitana, era no seu conceito uma acção iníqua, atroz, e digna de muito mais que o perder a cadeira de grego, e direitos de cidadão, e os cinco anos de cadeia!!! Vi pois formar-se a negra e medonha tempestade, e sem grandes receios ou pavores tratei de poupar aos Mações Coimbrões o gostinho de me verem prezo na cadeia da Portagem, e tomei de tal sorte as minhas medidas, que me seria mais fácil e mais doce o morrer nas planícies de Castela, então um infestadas de guerrilhas de ambos os partidos realista e constitucional, do que ser uma vítima sacrificada ao ídolo Tomasiano (bem quisera eu especificar aqui pelos seus nomes todas as pessoas a quem fui devedor de especiais atenções e obséquios neste porventura o mais arriscado lance da minha existência. Enquanto se me não deparar ocasião de satisfazer estes meus desejos, farei ao menos especial memória do actual Prior de Vila Cova de Subavô Manuel Lopes Garcia, e de seu sobrinho o Padre Manuel  Garcia, residente em Gramassos, que me facilitaram a saída desde Vila Pouca até ao Mosteiro de Aguiar, onde fui cordialmente recebido e agasalhado pelo D. Abade Fr. Manuel de Melo, e pelo Celeireiro Fr. Sebastião de Morais. Eu não passaria neste Mosteiro alguns dias tranquilos se o actual Juiz de Fora de Castelo Rodrigo António Pinto Machado, tão bom Ministro como leal vassalo de ElRei Nosso Senhor, me não tivera sossegado nomeio dos meus bem fundados temores. Quando se começou a murmurar da minha longa demora naquele Mosteiro foi-me necessário mudar de terra, e no concelho de Selores, em Trás os Montes, achei refúgio até passar a tempestade, por conselho e por indústria de meu amigo Fr. Dionísio de Mesquita, Monge de S. Bernardo, que para o diante, como zeloso e ardente realista que sempre foi, militou na guerra Transmontana, o qual me fez viver sem receio em casa dos seus parente por espaço de cinquenta dias; e é bem digno de observação que constando aquele concelho de milhares de pessoas só ali houvesse um Constitucional!!!! Custa-me a deixar em silêncio o quanto devo ao meu Prelado local o Reverendíssimo Padre Mestre Fr. Francisco de Melo, e às duas Comunidades de Vila Pouca da Beira do Instituto do Louriçal, e de Lourvão da Ordem Cisterciense. Naquela mal posso notar preferência, excepto se for na actual Vigaria do Mosteiro Soror Maria do Santíssimo Coração de Jesus, natural de Alcobaça, onde me ensinou a ler, escrever, e contar; e nesta merece o primeiro lugar D. Ana Bárbara de Faria a actual Abadessa, que já o era nesse tempo, e que mereceu no sistema constitucional a distinta honra de ser denunciada no Astro da Lusitânia por ter feito recitar ou cantar um Te Deum em acção de graças pela declaração da Santa Aliança no Congresso de Verona. Em ambos estes Mosteiros se fizeram Orações fervorosas e incessantes, para que eu fosse livre da perseguição dos ímpios). Revela porém confessar ingenuamente que seriam talvez infructuosas estas medidas se a Providência não tivesse posto em Coimbra naquela época um desses homens, que seguindo imperturbavelmente os caminhos da honra, da probidade, e da justiça, parecem destinados para consolar os homens enfastiados de verem à roda de si cópia de baixezas, de perfídias, e de injustiças. Foi este homem o Corregedor, e actualmente Desembargador do Porto, António José da Silva Peixoto, que mais para o diante havia de figurar com os seus nobres e honrados sentimentos em causa de maior vulto, e mais graves consequências de que podiam ser todas quantas lhe apareceram em Coimbra durante o seu para mim, e para todos os Realistas, sempre memorável e saudoso triénio… De Lisboa se intimou a este digno Magistrado que me fizesse condenar a todo o custo!! Assim procede o Maçonismo em a execução dos seus palavreados de igualdade, liberdade, direitos de cidadão, e de livre comunicação dos pensamentos do homem!!! A minha retirada para o território espanhol fez demorar tanto a minha causa, que só veio a decidir-se em tempo do actual Corregedor Pedro Henriques de Castro, que não desmentiu nem um só ápice da nobre firmeza e imparcial justiça do seu antecessor, e bons três meses depois da jurídica e bem fundada pronúncia de Lisboa fui unânime e triunfalmente absolvido no Conselho dos Jurados de Coimbra, que nunca soube marchar em sentido constitucional, e que tanto em a minha causa, como em outras, que lhe foram devolvidas, mostrou a mais escrupulosa observância das lis, pondo de parte as tímidas contemplações, e os respeitos humanos, que tantas vezes empecem a boa administração da justiça, e conseguintemente a felicidade pública…. Se me esquivei de nomear os Juízes que me condenaram em Lisboa, e de fazer agora imprimir o libelo do Promotor de Coimbra, não praticarei o mesmo, nem com os Juízes que me absolveram, nem com os que me defenderam por escrito.

(continuação, II parte)

15/04/19

NOTRE DAME de PARIS - A QUEDA

Foi mais uma tristeza vinda da capital da França. O incêndio que hoje deflagrou em Notre Dame de Paris deixou quase todos entristecidos. Houve festejos por parte de muçulmanos, nas redes sociais.

A Catedral de Notre Dame, símbolo da França, em parte também da Cristandade, estava num processo de grande restauro, quando o terrível incêndio deu origem. O cume da perplexidade de quem assistiu ao histórico espetáculo foi o da queda da torre central (agulha), que erguia sobre todo o edifício um cruxifixo.


É impossível não meditar no acontecimento coincidente com o início da Semana Santa.


Rezemos pela França.

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